Mauro Ferreira no G1

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Disco com gravações de Amy na BBC deixa entrever declínio da cantora

Resenha de CD e DVD
Título: Amy Winehouse at the BBC
Artista: Amy Winehouse
Gravadora: Island Records / Universal Music
Cotação: * * *

Por mais que haja valor nas gravações ao vivo feitas por Amy Winehouse (1983 - 2011) para programas e eventos produzidos pelas emissoras de rádio e TV BBC (e esse valor é alto porque leva em conta o talento imensurável da cantora inglesa), nada tira o caráter oportunista desse Amy Winehouse at the BBC (2012). Trata-se de produto idealizado para lucrar em cima da saudade deixada pela artista e que chega ao Brasil em edição dupla que junta CD e DVD (há edição mais alentada, com mais dois DVDs, disponibilizada para venda somente no Exterior). A rigor, o CD toca mais do mesmo - com a ressalva de que esse mesmo se encontra entre o que de melhor se produziu na indústria da música no século XXI. O CD enfileira 14 gravações ao vivo captadas entre 2004 e 2009. Já o DVD Arena: Winehouse - The day she came to dingle é um documentário em torno da produção de Amy na BBC no qual são exibidos registros ao vivo de seis músicas, das quais somente duas - Back to black (Amy Winehouse e Mark Ronson, 2006) e Me & Mr. Jones (Amy Winehouse, 2006) - não figuram na seleção do CD. Por mais que seja oportunista, Amy Winehouse at the BBC pode ser encarado como o CD ao vivo que Amy não chegou a ter tempo de gravar. Afinal, o registro de show exibido no único DVD oficial da cantora, I told you i was a trouble - Amy Winehouse live in London (2007), nunca foi editado no formato de CD. Seja como for, salta aos ouvidos na seleção de Amy Winehouse at the BBC o declínio da artista por conta no mergulho nas drogas e no álcool que a faria afundar até sair precocemente de cena. É fato que Amy teve momentos de brilho até o fim - como atesta sua última gravação oficial, Body and soul (Johnny Green, Edward Heyman, Robert Sour e Frank Eyton, 1930), feita em março de 2011 para álbum de duetos de Tony Bennett - mas é fato também que o abuso das drogas e do álcool afetou suas performances no palco. Amy Winehouse at the BBC deixa entrever essa negativa e progressiva interferência externa na qualidade das interpretações de Amy. A cantora que dá voz vigorosa a quatro músicas de seu primeiro álbum Frank (2003) em eventos de 2004 - entre elas, Fuck me pumps e In my bed, parcerias de Amy com o produtor Salaam Remi - tem muito mais vida do que a intérprete já titubeante que entoa Love is a losing game (Amy Winehouse, 2006) no programa de Jools Holland. Declínios à parte, números como October song (Amy Winehouse, Matt Rowe e Stefan Skarbek) captam uma Amy mais próxima do universo jazzístico, algo comum em Frank, mas talvez até surpreendente para a multidão que se deixou seduzir pela cantora a partir de seu segundo derradeiro álbum, Back to black (2006). Afinal, é para essa multidão de fãs saudosos que Amy Winehouse at the BBC foi posto nas lojas, acionando a lucrativa indústria da saudade.

4 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Por mais que haja valor nas gravações ao vivo feitas por Amy Winehouse (1983 - 2011) para programas e eventos produzidos pelas emissoras de rádio e TV BBC (e esse valor é alto porque leva em conta o talento imensurável da cantora inglesa), nada tira o caráter oportunista desse Amy Winehouse at the BBC (2012). Trata-se de produto idealizado para lucrar em cima da saudade deixada pela artista e que chega ao Brasil em edição dupla que junta CD e DVD (há edição mais alentada, com mais dois DVDs, disponibilizada para venda somente no Exterior). A rigor, o CD toca mais do mesmo - com a ressalva de que esse mesmo se encontra entre o que de melhor se produziu na indústria da música no século XXI. O CD enfileira 14 gravações ao vivo captadas entre 2004 e 2009. Já o DVD Arena: Winehouse - The Day She Came to Dingle é um documentário em torno da produção de Amy na BBC no qual são exibidos registros ao vivo de seis músicas, das quais somente duas - Back to Black (Amy Winehouse e Mark Ronson, 2006) e Me & Mr. Jones (Amy Winehouse, 2006) - não figuram na seleção do CD. Por mais que seja oportunista, Amy Winehouse at the BBC pode ser encarado como o CD ao vivo que Amy não chegou a ter tempo de gravar. Afinal, o registro de show exibido no único DVD oficial da cantora, I Told You I Was a Trouble - Amy Winehouse Live in London (2007), nunca foi editado no formato de CD. Seja como for, salta aos ouvidos na seleção de Amy Winehouse at the BBC o declínio da artista por conta no mergulho nas drogas e no álcool que a faria afundar até sair precocemente de cena. É fato que Amy teve momentos de brilho até o fim - como atesta sua última gravação oficial, Body and Soul (Johnny Green, Edward Heyman, Robert Sour e Frank Eyton, 1930), feita em março de 2011 para álbum de duetos de Tony Bennett - mas é fato também que o abuso das drogas e do álcool afetou suas performances no palco. Amy Winehouse at the BBC deixa entrever essa negativa e progressiva interferência externa na qualidade das interpretações de Amy. A cantora que dá voz vigorosa a quatro músicas de seu primeiro álbum Frank (2003) em eventos de 2004 - entre elas, Fuck me Pumps e In My Bed, parcerias de Amy com o produtor Salaam Remi - tem muito mais vida do que a intérprete já titubeante que entoa Love Is a Losing Game (Amy Winehouse, 2006) no programa de Jools Holland. Declínios à parte, números como October Song (Amy Winehouse, Matt Rowe e Stefan Skarbek) captam uma Amy mais próxima do universo jazzístico, algo comum em Frank, mas talvez até surpreendente para a multidão que se deixou seduzir pela cantora a partir de seu segundo derradeiro álbum, Back to Black (2006). Afinal, é para essa multidão de fãs saudosos que Amy Winehouse at the BBC foi posto nas lojas, acionando a lucrativa indústria da saudade.

Maria disse...

Oportunismos a parte, até hoje lamento a perda prematura dessa grande cantora.
Ela tinha muito mais para mostrar mas infelizmente, o maldito uso das drogas ilícitas e do álcool não deixaram.

Anônimo disse...

"Veja o poeta inspirado em coca cola que poesia mais sem graça ele iria expressar"

Raul Seixas

PS: A linha entre maldito e bendito é muito tênue, Maria.
Isso é, quando há.

Unknown disse...

Daqui um tempo vcs vão ver,vão lançar no Brasil a edição com 3 dvd´s e um cd a venda somente no exterior,vou esperar pra não ficar com coisa igual.