sábado, 30 de junho de 2012

Com paixão e lirismo, Wood expõe na tela alma e obra intensas de Parra

Resenha de filme
Título: Violeta Foi Para o Céu (Argentina, Chile e Brasil, 2011)
Direção: Andrés Wood
Roteiro: Eliseo Altunaga
Cotação: * * * *
Em cartaz em junho e julho de 2012 nos cinemas do Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP)

Consta que alguns familiares de Violeta Parra (1917 - 1967) ficaram descontentes com o filme Violeta Foi Para o Céu, longa-metragem em que o cineasta chileno Andrés Wood expõe na tela - com estilo e certo lirismo - a música e a alma complexa de uma das mais emblemáticas cantoras e compositoras de seu país. Com sua música de inspiração folclórica e natureza tão poética quanto combativa, Parra atravessou as fronteiras do Chile e conquistou parte do mundo - ainda que no Brasil, a rigor, a artista seja conhecida somente por conta de gravações de suas duas músicas mais famosas, Gracias a La Vida e Volver a Los 17, propagadas em vozes como as de Elis Regina (1945 - 1982), Mercedes Sosa (1935 - 2009) e  Zizi Possi. Também artista plástica, Parra é interpretada de forma excepcional no filme por Francisca Gavilán, convincente até quando canta os temas da compositora, autora de joias como En los Jardines Humanos e El Gavilán. Pouco linear, a narrativa vai e volta no tempo para mostrar as conquistas e as turbulências emocionais de uma mulher movida a paixão pela sua música e pelos homens de sua vida. A baixa autoestima no campo afetivo - fator que expandiria a melancolia e a desilusão que levaram Parra ao suicídio, aos 50 anos - é retratada sem ranços sentimentais ou folhetinescos no roteiro urdido por Eliseo Altunaga com base em biografia assinada por filho da artista, Ángel Parra. Por não se prender à cronologia dos fatos, o roteiro de Violeta Foi Para o Céu é costurado por entrevista concedida por Parra a uma emissora de TV. Só que Woods não se deixa aprisionar por esse recurso já óbvio e apresenta um filme embebido em poesia e atrelado a uma visão um tanto subjetiva da personagem. Contudo, essa  visão pessoal não faz o diretor perder o foco da personalidade valente da artista. Sem glorificar ou vitimizar Parra, o filme expõe em narrativa por vezes lírica as contradições e a luta da compositora para se impor no mundo. Violeta Foi Para o Céu é filme tão intenso e apaixonado quanto a alma e a música de Violeta Parra. O que explica os descontentamentos...

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Consta que alguns familiares de Violeta Parra (1917 - 1967) ficaram descontentes com o filme Violeta Foi Para o Céu, longa-metragem em que o cineasta chileno Andrés Wood expõe na tela - com estilo e certo lirismo - a música e a alma complexa de uma das mais emblemáticas cantoras e compositoras de seu país. Com sua música de inspiração folclórica e natureza tão poética quanto combativa, Parra atravessou as fronteiras do Chile e conquistou parte do mundo - ainda que no Brasil, a rigor, a artista seja conhecida somente por conta de gravações de suas duas músicas mais famosas, Gracias a La Vida e Volver a Los 17, propagadas em vozes como as de Elis Regina (1945 - 1982), Mercedes Sosa (1935 - 2009) e Zizi Possi. Também artista plástica, Parra é interpretada de forma excepcional no filme por Francisca Gavilán, convincente até quando canta os temas da compositora, autora de joias como En los Jardines Humanos e El Gavilán. Pouco linear, a narrativa vai e volta no tempo para mostrar as conquistas e as turbulências emocionais de uma mulher movida a paixão pela sua música e pelos homens de sua vida. A baixa autoestima no campo afetivo - fator que expandiria a melancolia e a desilusão que levaram Parra ao suicídio, aos 50 anos - é retratada sem ranços sentimentais ou folhetinescos no roteiro urdido por Eliseo Altunaga com base em biografia assinada por filho da artista, Ángel Parra. Por não se prender à cronologia dos fatos, o roteiro de Violeta Foi Para o Céu é costurado por entrevista concedida por Parra a uma emissora de TV. Só que Woods não se deixa aprisionar por esse recurso já óbvio e apresenta um filme embebido em poesia e atrelado a uma visão um tanto subjetiva da personagem. Contudo, essa visão pessoal não faz o diretor perder o foco da personalidade valente da artista. Sem glorificar ou vitimizar Parra, o filme expõe em narrativa por vezes lírica as contradições e a luta da compositora para se impor no mundo. Violeta Foi Para o Céu é filme tão intenso e apaixonado quanto a alma e a música de Violeta Parra. O que explica os descontentamentos...

Eduado Mezzonato disse...

Filme magnífico! Pena que grande parte dos brasileiros a desconhecem. Alguns até sabem de suas músicas, mas acham que são da Mercedes Sosa. E eu como ando na frente, quando fui ao Chile, tratei logo de comprar o meu. Recomendo.

Luca disse...

Essas duas músicas citadas no texto são boas, mas ela tem outras tão boas assim? ou ficou só nesses sucessos?

Valente disse...

Acho legal demais você fazer resenhas sobre filmes que tem a ver com música. Muito obrigado. Abraços.

Caio Faiad disse...

lindo esse filme