Mauro Ferreira no G1

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sábado, 12 de maio de 2012

'Sambabook 1' prova que João Nogueira cumpriu sua missão como ninguém


Resenha de CD
Título: Sambabook João Nogueira 1
Artistas: Vários
Gravadora: Musickeria
Cotação: * * *

Sambista descendente da nobre linhagem de Geraldo Pereira (1918 - 1955) e Wilson Baptista (1913 - 1968), João Nogueira (1941 - 2000) foi grande intérprete. Tinha uma divisão singular e uma voz grave que, se bem explorada, podia atingir profundas regiões emotivas. A audição das 12 reverentes regravações alinhadas no primeiro dos dois volumes do CD Sambabook João Nogueira - parte do projeto produzido pela empresa Musickeria para revitalizar a obra do compositor carioca -  reitera que Nogueira cumpriu sua missão como ninguém. Nenhum dos intérpretes sai do tom nestes registros produzidos por Afonso Carvalho e Diogo Nogueira - mentores do Sambabook - sob a direção musical de Alceu Maia. Mas tampouco alguém oferece uma interpretação antológica. Talvez pela reverência dos arranjos ao universo musical de Nogueira, nem Lenine põe seu tempero particular no samba Pimenta no Vatapá (João Nogueira e Cláudio Jorge, 1976), lançado por João Roberto Kelly um ano antes da gravação feita por João para álbum de 1977. Contudo, Seu Jorge cumpre bem seu papel ao pôr voz em Minha Missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1981). Com categoria, Alcione jamais se enrola em Corrente de Aço (João Nogueira, 1970), pedra fundamental na construção da obra de Nogueira. Sem o necessário vigor vocal para enfrentar As Forças da Natureza (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1977), Teresa Cristina soa meramente correta - assim como Ivan Lins, sem o molejo exigido por Eu Hein, Rosa! (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1979). À vontade em seu quintal, Zeca Pagodinho e Sombrinha defendem com propriedade Do Jeito que o Rei Mandou (João Nogueira e Zé Katimba, 1974) e Das 200 Pra Lá (João Nogueira, 1971) ao passo que o Grupo Revelação aproveita a chance de se igualar aos bambas e cai no suingue de Mineira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975). Contudo, as melhores gravações do Sambabook 1 são as feitas por Diogo Nogueira, herdeiro vocal de João. Por ser filho do homem, somente Diogo teria autoridade para cantar Espelho (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1973), música que revisita desde o início de sua carreira. A gravação do tema no Sambabook - pontuada pelo bandolim de Joel Nascimento - é a melhor abordagem de Espelho por Diogo até o momento. Brilho bisado no dueto com Martinho da Vila em João e José, faixa que reproduz o dueto de João Nogueira com Martinho - parceiros bissextos no samba - no encontro orquestrado para o álbum Rosa do Povo (1976), de Martinho. Nascido em casa de bamba, Diogo Nogueira cumpre - muito bem - a sua missão de repor na pauta a obra de seu pai, João Nogueira.

2 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Sambista descendente da nobre linhagem de Geraldo Pereira (1918 - 1955) e Wilson Baptista (1913 - 1968), João Nogueira (1941 - 2000) foi grande intérprete. Tinha uma divisão singular e uma voz grave que, se bem explorada, podia atingir profundas regiões emotivas. A audição das 12 reverentes regravações alinhadas no primeiro dos dois volumes do CD Sambabook João Nogueira - parte do projeto produzido pela empresa Musickeria para revitalizar a obra do compositor carioca - reitera que Nogueira cumpriu sua missão como ninguém. Nenhum dos intérpretes sai do tom nestes registros produzidos por Afonso Carvalho e Diogo Nogueira - mentores do Sambabook - sob a direção musical de Alceu Maia. Mas tampouco alguém oferece uma interpretação antológica. Talvez pela reverência dos arranjos ao universo musical de Nogueira, nem Lenine põe seu tempero particular no samba Pimenta no Vatapá (João Nogueira e Cláudio Jorge, 1976), lançado por João Roberto Kelly um ano antes da gravação feita por João para álbum de 1977. Contudo, Seu Jorge cumpre bem seu papel ao pôr voz em Minha Missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1981). Com categoria, Alcione jamais se enrola em Corrente de Aço (João Nogueira, 1970), pedra fundamental na construção da obra de Nogueira. Sem o necessário vigor vocal para enfrentar As Forças da Natureza (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1977), Teresa Cristina soa meramente correta - assim como Ivan Lins, sem o molejo exigido por Eu Hein, Rosa! (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1979). À vontade em seu quintal, Zeca Pagodinho e Sombrinha defendem com propriedade Do Jeito que o Rei Mandou (João Nogueira e Zé Katimba, 1974) e Das 200 Pra Lá (João Nogueira, 1971) ao passo que o Grupo Revelação aproveita a chance de se igualar aos bambas e cai no suingue de Mineira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975). Contudo, as melhores gravações do Sambabook 1 são as feitas por Diogo Nogueira, herdeiro vocal de João. Por ser filho do homem, somente Diogo teria autoridade para cantar Espelho (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1973), música que revisita desde o início de sua carreira. A gravação do tema no Sambabook - pontuada pelo bandolim de Joel Nascimento - é a melhor abordagem de Espelho por Diogo até o momento. Brilho bisado no dueto com Martinho da Vila em João e José, faixa que reproduz o dueto de João Nogueira com Martinho - parceiros bissextos no samba - no encontro orquestrado para o álbum Rosa do Povo (1976), de Martinho. Diogo Nogueira cumpre muito bem a sua missão de repor na pauta a obra de seu pai, João Nogueira.

Anônimo disse...

Bacana esse projeto. Os convidados estão legais, a cara do João.
Então, Mauro, o João tem um disco clássico - eu tenho :-) que canta Geraldo, Wilson e Noel.
Aliás, o nome do disco é esse.