Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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sábado, 9 de abril de 2016

Djavan eletriza no show 'Vidas pra contar' sem virar a página do livro musical

Resenha de show
Título: Vidas pra contar
Artista: Djavan (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 8 de abril de 2016
Cotação: * * * * 1/2

Aos 67 anos, Djavan insistiu na juventude ao pisar no palco da casa Vivo Rio para mostrar ao público carioca o show Vidas pra contar, cuja turnê está na estrada desde fevereiro deste ano de 2016, em rota nacional iniciada por Juiz de Fora (MG). O livro-cenário posicionado ao centro do palco permaneceu a maior parte do tempo aberto na mesma página, na qual se via escritos versos de canções de amor da lavra do artista alagoano. Aos 41 anos de carreira como compositor, iniciada com a defesa do samba Fato consumado (Djavan, 1975) no festival Abertura (TV Globo, 1975), Djavan tampouco costuma virar a página do livro musical. Mote do show, o álbum Vidas pra contar (Sony Music, 2015) reafirmou a sofisticação do estilo do compositor em safra de 12 músicas autorais. Sete delas estão no show, entremeadas com cinco composições do álbum Coisa de acender (Sony Music, 1992) e com sucessos como o mencionado samba Fato consumado, alocado no roteiro inteiramente autoral ao lado de outro samba antológico, Flor de lis (Djavan, 1976), que fez a obra do compositor desabrochar definitivamente há 40 anos. O tempo passou e, no entanto, o cancioneiro de Djavan nunca envelheceu. A vibrante atmosfera jovial da estreia carioca do show Vidas pra contar corroborou a modernidade atemporal dessa obra. A própria escalação da banda virtuosa do show - formada por Carlos Bala (bateria), Jessé Sadoc (flugelhorn e trompete), João Castilho (guitarra e violão), Marcelo Mariano (baixo), Marcelo Martins (sax) e Paulo Calasans (teclados e piano) - ratificou a segurança de um compositor que permanece dono da própria assinatura, pessoal e intransferível. E o fato é que Vidas pra contar se revelou já no primeiro número - Se não vira jazz (Djavan, 2015), tema do álbum atual que caiu no suingue dos sopros de Jessé Sadoc e Marcelo Martins - um dos shows mais enérgicos e eletrizantes da trajetória de Djavan nos palcos do Brasil. Música do álbum Lilás (CBS, 1984), Miragem (Djavan, 1984) manteve na sequência o alto astral que pautou a apresentação. A vivacidade e o frescor com que o cantor irmanou músicas novas e antigas como Eu te devoro (Djavan, 1998) - geralmente de pé no palco, dançando ao som do suingue singular da própria obra - valorizou a apresentação. Tocando guitarra em boa parte dos números, Djavan fez - a rigor - o que já está habituado a fazer em cena ao desfiar o rosário de pérolas de roteiro que celebra o amor. Lançou mão de baladas sedutoras como Outono (Djavan, 1992), cantou temas de batida funkeada como Boa noite (Djavan, 1992) e Só pra ser o sol (Djavan, 2015) - única música de apelo mais pop do álbum Vidas pra contar - e reavivou músicas menos batidas da obra autoral como Me leve (Djavan, 1987), número de menor vibração. Ou seja, nada de novo a rigor. Contudo, paradoxalmente, tudo soou como se novo fosse, realçando a cada um dos 24 números a genialidade de compositor que abriu escaninho na MPB dos anos 1970. Não por acaso, espectador gritou "Tu é foda!" ao fim da balada Alívio (Djavan e Arthur Maia, 1992), uma das cinco músicas do álbum Coisa de acender que ajudaram a iluminar show cintilante no todo. Imerso na harmoniosa musicalidade dos arranjos, Djavan brilhou também como cantor, cruzando Linha do Equador (Djavan e Caetano Veloso, 1992) com scats feitos em fina sintonia com o sopro do flugelhorn de Jessé Sadoc e arriscando falsete que reproduziu o toque de uma guitarra em Vidas pra contar (Djavan, 2015). A voz do artista, a propósito, continua reluzindo que nem riqueza, a julgar pela interpretação da pungente balada Pétala (Djavan, 1982). Ao seguir a sublime melodia de A rota do indivíduo (Djavan e Orlando Morais, 1991), o cantor provocou arrepios em plateia que também saboreou Açaí (Djavan, 1981) - nos tons de bloco eletroacústico que evidenciou o toque do violão de João Castilho - e que reouviu Lilás (Djavan, 1984) com o matiz pop original da música. Nem o tropeço no meio da letra de Dona do horizonte (Djavan, 2015) - motivo para a repetição da música em que o artista celebra a mãe com versos escritos de forma direta, sem ser guiado pela musicalidade das palavras (como de hábito) - empanou o brilho da noite. Djavan estava feliz como o público que lotou cada assento da casa Vivo Rio. O menor rigor no canto das últimas músicas do roteiro - apresentadas com o público já aglomerado de pé, na beira do palco, à espera de um aperto de mão e/ou aceno do artista - tornou o show musicalmente menos sedutor, mas, em contrapartida, elevou ainda mais o astral que permaneceu alto ao longo da estreia carioca de Vidas pra contar. E o entusiasmo do público ao ouvir classuda balada que já nasceu com cara de standard como Encontrar-te (Djavan, 2015) e inventivo xote de contornos nada banais como Vida nordestina (Djavan, 2015) fez com que o show Vidas pra contar cumprisse a intenção de ser celebração do amor. O amor a dois, o amor pela vida que se conta a cada página virada e o amor por um artista que permaneceu íntegro e coerente ao seguir caminho único, dono do próprio horizonte, fiel a si mesmo, a ponto de quase nunca virar a página do livro musical que escreve há 40 anos e - ainda assim - continuar sendo compositor relevante e moderno.

Djavan reacende coisas de álbum de 1992 no show autoral 'Vidas pra contar'

Djavan reacende coisas de álbum de 1992 no roteiro inteiramente autoral do show Vidas pra contar. Nada menos do que cinco das nove músicas do álbum Coisa de acender (Sony Music, 1992) estão no roteiro do show que chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 8 de abril de 2016, em apresentação que eletrizou o público que lotou a casa Vivo Rio. A rota do indivíduo (Djavan e Orlando Morais, 1991), Alívio (Djavan e Arthur Maia, 1992), Boa noite (Djavan, 1992), Linha do Equador (Djavan e Caetano Veloso, 1992) e Outono (Djavan, 1992) foram as cinco músicas de Coisa de acender que ajudaram a iluminar a apresentação vibrante feita pelo artista na estreia carioca do show. O cantor, compositor e músico alagoano também reviveu composições do álbum Lilás (CBS, 1984) - Miragem (Djavan, 1984) e a música-título Lilás (Djavan, 1984) - em roteiro que obviamente também privilegiou o repertório do bom álbum Vidas pra contar (Luanda Records / Sony Music, 2015). Mote do show feito por Djavan com banda formada por Carlos Bala (bateria), Jessé Sadoc (flugelhorn e trompete), João Castilho (guitarra e violão), Marcelo Mariano (baixo), Marcelo Martins (sax) e Paulo Calasans (teclados e piano), o álbum Vidas pra contar teve sete das 12 músicas incluídas no roteiro. Eis o roteiro seguido em 8 de abril de 2016 por Djavan - em foto de Rodrigo Goffredo - no Vivo Rio, na estreia carioca do show Vidas pra contar, cuja turnê nacional, iniciada em fevereiro em Juiz de Fora (MG), vai seguir pelo Brasil ao longo de 2016:

1. Se não vira jazz (Djavan, 2015)
2. Miragem (Djavan, 1984)
3. Eu te devoro (Djavan, 1998)
4. Me leve (Djavan, 1987)
5. Outono (Djavan, 1992)
6. Alívio (Djavan e Arthur Maia, 1992)
7. Não é um bolero (Djavan, 2015)
8. Linha do Equador (Djavan e Caetano Veloso, 1992)
9. Encontrar-te (Djavan, 2015)
10. Vida nordestina (Djavan, 2015)
11. Açaí (Djavan, 1981)
12. A rota do indivíduo (Djavan e Orlando Morais, 1991)
13. Pétala (Djavan, 1982)
14. Vidas pra contar (Djavan, 2015)
15. Dona do horizonte (Djavan, 2015)
16. Flor de lis (Djavan, 1976)
17. Fato consumado (Djavan, 1975)
18. Só pra ser o sol (Djavan, 2015)
19. Acelerou (Djavan, 1999)
20. Lilás (Djavan, 1984)
21. Boa noite (Djavan, 1992)
Bis:
22. Um amor puro (Djavan, 1999)
23. Azul (Djavan, 1982)
24. Sina (Djavan, 1982)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

'Vidas pra contar', o 23º álbum de Djavan para o Brasil, ganha edição lusitana

Vidas pra contar - 23º álbum gravado por Djavan para o mercado brasileiro - chega a Portugal. A edição lusitana do CD chega ao mercado fonográfico da Terrinha  neste mês de janeiro de 2016.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Dono de seu horizonte, Djavan canta o tal do amor no bom 'Vidas pra contar'

Resenha de CD
Título: Vidas pra contar
Artista: Djavan
Gravadora: Luanda Records / Sony Music
Cotação: * * * 1/2

Em 1998, Djavan se jogou na pista e acenou para o universo pop ao lançar um de seus álbuns mais joviais, Bicho solto - O XIII (Sony Music), álbum repleto de grooves funkeados que renovou o público do artista no rastro do sucesso da música Eu te devoro (Djavan, 1998), cuja letra citava até o ator norte-americano Leonardo Di Caprio, então no auge da popularidade, arrastado pelas águas do filme Titanic (Estados Unidos, 1997). Dezessete anos e dez álbuns depois, o genial cantor e compositor alagoano flerta novamente com o universo pop na batida funkeada de Só pra ser o sol, segunda das 12 músicas de seu 23º álbum para o mercado brasileiro, Vidas pra contar. Mas o universo pop é outro e Djavan também já é outro - ainda que musicalmente continue o mesmo compositor refinado, de assinatura pessoal e intransferível. Música de luminoso romantismo, Só pra ser o sol dificilmente vai devorar as paradas como a composição de 1998. E o mesmo vale para o álbum. Com repertório inteiramente autoral, composto solitariamente por Djavan, Vidas pra contar é disco que se situa no mesmo patamar de seu antecessor Rua dos amores (Luanda Records / Universal Music, 2012). Trata-se de álbum extremamente sofisticado - produzido e arranjado por Djavan com banda afinada com o som do artista, formada por Carlos Bala (bateria), Jessé Sadoc (sopros), João Castilho (violão e guitarra), Marcelo Mariano (baixo), Marcelo Martins (sopros) e Paulo Calasans (piano e teclados) - e de linguagem musical adulta. A caminho dos 67 anos, a serem completados em 27 de janeiro de 2016, Djavan apresenta mais um disco que vai contentar tão somente os que entendem as esquinas por que passa uma música erguida com original arquitetura harmônica e feita numa cadência própria que não encontra antecedentes na MPB. Obra que completa 40 anos de exposição neste ano de 2015 - tomando-se como marco zero a defesa do samba Fato consumado (Djavan, 1975) em festival promovido pela TV Globo em 1975 - já dando alguns inevitáveis sinais de repetição, mas sem perder seu refinamento. Vidas pra contar reitera as virtudes do compositor. Pode decepcionar quem confrontar o samba sincopado Ânsia de viver com antigas criações do artista no gênero. Mas pode também arrebatar quem ouvir a valsa O tal do amor e a bela balada Encontrar-te, cujo canto, melodia e arranjo de arquitetura clássica têm temperatura amena que contrasta com o tom inflamado de versos que falam de um desejo à flor da pele. De ritmo indefinível, a sinuosa Aridez também capta um homem sedento de amor, para o qual a mulher desejada é "água da fonte". Eleita equivocadamente o primeiro single do álbum, Não é um bolero não é mesmo um bolero típico do ponto de vista musical, mas dialoga com o gênero nos versos. Canção de amor que recusa os clichês do gênero, Primazia tende a passar despercebida diante de composições mais sedutoras como Vida nordestina, xote em que o artista alagoano exalta a abundante fé e alegria que inundam as almas do povo de região castigada pela escassez de água. Região que absorveu a influência do som ibérico que pautou Djavan na criação e na gravação da sofisticada música-título Vidas pra contar. Já a arquitetura engenhosa de Se não vira jazz mostra como Djavan absorveu a tal influência do jazz, motor também de Enguiçado, faixa de suingue vintage. Enfim, Djavan habita um rico universo musical, vislumbrado intuitivamente por sua mãe, protagonista da biográfica Dona do horizonte, música que cita em seus versos os nomes de ícones da música brasileira na década de 1950, como Angela Maria, Dalva de Oliveira (1917 - 1972) e o seminal Luiz Gonzaga (1912 - 1989), rei musical da nação nordestina. Artistas que, em maior ou menor grau, inspiraram Djavan na criação de obra monumental que, 40 anos após ser apresentada ao Brasil em escala nacional, continua seduzindo quem percebe que os cantos e contos do artista habitam e formam mundo à parte em que os acenos para o universo pop, embora bem-vindos, são mero detalhe porque o artista já se impôs como dono de seu próprio horizonte musical.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

CD com trilha de 'Totalmente demais' junta Anitta, Beth Diogo, Djavan e Pitty

Nova atração das 19h da TV Globo, a novela Totalmente demais estreia hoje, 9 de novembro de 2015, com sua trilha sonora já disponível em disco. A edição física do CD Totalmente demais chega às lojas nos próximos dias, em edição da Som Livre, mas a edição digital já está nas principais plataformas musicais da web. Com 16 faixas, o disco inclui gravação inédita da música-título da novela, Totalmente demais (Arnaldo Brandão, Tavinho Paes e Robério Rafael, 1985), feita pela funkeira carioca Anitta com participação do rapper mineiro Flávio Renegado. Há também fonogramas atuais de Beth Carvalho (Acreditar, Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976), Céu (Falta de ar, Gui Amabis, 2012), Diogo Nogueira (A mil por hora, André Renato, Rhuan André, Gabriel Soares e Lucas Oliveira, 2015), Djavan (Encontrar-te, música do próprio Djavan, lançada pelo cantor este mês em seu álbum Vidas pra contar), Emicida (Passarinhos, música do rapper com Xuxa Levy, gravada com Vanessa da Mata e lançada neste ano de 2015 no segundo álbum de Emicida), Frejat (Só você, Vinicius Cantuária, 1984), Michel Teló (Fogo e paixão, Rose, 1985), Pitty (Serpente, música de Pitty, lançada em 2014 no álbum Sete vidas) e Seu Jorge (Felicidade, música de Jorge, Pretinho da Serrinha, Gabriel Moura e Leandro Fab,  lançada por Jorge em 2015).

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Eis a capa e as 12 músicas inéditas de 'Vidas pra contar', 23º disco de Djavan

Esta é a capa de Vidas pra contar, o 23º álbum gravado por Djavan para o mercado fonográfico brasileiro. Com lançamento programado para 6 de novembro de 2015, em edição da Sony Music, o disco apresenta 12 músicas inéditas de autoria do cantor e compositor alagoano. Uma delas, Não é um bolero, já entrou em rotação na web e nas rádios em 29 de setembro. As demais nunca tinham sido reveladas.  Eis, na ordem do álbum, as 12 músicas gravadas por Djavan em Vidas pra contar:

1. Vida nordestina (Djavan)
2. Só pra ser o sol (Djavan)
3. Encontrar-te (Djavan)
4. Primazia (Djavan)
5. Não é um bolero (Djavan)
6. O tal do amor (Djavan)
7. Aridez (Djavan)
8. Vidas pra contar (Djavan)
9. Enguiçado (Djavan)
10. Se não vira jazz (Djavan)
11. Dona do horizonte (Djavan)
12. Ânsia de viver (Djavan)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Eis a capa do primeiro 'single' do álbum que Djavan vai lançar em novembro

Com capa criada por Rafael Ayres e Daniel Escudeiro, a partir de foto de Murilo Meirelles, o single Não é um bolero - que tem lançamento nas plataformas digitais programado para 29 de setembro de 2015 - anuncia oficialmente a chegada ao mercado fonográfico, a partir de 6 de novembro, de Vidas pra contar, álbum de músicas inéditas e autorais de Djavan. O disco sairá pela gravadora Sony Music.

domingo, 6 de setembro de 2015

Mata põe Djavan e Gonzaguinha na 'bagagem brasileira' do show 'Delicadeza'

De volta à cidade do Rio de Janeiro (RJ), onde estreou no primeiro semestre deste ano de 2015, Delicadeza é o show em que Vanessa da Mata alterna músicas de seu baú autoral com composições de lavra alheia. São músicas guardadas na "bagagem brasileira" que a artista trouxe de sua cidade natal, Alto Garças (MT) - como contou a cantora e compositora mato-grossense ao público que lotou o Theatro Net Rio na noite de ontem, 5 de setembro de 2015, para ver a segunda das duas apresentações de Delicadeza na reestreia carioca do show. Na companhia de apenas dois músicos, Danilo Andrade (piano) e Maurício Pacheco (guitarra), Vanessa tirou dessa "bagagem brasileira" músicas como Espere por mim, morena - canção com clima de toada interiorana que o cantor e compositor Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1991), o Gonzaguinha, lançou no álbum Começaria tudo outra vez (EMI-Odeon, 1976) - e Mágoas de caboclo (J. Cascata e Leonel Azevedo, 1936), composição que Mata ouvia na companhia da avó na voz do cantor carioca Orlando Silva (1915 - 1978), intérprete original do tema. Remexendo na memória afetiva de sua infância e adolescência interioranas, a cantora deu voz também a Cuitelinho (tema de domínio público adaptado por Paulo Vanzolini e Antonio Xandó e desde 1974 gravado em disco), a duas músicas do compositor alagoano Djavan - Capim (1982) e Asa (1986), emendadas no roteiro - e ao sucesso sertanejo Vá pro inferno com seu amor (Meirinho, 1976), sucesso nas vozes das duplas Milionário & José Rico e Chitãozinho & Xororó. Entre música do repertório do grupo carioca Los Hermanos (Samba a dois - Marcelo Camelo, 2003) e tema do cancioneiro católico de Padre Zezinho (Maria de minha infância, sucesso do primeiro álbum do religioso, Estou pensando em Deus, lançado em 1972), Vanessa da Mata ainda cantou, no longo bis, hit do repertório de Almir Guineto, Caxambu (Bidubi do Tuiuti, Élcio do Pagode, Zé Lobo e Jorge Neguinho, 1986), e sucesso da cantora e compositora norte-americana Carole King, It's too late, parceria de King com Toni Stern que alavancou as vendas de seu emblemático álbum Tapestry (Ode Records, 1971). Eis o farto roteiro seguido em 5 de setembro de 2015 por Vanessa da Mata - em foto de Rodrigo Goffredo - na apresentação do (íntimo e luminoso) show  Delicadeza no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ):

1. Viagem (Vanessa da Mata, 2000)
2. Samba a dois (Marcelo Camelo, 2003)
3. Espere por mim, morena (Gonzaguinha, 1976)
4. Baú (Vanessa da Mata, 2007)
5. Carta (Ano de 1890) (Vanessa da Mata, 2002)
6. Chovendo na roseira (Antonio Carlos Jobim, 1971)
7. Mágoas de caboclo (J. Cascata e Leonel Azevedo, 1936)
8. Cuitelinho (tema de domínio público adaptado por Paulo Vanzolini e Antonio Xandó, 1974)
9. Maria de minha infância (Padre Zezinho, 1972)
10. Vá pro inferno com seu amor (Meirinho, 1976)
11. Te amo (Vanessa da Mata, 2010)
12. Meu Deus (Vanessa da Mata, 2007)
13. Ainda bem (Vanessa da Mata e Liminha, 2004)
15. Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959)
16. Amado (Marcelo Jeneci e Vanessa da Mata, 2007)
17. Fugiu com a novela (Vanessa da Mata, 2007)
18. Capim (Djavan, 1982) /
19. Asa (Djavan, 1986)
20. Bicicletas, bolos e outras alegrias (Vanessa da Mata, 2010)
21. Segue o som (Vanessa da Mata, 2014)
Bis:
22. Nada mais (Lately) (Stevie Wonder, 1980, em versão de Ronaldo Bastos, 1984)
23. It's too late (Carole King e Toni Stern, 1971)
24. Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976)
25. Caxambu (Bidubi do Tuiuti, Élcio do Pagode, Zé Lobo e Jorge Neguinho, 1986)
26. Por onde ando tenho você (Vanessa da Mata, 2014)
27. Vermelho (Vanessa da Mata, 2007)

sábado, 25 de julho de 2015

Com músicas inéditas, Djavan grava seu 23º álbum para o mercado brasileiro

Três anos após lançar o CD Rua dos amores (Luanda Records / Universal Music, 2012), Djavan - em foto de Leo Aversa - finaliza no Rio de Janeiro (RJ) álbum de (12) músicas inéditas que vai ser posto nas lojas neste segundo semestre de 2015 em edição da Luanda Records distribuída pela Sony Music.  Trata-se do 23º disco gravado pelo cantor e compositor alagoano para o mercado brasileiro.

terça-feira, 31 de março de 2015

Caixa de Djavan faz jus a Disco de Ouro pela venda de duas mil unidades

A gravadora Sony Music divulgou hoje, 31 de março de 2015, que a caixa Djavan - Obra completa de 1976 a 2010 já fez jus a um Disco de ouro, de acordo com as atuais regras da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD). Na realidade, a caixa - lançada em novembro de 2014 com reedições de 18 álbuns de Djavan e duas compilações com gravações avulsas do cantor e compositor alagoano - teve duas mil unidades vendidas, de acordo com a companhia fonográfica. Só que, como a caixa embala 20 CDs, essas duas mil cópias totalizam 40 mil CDs vendidos - o que já garantiu ao produto um status de Disco de ouro, atestado em certificado emitido pela APBD - em 11 de março de 2015 - e alardeado pela Sony no quadro acima.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sony Music troca coletânea 'Raridades', de Djavan, através de site oficial

Consumidores que compraram a caixa Djavan - Obra completa de 1976 a 2010 com a edição incorreta da compilação Raridades já podem fazer a troca deste CD específico através do site oficial da gravadora no Brasil. Lançada em novembro de 2014 pela Sony Music com reedições de 18 álbuns e duas inéditas coletâneas do artista alagoano, a caixa veio com erros na master da compilação Raridades.Três músicas relacionadas na contracapa e / ou no libreto não tinham sido incluídas na coletânea, que toca outras músicas nas três faixas (clique aqui para saber quais eram os erros). De acordo com a assessoria da Sony Music, basta entrar em contato pelo site oficial da gravadora para efetuar a troca do CD. A partir da segunda tiragem, a caixa já traz a edição certa.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Sony corrige erros da coletânea de raridades incluída na caixa de Djavan

Lançada no mercado fonográfico em novembro de 2014, a caixa Djavan - que reúne 18 álbuns e duas coletâneas com gravações avulsas da obra do artista alagoano - chegou às lojas com três graves erros na compilação intitulada Raridades. A relação das 15 faixas da coletânea - tanto na contracapa quanto no libreto - não correspondia ao que era ouvido no CD embalado na caixa. Mas a gravadora Sony Music corrigiu o erro, fabricando nova tiragem da coletânea com as faixas certas. Antes, a contracapa da edição original indicava que a nona faixa é Eu te amo (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1980) quando, na realidade, ouvia-se Aboio blues (André Luiz), fonograma de 1998 (corretamente creditado no libreto). Da mesma forma, contracapa e libreto relacionavam entre as 15 faixas as gravações de Melodia sentimental (Floresta do Amazonas) (Heitor Villa-Lobos) e Sorriso de luz (Nelson Wellington e Gilson Peranzetta), feitas por Djavan em 2003 e 1996, respectivamente. Só que, no lugar dessas faixas, o CD tocava Calmaria e vendaval (Toquinho & Vinicius de Moraes) e o samba Presunçosa (Antonio Carlos & Jocáfi), músicas gravadas em 1974 pelo então iniciante cantor para as novelas Fogo sobre terra e Supermanoela, respectivamente. A edição correta da coletânea foi produzida com a mesma tiragem - três mil cópias - da desatenta edição original de Raridades. Os consumidores deverão poder fazer a troca.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Reedições de discos de Djavan ganham no som e perdem na arte gráfica

Resenha de caixa de CDs
Título: Djavan
Artista: Djavan
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * 1/2

 Mais do que oportuna, a produção de caixa com reedições da obra de Djavan era necessária, pois, embora todos os álbuns do artista alagoano já tivessem sido disponibilizados no formato de CD, as reedições pecavam pela qualidade insatisfatória do som e oscilavam na questão gráfica. Recém-posta nas lojas pela gravadora Sony Music, a caixa Djavan corrige totalmente a questão do som, mas decepciona na parte gráfica. A caixa embala 18 álbuns do cantor e compositor - lançados originalmente entre 1976 e 2010 - e duas coletâneas com fonogramas avulsos da discografia de Djavan. O som dos álbuns resulta exemplar. Remasterizados por André Dias de março de 2013 a agosto deste ano de 2014, a partir dos tapes originais (restaurados por Sidney Costa), os álbuns soam com o frescor dos dias de hoje, mas com total devoção ao som das edições originais (com exceção de Matizes, álbum de 2007 remixado por Djavan por conta da insatisfação do artista com a mixagem da edição original do CD). Nesse quesito sonoro, a caixa Djavan figura entre os melhores produtos do gênero lançados no mercado fonográfico brasileiro, justificando a substituição dos CDs no caso dos colecionadores que já possuem a discografia do artista neste formato. Em contrapartida, a perda de parte da arte gráfica dos álbuns originais vai frustrar colecionadores de discos que valorizam as reproduções de encartes e capas internas. Os 18 álbuns são embalados na caixa em capas fabricadas no formato de miniatura de LPs. As capas e contracapas originais estão lá, mas não a parte gráfica complementar, sendo que todos os discos de Djavan têm encartes luxuosos. Como os álbuns não possuem encartes próprios nas atuais reedições, a caixa concentra as informações e fichas técnicas dos discos no libreto de 210 páginas que traz fotos do cantor e letras das músicas. Houve capricho na reprodução das fichas técnicas, algumas até estendidas com informações relevantes não constantes no álbum original. No libreto, cada disco é contextualizado na obra de Djavan por texto escrito pelo jornalista Hugo Sukman. São versões resumidas dos precisos textos escritos por Sukman para os três volumes do apurado songbook A música de Djavan (2008), editado pelo próprio Djavan, também o produtor da atual caixa. Ou seja, houve até ganho de informação. O que não justifica a supressão dos encartes e capas duplas. Feita a ressalva das perdas na parte gráfica, a caixa Djavan concentra a quase totalidade de uma das obras de assinatura mais pessoal e intransferível da música brasileira (em que pesem os imitadores do artista). O seminal A voz, o violão, a música de Djavan (Som Livre, 1976, * * * *) apresentou essa obra autoral ao mercado fonográfico, tendo sido direcionado para o samba por decisão do produtor Aloysio Oliveira (1914 - 1995). Com leque rítmico mais diversificado do que seu antecessor, Djavan (EMI-Odeon, 1978, * * * * 1/2) - álbum já reeditado em CD com sua capa dupla original na caixa da série Portfolio, fabricada pela EMI Music em 1997 - foi o disco que sedimentou a marca desse cancioneiro que djavaneia samba, balada, blues, música africana e jazz com toque personalíssimo. Também já encaixotado na série PortfolioAlumbramento (EMI-Odeon, 1980, * * * * 1/2) abriu parcerias - com Aldir Blanc, Cacaso (1944 - 1987) e Chico Buarque - em obra de criação até então solitária sem abrir mão da marca autoral do compositor. Síntese da fase inicial da discografia do artista, Seduzir (EMI-Odeon, 1981, * * * * *)  preparou o clima para a explosão pop de Luz (CBS, 1982, * * * * *), álbum que transformou Djavan em superstar com vendas expressivas, sucessão de hits e uso primoroso dos recursos tecnológicos da época. Já o eletrônico Lilás (CBS, 1984, * * *) se lambuzou com esses recursos, embora tenha gerado dois clássicos para o cancioneiro de Djavan (Esquinas e a música-título Lilás). Meu lado (CBS, 1986, * * * 1/2) tentou conciliar a brasilidade da fase inicial da discografia do artista com o sotaque pop entranhado em quase toda a música brasileira gravada nos anos 1980. Não é azul, mas é mar (CBS, 1987, * * *) acenou com mais força para o pop globalizado enquanto Djavan (CBS, 1989, * * * 1/2) reconduziu o artista às paradas a reboque da balada-blockbuster Oceano. Coisa de acender (Sony Music, 1991, * * * *) emplacou outro sucesso radiofônico (a balada Se...) e destacou a pungente parceria de Djavan com Orlando Morais, A rota do indíviduo (Ferrugem), que abriu este disco marcado por conexões com outros compositores. Na contramão, o reflexivo e interiorizado Novena (Sony Music, 1994, * * * 1/2) fechou o leque de parceiros enquanto seu sucessor, o exteriorizado Malásia (Sony Music, 1996, * * * *), abriu espaço para o exercício de interpretação de músicas alheias, incluindo no repertório abordagens de músicas de Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), Charles Chaplin (1889 - 1977) e Paulinho da Viola (embora o maior sucesso do álbum tenha sido a balada autoral Nem um dia). Bicho solto o XIII (Sony Music, 1998, * * * 1/2) fez a festa pop em tentativa bem-sucedida de rejuvenescer o som e o público de Djavan. A balada Eu te devoro - cuja letra inclui citação do ator norte-americano Leonardo Di Caprio, então sensação mundial entre as adolescentes por conta do filme Titanic - sintetizou e guiou essa nova guinada pop de Djavan, à qual se seguiu a explosão de popularidade e vendas do retrospectivo álbum duplo Djavan ao vivo (Sony Music, 1999, * * * * 1/2). Surpreendentemente, o posterior Milagreiro (Sony Music, 2001, * * * *) se desviou da rota pop, sinalizando volta do artista às origens nordestinas. O dueto com a cantora Cássia Eller (1962 - 2001) na flamenca música-título Milagreiro já valeu o disco por si só. Vaidade (Luanda Records, 2004, * * *) marcou a independência artística de Djavan, então senhor de si na sua própria gravadora, enquanto Matizes (Luanda Records, 2007, * * *) manteve inalterados os tons do cancioneiro do compositor (a remixagem do disco preserva a percepção inicial de que se trata de álbum de inspiração irregular). Já Ária (Luanda Records / Biscoito Fino, 2010, * * * 1/2) repôs em cena o crooner, remetendo ao início da trajetória do artista, na fase pré-fama em que o (ainda desconhecido) cantor gravava músicas para trilhas sonoras de novelas da TV Globo. Duas dessas músicas - o samba Presunçosa (Antonio Carlos & Jocáfi) e a nordestina Calmaria e vendaval (Toquinho & Vinicius de Moraes), gravadas em 1974 para as novelas Supermanoela e Fogo sobre terra, respectivamente - foram incluídas na coletânea Raridades produzida para a caixa. Mas não são creditadas nem na contracapa da compilação e tampouco no libreto (as faixas alinhadas na ficha técnica nos seus lugares são Melodia sentimental e Sorriso de luz, mas elas não estão no CD). Outro erro - que aponta desleixo na produção da coletânea - é o fato de a contracapa indicar que a nona faixa é Eu te amo quando, na realidade, ouve-se Aboio blues (André Luiz), fonograma de 1998 corretamente creditado no libreto. Cabe ressaltar ainda a ausência na seleção do primeiro registro fonográfico de Djavan - Qual é? (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), música gravada pelo cantor em 1973 para a trilha sonora da novela Os ossos do barão - e de outros temas gravados para novelas da TV Globo. Enfim, mesmo que tenha alguns deslizes na produção, a caixa Djavan é valorizada pelo som primoroso dos álbuns originais do artista. Mesmo que faltem pedaços da arte gráfica dos discos, a música em si é (re)ouvida em toda sua plenitude.

Djavan apresenta caixa com texto em que discorre sobre seus 18 álbuns

Ao comandar a produção da caixa que embala reedições de 18 álbuns, alguns remasterizados pela primeira vez para serem embalados no box recém-lançado pela gravadora Sony Music, Djavan reouviu toda sua obra. No texto que escreveu para apresentar a caixa Djavan, o cantor, compositor e músico alagoano passa em revista os álbuns reunidos no box. Eis o texto de Djavan:

"Comecei a ouvir toda a obra em função da remasterização geral e remixagem de algumas faixas, já contando com o desconforto que sentiria em alguns momentos: um arranjo equivocado, uma mixagem ruim, uma interpretação exacerbada, uma música mais ou menos, um teclado datado (nunca foi fácil achar um som definitivo num universo tão prolixo).  
Na primeira música, eu procurei ouvir cronologicamente, pensei no meu primeiro produtor, Aloysio de Oliveira, homem capaz e cheio de entusiasmo comigo. Disponibilizei, para sua apreciação e escolha, as 60 músicas que eu tinha. Somente 12 seriam escolhidas. Pensei: o que vai ser? Era o meu primeiro e mais que esperado disco - eu tinha que acertar. Enfim, ele me chamou e disse: tenho as 12, mas você pode mudar, se quiser. E me deu uma relação com oito sambas. Eu olhei para aquilo e pensei: meu Deus, não é isso! Tive vontade de discutir, mas temia que ele estivesse certo. E estava! A diversidade que eu queria mostrar já no primeiro disco, ele viu nos sambas que escolheu.
A audição da obra seguiu deparando-se com passagens inesquecíveis. Fui gravar o meu segundo disco longe das asas do meu tutor, João Araújo. A EMI, de Mariozinho Rocha, foi o período onde tudo que é hoje começou. Discos em que pude contar com a participação de ídolos como Chico, Caetano e Gil. Compus com eles  e para todas as estrelas que admiro!
A Sony (Djavan se refere à gravadora então denominada CBS) veio em seguida, querendo me abrir outros horizontes. O seu presidente, Thomás Muñoz,  me propôs  gravar e viver nos Estados Unidos. Eu disse que gravaria lá, mas que não moraria fora do Brasil. Em março de 82, levando a banda Sururu de Capote, desembarquei em Los Angeles para  gravação do Luz, com a participação de músicos americanos, ou radicados lá, e o Stevie Wonder. Era muita coisa num só momento. Quando se abriu a possibilidade de participação do Stevie, eu já tinha a música certa para recebê-lo: Samurai. Ele chegou para gravar a bordo de um rolls royce marrom. Estávamos todos à porta do estúdio pra vê-lo chegar. Foi uma alegria. Stevie sentou ao piano e começou a tocar a esmo: Cole Porter, Irving Berlin, Gershwin... Em dado momento, disse: acabei de compor uma nova canção. E começou a cantar Overjoyed. Em seguida, quis ouvir o que tinha do disco. Tinha tudo, praticamente. Depois, ouviu Samurai, umas quatro ou cinco vezes, pegou a harmônica, saiu tocando junto,  barbarizou!
O disco seguinte me fez conhecer a ira de muita gente. Lilás trouxe uma sonoridade que estava começando a ser explorada no mundo. Mesmo com a participação da banda Sururu de Capote, por causa dos teclados, o disco soava eletrônico. Para quem tinha acabado de fazer um disco semi-acústico tão elogiado, aquilo era um pecado mortal. Alguns perguntavam o que é que eu estava fazendo com a minha  carreira. Mas, de um ou outro, ouvi dizer que aquele disco trazia um certo pioneirismo estético, o que me bastou para afastar uma quase rejeição que pairava sobre a minha cabeça por um trabalho que continha clássicos como Lilás e Esquinas e uma música que me rendeu o mais belo momento de toda gravação: Obi. Uma boa música, letra bem construída, a Sururu no auge e as cordas do inglês Jeremy Lubbock. Eram  36 músicos dentro do Sunset Sound (baixos, cellos, violas e violinos). Na hora em que o maestro baixou o braço, emocionou.
De volta ao Brasil, decidi que o próximo seria gravado aqui. Entrei em estúdio para gravar Meu lado, no final de 85, somente com músicos brasileiros. Asa, música que músicos brasileiros e americanos adoram, simboliza essa fase da minha vida. Esse é um disco de transição. A partir dali, passei a ocupar mais espaço nas minhas produções, como já disse outras vezes, para chegar mais rápido onde eu já sei que quero ir.
Em 87, ainda buscando, como até hoje, voltei a Los Angeles para gravar Não é azul mas é mar. A Sururu de Capote mais uma vez estava ali junto com Ronnie Foster, Nathan East, Harvey Mason e Greg Phillinganes. Mas  o piano que o George Duke tocou em Bouquet foi o que mais me marcou.
O final da década chegou com Oceano deixando-me abismado com tanto sucesso, mesmo já tendo me encantado durante a gravação com a hiperatividade das mãos de Paco de Lucia! Como se pode tocar tanto?!
Meio perdido, sem saber o que fazer, comecei a gravar o Coisa de acender. Era meados de 91 e eu só tinha três músicas. Nenhum problema:  sempre gostei de compor durante o processo de gravação. É inspirador. Assim nasceram Boa noiteSe, Linha do Equador com Caetano, Violeiros, Outono e muitas outras.  É um disco citado por muita gente como o preferido.
No disco Novena,  quis fazer da escassez instrumental um trunfo, como tirar o bastante de tão pouco. Com aqueles músicos, não foi difícil. Fizemos um disco muito bonito.
Os discos Malásia e Bicho solto fecham a década de 90 com meu entusiasmo pela função de arranjador nas alturas. Coisas de que eu gostava mais, outras menos, mas já considerava arranjar tão importante quanto compor. Um deleite.
Foi no ano 2000 que comecei a prestar mais atenção no mercado. O disco Ao vivo vendeu quatro vezes mais que o meu álbum mais vendido até então (Luz, 500 mil). As coisas começaram a acontecer entre uma gravadora, ávida por repetir aquele feito, e eu, para fugir dele. Fui saindo da Sony aos poucos. Ainda gravei o Milagreiro por lá, disco de que eu gosto tanto. E abri a Luanda.
A ideia era cada vez mais gerir a carreira de modo pessoal e pelo desafio em si. A remixagem de algumas faixas do disco Vaidade deveu-se ao desejo de melhorar o que precisava continuar sendo o que sempre foi: níveis de alguns instrumentos, equalizações, coisas que incomodavam só a mim.  
Matizes foi a maior revelação de toda essa operação e o único que remixei integralmente. Na época, saí desse disco com a sensação de dever não cumprido. Não administrei bem os problemas que o envolveram e o resultado final não me satisfez totalmente. Mas, como o tempo urge, o esqueci. Agora, ao reouvi-lo, logo identifiquei tudo o que precisava ser feito e o disco se revelou outro - nuanças perdidas deram o ar da graça, arranjos soaram imperativos, vozes como eu sempre quis ouvir. Que bom!
Finalmente o velho sonho de fazer um disco não autoral materializa-se com o Ária. A ideia inicial era reeditar a minha fase de crooner do começo da carreira. Mas havia muito mais: como fazer um disco só com canções de outros autores ser um disco meu? O que cantar e como? Eu não sabia o que fazer! Resolvi seguir o instinto. Fui cantarolando as canções, me acomodando a elas, sentindo o que queriam para continuar lindas como sempre foram. Assim, o disco saiu.

Todas as preocupações e dificuldades de quem procura as coisas servem para aumentar a glória alcançada. Depois de tudo isso, tem-se a impressão de que se justifica dedicar uma vida inteira à música onde, como um ator, se pode ser outros como eu sempre sonhei". Djavan 

domingo, 23 de novembro de 2014

Nelson Motta produz terceiro CD de fadista com inéditas de Djavan e Ivan

Aos 70 anos, o jornalista, escritor e compositor paulistano Nelson Motta retoma em Portugal sua carreira de produtor musical. Motta é o produtor do terceiro álbum da cantora portuguesa Cuca Roseta, uma das vozes do fado contemporâneo. Postada por Roseta em sua página oficial no Facebook, a foto acima flagra a cantora com seu produtor em Lisboa, cidade onde o disco vai começar a ser gravado ainda neste mês de novembro de 2014. Motta conseguiu músicas inéditas dos compositores brasileiros Djavan e Ivan Lins para o repertório do álbum que sucede Cuca Roseta (Surco / Universal Music, 2011) e Raiz (Universal Music, 2013) na discografia da artista. Entre músicas portuguesas e inédita do compositor uruguaio Jorge Drexler, Cuca Roseta - que canta Apaixonada (Nelson Motta e Ed Motta, 2001) no CD comemorativo dos 70 anos de seu produtor, Nelson 70 (Som Livre, 2014) - vai dar voz a músicas brasileiras como Pra machucar meu coração (Ary Barroso, 1943) e Mascarada (Zé Kétti e Elton Medeiros, 1965). CD sai em 2015.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Eis a capa da caixa que embala 18 álbuns e duas compilações de Djavan

Esta é a capa da caixa que embala 18 álbuns e duas inéditas coletâneas de Djavan. Nas lojas em novembro de 2014, com distribuição da Sony Music, a caixa abrange período que vai de 1976 (ano em que o cantor e compositor alagoano lançou pela gravadora Som Livre seu primeiro álbum, A voz • O violão • A música de Djavan) até 2010 (ano do primeiro disco do artista como intérprete, Ária, posto nas lojas através da gravadora Biscoito Fino). Produzidas especialmente para a caixa, as duas coletâneas agregam gravações dispersas na discografia de Djavan. Uma está focada na atuação do cantor como intérprete. A outra apresenta gravações em inglês e em espanhol, nunca lançadas no Brasil. Um texto escrito pelo próprio Djavan apresenta a caixa, que inclui libreto, de mais de 200 páginas, com fotos raras do artista. Cada um dos 20 CDs da caixa é alvo de texto que contextualiza o disco na obra fonográfica de Djavan. Eis os 18 álbuns embalados em reedições remasterizadas e eventualmente remixadas - com as capas e fichas técnicas originais - na caixa Djavan - Obra completa de 1976 a 2010:

* A voz • O violão • A música de Djavan (Som Livre, 1976)
* Djavan (EMI-Odeon, 1978)
* Alumbramento (EMI-Odeon, 1980)
* Seduzir (EMI-Odeon, 1981)
* Luz (CBS, 1982)
* Lilás (CBS, 1984)
* Meu lado (CBS, 1986)
* Não é azul, mas é mar (CBS, 1987)
* Djavan (CBS, 1989)
* Coisa de acender (Sony Music, 1992)
* Novena (Sony Music, 1994)
* Malásia (Sony Music, 1996)
* Bicho solto (Sony Music, 1998)
* Djavan ao vivo (Sony Music, 1999)
* Milagreiro (Sony Music, 2001)
* Vaidade (Luanda Records, 2004)
* Matizes (Luanda Records, 2007)
* Ária (Luanda Records / Biscoito Fino, 2010)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Zé Ricardo lança '7 vidas', CD de inéditas em que revive 'Azul', de Djavan

Música de Djavan, lançada em 1982 na voz cristalina de Gal Costa, Azul ganha registro do cantor e compositor carioca Zé Ricardo. Azul é a única regravação dentre o repertório inédito e autoral de 7 vidas, quinto álbum de Zé Ricardo. Gravado em Los Angeles (EUA) com produção de Moogie Canazio, o disco está sendo lançado no mercado fonográfico neste mês de agosto de 2014, via Warner Music, gravadora que editou o álbum anterior do artista, Vários em um (2011). Brincar, Com você tudo é mar, Coração gigante, Izabella, Just fly, Na ponta do pé, Você fez casa em mim, 7 vidas e Amor e veneno são as nove músicas que compõem o repertório inédito do álbum, que transita com liberdade entre o soul, o pop, a MPB e o samba. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Rita Benneditto se banha nas águas de Clara e Djavan no disco 'Encanto'

Música dos compositores cariocas João Nogueira (1941 - 2000) e Paulo César Pinheiro que abriu o 12º álbum da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983), Esperança (EMI-Odeon, 1979), Banho de manjericão ganha a voz de Rita Benneditto. O samba integra o repertório do sexto álbum solo da cantora maranhense, Encanto, produzido por Felipe Pinaud e Lancaster Lopes. No disco, que vai ser lançado neste segundo semestre de 2014, Rita também dá voz a Água - música de Djavan, lançada pelo cantor e compositor alagoano em álbum de 1978 - e ao mambo cubano Babalu (Margarita Lecuona, 1939), na versão em português gravada em 1958 pela cantora fluminense Angela Maria. Há também no CD regravações de (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978) e de Extra (Gilberto Gil, 1983), esta feita com a adesão do grupo carioca Reggae B (projeto de Bi Ribeiro, baixista dos Paralamas do Sucesso). Entre as inéditas, Rita Benneditto - em foto de Elisa Horta - apresenta Pedra do tempo (Felipe Pinaud, Lancaster Lopes e Rita Benneditto), De mina (Josias Sobrinho) - faixa gravada com a participação do cantor, compositor e guitarrista carioca Roberto Frejat - e O que é dela é meu (Arlindo Cruz, Rogê e Marcelinho Moreira), samba cantado em dueto com o compositor carioca Arlindo Cruz. 

domingo, 27 de julho de 2014

Gadú regrava parceria bissexta de Nelson com Djavan em tributo a Motta

 Parceria bissexta de Nelson Motta com Djavan, lançada pelo cantor e compositor alagoano em seu álbum Djavan (CBS, 1989), Você bem sabe ganha a voz de Maria Gadú. Você bem sabe foi a música confiada à cantora paulista no CD produzido pela gravadora Som Livre para celebrar os 70 anos que o carioca Nelson Motta vai completar em 29 de outubro de 2014. O elenco inclui Ana Cañas, Gaby Amarantos, Fernanda Takai, Marisa Monte e Silva - entre outros.

sábado, 19 de abril de 2014

Bruno & Marrone cantam hits de Djavan, Kiko e Lulu em gravação ao vivo

Bruno & Marrone trouxeram sucessos de Alcione, Djavan, Kiko Zambianchi, Lulu Santos, Reginaldo Rossi (1944 - 2013) e Roberto Carlos para o universo sertanejo em registro de show que vai ser editado em CD e DVD. A gravação ao vivo foi feita no Espaço das Américas, em São Paulo (SP), na noite de 17 de abril de 2014. Sob produção de Dudu Borges, a dupla sertaneja apresentou músicas inéditas - Agora, Ainda gosto demaisEu mudei demais, Parabéns e Tiro e queda - entre recriações de músicas como Você me vira a cabeça (Me tira do sério) (Chico Roque e Paulo Sérgio Valle, 2001), Oceano (Djavan, 1989), Primeiros erros (Kiko Zambianchi, 1985), Apenas mais uma de amor (Lulu Santos, 1992), Garçom (Reginaldo Rossi, 1987) e Força estranha (Caetano Veloso, 1978). O CD e o DVD da dupla serão lançados no segundo semestre.