quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

'In Our Own Time' reconta história dos Bee Gees sem adicional relevante

Resenha de DVD
Título: In Our Own Time
Artista: Bee Gees
Gravadora: Eagle / ST2
Cotação: * * *

Em 2001, quando já contabilizava 42 anos de carreira iniciada em 1959 na Austrália, o grupo Bee Gees contou sua trajetória emblemática no universo pop em documentário editado no DVD This Is Where I Came in. Primoroso, o filme foi batizado com o título do que viria a ser o último álbum do trio. A morte repentina de Maurice Gibb (1949 - 2003), em 12 de janeiro de 2003, pôs fim a uma história que Barry e Robin Gibb decidiram retomar como dupla em 2009 e que ainda vai originar um filme de ficção a ser produzido em Hollywood. Dez anos depois da edição de This Is Where I Came in - A História Oficial dos Bee Gees (2010), a ST2 lança no mercado brasileiro In Our Own Time (2010) outro DVD que reconta a história dos Bee Gees na forma de documentário. Apesar de In Our Own Time obviamente já abordar a morte de Maurice Gibb, o fato é que o documentário atual nada acrescenta de relevante ao que já foi contado. Ao contrário, se havia em This Is Where I Came in  salutar diversidade de depoimentos, In Our Own Time é conduzido basicamente por longa entrevista de Barry e Robin. As falas de Maurice, embora não inéditas, também ajudam a contar a história. Tudo que é dito é respaldado por cenas de apresentações do grupo em programas de TV, filmes caseiros, trechos de clipes e números de shows. O material de arquivo destaca takes de estúdio que flagram os Bee Gees durante a gravação de Tragedy - sucesso do álbum Spirits Having Flown (1979) - e no encontro com Celine Dion no registro original de Immortality, a bela canção de 1997 que ajudou a impulsionar as vendas astronômicas do álbum Let's Talk About Love, lançado pela cantora canadense naquele ano. Mesmo soando déjà vu, In Our Own Time é filme que prende a atenção porque a história dos Bee Gees é cheia de altos, baixos e lances surpreendentes no jogo da indústria do disco. Nos anos 60, eles eram garotos que conquistaram a Inglaterra e os Estados Unidos - e, por tabela, o mundo - com suas canções melodiosas, como I Started a Joke (1968), e seus vocais que harmonizavam com maestria as vozes agudas de Barry e Robin, os melhores cantores do trio. Em meados dos anos 70, após amargar breve período no ostracismo, os irmãos Gibb se reinventaram - sob a batuta do produtor Arif Mardin (1932 - 2006) - ao redirecionar suas vozes para os ritmos negros. Começava a nascer ali a música dançante que faria o som dos irmãos Gibb se tornar a febre de sábado à noite - e dos outros seis dias da semana - quando John Travolta, travestido de Tony Manero, rodopiou nas pistas ao som dos incendiários temas fornecidos pelo grupo para a trilha sonora do filme Os Embalos de Sábado a Noite (1977). Seguiu-se um álbum arrasador, Spirits Having Flown (1979), que manteve os Bee Gees no topo até que, vítimas dos efeitos colaterais da superexposição, os irmãos Gibb se refugiaram nos bastidores para criar hits para cantoras como Dionne Warwick e Dolly Parton. Como In Our Own Time reconta a história sob ótica oficial, o filme omite o fato de que o grupo também contribuiu para esse período de baixa ao apresentar em 1981 um dos álbuns menos inspirados de sua carreira, Living Eyes (1981), hoje um dos títulos mais raros da discografia do trio. A recuperação, em proporções menores, viria somente em 1987 com E.S.P. - álbum que rendeu ao grupo o hit You Win Again. Na sequência, sucessos espaçados mantiveram os Bee Gees em cena. A febre passou, mas a música do trio ficou na História. Entre altos e baixos, os Bee Gees são donos de um dos cancioneiros mais sedutores de todo o universo pop. Já devidamente reconhecido, o legado do irmãos Gibb é tão rico que justifica até um DVD a rigor redundante como In Our Own Time.

3 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Em 2001, quando já contabilizava 42 anos de carreira iniciada em 1959 na Austrália, o grupo Bee Gees contou sua trajetória emblemática no universo pop em documentário editado no DVD This Is Where I Came in. Primoroso, o filme foi batizado com o título do que viria a ser o último álbum do trio. A morte repentina de Maurice Gibb (1949 - 2003), em 12 de janeiro de 2003, pôs fim a uma história que Barry e Robin Gibb decidiram retomar como dupla em 2009 e que ainda vai originar um filme de ficção a ser produzido em Hollywood. Dez anos depois da edição de This Is Where I Came in - A História Oficial dos Bee Gees (2010), a ST2 lança no mercado brasileiro In Our Own Time (2010) outro DVD que reconta a história dos Bee Gees na forma de documentário. Apesar de In Our Own Time obviamente já abordar a morte de Maurice Gibb, o fato é que o documentário atual nada acrescenta de relevante ao que já foi contado. Ao contrário, se havia em This Is Where I Came in salutar diversidade de depoimentos, In Our Own Time é conduzido basicamente por longa entrevista de Barry e Robin. As falas de Maurice, embora não inéditas, também ajudam a contar a história. Tudo que é dito é respaldado por cenas de apresentações do grupo em programas de TV, filmes caseiros, trechos de clipes e números de shows. O material de arquivo destaca takes de estúdio que flagram os Bee Gees durante a gravação de Tragedy - sucesso do álbum Spirits Having Flown (1979) - e no encontro com Celine Dion no registro original de Immortality, a bela canção de 1997 que ajudou a impulsionar as vendas astronômicas do álbum Let's Talk About Love, lançado pela cantora canadense naquele ano. Mesmo soando déjà vu, In Our Own Time é filme que prende a atenção porque a história dos Bee Gees é cheia de altos, baixos e lances surpreendentes no jogo da indústria do disco. Nos anos 60, eles eram garotos que conquistaram a Inglaterra e os Estados Unidos - e, por tabela, o mundo - com suas canções melodiosas, como I Started a Joke (1968), e seus vocais que harmonizavam com maestria as vozes agudas de Barry e Robin, os melhores cantores do trio. Em meados dos anos 70, após amargar breve período no ostracismo, os irmãos Gibb se reinventaram - sob a batuta do produtor Arif Mardin (1932 - 2006) - ao redirecionar suas vozes para os ritmos negros. Começava a nascer ali a música dançante que faria o som dos irmãos Gibb se tornar a febre de sábado à noite - e dos outros seis dias da semana - quando John Travolta, travestido de Tony Manero, rodopiou nas pistas ao som dos incendiários temas fornecidos pelo grupo para a trilha sonora do filme Os Embalos de Sábado a Noite (1977). Seguiu-se um álbum arrasador, Spirits Having Flown (1979), que manteve os Bee Gees no topo até que, vítimas dos efeitos colaterais da superexposição, os irmãos Gibb se refugiaram nos bastidores para criar hits para cantoras como Dionne Warwick e Dolly Parton. Como In Our Own Time reconta a história sob ótica oficial, o filme omite o fato de que o grupo também contribuiu para esse período de baixa ao apresentar em 1981 um dos álbuns menos inspirados de sua carreira, Living Eyes (1981), hoje um dos títulos mais raros da discografia do trio. A recuperação, em proporções menores, viria somente em 1987 com E.S.P. - álbum que rendeu ao grupo o hit You Win Again. Na sequência, sucessos espaçados mantiveram os Bee Gees em cena. A febre passou, mas a música do trio ficou na História. Entre altos e baixos, os Bee Gees são donos de um dos cancioneiros mais sedutores de todo o universo pop. Já devidamente reconhecido, o legado do irmãos Gibb é tão rico que justifica até um DVD a rigor redundante como In Our Own Time.

Luca disse...

os caras são duca. se pegar todos os sucessos deles, não cabe em dois discos.

Claudio BR GIBB disse...

Parabéns pelo texto, é difícil encontrar quem comente Bee Gees com conhecimento e propriedade. Caso goste do assunto, convido-o a conhecer o blog Museu Bee Gees (www.beegeesnet.blogspot.com) e a lista de discussões BR GIBB (tem um link no blog).