Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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terça-feira, 17 de maio de 2016

Cauby deixa álbum gravado em março com 10 músicas do repertório de Dick

Em 8 e 9 de fevereiro deste ano de 2016, Cauby Peixoto (1931 - 2016) se apresentou no teatro do Sesc Pompeia, na cidade de São Paulo (SP), com show que, embora calcado no álbum A bossa de Cauby Peixoto (Biscoito Fino, 2015), embutiu no roteiro um tributo do cantor fluminense ao cantor, compositor e pianista carioca Dick Farney (1921 - 1987). No embalo da homenagem, Cauby - em foto de Marco Aurélio Olímpio - decidiu gravar um disco com o repertório de Farney, artista de voz macia cujo canto era, em tese, a antítese do estilo mais acalorado de Cauby. Três semanas após o show, já em março, Cauby entrou em estúdio da cidade de São Paulo (SP) sob a batuta do produtor Thiago Marques Luiz e gravou, num único dia, dez músicas do repertório de Farney. O combinado com o produtor era lançar o álbum somente no fim deste ano de 2016. "Ele ficou muito feliz com os shows e pediu para gravar o disco. Como eu tinha tudo pronto, foi fácil e foi super rápido", conta Marques Luiz. Guardado, o material gravado pelo cantor na derradeira sessão de estúdio nunca foi mexido. Diante da saída de cena de Cauby, o produtor ainda não sabe se e quando lançará o álbum que vai se tornar, por obra do destino,  o primeiro título póstumo da discografia de Cauby Peixoto.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Cauby deixa (vasta) discografia que extrapolou rótulos, épocas e tendências

Foram 85 anos de vida e 65 de carreira fonográfica. Diferentemente de outros ídolos da era do rádio, Cauby Peixoto (Niterói - RJ, 10 de fevereiro de 1931 / São Paulo - SP, 15 de maio de 2016) jamais deixou de frequentar os estúdios de gravação com a chegada da maturidade, tendo se mantido em cena até o apagar das luzes. Ao sair de cena no fim da noite de ontem, o cantor fluminense deixou discografia vasta que totalizou 48 álbuns lançados entre 1955 e 2015, se incluídos na conta os seis LPs de 10 polegadas editados entre 1955 e 1957, na década em que a indústria fonográfica do Brasil ainda dava prioridade ao formato do disco de 78 rotações por minuto. Foi aliás nesse formato que, em fevereiro de 1951, Cauby lançou o primeiro disco, com o samba Saia branca (Geraldo Medeiros, 1951) e a marcha Ai! Que carestia (Victor Somón e Liz Monteiro, 1951). Direcionado ao Carnaval, o disco passou batido. Mas era tão somente o primeiro dos 61 discos de 78 rotações por minuto lançados por Cauby entre 1951 e 1963. Naquele seminal ano de 1951, ninguém ainda poderia imaginar a longevidade do cantor que, no rústico formato de 78 rotações, cristalizaria na rara voz de barítono sucessos como os sambas-canção Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu, 1956) e Nono mandamento (René Bittencourt e Raul Sampaio, 1958). Cauby gravou álbuns pela Columbia e pela RCA-Victor na década que foi de 1955 a 1965. Depois, a discografia do cantor foi levada ao sabor dos ventos do mercado. Na década de 1970, Cauby gravou pouco, mas fez bons discos na Odeon e na Som Livre. Nos anos 1980, gravou discos com maior regularidade, impulsionado pelos sucesso de Bastidores (Chico Buarque, 1980), mas, a partir de 1986, passou a fazer álbuns por pequenos selos. Em 1995, Cauby canta Sinatra - álbum gravado com elenco estelar - deu início a uma série de projetos temáticos que, daí em diante, deu o tom vintage da discografia do artista. Somente em 2015 Cauby lançou nada menos do que dois álbuns temáticos, um deles pela gravadora Nova Estação, de Thiago Marques Luiz, produtor que manteve o cantor nos estúdios e nos palcos ao longo da última década. Cauby sings Nat King Cole (Nova Estação, 2015) jogou luz sobre fase, na segunda metade da década de 1950, em que o cantor chegou a tentar carreira nos Estados Unidos com o nome artístico de Ron Coby. Já A bossa de Cauby Peixoto (Biscoito Fino, 2015) foi o derradeiro título de discografia que, embora irregular, sedimentou o nome de Cauby Peixoto na galeria dos mitos da música brasileira. Com álbuns dedicados aos repertórios de nomes como Baden Powell (1937 - 2000), Beatles, Frank Sinatra (1915 - 1998) e Roberto Carlos, a discografia de Cauby extrapolou rótulos, épocas e tendências. Ainda que o grave registro vocal do cantor tenha sido mais associado aos boleros e sambas-canção, gêneros propícios aos intencionais arroubos de interpretação que caracterizam o estilo intenso do cantor, Cauby transitou por vários ritmos. Em 2000, em proeza inédita na discografia, chegou a gravar um álbum inteiramente dedicado ao samba que não é canção, Meu coração é um pandeiro (Som Livre). Vinte anos antes, pela mesma gravadora Som Livre, o cantor lançara um dos títulos mais emblemáticos da carreira, Cauby! Cauby! (1980), coeso álbum em que deu voz a músicas compostas para ele por grandes compositores da MPB projetada na era dos festivais dos anos 1960. A já mencionada música Bastidores, o hit do disco, não foi feita por Chico Buarque para Cauby, mas para a irmã Cristina Buarque. Só que Cauby se apropriou dela e tornou Bastidores um emblema tão forte na discografia do cantor quanto Conceição, o folhetinesco samba-canção de 1956. Cauby gravou muito, inclusive discos ao vivo com cantoras de similar identidade artística como Angela Maria, Leny Eversong (1920 - 1984) e Selma Reis (1960 - 2015). Nem tudo o que gravou esteve à altura da voz de timbre aveludado de um cantor guiado por escolhas nem sempre acertadas de produtores musicais e diretores artísticos de gravadoras. Mas tudo ganhou a marca desse cantor que se tornou grande, único, não somente por conta da voz. Eis os 48 álbuns que compõem a discografia do imortal Cauby Peixoto - o cantor que sai de cena para ficar, glorificado, na História:

1. Blue gardenia (Columbia, 1955)
2. Canção do rouxinol (Columbia, 1956)
3. Você, a música e Cauby (Columbia, 1956)
4. O show vai começar (Columbia, 1956)
5. Ouvindo Cauby (RCA Victor, 1957)
6. Música e romance (RCA Victor, 1957)
7. Quando os Peixotos se encontram (RGE, 1957)
8. Nosso amigo Cauby (Columbia, 1958)
9. Seu amigo Cauby canta para você (Columbia, 1959)
10. O sucesso na voz de Cauby Peixoto (RCA Victor, 1960)
11. Cauby Peixoto canta novos sucessos  (RCA Victor, 1961)
12. Perdão para dois  (RCA Victor, 1961)
13. Canção que inspirou você  (RCA Victor, 1962)
14. Tudo lembra você  (RCA Victor, 1963)
15. Cauby interpreta  (RCA Victor, 1964)
16. Cauby canta para ouvir e dançar  (RCA Victor, 1965)
17. Porque só penso em ti  (RCA Victor, 1965)
18. Um Drink com Cauby e Leny (Hot / Riosom, 1968) - disco ao vivo com Leny Eversong
19. O explosivo Cauby (Fermata, 1969)
20. El explosivo Cauby (Fermata, 1969) - gravado em espanhol para o mercado argentino
21. Superstar (EMI-Odeon, 1972)
22. Cauby (Som Livre, 1976)
23. Cauby (Som Livre, 1979)
24. Cauby! Cauby! (Som Livre, 1980)
25. Estrelas solitárias (Som Livre, 1982)
26. Angela & Cauby (EMI-Odeon, 1982)
27. Cauby! (Top Tape, 1986)
28. Só sucessos (Inverno & Verão, 1986)
29. Cauby é o show! (Fama, 1988) - disco ao vivo
30. Grandes emoções (Polydisc, 1991)
31. Angela & Cauby ao vivo (BMG, 1992) - com Angela Maria
32. Cauby canta Sinatra (Som Livre, 1995)
33. 20 super sucessos (Polydisc, 1998)
34. Cauby canta as mulheres (Albatroz, 1999)
35. Meu coração é um pandeiro (Som Livre, 2000)
36. Graças a Deus (CID, 2003)
37. Vozes (Albatroz, 2003) - com Selma Reis
38. Cauby canta Baden (Entrelinhas, 2006)
39. Eternamente Cauby Peixoto - 55 anos de carreira (Atração Fonográfica, 2006)
40. Cauby interpreta Roberto (Lua Music, 2009)
41. Cauby sings Sinatra (Lua Music, 2010)
42. Caubeatles (Lua Music, 2011) - Álbum lançado na caixa O mito (Lua Music, 2011)
43. Cauby ao vivo - 60 anos de música (Lua Music, 2011)
      -  Álbum lançado na caixa O mito (Lua Music, 2011)
44. A voz do violão  (Lua Music, 2011) -  Álbum lançado na caixa O mito (Lua Music, 2011)
45. Minha serenata (Lua Music, 2013)
46. Reencontro (Nova Estação, 2013) - com Angela Maria
47. Cauby sings Nat King Cole (Nova Estação, 2015)
48. A bossa de Cauby Peixoto (Biscoito Fino, 2015)

Cantor de aura mítica e voz já transcendental, Cauby sai de cena aos 85 anos

Cauby Peixoto (Niterói - RJ, 10 de fevereiro de 1931 / São Paulo - SP, 15 de maio de 2016) já teria o nome inscrito na história da música brasileira somente pela personalíssima voz de barítono, de intensidade amplificada por intencionais excessos nas abordagens de músicas nem sempre à altura do magistral registro vocal do artista. Contudo, Cauby Peixoto - em foto de Marco Aurélio Olímpio - foi mais do que uma voz. Ao sair de cena às 23h50m de ontem, 15 de maio de 2016, aos 85 bravos anos, o cantor fluminense entra na galeria dos imortais da música do Brasil pelo conjunto da obra. E, por conjunto da obra, entenda-se a já mitológica persona artística que identificou Cauby no mercado comum da música e da vida humana. Cauby Peixoto poderia ter sido tão somente um dos maiores cantores da música brasileira de todos os tempos, mas ele foi mais do que isso. Cauby foi um astro. E, como um astro, viveu de acordo com os códigos de uma estrela da canção popular. Driblou questões sobre a homossexualidade nunca assumida, usou perucas, vestiu figurinos exóticos e adotou no palco e na vida pública uma fala empostada, em sintonia com a era dos cantores de dó-de-peito do qual Cauby foi até ontem o único sobrevivente. Cauby Peixoto foi uma estrela. Pôs em prática a partir dos anos 1950, década em que começou a carreira profissional, as lições musicais aprendidas em casa com o irmão pianista, Moacyr Peixoto (1920 - 2003). Aprendeu as lições mercadológicas com Edson Collaço Veras (1914 - 2005), o empresário conhecido como Di Veras que criou estratégias de marketing e factoides para fazer a estrela de Cauby brilhar logo na década de 1950, anos dourados da era do rádio brasileiro. Essa estrela teve o brilho (quase) apagado algumas vezes ao sabor dos modismos da música e da mídia. Mas Cauby renasceu tal qual fênix mais de uma vez, revigorando a persona artística que lhe já tornara transcendental antes da definitiva saída de cena. Sim, sempre amado pelo público, Cauby Peixoto transcendeu os caprichos e humores dos críticos e dos executivos de gravadoras, sobrevivendo ao rótulo de ultrapassado imposto instantaneamente aos cantores da era do rádio após a revolução estética da Bossa Nova, em 1958. Mesmo assim, amargou períodos de popularidade mais baixa, de quase ostracismo. Tanto que o bolero Ninguém é de ninguém (Umberto Silva, Toso Gomes e Luiz Mergulhão, 1960) - propagado na voz grave do cantor em gravação de disco 78 rotações por minuto lançado em setembro de 1960 - foi o último grande sucesso da primeira década da discografia do artista. Fase que vai ser lembrada sobretudo pela emblemática gravação do samba-canção Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu, o Dunga, 1956), lançado há 60 anos e, desde então, música obrigatória em todos os shows do cantor. Com maior ou menor popularidade, Cauby permaneceu em cena. Nos últimos anos, a voz  já evidenciava a perda da potência e do volume de outrora, mas mantinha raro brilho outonal que permitiu ao cantor gravar em 2015 um belo disco com o cancioneiro da Bossa Nova. A bossa de Cauby Peixoto (Biscoito Fino, 2015) foi o último título de discografia iniciada em fevereiro de 1951 no formato então único dos discos de 78 rotações por minuto. O repertório alternou joias e bijuterias. As joias evidenciaram o alto quilate da voz e da capacidade de interpretação do cantor. Uma das mais valiosas foi Bastidores (Chico Buarque, 1980), música feita para Cristina Buarque que Cauby tomou para ele ao gravá-la em 1980 para álbum que marcou um dos renascimentos artísticos do cantor, Cauby! Cauby! (Som Livre, 1980). Renascimento iniciado, a rigor, um ano antes, quando ninguém menos do que Elis Regina (1945 - 1982) convidou Cauby a verter com ela as lágrimas, o sangue e o veneno do Bolero de Satã (Guinga e Paulo César Pinheiro, 1976) em dueto gravado para o LP Essa mulher (WEA, 1979). Sim, Cauby Peixoto transcendeu épocas e convenções. Por anos, fez do pequeno palco do Bar Brahma - situado em mítica esquina de São Paulo (SP), a cidade onde Cauby saiu ontem de cena vítima de pneumonia - uma espécie de auditório da Rádio Nacional, emissora em que o cantor viveu dias de glória e apogeu. Os tempos e os ídolos já eram outros. Contudo, no imaginário da estrela, haveria sempre um público sedento por pedaços da roupa extravagante que usava. Um público disposto a gritar o que o Brasil hoje grita, chorando de saudade, pela saída de cena do ídolo: "Cauby! Cauby!".

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Ainda em cena, Cauby celebra 85 anos de vida já com o justo status de mito

EDITORIAL - Cauby Peixoto completa bravos 85 anos de idade nesta quarta-feira de cinzas, 10 de fevereiro de 2016. Embora não seja exatamente redonda, a data é digna de festa porque o cantor fluminense - nascido em Niterói (RJ) em 10 de fevereiro de 1931 - chega aos 85 anos de vida em plena atividade profissional. Acabou de fazer dois shows na cidade de São Paulo (SP) - onde mora já há alguns anos - em pleno Carnaval e tem gravado discos com espantosa regularidade. Cauby - em foto de Marco Aurélio Olímpio - lançou nada menos do que dois álbuns com gravações inéditas somente em 2015. O primeiro, Cauby sings Nat King Cole (Nova Estação, 2015), foi lançado em junho com músicas do repertório do cantor norte-americano Nat King Cole (1919 - 1965). O segundo, A bossa de Cauby Peixoto (Biscoito Fino, 2015), saiu em novembro, apenas cinco meses depois. Trata-se de disco com repertório associado à Bossa Nova, o movimento musical da década de 1950 do qual Cauby é antítese pela natureza extravagante do canto extraído do singular registro de barítono do artista. Cantar os clássicos da Bossa Nova - o que Cauby fez com bossa toda própria e com o (muito) que lhe resta da voz grave - foi um pedido feito pelo cantor ao produtor Thiago Marques Luiz no leito de um hospital do qual, por algum tempo, acreditou-se que Cauby não fosse mais sair. Mas Cauby, então com 84 anos, renasceu. Como renascera artisticamente muitas vezes desde que iniciou em 1951 discografia marcada por altos e baixos no repertório. Quando cantou repertório à altura do vozeirão propagado através das ondas do rádio, Cauby foi grande. Um dos maiores cantores do Brasil de todos os tempos. Felizmente, o tempo apaga os deslizes e imortaliza os acertos. Cauby celebra hoje 85 anos de vida já com o justo status de mito da música brasileira. A aura mitológica é alimentada pelo pouco que se sabe a respeito das intimidades do astro. Cauby é um cantor à moda antiga em mais de um sentido. Por sempre ter vestido o figurino do cantor e encarnado a persona artística que lhe fez transcendental, Cauby apagou o homem, o cidadão - algo impensável em dias em que até os grandes artistas se expõem em redes sociais. O que se ouve de Cauby é a voz única, valente o suficiente até para pecar pelos excessos de interpretação. É a voz - hoje com 85 anos, sem a potência e o volume de outrora, mas com raro brilho outonal - que vai ficar além dos tempos que o já imortal Cauby tem atravessado com bravura. Bravo, Cauby Peixoto!

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Tão grande é o céu de Cauby em disco em que o cantor dá voz à (sua) bossa

Resenha de CD
Título: A bossa de Cauby Peixoto
Artista: Cauby Peixoto
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

Icônico cantor identificado com as vozes grandiloquentes da era do rádio por seu inconfundível registro de barítono, de potência outrora amplificada por arroubos passionais de interpretação, Cauby Peixoto é, em tese, o contraponto da leveza sincopada e cool da Bossa Nova. Nem por isso o cantor deixou de ter o privilégio de lançar em disco, em 1962, o Samba do avião (Antonio Carlos Jobim) em primazia dividida com a cantora Elza Laranjeira, que também gravou o standard de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) naquele ano de 1962. Pois o Samba do avião figura entre as 10 músicas interpretadas pelo cantor no belo álbum A bossa de Cauby Peixoto - lançado hoje, 6 de novembro de 2015, pela gravadora Biscoito Fino - em gravação feita com mais propriedade do que a registrada por Cauby no álbum Canção que inspirou você (RCA-Victor, 1962). O disco de bossa nova de Cauby foi um pedido feito pelo cantor a Thiago Marques Luiz - produtor de seus últimos álbuns - neste ano de 2015, quando o artista estava na cama da UTI de hospital, lutando pela vida em batalha que resultou vitoriosa. Aos 84 anos, Cauby já canta em tons mais baixos, em registros outonais que se afinam mais com a bossa. Mas a bossa de Cauby é outra, é toda própria. E é dela que ele se vale para fazer valer este disco. Basta ouvir Wave (Antonio Carlos Jobim, 1967) para ver que Cauby não entra na onda de João Gilberto e tampouco na de Jobim ao surfar nestas melodias eternamente modernas, ainda que os arranjos do disco estejam calcados no piano de Alexandre Vianna, instrumento que guiou Jobim na criação de seu soberano cancioneiro de alcance universal (Vianna forma o trio-base do disco com o baixista Deco Telles e o baterista Humberto Zigler). A bossa de Cauby Peixoto não é, a rigor, disco de Bossa Nova assim como Canção do amor demais (Festa, 1958) - o histórico álbum da cantora carioca Elizeth Cardoso (1920 - 1990) que apresentou ao mundo, em abril de 1958, a batida diferente do violão de João - nunca foi um disco de Bossa Nova no sentido estrito do termo. Cauby tem a sua bossa - e é com ela que alonga as notas quando canta o verso que contém "sonhou demais" na letra de Este seu olhar (Antonio Carlos Jobim, 1959). Cauby é grande e, por isso, tão grande é o céu quando o cantor dá voz a Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959). A seu modo, sempre a seu modo, Cauby até cai em leve suingue ao fim de Até quem sabe (João Donato e Lysias Ênio, 1973), mas não sem antes dar o exato tom melancólico a esta música do compositor acriano João Donato, pianista que ajudou Jobim e João a desbravarem os caminhos harmônicos que desembocaram na Bossa Nova. Em harmonia com o estilo mais tradicional dos arranjos do CD, Cauby usa seus maneirismos vocais no canto de Amor em paz (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1960), faixa que tem o arranjo mais bossa nova de disco que segue a linha musical dos últimos álbuns deste cantor magistral. O piano dá o tom dos arranjos, mas o violão (o de Ronaldo Rayol) reina soberano em Ilusão à toa (Johnny Alf, 1961), uma das joias sempre modernas do carioca Johnny Alf (1929 - 2010), outro pianista que indicou a Jobim e a João o caminho que levou à bossa. À vontade nessa canção, Cauby enfileira sequência de três "à toa", elevando os tons com sua bossa. Do cancioneiro sempre refinado de Alf, a propósito, Cauby também canta Eu e a brisa (1967) em tom mais quente do que o vento fresco que bafejava a obra do autor. Em essência, Cauby canta canções do amor demais neste disco de bossa própria. Uma é a tristonha Preciso aprender a ser só (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1964), também revivida pelo cantor em tons quentes. Assim como Elizeth, Cauby, afinal, nunca foi cool. Por isso, canções de intenso versos apaixonados como Razão de viver (Eumir Deodato e Paulo Sérgio Valle, 1964) - a menos popular das dez músicas do CD - servem tanto à voz de Cauby como às vozes mais leves como a de Claudette Soares, uma das muitas intérpretes do tema. Tão grande como o céu de Dindi, música mais sedutora no disco, Cauby Peixoto fez deste disco sua razão de viver. Como propõe o produtor Thiago Marques Luiz em texto sobre este álbum, um brinde à vida do Professor!!

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Disco de Bossa Nova de Cauby Peixoto vai ser distribuído pela Biscoito Fino

Personalíssimo registro de barítono, o vozeirão de Cauby Peixoto é, por definição, a antítese do canto da Bossa Nova. Mas o cantor fluminense - ainda na ativa aos 84 anos de vida - gravou um disco com canções associadas ao movimento que veio à cena em 1958, pautado por composições de leveza cool e íntima. Produzido por Thiago Marques Luiz, o álbum em que Cauby - em foto de Marco Máximo -  canta hits da Bossa Nova vai ser distribuído pela gravadora carioca  Biscoito Fino.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Cauby canta Nat King Cole em disco nos tons apropriados para seus 84 anos

Resenha de CD
Título: Cauby sings Nat King Cole
Artista: Cauby Peixoto
Gravadora: Nova Estação
Cotação: * * *

Morto há 50 anos, Nathaniel Adams Coles (17 de março de 1919 - 15 de fevereiro de 1965) se tornou Nat King Cole, um dos reis do canto da canção norte-americana. Mas, se quisesse, Cole poderia ter gravitado somente em torno do universo do jazz por ter sido um pianista de toque elegante. Mas Cole, embora influenciado pelo jazz e pelo suingue libertário do jazz, exercitou sua voz aveludada na interpretação de canções mais tradicionais do universo pop. E, por tradicional no caso, entenda-se a canção de requinte alcançável pelo grande público. É esse Nat King Cole que Cauby Peixoto canta, do alto de seus 84 anos, em álbum recém-lançado pela gravadora Nova Estação. Cauby - que canta Cole em inglês em oito das dez faixas do disco - também sofreu a tal influência do jazz no início da carreira, no começo da década de 1950, e até tentou (em vão) a sorte nos Estados Unidos com o pseudônimo artístico de Ron Coby. Foi dessa época - o fim dos românticos anos 1950 - que o cantor de origem fluminense tirou com o colega norte-americano a foto estampada na capa do CD Cauby sings Nat King Cole, produzido por Thiago Marques Luiz sob a direção musical do pianista Daniel Bondaczuk, criador dos arranjos de moldes tradicionais como canções como An affair to remember (Our love affair) (Harry Warren, Leo McCarey e Harold Adamson, 1957) - música envolta em cordas de ambiência clássica - e When I fall in love (Edward Heyman e Victor Young, 1952). Cauby canta Nat King Cole nos tempos e nos tons apropriados para seus 84 anos. A personalíssima voz de barítono - outrora amplificada por intencionais arroubos de interpretação - já perdeu naturalmente parte do alcance, da potência e do viço de tempos idos. Mas ainda é uma voz. E, quando Cauby dá essa voz grave a uma canção como Unforgettable (Irving Gordon, 1951), tem-se a certeza de se estar ainda diante de um senhor cantor. Dentro da atmosfera sempre tradicionalista do disco, Daniel Bondaczuk surpreende mais ao imprimir acento renascentista ao arranjode Monalisa (Jay Livingston e Ray Evans, 1959) - com o toque de seu acordeom - do que ao esboçar clima flamenco na introdução do bolero mexicano Noche de ronda (Agustín Lara, 1935), única música cantada em espanhol. Já Blue Gardenia (Bob Russell e Lester Lee, 1953) - única música do disco a que o público de Cauby já estava habituado a ouvir em sua voz desde os anos 1950, mas em versão em português - ganha certo suingue no toque do baixo de Eric Budney. No fim, em bom português, Cauby força emoção levemente mais exacerbada em Sorri (Smile) (Charlie Chaplin, John Turner e Geoffrey Parsons, 1936/1954, na versão em português de Braguinha). Enfim, Cauby Peixoto canta Nat King Cole em álbum dirigido aos seus velhos e fiéis fãs.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Hoineff documenta grandeza da voz de Cauby em (bom) filme sem didatismo

Resenha de filme
Título: Cauby - Começaria tudo outra vez
Direção: Nelson Hoineff
Produção: Comalt / Coprodução: Canal Brasil
Cotação: * * * 
Documentário em cartaz nos cinemas do Brasil a partir de hoje, 28 de maio de 2015

Não há didatismo no roteiro do documentário em que o cineasta Nelson Hoineff foca o cantor fluminense Cauby Peixoto. Tampouco há uma exposição cronológica de fatos que permitam ao espectador ter ideia clara da evolução da carreira do artista desde a década de 1950 aos anos 2010. Contudo, entre o aparente caos que rege o seu roteiro, Hoineff consegue documentar a grandeza deste cantor nascido em 1931 e ainda em atividade, aos bravos 84 anos. O subtítulo Começaria tudo outra vez - tomado emprestado do bolero do compositor carioca Luiz Gonzaga Jr. (1945 - 1991), ouvido no filme na voz de Cauby - alude ao fato de o cantor ter renascido das cinzas diversas vezes ao longo de seus 64 anos de carreira fonográfica. Cauby já entrou e saiu de moda ao longo de sua trajetória. Mas atualmente já paira acima do bem e do mal, na galeria dos mitos imortais da música brasileira. Hoineff reverencia o mito com respeito, escorado em vasto e valioso material de arquivo. Somente o fato de o documentário mostrar Cauby cantando rock no filme Minha sogra é da polícia (Brasil, 1958) e de focar o cantor no filme norte-americano Jamboree! (Estados Unidos, 1957) - longa-metragem feito pelo artista brasileiro na época em que ele tentou (em vão) construir carreira nos EUA com o pseudônimo de Ron Coby - já vale uma ida ao cinema para ver o filme que entrou hoje, 28 de maio de 2015, em circuito nos cinemas de cinco estados do Brasil (Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo). As sequências clipadas em que Cauby é visto cantando Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu, o Dunga, 1956) e Bastidores (Chico Buarque, 1980) em diversas fases da carreira também valorizam o filme e promovem a apoteose da voz do artista, ao qual Hoineff teve acesso. O documentário é costurado por imagens de bastidores de shows recentes feitos pelo (já fisicamente debilitado) cantor nas cidades de Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) sob os cuidados de Thiago Marques Luiz, produtor responsável pela continuidade da carreira de Cauby após os anos 2000 e, por isso mesmo, não devidamente relevado por Hoinneff no filme. Em vez disso, Hoineff direciona suas câmeras para um jovem fã carioca de Cauby, Tadeu Kebian, mostrado no filme como o exemplo (raro) de que o canto de Cauby atravessa gerações, não ficando restrito somente ao público idoso. Contudo, todas as cenas filmadas na casa de Kebian carecem de naturalidade, soando artificiais, como se estivessem sido armadas para o filme. Essa mesma artificialidade dilui a emoção do encontro do fã com seu ídolo. Mais natural soa o encontro de velhas e fiéis fãs em confeitaria do Rio de Janeiro - cena em que se destaca a ex-secretária Lídia de Souza. Nesses momentos, o documentário deixa entrever os ciúmes que corroem correntes de fãs passionais como o repertório do cantor. Mas quase tudo no filme fica nas entrelinhas. Os depoimentos mais claros e diretos são os dados pelos pesquisadores musicais Ricardo Cravo Albin e Rodrigo Faour (biógrafo de Cauby). O próprio Cauby é quase sempre vago, exceto quando tece loas ao já falecido (em 2005) empresário Edson Colaço Veras, o Di Veras, arquiteto de estratégias de marketing que elevaram a popularidade de Cauby nos anos 1950. A revelação do cantor de que ia para o morro "transar com os veados" na meninice tem sido usada pela mídia para atestar a admissão de uma homossexualidade que, afinal, não existe no filme, já que, na sequência do breve depoimento sobre o assunto, Cauby diz que posteriormente passou a "andar direito". Para quem prefere música a (falsas) polêmicas, Cauby - Começaria tudo outra vez mostra um então jovem cantor interpretando seu sucesso Nono mandamento (Renê Bittencourt e Raul Sampaio, 1957) no filme De pernas pro ar (Brasil,1957), no ano em que Cauby lançou a música. Enfim, entre altos e baixos, paira no documentário a voz única de Cauby Peixoto. Evidenciar na tela a grandeza dessa voz é o mérito do filme de Nelson Hoineff...

segunda-feira, 16 de março de 2015

Cauby canta Nat King Cole em disco lançado 50 anos após a morte do cantor

Projeto acalentado há anos pelo produtor Thiago Marques Luiz desde 2010, o disco em que o cantor fluminense Cauby Peixoto interpreta o repertório do cantor norte-americano Nat King Cole (1919 - 1965) vai ser lançado neste primeiro semestre de 2015, 50 anos após a morte de Cole. Finalizado em 2014, o CD Cauby sings Nat King Cole tem lançamento previsto para abril pela gravadora Nova Estação. A capa expõe rara foto de Cauby com Cole, tirada em Nova York (EUA) no fim da década de 1950, quando o cantor brasileiro morava nos Estados Unidos. O repertório é formado essencialmente por músicas gravadas em inglês por Cole e revividas por Cauby no seu idioma original. Entre elas, An affair to remember (Our love affair) (Harry Warren, Leo McCarey e Harold Adamson, 1957), Monalisa (Jay Livingston e Ray Evans, 1959), Smile (Charlie Chaplin, John Turner e Geoffrey Parsons, 1936 / 1954 - com letra), Unforgettable (Irving Gordon, 1951) e When I fall in love (Edward Heyman e Victor Young, 1952). Mas há música cantada em espanhol:  o bolero mexicano Noche de ronda  (Agustín Lara, 1935).

terça-feira, 15 de abril de 2014

25º prêmio da música une Careqa, Cauby e Monobloco na canção popular

Categoria quase sempre sujeita a distorções ao longo das 25 edições do Prêmio da Música Brasileira, Canção popular -  nome que, em sua origem, já simboliza um eufemismo para brega - junta neste ano de 2014 três álbuns de universos musicais bem distintos. Reencontro (Nova Estação, 2013) - terceiro disco gravado em dupla pelos cantores fluminenses Ângela Maria e Cauby Peixoto - concorre ao prêmio de Melhor Álbum nessa genérica categoria com Made in China (oitavo CD de Carlos Careqa, editado em 2013 pelo selo BED, deste compositor catarinense radicado em São Paulo e mais associado à cena indie do que à canção popular) e com Arrastão da alegria (Som Livre, 2013), segundo álbum de estúdio do carnavalesco grupo carioca, habituado a trazer sucessos da MPB e do pop nacional para o universo do samba. Tirados dos 103 indicados em 16 categorias, os vencedores do 25º Prêmio da Música Brasileira serão conhecidos em cerimônia agendada para o dia 14 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no Rio de Janeiro (RJ). Eis álbuns indicados em outras categorias:

Álbum erudito:
* Concerto antropofágico - Osesp
* Heitor Villa-Lobos (Sinfonias n° 6 e n° 7) - Osesp
* Rachmaninov - Osesp

Álbum infantil:
* A família - Cria
* Arca de Noé - vários artistas
* Rabiola, ola, catibiribola - Silvia Negrão

Álbum instrumental:
* Continente - Yamandu Costa
* Mundo de Pixinguinha - Hamilton de Holanda
* Ninho de vespa - Spok Frevo Orquestra

Álbum em língua estrangeira:
* As canções do Rei - Leny Andrade
* Leila Maria canta Billie Holiday in Rio - Leila Maria
* Zeski - Tiago Iorc

Álbum projeto especial:
* Ao vivo - Marcos Valle e Stacey Kent
* Caymmi - Danilo Caymmi, Dori Caymmi e Nana Caymmi
* Sambabook - Martinho da Vila

Álbum projeto visual:
* Arca de Noé - Vários artistas
* Atento aos sinais - Ney Matogrosso
* Todo dia é o dia do mundo - Lula Queiroga

Álbum regional:
* 3 Brasis - 3 Brasis
* Quinteto Violado canta Gonzagão - Quinteto Violado
* Zulusa - Patrícia Bastos

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Álbum 'Reencontro' irmana Ângela & Cauby no outono de paixões recicladas

Resenha de CD
Título: Reencontro
Artista: Ângela Maria & Cauby Peixoto
Gravadora: Nova Estação / Eldorado
Cotação: * * *

 "Somos iguais", concluem Ângela Maria e Cauby Peixoto, em uníssono, no verso que gerou o título do samba-canção de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. Composição de 1964, Somos iguais é uma das 18 músicas distribuídas nas 12 faixas de Reencontro, terceiro álbum gravado em dupla pelos já octagenários cantores fluminenses, ambos egressos dos dourados anos 1950 e da era áurea do rádio brasileiro. É significativo que haja no disco produzido por Thiago Marques Luiz um samba-canção intitulado Somos iguais, pois Ângela & Cauby Peixoto se irmanam no outono das paixões recicladas no CD Reencontro, título inaugural do selo fonográfico Nova Estação, aberto por Marques Luiz para dar vazão às suas produções. Nas lojas a partir deste mês de janeiro de 2014 com distribuição da reativada Eldorado, mas já posto à venda nos shows da dupla desde dezembro de 2013, o disco conduz os já octagenários intérpretes a um ponto de convergência em suas discografias. Diferenças estilísticas são anuladas para nivelar duas vozes emblemáticas da música brasileira em tradicionalista universo popular romântico. Reencontro reverencia o passado de glórias deste dois ícones que atravessaram décadas, gerações e modismos sem perder o apreço de seu público. Sob a conservadora direção musical do pianista Daniel Bondaczuk, Ângela e Cauby reabrem a cortina desse passado nos tons crepusculares de seu momento presente. O encadeamento do repertório é feito de tal forma que as músicas se sucedem como num diálogo romântico entre um casal às voltas com juras e mágoas de amor. Sambas-canção e boleros passionais fazem a exposição das dores e delícias do amor. Se Cauby lamenta a ausência e a saudade do ser amado em Chove lá fora (Tito Madi, 1957), Ângela dá voz na mesma faixa aos versos de Franqueza (Denis Brean e Osvaldo Guilherme, 1957) - sucesso da cantora paulista Maysa (1936 - 1977) - para lembrar que o desprezo desse ser amado é uma forma de disfarçar a saudade. Dentro da atmosfera classicista do disco, o sambão joia do compositor fluminense Benito Di Paula - lembrado com Se não for amor, sucesso retumbante de 1973 - adquire o mesmo quilate de pérola valiosa de Cartola (1908 - 1980), O mundo é um moinho. Nessa rota nostálgica, Reencontro junta dois boleros do compositor cubano Osvaldo Farrés (1902 - 1985) - Tres palavras (1946) e Quizás, quizás, quizás (1947), sendo o primeiro ouvido na voz aveludada do barítono Cauby e o segundo cantado pela Sapoti com sua voz de mezzo-soprano - e embute umas das canções mais apaixonadas do repertório de Roberto Carlos, Como é grande o meu amor por você (1967). Entre melodias facilmente identificáveis pelo público dos cantores, Bronzes e cristais (Nazareno de Brito e Alcyr Pires Vermelho, 1958) se diferenciar por ser a música (atualmente) menos conhecida, embora gerações passadas saibam que a composição foi sucesso nas vozes da já mencionada Maysa e do cantor carioca Pery Ribeiro (1937 - 2012). Enfim, Reencontro - disco que sucede LP de 1982 e CD ao vivo de 1992 na discografia conjunta de Ângela e Cauby - oferece o que pede a plateia dos cantores e o que querem os próprios artistas. A caminho dos 85 anos, a serem festejados em 13 de maio, Ângela Maria já nada precisa provar a ninguém. Prestes a fazer 83 anos, em 10 de fevereiro, Cauby Peixoto tampouco vai ter alterada a sua posição de um dos maiores cantores brasileiros de todos os tempos. Crepúsculo desses deuses da canção brasileira, Reencontro sela afinidades e irmana duas vozes que sempre caminharam em rotas paralelas, mas nunca divergentes. Por isso, faz todo o sentido quando Ângela e Cauby juntam suas belas vozes para cantar em uníssono o verso do antigo samba-canção que diz "somos iguais"...

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Eis a capa do disco em que Ângela e Cauby recordam um sucesso de Benito

♪ Com foto de Jardiel Carvalho na capa, o CD Reencontro - terceiro álbum gravado por Ângela Maria & Cauby Peixoto em discografia que já inclui Ângela & Cauby (EMI-Odeon, 1982) e Ângela & Cauby ao Vivo (BMG-Ariola, 1992) - chega às lojas em janeiro de 2014  com distribuição da gravadora Eldorado. Reencontro é o título inaugural do selo Nova Estação, aberto por Thiago Marques Luiz - produtor do disco gravado sob a direção musical do pianista Daniel Bondaczuk. O repertório inclui Se não for amor, grande sucesso do cantor e compositor fluminense Benito Di Paula, do álbum Um novo samba (1973). Eis, na ordem do CD, as 12 faixas do álbum  Reencontro:

1. Abandono (Nazareno de Brito e Presyla de Barros, 1955) /
    Nono mandamento (Renê Bittencourt e Raul Sampaio, 1957) /
    Orgulho (Waldir Rocha e Nelson Wederking, 1953) /
    Molambo (Augusto Mesquita e Jayme Florence, 1953)

2. Alguém como tu (Jair Amorim e José Maria de Abreu, 1952)
3. Apelo (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963)
4. Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967)
5. Somos iguais (Jair Amorim e Evaldo Gouveia, 1964)
6. Dez anos (Rafael Hernandez em versão em português de Lourival Faissal, 1951)
7. Se não for amor (Benito Di Paula, 1973)
8. You'll never know (Harry Warren e Mack Gordon, 1943) / 

    Eu vou ter sempre você (Harry Warren e Mack Gordon em versão de Antonio Marcos, 1980)
9. Tres palabras (Osvaldo Farrés, 1946) /
    Quizás, quizás, quizás (Osvaldo Farrés, 1947)

10. Chove lá fora (Tito Madi, 1957) /
      Franqueza (Denis Brean e Osvaldo Guilherme, 1957)
11. O mundo é um moinho (Cartola, 1976)
12. Bronzes e cristais (Nazareno de Brito e Alcyr Pires Vermelho, 1958)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Com 'falhas naturais', Ângela e Cauby reiteram a realeza em show no Rio

Resenha de show
Título: Reencontro
Artista: Ângela Maria e Cauby Peixoto (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 10 de dezembro de 2013
Cotação: * * * 1/2
Show em cartaz no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), até 11 de dezembro de 2013
Show em cartaz no Theatro São Pedro, em São Paulo (SP), em 18 de dezembro de 2013

"Um rei não perde a majestade", gritou para Cauby Peixoto, da segunda fila do Theatro Net Rio, exaltada espectadora da estreia nacional de Reencontro, show baseado no homônimo disco que chega às lojas em janeiro de 2014. Terceiro projeto fonográfico gravado por Cauby em duo com Ângela Maria, o CD Reencontro (Nova Estação / Eldorado) é o pretexto para reunir em cena - mais uma vez - os dois cantores fluminenses, ícones sobreviventes da fase pré-Bossa Nova, época dominada por sambas-canção e boleros de tom folhetinesco. Mesmo com "falhas naturais", como a própria Sapoti reconheceu ao se dirigir ao público após o segundo dos 20 números do roteiro costurado pelo diretor Thiago Marques Luiz, Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967), o show Reencontro reiterou a majestade destes dois intérpretes que reinaram na era do rádio. Aos 84 anos, Ângela já não atinge as notas altas de tempos idos, mas continua sendo senhora cantora e mantém o porte de rainha. Aos 82 anos, Cauby já parece meio disperso e aéreo no palco ("Cauby não fala nada, ele só ri", sublinhou Ângela em cena). Vieram dele, que precisou ler a maioria das letras e nem sempre se mostrou atento às entradas e andamentos das músicas, as tais falhas que - como disse a cantora - são mesmo naturais para quem já está em atividade há seis décadas. Mesmo assim, Cauby foi rei - mais uma vez - na noite de 10 de dezembro de 2013. E ele soube disso desde o ínicio, como sinalizou ao levar o polegar direito em meio à interpretação de Orgulho (Waldir Rocha e Nelson Wederking, 1953) - samba-canção do medley inicial em que os cantores trocaram de repertório - para agradecer os aplausos calorosos do (seu) público. O roteiro alocou alguns duetos dos cantores - em músicas como Alguém como tu (Jair Amorim e José Maria de Abreu, 1952) e Somos iguais (Jair Amorim e Evaldo Gouveia, 1964) - mas também abriu espaço para que cada intérprete brilhasse sozinho, embora ambos tenham permanecido juntos no palco durante todo o show. Para provar que não perdeu a majestade, Ângela sustentou e alongou notas ao cantar Babalu (Margarita Lecuona, 1939), mambo cubano que, desde 1958, é um dos carros-chefes do repertório da Sapoti, ao qual já está definitivamente associado. Embora inadequado para o atual momento da cantora, o exibicionismo vocal surtiu efeito entre o público idoso e saudoso de tempos idos. Estrela da canção brasileira, Ângela Maria nem precisava ter se exibido. A propriedade com que interpretou o samba-canção Noite chuvosa (João Leal Brito - Britinho - e Fernando César, 1960) - linkado no roteiro com Chove lá fora (1957), tema do modernista Tito Madi ouvido na voz de Cauby - bastou por si só para atestar sua perene realeza. Por isso mesmo, não teve a menor importância o fato de ela ter interrompido Eu vou ter sempre você (Harry Warren e Mack Gordon em versão de Antonio Marcos, 1980) por ter esquecido a letra da música, cantada antes por Cauby no original idioma inglês. A precisão com que a Sapoti entoa e entende as letras melodramáticas de sambas-canção como Vida de bailarina (Américo Seixas e Chocolate, 1953) e Fósforo queimado (Roberto Lamego, Milton Legey e Paulo Menezes, 1953) - música em que a cantora deu show de interpretação - foi suficiente para arrebatar o público. Escorado no timbre aveludado de sua personalíssima voz de barítono, o afinado Cauby obteve seus melhores momentos no show Reencontro quando solou músicas que já domina - como Bastidores (Chico Buarque, 1980), número em que o artista deixou a impressão de jamais ter cantado tão lindo assim, e sua eterna Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu - Dunga, 1956) - e quando mostrou fôlego ao entoar em espanhol Granada (Agustín Lara, 1932), número valorizado pela pulsação da percussão e das cordas da banda orquestrada pelo pianista Daniel Bondaczuk. Granada preparou o clima solene para o tom épico imprimido ao samba Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso, 1938), número final de show arrematado com ternura no bis  ao som de Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, 1937). Enfim, Ângela Maria e Cauby Peixoto são reis de seu tempo. Não precisam provar mais nada para ninguém. Mesmo com as falhas e as tensões naturais de toda estreia, o bom show Reencontro - vale ressaltar de novo - reiterou a realeza e a afinidade de dois grandes cantores que se afinaram em cena sem perder suas majestades.

Ângela e Cauby trocam de repertório no reencontro em bom show no Rio

Quando as cortinas que encobriam o palco do Theatro Net Rio foram descerradas na noite de ontem, 10 de dezembro de 2013, Cauby Peixoto abriu sua voz grave e começou a cantar os versos de Abandono (Nazareno de Brito e Presyla de Barros, 1955). Este samba-canção foi sucesso na emblemática voz de mezzo-soprano de Ângela Maria. Na sequência, foi a vez de a cantora - que já estava em pé, ao lado esquerdo de Cauby, quando as cortinas se abriram - interpretar Nono mandamento (Renê Bittencourt e Raul Sampaio, 1957), sucesso do cantor em tempos idos. Prosseguida com Orgulho (Waldir Rocha e Nelson Wederking, 1953) e com Molambo (Augusto Mesquita e Jayme Florence, 1953), a troca de repertório entre Ângela Maria e Cauby Peixoto foi a bossa inicial do roteiro do show Reencontro, dirigido por Thiago Marques Luiz para lançar o CD homônimo, também aberto com esse medley de músicas e vozes trocadas. Terceiro disco gravado pelos cantores fluminenses em dupla, Reencontro é o título inaugural do selo Nova Estação, aberto por Marques Luiz, e vai estar nas lojas a partir de janeiro de 2014. Ângela & Cauby cantaram as músicas antigas do novo disco - caracterizado pela Sapoti em cena como um "resgate" de repertório para "o público jovem" - e recordaram seus sucessos mais emblemáticos para deleite do público idoso. Eis o roteiro seguido por Ângela Maria e Cauby Peixoto - vistos em foto de Mauro Ferreira no palco do Theatro Net Rio - na estreia nacional do bom show Reencontro no Rio de Janeiro (RJ), em 10 de dezembro de 2013:

1. Abandono (Nazareno de Brito e Presyla de Barros, 1955) - Cauby /
    Nono mandamento (Renê Bittencourt e Raul Sampaio, 1957) - Ângela /
    Orgulho (Waldir Rocha e Nelson Wederking, 1953) - Cauby /
    Molambo (Augusto Mesquita e Jayme Florence, 1953) - Ângela /
    Abandono (Nazareno de Brito e Presyla de Barros, 1955) - Ângela e Cauby

2. Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos, 1967) - Ângela e Cauby
3. Alguém como tu (Jair Amorim e José Maria de Abreu, 1952) - Ângela e Cauby
4. Somos iguais (Jair Amorim e Evaldo Gouveia, 1964) - Ângela e Cauby
5. Tres palabras (Osvaldo Farrés, 1946) - Cauby /
    Babalu (Margarita Lecuona, 1939) - Ângela

6. Chove lá fora (Tito Madi, 1957) - Cauby
7. Noite chuvosa (João Leal Brito - Britinho - e Fernando César, 1960) - Ângela
8. You'll never know (Harry Warren e Mack Gordon, 1943) - Cauby /
    Eu vou ter sempre você (Harry Warren e Mack Gordon em versão de Antonio Marcos, 1980) - Ângela
9. A pérola e o rubi (Jay Livingston em versão de Haroldo Barbosa, 1955) - Cauby

10. Vida de bailarina (Américo Seixas e Chocolate, 1953) - Ângela
11. Bastidores (Chico Buarque, 1980) - Cauby
12. Estava escrito (Lourival Faissal, 1954) - Ângela
13. Conceição (Jair Amorim e Valdemar de Abreu - Dunga, 1956) - Cauby
14. Fósforo queimado (Roberto Lamego, Milton Legey e Paulo Menezes, 1953) - Ângela
15. Evergreen (Barbra Streisand e Paul Williams, 1976) - Cauby
16. Gente humilde (Garoto, Vinicius de Moraes e Chico Buarque, 1969) - Ângela
17. Ave Maria no morro (Herivelto Martins, 1942) - Ângela e Cauby
18. Granada (Agustín Lara, 1932) - Cauby
19. Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso, 1938) - Ângela e Cauby 
Bis:
20. Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, o Braguinha, 1937) - Ângela e Cauby

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Selo Nova Estação sintoniza mercado via CDs de Alcina, Ângela e Cauby

Mais um selo indie chega ao mercado fonográfico brasileiro. Produtor paulista já desvinculado da gravadora Lua Music, por onde editou nos últimos anos os discos que idealizou e formatou, Thiago Marques Luiz abriu na cidade de São Paulo (SP) seu selo Nova Estação. Os dois primeiros lançamentos do selo Nova Estação - os discos De normal bastam os outros (projeto criado para celebrar os 40 anos de carreira da cantora mineira Maria Alcina) e Reencontro (terceiro álbum gravado por Ângela Maria com Cauby Peixoto) - vão chegar às lojas com distribuição da reativada gravadora Eldorado. Os álbuns de Maria Alcina e de Ângela Maria com Cauby Peixoto - vistos em foto de Jardiel Carvalho - serão lançados neste mês de dezembro de 2013, que terá shows de Ângela & Cauby, mas estarão efetivamente nas lojas a partir de janeiro de 2014.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Reativada, Eldorado põe nas lojas o terceiro disco de Ângela com Cauby

Reativada neste ano de 2013, a gravadora paulista Eldorado vai pôr nas lojas - em tese, ainda neste mês de dezembro de 2013 - Reencontro, o terceiro disco gravado por Ângela Maria com Cauby Peixoto. Ambos de origem fluminense, os cantores - em foto de Jardiel Carvalho - reeditam bem-sucedida parceria fonográfica que já rendeu os álbuns Ângela & Cauby (EMI-Odeon, 1982) e Ângela & Cauby ao vivo (BMG-Ariola, 1992). Gravado em São Paulo (SP) em 2013, com produção de Thiago Marques Luiz, Reencontro foi idealizado em novembro de 2012.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Filme sobre Cauby vai ser editado em DVD, pelo Canal Brasil, em 2014

Apresentado dentro da programação do Festival do Rio 2013, o documentário Cauby - Começaria tudo outra vez vai ser editado em DVD pelo Canal Brasil em 2014. No filme, previsto para chegar aos cinemas ainda neste ano de 2013, o diretor e roteirista Nelson Hoineff foca Cauby Peixoto - em foto de Marco Máximo - através de série de números musicais e de depoimentos de nomes como Agnaldo Rayol, Ângela Maria e Maria Bethânia, entre outros.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Ângela e Cauby preparam em São Paulo seu terceiro álbum em conjunto

A foto acima - postada pelo produtor Thiago Marques Luiz em sua página no Facebook - flagra Ângela Maria com Cauby Peixoto nos preparativos para a gravação de seu terceiro álbum em dupla, em São Paulo (SP). O sucessor de Ângela & Cauby (EMI-Odeon, 1982) e Ângela & Cauby ao vivo (BMG-Ariola, 1992) tem produção de Marques Luiz e lançamento previsto para meados de 2013, pela Lua Music. O repertório do disco está em fase de seleção pelos cantores.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

'Rouxinol' Cauby eterniza sua serenata em disco no outono das paixões

Resenha de CD
Título: Minha serenata
Artista: Cauby Peixoto
Gravadora: Lua Music
Cotação: * * *

Minha serenata, o bom CD de Cauby Peixoto que a gravadora paulista Lua Music começa efetivamente a pôr nas lojas neste mês de janeiro de 2013, é título atípico na discografia do cantor fluminense pelo tom seresteiro da gravação ao vivo captada em dois shows feitos pelo artista no Teatro Fecap, em São Paulo (SP), em 19 e 20 maio de 2012, sob a produção de Thiago Marques Luiz. Prestes a fazer 82 anos de vida, a serem completados em 10 de fevereiro, Cauby faz sua serenata no outono das paixões, nos apropriados tons suaves de seus últimos álbuns. Possivelmente o único intérprete remanescente da era do rádio que ainda permanece em contínua atividade, gravando discos e fazendo shows com regularidade, Cauby põe sua assinatura vocal em repertório de alto nível. Neste registro plácido, o cantor dá voz a valsas e canções que evocam o universo musical de cantores seresteiros como Silvio Caldas (1908 - 1988), intérprete original das  valsas A deusa da minha rua (Newton Teixeira e Jorge Faraj, 1939) e Três lágrimas (Ary Barroso, 1941), dois dos 12 temas entoados por Cauby na companhia de quarteto, arranjado sob a direção musical do violonista Ronaldo Rayol. Com música-título de 1971, assinada pela dupla de compositores Jair Amorim e Evaldo Gouveia (parceiros identificados com o tom passional e folhetinesco da canção popular), o CD Minha serenata alinha músicas inéditas na voz de Cauby, casos da belíssima valsa Velho realejo (Custódio Mesquita e Sadi Cabral, 1940) e de Por quem sonha Ana Maria (Juca Chaves, 1960), modinha embalada pelo acordeom de Iuri Salvagnini e pela flauta de Gustavo Benedetti, convidado da faixa. As duas músicas se destacam neste disco que peca pela edição descuidada. São ouvidos fragmentos de falas de Cauby que não se completam. Sem o calor dos registros ao vivo, o CD Minha serenata acaba se escorando na beleza do cancioneiro selecionado por Cauby com Thiago Marques Luiz. São pérolas do passado como Súplica (Déo, José Marcílio e Octávio Gabus Mendes), valsa sem rimas, cujo tom lacrimoso é sublinhado na gravação de Cauby pela flauta de Ubaldo Versoalto. Súplica foi composta em 1938 e lançada em disco em 1940 por Orlando Silva (1915 - 1978), outro cantor que Cauby reverencia em sua serenata. Fora do universo seresteiro dos anos 30 e 40, o CD rebobina A flor e o cais (Wagner Tiso e Geraldo Carneiro, 2006), De volta pro aconchego (Dominguinhos e Nando Cordel, 1985) - toada que destoa do clima seresteiro do disco - e Eterno rouxinol, música que Sueli Costa e Abel Silva fizeram em 1986 para celebrar o canto emblemático de Cauby Peixoto. Lançada na voz do homenageado, no obscuro disco Cauby! (Top Tape, 1986), Eterno rouxinol inicia a serenata outonal de Cauby Peixoto no disco, sinalizando a perenidade do canto ora seresteiro do artista. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ângela e Cauby vão gravar terceiro disco juntos após o Carnaval de 2013

Ângela Maria e Cauby Peixoto - em foto de Jardiel Carvalho - se preparam para gravar seu terceiro álbum em dupla após o Carnaval de 2013. O sucessor de Ângela & Cauby (EMI-Odeon, 1982) e Ângela & Cauby ao Vivo (BMG-Ariola, 1992) vai ser produzido por Thiago Marques Luiz e tem lançamento previsto para maio de 2013. Antes da gravação do disco, a ser editado pela Lua Music, Cauby lança em dezembro deste ano de 2012 o CD Minha Serenata, gravado ao vivo em maio em show no Teatro Fecap, em São Paulo (SP). Já Ângela lança em janeiro de 2013 o DVD documental Estrela da Canção Popular, sobre sua carreira, iniciada nos anos 40.