domingo, 11 de março de 2012

Linda, leve e mais solta, Roberta Sá veste pele sensual em show tropical

Resenha de show
Título: Segunda Pele
Artista: Roberta Sá (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Fundição Progresso (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 11 de março de 2012
Cotação: * * * *
Agenda da turnê nacional do show Segunda Pele:
16 de março de 2012 - Teatro Bourbon Country - Porto Alegre (RS)
17 de março de 2012 - Teatro Guaíra - Curitiba (PR)
19 de março de 2012 - Teatro Governador Pedro Ivo - Florianópolis (SC)
31 de março e 1º de abril de 2012 - Palácio das Artes - Belo Horizonte (MG)
4 de maio de 2012 - Tom Brasil - São Paulo (SP)

O figurino principal do show Segunda Pele inclui calça ajustada ao corpo esguio de Roberta Sá. A roupa exterioriza no palco a sensualidade latente no homônimo quinto CD da cantora. Tal como as poses sensuais feitas pela artista em cena (nem sempre com naturalidade...), a roupa ajuda a traduzir para o palco a atmosfera sensual e alegre de disco pontuado pela profusão de sopros dos requintados arranjos. Mais expansivo, em tendência especialmente perceptível na moderna abordagem de Mão e Luva (Pedro Luís), o canto de Roberta também colabora para reiterar tal sensualidade. O resultado é show geralmente sedutor em que Roberta se mostra linda, leve (como sempre) e cada vez mais solta no palco. Com roteiro urdido com músicas dos cinco discos da cantora, o show Segunda Pele chegou ao Rio de Janeiro (RJ) na Fundição Progresso - com apresentação iniciada já na primeira meia hora deste domingo, 11 de março de 2012 - em continuidade à rota nacional iniciada pelo Nordeste a partir de 1º de março. Não há surpresas no roteiro. Edu Neves (no saxofone e na flauta) e Moisés Alves (no trompete e no flugelhorn) se encarregam dos sopros que arejam repertório novo e recente sem prejuízo estético na comparação inevitável com as orquestrações do disco, ainda que o samba O Nego e Eu (João Cavalcanti) se ressinta em cena da ausência da Orquestra Criôla - regida pelo maestro e saxofonista Humberto Araújo no registro de estúdio desse ótimo samba do cantor do grupo Casuarina - e ainda que Lua (Mário Sève e Pedro Luís) perca parte de seu brilho sem a percussão encorpada da Parede. Em contrapartida, músicas de discos anteriores ganham sopro de renovação no show Segunda Pele. Destaque do álbum que revelou Roberta Sá, Braseiro (2005), Ah, Se Eu Vou (Lula Queiroga) dialoga no roteiro com A Brincadeira (Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti), música do CD Segunda Pele que cresce no palco. Mesmo sem sair da zona de conforto ao montar o repertório do show, uma vez que já gravou 23 das 24 músicas enfileiradas no ágil roteiro, Roberta consegue renovar músicas já recorrentes em seu repertório. O Samba de Um Minuto (Rodrigo Campello) e o Samba de Amor e Ódio (Pedro Luís e Carlos Rennó), por exemplo, são ambientados no clima de gafieira que dá o tom do bloco de sambas. Os dois sambas são do segundo disco de Roberta, Que Belo Estranho Dia Para se Ter Alegria (2007), trabalho consagrador ao qual a artista recorre bastante no show Segunda Pele. Seis das 13 músicas desse primoroso álbum de 2007 figuram no roteiro e - sintomaticamente - estão entre as recebidas de forma mais calorosa e cúmplice pelo público da estreia carioca. Em Mais Alguém (Moreno Veloso e Quito Ribeiro), canção introduzida por citação de Baby (Caetano Veloso), Roberta se permitiu inclusive reger o coro espontâneo da plateia que se fez ouvir forte e em uníssono na primeira apresentação de Segunda Pele  no Rio de Janeiro (RJ). Foi, aliás, o primeiro grande momento do show, que começou frio com duas músicas novas, Bem a Sós (Rubinho Jacobina) e Segunda Pele (Carlos Rennó e Gustavo Ruiz), ainda não assimiladas pelo público. Em contrapartida, Pavilhão de Espelhos (Lula Queiroga) - a bela canção pop romântica escolhida para iniciar a promoção do álbum Segunda Pele - já é recebida com entusiasmo, na contramão da justa frieza destinada à trivialidade do romantismo da balada Você Não Poderia Surgir Agora (Dudu Falcão), aquém do padrão de qualidade do repertório de Roberta Sá. A releitura em ritmo de reggae do jongo No Arrebol (Wilson Moreira) funciona bem enquanto Tá? (Roberta Sá, Pedro Luís e Carlos Rennó) - a única música inédita na voz de Roberta Sá, tendo sido lançada por Mariana Aydar em 2009 - se beneficia da pulsação dos sopros. Na sequência, a incendiária Fogo e Gasolina (Pedro Luís e Roberta Sá) abre caminho para a explosão carnavalesca do frevo Deixa Sangrar (Caetano Veloso). No bis, Mambembe (Chico Buarque) parece fora do tom e do espírito tropical do show, assim como Cocada e Chita Fina, sambas de Roque Ferreira que figuram no roteiro com a provável função de mostrar que a controvertida entrada da cantora na roda do compositor baiano - com CD irretocável, Quando O Canto É Reza (2010), que dividiu opiniões - faz parte da bem-sucedida carreira de Roberta Sá, graciosa intérprete, ora em pele mais pop e sensual.

16 comentários:

Mauro Ferreira disse...

O figurino principal do show Segunda Pele inclui calça ajustada ao corpo esguio de Roberta Sá. A roupa exterioriza no palco a sensualidade latente no homônimo quinto CD da cantora. Tal como as poses sensuais feitas pela artista em cena (nem sempre com naturalidade...), a roupa ajuda a traduzir para o palco a atmosfera sensual e alegre de disco pontuado pela profusão de sopros dos requintados arranjos. Mais expansivo, em tendência especialmente perceptível na moderna abordagem de Mão e Luva (Pedro Luís), o canto de Roberta também colabora para reiterar tal sensualidade. O resultado é show geralmente sedutor em que Roberta se mostra linda, leve (como sempre) e cada vez mais solta no palco. Com roteiro urdido com músicas dos cinco discos da cantora, o show Segunda Pele chegou ao Rio de Janeiro (RJ) na Fundição Progresso - com apresentação iniciada já na primeira meia hora deste domingo, 11 de março de 2012 - em continuidade à rota nacional iniciada pelo Nordeste a partir de 1º de março. Não há surpresas no roteiro. Edu Neves (no saxofone e na flauta) e Moisés Alves (no trompete e no flugelhorn) se encarregam dos sopros que arejam repertório novo e recente sem prejuízo estético na comparação inevitável com as orquestrações do disco, ainda que o samba O Nego e Eu (João Cavalcanti) se ressinta em cena da ausência da Orquestra Criôla - regida pelo maestro e saxofonista Humberto Araújo no registro de estúdio desse ótimo samba do cantor do grupo Casuarina - e ainda que Lua (Mário Sève e Pedro Luís) perca parte de seu brilho sem a percussão encorpada da Parede. Em contrapartida, músicas de discos anteriores ganham sopro de renovação no show Segunda Pele. Destaque do álbum que revelou Roberta Sá, Braseiro (2005), Ah, Se Eu Vou (Lula Queiroga) dialoga no roteiro com A Brincadeira (Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti), música do CD Segunda Pele que cresce no palco.

Mauro Ferreira disse...

Mesmo sem sair de sua zona de conforto ao montar o repertório do show, uma vez que já gravou as 24 músicas enfileiradas no ágil roteiro, Roberta consegue renovar músicas já recorrentes em seu repertório. O Samba de Um Minuto (Rodrigo Campello) e o Samba de Amor e Ódio (Pedro Luís e Carlos Rennó), por exemplo, são ambientados no clima de gafieira que dá o tom do bloco de sambas. Os dois sambas são do segundo disco de Roberta, Que Belo Estranho Dia Para se Ter Alegria (2007), trabalho consagrador ao qual a artista recorre bastante no show Segunda Pele. Seis das 13 músicas desse primoroso álbum de 2007 figuram no roteiro e - sintomaticamente - estão entre as recebidas de forma mais calorosa e cúmplice pelo público da estreia carioca. Em Mais Alguém (Moreno Veloso e Quito Ribeiro), canção introduzida por citação de Baby (Caetano Veloso), Roberta se permitiu inclusive reger o coro espontâneo da plateia que se fez ouvir forte e em uníssono na primeira apresentação de Segunda Pele no Rio de Janeiro (RJ). Foi, aliás, o primeiro grande momento do show, que começou frio com duas músicas novas, Bem a Sós (Rubinho Jacobina) e Segunda Pele (Carlos Rennó e Gustavo Ruiz), ainda não assimiladas pelo público. Em contrapartida, Pavilhão de Espelhos (Lula Queiroga) - a bela canção pop romântica escolhida para iniciar a promoção do álbum Segunda Pele - já é recebida com entusiasmo, na contramão da justa frieza destinada à trivialidade do romantismo da balada Você Não Poderia Surgir Agora (Dudu Falcão), aquém do padrão de qualidade do repertório de Roberta Sá. A releitura em ritmo de reggae do jongo No Arrebol (Wilson Moreira) funciona bem enquanto Tá? (Roberta Sá, Pedro Luís e Carlos Rennó) se beneficia da pulsação dos sopros. Na sequência, a incendiária Fogo e Gasolina (Pedro Luís e Roberta Sá) abre caminho para a explosão carnavalesca do frevo Deixa Sangrar (Caetano Veloso). No bis, Mambembe (Chico Buarque) parece fora do tom e do espírito tropical do show, assim como Cocada e Chita Fina, sambas de Roque Ferreira que figuram no roteiro com a provável função de mostrar que a controvertida entrada da cantora na roda do compositor baiano - com CD irretocável, Quando O Canto É Reza (2010), que dividiu opiniões - faz parte da bem-sucedida carreira de Roberta Sá, graciosa intérprete, ora em pele mais pop e sensual.

Mary disse...

Adorei ela ter incluído Mambembe no show! grata surpresa. PS: Só faltou ter cantado Orixá de Frente.

Valente disse...

Gosto dela, do que canta, do repertório. Mas fico sempre com a estranha sensação de que Roberta tem a onda de 'quero muito ser Marisa Monte'.

aguiar_luc disse...

Você Não Poderia Surgir Agora = Mauro quanta implicância com a canção! É popular sim, é brega que seja! A música é bonita com ou sem apelo populista. Talvez seja a melhor canção do Dudu até agora; já que as que ele fez em parceria com a Luiza Possi você também detonou!

Sr. Garcia disse...

Bom texto! Só não concordo sobre 'Você não poderia surgir agora'. No cd, concordo que a música é uma das mais fracas, mesmo sendo bonitinha. Mas acho que ao vivo, a música cresceu com uma interpretação emocionante da Roberta ;-)

Sr. Garcia disse...

Ótimo texto. Só não concordo sobre a canção 'Você não poderia surgir agora'. No cd, tb acho que é uma das mais fracas, mesmo sendo até bonitinha. Mas acredito que ao vivo a canção ganhou mais corpo, cresceu, graças a interpretação emocionante da Roberta ;-)

Mary disse...

"Você não poderia surgir agora" pra mim também é uma das mais fracas do álbum ao lado de "Esquirlas" mas ao vivo ela funcionou bem.

João Victor Torres disse...

Diretor de palco para Roberta Sá seria algo primordial para ela ficar excelente.Grande ela já é.

Luca disse...

Todo mundo sabe que o Mauro protege a Roberta Sá, queridinha dele. Não sei se esse show é isso tudo mesmo...

Káyon disse...

Taí um cantora que, sinceramente, não acho isso tudo.
Mais uma que você precisa botar legenda pra reconhecer quem canta.

ADEMAR AMANCIO disse...

concordo com o káyon,das 200 novas cantoras de MPB que surgiram,nenhuma demonstrou personalidade artística que as distinguisse.

Victor Oliveira disse...

Independente do que falam sobre VOCÊ NÃO DEVERIA SURGIR AGORA, amo essa canção. A voz dela está linda, a letra mesmo simples é gostosa, e não me importo de gostar da pegada pop. A interpretação dela ao vivo foi emocionante. Vimos os olhos dela lacrimejando. Percebia-se uma Roberta emocionada. Como não gostar?

Eu amei o show, porém não gostei do arranjo de algumas músicas, como "Ah se eu vou!". Quem sabe não é uma questão de acostumar-se...

O show ficou bem elegante. Mas essa roupinha da Roberta é muita informação pra minha cabeça. Gostei não. Tá chique, mas not.

Achei o público da fundição muito parado, se comparado aos shows que vi dela no Circo Voador. Talvez seja porque o pessoal ainda não conheça as músicas do novo cd, talvez seja porque o PRÁ SE TER ALEGRIA seja muito mais empolgante.

Dizem que a Roberta é protegida e tal, não tem personalidade, passa desapercebida pela geração atual, mas o problema é que o povo ainda está esperando uma Elis Regina. O fato é que há sim muitos cantores boníssimos, que cantam um estilo parecido, mas que carregam características próprias. Quem confunde é porque não conhece. E é muito fácil falar mal do que não se conhece... Aí, quando alguém fala bem, as pessoas começam a suspeitar, acham que estão endeusando a cantora.
E acho que esse cenário de novas cantoras é muito rico porque trouxe roupagens de canções antigas que o público mais jovem desconhecia. É um papel importante pra sociedade. Mesmo que as 200 não sejam a ELIS, elas têm papel importante.

Pra finalizar, o show não é só a voz da Roberta, que na minha opinião soa melhor em umas músicas que em outras..., o show são os instrumentistas, os arranjos, a sequência das músicas, o visual, a empolgação, a emoção. Há uma sintonia tão gostosa entre eles, e um olhar e sorriso tão carinhosos da Roberta, que acaba contagiando o público. Você sai do show feliz, alegre. E pra mim isso já basta.

Mais uma vez: amei o show, mas ainda prefiro o Prá se ter alegria.

Carlos Eduardo disse...

Achei o show perfeito. Não achei o público parado. Alguns arranjos tiraram a força de algumas canções, como o nego e eu e deixa sangrar, mesmo assim Roberta estava luminososa, os músicos perfeitos, o cenário lindo. A primeira roupa que ela usa, realmente não funcionou, mas depois já no bis, ela surge majestosa. Agora esta questão da sensualidade ... o show não é sensual, Roberta não é sensual e nem deveria tentar ser, fica forçado, fraco, chato.

E senhor Mauro Ferreira, rs, Você não poderia surgir agora é uma canção LINDA, que ficou deliciosa no show.

Carlos Eduardo disse...

Ah! e finalmente eu consegui ouvir Roberta Sá cantando Roque Ferreira, sem me irritar.

Káyon disse...

Eu diria que quem confunde é porque não REconhece...