Mauro Ferreira no G1

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segunda-feira, 31 de março de 2014

Jota faz festa com discotecagem pop do show 'Funky funky boom boom'

Resenha de show
Título: Funky funky boom boom
Artista: Jota Quest (em foto de Ricardo Muniz)
Local: Fundição Progresso (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 30 de março de 2014
Cotação: * * * *

É significativo que o Jota Quest tenha acionado o DJ e produtor norte-americano Babey Drew - residente em Atlanta (EUA) - para criar as bases do show Funky funky boom boom, idealizado com inspiração no homônimo álbum de inéditas lançado pela banda em 2013. No show, o grupo mineiro segue a pista de seu melhor disco - CD voltado para o suingue black que fez germinar a semente plantada pelo revigorante álbum La plata (2008) - e faz a festa com sua discotecagem pop. Na estreia oficial do espetáculo, iniciado no Rio de Janeiro (RJ) já na madrugada de 30 de março de 2014, Babey Drew podia ser visto no palco carioca da Fundição Progresso juntamente com Marcio Buzelin (teclados), Marco Túlio Lara (guitarra), PJ (baixo), Paulinho Fonseca (bateria) e Rogério Flausino (voz). Reforçando a trupe, havia à esquerda poderoso trio de backing-vocals - Dri Moreira, Play e T-Bless - e, no canto direito de quem olha o palco, trio de metais recrutado no coletivo paulista Funk Como Le Gusta. Nas pistas, arquibancadas e frisas da Fundição, uma multidão - devota da banda, como sinalizou o espontâneo coro popular feito em músicas como a balada Só hoje (Rogério Flausino e Fernanda Mello, 2002) - fez sua parte, marcando com palmas o refrão de Já foi (Marco Túlio Lara, Marcio Buzelin, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino e Wilson Sideral, 2005), por exemplo, o que deixou a festa quase sempre animada. Em essência, o Jota Quest filtra o soul e o funk por ótica escancaradamente pop, o que nunca confinou o som da banda ao gueto black. Adicione a essa habilidade para esbranquiçar a música preta boa dose de palatáveis baladas e um som power pop. A soma resulta em show festeiro e feliz como o disco que o originou. A calorosa apresentação de duas horas na Fundição Progresso deu o start oficial na turnê nacional do show Funky funky boom boom, mostrando que, mesmo sem o toque chic da guitarra do norte-americano Nile Rodgers (ouvida no disco), Mandou bem (Gigi, Fábio O'Brian, Marcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e Nile Rodgers, 2013) é grande música que vai permanecer entre os maiores sucessos da banda. O clima de discotecagem domina o show, mas sem fechar espaços para a exposição de dotes individuais. Logo na segunda música, Na moral (Marco Túlio Lara, Play, Rogério Flausino e Wilson Sideral, 2002), solo matador de Marco Túlio Lara enfatiza o papel de guitar hero exercido pelo músico na banda. A pegada do show injeta pressão até nas baladas como Mais uma vez (PJ, Rogério Flausino e Fernanda Mello, 2005) e Dentro de um abraço (PJ, Rogério Flausino e Jerry Barnes a partir de texto de Martha Medeiros, 2013). Mas a base do show Funky funky boom boom é o groove - o que renova a cara de velhos sucessos como Encontrar alguém (Rogério Flausino e Marco Túlio Lara, 1996), aditivado com citação de Got to be real (Cheryl Lynn, David Paich e David Foster, 1978), hit da cantora norte-americana Cheryl Lynn nos tempos da discoteca. Nesses embalos de sábado a noite, a banda cai bonito no suingue de É de coração (Xande de Pilares, Marcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino e Wilson Sideral, 2013) - uma das músicas inéditas do CD Funky funky boom boom - e improvisa inédito tema funk-rap provisoriamente intitulado Groove baile da pesada, fruto da criação coletiva dos músicos. Sim, o Jota Quest está na área, como canta Flausino nessa jam. Ou melhor, continua na área já há quase 20 anos, com a justa fama de ser boa de palco. O show Funky funky boom boom reitera o alto padrão técnico das apresentações da banda, perceptível em sutilezas como a iluminação que expõe as cores (vermelho, verde e amarelo) da bandeira da Jamaica quando o grupo invade a praia daquele país em Reggae town (Marcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino, Marco A.S. e Pedro Turra, 2013). Música lançada pela banda mineira Tianastácia em 2003, O sol (Antonio Júlio Nastácia) já parece ser do Jota Quest desde 2005 e continua incendiando plateias, sendo que, nesse show, O sol é iluminado também pelo vocal soul dos backings da banda. No fim, Waiting for you (Jerry Barnes, Quiana Space, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino, 2013) tem as duas versões do disco, Shine on, shine on e Party on, alocadas lado a lado no roteiro, sendo que Party on viabiliza o clima de jam para a apresentação dos músicos, tanto os integrantes fixos da banda  como os convidados deste show. No bis, antes de retomar a festa com o cover de Tempos modernos (Lulu Santos), Flausino fica a sós no palco com o tecladista Marcio Buzelin para dar voz às baladas O vento (Marcio Buzelin, 1998) e Amor maior (Rogério Flausino, 2003). Instante mela-cueca no baile cheio de groove do Jota Quest, grupo habilidoso que sempre faz a festa e manda muito bem ao discotecar em cena seu pop variado.

3 comentários:

Mauro Ferreira disse...

É significativo que o Jota Quest tenha acionado o DJ e produtor norte-americano Babey Drew - residente em Atlanta (EUA) - para criar as bases do show Funky funky boom boom, idealizado com inspiração no homônimo álbum de inéditas lançado pela banda em 2013. No show, o grupo mineiro segue a pista de seu melhor disco - CD voltado para o suingue black que fez germinar a semente plantada pelo revigorante álbum La plata (2008) - e faz a festa com sua discotecagem pop. Na estreia oficial do espetáculo, iniciado no Rio de Janeiro (RJ) já na madrugada de 30 de março de 2014, Babey Drew podia ser visto no palco carioca da Fundição Progresso ao lado de Marcio Buzelin (teclados), Marco Túlio Lara (guitarra), PJ (baixo), Paulinho Fonseca (bateria) e Rogério Flausino (voz). Reforçando a trupe, havia à esquerda poderoso trio de backing-vocals - Dri Moreira, Play e T-Bless - e, no canto direito de quem olha o palco, trio de metais recrutado no coletivo paulista Funk Como Le Gusta. Nas pistas, arquibancadas e frisas da Fundição, uma multidão - devota da banda, como sinalizou o espontâneo coro popular feito em músicas como a balada Só hoje (Rogério Flausino e Fernanda Mello, 2002) - fez sua parte, marcando com palmas o refrão de Já foi (Marco Túlio Lara, Marcio Buzelin, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino e Wilson Sideral, 2005), por exemplo, o que deixou a festa quase sempre animada. Em essência, o Jota Quest filtra o soul e o funk por ótica escancaradamente pop, o que nunca confinou o som da banda ao gueto black. Adicione a essa habilidade para esbranquiçar a música preta boa dose de palatáveis baladas e um som power pop. A soma resulta em show festeiro e feliz como o disco que o originou. A calorosa apresentação de duas horas na Fundição Progresso deu o start oficial na turnê nacional do show Funky funky boom boom, mostrando que, mesmo sem o toque chic da guitarra do norte-americano Nile Rodgers (ouvida no disco), Mandou bem (Gigi, Fábio O'Brian, Marcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e Nile Rodgers, 2013) é grande música que vai permanecer entre os maiores sucessos da banda. O clima de discotecagem domina o show, mas sem fechar espaços para a exposição de dotes individuais. Logo na segunda música, Na moral (Marco Túlio Lara, Play, Rogério Flausino e Wilson Sideral, 2002), solo matador de Marco Túlio Lara enfatiza o papel de guitar hero exercido pelo músico na banda. A pegada do show injeta pressão até nas baladas como Mais uma vez (PJ, Rogério Flausino e Fernanda Mello, 2005) e Dentro de um abraço (PJ, Rogério Flausino e Jerry Barnes a partir de texto de Martha Medeiros, 2013). Mas a base do show Funky funky boom boom é o groove - o que renova a cara de velhos sucessos como Encontrar alguém (Rogério Flausino e Marco Túlio Lara, 1996), aditivado com citação de Got to be real (Cheryl Lynn, David Paich e David Foster, 1978), hit da cantora norte-americana Cheryl Lynn nos tempos da discoteca.

Mauro Ferreira disse...

Nesses embalos de sábado a noite, a banda cai bonito no suingue de É de coração (Xande de Pilares, Marcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino e Wilson Sideral, 2013) - uma das músicas inéditas do CD Funky funky boom boom - e improvisa inédito tema funk-rap provisoriamente intitulado Groove baile da pesada, fruto da criação coletiva dos músicos. Sim, o Jota Quest está na área, como canta Flausino nessa jam. Ou melhor, continua na área já há quase 20 anos, com a justa fama de ser boa de palco. O show Funky funky boom boom reitera o alto padrão técnico das apresentações da banda, perceptível em sutilezas como a iluminação que expõe as cores (vermelho, verde e amarelo) da bandeira da Jamaica quando o grupo invade a praia daquele país em Reggae town (Marcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino, Marco A.S. e Pedro Turra, 2013). Música lançada pela banda mineira Tianastácia em 2003, O sol (Antonio Júlio Nastácia) já parece ser do Jota Quest desde 2005 e continua incendiando plateias, sendo que, nesse show, O sol é iluminado também pelo vocal soul dos backings da banda. No fim, Waiting for you (Jerry Barnes, Quiana Space, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino, 2013) tem as duas versões do disco, Shine on, shine on e Party on, alocadas lado a lado no roteiro, sendo que Party on viabiliza o clima de jam para a apresentação dos músicos, tanto os integrantes fixos da banda como os convidados deste show. No bis, antes de retomar a festa com o cover de Tempos modernos (Lulu Santos), Flausino fica a sós no palco com o tecladista Marcio Buzelin para dar voz às baladas O vento (Marcio Buzelin, 1998) e Amor maior (Rogério Flausino, 2003). Instante mela-cueca no baile cheio de groove do Jota Quest, grupo habilidoso que sempre faz a festa e manda muito bem ao discotecar em cena seu pop variado.

Higor Leandro disse...

Banda sensacional! Qualidade pura!!