Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


terça-feira, 6 de outubro de 2015

Roberta Campos segue seu caminho de afeto no quarto CD com passo linear

Resenha de CD
Título: Todo caminho é sorte
Artista: Roberta Campos
Gravadora: Deck
Cotação: * * * 1/2

Produtor associado a discos de rock pesado, Rafael Ramos percorre com habilidade o afetuoso trilho pop folk que pauta o caminho musical de Roberta Campos ao formatar o quarto álbum da artista mineira. Em Todo caminho é sorte, a cantora e compositora segue sua trilha autoral de afeto com passos lineares, sem querer impressionar ou pegar atalhos que, no caso, poderiam soar modernosos. No disco produzido por Ramos, Campos apresenta boa coleção de doces canções que versam sobre amor (e eventualmente a falta dele) e sobre natureza em clima zen, positivo. Uma ou outra canção pode até ter cordas arranjadas pelo maestro Otávio de Moraes, caso de Libélula (Roberta Campos), mas é o violão da própria Roberta que geralmente a conduz por esse caminho natural, como já sinalizara o single Ensaio sobre o amor (Roberta Campos) e como mostra No tempo certo das horas (Roberta Campos e Danilo Oliveira), canção que parece sair de uma caixinha de música por conta do toque do vibrafone de Jota Moraes. Por mais que a artista trilhe seu caminho com passos lineares, no tempo de uma delicadeza que parece uniforme, o álbum tem seus encantos. Um dos maiores é Amiúde (Roberta Campos), bela canção de interpretação dividida pela autora com Marcelo Camelo, cantor que também tem se embrenhado por trilhas de atmosfera zen em sua discografia solo. Amiúde é valorizada no registro não somente pela voz de Camelo, mas também pela presença de Marcelo Jeneci, que toca piano, cravo, órgão de tubo e synths na faixa sem deixar a canção perder a cara do som de Roberta. Muitas canções da lavra mineiríssima da compositora falam de sol e / ou céu, como Porta retrato (Roberta Campos), Minha felicidade (Roberta Campos e Danilo Oliveira) - canção pontuada na gravação do disco pelo lap steel de Christiaan Oyens - e Pra morrer de amor (Roberta Campos). Dentro desse universo, a lembrança de Casinha branca - canção de Gilson Vieira e Joran que fez sucesso nacional na voz de Gilson em 1979, propagada na trilha sonora da novela Marrom glacê, exibida pela TV Globo naquele ano - se ajusta com perfeição ao repertório autoral de Roberta Campos. Como há pouca variação entre as canções, Todo caminho é sorte até soa repetitivo lá pelo meio em faixas como Pro dia que chega (Roberta Campos) - ainda que haja quase sempre um ou outro toque diferenciado no arranjo, como a caixa do Divino tocada pelo produtor Rafael Ramos em Abra a porta (Roberta Campos). Mas, no todo, o resultado do álbum - no qual Campos abre parceria com Fernanda Takai em Abrigo, canção que apregoa o lado bom da solidão após um amor desfeito - é envolvente para o público que gosta de melódicas canções de amor. Os passos musicais de Roberta Campos nunca são tortos. Todo caminho é sorte é mais um passo linear - mas firme em sua paradoxal suavidade e dado sem sobressaltos - na estrada ensolarada e amorosa seguida pela artista de janeiro a janeiro.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Produtor associado a discos de rock pesado, Rafael Ramos percorre com habilidade o afetuoso trilho pop folk que pauta o caminho musical de Roberta Campos ao formatar o quarto álbum da artista mineira. Em Todo caminho é sorte, a cantora e compositora segue sua trilha autoral de afeto com passos lineares, sem querer impressionar ou pegar atalhos que, no caso, poderiam soar modernosos. No disco produzido por Ramos, Campos apresenta boa coleção de doces canções que versam sobre amor (e eventualmente a falta dele) e sobre natureza em clima zen, positivo. Uma ou outra canção pode até ter cordas arranjadas pelo maestro Otávio de Moraes, caso de Libélula (Roberta Campos), mas é o violão da própria Roberta que geralmente a conduz por esse caminho natural, como já sinalizara o single Ensaio sobre o amor (Roberta Campos) e como mostra No tempo certo das horas (Roberta Campos e Danilo Oliveira), canção que parece sair de uma caixinha de música por conta do toque do vibrafone de Jota Moraes. Por mais que a artista trilhe seu caminho com passos lineares, no tempo de uma delicadeza que parece uniforme, o álbum tem seus encantos. Um dos maiores é Amiúde (Roberta Campos), bela canção de interpretação dividida pela autora com Marcelo Camelo, cantor que também tem se embrenhado por trilhas de atmosfera zen em sua discografia solo. Amiúde é valorizada no registro não somente pela voz de Camelo, mas também pela presença de Marcelo Jeneci, que toca piano, cravo, órgão de tubo e synths na faixa sem deixar a canção perder a cara do som de Roberta. Muitas canções da lavra mineiríssima da compositora falam de sol e / ou céu, como Porta retrato (Roberta Campos), Minha felicidade (Roberta Campos e Danilo Oliveira) - canção pontuada na gravação do disco pelo lap steel de Christiaan Oyens - e Pra morrer de amor (Roberta Campos). Dentro desse universo, a lembrança de Casinha branca - canção de Gilson Vieira e Joran que fez sucesso nacional na voz de Gilson em 1979, propagada na trilha sonora da novela Marrom glacê, exibida pela TV Globo naquele ano - se ajusta com perfeição ao repertório autoral de Roberta Campos. Como há pouca variação entre as canções, Todo caminho é sorte até soa repetitivo lá pelo meio em faixas como Pro dia que chega (Roberta Campos) - ainda que haja quase sempre um ou outro toque diferenciado no arranjo, como a caixa do Divino tocada pelo produtor Rafael Ramos em Abra a porta (Roberta Campos). Mas, no todo, o resultado do álbum - no qual Campos abre parceria com Fernanda Takai em Abrigo, canção que apregoa o lado bom da solidão após um amor desfeito - é envolvente para o público que gosta de melódicas canções de amor. Os passos musicais de Roberta Campos nunca são tortos. Todo caminho é sorte é mais um passo linear - mas firme em sua paradoxal suavidade e dado sem sobressaltos - na estrada ensolarada e amorosa seguida pela artista de janeiro a janeiro.

Rafael M. disse...

Capa simples e linda, adoro a Roberta, assim como a Fernanda Takai, tem uma das vozes mais lindas e doces de toda a MPB.

O blog disse...

Roberta é fantástica! Sua voz doce e seu repertório sempre me fascinaram. Já escutei o CD no Itunes e adorei. Ansioso pra comprar logo o meu. Recomendadíssimo!

[rafael ribeiro] disse...

...sei lá...cantora que nunca me chamou atenção!