Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 18 de março de 2014

Sem transcender, Leo pega e prega o caminho do bem em 'Despertador'

Resenha de CD
Título: Despertador
Artista: Leo Cavalcanti
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * *

Leo Cavalcanti pega e prega o caminho do bem em seu segundo álbum, Despertador, lançado em edição digital neste mês de março de 2014. Alocada na abertura do disco, produzido pelo artista paulista com Fábio Pinczowski, a apocalíptica música-título Despertador (Leo Cavalcanti) tenta acordar o ouvinte para pegar a tempo "a construção da era do amor".  Sim, o cantor e compositor - projetado há quatro anos ao lançar, ao apagar das luzes de 2010, seu primeiro e superestimado álbum Religar - parece estar seguindo Tim Maia (1942 - 1998) na fase Imunização Racional do cantor e compositor carioca. Músicas posteriores - como Inversão do mal (Leo Cavalcani), do refrão "A era da vítima alcançou seu limite / A verdade íntima ainda existe e resiste" - reiteram o positivista tom transcendental deste disco conceitual que propõe imersão na alma e na mente humanas para o cultivo do bem. É desse mergulho interior que, por exemplo, tratam os versos escritos por Carlos Rennó para O momento, parceria de Rennó com Cavalcanti. Em tom zen, a letra da música fala em "grande luz" e "iluminados" - termos que dão a Despertador um caráter místico, moldado pelo cruzamento de autoajuda com a pregação do Síndico em sua fase Racional. Só que, diferentemente de Tim, que seguiu o caminho do bem no passo energizante do funk, Leo Cavalcanti parece ter acordado em Despertador para a necessidade de soar mais pop. Banhado em sintetizadores, bases dos sons sintéticos e futuristas ouvidos em músicas como Leve (Leo Cavalcanti e Omar Salomão), o disco tem pegada bem mais pop do que Religar. Dentro dessa atmosfera, canções como Só digo sim (Leo Cavalcanti) e Get a heart (Leo Cavalcanti) - única música em inglês da safra de dez inéditas autorais - saltam aos ouvidos como destaques de repertório interpretado com alguma desenvoltura, dentro dos limites vocais de um artista que parece não ter vocação natural para o canto. "Nem tudo tem um porque / Que se possa compreender / Mas tudo tem seu lugar / Quando se aprende a mar", prega o artista no tom etéreo de Tudo tem seu lugar (Leo Cavalcanti), balada envolta em arranjo preciso que destaca a guitarra de Guilherme Held, integrante da banda que toca em Despertador ao lado de Samuel Fraga (na bateria), do coprodutor Fabio Pinczowski (nos contemporâneos sintetizadores que pontuam o álbum e nos violões) e de Marcos Leite Till, (no baixo e em outros sintetizadores). Held é também parceiro de Cavalcanti em Sua decisão (Ser feliz e contente), pico de autoajuda do cancioneiro de Despertador. Faixa afinada com o conceito transcendental do disco, Sonho parasita conecta Leo Cavalcanti ao seu parceiro no tema, Nenung, da banda gaúcha Os The Darma Lóvers. Contudo, letras à parte, o artista jamais transcende os limites de um pop sintético já recorrente no universo musical. Sim, Despertador tem méritos, boas intenções ao mostrar os caminhos do bem - que jamais devem ser desprezadas em mundo ainda marcado pelo mal - e, de certa forma, expõe a evolução de Leo Cavalcanti como compositor. Só que falta aquele som realmente poderoso, com potencial para botar todo mundo "cantando a canção universal", como imagina verso da utópica Amoral (Leo Cavalcanti), última das dez músicas do disco. Ainda é preciso persistir no caminho do bem e do pop para alcançar a (verdadeira) iluminação.

2 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Leo Cavalcanti pega e prega o caminho do bem em seu segundo álbum, Despertador, lançado em edição digital neste mês de março de 2014. Alocada na abertura do disco, produzido pelo artista paulista com Fábio Pinczowski, a apocalíptica música-título Despertador (Leo Cavalcanti) tenta acordar o ouvinte para pegar a tempo "a construção da era do amor". Sim, o cantor e compositor - projetado há quatro anos ao lançar, ao apagar das luzes de 2010, seu primeiro e superestimado álbum Religar - parece estar seguindo Tim Maia (1942 - 1998) na fase Imunização Racional do cantor e compositor carioca. Músicas posteriores - como Inversão do mal (Leo Cavalcani), do refrão "A era da vítima alcançou seu limite / A verdade íntima ainda existe e resiste" - reiteram o positivista tom transcendental deste disco conceitual que propõe imersão na alma e na mente humanas para o cultivo do bem. É desse mergulho interior que, por exemplo, tratam os versos escritos por Carlos Rennó para O momento, parceria de Rennó com Cavalcanti. Em tom zen, a letra da música fala em "grande luz" e "iluminados" - termos que dão a Despertador um caráter místico, moldado pelo cruzamento de autoajuda com a pregação do Síndico em sua fase Racional. Só que, diferentemente de Tim, que seguiu o caminho do bem no passo energizante do funk, Leo Cavalcanti parece ter acordado em Despertador para a necessidade de soar mais pop. Banhado em sintetizadores, bases dos sons sintéticos e futuristas ouvidos em músicas como Leve (Leo Cavalcanti e Omar Salomão), o disco tem pegada bem mais pop do que Religar. Dentro dessa atmosfera, canções como Só digo sim (Leo Cavalcanti) e Get a heart (Leo Cavalcanti) - única música em inglês da safra de dez inéditas autorais - saltam aos ouvidos como destaques de repertório interpretado com alguma desenvoltura, dentro dos limites vocais de um artista que parece não ter vocação natural para o canto. "Nem tudo tem um porque / Que se possa compreender / Mas tudo tem seu lugar / Quando se aprende a mar", prega o artista no tom etéreo de Tudo tem seu lugar (Leo Cavalcanti), balada envolta em arranjo preciso que destaca a guitarra de Guilherme Held, integrante da banda que toca em Despertador ao lado de Samuel Fraga (na bateria), do coprodutor Fabio Pinczowski (nos contemporâneos sintetizadores que pontuam o álbum e nos violões) e de Marcos Leite Till, (no baixo e em outros sintetizadores). Held é também parceiro de Cavalcanti em Sua decisão (Ser feliz e contente), pico de autoajuda do cancioneiro de Despertador. Faixa afinada com o conceito transcendental do disco, Sonho parasita conecta Leo Cavalcanti ao seu parceiro no tema, Nenung, da banda gaúcha Os The Darma Lóvers. Contudo, letras à parte, o artista jamais transcende os limites de um pop sintético já recorrente no universo musical. Sim, Despertador tem méritos, boas intenções ao mostrar os caminhos do bem - que jamais devem ser desprezadas em mundo ainda marcado pelo mal - e, de certa forma, expõe a evolução de Leo Cavalcanti como compositor. Só que falta aquele som realmente poderoso, com potencial para botar todo mundo "cantando a canção universal", como imagina verso da utópica Amoral (Leo Cavalcanti), última das dez músicas do disco. Ainda é preciso persistir no caminho do bem e do pop para alcançar a (verdadeira) iluminação.

Leonardo Cidreira disse...

o disco realmente está muito bom... mais legal também está o layout e fotografias do encarte.