♪ Ao comprar a EMI Music, a gravadora Universal Music levou para seu acervo toda a obra fonográfica de Clara Nunes (1942 - 1983), já que os 16 álbuns oficiais da cantora mineira foram lançados pela Odeon (extinta companhia brasileira vinculada à multinacional EMI). A transação comercial - anunciada em 2011 e concretizada em 2012 - paralisou a produção da reedição da caixa Clara (2004). Ainda está prevista, para data incerta, a reedição dessa caixa com os 16 álbuns da artista, dentro dos moldes da Universal Music. Mas, enquanto não lança a caixa, a gravadora já começa a explorar o acervo da cantora - em foto de Wilton Montenegro - com a edição de coletânea dedicada a Clara na série Novo millennium. Lançada este mês, a compilação rebobina gravações já selecionadas para coletâneas anteriores da artista. Com 20 fonogramas, a atual compilação inclui Alvorecer (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1974), O mar serenou (Candeia, 1975), Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973), Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974), Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976), Feira de mangaio (Sivuca e Glória Gadelha, 1977) e Morena de Angola (Chico Buarque, 1980), entre outros sucessos da artista.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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sábado, 16 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Rita Benneditto se banha nas águas de Clara e Djavan no disco 'Encanto'
♪ Música dos compositores cariocas João Nogueira (1941 - 2000) e Paulo César Pinheiro que abriu o 12º álbum da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983), Esperança (EMI-Odeon, 1979), Banho de manjericão ganha a voz de Rita Benneditto. O samba integra o repertório do sexto álbum solo da cantora maranhense, Encanto, produzido por Felipe Pinaud e Lancaster Lopes. No disco, que vai ser lançado neste segundo semestre de 2014, Rita também dá voz a Água - música de Djavan, lançada pelo cantor e compositor alagoano em álbum de 1978 - e ao mambo cubano Babalu (Margarita Lecuona, 1939), na versão em português gravada em 1958 pela cantora fluminense Angela Maria. Há também no CD regravações de Fé (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1978) e de Extra (Gilberto Gil, 1983), esta feita com a adesão do grupo carioca Reggae B (projeto de Bi Ribeiro, baixista dos Paralamas do Sucesso). Entre as inéditas, Rita Benneditto - em foto de Elisa Horta - apresenta Pedra do tempo (Felipe Pinaud, Lancaster Lopes e Rita Benneditto), De mina (Josias Sobrinho) - faixa gravada com a participação do cantor, compositor e guitarrista carioca Roberto Frejat - e O que é dela é meu (Arlindo Cruz, Rogê e Marcelinho Moreira), samba cantado em dueto com o compositor carioca Arlindo Cruz.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Coletânea festeja os 100 de Caymmi nas vozes de Ary, Clara, Dick e Elza
Posta nas lojas pela Universal Music no fim de abril de 2014, a tempo de festejar o centenário de nascimento de Dorival Caymmi (1914 - 2008), a coletânea dupla Dorival Caymmi - 100 anos alinha 28 gravações do cancioneiro do compositor baiano. No disco 1, as músicas do Buda Nagô - cuja obra é contextualizada na música brasileira no breve texto escrito pelo jornalista Antonio Carlos Miguel para o encarte da compilação - são ouvidas em vozes emblemáticas como a de Ary Barroso (1903 - 1964), Carmen Miranda (1909 - 1955), Clara Nunes (1942 - 1983), Dick Farney (1921 - 1987) e Elza Soares, entre outros nomes recrutados para seleção que abrange o vasto período 1939 - 1996. No disco 2, o cancioneiro de Caymmi é ouvido em gravações feitas pelo próprio Dorival para álbuns lançados pela gravadora Odeon entre 1957 e 1960. Embora não absolva a Universal Music do pecado de manter fora de catálogo os álbuns originais de Caymmi, a coletânea ao menos impede o centenário do compositor de passar em branco na companhia que, ao incorporar em 2013 o acervo da EMI Music, passou a concentrar em seus arquivos a quase totalidade da obra fonográfica do genial artista. Eis, na ordem, os 28 fonogramas selecionados para a compilação dupla Dorival Caymmi - 100 anos, já nas lojas:
Disco 1
1. O que é que a baiana tem? - Carmen Miranda & Dorival Caymmi (1939)
2. Você já foi à Bahia? - Trio Irakitan (1958)
3. Dora - Ary Barroso (1958)
4. O samba da minha terra - Elza Soares (1997)
5. Morena do mar / Puxada da rede do xaréu - Clara Nunes (1972)
6. Marina - Dick Farney (1972)
7. Saudade da Bahia - Dorival Caymmi & Quarteto em Cy (1967)
8. João Valentão - Nana Caymmi (1985)
9. Sargaço mar - Dori Caymmi (1996)
10. Fiz uma viagem - Danilo Caymmi & João Nogueira (1997)
11. Nem eu (ao vivo) - Danilo, Dori, Nana & Dorival Caymmi (1987)
12. Só louco (ao vivo) - Danilo, Dori, Nana & Dorival Caymmi (1987)
13. Vatapá (ao vivo) - Danilo, Dori, Nana & Dorival Caymmi (1987)
14. Cala boca, menino - João Donato (1973)
Disco 2
1. O mar - Dorival Caymmi (1957)
2. Promessa de Pescador - Dorival Caymmi (1957)
3. Maracangalha - Dorival Caymmi (1957)
4. Vatapá - Dorival Caymmi (1957)
5. Acontece que eu sou baiano - Dorival Caymmi (1957)
6. Risque - Dorival Caymmi (1958)
7. Na baixa do sapateiro - Dorival Caymmi (1958)
8. Rosa morena - Dorival Caymmi (1960)
9. Eu não tenho onde morar - Dorival Caymmi (1960)
10. A vizinha do lado - Dorival Caymmi (1960)
11. Pescaria (Canoeiro) - Dorival Caymmi (1959)
12. O vento (Vamos chamar o vento) - Dorival Caymmi (1959)
13. É doce morrer no mar - Dorival Caymmi (1959)
14. O bem do mar - Dorival Caymmi (1959)
7. Saudade da Bahia - Dorival Caymmi & Quarteto em Cy (1967)
8. João Valentão - Nana Caymmi (1985)
9. Sargaço mar - Dori Caymmi (1996)
10. Fiz uma viagem - Danilo Caymmi & João Nogueira (1997)
11. Nem eu (ao vivo) - Danilo, Dori, Nana & Dorival Caymmi (1987)
12. Só louco (ao vivo) - Danilo, Dori, Nana & Dorival Caymmi (1987)
13. Vatapá (ao vivo) - Danilo, Dori, Nana & Dorival Caymmi (1987)
14. Cala boca, menino - João Donato (1973)
Disco 2
1. O mar - Dorival Caymmi (1957)
2. Promessa de Pescador - Dorival Caymmi (1957)
3. Maracangalha - Dorival Caymmi (1957)
4. Vatapá - Dorival Caymmi (1957)
5. Acontece que eu sou baiano - Dorival Caymmi (1957)
6. Risque - Dorival Caymmi (1958)
7. Na baixa do sapateiro - Dorival Caymmi (1958)
8. Rosa morena - Dorival Caymmi (1960)
9. Eu não tenho onde morar - Dorival Caymmi (1960)
10. A vizinha do lado - Dorival Caymmi (1960)
11. Pescaria (Canoeiro) - Dorival Caymmi (1959)
12. O vento (Vamos chamar o vento) - Dorival Caymmi (1959)
13. É doce morrer no mar - Dorival Caymmi (1959)
14. O bem do mar - Dorival Caymmi (1959)
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
2013 chega ao fim sem as prometidas reedições da obra de Clara Nunes
Anunciada originalmente para o segundo semestre de 2012 pela gravadora EMI Music, a reposição em catálogo de Clara - caixa de 2004 que reuniu reedições dos 16 álbuns da discografia da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983) no formato dois em um - foi posteriormente prometida para o primeiro semestre de 2013. Mas o fato é que 2013 chega ao fim sem que Clara tenha sido reposta nas lojas. A reedição da caixa chegou a ser produzida pela EMI Music, com a correção das distorções da edição original de 2004, mas a compra da gravadora pela Universal Music (anunciada em 2012, mas concretizada em 2013) inviabilizou o lançamento por questões empresariais. Tampouco chegaram às lojas as também prometidas reedições avulsas dos álbuns mais emblemáticos da cantora - em foto de Wilton Montenegro - em embalagem digipack, com direito a faixas-bônus. De todo modo, o rico catálogo de Clara Nunes atualmente está em poder da Universal Music, a gravadora que mais tem mostrado zelo com as reedições de seu acervo, sem recorrer ao econômico e dispensável formato dois em um.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Eis a capa de 'Canto sagrado', CD/DVD em que Cozza homenageia Clara
Esta é a (bela) capa de Canto sagrado - Uma homenagem a Clara Nunes, registro ao vivo do show idealizado em 2012 pela cantora paulista Fabiana Cozza para festejar os 70 anos de vida da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983). A gravação ao vivo está sendo lançada neste mês de dezembro de 2013 de forma independente em edição dupla que une CD e DVD (que, além do show, exibe documentário inédito sobre Clara). Após a estreia em agosto de 2012, o show Canto sagrado seguiu em turnê por cidades do Estado de São Paulo e chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em 2013, ano pontuado por saudações à Guerreira por conta dos 30 anos de sua morte, ocorrida em 2 de abril de 1983. O registro ao vivo de Canto sagrado foi feito por Cozza em 2 e 3 de agosto (de 2013), em apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.
domingo, 11 de agosto de 2013
Teatral, belo tributo de Cozza a Clara tem personalidade e escapa do 'cover'
Título: Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes
Artista: Fabiana Cozza (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Sala Baden Powell (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 10 de agosto de 2013
Cotação: * * * *
Já no primeiro dos 21 números do show Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes - um trecho a capella de Senhora das Candeias (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1977) - Fabiana Cozza dá a pista de que vai saudar Clara Nunes (1942 - 1983) sem abrir mão de sua personalidade como intérprete. Tal pista era verdadeira - confirmação obtida já na sequência com a interpretação seca de Tristeza pé no chão (Armando Cavalcanti, 1973). Show idealizado para celebrar os 70 anos de nascimento da cantora mineira, festejados em 12 de agosto de 2012, Canto sagrado chegou ao Rio de Janeiro (RJ) um ano após ter iniciado rota que percorreu a capital e algumas cidades de São Paulo (SP). E o que se viu no palco da Sala Baden Powell, na noite de 10 de agosto de 2013, foi o melhor dentre os vários tributos prestados a Clara neste ano em que se completam 30 anos da precoce saída de cena da Guerreira. De todas as cantoras que decidiram saudar a mineira, a paulista Fabiana Cozza e a baiana Mariene de Castro são as únicas que têm ligação natural com a identidade afro-brasileira de boa parte do repertório de Clara. Mariene tem canto luminoso e incandescente presença cênica, mas se limitou a reviver os maiores sucessos de Clara com a habitual vivacidade no CD e DVD Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes (Universal Music, 2013), geralmente sem se dissociar da matriz. Além de ter ido mais fundo na pesquisa da discografia de Clara, pondo em cena lados B com o descontraído samba Bafo de boca (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975), Cozza imprime teatralidade ao repertório, recorrendo a elementos de dança afro e a entonações e divisões que trazem para o seu universo até os sucessos mais batidos de Clara. É o caso de O mar serenou (Candeia, 1975), samba coreografado por Cozza como se estivesse na areia, na beira do mar, e cantado de início somente sob a marcação das palmas dos músicos e da plateia. A recorrente teatralidade da intérprete realça cada verso da lição de moral dada em Lama (Mauro Duarte, 1976). Linkado no roteiro com Na linha do mar (Paulinho da Viola, 1973), por conta do alvorecer ser imagem presente nas letras dos dois sambas, Deixa clarear (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1981) é a prova de que os tributos a Clara ganham peso quando as cantoras vasculham a discografia da artista para não se restringir a cantar os hits mais óbvios. Nesse sentido, vale saudar também a inclusão no roteiro de Congada (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1981), número em que Cozza dança no passo do ritmo mineiro com o baterista Douglas Alonso. Um tema de domínio público que remete à ancestralidade africana costura Congada e valoriza ainda mais o número já abrilhantado pela dança da cantora com o músico. Na seara baiana, Ijexá (Edil Pacheco, 1982) reitera a personalidade de Cozza em cadência toda própria que foge da interpretação luminosa de Clara. Minha missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1981) é a carta que tem suas intenções sublinhadas em cena pelo canto de Cozza em número em que sobressai o toque do bandolim de Henrique Araújo. Já Novo amor (Chico Buarque, 1982) é ambientado em clima seresteiro, criado a partir da sintonia da voz de Cozza com o violão de Lula Gama, acompanhante solitário da cantora no tema lançado por Clara em seu derradeiro álbum, Nação (Odeon, 1982). O mesmo violão faz com que, de início, o samba-enredo Portela na avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981) seja cantado em feitio de oração, em interpretação que se alinha com a visão - exposta pelo poeta Paulo César Pinheiro na letra - de que o desfile da escola é a procissão do samba. Encorpada pela trama dos tambores urdida pelo percussionista Leo Rodrigues com o baterista Douglas Alonso, A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975) é veículo para a pulsação da veia afro-brasileira de Cozza em momento forte que inclui número de dança. Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974) também faz o santo baixar em cena. Em contrapartida, o Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976) ecoa sem toda sua força. Pequeno detalhe de grande show feito por Cozza sob a direção musical de André Santos com arranjos criados por Santos e Edinho Santana sem colar dos originais. Fabiana Cozza celebra Clara Nunes sem (jamais) deixar de ser Fabiana Cozza.
Cozza saúda no Rio canto mítico de Clara com 'Congada' e 'Bafo de boca'
Samba de Wilson Moreira e Nei Lopes, Deixa clarear foi lançado em 1981 na voz de Clara Nunes (1942 - 1983), mas foi ofuscado no LP Clara (1981) pelo sucesso do samba-enredo Portela na Avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981), tal como Congada (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1981), outra música do penúltimo álbum da cantora mineira. Pois Deixa clarear e Congada reaparecem no roteiro de Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes, show que Fabiana Cozza estreou no Rio de Janeiro (RJ) em apresentação na Sala Baden Powell, em 10 de agosto de 2013 - um ano após a estreia nacional do show em São Paulo (SP). Entre sucessos e lados B da discografia da Guerreira, como o samba Bafo de boca (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975), a cantora paulista interpretou com personalidade 21 músicas do repertório de Clara Nunes. Eis o roteiro seguido por Fabiana Cozza - em foto de Rodrigo Amaral - na estreia carioca do belo show Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes:
1. Senhora das Candeias (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1977) - trecho a capella
2. Tristeza pé no chão (Armando Cavalcanti, 1973)
3. Guerreira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1978)
4. Minha missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1981)
5. Deixa clarear (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1981) /
6. Na linha do mar (Paulinho da Viola, 1973)
- Gravação de Clara Nunes em 1979
7. O mar serenou (Candeia, 1975)
8. Meu sapato já furou (Mauro Duarte e Elton Medeiros, 1974) /
9. Bafo de boca (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975)
10. Novo amor (Chico Buarque, 1982)
11. Lama (Mauro Duarte, 1986)
12. Pau de arara (Luiz Gonzaga e Guio de Moraes, 1952)
- Gravação de Clara Nunes em 1974
13. Feira de mangaio (Sivuca e Glória Gadelha, 1977)
- Gravação de Clara Nunes em 1979
14. Congada (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1981)
- com citação de tema de domínio público
15. Ijexá (Edil Pacheco, 1982)
16. A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975)
17. Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976)
18. Candongueiro (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1978)
19. Portela na avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981)
20. Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974)
Bis:
21. Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973)
- Gravação de Clara Nunes em 1975
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Visi patina no óbvio ao evocar luz de Clara no popular CD 'Pura claridade'
Resenha de CD
Título: Pura claridade - Um tributo a Clara Nunes
Artista: Carla Visi
Gravadora: MHP Música / Sony Music
Cotação: * *
Título: Pura claridade - Um tributo a Clara Nunes
Artista: Carla Visi
Gravadora: MHP Música / Sony Music
Cotação: * *
Em 2001, Carla Visi - cantora baiana que pôs os pés na profissão ao longo dos anos 90 como vocalista das bandas Cia. Clic e Cheiro de Amor - se lançou em carreira solo com bonita saudação à obra do compositor baiano Gilberto Gil. Só chamei porque te amo - Carla Visita Gilberto Gil sinalizou promissora carreira solo que não se cumpriu. Decorridos 12 anos e somente um disco, Por todo canto (2004), Visi se junta ao time de intérpretes que celebram Clara Nunes (1942 - 1983) neste ano de 2013 para lembrar os trinta anos da precoce saída de cena da cantora. Para Pura claridade, Visi selecionou uma música de cada um dos 15 álbuns de estúdio de Clara para montar repertório de disco aberto e encerrado com duas composições feitas em saudação à cantora, Mineira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975) e Um ser de luz (João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1983). A boa ideia permite que Carla visite álbuns da ignorada fase inicial da Guerreira, como A voz adorável de Clara Nunes (1966) e A beleza que canta (1969), dos quais Visi escolheu dois sambas-canção, Dia de esperança (Jorge Smera, 1966) e Foi ele (Carlos Imperial, 1969), que mostram que essa fase seminal da discografia de Clara não é totalmente desprezível, embora esteja distante anos-luz da coesão dos discos gravados pela cantora mineira a partir de 1971. Dia de esperança ganha registro que une a voz de Visi com a da cantora mineira Paula Fernandes, ícone do segmento pop sertanejo da atualidade. A propósito, em Pura claridade, Visi linka o repertório de Clara a nomes populares no Brasil do pagode e do sertanejo. Três integrantes do desativado grupo de pagode Exaltasamba fazem duetos com a cantora. Pinha é o convidado de Ê baiana (Baianinho, Fabrício da Silva, Miguel Pancrácio e Ênio dos Santos Ribeiro, 1971). Thiaguinho solta a voz em Tristeza pé no chão (Armando Fernandes Mamão, 1973) ao passo em que Péricles encorpa o Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976). Sem falar em Xande de Pilares. O vocalista e compositor do Grupo Revelação se junta a Visi em Coração leviano (Paulinho da Viola, 1977). Ninguém faz feio, mas tampouco brilha. Este é o problema de Pura claridade, disco produzido por Izaías Marcelo, com arranjos divididos entre Pezinho, Rildo Hora e o próprio Izaías. Tudo soa correto, mas sem aquela centelha de luminosidade que há, por exemplo, no tributo de Mariene de Castro a Clara. A homenagem de Visi começa surpreendente, lembrando sambas pouco ouvidos como Tributo aos orixás (Mauro Duarte, Noca da Portela e Rubem Tavares, 1972), mas, à medida em que avança, patina em clichês e cai no óbvio. Visi sucumbe à tentação de cantar os sucessos mais batidos de Clara e - claro - nada acrescenta de seu a sambas como Conto de areia (Romildo e Toninho, 1974), O mar serenou (Candeia, 1975), Guerreira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1978), Na linha do mar (Paulinho da Viola, 1973 - samba gravado por Clara em 1979), Portela na avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981) e Nação (João Bosco, Paulo Emílio e Aldir Blanc, 1982). De todo modo, vale registrar que Daniela Mercury - antecessora de Visi no posto de vocalista da banda baiana Cia. Clic - põe dendê em Morena de Angola (Chico Buarque, 1980), alterando a divisão do tema no arranjo de toque afro. Enfim, como o mercado já começa a ficar saturado com tantos tributos a Clara Nunes, é preciso ir mais fundo na pesquisa do repertório da Guerreira para escapar da repetição - pecado maior de Carla Visi em Pura claridade - até porque tudo já foi gravado de forma bela e luminosa pela homenageada.
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Ao gravar com Tio Samba, Diogo refaz com Lazulli o duo de João e Clara
Há 35 anos, o sambista carioca João Nogueira (1941 - 2000) convidou a mineira Clara Nunes (1942 - 1983) para gravar dueto em Bela cigana, parceria de Nogueira com Ivor Lancellotti. Lançado em Vida boêmia, álbum editado por Nogueira em 1978, o dueto foi revivido pelo filho de João, Diogo Nogueira, com a cantora Luciana Lazulli na gravação do primeiro DVD do Tio Samba, grupo fluminense no qual Lazulli ingressou como vocalista em 2012. O registro ao vivo aconteceu em show no Teatro Sesi, no Rio de Janeiro (RJ), em 31 de julho de 2013. Além de Diogo (visto com o grupo na foto de Beti Niemeyer), a gravação teve a participação de André Rio, que reviveu outro dueto histórico ao cantar o samba É preciso discutir (Noel Rosa, 1932) com o vocalista Carlos Mauro. No caso, o dueto reeditado foi o feito pelos cantores Francisco Alves (1898 - 1952) e Mário Reis (1907 - 1981) em disco de 78 rotações editado pela gravadora Odeon em 1932. Formado em Niterói (RJ) em 1998, o grupo Tio Samba se define como uma "orquestra de samba", já tendo gravado os álbuns Quero ver (2003), É batata! (2010) e Mais para cá do que para lá (2012). O repertório deste terceiro e último disco do Tio Samba teve prioridade no roteiro do show registrado para edição em DVD e em CD ao vivo.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Cozza vai além do registro de 'Canto sagrado' e documenta obra de Clara
Fabiana Cozza vai fazer hoje e amanhã, 2 e 3 de agosto de 2013, a gravação ao vivo do show Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes em apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP). Mas o DVD não vai se limitar a registrar o show estreado pela intérprete paulista em agosto de 2012 para festejar o 70º aniversário de Clara Nunes (1942 - 1983). Cozza - vista na foto de Stela Handa no ensaio geral da gravação do DVD - prepara também um documentário sobre a obra, o legado e a importância da cantora mineira para incluir no DVD.
domingo, 21 de julho de 2013
Mergulho de Valéria nas águas de Clara tem profundidade variada em CD
Resenha de CD
Título: Em águas claras - Homenagem a Clara Nunes
Artista: Valéria Oliveira
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * 1/2
Título: Em águas claras - Homenagem a Clara Nunes
Artista: Valéria Oliveira
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * 1/2
Se as 18 faixas do CD Em águas claras - Homenagem a Clara Nunes forem ouvidas na ordem disposta no oitavo álbum de Valéria Oliveira, a impressão inicial é a de que o tributo da cantora potiguar à mineira guerreira resultou óbvio. Afinal, sambas como Minha missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1981) e Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976) ressurgem em registros distantes anos-luz das gravações luminosas de Clara. Mesmo favorecida pela produção e pelos arranjos certeiros de Rildo Hora, produtor que domina o idioma do samba desde os anos 70 (embora com trabalho associado às discografias de Beth Carvalho e Martinho da Vila, e não à obra de Clara), a cantora nada acrescenta a um samba-enredo como Portela na avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981) - inclusive por estar distante do samba e do universo carnavalesco do Rio de Janeiro (RJ) - ou a um samba como O mar serenou (Candeia, 1975). Contudo, Valéria selecionou repertório que, embora pontuado por sucessos óbvios, também reaviva músicas do repertório de Clara já esquecidas na poeira da estrada. As duas partes da Puxada de rede do xaréu (Maria Rosita Salgado Góes) - gravadas pela mineira em seu álbum de 1971, Clara Nunes - são exemplos de que o disco cresce quanto mais profundo for o mergulho de Valéria nas águas de Clara. Evocando o cancioneiro marítimo de Dorival Caymmi (1914 - 2008), Puxada de rede do xaréu I e II fazem emergir o universo afro-brasileiro que banhou a obra da Guerreira nos anos 70. Outra pérola pescada por Valéria é Jardim da solidão, samba de Monarco que tem sua melancolia realçada pelo bandolim de Alexandre Moreira no registro feito com as presenças ilustres do próprio compositor e de integrantes da Velha Guarda da Portela. O mesmo bandolim de Moreira se harmoniza com o trompete de Jubileu Filho na buarquiana À flor da pele (Maurício Tapajós, Clara Nunes e Paulo César Pinheiro, 1977), outra joia que Valéria pesca nas águas de Clara. Merecem também menção as gravações de Você passa eu acho graça (Ataulfo Alves e Carlos Imperial, 1968) - primeiro sucesso de Clara, revivido por Valéria em arranjo valorizado pelo toque da gaita do produtor Rildo Hora - e Apenas um adeus (Edil Pacheco, Roque Ferreira e Paulinho Diniz, 1979), belo samba que, a título de curiosidade, foi a primeira música de Roque Ferreira a ganhar registro em disco. Já o baião Alvoroço no sertão (Aldair Soares e Raymundo Evangelista, 1966) - gravado por Clara no álbum Canto das três raças (Odeon, 1976) - puxa a rede para o mar do Nordeste, região natal de Valéria Oliveira, cantora menos vocacionada para temas mais dramáticos como Basta um dia (Chico Buarque, 1976). Com delicadeza, a sanfona da Zé Hilton também dá tom nordestino ao lamento exposto em Casinha pequenina, tema de domínio público gravado por Clara em seu álbum A beleza que canta (Odeon, 1969) e revivido com precisa melancolia por Valéria. O tema é outro exemplo da viabilidade de saudar Clara Nunes sem recorrer aos mesmos sucessos de sempre. Valéria Oliveira emerge mais forte dos mergulhos mais fundos que dá no bem-vindo CD Em águas claras. Nos hits, fica no raso...
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Valéria posa em frente à casa em que Clara nasceu na capa de CD-tributo
Com lançamento programado para julho de 2013, o oitavo CD da cantora potiguar Valéria Oliveira, Em águas claras - Homenagem a Clara Nunes, expõe na capa uma foto da artista em frente à casa onde Clara Nunes (1942 - 1983) nasceu, na cidade mineira de Caetanópolis. A arte gráfica do disco - registro de estúdio de show estreado por Valéria em 2011 - é assinada pelo artista plástico potiguar Jorge Henrique. Nas 17 faixas do disco, gravado entre Rio de Janeiro (RJ) e Natal (RN), a cantora combina vários sucessos de Clara, como O mar serenou (Candeia, 1975) e O canto das três raças (Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte, 1976), com músicas menos ouvidas do repertório da Guerreira - casos de À flor da pele (Maurício Tapajós, Paulo César Pinheiro e Clara Nunes, 1977), Alvoroço no sertão (Aldair Soares e Raymundo Evangelista, 1976), Apenas um adeus (Edil Pacheco, Paulinho Diniz e Roque Ferreira, 1979) e Puxada de rede do Xaréu (Maria Rosita Salgado Goes, 1971). A produção do CD é de Rildo Hora.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Mariene se distancia de Clara ao mixar bem 'Ser de luz' com 'Tabaroinha'
Título: Ser de luz
Artista: Mariene de Castro (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 6 de junho de 2013
Cotação: * * * *
Levada a prestar um tributo a Clara Nunes (1942 - 1983) no auge do sucesso de seu disco e show Tabaroinha (2012), para registro de CD e DVD editados neste ano em que o Brasil celebra a cantora mineira por conta dos 30 anos de sua saída de cena, Mariene de Castro está conseguindo conciliar no palco os dois trabalhos de forma iluminada. Ser de luz - o show da turnê que teve sua estreia nacional em São Paulo (SP) em 30 de março e, após passar por Portugal e Salvador (BA), chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em 6 de junho em consagradora apresentação na casa Vivo Rio - não é o mesmo show gravado pela cantora baiana em 9 de outubro de 2012 no Espaço Tom Jobim (RJ). Em vez de cantar somente o repertório de Clara, para depois dar sua voz calorosa a algumas músicas de seu próprio cancioneiro, Mariene apresenta mix azeitado dos dois trabalhos. A espinha dorsal do roteiro é o tributo a Clara, mas, ao encadear músicas como Oxossi (Roque Ferreira e Paulo César Pinheiro, 2004) e A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975), Mariene explicita o parentesco natural que existe entre seu repertório e o de Clara, unidos pelos signos afro-brasileiros e por vivaz brasilidade que cai bem na voz incendiária da baiana. Ao aproximar os dois repertórios, a baiana se distancia mais da matriz da mineira guerreira e afirma sua própria personalidade. Mariene está cantando Clara como Mariene, com a ajuda do toque nordestino do acordeom de Cícero Assis (mais nítido no CD, pois a percussão se faz ouvir com mais força em cena). De todo modo, Mariene irradia tanto calor no palco que a participação de Diogo Nogueira resultou dispensável. Com sua voz de trovão, Mariene já faz o santo baixar em casa grande. O show na casa Vivo Rio reiterou o momento de consagração nacional da baiana guerreira, cantora de luz.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Visi saúda Clara em CD com Daniela, Paula, Péricles, Thiaguinho e Xande
Eis a capa de Pura claridade - Um tributo a Clara Nunes, CD em que a cantora baiana Carla Visi saúda Clara Nunes (1942 - 1983) nos 30 anos de morte da cantora mineira. Como a capa já informa, o disco foi gravado com as participações de Daniela Mercury, Paula Fernandes, Péricles, Pinha, Thiaguinho e Xande de Pilares. O CD chega às lojas neste mês de maio de 2013.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Cozza grava ao vivo em agosto, em São Paulo, o show em tributo a Clara
Fabiana Cozza agendou para 2 e 3 de agosto de 2013 a gravação ao vivo de Canto sagrado, o show que idealizou e estreou em 2012 para celebrar os 70 anos do nascimento da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983). O registro do espetáculo - em que Cozza dá voz a músicas como Meu sapato já furou (Mauro Duarte, 1974), A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975), Feira de mangaio (Sivuca e Glorinha Gadelha, 1977 e Novo amor (Chico Buarque, 1982) - vai ser feito em apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP). Na sequência da gravação, Cozza - em foto de Manoel de Brito - traz o show ao Rio de Janeiro (RJ) em apresentação única agendada para 10 de agosto de 2013 na Sala Baden Powell.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Morta há 30 anos, Clara Nunes é referência de canto e de samba no Brasil
Faz 30 anos nesta terça-feira, 2 de abril de 2013, que Clara Nunes (1942 - 1983) saiu precocemente de cena, aos 40 anos de vida. Perda que chocou o Brasil na época pela morte estúpida, inesperada, consequência do que seria corriqueira operação de varizes. Decorridos 30 anos do voo da sabiá, Clara Nunes ainda é sólida referência de canto feminino no Brasil - e de samba, ainda que seu repertório tenha abarcado outros ritmos brasileiros. A associação de Clara ao samba no imaginário nacional é perfeitamente compreensível. Com
voz luminosa, Clara Francisca Gonçalves irradiou alguns dos melhores sambas
ouvidos nos anos 70, década de seu apogeu artístico e comercial. A emissão
límpida e a afinação perfeita – treinadas espontaneamente na escola noturna das
boates da Belo Horizonte (MG) dos anos 60 – ganharam projeção nacional quando,
após transitar por boleros e por músicas de festivais, a mineira abraçou o samba
em 1971, escorada em imagem afro-brasileira arquitetada pelo produtor e radialista Adelzon
Alves em sintonia com o apego da intérprete aos temas do Candomblé. São dessa fase álbuns emblemáticos como Alvorecer (1974) e Claridade (1975). A partir de
1976, conduzida pelo produtor Paulo César Pinheiro, Clara abriu o leque
estético do repertório em álbuns igualmente primorosos como Canto das três raças (1976), As forças da natureza (1977), Guerreira (1978), Esperança (1979), Brasil Mestiço (1980), Clara (1981) e Nação (1982), nos quais cantou outros ritmos brasileiros sem nunca se dissociar
do samba. Gravações ainda hoje marcantes como as de Ê baiana (1971), Ilu ayê (Terra da vida) (1972), Tristeza pé no chão (1973), Conto de areia (1974), O mar serenou (1975), Canto das três raças (1976), Coração leviano (1977), Mente (1978), Na linha do mar (1979), Morena de Angola (1980), Portela na avenida (1981) e Ijexá (1982) ainda reverberam na alma do Brasil - 30 anos após o voo da sabiá - e atestam a perenidade do canto luminoso do ser de luz de voz guerreira calada justo quando tinha alcançado a maturidade artística.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Valéria mergulha nas águas de Clara com Rildo e Velha Guarda da Portela
Feita em fevereiro deste ano de 2013 no estúdio Cia. dos Técnicos, no Rio de Janeiro (RJ), a foto acima flagra a cantora potiguar Valéria Oliveira com as pastoras da Velha Guarda da Portela - Áurea, Surica e Neide - durante a gravação de Jardim da solidão, samba melancólico de Monarco, lançado por Clara Nunes (1942 - 1983) no álbum Esperança (1979). A gravação - que contou também com a participação do compositor Monarco e de outros integrantes da Velha Guarda da Portela - foi feita para o oitavo álbum de Valéria Oliveira, Em águas claras. Desdobramento do show Em águas claras - Homenagem a Clara Nunes, apresentado pela cantora ao público do Rio Grande do Norte entre 2011 e 2012, o CD tem produção de Rildo Hora, criador da maioria dos arranjos. Iniciadas em fevereiro no Rio de Janeiro (RJ), as gravações do disco serão concluídas a partir de 18 de março em Natal (RN). Selecionadas a partir de pesquisa iniciada em 2008, as 17 músicas do repertório conciliam sucessos da cantora mineira - como Você passa eu acho graça (Ataulfo Alves e Carlos Imperial, 1968), primeiro sucesso de Clara - como lados B da discografia da Guerreira. Valéria vai dar voz a músicas menos conhecidas como À flor da pele (Maurício Tapajós, Paulo César Pinheiro e Clara Nunes), Alvoroço no sertão (Aldair Soares e Raymundo Evangelista), Apenas um adeus (Edil Pacheco, Paulinho Diniz e Roque Ferreira) e Puxada de rede do Xaréu (Maria Rosita Salgado Goes), gravadas por Clara Nunes em 1977, 1976, 1979 e 1971, respectivamente. No Rio, as gravações contaram como Carlinhos 7 cordas, Marcos Esguleba, Pretinho da Serrinha, Camilo Mariano, Hulk, Jamil Joanes, Márcio Vanderlei e Misael da Hora - músicos recrutados por Rildo Hora. Nesta primeira etapa da gravação, Valéria priorizou o registro dos sambas. As faixas com outros ritmos serão gravadas em Natal. Eis, em ordem alfabética, as 17 belas músicas escolhidas por Valéria para o CD Em águas claras, cujo lançamento está previsto para junho:
1. À flor da pele (Maurício Tapajós, Paulo César Pinheiro e Clara Nunes)
2. Alvoroço no sertão (Aldair Soares e Raymundo Evangelista)
3. Apenas um adeus (Edil Pacheco, Paulinho Diniz e Roque Ferreira)
4. Basta um dia (Chico Buarque)
5. Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)
6. Casinha pequenina (folclore brasileiro)
7. Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento)
8. Jardim da solidão (Monarco)
9. Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares)
10. Mineira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro)
11. Minha Missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro) 12. O mar serenou (Candeia)
13. Portela na avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)
14. Puxada de rede do Xaréu I e II (Maria Rosita Salgado Goes)
15. Tristeza pé no chão (Armando Fernandes)
16. Um ser de luz (João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro)
17. Você passa eu acho graça (Ataulfo Alves e Carlos Imperial)
quarta-feira, 6 de março de 2013
Mariene dá voz aos Brasis, hits, sons e credos de Clara com naturalidade
Resenha de CD e DVD
Título: Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes
Artista: Mariene de Castro
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *
Título: Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes
Artista: Mariene de Castro
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *
Diz Mariene de Castro, em texto escrito para o encarte do CD e DVD Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes, que se sente feliz por cantar os Brasis, os sons e os credos da cantora mineira, morta há 30 anos, em 2 de abril de 2013. A bem da verdade, a cantora baiana sempre cantou os sons e os credos afro-brasileiros propagados na voz emblemática de Clara Nunes (1942 - 1983) entre 1971 e 1982, período áureo da discografia da artista. Por isso, o repertório da Guerreira caiu tão bem na voz de Mariene. A conexão soa totalmente natural em temas como Ijexá (Edil Pacheco, 1982). Mesmo assim, Ser de luz resulta menos caloroso no DVD do que no palco do Espaço Tom Jobim, o teatro do Rio de Janeiro (RJ) em que o show em tributo a Clara foi gravado em 9 de outubro de 2012. Mariene de Castro é intérprete calorosa, domina o palco com radiante presença cênica, mas parte desse calor se dissipou na captação ruim de áudio e imagem. Ainda assim, o tributo soa sincero, honesto, como sinaliza o incontido choro da artista em Um ser de luz (João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1983), faixa exclusiva do DVD (assim como as demais músicas do show Tabaroinha). O toque do acordeom de Cicinho Assis põe leve tempero nordestino em sambas como Coisa da antiga (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1977) - gravado em dueto com um protocolar Zeca Pagodinho - e Menino Deus (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1974) sem diluir a reverência da produção musical de Alceu Maia aos (imbatíveis) registros originais de Clara Nunes. Mesmo assim, por ter luz própria, Mariene escapa da armadilha de ser mero clone da artista que celebra com sua verdade. Sua personalidade está perceptível nas saudações pessoais que embute no discurso de Guerreira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1978), para citar somente um exemplo. Há total identificação com o universo do repertório - vale repetir. Com exceção do samba-enredo Portela na avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981), todas as músicas do cancioneiro de Clara cantadas por Mariene transitam pelo universo do repertório da cantora baiana, voltado para os sambas de temática afro-brasileira e com alguns temas forrozeiros que encontram eco em Feira de mangaio (Sivuca e Glória Gadelha, 1977), sucesso de Clara em 1979. Por isso mesmo, a seleção das 16 músicas soa bem preguiçosa. Por prováveis razões comerciais, o CD/DVD Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes prioriza somente os hits da Guerreira. Há joias escondidas na discografia de Clara que poderiam resultar mais impactantes do que os registros de músicas como A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975) e O mar serenou (Candeia, 1975). Tanto que, no quesito interpretação, o único número realmente surpreendente do DVD é Coração leviano (Paulinho da Viola, 1977) porque, nele, Mariene se dissocia por completo da luminosa matriz. O majestoso samba bate em compasso cadenciado num tom seco e levemente interiorizado que condiz com a melancolia dos versos de Paulinho. Enfim, Mariene de Castro é das melhores cantoras projetadas nos anos 2000. Seus shows são incandescentes. Por isso mesmo, o DVD resultante da calorosa gravação do show em tributo a Clara Nunes não irradia toda a luz dessa baiana boa que gosta de samba e da roda. Baiana hábil ao recontar o conto de areia de Clara.
domingo, 3 de março de 2013
Cozza vai registrar ao vivo em São Paulo show em que homenageia Clara
A cantora paulista Fabiana Cozza planeja fazer neste primeiro semestre de 2012, em São Paulo (SP), o registro ao vivo de Canto sagrado, show em que celebra a cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983). Estreado em 2012, o espetáculo foi concebido em saudação aos 70 anos de nascimento da Guerreira, completados em agosto de 2012. No show, Cozza - vista em foto de Manoel de Brito - dá voz a músicas como A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento), Novo amor (Chico Buarque), Feira de mangaio (Sivuca e Glorinha Gadelha) e Meu sapato já furou (Mauro Duarte), entre outras músicas gravadas por Clara entre 1973 e 1982.
EMI relança caixa 'Clara' e reedita álbuns clássicos da cantora com bônus
Por conta dos 30 anos de morte de Clara Nunes (1942-1983), a gravadora EMI Music - dona da obra fonográfica registrada na Odeon pela cantora mineira entre 1966 e 1982 - vai repor em catálogo os álbuns da artista a partir deste mês de março de 2013. Além da reedição da caixa Clara (2004), revisada por Vagner Fernandes (biógrafo da cantora), a EMI pretende reeditar de forma avulsa os álbuns mais emblemáticos da discografia da intérprete - em foto de Wilton Montenegro - em embalagem digipack e com faixas-bônus. Já os álbuns da caixa Clara voltam às lojas no formato 2 em 1, mas, desta vez, os álbuns Clara Nunes (1973) e Claridade (1975) serão reeditados com reproduções fiéis das capas originais. Na primeira edição da caixa, as capas saíram com adulterações. A morte de Clara vai completar 30 anos em 2 de abril de 2013.
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