Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 4 de março de 2014

Em DVD, o bloco de Preta Gil segue ritmos e astros populares sem empolgar

Resenha de CD e DVD
Título: Bloco da Preta
Artista: Preta Gil
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * 

 A caminho dos 40 anos, a serem completados em 8 de agosto de 2014, Preta Gil já conquistou seu nicho no mercado comum da música. Quando a cantora e compositora carioca interrompe o show captado ao vivo em apresentação no Citibank Hall do Rio de Janeiro (RJ) para agradecer ao seu público por ter lhe aberto as portas do sucesso, o afago nos fãs soa sincero. Ao pôr o Bloco da Preta na rua, em DVD e CD ao vivo lançados pela Sony Music, a filha de Gilberto Gil sabe que conta mesmo somente com o público que conquistou a partir do show-evento Noite preta. No palco, Preta compensa a total falta de vocação para o canto com seu carisma e com sua espontaneidade. Sua habilidade para se comunicar com o (seu) público salta aos olhos e ouvidos ao longo da gravação ao vivo - feita em 23 de outubro de 2013 sob a direção de Fabiana Winits - que resultou no CD e DVD Bloco da Preta. Em DVD, o bloco segue obviamente sem a animação e a empolgação das ruas da cidade do Rio de Janeiro (RJ), aonde arrastou multidões no Carnaval de 2014. O baticum dominante nos arranjos, as coreografias executadas pela artista com seu corpo de bailarinos e a presença de convidados populares (Anitta, Ivete Sangalo, Lulu Santos e Thiaguinho, entre outros) esboçam clima carnavalizante sem fazer o show realmente cair para valer na folia, embora o roteiro recorra a hits infalíveis da axé music (Milla, entre outros), do samba (Vou festejar) e do cancioneiro de Jorge Ben Jor (País tropical, 1969). Nesse seu segundo registro de show, Preta Gil rebobina  sucessos que lhe foram fornecidos pela compositora mineira Ana Carolina, Sinais de fogo (2003 - com imagens incandescentes projetadas no telão) e Stereo (2009), ambos cantados em coro pelo público. Mas, acima de tudo, o Bloco da Preta segue no DVD artistas e ritmos em evidência no Brasil mais popular. Com a carioca Anitta, atual musa do funk pop, Preta cai no samba-funk-rock Take it easy. Com o paraense Israel Novaes, ídolo juvenil do ascendente arrocha, Preta canta com desenvoltura Esculacho, arrocha que culmina com selinho do convidado na anfitriã. Com o carioca cosmopolita Lulu Santos, rei vitalício do pop nacional, Preta troca confetes - com aparente sinceridade, pois Lulu foi o primeiro artista de peso a avalizar publicamente o show Noite preta - enquanto revive Condição (1986), funk do compositor que acaba em samba no show. Com a baiana Ivete Sangalo, Preta troca afetos na música Amiga irmã, axé que permite a Ivete gritar o seu habitual "tira o pé do chão!". Justiça seja feita: Preta se harmoniza com cada um de seus convidados, a exemplo do dueto com o cantor paulista Thiaguinho no pagode Pega ou desapega. O que dilui a animação são o canto sem vida da anfitriã e a fraqueza do repertório. Seja como for, o funk Ela é top entra no tom do cancioneiro (cheio de autoestima) propagado por Preta e a entrada em cena do Monobloco esquenta o show em Chama a Preta. O baticum do grupo carioca encabeçado por Pedro Luís arma enfim, e já no fim, um clima de folia sem trair o espírito popular do Bloco da Preta,  mais empolgante nas ruas da cidade do Rio de Janeiro do que no DVD.

9 comentários:

Mauro Ferreira disse...

A caminho dos 40 anos, a serem completados em 8 de agosto de 2014, Preta Gil já conquistou seu nicho no mercado comum da música. Quando a cantora e compositora carioca interrompe o show captado em apresentação no Citibank Hall do Rio de Janeiro (RJ) para agradecer ao seu público por ter lhe aberto as portas do sucesso, o afago nos fãs soa sincero. Ao pôr o Bloco da Preta na rua, em DVD e CD ao vivo lançados pela Sony Music, a filha de Gilberto Gil sabe que conta mesmo somente com o público que conquistou a partir do show-evento Noite preta. No palco, Preta compensa a falta de vocação para o canto com seu carisma e sua espontaneidade. Sua habilidade para se comunicar com o (seu) público salta aos olhos e ouvidos ao longo da gravação ao vivo - feita em 23 de outubro de 2013 sob a direção de Fabiana Winits - que resultou no CD e DVD Bloco da Preta. Em DVD, o bloco segue obviamente sem a animação e a empolgação das ruas da cidade do Rio de Janeiro (RJ), aonde arrastou multidões no Carnaval de 2014. O baticum dominante nos arranjos, as coreografias executadas pela artista com seu corpo de bailarinos e a presença de convidados populares (Anitta, Ivete Sangalo, Lulu Santos e Thiaguinho, entre outros) esboçam clima carnavalizante sem fazer o show realmente cair para valer na folia, embora o roteiro recorra a hits infalíveis da axé music (Milla, entre outros), do samba (Vou festejar) e do cancioneiro de Jorge Ben Jor (País tropical, 1969). Nesse seu segundo registro de show, Preta Gil rebobina sucessos que lhe foram fornecidos pela compositora mineira Ana Carolina, Sinais de fogo (2003 - com imagens incandescentes projetadas no telão) e Stereo (2009), ambos cantados em coro pelo público. Mas, acima de tudo, o Bloco da Preta segue no DVD artistas e ritmos em evidência no Brasil mais popular. Com a carioca Anitta, atual musa do funk pop, Preta cai no samba-funk-rock Take it easy. Com o paraense Israel Novaes, ídolo juvenil do ascendente arrocha, Preta canta com desenvoltura Esculacho, arrocha que culmina com selinho do convidado na anfitriã. Com o carioca cosmopolita Lulu Santos, rei vitalício do pop nacional, Preta troca confetes - com aparente sinceridade, pois Lulu foi o primeiro artista de peso a avalizar publicamente o show Noite preta - enquanto revive Condição (1986), funk do compositor que acaba em samba no show. Com a baiana Ivete Sangalo, Preta troca afetos na música Amiga irmã, axé que permite a Ivete gritar o seu habitual "tira o pé do chão!". Justiça seja feita: Preta se harmoniza com cada um de seus convidados, a exemplo do dueto com o cantor paulista Thiaguinho no pagode Pega ou desapega. O que dilui a animação são o canto sem vida da anfitriã e a fraqueza do repertório. Seja como for, o funk Ela é top entra no tom do cancioneiro (cheio de autoestima) propagado por Preta e a entrada em cena do Monobloco esquenta o show em Chama a Preta. O baticum do grupo carioca encabeçado por Pedro Luís arma enfim, e já no fim, um clima de folia sem trair o espírito popular do Bloco da Preta, mais empolgante nas ruas do que no DVD.

Eduardo Cáffaro disse...

Passo ! kkkkk

Eduardo Cáffaro disse...

Mauro, o que é uma música chamada MINHA CIDADE , lançada pela margareth menezes ? outra música perdida que ela lançou na net ? ou vem cd por ai ?

Mauro Ferreira disse...

Cáffaro, desconheço essa música de Margareth. abs, MauroF

Fabio disse...

Pra baticum tá bom de se ouvir! As "versões" pra Stereo e Sinais de Fogo com tamborins e tudo mais empolgam, mas o povo cantando junto irrita. Claro que comprei apenas as faixas que me agradaram. Ainda bem que iTunes permite isso, porque Milla foi, é e sempre será uma roubada!

Doug Carvalho disse...

Não acho que um cantor popular precise obrigatoriamente ter uma super voz nem recorrer ao apuro técnico para ser interessante. Cristina Buarque, para mim, é o grande exemplo de que se é possível ter uma carreira musical sólida sem ter uma voz grandiosa, mas baseando-se em qualidade de repertório.

O primeiro disco de Preta é uma joia pop, mas não entendo por qual motivo ela insiste em temperar os trabalhos dela com o que há de pior. Sem ter nenhum talento musical excepcional, mas recorrendo a boas canções pop, Preta poderia até ter uma carreira de destaque, mas essa mania que ela tem de querer ser do povão estraga tudo.

Mauro Ferreira disse...

Concordo, Doug. Cristina Buarque é maravilhosa (embora eu, quando jovem e imaturo, tenha feito críticas injustas a ela). E acho que Preta às vezes funciona bem em estúdio. Abs, MauroF

Estalactites hemorrágicas disse...

E que vire cinzas na quarta - feira. Batido passo.


Ricardo Sérgio

ADEMAR AMANCIO disse...

Preta gil,e Maria Rita, contraria o ditado popular, de que filho de peixe peixe é.