♪ RETROSPECTIVA 2015 – Fabiana Cozza partiu para a Bahia e fez o melhor álbum da carreira, lançado em junho. A viagem não foi geográfica, mas musical. Sem sair da cidade de São Paulo (SP), onde gravou Partir (Agô Produções, 2015) com produção do violonista Swami Jr., a cantora paulistana - em foto de Stella Handa - lapidou joias do cancioneiro afro-brasileiro em rota que reiterou a permanente conexão da Bahia com a mãe África. Partir é alto ponto de excelência na discografia da artista, que tinha pisado no terreirão carioca do samba no último álbum de estúdio, Fabiana Cozza (Agô Produções, 2011), antes de celebrar o canto sagrado da cantora mineira Clara Nunes (1942-1983) em show estreado em 2012 que deu origem a DVD e CD ao vivo no fim de 2013.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Em 'Fogaréu', Renata Jambeiro reacende 'Canto de Oxum' com Cozza e Nilze
♪ Afro-samba composto por Toquinho com Vinicius de Moraes (1913 - 1980) e lançado em disco em 1971 pela própria dupla Toquinho & Vinicius, Canto de Oxum é reacendido em Fogaréu, terceiro álbum de Renata Jambeiro em gravação feita pela cantora e compositora brasiliense com participações de Fabiana Cozza e Nilze Carvalho. Produzido pelo violinista Nicolas Krassik sob a direção artística do compositor carioca Leandro Fregonesi, Fogaréu chega ao mercado fonográfico neste mês de novembro de 2015 em edição da gravadora Fina Flor, sucedendo os álbuns Jambeiro (GRV Discos, 2007) e Sambaluayê (Fonomatic / Tratore, 2012) na discografia de estúdio desta cantora radicada na cidade do Rio de Janeiro (RJ) desde 2013. Chico César também figura em Fogaréu, cantando com Renata Jambeiro o arretado baião xaxadeiro Coroné Antonio Bento (Luiz Wanderley e João do Vale, 1970), lançado há 45 anos com sucesso nacional no vozeirão soul do cantor Tim Maia (1942 - 1998) e ora regravado por Jambeiro com a letra integral, já que existe um trecho omitido nos registros de Tim e da cantora Cássia Eller (1962 - 2001). Carlos Malta foca pífano na faixa. Com arranjos de Ivan Paulo, Jambeiro também dá voz em Fogaréu a músicas como Amor brasileiro (Ciraninho), Cantiga pra ninar meu namorado (Carlos Nasser e Elias Jabur, 1994), Levanta (Renata Jambeiro e João Martins), Migalha (Rafael dos Santos), O tocador é bom (Moacyr Luz, 1998), Pra curar dor de amor (Renata Jambeiro) e Xequeré (Nei Lopes, Magnu Silva e Maurílio Oliveira, 2005). A composição que batiza o disco, Fogaréu, é da lavra de Leandro Fregonesi. Cantiga pra ninar meu namorado é a música que deu nome, em 1994, a um dos piores álbuns da discografia de Fafá de Belém. Distante do universo assumidamente brega do repertório da cantora paraense, Fogaréu propõe olhar festivo sobre ritmos da cultura brasileira como afro-samba, baião, ciranda, samba de terreiro e maracatu, preservando o elo da cantora com a África.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Sob direção de Elias, Cozza se depura em cena em seu melhor show, 'Partir'
Resenha de show
Título: Partir
Artista: Fabiana Cozza (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro do Sesc Ginástico (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 11 de agosto de 2015
Cotação: * * * * *
Título: Partir
Artista: Fabiana Cozza (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro do Sesc Ginástico (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 11 de agosto de 2015
Cotação: * * * * *
♪ Partir é o melhor show de Fabiana Cozza. Desde que surgiu no mercado fonográfico, há dez anos, a cantora paulistana sempre se portou como senhora da cena, apresentando shows excelentes, calcados na força natural de sua voz. Mas Partir é o ápice da trajetória de Cozza nos palcos. Sob a direção do ator paranaense Elias Andreato, a intérprete se depura em cena, com equilíbrio preciso de canto, gestos, expressões, coreografias, sonoridade e repertório. Até o figurino e o cenário - uma projeção virtual do portão exposto na capa do recém-lançado álbum Partir (Agô Produções, 2015), mote do show - contribuem para manter a atmosfera de elegância e encantamento que rege esse espetáculo que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 11 de agosto de 2015, em apresentação no teatro do Sesc Ginástico. A aura de beleza se instaurou em cena logo no primeiro número, Velhos de coroa (Sérgio Pererê, 2012), grande música lançada pela cantora mineira Titane há três anos que encontrou em Cozza sua melhor intérprete. Além do samba, Cozza tem o dom de garimpar repertório, colhendo ouros de alto quilate para moldar suas joias fonográficas. Metade do repertório do álbum Partir é composto por regravações de músicas já lançadas em discos alheios. Mas, no todo, esse repertório traça - no disco e no show - roteiro consistente, que leva Cozza à Bahia em rota intercontinental que inclui escalas na África, na Argentina, em Cuba (evocada no bis com Borzeguita, tema de Leandro Medina que cai no suingue da América Central) e no Rio de Janeiro - porto do samba Fim da dança (Moyseis Marques e Vidal Assis, 2015), único número menos arrebatador, mas ainda assim coerente com a rota do roteiro. Calcada na interação de cordas e percussões, a sonoridade do disco é transposta para o palco sem perda do viço. A opção por dispor os percussionistas (Douglas Alonso e Felipe Roseno) de um lado do palco e os músicos das cordas - os violonistas Leo Mendes e Swami Jr. (produtor do disco) e o baixista Marcelo Mariano - do lado oposto acaba por realçar a fina mistura que pauta o álbum e o show. Estrategicamente posicionada ao centro do palco, entre as cordas e as percussões, a própria Cozza toca eventualmente algum instrumento, como o ukelele que adorna Entre o mangue e o mar (Alzira E e Arruda) e o pandeiro com que redivide O samba é meu dom (Paulo César Pinheiro e Wilson das Neves, 1996), passeando à vontade na rítmica desse samba que já nasceu clássico. É nessa levada que Cozza lapida joias como Le Mali chez la carte invisible (2014) - canção em francês no qual o compositor baiano Tiganá Santana versa poeticamente sobre a invisibilidade da África aos olhos do mundo - e Chicala (João Cavalcanti, 2015), tema que estiliza acentos africanos. Passada pelo filtro da Bahia, a África se faz presente em números como Orixá (Roberto Mendes sobre poema de Jorge Portugal, 2007), Roda de capoeira (Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro, 2015) - tema que remete à pulsação dos afro-sambas dos anos 1960 - e Mama Kalunga (Tiganá Santana, 2015), saudação às águas que intitulou o quinto álbum da cantora baiana Virgínia Rodrigues, lançado em abril deste ano de 2015, dois meses antes de Cozza apresentar Partir, também seu quinto álbum. Música lançada pela cantora baiana Jurema no álbum Mestiça (Saravá Discos, 2014), um dos melhores discos do ano passado, o samba Não pedi (Roberto Mendes e Nizaldo Costa) põe, na rota de Cozza, a batida do Recôncavo Baiano em cena, no toque do violão de Léo Mendes, músico natural de Santo Amaro da Purificação (BA), destino final do show, antes do arremate cubano do bis. Filho de Roberto Mendes, Léo Mendes toca também o violão que conduz Voz guia (Roberto Mendes e Jorge Portugal, 1996). Há músicas do disco Partir que crescem (ainda mais) no show. Canção romântica de Roberto Mendes e Nizaldo Costa, Teus olhos em mim (2015) é uma delas. É momento sublime que prepara o clima romântico e tristonho do bolero argentino Vete de mi (Virgílio Expósito e Homero Expósito, 1946), grande surpresa do roteiro. Nesse número, Cozza canta acompanhada somente do violão de Swami Jr. Da Argentina, Cozza segue direto para a Bahia, fazendo saudações aos orixás e cantando duas obras-primas da parceria dos compositores baianos Gerônimo e Vevé Calazans (1947 - 2012), Agradecer e abraçar (1986) e É d'Oxum (1985), com direito à citação de Ê menina (João Donato e Guarabyra, 1975) entre uma e outra joia. Dona do dom, Fabiana Cozza segue roteiro sem erro na viagem musical de Partir, lindo show da artista.
Cozza insere bolero argentino de 1946 no roteiro afro-baiano do show 'Partir'
♪ Sem fazer concessões ao público, a cantora paulistana incluiu todas as 14 músicas de seu quinto álbum, Partir (Agô Produções, 2015), no roteiro do show inspirado no seu melhor disco. Mas vai além. No show, que chegou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 11 de agosto de 2015, a cantora embeveceu o público do Teatro do Sesc Ginástico ao inserir no roteiro afro-baiano de Partir famoso bolero argentino, Vete de mi, composto em 1946 pelos irmãos Virgílio Expósito (1924 - 1997) e Homero Expósito (1918 - 1987), pianista e poeta, respectivamente. Cantando em espanhol, Cozza expôs toda a beleza da melodia de Virgílio e todo o lirismo romântico da letra de Homero em um dos números mais aplaudidos da excelente apresentação. Sob a direção do ator Elias Andreato, Cozza realçou toda a inspiração do repertório do álbum Partir em show feito com o violonista Swami Jr. - produtor do disco - e com os músicos Douglas Alonso (percussão), Felipe Roseno (percussão), Leo Mendes (violão) e Marcelo Mariano (baixo). Eis o roteiro seguido em 11 de agosto de 2015 por Fabiana Cozza - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca de seu coeso show Partir no palco do Teatro Sesc Ginástico, situado no Centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ):
1. Velhos de coroa (Sérgio Pererê, 2012)
2. Entre o mangue e o mar (Alzira Espíndola e Arruda, 2015)
3. Le mali chez la carte invisible (Tiganá Santana, 2014)
4. Chicala (João Cavalcanti, 2015)
5. Roda de capoeira (Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro, 2015)
6. Orixá (Roberto Mendes e Jorge Portugal, 2007)
7. Mama Kalunga (Tiganá Santana, 2015)
8. Fim da dança (Moyseis Marques e Vidal Assis, 2015)
9. O samba é meu dom (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro, 1996)
10. Não pedi (Roberto Mendes e Nizaldo Costa, 2014)
11. Voz guia (Roberto Mendes e Jorge Portugal, 1996)
12. Teus olhos em mim (Roberto Mendes e Nizaldo Costa, 2015)
13. Vete de mi (Virgílio Expósito e Homero Expósito, 1946)
14. É do mar (Gisele Di Santi, 2015)
15. Saudação para Iemanjá (tema afro-brasileiro de domínio público) /
16. Agradecer e abraçar (Abracei o mar) (Vevé Calazans e Gerônimo, 1986)
- com citação de Canto para Oxum (tema afro-brasileiro de domínio público)
17. Ê menina (João Donato e Guarabyra, 1975) - vinheta /
18. É d'Oxum (Gerônimo e Vevé Calazans, 1985)
19. Seu moço (Roberto Mendes e Hermínio Bello de Carvalho, 1996)
20. Santo Amaro êê (Tema tradicional de domínio público) /
Dona de casa, me dá licença (Tema tradicional de domínio público)
Bis:
21. Borzeguita (Leandro Medina, 2015)
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Roque Ferreira canta em premiação no Rio para festejar a voz de sua música
♪ A IMAGEM DO SOM - A foto de Rodrigo Goffredo mostra Roque Ferreira em número feito pelo artista baiano com a cantora paulistana Fabiana Cozzza na cerimônia da 26ª edição do Prêmio da Música Brasileira, realizada na noite de ontem, 10 de junho de 2015, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro (RJ). Presença bissexta nos palcos e em eventos sociais , o compositor baiano é figura arisca, reclusa, mas sua presença foi fundamental no elenco que celebrou a voz e a obra de Maria Bethânia na 26ª edição da premiação criada pelo empresário José Maurício Machline. Roque é compositor recorrente na discografia da cantora baiana desde 2006. É o compositor que, de certa forma, tem dado com sua obra o tom interiorano e regionalista que pauta os álbuns e os quintais de Bethânia nos últimos anos. Tanto que a cerimônia fechou com Bethânia cantando sua música Vento de lá (2007). Com Fabiana Cozza, Roque deu sua voz opaca às músicas Imbelezou eu (2004), Coroa do mar (2009) e Santo Amaro (parceria com Délcio Carvalho, lançada na voz de Bethânia em 2006) mas sua presença rara foi plenamente justificada (e necessária) na festa de Maria Bethânia.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Cozza desenterra o ouro da alma afro-brasileira na bela rota baiana de 'Partir'
Resenha de CD
Título: Partir
Artista: Fabiana Cozza
Gravadora: Agô Produções
Cotação: * * * * 1/2
Título: Partir
Artista: Fabiana Cozza
Gravadora: Agô Produções
Cotação: * * * * 1/2
♪ Com seu quinto álbum, Partir, Fabiana Cozza faz o movimento mais ousado de sua discografia. No seu álbum anterior de estúdio, Fabiana Cozza (Agô Produções, 2011), a cantora paulistana suavizou seu canto para pisar no terreiro carioca em disco produzido por Paulão Sete Cordas. Gravado após a turnê de show dedicado ao repertório da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983), criterioso tributo perpetuado no CD ao vivo e DVD Canto sagrado (Independente, 2013), Partir conduz Cozza por rota que a leva à Bahia e, de lá, evoca a mãe África com escala na latinidade centro-americana de Borzeguita (Leandro Medina), faixa que embute referência a Cuba. Trata-se de disco de conceito ambicioso, arquitetado por Cozza com Swami Jr. (eficaz produtor do álbum) e Marcelino Freire. Dez anos após sua estreia no mundo do disco com o CD O samba é meu dom (Eldorado, 2005), Cozza apresenta álbum coerente com sua trajetória fonográfica, mas que expande seu universo musical, ainda que a África - já mote do segundo álbum da artista, Quando o céu clarear (Atração Fonográfica, 2007) - seja o fio condutor de Partir. Seja a África entranhada nos congados de Minas Gerais, representada pela bela regravação de Velhos de coroa (Sérgio Pererê, 2012) em que sobressai a percussão de Felipe Roseno, seja a África que rege a Bahia de todos os Santos em cujas águas Partir se banha. O que dá sentido às inclusões de duas parcerias dos compositores baianos Roberto Mendes e Jorge Portugal, Orixá (2007) - poema de Portugal em homenagem à ialorixá baiana conhecida como Mãe Stella de Oxossi musicado por Mendes - e Voz guia (1996). A presença dominante de Roberto Mendes no disco, assinando cinco das 14 músicas de Partir, é fruto de show feito por Cozza com o compositor, em São Paulo (SP), em outubro de 2011. No roteiro desse show, concebido como projeto especial para o Teatro do Sesi, já estavam músicas que reaparecem em Partir, casos de Teus olhos em mim (Roberto Mendes e Nizaldo Costa) e Não pedi (Roberto Mendes e Nizaldo Costa, 2014), dois temas de cepa romântica, sendo que o último é um samba - lançado em disco pela cantora baiana Jurema no ano passado - que deságua nas águas do Recôncavo Baiano. A viagem de Partir é conduzida pelo produtor Swami Jr. com elegância. A própria Fabiana mantém a suavidade do canto experimentada no disco de 2011. Mas nem por isso abre mão dos floreios operísticos que adornam a interpretação de Entre o mangue o mar (Alzira E e Arruda), inédita canção que tem algo das mornas de Cabo Verde e que, por isso mesmo, se avizinha com a música que a sucede na rota afro-baiana do disco, Chicala (João Cavalcanti), tema baseado no universo musical de Angola. Com narrativa cinematográfica de Paulo César Pinheiro, autor dos versos musicados por Vicente Barreto, a épica Roda de capoeira evoca os afro-sambas dos anos 1960. Na sequência, Le Mali chez la carte invisible (2014) - canção em francês (lançada por Jurema no ano passado) de autoria de Tiganá Santana, compositor baiano de quem Cozza também regrava Mama Kalunga, música que deu título ao recém-lançado quinto álbum da cantora Virginia Rodrigues em gravação de tom mais sublime - poetiza a invisibilidade social da África aos olhos do resto do mundo. Com sua voz "lisa e clara", como conceitua Maria Bethânia no texto do encarte em que saúda Partir, Cozza dá voz ao samba Fim da dança (Vidal Assis e Moyseis Marques) e ao otimismo que rege É do mar (canção menos sedutora de Gisele de Santi). No fim da viagem, Seu moço - parceria de Roberto Mendes com Hermínio Bello de Carvalho, lançada por Mendes em 1996 - conduz Partir a Santo Amaro da Purificação, terra sagrada, um epicentro da baianidade nagô que move Cozza na rota inesperada de seu disco. Citando versos de Chicala, Fabiana Cozza desenterra no CD Partir o ouro da alma afro-brasileira e molda uma joia.
sábado, 23 de maio de 2015
Eis a capa de 'Partir', CD de Cozza saudado por Bethânia em texto no encarte
♪ Com capa que expõe sóbria foto em preto e branco de Stela Handa, o quinto álbum da cantora paulistana Fabiana Cozza, Partir, traz no encarte um texto assinado por ninguém menos do que Maria Bethânia. No texto, a cantora baiana saúda Partir - disco produzido pelo compositor e violonista Swami Jr. - com direito a citação de verso ("Junhos de fumaça e frio") de Genipapo absoluto (1989), música de seu mano Caetano Veloso. Eis o texto em que Bethânia tece loas ao disco - que vai chegar ao mercado fonográfico em junho de 2015 - e às escolhas de Fabiana Cozza:
"Fabiana, seu disco é lindo. Você sempre canta bonito, sempre usando com maestria seu timbre, alcance vocal, apuro nas notas, caprichosa na escolha dos músicos. E mais que tudo isso, eu gosto que você cante a sua música, livre. Só a graça de Deus e suas escolhas. Isso eu sempre vou reverenciar num artista.
Adoro as cantigas escolhidas por você nesse disco, a nudez dos arranjos, onde sua voz passeia lisa e clara. Fico alegre quando ouço Eu não pedi - música com raiz no samba do meu Recôncavo. Que beleza!
E gosto de sentir a lua e a garoa que moram em sua voz sobre a música do meu lugar, aquele onde os fevereiros são de festa e luz, e os "junhos de fumaça e frio". Brava!"
Sua fã, Maria Bethânia
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Roberto Mendes é compositor predominante no quinto CD de Fabiana Cozza
♪ Com lançamento programado para junho de 2015, o quinto CD da cantora paulistana Fabiana Cozza, Partir, alinha 14 músicas em seu repertório. Nada menos do que cinco são assinadas pelo compositor baiano Roberto Mendes (com Cozza na foto postada pela artista em seu Facebook). Mendes assina Orixá (com Jorge Portugal), Teus olhos em mim (com Nizaldo Costa), Não pedi (outra parceria com Nizaldo Costa), Voz guia (com Jorge Portugal) e Seu moço (com Hermínio Bello de Carvalho). Em Partir, disco produzido por Swami Jr., Cozza também dá voz a Velhos de coroa (Sérgio Pererê), Entre o mangue e o mar (Alzira E e Arruda), Chicala (João Cavalcanti), Fim da dança (Vidal Assis com Moyseis Marques) e Mama Kalunga (Tiganá Santana), entre outras músicas.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Cozza debuta como compositora e lança seu quarto álbum de estúdio, 'Partir'
♪ Partir é o título do quarto álbum de estúdio da cantora paulistana Fabiana Cozza. Produzido pelo compositor e violonista Swami Jr., o disco - gravado em 2014 no estúdio 185, em São Paulo (SP) - tem lançamento programado para este ano de 2015, simultaneamente com a estreia da artista no campo da composição. Cozza assina a letra em espanhol de música composta em parceria com Cristiano Cunha em homenagem à cantora cubana Omara Portuondo. Mas essa composição não integra o repertório do álbum Partir, gravado com o violão de Jurandir Santana, o baixo de Marcelo Mariano, a percussão de Felipe Roseno e a bateria de Douglas Alonso. De tom carioca, o último disco de estúdio de Fabiana Cozza - feito com produção de Paulão Sete Cordas - saiu em 2011 por vias independentes.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Cozza finaliza o quarto álbum de estúdio, em SP, com produção de Swami Jr.
♪ A cantora paulistana Fabiana Cozza finalizou no estúdio 185, em São Paulo (SP), a gravação de seu quarto álbum de estúdio. O compositor e violonista Swami Jr. - visto com Cozza na foto tirada no estúdio - é o produtor do CD, que sucede na discografia de estúdio da artista o álbum Fabiana Cozza (Agô Produções, 2011), trabalho em que Cozza pisou no quintal do samba carioca, guiada pelo produtor Paulão Sete Cordas. O quarto disco de Cozza foi gravado com o violão de Jurandir Santana, o baixo de Marcelo Mariano, a percussão de Felipe Roseno e a bateria de Douglas Alonso. Sai em 2015.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Eis a capa de 'Canto sagrado', CD/DVD em que Cozza homenageia Clara
Esta é a (bela) capa de Canto sagrado - Uma homenagem a Clara Nunes, registro ao vivo do show idealizado em 2012 pela cantora paulista Fabiana Cozza para festejar os 70 anos de vida da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983). A gravação ao vivo está sendo lançada neste mês de dezembro de 2013 de forma independente em edição dupla que une CD e DVD (que, além do show, exibe documentário inédito sobre Clara). Após a estreia em agosto de 2012, o show Canto sagrado seguiu em turnê por cidades do Estado de São Paulo e chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em 2013, ano pontuado por saudações à Guerreira por conta dos 30 anos de sua morte, ocorrida em 2 de abril de 1983. O registro ao vivo de Canto sagrado foi feito por Cozza em 2 e 3 de agosto (de 2013), em apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.
domingo, 11 de agosto de 2013
Teatral, belo tributo de Cozza a Clara tem personalidade e escapa do 'cover'
Título: Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes
Artista: Fabiana Cozza (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Sala Baden Powell (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 10 de agosto de 2013
Cotação: * * * *
Já no primeiro dos 21 números do show Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes - um trecho a capella de Senhora das Candeias (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1977) - Fabiana Cozza dá a pista de que vai saudar Clara Nunes (1942 - 1983) sem abrir mão de sua personalidade como intérprete. Tal pista era verdadeira - confirmação obtida já na sequência com a interpretação seca de Tristeza pé no chão (Armando Cavalcanti, 1973). Show idealizado para celebrar os 70 anos de nascimento da cantora mineira, festejados em 12 de agosto de 2012, Canto sagrado chegou ao Rio de Janeiro (RJ) um ano após ter iniciado rota que percorreu a capital e algumas cidades de São Paulo (SP). E o que se viu no palco da Sala Baden Powell, na noite de 10 de agosto de 2013, foi o melhor dentre os vários tributos prestados a Clara neste ano em que se completam 30 anos da precoce saída de cena da Guerreira. De todas as cantoras que decidiram saudar a mineira, a paulista Fabiana Cozza e a baiana Mariene de Castro são as únicas que têm ligação natural com a identidade afro-brasileira de boa parte do repertório de Clara. Mariene tem canto luminoso e incandescente presença cênica, mas se limitou a reviver os maiores sucessos de Clara com a habitual vivacidade no CD e DVD Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes (Universal Music, 2013), geralmente sem se dissociar da matriz. Além de ter ido mais fundo na pesquisa da discografia de Clara, pondo em cena lados B com o descontraído samba Bafo de boca (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975), Cozza imprime teatralidade ao repertório, recorrendo a elementos de dança afro e a entonações e divisões que trazem para o seu universo até os sucessos mais batidos de Clara. É o caso de O mar serenou (Candeia, 1975), samba coreografado por Cozza como se estivesse na areia, na beira do mar, e cantado de início somente sob a marcação das palmas dos músicos e da plateia. A recorrente teatralidade da intérprete realça cada verso da lição de moral dada em Lama (Mauro Duarte, 1976). Linkado no roteiro com Na linha do mar (Paulinho da Viola, 1973), por conta do alvorecer ser imagem presente nas letras dos dois sambas, Deixa clarear (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1981) é a prova de que os tributos a Clara ganham peso quando as cantoras vasculham a discografia da artista para não se restringir a cantar os hits mais óbvios. Nesse sentido, vale saudar também a inclusão no roteiro de Congada (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1981), número em que Cozza dança no passo do ritmo mineiro com o baterista Douglas Alonso. Um tema de domínio público que remete à ancestralidade africana costura Congada e valoriza ainda mais o número já abrilhantado pela dança da cantora com o músico. Na seara baiana, Ijexá (Edil Pacheco, 1982) reitera a personalidade de Cozza em cadência toda própria que foge da interpretação luminosa de Clara. Minha missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1981) é a carta que tem suas intenções sublinhadas em cena pelo canto de Cozza em número em que sobressai o toque do bandolim de Henrique Araújo. Já Novo amor (Chico Buarque, 1982) é ambientado em clima seresteiro, criado a partir da sintonia da voz de Cozza com o violão de Lula Gama, acompanhante solitário da cantora no tema lançado por Clara em seu derradeiro álbum, Nação (Odeon, 1982). O mesmo violão faz com que, de início, o samba-enredo Portela na avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981) seja cantado em feitio de oração, em interpretação que se alinha com a visão - exposta pelo poeta Paulo César Pinheiro na letra - de que o desfile da escola é a procissão do samba. Encorpada pela trama dos tambores urdida pelo percussionista Leo Rodrigues com o baterista Douglas Alonso, A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975) é veículo para a pulsação da veia afro-brasileira de Cozza em momento forte que inclui número de dança. Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974) também faz o santo baixar em cena. Em contrapartida, o Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976) ecoa sem toda sua força. Pequeno detalhe de grande show feito por Cozza sob a direção musical de André Santos com arranjos criados por Santos e Edinho Santana sem colar dos originais. Fabiana Cozza celebra Clara Nunes sem (jamais) deixar de ser Fabiana Cozza.
Cozza saúda no Rio canto mítico de Clara com 'Congada' e 'Bafo de boca'
Samba de Wilson Moreira e Nei Lopes, Deixa clarear foi lançado em 1981 na voz de Clara Nunes (1942 - 1983), mas foi ofuscado no LP Clara (1981) pelo sucesso do samba-enredo Portela na Avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981), tal como Congada (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1981), outra música do penúltimo álbum da cantora mineira. Pois Deixa clarear e Congada reaparecem no roteiro de Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes, show que Fabiana Cozza estreou no Rio de Janeiro (RJ) em apresentação na Sala Baden Powell, em 10 de agosto de 2013 - um ano após a estreia nacional do show em São Paulo (SP). Entre sucessos e lados B da discografia da Guerreira, como o samba Bafo de boca (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975), a cantora paulista interpretou com personalidade 21 músicas do repertório de Clara Nunes. Eis o roteiro seguido por Fabiana Cozza - em foto de Rodrigo Amaral - na estreia carioca do belo show Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes:
1. Senhora das Candeias (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1977) - trecho a capella
2. Tristeza pé no chão (Armando Cavalcanti, 1973)
3. Guerreira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1978)
4. Minha missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1981)
5. Deixa clarear (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1981) /
6. Na linha do mar (Paulinho da Viola, 1973)
- Gravação de Clara Nunes em 1979
7. O mar serenou (Candeia, 1975)
8. Meu sapato já furou (Mauro Duarte e Elton Medeiros, 1974) /
9. Bafo de boca (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1975)
10. Novo amor (Chico Buarque, 1982)
11. Lama (Mauro Duarte, 1986)
12. Pau de arara (Luiz Gonzaga e Guio de Moraes, 1952)
- Gravação de Clara Nunes em 1974
13. Feira de mangaio (Sivuca e Glória Gadelha, 1977)
- Gravação de Clara Nunes em 1979
14. Congada (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1981)
- com citação de tema de domínio público
15. Ijexá (Edil Pacheco, 1982)
16. A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975)
17. Canto das três raças (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1976)
18. Candongueiro (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1978)
19. Portela na avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981)
20. Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974)
Bis:
21. Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973)
- Gravação de Clara Nunes em 1975
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
Cozza vai além do registro de 'Canto sagrado' e documenta obra de Clara
Fabiana Cozza vai fazer hoje e amanhã, 2 e 3 de agosto de 2013, a gravação ao vivo do show Canto sagrado - 70 anos de Clara Nunes em apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP). Mas o DVD não vai se limitar a registrar o show estreado pela intérprete paulista em agosto de 2012 para festejar o 70º aniversário de Clara Nunes (1942 - 1983). Cozza - vista na foto de Stela Handa no ensaio geral da gravação do DVD - prepara também um documentário sobre a obra, o legado e a importância da cantora mineira para incluir no DVD.
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Cozza grava ao vivo em agosto, em São Paulo, o show em tributo a Clara
Fabiana Cozza agendou para 2 e 3 de agosto de 2013 a gravação ao vivo de Canto sagrado, o show que idealizou e estreou em 2012 para celebrar os 70 anos do nascimento da cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983). O registro do espetáculo - em que Cozza dá voz a músicas como Meu sapato já furou (Mauro Duarte, 1974), A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975), Feira de mangaio (Sivuca e Glorinha Gadelha, 1977 e Novo amor (Chico Buarque, 1982) - vai ser feito em apresentações no Auditório Ibirapuera, em São Paulo (SP). Na sequência da gravação, Cozza - em foto de Manoel de Brito - traz o show ao Rio de Janeiro (RJ) em apresentação única agendada para 10 de agosto de 2013 na Sala Baden Powell.
domingo, 3 de março de 2013
Cozza vai registrar ao vivo em São Paulo show em que homenageia Clara
A cantora paulista Fabiana Cozza planeja fazer neste primeiro semestre de 2012, em São Paulo (SP), o registro ao vivo de Canto sagrado, show em que celebra a cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983). Estreado em 2012, o espetáculo foi concebido em saudação aos 70 anos de nascimento da Guerreira, completados em agosto de 2012. No show, Cozza - vista em foto de Manoel de Brito - dá voz a músicas como A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento), Novo amor (Chico Buarque), Feira de mangaio (Sivuca e Glorinha Gadelha) e Meu sapato já furou (Mauro Duarte), entre outras músicas gravadas por Clara entre 1973 e 1982.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Força afro de Cozza 'baixa' no terreiro carioca no show de seu terceiro álbum
Resenha de show
Título: Fabiana Cozza
Artista: Fabiana Cozza (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Solar de Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 7 de dezembro de 2011
Cotação: * * * * 1/2
Título: Fabiana Cozza
Artista: Fabiana Cozza (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Solar de Botafogo (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 7 de dezembro de 2011
Cotação: * * * * 1/2
Sob a direção musical de Paulão Sete Cordas, Fabiana Cozza pisou firme no quintal carioca e abrandou seu canto afro no terceiro disco, Fabiana Cozza, lançado em novembro de 2011. No show de lançamento do CD, apresentado no Rio de Janeiro (RJ) em 7 de dezembro, a cantora paulista exibe as mudanças vocais em alguns números, nos quais se notam também contenções gestuais, mas a força afro de seu canto baixa no palco e, de certa forma, dá o tom do show. Cozza é intérprete calorosa. Domina a arte de cantar, mas não se deixa amarrar numa camisa de força técnica. Desafiando a ditadura do cool, ela segue a trilha da voz e suor. E, quando o santo baixa, como na demolidora leitura do afro-samba Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinicius de Moraes), em que Cozza alterna andamentos e divisões com direito a trechos interpretados a capella, quem vem abaixo é a plateia. No caso, o público que lotou o Teatro Solar de Botafogo para ver a estreia carioca do show dessa cantora-orixá. Sete números depois, acompanhada somente pelo pandeiro do percussionista Douglas Alonso, Cozza quebra tudo em Coisa Feita (João Bosco, Paulo Emilio e Aldir Blanc) em outra interpretação arrasadora. Essa é a Fabiana Cozza a que seu público se habituou a ver em cena. Mas uma outra Fabiana Cozza - de canto mais suave, treinado pelo preparador vocal Felipe Abreu - também baixa em cena com o mesmo rigor estilístico. E o fato é que, ao pisar no quintal carioca, conduzida por Paulão Sete Cordas, Cozza dá voz a joias raras que jaziam esquecidas no baú do samba. Lá Fora (Elton Medeiros e Délcio Carvalho) é uma dessas pepitas que reluzem no palco, abrilhantadas pelas intervenções do clarinete de Nailor Proveta, convidado também do samba-canção Lupiciniana (Wilson das Neves e Nei Lopes). Partido de alto quilate, Sandália Amarela (Wilson Moreira e Nei Lopes) é outro saboroso fruto desse terreiro carioca em que há também a animada Festa do Zé (Sombrinha e Carlinhos Vergueiro). Ao entrar na roda baiana, Cozza ilumina Candeeiro de Deus (Roque Ferreira) com tanta força que o samba - que tem seu ritmo marcado pelas palmas da plateia - que o samba ganha luz adicional. Por ser cantora vocacionada para a cena, aliás, Cozza faz com que seu repertório cresça no palco. Escudo (Wanderley Monteiro e Ivor Lancellotti) já se destacava no disco, mas, em cena, ganha interpretação tão bonita que parece ainda mais inspirado. É o que acontece também com o melodioso samba Eternamente Sempre (Sombrinha e Marquinho PQD). Só que, no palco, o canto de Cozza extrapola o quintal carioca. Toda a latinidade que tempera os afro-sambas da cantora salta aos ouvidos no suingante solo do piano de Edinho Sant'Anna que adorna Xangô te Xinga (Leandro Medina). Com tons e gestuais mais contidos, Cozza dá banho de interpretação neste tema em que se percebe o elo afro que alicerça Santa Bamba (Kiko Dinucci), São Jorge (Kiko Dinucci) - número em que emerge de imediato a força da guerreira cantora - e Le Mali Chez La Carte Invisible, sensível canção em francês do cantor e compositor baiano Tiganá Santana. É a boa surpresa do roteiro ao lado de Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant), tema que se ajusta bem ao tom intenso da cantora. Em contrapartida, ao fazer a Serenata de São Lázaro (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro) somente com o piano do convidado Gilson Peranzzetta, Cozza reitera a impressão - deixada no disco - de que a moldura camerística de Peranzzetta, embora refinada, soa inadequada ao tema. Detalhe de show primoroso que, na estreia carioca, pecou somente pelas excessivas intervenções da plateia, às quais a cantora deu corda, o que prejudicou o timing da apresentação. Ao receber seu pai, o sambista paulista Oswaldo dos Santos, na abertura e no bis, feito com renovada abordagem de O Samba É Meu Dom (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro) na qual voltou à cena o preciso clarinete de Nailor Proveta, Cozza reiterou que pisa no quintal carioca e entra na roda afro-baiana sem deixar de vestir sua própria camisa. É força da natureza!!
Canção em francês feita por baiano é (boa) surpresa do roteiro de Cozza
Canção em francês de autoria de Tiganá Santana, ascendente cantor e compositor baiano que acaba de editar seu álbum Maçalê de forma independente, Le Mali Chez la Carte Invisible é a (boa) surpresa do roteiro do show de lançamento do terceiro disco de Fabiana Cozza. De cunho social, o tema exalta a espiritualidade africana em sintonia com o canto forte da intérprete, mais contido no número para realçar a sensibilidade da canção de Tiganá. Música de Milton Nascimento e Fernando Brant, lançada em 1977 por Elis Regina (1945 - 1982), Caxangá também surpreendeu o público que foi ao Solar de Botafogo em 7 de dezembro de 2011 para conferir a estreia carioca do show da cantora paulista. Eis o roteiro seguido por Cozza - vista numa foto de Mauro Ferreira - na apresentação aplaudida por convidados como Leny Andrade:
1. Solo Sagrado (Julio Marcos e Xuxu) /
Narainã (Alvorada dos Pássaros) (Ideval Anselmo, Jordão e Zecão) - com Oswaldo dos Santos
2. São Jorge (Kiko Dinucci)
3. Eternamente Sempre (Sombrinha e Marquinho PQD)
4. Escudo (Wanderley Monteiro e Ivor Lancellotti)
5. Sandália Amarela (Wilson Moreira e Nei Lopes)
6. Candeeiro de Deus (Roque Ferreira)
7. Festa do Zé (Sombrinha e Carlinhos Vergueiro)
8. Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinicius de Moraes)
9. Lupiciniana (Wilson das Neves e Nei Lopes) - com Nailor Proveta
10. Lá Fora (Elton Medeiros e Délcio Carvalho) - com Nailor Proveta
11. Le Mali Chez La Carte Invisible (Tiganá Santana)
12. Xangô te Xinga (Leandro Medina)
13. Santa Bamba (Kiko Dinucci)
14. Serenata de São Lázaro (Gilson Peranzzetta e Paulo César Pinheiro) - com Gilson Peranzzetta
15. Coisa Feita (João Bosco, Paulo Emílio e Aldir Blanc)
16. Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant)
Bis:
17. O Samba É Meu Dom (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro) - com Oswaldo dos Santos
Cozza faz sua 'Serenata de São Lázaro' com Peranzzetta em show no Rio
Fabiana Cozza contou com a participação especial do pianista e maestro Gilson Peranzzetta na estreia carioca do show de lançamento de seu terceiro álbum. Convidado da apresentação que lotou o Solar de Botafogo (RJ) na noite de 7 de dezembro de 2011, Peranzzetta - visto com a cantora na foto de Mauro Ferreira - entrou em cena para fazer a Serenata de São Lázaro, tema que compôs em parceria com Paulo César Pinheiro e que arranjou para o disco Fabiana Cozza, lançado em novembro. Sozinho em cena com a intérprete, Peranzzetta apresentou seu inusitado arranjo camerístico para a música que enfileira símbolos das religiões afro-brasileiras.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Cozza 'veste a camisa' do pai, Oswaldo, no show de seu terceiro álbum
Fabiana Cozza entrou na roda com seu pai, Oswaldo dos Santos, nome ligado à história da escola de samba Camisa Verde e Branco, uma das mais tradicionais do Carnaval de São Paulo (SP). A herança familiar e essa tradição são celebradas pela cantora no show de lançamento de seu terceiro CD, Fabiana Cozza (2011). Na abertura do show, que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em apresentação que lotou o Solar de Botafogo na noite de 7 de dezembro de 2011, Fabiana veste a camisa de Oswaldo, com quem abre o show. Após introdução com Solo Sagrado (Julio Marcos e Xuxu), Fabiana entra no palco para cantar Narianã (Alvorada dos Pássaros) (Ideval Anselmo, Jordão e Zecão), número em que recebe seu pai. No fim, já no bis, Oswaldo - visto com Cozza na foto de Mauro Ferreira - reaparece em cena para fazer número em O Samba É Meu Dom (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro). Camisa cai bem em Cozza.
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