Mauro Ferreira no G1

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quinta-feira, 25 de junho de 2015

'Mil Tom 2' acerta mais do que o 1 ao apontar trilhos para trem 'bão' de Milton

Resenha de disco
Título: Mil Tom - Disco 2
Artista: Vários
Gravadora: Edição independente do produtor
Cotação: * * *
Disco disponível para download gratuito e legalizado no site Scream & Yell

Por mais que cada uma das 15 inéditas gravações alocadas no segundo volume do projeto Mil Tom reitere a soberania dos registros originais do cancioneiro de Milton Nascimento, sobretudo os feitos entre 1967 e 1982 pelo próprio artista e por intérpretes como Elis Regina (1945 - 1982) e Nana Caymmi, o Disco 2 soa mais coeso e sedutor do que o primeiro volume do tributo idealizado pelo produtor Pedro Ferreira. Boa parte dos convidados aponta trilhos interessantes para o trem bão deste compositor carioca de alma mineira. Aliás, o arranjo da banda carioca Baleia para E daí? (A queda) (Milton Nascimento e Ruy Guerra, 1978) evoca ligeiramente o barulho de um trem, símbolo da obra de Milton, entranhada entre as montanhas das Geraes, entre ares sempre novos. Há boas surpresas entre inevitáveis subversões. A cantora paranaense Ana Larousse inventa um belo Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) sem inventar moda. Verônica Ferriani também trabalha bem a Canção do sal (Milton Nascimento, 1966), confirmando sua evolução como intérprete em arranjo que remete ao tom indie de seu terceiro álbum. Já a cantora gaúcha Gisele de Santi encara Nos bailes da vida (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) com serenidade sem forçar um tom efusivo - o que valoriza a música e seu fraseado vocal. Voz de Curitiba (PR) que tem se feito ouvir no eixo Rio-São Paulo, Thaís Gulin confirma a afinação de sua voz límpida, de início soberana e quase solitária em registro de Amor de índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1978) cujo arranjo vai sobressaindo ao longo da gravação. Já Dani Black se excede nos floreios que mais embaçam do que enfeitam Paisagem da janela (Lô Borges e Fernando Brant, 1971). Por sua vez, o grupo cearense de rock Selvagens à Procura de Lei arma roda folk para fazer passar Nuvem cigana (Lô Borges e Ronaldo Bastos, 1972). Caindo no suingue, o paraense Felipe Cordeiro põe seu tempero do Norte em Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971). A Banda Mais Bonita da Cidade chega a Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974) com climas e personalidade. Já Blubell esfacela as mágoas de Beijo partido (Toninho Horta, 1975) entre um tom jazzy e um clima bluesy. Por fim, o grupo acriano Los Porongas toca Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972), mostrando que, sim, resiste na boca da noite um gosto de sol. Com saldo positivo, Mil Tom - Disco 2 tem seus momentos de brilho entre subversões.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Por mais que cada uma das 15 inéditas gravações alocadas no segundo volume do projeto Mil Tom reitere a soberania dos registros originais do cancioneiro de Milton Nascimento, sobretudo os feitos entre 1967 e 1982 pelo próprio artista e por intérpretes como Elis Regina (1945 - 1982) e Nana Caymmi, o Disco 2 soa mais coeso e sedutor do que o primeiro volume do tributo idealizado pelo produtor Pedro Ferreira. Boa parte dos convidados aponta trilhos interessantes para o trem bão deste compositor carioca de alma mineira. Aliás, o arranjo da banda carioca Baleia para E daí? (A queda) (Milton Nascimento e Ruy Guerra, 1978) evoca ligeiramente o barulho de um trem, símbolo da obra de Milton, entranhada entre as montanhas das Geraes, entre ares sempre novos. Há boas surpresas entre inevitáveis subversões. A cantora paranaense Ana Larousse inventa um belo Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) sem inventar moda. Verônica Ferriani também trabalha bem a Canção do sal (Milton Nascimento, 1966), confirmando sua evolução como intérprete em arranjo que remete ao tom indie de seu terceiro álbum. Já a cantora gaúcha Gisele de Santi encara Nos bailes da vida (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) com serenidade sem forçar um tom efusivo - o que valoriza a música e seu fraseado vocal. Voz de Curitiba (PR) que tem se feito ouvir no eixo Rio-São Paulo, Thaís Gulin confirma a afinação de sua voz límpida, de início soberana e quase solitária em registro de Amor de índio (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1978) cujo arranjo vai sobressaindo ao longo da gravação. Já Dani Black se excede nos floreios que mais embaçam do que enfeitam Paisagem da janela (Lô Borges e Fernando Brant, 1971). Por sua vez, o grupo cearense de rock Selvagens à Procura de Lei arma roda folk para fazer passar Nuvem cigana (Lô Borges e Ronaldo Bastos, 1972). Caindo no suingue, o paraense Felipe Cordeiro põe seu tempero do Norte em Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971). A Banda Mais Bonita da Cidade chega a Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974) com climas e personalidade. Já Blubell esfacela as mágoas de Beijo partido (Toninho Horta, 1975) entre um tom jazzy e um clima bluesy. Por fim, o grupo acriano Los Porongas toca Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972), mostrando que, sim, resiste na boca da noite um gosto de sol. Com saldo positivo, Mil Tom - Disco 2 tem seus momentos de brilho entre subversões.

Rafael M. disse...

Milton não é pra qualquer um... Eu achei interpretações como a da Thaís Gulin, Dani Black, entre outros muito fraquinhas... Talvez porque estas canções ficaram muito eternizadas na voz do Milton.

Rafael M. disse...

De qualquer forma, a Joia Moderna deveria lançar esse tributo em formato físico...

Dona Emengarda disse...

O tributo está disponivel para download gratuito e nao é lá essas coisas!
A Joia Moderna deveria lançar em formato físico para quem comprar?

Rafael M. disse...

A Joia Moderna deveria sim lançar esse disco em formato físico para que o mesmo tenha documentado o seu valor histórico.