Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

'Som e fúria' ascende quando vozes de Rita e Jussara ressoam na imensidão

Resenha de CD
Título: Som e fúria
Artistas: Rita Benneditto & Jussara Silveira
Gravadora: Maianga Discos (edição física, 2014) e Dubas Música (edição digital, 2015)
Cotação: * * * 1/2

A maranhense Rita Benneditto e a mineira (de vivência baiana) Jussara Silveira são duas cantoras extremamente afinadas, de emissões vocais cristalinas. Quando faz ecoar na imensidão do som e do espaço as vozes dessas duas excelentes cantoras, Som e fúria - o álbum gravado por Rita com Jussara em julho de 2013 em estúdio improvisado no Vale do Capão, na Chapada Diamantina (BA) - faz mais sentido e alcança dimensão maior. É o que acontece nas duas músicas que se entrelaçam na abertura desse disco idealizado por Sérgio Guerra para sua gravadora baiana Maianga Discos e produzido por Alê Siqueira sob a direção de José Miguel Wisnik. Com seu canto quase a capella, Rita solta sua voz límpida em Milagre (Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão, 2014) enquanto, ao fim da faixa, o ouvinte escuta alguém cantando longe dali. É a voz de Jussara Silveira, intérprete de Alguém cantando (Caetano Veloso, 1977), música (como Milagre) adornada com sutis toques dos teclados de Mikael Mutti. Se seguisse sempre por essa trilha, Som e fúria seria o disco que os fãs das cantoras esperavam. Mas as vozes nem sempre ressoam soberanas, em primeiro plano, a partir da terceira faixa, o medley que agrega A sílaba (Zeca Baleiro, 2014) com o tema de domínio público Trem trole e trilho. É quando as vozes se entrelaçam não somente com as programações e teclados de Mutti, mas também com os batuques de Gabi Guedes - como acontece com o medley que linka Maricotinha (Dorival Caymmi, 1994) com sambas de roda da Bahia. Unido no disco à Saudação a Oxossi, o canto indígena Yo Paraná - reforçado por coro infantil - conduz Som e fúria por uma trilha mais experimental que dificulta sua assimilação. Para amantes das vozes, o álbum soa mais sedutor quando Jussara canta Ave Maria (Schubert, 1825) com o toque menos invasivo da percussão de Mutti e dos teclados de Wisnik. É o canto em feitio de oração. A propósito, com a liberdade do sincretismo religioso que pauta a música do Brasil, Rita refaz sua tecnomacumba ao juntar Caboclo das sete encruzilhadas (Terecó da Tenda São José - Pirapemas / MA) e Pisei na terra de caboclo (Tambor de Minas da Casa Fanti). Mais surpreendente, o entrelaçamento do samba Para não contrariar você (Paulinho da Viola, 1970) - cantado por Jussara com percussão típica do gênero - com o samba-canção Matriz ou filial (Lúcio Cardim, 1965), revivido na voz de Rita, reitera que Som e fúria procura tons e sons para adornar as vozes nem sempre perto do formato convencional da canção. Dentro dessa atmosfera experimental, A rosa de Hiroshima (Gerson Conrad sobre poema de Vinicius de Moraes, 1973) desabrocha com belo arranjo vocal que embute o mesmo coro infantil do canto indígena Yo Paraná. Ao fim da faixa, a voz de Wisnik recita trechos de outro poema de Vinicius de Moraes (1913 - 1980) em tom quase celestial - contando no fim com o recorrente recurso do coro infantil recrutado para o disco - enquanto A rosa de Hiroshima volta a ser ouvida. Encerrando o disco (lançado em edição física em CD via Maianga em novembro de 2014, com distribuição restrita à Bahia, e ora disponibilizado em edição digital via Dubas Música), Tom de voz (Cezar Mendes e Quito Ribeiro, 2014) apazigua Som e fúria nas vozes em uníssono dessas cantoras (re)unidas na trilha inusitada de álbum amoroso, sem fúria, com som.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Disco já raro que reúne Rita e Jussara, 'Som e fúria' vai ganhar edição digital

Disco que reúne as cantoras Rita Benneditto e Jussara Silveira, tendo sido lançado de forma extraoficial pela gravadora Maianga Discos em novembro de 2014, com distribuição restrita à Bahia e ao círculo de amigos das cantoras, Som e fúria vai ficar acessível em edição digital. A gravadora Dubas Música se interessou por lançar o disco nas plataformas digitais - o que deverá acontecer até o fim deste primeiro semestre de 2015. Rita Benneditto e Jussara Silveira gravaram Som e fúria em julho de 2013 no Vale do Capão, situado na Chapada Diamantina, na Bahia. Ariston Quadros assina o projeto gráfico do CD produzido por Alê Siqueira sob direção artística de Zé Miguel Wisnik. O repertório inclui A rosa de Hiroshima (Gerson Conrad e Vinicius de Moraes, 1973), Alguém cantando (Caetano Veloso,  1977)  e Matriz ou filial  (Lúcio Cardim, 1964),  entre outras músicas.

sábado, 7 de março de 2015

Rita Benneditto dribla problema técnico e se faz ouvir no show 'Encanto'

Resenha de show
Título: Encanto
Artista: Rita Benneditto (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 6 de março de 2015
Cotação: * * * 
 Show volta à cena em 27 de março de 2015, na casa HSBC Brasil, em São Paulo (SP)

Encanto é o show visualmente mais caprichado de Rita Benneditto. Há toda uma beleza plástica - resultante da harmonia entre a iluminação de Daniela Sanchez, os figurinos de Victor Dzenk e as projeções sensoriais que compõem o cenário da artista plástica Jeane Terra  - que evidencia o fino acabamento do espetáculo. Contudo, para se igualar aos comunicativos shows anteriores da artista, Encanto ainda vai precisar de ajustes ao longo da turnê nacional que estreou no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 6 de março de 2015, e que vai ter continuidade em São Paulo (SP) no fim do mês. A inadequação da casa Vivo Rio para ambientar o show ficou visível já no início, marcado pela frieza. Encanto pede espaços com pista, para o que o público possa evoluir com a cantora em show repleto de números com coreografias que evocam danças e ritos das religiões afro-brasileiras. A outra questão diz respeito à equalização do som. Na estreia carioca, a voz de Rita estava baixa demais, abafada pela compacta massa sonora orquestrada pelo diretor musical Felipe Pinaud, autor dos arranjos de batida pop, às vezes funkeada, às vezes com pegada roqueira, como em (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978). Destaque do disco Encanto (Biscoito Fino, 2014), no qual a cantora expande o conceito de fé sem sair da zona de conforto do vitorioso projeto Tecnomacumba (2003), a canção católica do repertório de Roberto Carlos foi prejudicada no show pelo volume baixo do microfone de Rita. Embora minimamente resolvido ao longo do show, o problema técnico prejudicou a absorção de um repertório que alterna músicas novas de menor empatia popular - caso de Guerreiro do mar (Márcio Local e Felipe Pinaud, 2014) - com sucessos da música brasileira. Guerreira, Rita Benneditto foi ganhando o público a cada número. Em É d'Oxum (Gerônimo e Vevé Calasans, 1985), número turbinado com citação de Emoriô (João Donato e Gilberto Gil, 1975), o show começou a irradiar magia. Grande sacada do repertório do disco, o samba Banho de manjericão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1979) - sucesso de Clara Nunes (1942 - 1983), cantora fundamental na propagação de repertório de temática afro-brasileira - também se impôs em cena, em número no qual se ouviu a voz do babalorixá Oboromin T’ogunjá incorporado do Pai Benedito das Almas de Angola, tal como no disco que norteia o show. O show Encanto, a propósito, é extremamente fiel ao repertório e ao conceito do disco Encanto. Ao regravar uma música já conhecida, Rita Benneditto foge do óbvio, do cover puro e simples. É no compasso 6/8 do tambor de mina ritmo do seu Maranhão natal, por exemplo, que a cantora joga luz sobre Santa Clara clareou (Jorge Ben Jor, 1981), alterando o ritmo geralmente irresistível das músicas do Zé Pretinho. O carioca Jorge Ben Jor, aliás, é nome recorrente no roteiro. Dele, Rita também dá voz a Domingo 23 (Jorge Ben Jor, 1972) - em número que inclui récita da letra de Jorge de Capadócia (Jorge Ben Jor, 1975) - e a Zumbi (Jorge Ben Jor, 1973), número herdado do belo (mas efêmero) show Influências (2014). A lembrança de Bat macumba (Gilberto Gil, 1968) - sucesso tropicalista acoplado como vinheta à antiga Estrela é lua nova (Heitor Villa-Lobos, 1929) - surte bom efeito em cena, animando o público pela facilidade da música. Enfim, Rita Benneditto é cantora hábil o suficiente para fazer o santo baixar no palco. À voz afinada, cuja limpidez do timbre salta especialmente aos ouvidos em Oração ao tempo (Caetano Veloso, 1979), Rita alia uma energia e uma capacidade de cantar com todo o corpo que contribui para que o show atinja seus momentos de encantamento. Enfim, ela comanda a força dos elementos com carisma. A banda - que inclui o tecladista Ricardo Dias Gomes, da cultuada BandaCê - também faz sua parte e mantém o show na pressão. Mas, (quase) no fim, quem dita o ritmo é o pandeiro do percussionista Ronaldo Silva, partner da cantora no samba O que é dela é meu (Arlindo Cruz, Rogê e Marcelinho Moreira, 2014), instante caloroso de show que reitera as virtudes de Rita Benneditto. Driblando o problema técnico que empanou o brilho de Encanto na estreia nacional do show, a cantora se fez ouvir. Mas seu santo ainda pode baixar com mais força.

Rita bisa no show 'Encanto' o (belo) figurino que veste na capa do álbum

A IMAGEM DO SOM - (Bem) vestida por Victor Dzenk no show Encanto, Rita Bennedito usa dois figurinos ao longo do espetáculo que teve sua estreia nacional na noite de ontem, 6 de março de 2015, em apresentação na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ).  O segundo figurino entra em cena somente no bis e - como visto na foto de Rodrigo Goffredo - é o mesmo vestido usado pela cantora maranhense na foto da capa de Encanto (Biscoito Fino, 2014), o disco que norteia o show.

Rita comanda a força dos elementos no roteiro de show que tem 'Zumbi'

Música já cantada por Rita Benneditto no show Influências (2014), projeto efêmero que precedeu o lançamento do álbum Encanto (Biscoito Fino, 2014), Zumbi (Jorge Ben Jor, 1973) está baixando novamente no terreiro da cantora maranhense. A composição do Zé Pretinho figura no roteiro do show Encanto, idealizado pela artista sob a direção musical de Felipe Pinaud. Do mesmo show Influências, Rita rebobina em Encanto o tema afro-brasileiro Sete Marias, composição de sua autoria, assinada com Pinaud e ainda inédita em disco. A estreia nacional do show Encanto aconteceu na noite de ontem, 6 de março de 2015, em apresentação na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Zumbi e Sete Marias são dois raros momentos do show em que a cantora extrapola o repertório de Encanto, disco que desenvolve o conceito afro-brasileiro do projeto Tecnomacumba (2003). Outra novidade, na voz de Rita, é Canto de luz, música do compositor maranhense José Pereira Godão. Eis o roteiro seguido por Rita Benneditto - em foto de Rodrigo Goffredo - em 6 de março de 2015 na casa Vivo Rio, na estreia nacional de Encanto, show que chega em São Paulo em 27 de março de 2015, em apresentação na casa HSBC Brasil:

1. Centro da mata (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud)
2. Fé (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978)
3. Guerreiro do mar (Márcio Local e Felipe Pinaud, 2014)
    - com citações de Cavaleiro de fibra (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud) e Canto para 
     Yemanjá (Casa Fanti Ashanti - Candomblé do Maranhão)
4. Santa Clara clareou (Jorge Ben Jor, 1981)
   - com citações de Iansã guerreira (Rita Benneditto) e Princípio e fim (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e
    Felipe Pinaud)
5. Água (Djavan, 1978)
    - com citação de Eu e água (Caetano Veloso, 1988)
6. Canto de luz (José Pereira Godão, 2005) /
7. É d'Oxum (Gerônimo e Vevé Calazans, 1985)
    - com citação de Emoriô (João Donato e Gilberto Gil, 1975)
8. Banho de manjericão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1979)
    - com citação de Preto Calungá (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud)
9. Domingo 23 (Jorge Ben Jor, 1972)
    - com récita da letra de Jorge de Capadócia (Jorge Ben Jor, 1975)
10. Babalu (Margarita Lecuona, 1939)
    - com citação de Canto de Obaluaê (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud)
11. Filha de Tupinambá (tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto e Felipe Pinaud) /
12. Estrela é lua nova (Heitor Villa-Lobos, 1929) /
13. Bat macumba (Gilberto Gil, 1968)
14. Zumbi (Jorge Ben Jor, 1973)
15. De mina (Josias Sobrinho, 2014)
16. Extra (Gilberto Gil, 1983)
Bis:
17. Oração ao tempo (Caetano Veloso, 1979)
18. O que é dela é meu (Arlindo Cruz, Marcelinho Moreira e Rogê, 2014)
19. Sete Marias (Rita Benneditto e Felipe Pinaud) - música inédita em disco

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Rita Benneditto expande a fé através da deusa música no álbum 'Encanto'

Com fé no poder aglutinador da deusa música, a cantora e compositora maranhense Rita Benneditto lança seu sexto álbum solo, Encanto, neste mês de novembro de 2014. No disco, produzido por Felipe Pinaud e Lancaster Lopes, a artista expande o conceito de religiosidade musical sem se afastar da linha afro-brasileira que norteou seu bem-sucedido projeto anterior Tecnomacumba, show estreado em 2003 que virou disco de estúdio em 2006 e que ganhou registro ao vivo em CD e DVD lançados em 2009. O primeiro single de Encanto, , apresenta gravação, com pegada roqueira, da canção católica de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, lançada por Roberto em LP de 1978. A convite de Rita Benneditto, o editor de Notas musicais, Mauro Ferreira, escreveu o texto que apresenta o álbum Encanto ao mercado fonográfico. Eis o release:

A expansão da fé através da deusa música

"A música é a religião de Rita Benneditto. É para a música que Rita Benneditto bate cabeça! Sexto álbum solo dessa cantora maranhense projetada em escala nacional em 1997, Encanto expõe a devoção de Rita à deusa música, pondo fé num som afro-brasileiro de alcance universal e em repertório que, entre músicas inéditas como Guerreiro do mar (Márcio Local e Felipe Pinaud), alinha ousadas releituras de títulos conhecidos dos cancioneiros de compositores como Djavan, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor e Roberto Carlos. Disco viabilizado pela Manaxica Produções e distribuído no mercado fonográfico pela gravadora Biscoito Fino, Encanto já traduz no título a amplitude de seu significado na carreira fonográfica da artista. Encanto, a palavra, pode significar tanto maravilhamento como remeter a encantaria, nome de evento religioso do Maranhão, ou mesmo ao ato de (en)cantar.

Acima de tudo, o álbum Encanto pode ser entendido também como um desdobramento de Tecnomacumba, vitorioso projeto da carreira de Rita Benneditto. O ponto mais forte na trajetória de uma intérprete saudada também por sua voz extremamente afinada, de emissão límpida, e pela coerência com que vem pautando sua carreira e fazendo suas escolhas. Para quem porventura ainda desconheça o fenômeno, Tecnomacumba foi um show que a cantora estreou em 2003 para uma temporada inicial de um mês, na extinta casa carioca Ballroom. Temporada que, por conta da adesão fervorosa do público brasileiro, já se estende por onze anos, tendo gerado disco de estúdio em 2006 e registro ao vivo do show editado em CD e DVD em 2009.

Ao beber da rica fonte da espiritualidade brasileira, Tecnomacumba extrapolou a questão musical, sem propor ou buscar conversões, mas chamando atenção para todo um rico universo cultural e religioso que parecia adormecido na mídia. Encanto desenvolve esse universo, expandindo o conceito e a fé na boa música através de repertório que abarca todos os credos. É uma nova celebração da vida através da música.

Rita Benneditto celebra a vida desde que nasceu em São Benedito do Rio Preto, cidade do Maranhão. A origem pautou em 2012 essa nordestina de fé – criada em família de onze irmãos - na escolha do novo nome artístico. Projetada como cantora com o nome artístico de Rita Ribeiro, a artista decidiu adotar o nome de Rita Benneditto há dois anos para evitar problemas com homônimos.  Por isso, Encanto é o primeiro disco da artista maranhense a apresentá-la oficialmente como Rita Benneditto. “Já incorporei o Benneditto. A mudança do nome foi coerente com minha trajetória”, sentencia a artista, cantora versátil, com múltiplas possibilidades além do universo do Tecnomacumba, projeto que ampliou seu público e lhe deu legitimidade mercadológica.

Encanto aponta para algumas dessas múltiplas possibilidades através da seta da entidade Jurema, que direciona o disco a partir da primeira faixa, Centro da mata, tema de domínio público adaptado por Rita com Felipe Pinaud, que assina a produção de Encanto ao lado de Lancaster Lopes. Pinaud é um multi-instrumentista que, além de tocar sua guitarra, faz arranjos de cordas e flautas. Lancaster pilota baixo e programações. Ao lado de Rita, coprodutora de Encanto, a dupla criou a sonoridade contemporânea do disco. “São caras inteligentes, visionários, modernos”, caracteriza a cantora, parceria dos produtores em Pedra do tempo.

A figura de Jurema – uma “índia intergaláctica” na definição de Rita Benneditto – na abertura de Encanto puxa o fio da meada, evocando o primeiro álbum da cantora, cujo repertório já trazia adaptação (feita pela própria artista) do ponto intitulado Jurema. Já a presença de uma música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos – , lançada pelo Rei da canção brasileira em seu álbum de 1978 – corrobora a amplitude do conceito estético, musical e cultural que pauta Encanto. No imaginário do povo brasileiro, Roberto é um dos símbolos mais perenes da fé católica, da reverência à figura de Maria, mãe de Jesus. Na leitura rocker de feita por Rita Benneditto, a música expande seu significado, podendo ser entendida também (e até) como uma declaração de amor de um cônjuge e/ou namorado para outro. A evocação do ritmo do rock complementa tal intenção, já que o rock é – mais do que um gênero – uma atitude que agrega os devotos desse ritmo de tom já universal e atemporal. , a propósito, é o primeiro single do álbum Encanto a ganhar as rádios e a web.

A pluralidade e a amplitude do conceito de fé em Encanto são ratificadas por Extra, a recriação da música lançada por seu compositor Gilberto Gil em álbum de 1983, também intitulado Extra e gravado na fase mais pop da discografia do artista baiano.  Com a leveza típica do reggae, ritmo que já é do mundo desde que extrapolou as fronteiras da Jamaica nos anos 1970, Rita Benneditto oferece uma visão transcendental da existência humana. Um padre jamaicano rastafári – Priest Tiger - encarna o mensageiro da fé ao ler o Salmo 24 (oração do Evangelho) na faixa. Detalhe técnico: no registro original de Gil, Extra foi gravado em compasso ternário. Na gravação de Rita Benneditto, feita com a adesão do grupo carioca Reggae B (liderado pelo baixista paralama Bi Ribeiro), o tempo da música é em 4.

Em Água, releitura da música lançada por Djavan em 1978, Rita Benneditto inverte novamente o tempo original (4 na gravação do artista alagoano e três no registro da cantora). É a primeira vez que a cantora grava uma música de Djavan. Aditivada com citação de Eu e água (Caetano Veloso), música lançada em 1988 pela divindade Maria Bethânia, Água é uma reverência a um elemento da natureza essencial para a preservação da espécie humana. É a água que cura e que mantém a vida, mas que também pode matar, nas ondas furiosas da natureza tão maltratada pelo próprio Homem.

A água também está entranhada, como elemento de renovação, em Banho de manjericão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro), sucesso em 1979 da cantora mineira Clara Nunes (1942 – 1983), voz fundamental na propagação da música e da cultura afro-brasileira na década de 1970. O universo da umbanda, evocado nos versos do samba, é reforçado por Rita Benneditto nessa gravação em que o babalorixá Oboromin T’ogunjá incorpora o Pai Benedito das Almas de Angola para ressaltar que o mundo carece de fé, que pode ser renovada com um banho. Na gravação, Rita Benneditto e os produtores de Encanto estilizam o terecô, ritmo da Umbanda praticada no Maranhão, derivado do tambor-de-mina. O percussionista Papete toca os tambores que fazem Banho de manjericão baixar com força no terreiro de Rita Benneditto.

Música lançada por Jorge Ben Jor em álbum de 1981, Santa Clara clareou ilumina a habilidade de Rita Benneditto de renovar em Encanto músicas já enraizadas na memória afetiva do povo brasileiro. Quando a cantora dá voz a uma música já conhecida, a intérprete redimensiona essa música no universo musical nacional. Santa Clara clareou, por exemplo, é entronizada em contexto mais sagrado no compasso 6/8 do tambor de mina, ritmo do Maranhão. Na visão de Rita Benneditto, Santa Clara clareou é uma oração, um canto para os arquétipos femininos do universo afro-brasileiro. O que justifica a inserção na faixa, como tema incidental, de Iansã guerreira, canto da própria Rita, adaptado pela cantora com Felipe Pinaud. O disco Encanto, a propósito, está repleto de citações e de temas incidentais que sublinham e ampliam o significado das músicas. Sucesso tropicalista de Gilberto Gil em 1968, Bat macumba adorna o registro da música mais antiga do disco, Estrela é lua nova, tema em que o compositor carioca Heitor Villa-Lobos (1887 - 1959) apresenta visão pioneira dos rituais afro-brasileiros. Música editada em 1929, Estrela é lua nova expõe a erudição de Villa-Lobos no trato das canções brasileiras de matriz popular. A junção dos dois temas dilui pré-conceitos e negatividades sobre a palavra macumba.

Extrapolando as fronteiras do Brasil, sem perder a fé, Encanto apresenta releitura do mambo Babalu (1939), um dos grandes sucessos da compositora cubana Margarita Lecuona (1910 – 1981), propagado no Brasil a partir de 1958 na voz emblemática da cantora fluminense Ângela Maria. Em Encanto, Rita Benneditto joga Babalu em pistas contemporâneas com direito a um arranjo de cordas que evoca o som black da gravadora Motown nessa gravação que possibilita remixes, já que é faixa moldada para a dança, para a festa, para a celebração da fé e da vida. Babalu – cabe ressaltar – é uma personagem da santeria cubana (no candomblé brasileiro, Babalu é um dos nomes do orixá Obaluaê). Uma das muitas referências da religiosidade latino-americana originária da mãe África.

Da matriz africana também descende De mina, música de Josias Sobrinho gravada com a guitarra do roqueiro Roberto Frejat. Por embutir na letra a história da religiosidade maranhense de origem africana, De mina traz Rita Benneditto para sua aldeia, tão local quanto universal. É a seta de Jurema chegando ao seu destino final, após passar pela faixa-vinheta Filha de Tupinambá, tema de domínio público adaptado por Rita Benneditto com Felipe Pinaud. Com arranjo roqueiro, reforçado pelo toque icônico da guitarra de Frejat, De mina repõe a artista em seu solo sagrado. O que explica e justifica as fotos da capa e encarte do disco, feitas nos Lençóis Maranhenses.

Como a fé e a música nunca tiveram fronteiras, Encanto aporta ao fim no terreirão do samba. O que é dela é meu é um samba do bamba  carioca Arlindo Cruz feito especialmente para Rita Benneditto. Com seus parceiros Rogê e Marcelinho Moreira, Cruz não somente fez um samba para Rita – inspirado pelo ponto da cigana – como também gravou a composição com a cantora. É a expansão da fé através da deusa música. É o fecho simbólico de Encanto, disco que não deixa dúvidas de que, em qualquer terreiro ou lugar, a religião de Rita Benneditto é a música."
Mauro Ferreira

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Eis a capa de 'Encanto', disco em que Rita Benneditto põe fé em Roberto

Com capa que expõe foto tirada por Marcio Vasconcelos nos Lençóis Maranhenses, o sexto álbum solo de Rita Benneditto, Encanto, já está disponível para venda no iTunes. A faixa que promove o disco é a regravação, com pegada de rock, de (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978), música do cancioneiro católico de Roberto Carlos. A edição física em CD já está nas lojas.

domingo, 12 de outubro de 2014

Eis a capa de 'Som e fúria', o álbum de Rita Benneditto com Jussara Silveira

Esta é a capa de Som e fúria, o álbum gravado pelas cantoras Rita Benneditto e Jussara Silveira em julho de 2013 no Vale do Capão, situado na Chapada Diamantina, na Bahia. Ariston Quadros assina o projeto gráfico do disco produzido por Alê Siqueira sob a direção artística de José Miguel Wisnik. A edição do CD - ainda sem data de lançamento definida - é da gravadora baiana Maianga.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Rita e Jussara interpretam Cardim, Caymmi e Paulinho no disco 'Som e fúria'

 Abolerado samba-canção da lavra do compositor paulista Lúcio Cardim (1932-1982), lançado em 1964 na voz do cantor carioca José Bispo Clementino dos Santos (1913 - 2008), o Jamelão, Matriz ou filial ganha as vozes de Rita Benneditto e Jussara Silveira (à direita na foto de Sérgio Guerra). O registro foi feito pelas cantoras para Som e fúria, álbum produzido por Alê Siqueira e gravado pelas cantoras, sob a direção artística de José Miguel Wisnik, em caverna situada na Chapada Diamantina, no sertão da Bahia. Outras duas músicas de Som e fúria são os sambas Para não contrariar você (Paulinho da Viola, 1970) e Maricotinha (Dorival Caymmi, 1994). O repertório inclui também Alguém cantando (Caetano Veloso,  1977) e temas tradicionais como  Saudação a Oxossi.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Gravado em caverna, álbum 'Som e fúria' prioriza as vozes de Rita e Jussara

Jussara Silveira - à direita na foto de Ana Quintella - e Rita Benneditto vão lançar até o fim deste segundo semestre de 2014 o álbum que gravaram juntas em caverna situada na Chapada Diamantina, no sertão da Bahia, sob a direção artística de José Miguel Wisnik. Produzido por Alê Siqueira, o disco se chama Som e fúria e prioriza as vozes das cantoras. O único instrumento que será ouvido no álbum são os teclados do músico, arranjador e produtor musical baiano Mikael Mutti.

domingo, 10 de agosto de 2014

Rito de passagem, o show 'Influências' faz brilhar canto iluminado de Rita

Resenha de show
Título: Influências
Artista: Rita Benneditto (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro de arena da Caixa Cultural Rio de Janeiro (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 9 de agosto de 2014
Cotação: * * * *

Rito de passagem na trajetória de Rita Benneditto, o show Influências aponta caminhos seguidos pela cantora maranhense em seu sexto álbum solo - Encanto, já finalizado e com lançamento previsto para este segundo semestre de 2014 - ao mesmo tempo em que repisa trilhas seguidas pela artista desde os anos 1980, década em que integrou o maranhense grupo vocal Vira Canto. A apresentação da inédita Sete Marias (2014) - composta por Rita em parceria com o guitarrista Felipe Pinaud, um dos produtores do CD Encanto - sinaliza que os sons afro-eletrônicos do vitorioso projeto Tecnomacumba (2003) vão continuar presentes na obra da cantora. Aliás, a inclusão de Domingo 23 (Jorge Ben Jor, 1972) no roteiro de Influências indica que Benneditto jamais vai cantar para subir, mantendo em cena o ponto mais forte de sua carreira. Contudo, Influências reabre o leque estilístico da cantora. O início do show - com o tema popular religioso O meu mestre rei dos mestres nas vozes das cantadeiras do grupo maranhense Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti - indica a origem da cantora, que faz seu autorretrato ao cantar o tambor De mina (2014), composição do maranhense Josias Sobrinho gravada por Rita no disco Encanto. Sob a ótica imperialista de cariocas e paulistas, Benneditto vem mesmo "das bandas de lá". Nesse sentido, o show Influências é jorro oportuno de cultura brasileira - em especial, da cultura do Maranhão - na cara urbana do público do eixo Rio-SP. Dentro da pegada contemporânea do som atual de Rita, efeito da direção musical de Felipe Pinaud, as rajadas fortes de Vento bravo (Edu Lobo e Paulo César Pinheiro, 1973) levam a cantora a incorporar ponto de umbanda no número enquanto Lamento sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil, 1974) demarca território ruralista na cadência de xote eletrônico, com evocação ligeira dos Pífanos de Caruaru na flauta soprada por Pinaud. Música revitalizada em 2012 por libertadora interpretação da cantora brasiliense Ellen Oléria, Zumbi (Jorge Ben Jor, 1974) reitera a intimidade de Benneditto com o repertório afro-brasileiro sem causar a surpresa provocada pela bela lembrança de Traduzir-se (Raimundo Fagner sobre poema de Ferreira Gullar, 1981). Neste número, o canto límpido da intérprete fica em primeiro plano para evidenciar os versos lapidares do poema maranhense Ferreira Gullar. Na sequência, a cantora - eventual compositora - apresenta inédita de sua lavra bissexta, Melodia em sol, tema que dialoga de forma inteligente com o universo da canção sentimental brasileira, seguindo a trilha dos bares e cabarés. Melodia em sol prepara o clima para a moderna abordagem de Garçom (1987), música emblemática do repertório autoral do cantor e compositor pernambucano Reginaldo Rossi (1944 - 2013). Sagaz, Benneditto mixa Garçom com A volta do boêmio (Adelino Moreira, 1957), prefixo do cantor gaúcho Nelson Gonçalves (1919 - 1998). Garçom é ponto luminoso do roteiro ao lado da segunda entrada das Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti. As quatro cantadeiras - três irmãs (Maria da Anunciação, Maria da Graça e Maria José Menezes) e uma sobrinha (Bartira Helena) da mesma família - do grupo maranhense fazem Influências transitar por terreno sagrado quando batem seus tambores e entoam Canto de luz, primeiro tema de medley religioso completado com Nossa Senhora da Guia e Caixeiras no Céu. Nesse número, as ritualísticas Caixeiras embutem improvisações de versos, tal como fazem - em cadências diversas - os partideiros do samba carioca e os cantadores nordestinos. Na sequência, Rita Benneditto retoma Nhém nhém nhém (2001) - música do grupo Totonho e os Cabra que a artista já cantava antes de a composição ser gravada por Maria Alcina no antenado álbum De normal bastam os outros (Nova Estação, 2014) - e, já no fim, reprocessa o mambo cubano Babalu (Margarita Lecuona, 1939) em tom eletrônico. No bis, Oração ao tempo (Caetano Veloso, 1979) reabre espaço para a suavidade, indicando que o canto resplandescente de Rita Benneditto se ilumina ainda mais na diversidade.

Com Caixeiras, Rita mostra no Rio o 'universo mágico das bandas de lá'

Grupo oriundo do Maranhão, formado por cantadeiras que louvam o Divino Espírito Santo, as Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti ajudam Rita Benneditto a mostrar para o público da cidade do Rio de Janeiro (RJ) o "universo mágico das bandas de lá" - palavras ditas em cena pela cantora maranhense - no show Influências, em cartaz até hoje, 10 de agosto de 2014, no teatro de arena da Caixa Cultural Rio de Janeiro. Rita põe em cena quatro cantadeiras - Maria Anunciação, a Dindinha (a primeira vista da esquerda para a direita na foto de Rodrigo Goffredo), Bartira Helena, Maria José (a Zezé) e Maria da Graça -  que tocam seus tambores e cantam temas religiosos em louvação ao Divino Espírito Santo na abertura, no meio e no encerramento do show (já no bis). As caixeiras abrem o show com O meu mestre rei dos mestres. Mas o grande momento da participação realmente especial do grupo acontece no meio do show, com Canto de luz, música que abre medley com três temas do repertório das Caixeiras. Projeto concebido por Rita Benneditto para a Caixa Cultural Rio de Janeiro, o show Influências teve sua estreia nacional em 8 de agosto de 2014 na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Rita canta Ben, Dominguinhos, Edu, Fagner e Rossi no show 'Influências'

 Em Influências, show idealizado por Rita Benneditto para a Caixa Cultural do Rio de Janeiro, a cantora maranhense já explicita no título a natureza deste projeto em que expõe no roteiro "referências, confluências e afins" que moldaram seu canto forte - como a própria artista teorizou diante do público que assistiu à apresentação de 9 de agosto de 2014 no teatro de arena da Caixa Cultural RJ, situado no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Na prática, isso significa que Rita deu voz a um repertório miscigenado formado por músicas de compositores brasileiros como Caetano Veloso, Dominguinhos (1941 - 2013), Edu Lobo, Jorge Ben Jor, Raimundo Fagner, Reginaldo Rossi (1944 - 2013) e Totonho - nordestinos, em sua maioria. Em Influências, show que teve sua estreia nacional em 8 de agosto de 2014 e que fica em cartaz no Rio até 10 de agosto, essas músicas são entrelaçadas no roteiro com temas populares de temática religiosa, entoados por quatro cantadeiras do grupo maranhense Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti, cuja participação realmente especial valorizou o show concebido por Rita Benneditto e realizado sob a direção musical do guitarrista Felipe Pinaud, um dos produtores do ainda inédito sexto álbum solo da cantora, Encanto, previsto para ser lançado ainda neste segundo semestre de 2014. Pinaud, a propósito, é parceiro de Rita Benneditto na música Sete Marias, uma das duas inéditas da lavra bissexta da eventual compositora (a outra é Melodia em sol). Eis o roteiro seguido por Rita Benneditto - em foto de Rodrigo Goffredo - na apresentação que seduziu o público que foi ao teatro de arena da Caixa Cultural do Rio de Janeiro em 9 de agosto de 2014 assistir ao vigoroso show Influências:

1. O meu mestre rei dos mestres (tema popular religioso)
    - Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti
2. De mina (Josias Sobrinho, 2014) 
3. Vento bravo (Edu Lobo e Paulo César Pinheiro, 1973)
4. Lamento sertanejo (Dominguinhos e Gilberto Gil, 1974) 
    - Música lançada sem letra por Dominguinhos em 1973
5. Zumbi (Jorge Ben Jor, 1973)
6. Traduzir-se (Raimundo Fagner sobre poema de Ferreira Gullar, 1981)
7. Melodia em sol (Rita Benneditto, 2014)
8. Garçom (Reginaldo Rossi, 1987)
    - com citações de A volta do boêmio (Adelino Moreira, 1957) e Canção da volta (Ismael Neto e Antonio Maria, 1955)
9. Canto de luz (tema popular religioso) /
    Nossa Senhora da guia (tema popular religioso) /
    Caixeiras no céu (tema popular religioso) - Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti
10. Nhém, nhém, nhém (Totonho, 2001)
11. Domingo 23 (Jorge Ben Jor, 1972)
12. Flor dos trópicos (Ronald Pinheiro, 2014)
13. Sete Marias (Rita Benneditto e Felipe Pinaud, 2014)
      - com incorporação de Ponto de umbanda
14. Babalu (Margarita Lecuona, 1939)
Bis:
15. Oração ao tempo (Caetano Veloso, 1979)
16. Alvoradinha (tema popular religioso) - Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Rita Benneditto se banha nas águas de Clara e Djavan no disco 'Encanto'

Música dos compositores cariocas João Nogueira (1941 - 2000) e Paulo César Pinheiro que abriu o 12º álbum da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983), Esperança (EMI-Odeon, 1979), Banho de manjericão ganha a voz de Rita Benneditto. O samba integra o repertório do sexto álbum solo da cantora maranhense, Encanto, produzido por Felipe Pinaud e Lancaster Lopes. No disco, que vai ser lançado neste segundo semestre de 2014, Rita também dá voz a Água - música de Djavan, lançada pelo cantor e compositor alagoano em álbum de 1978 - e ao mambo cubano Babalu (Margarita Lecuona, 1939), na versão em português gravada em 1958 pela cantora fluminense Angela Maria. Há também no CD regravações de (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978) e de Extra (Gilberto Gil, 1983), esta feita com a adesão do grupo carioca Reggae B (projeto de Bi Ribeiro, baixista dos Paralamas do Sucesso). Entre as inéditas, Rita Benneditto - em foto de Elisa Horta - apresenta Pedra do tempo (Felipe Pinaud, Lancaster Lopes e Rita Benneditto), De mina (Josias Sobrinho) - faixa gravada com a participação do cantor, compositor e guitarrista carioca Roberto Frejat - e O que é dela é meu (Arlindo Cruz, Rogê e Marcelinho Moreira), samba cantado em dueto com o compositor carioca Arlindo Cruz. 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Rita Benneditto fotografa nos Lençóis Maranhenses para o CD 'Encanto'

A foto acima - feita por Márcio Vasconcellos - faz parte do ensaio feito pela cantora Rita Benneditto nos Lençóis Maranhenses para a capa e encarte do sexto álbum solo da artista maranhense, Encanto. O ensaio fotográfico foi feito por Rita sob a direção artística de Xarlô. Produzido por Felipe Pinaud e Lancaster Lopes, o álbum Encanto traz no repertório músicas inéditas como Pedra do tempo (Felipe Pinaud, Lancaster Lopes e Rita Benneditto), De mina (composição de Josias Sobrinho gravada com a participação de Roberto Frejat) e O que é dela é meu (samba de Arlindo Cruz, Rogê e Marcelinho Moreira, gravado com a participação de Arlindo Cruz). Baixista do trio carioca Paralamas do Sucesso, Bi Ribeiro toca na regravação de Extra (Gilberto Gil, 1983) em ritmo de reggae roots. Encanto sai até o fim deste ano de 2014.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Rita reúne Frejat e grupo Reggae B em seu sexto álbum solo, 'Encanto'

Com lançamento programado para o segundo semestre deste ano de 2014, o sexto álbum solo da cantora maranhense Rita Benneditto, Encanto, tem a participação do cantor, compositor e guitarrista carioca Roberto Frejat. A intervenção de Frejat acontece na faixa De mina, música de autoria do compositor maranhense Josias Sobrinho. Encanto traz também na ficha técnica o nome do grupo carioca Reggae B, projeto paralelo de Bi Ribeiro, baixista do trio carioca Paralamas do Sucesso. O coletivo capitaneado por Bi toca na regravação de Extra, música de Gilberto Gil que deu título ao álbum lançado em 1983 pelo artista baiano. Já o cantor e compositor carioca Arlindo Cruz faz dueto com Rita no samba O que é dela é meu, parceria de Arlindo com Rogê e Marcelinho Moreira. Encanto vai ser lançado via Biscoito Fino.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Samba inédito de Arlindo Cruz vai promover CD solo de Rita Benneditto

Rita Benneditto ganhou samba inédito de Arlindo Cruz para o disco solo que vai lançar neste novo ano de 2014. Samba feito pelo compositor carioca em parceria com Marcelinho Moreira e Rogê, O que é dela é meu foi gravado pela cantora maranhense em dueto com o próprio Arlindo. O samba foi escolhido para dar início aos trabalhos promocionais do primeiro disco assinado por Rita Benneditto com o nome artístico que adotou em 2012. Gravado no Rio de Janeiro (RJ) com participação de Bi Ribeiro, baixista do trio carioca Paralamas do Sucesso, o álbum vai ser lançado pela gravadora carioca Biscoito Fino. Pela ideia inicial de Rita, o disco se chamaria Encanto e traria no repertório a regravação de (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978), música do repertório religioso do cantor capixaba Roberto Carlos, lançada pelo Rei em álbum de 1978. E por falar em Rita Benneditto, a artista também lança em 2014 o CD que gravou em 2013 com a cantora mineira (de criação baiana) Jussara Silveira sob produção de Alê Siqueira e a direção musical de José Miguel Wisnik. O disco com Jussara já está finalizado.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Rita Benneditto vai gravar tema religioso de Roberto no sexto disco solo

Adepta do sincretismo religioso, Rita Benneditto faz sua tecnomacumba sem deixar de ter fé no repertório católico de Roberto Carlos. A cantora maranhense quer gravar - música de Roberto e Erasmo Carlos, lançada pelo Rei em álbum de 1978 - em seu sexto CD solo, Encanto.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Rita Benneditto prepara CD solo, 'Encanto', enquanto grava com Jussara

Enquanto grava com Jussara Silveira um disco produzido por Alê Siqueira sob a direção de José Miguel Wisnik, Rita Benneditto - em foto de Rui Mendes - prepara seu sexto CD solo. Encanto é o título do sucessor de Tecnomacumba a tempo e ao vivo (2009). Pode sair ainda em 2013.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Rita explica troca de nome e anuncia disco com inéditas de Arlindo e Nei

Rita Benneditto - novo nome artístico da cantora maranhense Rita Ribeiro - já ensaia com a banda Cavaleiros de Aruanda para a gravação de seu sexto CD. Na companhia de Felipe Pinaud (guitarra), Lancaster (baixo) e Lucio Vieira (bateria e programações), a artista vai dar voz a músicas inéditas de Arlindo Cruz e Nei Lopes - feitas pelos compositores especialmente para Rita - entre regravações de temas de Edu Lobo, Jorge Ben Jor e Tom Jobim (1927 - 1994). A propósito da troca de nome, a cantora esclarece que a mudança foi motivada sobretudo pelo registro do nome Rita Ribeiro no INPI. Em vez de lutar na Justiça pelo direito de continuar usando seu nome artístico, a cantora optou por adotar o sobrenome Benneditto - homenagem ao seu pai, Fausto Benedito Ribeiro, e à cidade natal São Benedito do Rio Preto, do Maranhão.