Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

CD com trilha de 'Totalmente demais' junta Anitta, Beth Diogo, Djavan e Pitty

Nova atração das 19h da TV Globo, a novela Totalmente demais estreia hoje, 9 de novembro de 2015, com sua trilha sonora já disponível em disco. A edição física do CD Totalmente demais chega às lojas nos próximos dias, em edição da Som Livre, mas a edição digital já está nas principais plataformas musicais da web. Com 16 faixas, o disco inclui gravação inédita da música-título da novela, Totalmente demais (Arnaldo Brandão, Tavinho Paes e Robério Rafael, 1985), feita pela funkeira carioca Anitta com participação do rapper mineiro Flávio Renegado. Há também fonogramas atuais de Beth Carvalho (Acreditar, Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976), Céu (Falta de ar, Gui Amabis, 2012), Diogo Nogueira (A mil por hora, André Renato, Rhuan André, Gabriel Soares e Lucas Oliveira, 2015), Djavan (Encontrar-te, música do próprio Djavan, lançada pelo cantor este mês em seu álbum Vidas pra contar), Emicida (Passarinhos, música do rapper com Xuxa Levy, gravada com Vanessa da Mata e lançada neste ano de 2015 no segundo álbum de Emicida), Frejat (Só você, Vinicius Cantuária, 1984), Michel Teló (Fogo e paixão, Rose, 1985), Pitty (Serpente, música de Pitty, lançada em 2014 no álbum Sete vidas) e Seu Jorge (Felicidade, música de Jorge, Pretinho da Serrinha, Gabriel Moura e Leandro Fab,  lançada por Jorge em 2015).

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Musical sem conflito repisa andanças firmes de Beth pelo terreirão do samba

Resenha de musical
Título: Andança - Beth Carvalho, o musical
Texto: Rômulo Rodrigues
Direção: Ernesto Piccolo
Direção musical: Rildo Hora
Elenco: Jamilly Mariano, Stephanie Serrat, Eduarda Fadini e Ana Bertinnes, entre outros
Foto: Fernanda Sabença
Cotação: * * * 1/2
Musical em cartaz no teatro Maison de France, no Rio de Janeiro (RJ), de quinta-feira a 
  domingo, até 31 de janeiro de 2016

O musical sobre os 50 anos de carreira de Beth Carvalho - recém-estreado no teatro Maison de France, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde ficará em cartaz até 31 de janeiro de 2016 - passou pelo crivo da cantora carioca. O que é visto e ouvido em cena, ao longo dos dois atos que totalizam quase três horas de espetáculo, foi aprovado pela artista. Mas esse caráter de homenagem oficial jamais tira o mérito e o valor de Andança - Beth Carvalho, o musical. Mesmo que o texto de Rômulo Rodrigues se ressinta da falta de ação e de conflito (matéria-prima da dramaturgia), o nobre caminho percorrido por Beth na música brasileira é interessante e legitima o que o espetáculo conta por meio de cenas ágeis e números musicais. É boa demais a história da menina criada na abastada Zona Sul do Rio - berço da Bossa Nova - que pôs os pés no terreirão do samba e, sem tirá-los de lá, fez seu nome na música do Brasil. A vivacidade da direção de Ernesto Piccolo - valorizada pelo competente elenco - contribui para diluir a sensação de que, a rigor, o espetáculo segue a receita dos musicais biográficos, centrada na exposição dos fatos mais relevantes do artista enfocado para encaixar números musicais entre cenas curtas. No caso do musical de Beth, a força vital reside nas andanças da artista pelos caminhos do samba. É como se o espetáculo fosse, em última análise, um convite ao espectador para cair no samba com Beth. Convite feito, aliás, já no número que abre o roteiro musical, Quem é de sambar (Sombrinha e Marquinho PQD), uma das muitas pérolas do pagode gravadas pela cantora em sua digníssima discografia. Nenhum das três atrizes escolhidas para interpretar Beth em diferentes fases da vida - Jamilly Mariano (a criança nascida em família de Esquerda e torcedora do Botafogo, fatos enfatizados pelo texto), Stephanie Serrat (a Beth dos anos 1960 e 1970) e Eduarda Fadini (a artista na fase da maturidade) - consegue mimetizar o jeito e a voz da sambista, mas todas têm críveis desempenhos, com ligeiro destaque para Serrat. A comunicabilidade de Ana Berttines - no papel cômico de Isaura, fã de Beth que protagoniza cenas isoladas ao telefone com uma amiga que nunca aparece para o espectador - também merece menção honrosa. A criação da personagem é sagaz recurso do autor para narrar fatos da vida de Beth omitidos no desenvolvimento da narrativa principal. O que se vê em cena é uma andança romantizada, mas, como já dito, legitimada pela condução impecável da carreira de uma artista exigente, de temperamento reconhecidamente forte. Os únicos grandes conflitos encenados no musical são a saída da cantora do conjunto 3D e, bem mais tarde, o impedimento da artista de desfilar em carro da escola de samba Mangueira. Entre um e outro, o primeiro ato põe em cena ícones da MPB em início de carreira. Maria Bethânia e Milton Nascimento são retratados sem traços caricaturais por Rebeca Jamir e André Muato em números musicais de bom nível - Carcará (João do Vale e José Cândido, 1965) e Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1967), respectivamente - só que esses números parecem sobrar em longo primeiro ato que ainda pode ser condensado sem prejuízo para o espetáculo. Afinal, Bethânia e Milton podem ter fascinado uma Beth ainda à procura de seu caminho, quando apareceram na segunda metade dos anos 1960, mas suas conexões com a artista ao longo desses 50 anos de carreira jamais tiveram a força das ligações de Beth com Cartola (1908 - 1980) e Nelson Cavaquinho (1911 - 1986), compositores fundamentais na construção da ponte que conduziu Beth ao samba do morro. Cartola é bem retratado na pele de Leo França. Já Nelson convence na pele do versátil André Muato, que ainda brilha como Arlindo Cruz - com direito a uma pança cenográfica - no segundo ato, de tom mais emocionante. O segundo ato já conquista o espectador na abertura quando Stephanie Serrat dá voz a Viola enluarada (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1968) em número vibrante. A presença certeira de Rildo Hora - produtor dos discos mais importantes da obra fonográfica de Beth - na direção musical do espetáculo é selo de qualidade. É garantia de que o samba não vai atravessar em cena. O que valoriza números musicais como os que retratam a descoberta do grupo Fundo de Quintal por Beth em 1978. O segundo ato é povoado por números mais sedutores. O uso do samba Senhora rezadeira (Dedé da Portela e Dida, 1979) em feitio de oração - reforçada pelo coro de enfermeiras do hospital onde Beth se recuperava de grave problema de coluna que a tirou forçosamente de cena por mais de um ano - é especialmente criativo por sair do universo mais óbvio do samba. Contudo, o samba é o dom mais forte de Beth Carvalho. Exposto em Coisa de pele (Acyr Marques e Jorge Aragão, 1986), esse amor pelo samba é o combustível que faz o musical  Andança  chegar ao fim do caminho com doses fartas de emoção.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Beth regrava, para disco da Mangueira, samba composto por Cartola em 1928

Samba composto por Cartola (1908 - 1980) em 1928, ano da fundação da escola de samba Mangueira, Chega de demanda ganha a voz de Beth Carvalho, captada na casa da cantora pelo produtor Rildo Hora, em gravação feita para disco que reúne 30 sambas que versam sobre a agremiação verde-e-rosa. A artista - em foto de Washington Possato - integra elenco que inclui Alcione e  Leo Russo,  entre outros cantores associados ao samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ).

quinta-feira, 7 de maio de 2015

26º Prêmio da Música indica discos de Beth, Monarco e Semente em samba

Apesar da ausência do injustiçado Bossa negra (Universal Music, 2014), excelente disco gravado por Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda com inspiração nos afro-sambas, os três CDs indicados no 26º Prêmio da Música Brasileira ao troféu de melhor álbum - na categoria dedicada ao samba - fazem jus às nomeações. Beth Carvalho ao vivo no Parque Madureira (Som Livre, 2014) registra o show que promoveu uma (nova) volta da cantora carioca aos palcos, após exílio forçado para cuidar de problemas de saúde. Grupo Semente (Biscoito Fino, 2014) é o primeiro disco solo do homônimo grupo carioca de samba cuja história se entrelaça com a da cantora carioca Teresa Cristina. Já Passado de Glória - Monarco 80 anos - disco cuja distribuição inicial foi direcionada a jornalistas, artistas e formadores de opinião - é álbum que, contrariando seu título de caráter revisionista, apresentou inéditas da lavra do bamba carioca, Hildmar Diniz, o Monarco, nome de lugar nobre na dinastia do samba e da escola Portela. Monarco concorre também ao prêmio de melhor cantor de samba com Arlindo Cruz e Martinho da Vila. Já o troféu de melhor cantora vai ser disputado em 10 de junho de 2015 - em cerimônia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro que vai ser pontuada por números musicais em tributo à cantora baiana Maria Bethânia - por Alcione (tradicional vencedora na categoria), Beth Carvalho e  Mariene de Castro (por seu álbum Colheita).

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Fregonesi põe seu samba autoral na rua em CD e em DVD que trazem Beth

Ainda inédito no mercado fonográfico, o DVD gravado pelo cantor e compositor carioca Leandro Fregonesi para o Canal Brasil - com repertório inteiramente autoral - gerou CD a ser lançado com distribuição da gravadora Som Livre. O CD vai chegar às lojas com o diferencial de ter Beth Carvalho (com Fregonesi na foto de Mara Oliveira). A cantora carioca pôs voz em medley que agrega dois sambas de Fregonesi - Chega (Leandro Fregonesi e Rafael dos Santos) e Samba mestiço (Leandro Fregonesi, Rafael dos Santos e Ciraninho) - que Beth já gravou em seu último álbum de estúdio, Nosso samba tá na rua (Andança / EMI Music, 2011). No DVD, Beth não canta, mas dá depoimento avalizador da qualidade da produção autoral do jovem sambista. Neste projeto autoral, Fregonesi registra músicas como Cavaleiro de Jesus (Leandro Fregonesi e Chico Donadoni), Já vai tarde (Leandro Fregonesi e Guilherme Sá), Quando o galo cantou (Leandro Fregonesi e Helena Pinheiro), Sinhá Maria (Leandro Fregonesi), Vai ter fuzuê (Leandro Fregonesi e João Martins) e Velhas paredes (Leandro Fregonesi e Ivor Lancellotti), entre outras músicas novas.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Beth vai festejar 50 anos de carreira com musical que conta sua trajetória

Completados neste ano de 2015, os 50 anos de carreira de Beth Carvalho serão festejados no teatro. Embora tenha alcançado projeção somente a partir de 1968, ano em que defendeu com os Golden Boys a música Andança (Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulo Tapajós) no III Festival Internacional da Canção (FIC), a cantora carioca começou sua carreira fonográfica em 1965 com a gravação de compacto simples editado via RCA com as músicas Namorinho (Mário de Castro e Athayde) e Por quem morreu de amor (Roberto Menescal e Roberto Bôscoli). Essa trajetória de 50 anos vai ser contada no palco em musical previsto para chegar à cena neste ano de 2015 na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Rildo Hora vai assinar a direção musical do espetáculo. Beth avaliza o projeto, mas não vai participar do elenco, sendo interpretada por três atrizes ao longo do musical.

sábado, 29 de novembro de 2014

Firme e forte, Beth Carvalho lança CD/DVD 'Ao vivo no Parque Madureira'

Beth Carvalho está lançando o 34º título de sua discografia solo neste mês de novembro de 2014. Beth Carvalho ao vivo no Parque Madureira chega ao mercado fonográfico em edição do selo Andança distribuída nas lojas pela gravadora Som Livre, nos formatos de CD e DVD, com o registro do show gratuito feito pela cantora carioca em 29 de março de 2014 no bairro carioca de Madureira. Trata-se do quinto DVD da artista, se incluído na contra o extra-oficial Beth Carvalho live at Montreux 2005, editado pela gravadora ST2 no Brasil em 2008. A convite de Beth Carvalho, o editor de Notas Musicais, Mauro Ferreira, assina o texto que apresenta Beth Carvalho ao vivo no Parque Madureira aos jornalistas, aos radialistas e demais formadores de opinião. Eis o texto:

O reinado da Madrinha na Capital do Samba

Com o coração em festa, Beth Carvalho lança o CD e DVD Ao vivo no Parque Madureira com músicas inéditas e seleção de sucessos que há muito não cantava

“É de Madureira, São José /
É de Madureira, São José...”

Há 30 anos, o refrão desse samba de Beto sem Braço (1940 – 1993) e Zeca Pagodinho ecoou em todo o Brasil na voz sempre atenta e antenada de Beth Carvalho. São José de Madureira foi um dos sucessos do álbum Coração feliz, lançado pela cantora em 1984. Três décadas depois, o samba ganha outro expressivo registro da intérprete que mais gravou músicas de compositores associados ao bairro de Madureira em sua irretocável discografia. São José de Madureira integra o repertório do gratuito show gravado ao vivo por Beth Carvalho no Parque Madureira, em 29 de março de 2014, para edição de CD e DVD que chegam neste mês de outubro ao mercado fonográfico através de parceria do selo Andança (de Beth) com a gravadora Som Livre e com o Canal Brasil. Produção de Beth Carvalho com seu empresário Afonso Carvalho, viabilizada com patrocínio da Prefeitura do Rio de Janeiro, o show eternizado em Beth Carvalho ao vivo no Parque Madureira expõe a relação fundamental da cantora com o samba desse bairro celeiro de bambas. No documentário Beth Carvalho, Coração em festa, filmado para o DVD, os próprios sambistas ressaltam a importância da cantora na propagação de suas obras.

Para quem não mora na cidade do Rio de Janeiro, Madureira é um bairro da Zona Norte dessa cidade. É um bairro que sedia duas das mais tradicionais e importantes escolas de samba do Rio e do Brasil, a Portela e o Império Serrano. As velhas guardas dessas duas agremiações aglutinam compositores de fundamental importância na história do samba. Bambas que sempre estiveram presentes nas fichas técnicas dos discos de Beth Carvalho. Embora seu coração seja da Mangueira, outra tradicional escola de samba do subúrbio do Rio, Beth sempre deu voz e vez em seus discos a sambas de autores ligados à Portela e ao Império Serrano. Não há um disco da cantora em que o samba de Madureira não esteja representado – com exceções (plenamente justificadas) dos álbuns temáticos dedicados ao samba de São Paulo e ao samba da Bahia. É por isso que, quando canta Meu lugar (2006) no CD e DVD Beth Carvalho ao vivo no Parque Madureira, o samba de Arlindo Cruz e Mauro Diniz soa plenamente sincero na voz da Madrinha do Samba. Embora criada na Zona Sul carioca, berço da Bossa Nova, Beth Carvalho atravessou túneis e pontes e fez da Zona Norte, sobretudo de Madureira e do Cacique de Ramos, o seu lugar ao longo de seus quase 50 anos de carreira fonográfica (o primeiro disco da cantora foi um compacto editado pela RCA em 1965). Tanto que o jornalista Sérgio Cabral costuma dizer, brincando, que Beth Carvalho é o Túnel Rebouças – túnel que liga a Zona Sul à Zona Norte do Rio de Janeiro.

Orgulhosamente enraizado no subúrbio do Rio, Beth Carvalho ao vivo no Parque Madureira não é trabalho de caráter retrospectivo. Como já lançou há dez anos um DVD do gênero, a cantora optou por gravar um show de roteiro renovado que mistura músicas do álbum Nosso samba tá na rua (2011) – disco que Beth acabou sem divulgar por conta de já superados problemas de saúde – com músicas inéditas, com novidades na voz da artista – como o samba Meu lugar, até então associado somente ao seu compositor e intérprete Arlindo Cruz – e sucessos de outrora que há muito a intérprete não cantava em shows. Quem é do ramo e do samba sabe que Senhora rezadeira (Dida da Portela e Dedé), por exemplo, foi um sucesso cantado em todo o Brasil em 1979, ano em que Beth lançou o tema em seu álbum No pagode. E, pelo que se vê e ouve no DVD, o povo carioca da gema não se esqueceu desse samba, cujo contracanto é feito espontaneamente pela plateia. Que também faz coro no lalaiá de Lucidez (Cleber Augusto e Jorge Aragão, 1991), pérola melódica do pagode do Fundo de Quintal.

Outro resgate oportuno é o partido alto Ô Isaura (Rubens da Mangueira), sucesso do LP De pé no chão (1978), disco histórico que dividiu águas e abriu frentes nos fundos de quintais ao introduzir e estabelecer, no universo fonográfico, um novo padrão para a gravação de discos de samba, apresentando uma sonoridade (com a introdução do tantã, do repique de mão e do banjo) que vigora até hoje o gênero – como a cantora faz questão de ressaltar no documentário Beth Carvalho, Coração em festa.

Por falar em sonoridade, a do CD e DVD Beth Carvalho ao vivo no Parque Madureira ostenta a maestria do maestro Ivan Paulo, criador dos arranjos e regente da big-band formada pelos virtuosos músicos Carlinhos Sete Cordas (violão de sete cordas), Charlles da Costa (violão de seis cordas), Dirceu Leite (sopros), Fernando Merlino (teclados), Paulinho da Aba (pandeiro), Pirulito (percussão), Márcio Vanderlei (cavaco e banjo), Valtinho (bateria), Beloba (Tantã), Álvaro Santos (repique de mão) e Tcha Tcha Tcha (surdo), além das vocalistas Clarisse Grova e Jussara Lourenço. Um time que sabe dar colorido a cada samba.

Apresentada em cena como a “rainha do samba” na abertura do show, momento em que cordas e sopros preparam a cama harmônica para O show tem que continuar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila) sob profusão de luzes e cores, Beth Carvalho se sente em casa no palco armado no Parque Madureira. Diante da multidão, a cantora reina de fato, com a autoridade de ser uma das principais referências de samba do Brasil. Os olhos da cantora traduzem a emoção de estar ali, naquele bairro tão carregado de história e tradição, cantando a Arte popular do nosso chão. Beth é a rainha, mas ela sabe que, na verdade, é o povo que produz o show e assina a direção, como diz a letra de Coisa de pele (Jorge Aragão e Acyr Marques), construída com os versos poéticos de Acyr Marques, que se alternava no ofício de compositor e de motorista de ônibus quando escreveu a letra do samba lançado por Beth em 1986.

A cada música que canta, a rainha Beth Carvalho faz questão de dar os nomes de seus súditos compositores. Nomes que estão impressos na contracapa do CD e do DVD para valorizar o ofício desses bambas que ora recebem, mais uma vez, as bençãos da madrinha. Um dos mais celebrados, Zeca Pagodinho, afilhado que se tornou também padrinho de compositores emergentes, entra em cena no início de Deixa a vida me levar (Serginho Meriti e Eri do Cais, 2002), samba que Beth já vinha cantando em shows, mas que até então nunca havia registrado. Legitimado pela rainha do samba como o rei do Brasil, por “representar o povo brasileiro”, como Beth diz no palco, Zeca Pagodinho permanece em cena para cantar com sua madrinha – que o revelou em 1983 com a gravação de Camarão que dorme a onda leva (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Beto sem Braço), samba também incluído no roteiro – o positivista Ainda é tempo pra ser feliz (Arlindo Cruz, Sombra e Sombrinha, 1998) e animar o povo com Arrasta a sandália, o samba composto por Luana Carvalho – filha da corujíssima Beth – com Dayse do Banjo que Zeca já havia gravado com Beth em 2011 no álbum Nosso samba tá na rua.

Além de ter sido o primeiro disco de inéditas de Beth em 15 anos, o álbum Nosso samba tá na rua é importante na discografia da cantora por aglutinar sambistas de várias gerações. Sem esquecer de dar voz aos bambas de tempos idos, como o sempre lembrado Nelson Cavaquinho (1911 – 1986), Beth avalizou compositores que estão começando a pôr seu blocos na rua, caso do carioca Leandro Fregonesi, parceiro de Rafael dos Santos no animado Chega, alocado no carnavalesco bloco final do DVD. Nesse bloco, aliás, Beth faz o primeiro registro audiovisual do pot-pourri de marchinhas que gravou no álbum Coração feliz, o mesmo disco de São José de Madureira. Ou seja, tudo faz sentido e se encaixa no roteiro, que inclui também a participação da sobrinha de Beth, a cantora Lu Carvalho, que sola Devotos do samba (Serginho Meriti e Rodrigo Leite) – número exclusivo do DVD – em homenagem à sua tia.

Renovando seu repertório, Beth Carvalho incluiu músicas novas no roteiro do show do Parque Madureira. Se a fila andar, parceria de Toninho Geraes com Paulinho Rezende, é inédito e dolente samba de (mágoas) de amor. Parada errada é o toque social do show. Como Beth conta ao público, o compositor Serginho Meriti – parceiro de Rogê e Rodrigo Leite no inédito samba – teve a luz da inspiração ao ver uma cena chocante em ponto da cracolândia da Avenida Brasil. O ponto de partida para a criação do tema foi a visão de uma mãe em desespero por ver o filho entregue ao crack e imune aos seus cuidados e apelos para se livrar da droga. A cena foi o mote para a criação desse samba triste escrito sob a ótica de uma mãe que ainda alimenta a esperança de ver o filho liberto da tal parada errada.

Samba de Moacyr Luz, Estranhou o quê? também dá seu toque social. Conhecido somente por quem freqüenta as rodas do Samba do Trabalhador, evento comandado por Luz no subúrbio carioca, Estranhou o quê? é – nas palavras de Beth, ditas no palco do Parque Madureira – “um protesto contra o racismo que ainda existe nos dias de hoje”. Com a gravação de Beth, o samba tem tudo para virar sucesso nacional. O refrão explosivo – reforçado pelo coro do público – provoca quem ainda se assusta com os progressivos direitos conquistados pela população negra, bem representada, aliás, na plateia que assistiu ao show da cantora no Parque Madureira. Tudo a ver com a história de uma artista considerada “a branca mais preta do Brasil”.

Mas o fato é que o samba não tem cor. No documentário Beth Carvalho, Coração em festa, idealizado por Afonso Carvalho e concretizado sob a direção de Gabriel Mellin e Bruno Murtinho, personalidades e compositores negros, brancos e mulatos reverenciam a cantora por sua contribuição fundamental à história do samba – sobretudo o samba de Madureira. “Nunca morei no subúrbio, mas eu tenho uma relação com o subúrbio maior do que a de muita gente que vive na Zona Norte”, ressalta a artista, orgulhosa dessa vivência suburbana.

O roteiro é costurado por entrevista concedida por Beth para os produtores do filme exibido nos extras do DVD. Nessa entrevista, Beth rememora a primeira vez que cantou em público – o samba Lata d’água (Luiz Antônio e Jota Júnior, 1952), num concurso carnavalesco infantil promovido por um programa de rádio – e se emociona, sem conter as lágrimas, ao narrar o momento do nascimento de sua filha Luana Carvalho.

Entre imagens apetitosas de feijoada na quadra da escola de samba Portela, captadas neste ano de 2014, o DVD mostra cena inéditas de show de Beth na agremiação de Madureira. No palco da Portela, a cantora cai no samba Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978), um dos maiores sucessos de uma carreira que a entroniza, de fato e de direito, no posto de rainha do samba. Uma rainha legitimada por seu povo nesses 50 anos de andanças por todos os pontos em que se ouve o melhor samba do Brasil. É por isso que, decorridos 30 anos, esse povo ainda canta com Beth aquele refrão de 1984.

                “É de Madureira, São José /
                    “É de Madureira, São José...”

Sim, Beth Carvalho será sempre de Madureira.

                  Mauro Ferreira

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Efson - compositor de sambas gravados por Alcione e Beth - sai de cena

Em 1983, um ano após lançar disco de menor repercussão comercial (Traço de união, RCA-Victor, 1982), a cantora carioca Beth Carvalho voltou às paradas com Firme e forte, samba que impulsionou as vendas do álbum Suor no rosto (RCA-Victor, 1983). Firme e forte era parceria de Nei Lopes com um cantor e compositor carioca que, desde o fim da década de 1970, se enturmara com a turma então emergente de bambas associados ao bloco carnavalesco Cacique de Ramos. O parceiro de Nei em Firme e forte era o carioca Edison Ferreira (18 de dezembro de 1944 - 5 de novembro de 2014), o Efson, cantor e compositor que saiu de cena ontem em hospital de São Gonçalo (RJ), a menos de um mês de completar 70 anos. Vítima de complicações relativas à pneumonia e insuficiência respiratória, Efson militou na cena musical desde os anos 1960, mas foi somente a partir da década de 1980 que alcançou projeção regular como compositor. Bastante gravado por Alcione, cantora que deu voz a sambas como Bololô (Efson, Paulo Vizinho e Nei Lopes, 1986), Efson teve o privilégio de ver um samba de sua autoria, Hoje é dia de festa, dar nome ao álbum de inéditas lançado por Zeca Pagodinho em 1997. Além de Nei Lopes, Efson firmou forte parceria com Odibar, com quem compôs músicas como Amor rola na cama (1992) e Brilha pra mim (1988), gravadas por Alcione e Jorge Aragão, respectivamente. O quintal está triste.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Coletânea tripla da Decca sugere Ben, Beth, Elis e Gal para trilha de festa

Com o fim do sonho brasileiro de conquistar o hexacampeonato de futebol na Copa do mundo de 2014, a coletânea Brasil! 50 hits - The ultimate party collection perde o sentido nacional, já que não há clima no país para comemorações. De todo modo, a compilação tripla - produzida pela gravadora inglesa Decca e recém-lançada no Brasil via Universal Music - sugere uma trilha sonora (irregular) para uma festa que não necessariamente precisa ter a ver com futebol. Uma trilha feita sob ótica estrangeira, o que explica e justifica a recorrência de gravações de Astrud Gilberto e Sergio Mendes - artistas brasileiros que alcançaram projeção mundial nos anos 1960 - entre fonogramas de Elis Regina (1945 - 1982), Gal Costa, Jorge Ben Jor, Joyce Moreno, Luiz Melodia, Paula Lima, Tim Maia (1942 - 1998) e Zeca Pagodinho, entre outros nomes. Eis os artistas convocados e respectivos 50 hits da seleção da coletânea Brasil!

1. Sergio Mendes - Mas que nada [com The Black Eyed Peas]
2. Jennifer Lopez - On the floor (Radio edit - No rap)
3. Bellini - Samba de janeiro (Radio edit)
4. Pasilda - Afro medusa
5. Junior Jack - E Samba
6. Everything But The Girl - Corcovado (Knee Deep Remix Ben Watt vocal Re-edit)
7. Sergio Mendes - Maracatu atômico (Paul Oakenfold Club Mix)
8. Cidinho & Doca - Rap das armas
9. Bonde Do Role - Solta o frango [Feat. Afra]
10. Gramophonedzie - Brazilian
11. Sergio Mendes - Magalenha (Moto Blanco Extended 2010 Remix) [com Carlinhos Brown]
12. Tania Maria - Come with me (Master at Work Remix)
13. Sergio Mendes - The real thing (Bimbo Jones Remix)
14. Cal Tjader - Soul sauce (Fila Brazilia Remix)
15. Astrud Gilberto - So nice (Summer Samba) (Azari & Iii Remix)
16. Jorge Ben - Taj Mahal
17. Mambo Stars - Barabaratiri
18. Quincy Jones - Soul bossa nova
19. Som Três - Homenagem a mongo
20. Tim Maia - O descobridor dos sete mares
21. Roberto Taufic - Branqueia
22. Sergio Mendes - Magalenha
23. Jorge Ben - Se segura malandro
24. Os Mutantes - A minha menina
25. Beth Carvalho - Coisinha do pai (ao vivo)
26. Gal Costa - Sebastiana
27. Astrud Gilberto - Bim bom (Psapp Remix)
28. Elis Regina - Jogo de roda
29. Roberto Menescal e seu Conjunto - Surfboard
30. Mongo Santamaria - Watermelon man
31. Gal Costa - Aquarela do Brasil
32. Roberto Taufic - Batuqueixo
33. Stan Getz - The Girl From Ipanema [com Antonio Carlos Jobim]
34. Spanish Flea Sergio Mendes & Brasil '66 - One note samba
35. Tania Maria - Come with me
36. Eliane Elias - Toda menina baiana
37. Joyce Moreno - Aldeia de Ogum
38. Bossa Três - Não me diga adeus
39. As Meninas - Brasil (Medley)
40. Sergio Mendes & Brasil '66 - Pais tropical
41. Luiz Melodia - Um toque
42. Sergio Mendes & Brasil '66 - Upa neguinho
43. Astrud Gilberto - Here's that rainy day (Koop Remix)
44. Zeca Pagodinho - Jiló com pimenta
45. Astrud Gilberto - Água de beber [com Antonio Carlos Jobim]
46. Paula Lima - Meu guarda-chuva
47. Sergio Mendes & Brasil '66 - Festa
48. Elis Regina - Águas de março
49. Astrud Gilberto - Berimbau
50. Stan Getz - Desafinado [com Antonio Carlos Jobim]

sábado, 14 de junho de 2014

Eis a capa do álbum em que Monarco canta com Beth, Cristina e Marisa

Com capa que expõe arte de Mello Menezes, o álbum que o cantor e compositor carioca Monarco lança neste mês de junho de 2014, Passado de glória - Monarco 80 anos, foi gravado com a colaboração de elenco estelar. O CD alinha participações de Beth Carvalho (em Tristonha saudade), Cristina Buarque (no samba Momentos emocionais), Diogo Nogueira (em A grande vitória, samba que exalta a escola de samba do compositor, a Portela), Marisa Monte (Estação primaveril) e Zeca Pagodinho (Verifica-se de fato - de Monarco com Ratinho).

sábado, 3 de maio de 2014

Arlindo, Beth, Dudu e Mariene se juntam em turnê que vai virar CD e DVD

Pelo quarto ano consecutivo, o Prêmio da Música Brasileira vai ser desdobrado em um show itinerante que vai sair em turnê nacional que estreia em 15 e 16 de maio de 2014 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro - na cidade do Rio de Janeiro (RJ), sede da premiação - e cuja rota prevê apresentações em São Luís (MA) (em 20 de maio), Belém (PA) (em 22 de maio), Parauapebas (PA) (em 25 de maio), Belo Horizonte (MG) (em 28 de maio), Vitória (ES) (em 31 de maio) e Corumbá (MS) (em 3 de junho). Arlindo Cruz, Beth Carvalho, Dudu Nobre e Mariene de Castro integram o elenco fixo do show roteirizado pelo empresário José Maurício Machline - criador do Prêmio da Música Brasileira - com consultoria de Beth. Homenagem ao samba, o show vai ser gravado ao vivo - já nas duas apresentações cariocas que iniciam a turnê - para dar origem a CD e DVD que serão editados no segundo semestre de 2014. Esse elenco fixo vai ter adesões diferentes em cada cidade. Nas apresentações que serão gravadas ao vivo no Rio, Angelique Kidjo, Beatriz Rabello, Péricles e Xande de Pilares vão se juntar a Arlindo, Beth, Dudu e Mariene ao longo do roteiro que prevê solos, duetos e números coletivos. Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970), Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973) e O mar serenou (Candeia, 1975) são alguns sambas-hits incluídos no repertório.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Ao ensaiar para DVD, Beth remexe em obra repleta de sambas que ficam

Resenha de show
Título: Ensaio aberto
Artista: Beth Carvalho (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Centro Cultural João Nogueira - Imperator (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 26 de março de 2014
Cotação: * * * 1/2

"Essa fica", avalizou o público após Beth Carvalho cantar Pandeiro e viola, samba de Gracia do Salgueiro que deu título ao seu quarto álbum, o último dos três LPs lançados pela cantora carioca pela gravadora brasileira Tapecar entre 1973 e 1975. A plateia do Imperator - casa de shows do Centro Cultural João Nogueira, situada no subúrbio do Rio de Janeiro (RJ) - queria dizer que Pandeiro e viola, segundo dos 36 números do show feito por Beth na casa em 26 de março de 2014, deveria ficar no repertório do DVD que a sambista ia gravar três dias depois, em 29 de março, no Parque de Madureira, também no subúrbio carioca. A apresentação do Imperator se chamava Ensaio aberto justamente porque, nela, Beth testava junto ao (seu) público o roteiro que pretendia eternizar no quinto registro audiovisual de sua carreira. A ideia (boa) era evitar os sucessos batidos, já registrados em seu primeiro DVD de caráter retrospectivo, A madrinha do samba ao vivo convida (Indie Records, 2004). Mas foi difícil eleger o que de fato vai entrar no seu próximo DVD. De acordo com a sentença do público, quase todos os 36 números do longo roteiro tinham que ficar. O que também tinha sua razão de ser, pois Beth estava remexendo em obra repleta de sambas que ficaram na memória popular. Mesmo os (aparentemente) esquecidos - como Senhora rezadeira (Dedé da Portela e Dia, 1979) e o partido alto Ô Isaura (Rubens da Mangueira, 1978) - são sambas de qualidade perene. Sob a direção musical do maestro Ivan Paulo, criador dos arranjos tão funcionais quanto convencionais, Beth passou em revista uma discografia das mais dignas e coerentes da música brasileira, com justa ênfase nas músicas de seu último disco de inéditas, Nosso samba tá na rua (EMI Music, 2011), e na produção autoral do compositor carioca, autor de pérolas do pagode como Coisa de pele (Jorge Aragão e Acyr Marques, 1986), Lucidez (Jorge Aragão e Cleber Augusto, 1991), Tendência (Ivone Lara e Jorge Aragão, 1991) e do carnavalesco Toque de malícia (Jorge Aragão, 1984). Novidade na voz de Beth, O meu lugar (Arlindo Cruz e Mauro Diniz, 2005) tinha mesmo lugar no roteiro por ser samba que celebra Madureira, bairro carioca escolhido para ser o cenário da gravação do DVD. Das duas inéditas, Se a fila andar (Toninho Geraes e Paulinho Rezende) - número pontuado pelo clarinete de Dirceu Leite - é samba triste que versa sobre o fim de um caso de amor. Também para baixo, Parada errada (Serginho Meriti, Rogê e Rodrigo Leite) - escrito sob a ótica de mãe esperançosa de tirar o filho do vício do crack - é samba com letra mais forte do que a melodia. Já Estranhou o quê? - samba de Moacyr Luz que, embora apresentado como inédito por Beth, já ganhou registro fonográfico no CD / DVD Moacyr Luz e Samba do Trabalhador - Ao vivo no Renascença Clube (Lua Music, 2013) - é o provável futuro sucesso da gravação ao vivo que vai ter Zeca Pagodinho em Arrasta a sandália (Dayse do Banjo e Luana Carvalho, 2011) e Lu Carvalho, sobrinha de Beth. O refrão "Estranhou o quê? / Preto pode ter o mesmo que você" é curto, grosso e contagiante. No mais, Beth cantou samba à moda baiana de Ivone Lara, Alguém me avisou (1980), entre sucessos acumulados em (49) anos de carreira que vai ficar para sempre.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Beth adianta roteiro de DVD que terá inéditas e 'coisas não muito óbvias'

"O critério deste DVD foi cantar coisas não muito óbvias", explicou Beth Carvalho ao público que lotou o Imperator - casa de shows do Centro Cultural João Nogueira, no Rio de Janeiro (RJ) - na noite de 26 de março de 2014 para assistir ao ensaio aberto do show que vai ser gravado ao vivo no Parque de Madureira, na mesma Zona Norte carioca, em 29 de março. Por "coisas não muito óbvias", entenda-se sambas como Pandeiro e viola (Gracia do Salgueiro) - música que deu título ao álbum lançado pela cantora carioca em 1975 - e Senhora rezadeira (Dedé da Portela e Dida, 1979), sucesso do álbum No pagode (RCA, 1979). São sambas que ficaram de fora do primeiro DVD de Beth, A madrinha do samba ao vivo convida (Indie Records, 2004). Mas que estarão no quinto DVD da artista ao lado de inéditas como Se a fila andar (Toninho Geraes e Toninho Nascimento) e Parada errada (Serginho Meriti, Rogê e Rodrigo Leite). Outra novidade - na voz de Beth - é Estranhou o quê?, samba de Moacyr Luz que, embora apresentado como inédito por Beth, já ganhou registro fonográfico, na voz do percussionista Álvaro Santos, no CD / DVD Moacyr Luz e Samba do Trabalhador - Ao vivo no Renascença Clube (Lua Music, 2013). Eis o roteiro seguido por Beth Carvalho - em foto de Mauro Ferreira - no ensaio aberto do belo show que vai ser perpetuado em DVD e CD ao vivo:

1. O show tem que continuar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, 1988)
2. Pandeiro e viola (Gracia do Salgueiro, 1975)
3. Senhora rezadeira (Dedé da Portela e Dida, 1979)
4. Ô Isaura (Rubens da Mangueira, 1978)
5. Nosso samba tá na rua (Roberto Lopes, Alamir, Canário e Nilo Penetra, 2011)
6. Colabora (Serginho Meriti, 2011)
7. Coisa de pele (Jorge Aragão e Acyr Marques, 1986)
8. Lucidez (Jorge Aragão e Cleber Augusto, 1991)
9. Tendência (Ivone Lara e Jorge Aragão, 1991)
10. Cantiga por Luciana (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, 1969) - citação
11. Devotos do samba (Serginho Meriti e Rodrigo Leite, 2013) - Lu Carvalho
12. Dança da solidão (Paulinho da Viola, 1972)
13. O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964)
14. Minha festa (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1973)
15. Se a fila andar (Toninho Geraes e Paulinho Rezende) - inédita
16. Ainda é tempo de ser feliz (Arlindo Cruz, Sombra e Sombrinha, 1998)
17. Parada errada (Serginho Meriti, Rogê e Rodrigo Leite) - inédita
18. Alguém me avisou (Ivone Lara, 1980)
19. Volta por cima (Paulo Vanzolini, 1962)
20. Camarão que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto Sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983) /
21. São José de Madureira (Beto Sem Braço e Zeca Pagodinho, 1984) /
22. Dor de amor (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Zeca Pagodinho, 1986) /
23. Deixa a vida me levar (Eri do Cais e Serginho Meriti, 2002)
24. Arrasta a Sandália (Dayse do Banjo e Luana Carvalho, 2011) - com Luana Carvalho
25. O meu lugar (Arlindo Cruz e Mauro Diniz, 2006)
26. Estranhou o quê? (Moacyr Luz, 2013)
27. Tristeza (Niltinho Tristeza e Haroldo Lobo, 1966)
28. Toque de malícia (Jorge Aragão, 1984)
29. A chuva cai (Casquinha e Argemiro Patrocínio, 1980)
30. Chega (Rafael dos Santos e Leandro Fregonesi, 2011)
31. Firme e forte (Efson e Nei Lopes, 1983)
32. Pot-pourri de marchinhas:

      Toque de clarins (tema tradicional) /
      Ô abre alas (Chiquinha Gonzaga, 1901) /
      O teu cabelo não nega (Lamartine Babo e Irmãos Valença, 1932) /
      Linda morena (Lamartine Babo, 1933) /
      Pierrot apaixonado (Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, 1936) /
      Mamãe, eu quero (Jararaca e Vicente Paiva, 1937) /
      Yes, nós temos banana (João de Barro e Alberto Ribeiro, 1938) /
      A jardineira (Benedito Lacerda e Humberto Porto, 1939) /
      Alá-lá-ô (Haroldo Lobo e Antônio Nássara, 1941) /
      Eu brinco (Pedro Caetano e Claudionor Cruz, 1944) /
      Saca-rolha (Zé da Zilda, Zilda do Zé e Waldir Machado, 1954) /
      Quem sabe sabe (Joel de Almeida e Carvalhinho, 1956) /
      Guará (tema tradicional) /
      Me dá um dinheiro aí (Ivan Ferreira, Homero Ferreira e Glauco Ferreira,1960) /
      Índio quer apito (Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, 1961) /
      Marcha do cordão do Bola Preta (Nelson Barbosa e Vicente Paiva, 1962) /
      Marcha do remador (Se a canoa não virar) (Antônio Almeida e Oldemar Magalhães, 1964) /
      Chuva, suor e cerveja (Caetano Veloso, 1969) /
      Cidade maravilhosa (André Filho, 1934) /

33. Caciqueando (Noca da Portela, 1983)
Bis:
34. Água de chuva no mar (Carlos Caetano, Wanderley Monteiro e Gerson Gomes, 2000)
35. Coisinha do pai (Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos, 1979)
36. Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978)

Exposição documenta, com fotos e textos, trajetória fonográfica de Beth

A foto acima faz parte da exposição Beth Carvalho - A madrinha do samba, inaugurada em 26 de março de 2014, no Centro Cultural João Nogueira, no Rio de Janeiro (RJ), dentro da série Permanências, idealizada pelos curadores Marcio Debellian e Miguel Jost. A exposição documenta a trajetória musical e fonográfica de Beth Carvalho através da exibição de fotos (legendadas pela própria cantora carioca), discos (relacionados em ordem cronológica, sendo que alguns são lembrados com capas e com curiosidades de bastidores) e vídeos. Na foto que ilustra este post, Beth é vista em estúdio com a cantora carioca Elizeth Cardoso (1920 - 1990) durante a gravação do samba Sorriso de criança (Ivone Lara e Délcio Carvalho) para o álbum Saudades da Guanabara, lançado pela sambista em 1989. Os textos da exposição foram escritos na primeira pessoa, tendo sido redigidos pelos curadores com base nas entrevistas feitas com Beth. Ao comentar o álbum Traço de união (1982), por exemplo, Beth revela que a melodia composta por Nelson Cavaquinho (1911 - 1986) era para ter sido letrada por Chico Buarque, que travou, sem conseguir criar versos para a música, que acabou intitulada Coração de poeta ao ganhar letra do compositor carioca Paulinho Tapajós (1945 - 2013). Detalhe pequeno em meio à grandeza da obra da artista: a coletânea Beth Carvalho canta Cartola - produzida em 2003 pelo pesquisador carioca Rodrigo Faour para a gravadora BMG - está erroneamente apresentada como um disco de carreira da artista, que já caminha para os 50 anos de trajetória musical, a serem comemorados em 2015. Mesmo com um ou outro erro, a exposição revela fatos relevantes sobre essa longa caminhada da eterna Enamorada do sambão.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Beth vai gravar DVD no Rio em show gratuito com a participação de Zeca

A cantora carioca Beth Carvalho vai gravar seu quarto DVD em show agendado para o próximo sábado, 29 de março de 2014, no Parque Madureira, no Rio de Janeiro (RJ). O show é gratuito e vai contar com a participação do cantor e compositor carioca Zeca Pagodinho, afilhado artístico da Madrinha do Samba. Beth - em foto de Washington Possato - vai dar voz a samba inédito de Toninho Geraes. A essência do roteiro vem do show Nosso samba tá na rua (2011).

domingo, 23 de março de 2014

Com Beth, Mariene pede benção a bambas na estreia do show 'Colheita'

Com Beth Carvalho, Mariene de Castro pediu benção a todos os bambas do samba na estreia nacional do show Colheita, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 22 de março de 2014. Dois números após o sublime duo da cantora baiana com o bandolinista carioca Hamilton de Holanda no samba-canção Nós dois (Cartola, 1977), um painel do cenário de Gringo Cardia subiu e o público viu Beth Carvalho ao fundo do palco da casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Sentada, a cantora carioca deu voz com Mariene ao Samba da benção (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966), tal como fizera no CD Colheita, lançado em fevereiro. Mais tarde, no bis, Beth voltou ao palco - de pé, como mostra  a foto de Rodrigo Amaral - mas não cantou. Foi saudada por Mariene, que lembrou o incentivo de sua madrinha artística quando decidiu vir morar na cidade do Rio de Janeiro, vinda de Minas Gerais - como Mariene ressaltou para o público - e não da Bahia, como se pensava. Na sequência, em homenagem a Beth (madrinha de sua filha Maria), Mariene puxou Coisinha do pai (Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila e Jorge Aragão), o samba que alavancou as vendas do álbum Beth Carvalho no pagode (RCA, 1979). 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Aos 91 anos, Casquinha grava DVD na Portela com Beth, Monarco e Zeca

Aos 91 anos, o cantor e compositor carioca Otto Enrique Trepte - conhecido como Casquinha da Portela no meio do samba do Rio de Janeiro (RJ) - vai gravar seu primeiro DVD em show agendado para a próxima quarta-feira, 19 de março de 2014, na quadra da escola de samba Portela, situada na divisa entre os bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro. Idealizado dentro da série Raízes do samba, o DVD - intitulado O samba não tem cor - vai ser gravado sob a direção musical de Mauro Diniz. Aberta ao público, mediante a entrega de um quilo de alimento não perecível, a gravação ao vivo vai contar com as participações de Beth Carvalho, Monarco e Zeca Pagodinho, além do próprio Mauro Diniz. Para quem não liga o nome à música, Casquinha - integrante da Velha Guarda da Portela - é o autor de sambas como A chuva cai (1980) e Recado (1966), compostos em parceria com os cariocas (e portelenses) Argemiro Patrocínio (1923-2003) e Paulinho da Viola, respectivamente.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Gravação ao vivo do 'Samba social clube' tem Beth, Leci, Mariene e Zeca

Beth Carvalho, Leci Brandão, Mariene de Castro - em foto de Adriano Fagundes - e Zeca Pagodinho figuram no elenco da próxima edição do CD e DVD Samba social clube ao vivo, a serem lançados no segundo semestre de 2014 pela gravadora Universal Music. Aberta ao público, a gravação ao vivo está agendada para 14 e 15 de março de 2014 na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro (RJ). O CD e DVD serão gravados sob a direção musical de Paulão Sete Cordas. No primeiro dia de gravação, o elenco é formado por Arlindo Cruz, Hamilton de Holanda, Mariene de Castro, Mumuzinho, Péricles, Serjão Loroza, Sombrinha, Xande de Pilares e Zeca Pagodinho. No segundo dia da gravação ao vivo, Almir Guineto, Beth Carvalho, Dudu Nobre, Jorge Aragão, Fundo de Quintal, Leci Brandão, Mart'nália, Moacyr Luz, Monarco, Nelson Sargento, Neguinho da Beija-Flor, Reinaldo e Teresa Cristina sobem ao palco do Rio de Janeiro.

sábado, 25 de janeiro de 2014

No seu quinto CD, Mariene cai no 'Samba da benção' em dueto com Beth

Incentivadora da carreira de Mariene de Castro, Beth Carvalho integra o time de convidados do quinto disco da cantora baiana. A artista carioca cai com Mariene no Samba da benção (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966). Além de Beth, Mariene canta com Maria Bethânia (A força que vem da raiz, de Roque Ferreira) e com Zeca Pagodinho (Colheita, samba de Nelson Rufino). O álbum de Mariene foi gravado no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro (RJ).

domingo, 22 de dezembro de 2013

Zeca recebe 'compadre' Arlindo e 'madrinha' Beth ao gravar 'Sambabook'

A foto de Guto Costa flagra Arlindo Cruz, Beth Carvalho e Zeca Pagodinho em palco da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ), na gravação do Sambabook Zeca Pagodinho. Realizada em dois dias deste mês de dezembro de 2013, ainda a tempo de festejar os 30 anos de carreira do cantor e compositor carioca, a gravação ao vivo reuniu nomes como Almir Guineto, Djavan, Diogo Nogueira, Dudu Nobre, Emicida, Gilberto Gil, Jorge Aragão, Lenine, Marcelo D2, Martinho da Vila, Maria Rita, Mariene de Castro, Monarco, Mumuzinho, Nilze Carvalho, Péricles, Roberta Sá, Sombrinha e a Velha Guarda da Portela. Os artistas regravaram sambas de autoria de Zeca. Compadre de Pagodinho, Arlindo Cruz deu voz a Se eu for falar de tristeza (Beto Lago e Zeca Pagodinho, 1986), samba do primeiro álbum solo do homenageado, Zeca Pagodinho (RGE, 1986). Já a madrinha Beth Carvalho - agente da estreia de Zeca em disco ao convidá-lo para cantar com ela o samba Camarão que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto sem Braço e Zeca Pagodinho) no álbum Suor no rosto (RCA, 1983) - revolveu Lama nas ruas, parceria de Pagodinho com Almir Guineto, que lançou o samba no álbum Almir Guineto (RGE, 1986). Camarão que dorme a onda leva, a propósito, é a faixa que junta todos os integrantes do elenco do Sambabook Zeca Pagodinho. O projeto tem lançamento previsto para abril em parceria da Musickeria com o selo Zeca Pagodiscos. A distribuição será feita via Universal Music.