Mauro Ferreira no G1

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Álbum inventaria obra de Irineu de Almeida e faz ressoar o som do oficleide

Lançado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de maio de 2016, o álbum Irineu de Almeida e o oficleide 100 anos depois chega ao mercado fonográfico brasileiro com a missão cumprida de fazer duplo resgate histórico. Além de inventariar a obra do compositor, trombonista e oficleidista (de presumível origem carioca) Irineu Gomes de Almeida (23 de novembro de 1863 - 22 de agosto de 1914), integrante da primeira formação da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro em 1896, o disco faz ressoar o som do oficleide e a sonoridade do choro tal como o gênero era tocado no fim do século XIX. Instrumento de sopro de origem francesa, inventado em 1817, o oficleide chegou ao Brasil por volta de 1850 e se tornou fundamental na construção da sonoridade inicial do choro. Mas o instrumento - celebrizado justamente por Irineu de Almeida, líder do grupo Choro Carioca - acabou sendo progressivamente deixado de lado pelos chorões posteriores, passando a ser substituído pelo violão de sete cordas. O álbum Irineu de Almeida e o oficleide 100 anos - gravado entre 3 e 6 de novembro de 2015 no estúdio da gravadora Biscoito Fino, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) - reapresenta 14 registros inéditos de músicas de autoria de Irineu. Os temas são tocados por um grupo de choro formado por Everson Moraes (oficleide), Aquiles Moraes (cornet), Leonardo Miranda (flauta), Lucas Oliveira (cavaquinho), Iuri Bittar (violão) e Marcus Tadeu (ritmo). O embrião do disco ganhou vida em 2013, quando o trombonista e bombardinista Everson Moraes encontrou um oficleide abandonado em fazenda de café do interior do Estado de São Paulo. O músico arrematou o instrumento e começou a estudá-lo, importando da França, na sequência, outros dois oficleides, ambos centenários. É no toque do oficleide de Everson que o álbum rebobina temas da obra autoral de Irineu como o (até então inédito em disco) choro Pisca-pisca e a polca Albertina (gravada em 1911 pelo grupo Choro Carioca). De carátert histórico, o repertório eleva o valor documental do álbum Irineu de Almeida e o oficleide 100 anos depois por apresentar temas até nunca registrados em disco como Lembranças - schottisch de batida marcial - e a valsa Despedida, arranjada pelo violonista Maurício Carrilho. O repertório inclui a polca Qualquer cousa, cuja gravação original - feita em 1910 - é a única feita com um solo de oficleide de que se tem notícia em escala mundial. A composição Qualquer cousa também é registrada em ritmo de choro.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Lançado pela gravadora Biscoito Fino neste mês de maio de 2016, o álbum Irineu de Almeida e o oficleide 100 anos depois chega ao mercado fonográfico brasileiro com a missão cumprida de fazer duplo resgate histórico. Além de inventariar a obra do compositor, trombonista e oficleidista (de presumível origem carioca) Irineu Gomes de Almeida (23 de novembro de 1863 - 22 de agosto de 1974), integrante da primeira formação da Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro em 1896, o disco faz ressoar o som do oficleide e a sonoridade do choro tal como o gênero era tocado no fim do século XIX. Instrumento de sopro de origem francesa, inventado em 1817, o oficleide chegou ao Brasil por volta de 1850 e se tornou fundamental na construção da sonoridade inicial do choro. Mas o instrumento - celebrizado justamente por Irineu de Almeida, líder do grupo Choro Carioca - acabou sendo progressivamente deixado de lado pelos chorões posteriores, passando a ser substituído pelo violão de sete cordas. O álbum Irineu de Almeida e o oficleide 100 anos - gravado entre 3 e 6 de novembro de 2015 no estúdio da gravadora Biscoito Fino, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) - reapresenta 14 registros inéditos de músicas de autoria de Irineu. Os temas são tocados por um grupo de choro formado por Everson Moraes (oficleide), Aquiles Moraes (cornet), Leonardo Miranda (flauta), Lucas Oliveira (cavaquinho), Iuri Bittar (violão) e Marcus Tadeu (ritmo). O embrião do disco ganhou vida em 2013, quando o trombonista e bombardinista Everson Moraes encontrou um oficleide abandonado em fazenda de café do interior do Estado de São Paulo. O músico arrematou o instrumento e começou a estudá-lo, importando da França, na sequência, outros dois oficleides, ambos centenários. É no toque do oficleide de Everson que o álbum rebobina temas da obra autoral de Irineu como o (até então inédito em disco) choro Pisca-pisca e a polca Albertina (gravada em 2011 pelo grupo Choro Carioca). De carátert histórico, o repertório eleva o valor documental do álbum Irineu de Almeida e o oficleide 100 anos depois por apresentar temas até nunca registrados em disco como Lembranças - schottisch de batida marcial - e a valsa Despedida, arranjada pelo violonista Maurício Carrilho. O repertório inclui a polca Qualquer cousa, cuja gravação original - feita em 1910 - é a única feita com um solo de oficleide de que se tem notícia em escala mundial. A composição Qualquer cousa também é registrada em ritmo de choro.

Everson Neves de Moraes disse...

Olá Mauro, que ótimos seus comentários. Gostaria apenas de sugerir alterar 2 datas no seu texto. O Irineu de Almeida faleceu no dia 22 de agosto de 1914 (saiu 1974). A música Albertina foi gravada pelo grupo Choro Carioca em 1911 (no texto está 2011).
Um grande abraço e muito obrigado
Everson Moraes

Everson Neves de Moraes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mauro Ferreira disse...

Everson, grato pelos toques dos erros de digitação. Ambos já corrigidos. Abs, MauroF