Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Cortejo cultua tradições afro-baianas longe da padronização da axé music

Resenha de Show
Título: Ensaio Cortejo Afro
Artista: Cortejo Afro (em foto de Mauro Ferreira)
Participações: Gerônimo e Isabella Taviani
Local: Largo Tereza Batista - Pelourinho (Salvador, Bahia)
Data: 14 de fevereiro de 2011
Cotação: * * * *

Atração desde 2004 nas noites de segunda-feira do Pelourinho, os ensaios do Cortejo Afro mobilizam o público GLS que povoa Salvador na temporada pré-carnavalesca da capital baiana e que se joga no Largo Tereza Batista ao som do baticum afro-pop-baiano do grupo formado em 1998, em 2 de julho, dia da independência da Bahia. Surgido na comunidade de Pirajá, dentro do terreiro do candomblé Ilê Axé Oyá, o Cortejo cultua as tradições afro-baianas longe da padronização da axé music. Doze ritmistas garantem a pulsação de um baticum que interage com o universo pop sem apego excessivo às tradições - como prova a eclética lista de cantores convidados para seus ensaios. Na última segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011, coube a Isabella Taviani imprimir as digitais de seu cancioneiro confessional sob a batida contagiante do Cortejo Afro. Aliada aos figurinos e às coreografias vibrantes, tal batida engrandece a apresentação e disfarça a qualidade irregular do repertório autoral do Cortejo, alinhado na primeira parte do ensaio-show por vocalistas como Marquinhos Marques e Walmir Brito, que se revezam no palco. Após abrir o show com sedutora abordagem de Sorriso Negro, o samba de Dona Ivone Lara, o Cortejo apresenta temas autorais que falam de símbolos da cultura afro-baiana sem ignorar as conquistas tecnológicas do mundo cibernético - como diz a letra de uma das melhores músicas da safra autoral do grupo. Na segunda parte, a vocalista Cláudia Costa - apresentada como a Princesa do Cortejo - esquenta o ensaio ao cantar músicas alheias em bloco que agrupa desde sucesso de Maria Gadú (Tudo Diferente, da lavra de André Carvalho) até um reggae de Vanessa da Mata (Vermelho), passando por temas de Caetano Veloso (O Quereres, na batida do samba-reggae). Nesse set, a pulsante interpretação de Cláudia Costa para Muito Obrigado, Axé - música de Carlinhos Brown, gravada por Ivete Sangalo com Maria Bethânia e vertida para o inglês no registro pop de Sergio Mendes - beira o sublime por estar em sintonia com a ideologia deste grupo que valoriza a cultura negra sem banalizá-la, fiel ao conceito antropofágico propagado pela Tropicália. Seguir o Cortejo Afro é para quem tem axé.

Um comentário:

Mauro Ferreira disse...

Atração desde 2004 nas noites de segunda-feira do Pelourinho, os ensaios do Cortejo Afro mobilizam o público GLS que povoa Salvador na temporada pré-carnavalesca da capital baiana e que se joga no Largo Tereza Batista ao som do baticum afro-pop-baiano do grupo formado em 1998, em 2 de julho, dia da independência da Bahia. Surgido na comunidade de Pirajá, dentro do terreiro do candomblé Ilê Axé Oyá, o Cortejo cultua as tradições afro-baianas longe da padronização da axé music. Doze ritmistas garantem a pulsação de um baticum que interage com o universo pop sem apego excessivo às tradições - como prova a eclética lista de cantores convidados para seus ensaios. Na última segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011, coube a Isabella Taviani imprimir as digitais de seu cancioneiro confessional sob a batida contagiante do Cortejo Afro. Aliada aos figurinos e às coreografias vibrantes, tal batida engrandece a apresentação e disfarça a qualidade irregular do repertório autoral do Cortejo, alinhado na primeira parte do ensaio-show por vocalistas como Marquinhos Marques e Walmir Brito, que se revezam no palco. Após abrir o show com sedutora abordagem de Sorriso Negro, o samba de Dona Ivone Lara, o Cortejo apresenta temas autorais que falam de símbolos da cultura afro-baiana sem ignorar as conquistas tecnológicas do mundo cibernético - como diz a letra de uma das melhores músicas da safra autoral do grupo. Na segunda parte, a vocalista Cláudia Costa - apresentada como a Princesa do Cortejo - esquenta o ensaio ao cantar músicas alheias em bloco que agrupa desde sucesso de Maria Gadú (Tudo Diferente, da lavra de André Carvalho) até um reggae de Vanessa da Mata (Vermelho), passando por temas de Caetano Veloso (O Quereres, na batida do samba-reggae). Nesse set, a pulsante interpretação de Cláudia Costa para Muito Obrigado, Axé - música de Carlinhos Brown, gravada por Ivete Sangalo com Maria Bethânia e vertida para o inglês no registro pop de Sergio Mendes - beira o sublime por estar em sintonia com a ideologia deste grupo que valoriza a cultura negra sem banalizá-la, fiel ao conceito antropofágico propagado pela Tropicália. Seguir o Cortejo Afro é para quem tem axé.