Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


sábado, 3 de outubro de 2015

Orlando Silva - cantor que hoje faria 100 anos - continua grande por seu auge

O carioca Orlando Garcia da Silva (3 de outubro de 1915 - 7 de agosto de 1978) poderia ter sido mais um Silva na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Mas não foi. Orlando Silva - que completaria 100 anos neste sábado, 3 de outubro de 2015 - venceu como cantor (após trabalhar como operário e trocador de ônibus) e se fez ouvir em todo o Brasil. E, como cantor, Orlando conseguiu ser grande o suficiente para estar sendo saudado hoje na mídia nacional por conta do centenário de seu nascimento. Mas a grandeza de Orlando Silva, como cantor, reside no seu curto período áureo, que vai de 1935 a 1942. Não por acaso, as 18 músicas selecionadas pelo cantor cearense Zé Guilherme para o disco Abre a janela - Zé Guilherme canta Orlando Silva - único tributo fonográfico aos 100 anos de nascimento do intérprete - foram gravadas por Orlando nessa irretocável fase inicial. No seu apogeu, Orlando Silva fez história com sua voz de belo timbre, uma afinação impecável e uma técnica exemplar de respiração. A ponto de ter ganhado a admiração de João Gilberto, o baiano bossa nova que iria revolucionar a música brasileira e o próprio conceito de canto a partir de 1958. Em tese, Orlando e João transitavam por universos musicais distintos. Mas Orlando, como João, tinha a capacidade de interpretar sem fazer drama. Seu repertório - que incluía valsas, sambas, foxes, serestas e sambas-canção - até podia ser melodramático. Contudo, na voz de Orlando Silva, toda melodia sentimental soava natural. Problemas com drogas como a morfina, agravados a partir de meados da década de 1940, empanaram o brilho da voz de Orlando. Mas o cantor que, no auge de forma vocal, lançou músicas como Aos pés da cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda, 1942), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, 1937) - apresentando a letra escrita por Braguinha (1907-2006) para a melodia do choro-canção de Pixinguinha (1897-1973) - e Lábios que beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo, 1937) continua grande, imortal, na memória musical nacional.

7 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ O carioca Orlando Garcia da Silva (3 de outubro de 1915 - 7 de agosto de 1978) poderia ter sido mais um Silva na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Mas não foi. Orlando Silva - que completaria 100 anos neste sábado, 3 de outubro de 2015 - venceu como cantor (após trabalhar como operário e trocador de ônibus) e se fez ouvir em todo o Brasil. E, como cantor, Orlando conseguiu ser grande o suficiente para estar sendo saudado hoje na mídia nacional por conta do centenário de seu nascimento. Mas a grandeza de Orlando Silva, como cantor, reside no seu curto período áureo, que vai de 1935 a 1942. Não por acaso, as 18 músicas selecionadas pelo cantor cearense Zé Guilherme para o disco Abre a janela - Zé Guilherme canta Orlando Silva - único tributo fonográfico aos 100 anos de nascimento do intérprete - foram gravadas por Orlando nessa irretocável fase inicial. No seu apogeu, Orlando Silva fez história com sua voz de belo timbre, uma afinação impecável e uma técnica exemplar de respiração. A ponto de ter ganhado a admiração de João Gilberto, o baiano bossa nova que iria revolucionar a música brasileira e o próprio conceito de canto a partir de 1958. Em tese, Orlando e João transitavam por universos musicais distintos. Mas Orlando, como João, tinha a capacidade de interpretar sem fazer drama. Seu repertório - que incluía valsas, sambas, foxes, serestas e sambas-canção - até podia ser melodramático. Contudo, na voz de Orlando Silva, toda melodia sentimental soava natural. Problemas com drogas como a morfina, agravados a partir de meados da década de 1940, empanaram o brilho da voz de Orlando. Mas o cantor que, no auge de forma vocal, lançou músicas como Aos pés da cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda, 1942), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, 1937) - apresentando a letra escrita por Braguinha (1907-2006) para a melodia do choro-canção de Pixinguinha (1897-1973) - e Lábios que beijei (J. Cascata e Leonel Azevedo, 1937) continua grande, imortal, na memória musical nacional.

Rafael M. disse...

Grande Orlando. Grande cantor, desses que fazem uma falta tremenda ao cenário musical brasileiro. Estou muito curioso para ouvir esse tributo a ele feito pelo Zé Guilherme.

Clayton Moreira disse...

Belo texto! Parabéns, Mauro! Parabéns, Orlando!

Roberto de Brito disse...

Merecida homenagem ao "cantor das multidões"!

Luca disse...

Ninguém lembra de Orlando Silva hoje em dia porque a maioria de seus fãs na época já morreu ou caducou

ADEMAR AMANCIO disse...

O cantor que mais influenciou o João Gilberto foi Orlando Silva,e não o Mario Reis,como querem alguns.

Rafael M. disse...

Já tenho o disco do Zé Guilherme dedicado ao grande Orlando Silva e posso afirmar que o mesmo é maravilhoso...