Mauro Ferreira no G1

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domingo, 21 de fevereiro de 2016

Coletânea de Geraldo Vandré, lançada em 1979, é reeditada pela Som Livre

A gravadora Som Livre reedita, neste mês de fevereiro de 2016, disco de Geraldo Vandré lançado há 37 anos. Em 1979, aproveitando os ventos da abertura política que já começavam a soprar no Brasil, a gravadora Som Maior pôs no mercado fonográfico nacional coletânea de Geraldo Vandré batizada com o nome do engajado artista. A rigor, era uma reedição do terceiro álbum do cantor e compositor paraibano, 5 anos de canção, editado pela mesma gravadora Som Maior em 1966. Às 12 músicas do álbum original, no qual Vandré regravou canções autorais que vinham se destacando desde o início dos anos 1960, a coletânea de 1979 adicionou dois registros - um feito em estúdio e outro captado ao vivo - de Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando), a canção lançada por Vandré em 1968 que logo foi proibida por ter se transformado - aos olhos dos algozes do regime militar instaurado no Brasil em 1964 - em explosiva arma popular contra a ditadura. A liberação da música em 1979 motivou a edição do disco naquele mesmo ano. A capa da compilação era diferente da capa do álbum de 1966, mas, com exceção de Caminhando, o disco rebobinava as mesmas músicas do álbum 5 anos de canção. A atual reedição da Som Livre reproduz a arte e o conteúdo da edição original de 1979. Eis, na ordem da coletânea, as faixas do CD Geraldo Vandré:

1. Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando) (Geraldo Vandré, 1968) - Gravação ao vivo
2. Porta estandarte (Geraldo Vandré e Fernando Lona, 1966)
3. Depois é só chorar (Geraldo Vandré, 1964)
4. Tristeza de amar (Geraldo Vandré e Luiz Roberto, 1963)
5. Réquiem para Matraga (Geraldo Vandré, 1966)
6. Canção do breve amor (Geraldo Vandré e Alaíde Costa, 1961)
7. Fica mal com Deus (Geraldo Vandré, 1963)
8. Rosa flor (Baden Powell e Geraldo Vandré, 1962)
9. Pequeno concerto que virou canção (Geraldo Vandré, 1964)
10. Se a tristeza chegar (Baden Powell e Geraldo Vandré, 1964)
11. Canção nordestina (Geraldo Vandré, 1963)
12. Ninguém pode mais sofrer (Geraldo Vandré e Luiz Roberto, 1964)
13. Quem quiser encontrar o amor (Carlos Lyra e Geraldo Vandré, 1960)
14. Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando) (Geraldo Vandré, 1968) - Gravação de estúdio

8 comentários:

Mauro Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rafael M. disse...

Boa seleção de músicas, mas acho tão desnecessária coletâneas... Para quê relançarem isto???

Martins disse...

Em 1979 por qualquer loja de discos no centro de São Paulo "Caminhando" ecoava pelas ruas, comprei o compacto simples, lado A "Caminhando" versão ao vivo (editada sem os comentários), lado B "Fica Mal com Deus" detalhe a foto é do mesmo festival mas outro momento. Outra coletânea Pérolas inclui Berimbau, Samba em prelúdio e Sonho de Amor e Paz.

Marcelo disse...

Muito chato!!!

Mauro Silva disse...

Pessoal da Som Livre, por favor lancem em CD "Drácula I Love You" da Tuca (Som Livre 1974), este disco é MARAVILHOSO e se perdeu no tempo, nunca foi lançado em CD, é um achado!

Parabéns por este relançamento do Geraldo Vandré, estou adorando estas pérolas em CD, mês passado teve Tom Zé, Jards Macalé, Som Livre esta arrasando!!!
Que venha mais títulos raros :)

Fabio Passadisco disse...

Oportuno esse relançamento, pois toda a obra de Vandré encontra-se esgotada, e seus discos são bastante procurados nas lojas de CDs.

Obrigado Som Livre!

ELIEL SILVA disse...

Histórico. Tenho esse vinil. Vou adquirir o CD

Larissa Gouveia disse...

Tristeza de amar é, de longe, a obra mais linda da vida do Vandré - e o elogio se estende a interpretação magnifica da Divina no seu LP 'Momento de Amor', de 1968.Porta Estandarte, gravada originalmente pelo autor sob o auspicio de um proposital coro siiimples(conclamando sua gente), foi ressignificada em sua(também!)beleza melódica e harmônica na interpretação magistral do Edu e da Marilia Medalha - na versão que costuma ser um dos meus gritos de guerra e paz nos momentos mais hards vida a fora.Infelizmente, não fora registrada em disco mas ficamos com o belo vídeo do dueto no então ensejo da morte da cantora Tuca.
Vandré me fez vencer/aliás, e é mais, me fez transpor as barreiras que um dia tive para com ele, muito por causa da modorrenta 'Pra não dizer que não falei das flores'...Quiçá, ela sempre me cause um misto de tedio - para com arte que só comunica e não pasma - e uma ponta de recalque por defender o lado Jobiniano vaiado na sua deslumbrante Sabiá, em detrimento ao protesto monocórdico de 'Pra Não dizer'.Vaias que o maestro nunca olvidara, primeiro lhe causaram abafadas lagrimas escondidas na saída do buliçoso auditório; depois, brios gritantes, sendo aquela sua primeira e derradeira participação num festival.Aliás, Sabiá, acusada de alienada, ironicamente também entrou pro rol dos temas politizados quando foi reincorporada como uma espécie de canção do exilio, naqueles mais terríveis e repressivos anos.
A verdade é que, quando adentramos a obra do Geraldo nos surpreendemos com belos achados, existe a resistência e sentido de revolução politica(aqui um grifo:Eu ainda partilho de ideal sócio-politico semelhante, embora devidamente atualizado).Mas há (e até mais perene)atemporal beleza incrustada pelo caminho...Sim, no meio dos pedregosos caminhos dos anos de chumbo, denunciados bravamente pelo Vandré, o trovador social colhia flores voluntariosas ... Sim, dessas que Drummond ousou dizer no poema que, nasciam impossíveis, libertas e resistentes num meio do asfalto remoto. Em suma, sua arte tem denuncia acintosa, mas sobrevive ainda arte pura - nem fugidia, nem desalmada.
Réquiem pra Matraga é linda demais, mas a letra se distancia um tanto do cerne temático do primoroso filme do Roberto Santos;pero sonoramente falando me traz todo o filme de volta. Aliás, quem puder veja a única adaptação visual vitoriosa de uma obra do G.Rosa,naquele que ficou sendo o melhor filme de Roberto Santos: 'A Hora e a Vez de Augusto Matraga,1964. Obra prima, infelizmente e injustamente, nunca restaurada. Apesar de se tratar do melhor escritor brasilis pela lente vitoriosa de um dos pais do cinema novo(há quem sustente que o primeiro progenitor, com o esboço de critica social feita no seu pioneiro 'O Grande Momento').
Resumindo:De todos os compositores mais politizados, incluindo o atilado mas precocemente falecido Sidney Miller,escolho Vandré como o mais completo representante desse filão...E pra não dizer que não falei espinhos rs: Nem venham me falar do Belchior,por favor rs.