Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Cauby deixa (vasta) discografia que extrapolou rótulos, épocas e tendências

Foram 85 anos de vida e 65 de carreira fonográfica. Diferentemente de outros ídolos da era do rádio, Cauby Peixoto (Niterói - RJ, 10 de fevereiro de 1931 / São Paulo - SP, 15 de maio de 2016) jamais deixou de frequentar os estúdios de gravação com a chegada da maturidade, tendo se mantido em cena até o apagar das luzes. Ao sair de cena no fim da noite de ontem, o cantor fluminense deixou discografia vasta que totalizou 48 álbuns lançados entre 1955 e 2015, se incluídos na conta os seis LPs de 10 polegadas editados entre 1955 e 1957, na década em que a indústria fonográfica do Brasil ainda dava prioridade ao formato do disco de 78 rotações por minuto. Foi aliás nesse formato que, em fevereiro de 1951, Cauby lançou o primeiro disco, com o samba Saia branca (Geraldo Medeiros, 1951) e a marcha Ai! Que carestia (Victor Somón e Liz Monteiro, 1951). Direcionado ao Carnaval, o disco passou batido. Mas era tão somente o primeiro dos 61 discos de 78 rotações por minuto lançados por Cauby entre 1951 e 1963. Naquele seminal ano de 1951, ninguém ainda poderia imaginar a longevidade do cantor que, no rústico formato de 78 rotações, cristalizaria na rara voz de barítono sucessos como os sambas-canção Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu, 1956) e Nono mandamento (René Bittencourt e Raul Sampaio, 1958). Cauby gravou álbuns pela Columbia e pela RCA-Victor na década que foi de 1955 a 1965. Depois, a discografia do cantor foi levada ao sabor dos ventos do mercado. Na década de 1970, Cauby gravou pouco, mas fez bons discos na Odeon e na Som Livre. Nos anos 1980, gravou discos com maior regularidade, impulsionado pelos sucesso de Bastidores (Chico Buarque, 1980), mas, a partir de 1986, passou a fazer álbuns por pequenos selos. Em 1995, Cauby canta Sinatra - álbum gravado com elenco estelar - deu início a uma série de projetos temáticos que, daí em diante, deu o tom vintage da discografia do artista. Somente em 2015 Cauby lançou nada menos do que dois álbuns temáticos, um deles pela gravadora Nova Estação, de Thiago Marques Luiz, produtor que manteve o cantor nos estúdios e nos palcos ao longo da última década. Cauby sings Nat King Cole (Nova Estação, 2015) jogou luz sobre fase, na segunda metade da década de 1950, em que o cantor chegou a tentar carreira nos Estados Unidos com o nome artístico de Ron Coby. Já A bossa de Cauby Peixoto (Biscoito Fino, 2015) foi o derradeiro título de discografia que, embora irregular, sedimentou o nome de Cauby Peixoto na galeria dos mitos da música brasileira. Com álbuns dedicados aos repertórios de nomes como Baden Powell (1937 - 2000), Beatles, Frank Sinatra (1915 - 1998) e Roberto Carlos, a discografia de Cauby extrapolou rótulos, épocas e tendências. Ainda que o grave registro vocal do cantor tenha sido mais associado aos boleros e sambas-canção, gêneros propícios aos intencionais arroubos de interpretação que caracterizam o estilo intenso do cantor, Cauby transitou por vários ritmos. Em 2000, em proeza inédita na discografia, chegou a gravar um álbum inteiramente dedicado ao samba que não é canção, Meu coração é um pandeiro (Som Livre). Vinte anos antes, pela mesma gravadora Som Livre, o cantor lançara um dos títulos mais emblemáticos da carreira, Cauby! Cauby! (1980), coeso álbum em que deu voz a músicas compostas para ele por grandes compositores da MPB projetada na era dos festivais dos anos 1960. A já mencionada música Bastidores, o hit do disco, não foi feita por Chico Buarque para Cauby, mas para a irmã Cristina Buarque. Só que Cauby se apropriou dela e tornou Bastidores um emblema tão forte na discografia do cantor quanto Conceição, o folhetinesco samba-canção de 1956. Cauby gravou muito, inclusive discos ao vivo com cantoras de similar identidade artística como Angela Maria, Leny Eversong (1920 - 1984) e Selma Reis (1960 - 2015). Nem tudo o que gravou esteve à altura da voz de timbre aveludado de um cantor guiado por escolhas nem sempre acertadas de produtores musicais e diretores artísticos de gravadoras. Mas tudo ganhou a marca desse cantor que se tornou grande, único, não somente por conta da voz. Eis os 48 álbuns que compõem a discografia do imortal Cauby Peixoto - o cantor que sai de cena para ficar, glorificado, na História:

1. Blue gardenia (Columbia, 1955)
2. Canção do rouxinol (Columbia, 1956)
3. Você, a música e Cauby (Columbia, 1956)
4. O show vai começar (Columbia, 1956)
5. Ouvindo Cauby (RCA Victor, 1957)
6. Música e romance (RCA Victor, 1957)
7. Quando os Peixotos se encontram (RGE, 1957)
8. Nosso amigo Cauby (Columbia, 1958)
9. Seu amigo Cauby canta para você (Columbia, 1959)
10. O sucesso na voz de Cauby Peixoto (RCA Victor, 1960)
11. Cauby Peixoto canta novos sucessos  (RCA Victor, 1961)
12. Perdão para dois  (RCA Victor, 1961)
13. Canção que inspirou você  (RCA Victor, 1962)
14. Tudo lembra você  (RCA Victor, 1963)
15. Cauby interpreta  (RCA Victor, 1964)
16. Cauby canta para ouvir e dançar  (RCA Victor, 1965)
17. Porque só penso em ti  (RCA Victor, 1965)
18. Um Drink com Cauby e Leny (Hot / Riosom, 1968) - disco ao vivo com Leny Eversong
19. O explosivo Cauby (Fermata, 1969)
20. El explosivo Cauby (Fermata, 1969) - gravado em espanhol para o mercado argentino
21. Superstar (EMI-Odeon, 1972)
22. Cauby (Som Livre, 1976)
23. Cauby (Som Livre, 1979)
24. Cauby! Cauby! (Som Livre, 1980)
25. Estrelas solitárias (Som Livre, 1982)
26. Angela & Cauby (EMI-Odeon, 1982)
27. Cauby! (Top Tape, 1986)
28. Só sucessos (Inverno & Verão, 1986)
29. Cauby é o show! (Fama, 1988) - disco ao vivo
30. Grandes emoções (Polydisc, 1991)
31. Angela & Cauby ao vivo (BMG, 1992) - com Angela Maria
32. Cauby canta Sinatra (Som Livre, 1995)
33. 20 super sucessos (Polydisc, 1998)
34. Cauby canta as mulheres (Albatroz, 1999)
35. Meu coração é um pandeiro (Som Livre, 2000)
36. Graças a Deus (CID, 2003)
37. Vozes (Albatroz, 2003) - com Selma Reis
38. Cauby canta Baden (Entrelinhas, 2006)
39. Eternamente Cauby Peixoto - 55 anos de carreira (Atração Fonográfica, 2006)
40. Cauby interpreta Roberto (Lua Music, 2009)
41. Cauby sings Sinatra (Lua Music, 2010)
42. Caubeatles (Lua Music, 2011) - Álbum lançado na caixa O mito (Lua Music, 2011)
43. Cauby ao vivo - 60 anos de música (Lua Music, 2011)
      -  Álbum lançado na caixa O mito (Lua Music, 2011)
44. A voz do violão  (Lua Music, 2011) -  Álbum lançado na caixa O mito (Lua Music, 2011)
45. Minha serenata (Lua Music, 2013)
46. Reencontro (Nova Estação, 2013) - com Angela Maria
47. Cauby sings Nat King Cole (Nova Estação, 2015)
48. A bossa de Cauby Peixoto (Biscoito Fino, 2015)

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Foram 85 anos de vida e 55 de carreira fonográfica. Diferentemente de outros ídolos da era do rádio, Cauby Peixoto (Niterói - RJ, 10 de fevereiro de 1931 / São Paulo - SP, 15 de maio de 2016) jamais deixou de frequentar os estúdios de gravação com a chegada da maturidade, tendo se mantido em cena até o apagar das luzes. Ao sair de cena no fim da noite de ontem, o cantor fluminense deixou discografia vasta que totalizou 48 álbuns lançados entre 1956 e 2015, se incluídos na conta os seis LPs de 10 polegadas editados entre 1955 e 1957, na década em que a indústria fonográfica do Brasil ainda dava prioridade ao formato do disco de 78 rotações por minuto. Foi nesse formato que, em fevereiro de 1951, Cauby lançou o primeiro disco, com o samba Saia branca (Geraldo Medeiros, 1951) e a marcha Ai! Que carestia (Victor Somón e Liz Monteiro, 1951). Direcionado ao Carnaval, o disco passou batido. Mas era tão somente o primeiro dos 61 discos de 78 rotações por minuto lançados por Cauby entre 1951 e 1963. Naquele seminal ano de 1951, ninguém poderia imaginar a longevidade do cantor que, ainda no formato de 78 rotações, cristalizaria na voz de barítono sucessos como os sambas-canção Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu, 1956) e Nono mandamento (René Bittencourt e Raul Sampaio, 1958). Cauby gravou álbuns pela Columbia e pela RCA-Victor na década que foi de 1955 a 1965. Depois, a discografia do cantor foi levada ao sabor dos ventos do mercado. Na década de 1970, Cauby gravou pouco, mas fez bons discos na Odeon e na Som Livre. Nos anos 1980, gravou discos com maior regularidade, impulsionado pelos sucesso de Bastidores (Chico Buarque, 1980), mas, a partir de 1986, passou a fazer álbuns por pequenos selos. Em 1995, Cauby canta Sinatra - álbum gravado com elenco estelar - deu início a uma série de projetos temáticos que, daí em diante, deu o tom da discografia do artista. Somente em 2015 Cauby lançou nada menos do que dois álbuns temáticos, um deles pela gravadora Nova Estação, de Thiago Marques Luiz, produtor que manteve o cantor nos estúdios e nos palcos ao longo da última década. Cauby sings Nat King Cole (Nova Estação, 2015) jogou luz sobre fase, na segunda metade da década de 1950, em que o cantor chegou a tentar carreira nos Estados Unidos com o nome artístico de Ron Coby. Já A bossa de Cauby Peixoto (Biscoito Fino, 2015) foi o derradeiro título de discografia que, embora irregular, sedimentou o nome de Cauby Peixoto na galeria dos mitos da música brasileira. Com álbuns dedicados aos repertórios de nomes como Baden Powell (1937 - 2000), Beatles, Frank Sinatra (1915 - 1998) e Roberto Carlos, a discografia de Cauby extrapolou rótulos, épocas e tendências. Ainda que o grave registro vocal do cantor tenha sido mais associado aos boleros e sambas-canção, gêneros propícios aos intencionais arroubos de interpretação que caracterizam o estilo intenso do cantor, Cauby transitou por vários ritmos. Em 2000, em proeza inédita na discografia, chegou a gravar um álbum inteiramente dedicado ao samba que não é canção, Meu coração é um pandeiro (Som Livre). Vinte anos antes, pela mesma gravadora Som Livre, o cantor lançou um dos títulos mais emblemáticos da carreira, Cauby! Cauby! (1980), álbum em que deu voz a músicas compostas para ele por grandes compositores da MPB projetada na era dos festivais dos anos 1960. A já mencionada música Bastidores, o hit do disco, não foi feita por Chico Buarque para Cauby, mas, para a irmã Cristina Buarque. Só que Cauby se apropriou dela e tornou Bastidores um emblema tão forte na discografia do cantor quanto Conceição, o folhetinesco samba-canção de 1956. Cauby gravou muito, inclusive discos ao vivo com cantoras de similar identidade artística como Angela Maria, Leny Eversong (1920 - 1984) e Selma Reis (1960 - 2015). Nem tudo o que gravoy esteve à altura da voz de timbre único de um cantor guiado por escolhas nem sempre acertadas de produtores musicais e diretores artísticos de gravadoras. Mas tudo ganhou a marca de um cantor que se tornou grande, único, não somente por conta da voz.

Mauro Ferreira disse...

Eis os 48 álbuns que compõem a discografia do imortal Cauby Peixoto - o cantor que sai de cena para ficar na História:

1. Blue gardenia (Columbia, 1955)
2. Canção do rouxinol (Columbia, 1956)
3. Você, a música e Cauby (Columbia, 1956)
4. O show vai começar (Columbia, 1956)
5. Ouvindo Cauby (RCA Victor, 1957)
6. Música e romance (RCA Victor, 1957)
7. Quando os Peixotos se encontram (RGE, 1957)
8. Nosso amigo Cauby (Columbia, 1958)
9. Seu amigo Cauby canta para você (Columbia, 1959)
10. O sucesso na voz de Cauby Peixoto (RCA Victor, 1960)
11. Cauby Peixoto canta novos sucessos (RCA Victor, 1961)
12. Perdão para dois (RCA Victor, 1961)
13. Canção que inspirou você (RCA Victor, 1962)
14. Tudo lembra você (RCA Victor, 1963)
15. Cauby interpreta (RCA Victor, 1964)
16. Cauby canta para ouvir e dançar (RCA Victor, 1965)
17. Porque só penso em ti (RCA Victor, 1965)
18. Um Drink com Cauby e Leny (Hot / Riosom, 1968) - disco ao vivo com Leny Eversong
19. O explosivo Cauby (Fermata, 1969)
20. El explosivo Cauby (Fermata, 1969) - gravado em espanhol para o mercado argentino
21. Superstar (EMI-Odeon, 1972)
22. Cauby (Som Livre, 1976)
23. Cauby (Som Livre, 1979)
24. Cauby! Cauby! (Som Livre, 1980)
25. Estrelas solitárias (Som Livre, 1982)
26. Angela & Cauby (EMI-Odeon, 1982)
27. Cauby! (Top Tape, 1986)
28. Só sucessos (Inverno & Verão, 1986)
29. Cauby é o show! (Fama, 1988) - disco ao vivo
30. Grandes emoções (Polydisc, 1991)
31. Angela & Cauby ao vivo (BMG, 1992) - com Angela Maria
32. Cauby canta Sinatra (Som Livre, 1995)
33. 20 super sucessos (Polydisc, 1998)
34. Cauby canta as mulheres (Albatroz, 1999)
35. Meu coração é um pandeiro (Som Livre, 2000)
36. Graças a Deus (CID, 2003)
37. Vozes (Albatroz, 2003) - com Selma Reis
38. Cauby canta Baden (Entrelinhas, 2006)
39. Eternamente Cauby Peixoto - 55 anos de carreira (Atração Fonográfica, 2006)
40. Cauby interpreta Roberto (Lua Music, 2009)
41. Cauby sings Sinatra (Lua Music, 2010)
42. Caubeatles (Lua Music, 2011) - Álbum lançado na caixa O mito (Lua Music, 2011)
43. Cauby ao vivo - 60 anos de música (Lua Music, 2011)- Álbum lançado na caixa O mito (Lua Music, 2011)
44. A voz do violão (Lua Music, 2011) - Álbum lançado na caixa O mito (Lua Music, 2011)
45. Minha serenata (Lua Music, 2013)
46. Reencontro (Nova Estação, 2013) - com Angela Maria
47. Cauby sings Nat King Cole (Nova Estação, 2015)
48. A bossa de Cauby Peixoto (Biscoito Fino, 2015)

Rafael M. disse...

Inacreditável (e inaceitável) que o primeiro disco dele, o "Blue Gardenia" seja inédito no formato digital...

Luca disse...

é muito disco, ele gravou muito

ADEMAR AMANCIO disse...

'Entronizado no pedestal de melhor cantor brasileiro que poderia ter sido',Tárik de Souza sobre o Cauby em seu livro "Tem mais samba:das raízes à eletrônica".Eu acrescentaria que quando acertava no repertório foi sempre o melhor.