Mauro Ferreira no G1

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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Pop, álbum 'Maior ou igual a dois' engrandece Chico Salem como compositor

Resenha de álbum
Título: Maior ou igual a dois
Artista: Chico Salem
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * 1/2

O nome do guitarrista paulista Chico Salem vem aparecendo como compositor nos últimos anos, geralmente associado à obra do parceiro Arnaldo Antunes, com quem o artista trabalha desde 1999. Em Maior ou igual a dois, segundo álbum de Salem, o nome do artista cresce sobretudo como compositor. Quatorze anos após um primeiro álbum solitário e metafórico que passou despercebido, O1 (Independente, 2002), Salem reaparece na hora certa com um disco autoral produzido por Guilherme Kastrup com o próprio Salem. Maior ou igual a dois é um disco de parcerias, nas composições e no canto das 14 músicas autorais, a maioria de luminosa cepa pop. Mudar de ideia - canção composta e gravada por Salem com a parceira Lu Lopes - ostenta  simplicidade que evoca os sucessos da Jovem Guarda e, sintomaticamente, tem teclados tocados por Marcelo Jeneci, súdito do rei Roberto Carlos. O arranjo - de início leve, em clima de luau, conduzido pelo toque da guitalele de Salem - ganha corpo quando sobressaem a guitarra de Gustavo Ruiz e o MPC pilotado por Kastrup. Contudo, Maior ou igual a dois é disco pautado pela leveza contemporânea. Parafraseando a letra de Obsessão (Como uma canção), parceria de Salem com Zeca Baleiro que abre o disco com a voz de Luê, Maior ou igual a dois deixa na cabeça melodias e versos de alguns bons refrões. A safra autoral da primeira metade do álbum é especialmente encantadora, mas o pique é mantido na segunda. Fala mal (Chico Salem), Um pouco ou demais  (Chico Salem e Arnaldo Antunes), Num dia (Chico Salem e Arnaldo Antunes, Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves)  - faixa gravada com a adição da voz lusitana de Manuela Azevedo - e Eu bem sei (Caetano Malta e Chico Salem) são canções que reiteram (para quem quiser ouvi-las sem pré-conceitos) a força da produção musical contemporânea brasileira. Maior ou igual a dois é disco gregário no qual Salem busca se firmar como cantor (eficiente, diga-se) de obra autoral que, justiça seja feita, soa mais inspirada do que a safra autoral reunida por Arnaldo Antunes no último disco solo do ex-Titã. Basta ouvir uma canção como Pra receber (Chico Salem e Lu Lopes) - gravada por Salem com a voz de Marcelo Jeneci - para atestar o vigor dessa produção musical. "De repente, uma cortina de fumaça / E você deixa de ver o que se passa / Quando vê, não saiu para dançar / Quando viu, foi ficando pra trás", alerta De repente (Henrique Alves e Chico Salem), música que demole certezas em uma das melhores letras de disco que versa sobre (des)amor. Tema encorpado pelo toque das guitarras de Estevan Sinkovitz, Eu indivisível (Danilo Moraes e Chico Salem) reafirma a relatividade e mutação dos fatos e sentimentos. Em clima lo-fi, pautado pelo lapsteel de Salem, Juntos e sozinhos (Chico Salem) se afina com a confessional Só eu sozinho (Chico Salem, Arnaldo Antunes e Betão Aguiar) por falar de solidão em disco que nasceu de encontros. Karina Burh reforça o espírito gregário de Maior ou igual a dois ao desencapar com a voz a roqueira Um fio, parceria de Salem com Arnaldo Antunes. Duas parcerias de Salem com Edu Mantovani - Menina benzina e Real demais - fecham bem a tampa de disco que eleva o nome de Salem no universo pop brasileiro. Maior ou igual a dois engrandece Chico Salem como compositor.

2 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ O nome do guitarrista paulista Chico Salem vem aparecendo como compositor nos últimos anos, geralmente associado à obra do parceiro Arnaldo Antunes, com quem o artista trabalha desde 1999. Em Maior ou igual a dois, segundo álbum de Salem, o nome do artista cresce sobretudo como compositor. Quatorze anos após um primeiro álbum solitário e metafórico que passou despercebido, O1 (Independente, 2002), Salem reaparece na hora certa com um disco autoral produzido por Guilherme Kastrup com o próprio Salem. Maior ou igual a dois é um disco de parcerias, nas composições e no canto das 14 músicas autorais, a maioria de luminosa cepa pop. Mudar de ideia - canção composta e gravada por Salem com a parceira Lu Lopes - ostenta simplicidade que evoca os sucessos da Jovem Guarda e, sintomaticamente, tem teclados tocados por Marcelo Jeneci, súdito do rei Roberto Carlos. O arranjo - de início leve, em clima de luau, conduzido pelo toque da guitalele de Salem - ganha corpo quando sobressaem a guitarra de Gustavo Ruiz e o MPC pilotado por Kastrup. Contudo, Maior ou igual a dois é disco pautado pela leveza contemporânea. Parafraseando a letra de Obsessão (Como uma canção), parceria de Salem com Zeca Baleiro que abre o disco com a voz de Luê, Maior ou igual a dois deixa na cabeça melodias e versos de alguns bons refrões. A safra autoral da primeira metade do álbum é especialmente encantadora, mas o pique é mantido na segunda. Fala mal (Chico Salem), Um pouco ou demais (Chico Salem e Arnaldo Antunes), Num dia (Chico Salem e Arnaldo Antunes, Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves) - faixa gravada com a adição da voz lusitana de Manuela Azevedo - e Eu bem sei (Caetano Malta e Chico Salem) são canções que reiteram (para quem quiser ouvi-las sem pré-conceitos) a força da produção musical contemporânea brasileira. Maior ou igual a dois é disco gregário no qual Salem busca se firmar como cantor (eficiente, diga-se) de obra autoral que, justiça seja feita, soa mais inspirada do que a safra autoral reunida por Arnaldo Antunes no último disco solo do ex-Titã. Basta ouvir uma canção como Pra receber (Chico Salem e Lu Lopes) - gravada por Salem com a voz de Marcelo Jeneci - para atestar o vigor dessa produção musical. "De repente, uma cortina de fumaça / E você deixa de ver o que se passa / Quando vê, não saiu para dançar / Quando viu, foi ficando pra trás", alerta De repente (Henrique Alves e Chico Salem), música que demole certezas em uma das melhores letras de disco que versa sobre (des)amor. Tema encorpado pelo toque das guitarras de Estevan Sinkovitz, Eu indivisível (Danilo Moraes e Chico Salem) reafirma a relatividade e mutação dos fatos e sentimentos. Em clima lo-fi, pautado pelo lapsteel de Salem, Juntos e sozinhos (Chico Salem) se afina com a confessional Só eu sozinho (Chico Salem, Arnaldo Antunes e Betão Aguiar) por falar de solidão em disco que nasceu de encontros. Karina Burh reforça o espírito gregário de Maior ou igual a dois ao desencapar com a voz a roqueira Um fio, parceria de Salem com Arnaldo Antunes. Duas parcerias de Salem com Edu Mantovani - Menina benzina e Real demais - fecham bem a tampa de disco que eleva o nome de Salem no universo pop brasileiro. Maior ou igual a dois engrandece Chico Salem como compositor.

Heliel Rocha disse...

Vou ouvir