Mauro Ferreira no G1

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Beth esquece a dor da vida ao retornar aos palcos em show emocionante

Resenha de show
Evento: Sesc Rio Noites Cariocas
Título: Beth Carvalho
Artista: Beth Carvalho (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Pier Mauá (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 19 de fevereiro de 2011
Cotação: * * * * *

"Olha, meu amor, esquece a dor da vida...". Houve um significado maior quando Beth Carvalho cantou na sua volta à cena este verso inicial de Caciqueando, o carnavalesco samba de Noca da Portela que a cantora gravou em seu álbum Suor no Rosto (1983) e que reviveu no bis do show que emocionou e contagiou o público que foi ao Pier Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro (RJ), na noite de 19 de fevereiro de 2011. Ao encerrar um dos melhores shows de sua carreira, após pungente interpretação de As Rosas Não Falam (Cartola, 1976), Beth esquecia a dor da vida, celebrando sua trajetória e o início da recuperação de grave problema de coluna que a tirou de cena a partir de dezembro de 2009 e que a pôs provisoriamente numa cadeira de rodas. Por isso, houve no Pier Mauá na noite de sábado um significado maior no verso de Caciqueando e nos versos de  outros sambas cantados por Beth em um show consagrador. Por isso, houve também uma força estranha e positiva no ar desde que a cortina abriu e mostrou a cantora sentada ao centro de uma mesa que simulava o ambiente informal de um botequim e de uma roda de samba. Essa força estranha se manifestou desde que a cantora abriu o roteiro com Voltei (Oswaldo Nunes e Celso Castro, 1978), um samba do repertório de Elizeth Cardoso (1920 - 1990) e Elza Soares que significou muito naquela noite. A emoção foi grande na plateia e em Beth, visível nos olhos marejados da artista. E então bateu outra vez com esperanças o coração da sambista. E ela - em boa forma vocal - passou em revista, diante de um público jovial que a reverenciava, sucessos de uma das trajetórias mais dignas e coerentes da música brasileira. Quem há de negar que havia, sim, uma força estranha que tornou Andança (Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós, 1969) ainda mais irresistível do que de costume e que fez a vibração subir ainda mais com 1800 Colinas (Gracia do Salgueiro, 1974)? Sim, havia essa força estranha no ar que fez com que um roteiro afinal não tão novo - exceto por um pot-pourri de sambas-enredo e um outro samba inédito na voz de Beth, como o citado Voltei - fosse recebido com tanto entusiasmo. Essa força tornou insignificante até eventuais deslizes como a  inabilidade do mestre dos sopros Dirceu Leite para o canto, evidenciada quando Beth o requisitou para um dueto em Ainda É Tempo de Ser Feliz (Arlindo Cruz, Sombra, Sombrinha, 1998). Sim, o show que marcou efetivamente a volta da cantora à cena - após breves aparições em eventos políticos e no show do afilhado Zeca Pagodinho em 2010 - mostrou que ainda é tempo de Beth Carvalho esquecer a dor da vida, ser feliz e retomar sua carreira fonográfica com o prometido e necessário disco de inéditas a ser produzido por Rildo Hora. "Bate outra vez com esperanças o meu coração...".

8 comentários:

Mauro Ferreira disse...

"Olha, meu amor, esquece a dor da vida...". Houve um significado maior quando Beth Carvalho cantou na sua volta à cena este verso inicial de Caciqueando, o carnavalesco samba de Noca da Portela que a cantora gravou em seu álbum Suor no Rosto (1983) e que reviveu no bis do show que emocionou e contagiou o público que foi ao Pier Mauá, na Zona Portuária do Rio de Janeiro (RJ), na noite de 19 de fevereiro de 2011. Ao encerrar um dos melhores shows de sua carreira, após pungente interpretação de As Rosas Não Falam (Cartola, 1976), Beth esquecia a dor da vida, celebrando sua trajetória e o início da recuperação de grave problema de coluna que a tirou de cena a partir de dezembro de 2009 e que a pôs provisoriamente numa cadeira de rodas. Por isso, houve no Pier Mauá na noite de sábado um significado maior no verso de Caciqueando e nos versos de outros sambas cantados por Beth em um show consagrador. Por isso, houve também uma força estranha e positiva no ar desde que a cortina abriu e mostrou a cantora sentada ao centro de uma mesa que simulava o ambiente informal de um botequim e de uma roda de samba. Essa força estranha se manifestou desde que a cantora abriu o roteiro com Voltei (Oswaldo Nunes e Celso Castro, 1978), um samba do repertório de Elizeth Cardoso (1920 - 1990) e Elza Soares que significou muito naquela noite. A emoção foi grande na plateia e em Beth, visível nos olhos marejados da artista. E então bateu outra vez com esperanças o coração da sambista. E ela - em boa forma vocal - passou em revista, diante de um público jovial que a reverenciava, sucessos de uma das trajetórias mais dignas e coerentes da música brasileira. Quem há de negar que havia, sim, uma força estranha que tornou Andança (Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós, 1969) ainda mais irresistível do que de costume e que fez a vibração subir ainda mais com 1800 Colinas (Gracia do Salgueiro, 1974)? Sim, havia essa força estranha no ar que fez com que um roteiro afinal não tão novo - exceto por um pot-pourri de sambas-enredo e um outro samba inédito na voz de Beth, como o citado Voltei - fosse recebido com tanto entusiasmo. Essa força tornou insignificante até eventuais deslizes como a inabilidade do mestre dos sopros Dirceu Leite para o canto, evidenciada quando Beth o requisitou para um dueto em Ainda É Tempo de Ser Feliz (Arlindo Cruz, Sombra, Sombrinha, 2000). Sim, o show que marcou efetivamente a volta da cantora à cena - após breves aparições em eventos políticos e no show do afilhado Zeca Pagodinho em 2010 - mostrou que ainda é tempo de Beth Carvalho esquecer a dor da vida, ser feliz e retomar sua carreira fonográfica com o prometido e necessário disco de inéditas a ser produzido por Rildo Hora. "Bate outra vez com esperanças o meu coração...".

Luca disse...

Bonito texto! Que sambas enredos ela cantou?

Tombom disse...

Salve, Salve Beth Carvalho! Nossa digna Dama do Samba, que venha mostrar este show em Sampa também!

Luiz disse...

Beth é fantástica em tudo que fez, faz e fará. Seja bem vinda.

Luiz disse...

Beth é fantástica em tudo que fez, faz e fará. Seja bem vinda.

Anônimo disse...

Beth podia ter cantado o lindo samba "De Qualquer Maneira" do Candeia.

De qualquer maneira
Meu amor eu canto
De qualquer maneira
Meu encanto eu vou sambar

Com os olhos rasos d'água
Com o sorriso na boca
Com o peito cheio de mágoa
Ou sendo a mágoa tão pouca
Quem é bamba não bambeia
Falo por convicção
Enquanto houver samba na veia
Empunharei meu violão

Sentado em trono de rei
Ou aqui nessa cadeira
Eu já disse, já falei
Seja qual for a maneira
Quem é bamba...


PS: Mais do que prestígio Beth Carvalho - por suas atitudes combativas e generosas - angariou respeito dos seus pares.
Saúde!!!

Claudio Almeida disse...

Só digo uma coisa:

Salve Beth Carvalho!

Anônimo disse...

O show tem que continuar e o samba precisa e muito de Beth Carvalho.