Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 24 de maio de 2016

Carol Saboya evolui bem na dança da voz da MPB 'jazzy' que pauta 'Carolina'

Resenha de álbum
Título: Carolina
Artista: Carol Saboya
Gravadora: AAM / Rob Digital (distribuição no Brasil)
Cotação: * * * 1/2

Cantora carioca que debutou no mercado fonográfico em 1997 quando a MPB já estava jogada à margem do mercado fonográfico brasileiro, Carol Saboya é do tipo de intérprete brasileira mais valorizada no exterior - sobretudo em nichos mercadológicos dos Estados Unidos e do Japão - do que no próprio Brasil. Admiradores estrangeiros da MPB saúdam e consomem com gosto a música refinada cantada por Carolina Job Saboya, filha do pianista e arranjador carioca Antonio Adolfo. É para esses nichos que Carolina - o 12º título da discografia da cantora - se dirige primordialmente, embora o álbum também esteja sendo lançado no Brasil em edição física em CD distribuída via Rob Digital. Carolina reitera atributos de Carol como cantora ao longo de dez gravações que transitam pela MPB com o toque jazzy da banda virtuosa formada pelos músicos André Siqueira (percussão), Jorge Helder (baixo), Leo Amuedo (guitarra), Marcelo Martins (saxofone e flauta), Rafael Barata (bateria e percussão) sob a liderança do pianista Antonio Adolfo, produtor de Carolina. Sobretudo a afinação e emissão exemplares, expostas no canto límpido do samba A felicidade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), por exemplo. Passarim (Antonio Carlos Jobim, 1985) voa em harmonia nessa fina mistura de música brasileira com a tal influência do jazz. É o mesmo voo feito em segurança por Avião (1989), samba de Djavan, compositor cultuado nesses nichos jazzísticos dos EUA pelas harmonias inusitadas da singular obra autoral. A voz de Carol evolui bem nessa dança entre a MPB e o jazz posto como o tempero sutil das dez gravações de Carolina, jamais como o gênero-guia dos fonogramas. É fato que Carol Saboya não é cantora que chama especial atenção pelo sentimento posto na interpretação - o que fica evidente na abordagem de outra composição de Djavan, Faltando um pedaço (1981), na lembrança de Olha, Maria (Antonio Carlos Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes, 1970) e no canto de Fragile (1987), sucesso da discografia solo do cantor e compositor inglês Sting. Mesmo que falte a densidade sugerida pelos versos que abrem fendas emocionais na canção de Djavan, Faltando um pedaço é mais um exemplo da afinação e emissão perfeitas da cantora. O trunfo de Carol Saboya é a musicalidade apurada do canto - cujo senso rítmico a capacita para o gol feito em 1 x 0 (Pixinguinha e Benedito Lacerda, 1946), o choro que Carol segura bem com a letra escrita em 1993 pelo compositor mineiro Nelson Angelo. Com joias raras como Senhoras do Amazonas (1984), única parceria de João Bosco com o atualmente arisco Belchior, Carolina é disco pautado pela sofisticação, apto a encantar admiradores da música brasileira mundo afora. Como ressalta Zanzibar (Edu Lobo, 1970), tema instrumental levado por Carol nos vocalises, a voz de Carolina Job Saboya por vezes funciona como um instrumento na dança em que cantora e músicos se afinam em registros que evidenciam musicalidade refinada, biscoito finíssimo para quem tem apurado paladar musical. Carolina é disco para poucos e bons...

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Cantora carioca que debutou no mercado fonográfico em 1997 quando a MPB já estava jogada à margem do mercado fonográfico brasileiro, Carol Saboya é do tipo de intérprete brasileira mais valorizada no exterior - sobretudo em nichos mercadológicos dos Estados Unidos e do Japão - do que no próprio Brasil. Admiradores estrangeiros da MPB saúdam e consomem com gosto a música refinada cantada por Carolina Job Saboya, filha do pianista e arranjador carioca Antonio Adolfo. É para esses nichos que Carolina - o 12º título da discografia da cantora - se dirige primordialmente, embora o álbum também esteja sendo lançado no Brasil em edição física em CD distribuída via Rob Digital. Carolina reitera as qualidades de Carol como cantora - sobretudo a afinação e emissão exemplares, evidentes no canto límpido do samba A felicidade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1959), por exemplo - ao longo de dez gravações que transitam pela MPB com o toque jazzy da banda virtuosa formada pelos músicos André Siqueira (percussão), Jorge Helder (baixo), Leo Amuedo (guitarra), Marcelo Martins (saxofone e flauta), Rafael Barata (bateria e percussão) sob a liderança do pianista Antonio Adolfo, produtor de Carolina. Passarim (Antonio Carlos Jobim, 1985) voa em harmonia nessa fina mistura de música brasileira com a tal influência do jazz. É o mesmo voo feito em segurança por Avião (1989), samba de Djavan, compositor cultuado nesses nichos jazzísticos dos EUA pelas harmonias inusitadas da singular obra autoral. A voz de Carol evolui bem nessa dança entre a MPB e o jazz posto como o tempero sutil das gravações de Carolina, jamais como o gênero-guia dos fonogramas. Ela não é uma cantora que chama pela especial atenção pelo sentimento posto na interpretação - o que fica evidente na abordagem de outra composição de Djavan, Faltando um pedaço (1981), na lembrança de Olha, Maria (Antonio Carlos Jobim, Chico Buarque e Vinicius de Moraes, 1970) e no canto de Fragile (1987), sucesso da discografia solo do cantor e compositor inglês Sting. Mesmo que falte a densidade sugerida pelos versos que abrem fendas emocionais na canção de Djavan, Faltando um pedaço é mais um exemplo da afinação e emissão perfeitas da cantora. O trunfo de Carol Saboya é a musicalidade apurada do canto - cujo senso rítmico a capacita para o gol feito em 1 x 0 (Pixinguinha e Benedito Lacerda, 1946), o choro que Carol segura bem com a letra escrita em 1993 pelo compositor mineiro Nelson Angelo. Com joias raras como Senhoras do Amazonas (1984), única parceria de João Bosco com o atualmente arisco Belchior, Carolina é disco pautado pela sofisticação, apto a encantar admiradores da música brasileira mundo afora. Como ressalta Zanzibar (Edu Lobo, 1970), tema instrumental levado por Carol nos vocalises, a voz de Carolina Job Saboya por vezes funciona como um instrumento na dança em que cantora e músicos se afinam em registros que evidenciam musicalidade refinada, biscoito finíssimo para quem tem apurado paladar musical. Carolina é disco para poucos e bons...

Daniel Souza Cabral disse...

Já havia ouvido lá no Spotify. Gostei sim. Aliás sempre procuro o disco que ela gravou Alagoas de Djavan e nunca encontro.

Rafael M. disse...

O disco é lindo... Ótimo trabalho da Carol...

maroca disse...

Augusto Flávio (Petrolina-Pe/Juazeiro-Ba)

Daniel Souza Cabral, aqui está um link ativo do disco de Carol Saboya que tem Alagoas.

http://minhateca.com.br/baudebola/UQT/Carol+Saboya+-+2003+-+Bossa+Nova,815493772.rar%28archive%29#_=_

Baixe o disco e quando você encontrar o original compre-o.

Rhenan Soares disse...

Não conhecia a Carol. Encontrei o disco por acaso, na Deezer, e ouvi meio aleatoriamente, lavando louças, mas também adorei. Vou voltar a ele.