Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 28 de março de 2012

Rainha do choro, Ademilde manteve a majestade em 70 anos de carreira

Entronizada na música brasileira como a Rainha do Choro, Ademilde Fonseca (Macaíba - RN, 4 de março de 1921 / Rio de Janeiro - RJ , 27 de março de 2012) manteve sua majestade ao longo de seus 70 anos de carreira fonográfica. A primeira gravação da cantora - um disco de 78 rotações que trazia sua instantaneamente célebre gravação do choro Tico-Tico no Fubá (Alberico Barreiros e Zequinha de Abreu) e, no lado B, Volte pro Morro (Darci de Oliveira e Benedito Lacerda) - foi lançada em setembro de 1942. Feita sob a produção de Edu Krieger em 11 de janeiro de 2012, no Arena Estúdio (RJ), a última gravação de Ademilde - uma participação na faixa Arrasta-Pé (Waldir Azevedo e Klécius Caldas), do disco Lágrimas e Rimas, da cantora Ana Bello - vai ser lançada em 23 de abril, não por acaso Dia Nacional do Choro. Nesses 70 anos, a Rainha do Choro se manteve fiel ao gênero que a consagrou e que lhe deu lugar nobre na história da música brasileira. Egressa da era de ouro do rádio brasileiro, a cantora potiguar - radicada no Rio de Janeiro (RJ) desde 1941 - cantou o choro como habilidade única. Com perfeita emissão vocal, encarava os temas mais velozes do gênero com naturalidade, bossa e musicalidade. Na voz de Ademilde Fonseca, qualquer ritmo podia ser transmutado em choro. Dentre as gravações antológicas da Rainha do Choro, vale destacar seu registro original de Brasileirinho (Waldir Azevedo e Pereira Costa), lançado em agosto de 1950 em disco de 78 rotações por minuto. Ademilde Fonseca viveu seu auge artístico e comercial nos anos 40 e 50, tendo gravado regularmente entre 1942 e 1962. Depois desse período inicial, a discografia da artista começou a ficar mais espaçada. Contudo, em 1975, reverenciada por compoitores revelados nos anos 60 e 70 como João Bosco e Martinho da Vila, a cantora reiterou sua realeza ao gravar pela Top Tape Ademilde Fonseca, álbum relançado em 2011 pelo selo Discobertas por conta dos 90 anos da artista. Intérprete que irradiava vivacidade na voz e na alma, Ademilde Fonseca saiu de cena na noite de ontem, 27 de março, em plena atividade. Deixa saudade e a certeza de que seu trono e lugar jamais serão ocupados.

* Veja foto da cantora Ademilde Fonseca em sua última gravação, no Arena Estúdio, na página de Notas Musicais no Facebook

7 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Entronizada na música brasileira como a Rainha do Choro, Ademilde Fonseca (Macaíba - RN, 4 de março de 1921 / Rio de Janeiro - RJ , 27 de março de 2012) manteve sua majestade ao longo de seus 70 anos de carreira fonográfica. A primeira gravação da cantora - um disco de 78 rotações que trazia sua instantaneamente célebre gravação do choro Tico-Tico no Fubá (Alberico Barreiros e Zequinha de Abreu) e, no lado B, Volte pro Morro (Darci de Oliveira e Benedito Lacerda) - foi lançada em setembro de 1942. Feita sob a produção de Edu Krieger em 11 de janeiro de 2012, no Arena Estúdio (RJ), a última gravação de Ademilde - uma participação na faixa Arrasta-Pé (Waldir Azevedo e Klécius Caldas), do disco Lágrimas e Rimas, da cantora Ana Bello - vai ser lançada em 23 de abril, não por acaso Dia Nacional do Choro. Nesses 70 anos, a Rainha do Choro se manteve fiel ao gênero que a consagrou e que lhe deu lugar nobre na história da música brasileira. Egressa da era de ouro do rádio brasileiro, a cantora potiguar - radicada no Rio de Janeiro (RJ) desde 1941 - cantou o choro como habilidade única. Com perfeita emissão vocal, encarava os temas mais velozes do gênero com naturalidade, bossa e musicalidade. Na voz de Ademilde Fonseca, qualquer ritmo podia ser transmutado em choro. Dentre as gravações antológicas da Rainha do Choro, vale destacar seu registro original de Brasileirinho (Waldir Azevedo e Pereira Costa), lançado em agosto de 1950 em disco de 78 rotações por minuto. Ademilde Fonseca viveu seu auge artístico e comercial nos anos 40 e 50, tendo gravado regularmente entre 1942 e 1962. Depois desse período inicial, a discografia da artista começou a ficar mais espaçada. Contudo, em 1975, reverenciada por compoitores revelados nos anos 60 e 70 como João Bosco e Martinho da Vila, a cantora reiterou sua realeza ao gravar pela Top Tape Ademilde Fonseca, álbum relançado em 2011 pelo selo Discobertas por conta dos 90 anos da artista. Intérprete que irradiava vivacidade na voz e na alma, Ademilde Fonseca saiu de cena na noite de ontem, 27 de março, em plena atividade. Deixa saudade e a certeza de que seu trono e lugar jamais serão ocupados.

Rafael disse...

Mais uma grande cantora que se vai... E que acaba sendo esquecida e injustiçada pela mídia e pelo público em geral... Como nenhuma gravadora fez um disco seu nos últimos anos? Isso é um absurdo! Que descanse em paz. Viva Ademilde Fonseca!!!

Káyon disse...

Ademilde Fonseca, Chico Anísio, Millor Fernandes... vai ter sarau de notáveis no céu.

Comprei no início do ano o cd citado no final da resenha. Virou-mexeu, tô ouvindo. Uma delícia.

Além de luminosa, Ademilde era genial.

Insensato Mundo disse...

Querida Ademilde, valeu!

EDELWEISS1948 disse...

HOMENAGEM A RAINHA DO CHORO.

Raphael Vidigal disse...

Texto em louvor ao talento da rainha Ademilde, escrito quando ela ainda era viva: http://www.esquinamusical.com.br/categoria/ademilde-fonseca/

Abraços e saudades, Raphael.

Unknown disse...

Maravilhosa Ademilde Fonseca!!! O Brasil perde uma grande cantora!