Há 35 anos, o sambista carioca João Nogueira (1941 - 2000) convidou a mineira Clara Nunes (1942 - 1983) para gravar dueto em Bela cigana, parceria de Nogueira com Ivor Lancellotti. Lançado em Vida boêmia, álbum editado por Nogueira em 1978, o dueto foi revivido pelo filho de João, Diogo Nogueira, com a cantora Luciana Lazulli na gravação do primeiro DVD do Tio Samba, grupo fluminense no qual Lazulli ingressou como vocalista em 2012. O registro ao vivo aconteceu em show no Teatro Sesi, no Rio de Janeiro (RJ), em 31 de julho de 2013. Além de Diogo (visto com o grupo na foto de Beti Niemeyer), a gravação teve a participação de André Rio, que reviveu outro dueto histórico ao cantar o samba É preciso discutir (Noel Rosa, 1932) com o vocalista Carlos Mauro. No caso, o dueto reeditado foi o feito pelos cantores Francisco Alves (1898 - 1952) e Mário Reis (1907 - 1981) em disco de 78 rotações editado pela gravadora Odeon em 1932. Formado em Niterói (RJ) em 1998, o grupo Tio Samba se define como uma "orquestra de samba", já tendo gravado os álbuns Quero ver (2003), É batata! (2010) e Mais para cá do que para lá (2012). O repertório deste terceiro e último disco do Tio Samba teve prioridade no roteiro do show registrado para edição em DVD e em CD ao vivo.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
DVD 'Bamba do Samba' exibe o show de João no programa 'Bem Brasil'
A arte gráfica de Bamba do Samba - o DVD póstumo de João Nogueira (1941 - 2000) recém-posto nas lojas pela Warner Music - é a mesma criada pela gravadora para a produção da série de DVDs que registram edições de Ensaio, o programa da TV Cultura. Mas o DVD de João nada tem a ver com sua entrevista ao Ensaio, já perpetuada em DVD lançado por outra gravadora. Bamba do Samba exibe show feito e gravado ao ar livre pelo cantor, em praça da cidade de São Paulo (SP), para o programa Bem Brasil. Na companhia de quinteto que incluía Mané do Cavaco e Jorge Simas ao violão, o sambista apresentou onze sucessos de seu repertório em roteiro aberto com Nó na Madeira (João Nogueira e Eugênio Monteiro, 1975) e fechado com (impactante) interpretação a capella de Minha Missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1981). Por exibir programa de televisão, o DVD tem áudio 2.0. Vale porque João era bamba...
sábado, 12 de maio de 2012
CD 'Sambabook 2' reitera a poderosa criatividade da obra de João Nogueira
Resenha de CD
Título: Sambabook João Nogueira 2
Artista: Vários
Gravadora: Musickeria
Cotação: * * * *
Título: Sambabook João Nogueira 2
Artista: Vários
Gravadora: Musickeria
Cotação: * * * *
Superior ao volume 1 pela qualidade das interpretações do elenco convidado para celebrar o legado de João Nogueira (1941 - 2000), o CD Sambabook João Nogueira 2 reitera a poderosa criatividade do compositor carioca na arte de fazer samba. O ato da criação é o tema de dois sambas antológicos, Súplica (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1979) e Poder da Criação (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1980), primeira e segunda partes, respectivamente, da célebre Trilogia do Alumbramento - defendidas com reverência por Mart'nália e Beth Carvalho neste disco que alinha 12 gravações inéditas da obra do artista. Perfeitamente ambientado em Alô Madureira (João Nogueira, 1972), Arlindo Cruz toma partido deste samba lançado no primeiro álbum de Nogueira. Outro lado B do cancioneiro do compositor, Amor de Fato (João Nogueira e Cláudio Jorge, 1978) é reavivado por Dudu Nobre com a autoridade de assíduo frequentador dos pagodes cariocas que, anos antes, fizeram frutificar a carreira do Fundo de Quintal, grupo que calça o pouco usado Chinelo Novo (João Nogueira e Niltinho Tristeza,1997). Já o sucesso Nó na Madeira (João Nogueira e Eugênio Monteiro, 1975) ganha a voz de Djavan em gravação que remete às incursões no universo do samba feitas pelo compositor alagoano nos anos 70. O rapper sambista Marcelo D2 anima Baile no Elite (João Nogueira e Nei Lopes, 1978) sem a tentação de fazer discurso. Leny Andrade também resiste à tentação de fazer scats ao interpretar Batendo a Porta (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1974), samba que alavancou a carreira fonográfica de João ao ser gravado pelo compositor em seu segundo álbum. Intérprete de grande luminosidade, Mariene de Castro reacende Um Ser de Luz (João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1983) no quintal carioca, sem a pegada afro-baiana da gravação simultânea feita para seu recém-lançado segundo disco de estúdio, Tabaroinha. Confirmado sua evolução como intérprete, Diogo Nogueira acerta o tom melancólico do poético Chorando pelos Dedos (João Nogueira e Cláudio Jorge, 1975) em gravação valorizada pelo bandolim singular de Hamilton de Holanda. No fim do disco produzido por Diogo com Afonso Machado sob a respeitosa direção musical de Alceu Maia, o elenco dos volumes 1 e 2 do Sambabook João Nogueira se une no coro de Clube do Samba (João Nogueira, 1983), partido puxado por Diogo com a autoridade de ser o filho do homem. Arremate festivo para este belo e oportuno tributo ao poder da criação do compositor João Nogueira no clube do samba.
'Sambabook 1' prova que João Nogueira cumpriu sua missão como ninguém
Resenha de CD
Título: Sambabook João Nogueira 1
Artistas: Vários
Gravadora: Musickeria
Cotação: * * *
Sambista descendente da nobre linhagem de Geraldo Pereira (1918 - 1955) e Wilson Baptista (1913 - 1968), João Nogueira (1941 - 2000) foi grande intérprete. Tinha uma divisão singular e uma voz grave que, se bem explorada, podia atingir profundas regiões emotivas. A audição das 12 reverentes regravações alinhadas no primeiro dos dois volumes do CD Sambabook João Nogueira - parte do projeto produzido pela empresa Musickeria para revitalizar a obra do compositor carioca - reitera que Nogueira cumpriu sua missão como ninguém. Nenhum dos intérpretes sai do tom nestes registros produzidos por Afonso Carvalho e Diogo Nogueira - mentores do Sambabook - sob a direção musical de Alceu Maia. Mas tampouco alguém oferece uma interpretação antológica. Talvez pela reverência dos arranjos ao universo musical de Nogueira, nem Lenine põe seu tempero particular no samba Pimenta no Vatapá (João Nogueira e Cláudio Jorge, 1976), lançado por João Roberto Kelly um ano antes da gravação feita por João para álbum de 1977. Contudo, Seu Jorge cumpre bem seu papel ao pôr voz em Minha Missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1981). Com categoria, Alcione jamais se enrola em Corrente de Aço (João Nogueira, 1970), pedra fundamental na construção da obra de Nogueira. Sem o necessário vigor vocal para enfrentar As Forças da Natureza (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1977), Teresa Cristina soa meramente correta - assim como Ivan Lins, sem o molejo exigido por Eu Hein, Rosa! (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1979). À vontade em seu quintal, Zeca Pagodinho e Sombrinha defendem com propriedade Do Jeito que o Rei Mandou (João Nogueira e Zé Katimba, 1974) e Das 200 Pra Lá (João Nogueira, 1971) ao passo que o Grupo Revelação aproveita a chance de se igualar aos bambas e cai no suingue de Mineira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975). Contudo, as melhores gravações do Sambabook 1 são as feitas por Diogo Nogueira, herdeiro vocal de João. Por ser filho do homem, somente Diogo teria autoridade para cantar Espelho (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1973), música que revisita desde o início de sua carreira. A gravação do tema no Sambabook - pontuada pelo bandolim de Joel Nascimento - é a melhor abordagem de Espelho por Diogo até o momento. Brilho bisado no dueto com Martinho da Vila em João e José, faixa que reproduz o dueto de João Nogueira com Martinho - parceiros bissextos no samba - no encontro orquestrado para o álbum Rosa do Povo (1976), de Martinho. Nascido em casa de bamba, Diogo Nogueira cumpre - muito bem - a sua missão de repor na pauta a obra de seu pai, João Nogueira.
Discobiografia repisa com credibilidade passos fonográficos de Nogueira
Resenha de livro
Título: Discobiografia João Nogueira
Autor: Luiz Fernando Vianna
Editora: Casa da Palavra
Cotação: * * * *
Título: Discobiografia João Nogueira
Autor: Luiz Fernando Vianna
Editora: Casa da Palavra
Cotação: * * * *
Em 1º de abril de 1998, data de lançamento daquele que seria seu último álbum de inéditas, João de Todos os Sambas (BMG), João Nogueira (1941 - 2000) teve um AVC. Efeito sintomático de seu desgosto com o resultado do disco, em cujo repertório o artista foi obrigado - pela insensível diretoria da gravadora BMG - a inserir sambas de lavra alheia compostos pela cartilha básica do pagode populista que vigorava nas rádios da época. A ordem foi acatada por João - então atolado em dívidas por conta dá má administração do já desativado Clube do Samba - porque o disco era sua oportunidade de retomar sua carreira fonográfica em grande gravadora. Só que ceder (pela primeira vez) aos caprichos arbitrários de uma multinacional do disco custou a João um AVC - como relatado na saborosa discobiografia do artista. Parte do Sambabook, projeto que repõe em evidência a obra de Nogueira através de livro de partituras e CDs/DVD/blu-ray com regravações inéditas dos principais sucessos do sambista, a Discobiografia João Nogueira é item que merece especial atenção entre os produtos da série, postos à venda no mercado de forma avulsa. Por ter amplo entendimento dos caminhos da música brasileira (e do samba em particular), o jornalista carioca Luiz Fernando Vianna reconstitui com conhecimento de causa os passos fonográficos de Nogueira. Cada um dos 20 álbuns gravados pelo cantor e compositor entre 1972 (João Nogueira, Odeon) e 1999 (Esquina Carioca, Dabliú) é assunto de um capítulo da discobiografia, iniciada com breve exposição dos passos que levaram o artista ao disco a partir de 1968, ano em que o conjunto Nosso Samba gravou Espere Oh! Nega (João Nogueira), primeira música do compositor carioca a merecer um registro fonográfico. Dois anos depois, em 1970, o sucesso da gravação de Corrente de Aço (João Nogueira) - feita por Elizeth Cardoso (1920 - 1990) no álbum Falou e Disse - pavimentou o caminho de Nogueira na indústria fonográfica e o levou, com o aval do produtor e radialista Adelzon Alves, a gravar seus próprios discos na companhia Odeon. Ao detalhar a origem do repertório de cada álbum e o contexto da gravação, Luiz Fernando Vianna permite ao leitor vivenciar cada fase da vida e obra de Nogueira ao mesmo tempo em que descortina os bastidores da indústria fonográfica com histórias interessantes. Como, por exemplo, a troca de Hélio Delmiro por Paulo César Pinheiro no posto de produtor dos discos de Nogueira. Se Delmiro pilotou Vem Quem Tem, álbum de 1975 que consolidou a carreira de Nogueira por conta do sucesso dos sambas Nó na Madeira (João Nogueira e Eugênio Monteiro) e Mineira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro), Pinheiro assumiu a função a partir do álbum Espelho (1977), mas, na migração de Nogueira da Odeon para a Polydor/PolyGram, teve seu cargo reivindicado por Paulo Debétio. Recompensado financeiramente pela troca de gravadora, Nogueira viveu o augue comercial de sua obra fonográfica na PolyGram, com o sucesso do álbum Clube do Samba (1979), mas as vendas decrescentes dos discos posteriores levou o sambista a ter seu passe (ainda valorizado) adquirido pela RCA, gravadora por onde Nogueira fez quatro álbuns - Bem Transado (1983), Pelas Terras do Pau Brasil (1984), De Amor É Bom (1985) e João Nogueira (1986) - coerentes com a ideologia de seu samba. Após a saída da RCA, Nogueira se virou no mercado independente - com eventuais passagens por uma grande gravadora - até sair de cena às vésperas da gravação ao vivo de um CD que iria resumir a obra pavimentada com valentia nessa caminhada musical repisada com credibilidade por Luiz Fernando Vianna ao escrever a alentada Discobiografia João Nogueira, item mais essencial do Sambabook dedicado a João.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Ivan Lins regrava 'Eu Hein Rosa!" para o 'sambabook' de João Nogueira
Postada por Ivan Lins em seu facebook oficial, a foto flagra o cantor e compositor carioca no estúdio durante a gravação - feita sob o olhar de Diogo Nogueira - de sua participação no Samba Book de João Nogueira (1941 - 2000). Ivan regravou o samba Eu Hein, Rosa!, parceria de Nogueira com Paulo César Pinheiro, lançada pelo próprio João Nogueira no álbum E Lá Vou Eu (1974). O projeto já vai ser lançado - em CD, DVD e blu-ray - em março de 2012.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
'Clube' do samba se reúne para celebrar João Nogueira em 'Samba Book'
Primeiro projeto produzido pela Musickeria, o Samba Book de João Nogueira (1941 - 2000) abre em março de 2012 série que vai apresentar gravações inéditas de obras de sambistas. Editado nos formatos de CD, DVD e blu-ray, o Samba Book vai trazer partituras destacáveis das músicas e discobiografias dos compositores enfocados. O de João Nogueira foi gravado no estúdio Visom, no Rio de Janeiro (RJ). Sob a direção musical do filho do sambista, Diogo Nogueira, e sob a produção de Alceu Maia, autor dos arranjos do projeto, passaram pelo estúdio carioca nomes como Djavan (Nó na Madeira), Beth Carvalho (Poder da Criação), Jorge Aragão (E Lá Vou Eu), Mart'nália (Súplica), Arlindo Cruz (Alô Madureira) e Teresa Cristina (As Forças da Natureza) e Seu Jorge (Minha Missão). Martinho da Vila - ladeado na foto por Diogo e por sua filha Mart'nália na gravação de Clube do Samba, faixa de que participam todos os convidados - reeditou com Diogo Nogueira o dueto em João e José que fizera no seu disco Rosa do Povo (1976) com o próprio João Nogueira, seu parceiro no samba.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Diogo regrava samba de João Nogueira no CD e DVD de Nelson Sargento
Segundo título da série documental Memória do Samba, o CD e o DVD Nelson Sargento - Baluarte do Samba têm a adesão de Diogo Nogueira. O filho de João Nogueira (1941 - 2000) registrou sua participação no estúdio Play Rec, no Rio de Janeiro (RJ). Acompanhado por Sargento, Diogo regravou um samba de seu pai, Sonho de Bamba, lançado por João Nogueira em 1974 em seu álbum E Lá Vou Eu. Diogo ainda acompanhou Sargento em Berço de Bamba, um samba de autoria do próprio Sargento. A foto de Daniel Cardoso flagra os dois no estúdio.
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