Mauro Ferreira no G1

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sandy se recusa a envelhecer em cena no extrovertido - e pop! - show 'Sim'

Resenha de show
Título:  Sim
Artista: Sandy (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 21 de abril de 2013
Cotação: * * * 

 Aos 30 anos, Sandy ainda parece ser jovem demais para cantar música velha - até porque a voz angelical se recusa a expor as marcas do tempo. Por outro lado, a cantora paulista já parece ser velha para cantar a música jovem que lhe deu fama e fortuna ao longo de carreira iniciada há 22 anos. Mas Sandy - Aquela dos 30, como se autodefine no tema pop que abre o novo show solo da artista, Sim - segue em frente, enfrentando esse dilema com um pé no passado e outro no presente. Sim é show mais pop e extrovertido do que o antecessor, o gracioso Manuscrito (2010), espetáculo pautado num tempo de maior delicadeza. Com Sim, Sandy se expande em cena sem sair do lugar já conquistado, da zona de conforto autoral. Afinal, a artista sabe que tem aos pés um público devotado, capaz de fazer coro fervoroso em todos os versos de Sem jeito (Sandy Leah e Lucas Lima, 2010), uma das músicas do primeiro álbum solo da artista, Manuscrito (2010), rebobinadas no roteiro. Setlist que enfileirou duas músicas inéditas - Ponto final (em total sintonia com o tom pop e extrovertido do show) e a confessional Sim, composições incluídas no repertório do vindouro álbum Sim, cujo lançamento está programado para o fim de maio deste ano 2013 pela Universal Music - e seis covers dos repertórios de artistas admirados por Sandy. O melhor deles é o primeiro cover do show, Se Deus me ouvisse (Almir Rogério, 1971), pungente canção do repertório da dupla Chitãozinho & Xororó que Sandy cantou com emoção genuína, provavelmente retirada da memória afetiva. A partir do décimo dos 20 números do roteiro, Sim virou praticamente um show de covers - como comentou uma fã mais atenta, presente na plateia da casa Vivo Rio, palco da estreia carioca do show na noite de 21 de abril de 2013. Só que alguns covers já foram feitos pela cantora em shows anteriores - caso de Casa (Lulu Santos, 1986), herdado do show Manuscrito (2010) - o que deixa entrever certa indisposição para se renovar. Lembrança do show Sandy interpreta Michael Jackson (2011), Bad (Michael Jackson, 1987) se fez reconhecer já na introdução do número pela pulsação do baixo de Alex Heinrich. Balada em que Nando Reis declara publicamente seu amor por Cássia Eller (1962 - 2001), All star (Nando Reis, 2000) foi conduzida pelos violões de Edu Tedeschi e Maurício Caruso - assim como Pés cansados (Sandy Leah e Junior Lima, 2010), destaque do repertório do CD Manuscrito. No samba Águas de março (Tom Jobim, 1972), número em que a tecladista Eloá Gonçalves evocou no piano o arranjo da gravação original, Sandy ensaiou passos de dança pelo palco, em sintonia com o tom mais expansivo do show. O piano de Eloá Gonçalves, aliás, é o acompanhante solitário de Sady  na interpretação da balada Angel (1997), tema da cantora e compositora canadense Sarah McLachlan que Sandy dedicou ao irmão Junior Lima no último show da dupla Sandy & Junior, feito em dezembro de 2007. A propósito, a inclusão de dois sucessos da dupla no roteiro de SimNão dá pra não pensar (Sandy Leah e Junior Lima, 2001) e A lenda (Kiko, Nando e Ricardo Feghali, 2000), provocou momentos catárticos, mostrando que - tal como a cantora que idolatra - o público de Sandy também se recusa a envelhecer em cena. No bis, a histeria na frente do palco da casa Vivo Rio foi tamanha que mal deu para ouvir os reais progressos da cantora ao interpretar a classuda balada Saudade (Denis Nassar, 2012), faixa-bônus do EP Princípios, meios e fins (2012). Talvez fosse o caso de transferir a canção para o meio do show para que a beleza do tema não se dissipe entre os flashes e gritos afoitos dos fãs. Sandy talvez já esteja velha para tanto ímpeto juvenil. Ou jovem para receber as atenções de plateia mais velha e exigente. Eis a questão que Sim põe em cena. Tomara que Sandy equacione a questão, dizendo efetivamente sim para o mundo e para o inexplicável - como afirma em verso da música-título do segundo álbum solo - para poder seguir evoluindo nos próximos shows.

16 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Aos 30 anos, Sandy ainda parece ser jovem demais para cantar música velha - até porque sua voz angelical se recusa a expor as marcas do tempo. Por outro lado, a cantora paulista já parece ser velha para cantar a música jovem que lhe deu fama e fortuna ao longo de carreira iniciada há 22 anos. Mas Sandy - Aquela dos 30, como se autodefine no tema pop que abre seu novo show, Sim - segue em frente, enfrentando esse dilema com um pé no passado e outro no presente. Sim é show mais pop e extrovertido do que seu antecessor, o gracioso Manuscrito (2010), espetáculo pautado num tempo de maior delicadeza. Com Sim, Sandy se expande em cena sem sair do lugar já conquistado, de sua zona de conforto autoral. Afinal, a artista sabe que tem a seus pés um público devotado, capaz de fazer coro fervoroso em todos os versos de Sem jeito (Sandy Leah e Lucas Lima, 2010), uma das músicas do primeiro álbum solo da artista, Manuscrito (2010), rebobinadas no roteiro. Setlist que enfileira duas músicas inéditas - Ponto final (apresentada no tom pop e extrovertido do show) e a confessional Sim, composições incluídas no repertório do vindouro álbum Sim, cujo lançamento está programado para o fim de maio de 2013 pela Universal Music - e seis covers dos repertórios de artistas admirados por Sandy. O melhor deles é o primeiro cover do show, Se Deus me ouvisse (Almir Rogério, 2006), pungente canção do repertório da dupla Chitãozinho & Xororó que Sandy canta com emoção genuína, provavelmente retirada da memória afetiva. A partir do décimo dos 20 números do roteiro, Sim vira praticamente um show de covers - como comentou uma fã mais atenta, presente na plateia da casa Vivo Rio, palco da estreia carioca do show na noite de 21 de abril de 2013. Só que alguns covers já foram feitos pela cantora em shows anteriores - caso de Casa (Lulu Santos, 1986), herdado do show Manuscrito (2010) - o que deixa entrever certa indisposição para se renovar. Lembrança do show Sandy interpreta Michael Jackson (2011), Bad (Michael Jackson, 1987) se refaz reconhecer já na introdução do número pela pulsação do baixo de Alex Heinrich. Balada em que Nando Reis declara publicamente seu amor por Cássia Eller (1962 - 2001), All star (Nando Reis, 2000) é conduzida pelos violões de Edu Tedeschi e Maurício Caruso - assim como Pés cansados (Sandy Leah e Junior Lima, 2010), destaque do repertório do CD Manuscrito. No samba Águas de março (Tom Jobim, 1972), número em que a tecladista Eloá Gonçalves evoca no piano o arranjo da gravação original, Sandy ensaia passos de dança pelo palco, em sintonia com o tom mais expansivo do show. O piano de Eloá Gonçalves, aliás, é o acompanhante solitário de Sady na interpretação da balada Angel (1997), tema da cantora e compositora canadense Sarah McLachlan que Sandy dedicou ao irmão Junior Lima no último show da dupla Sandy & Junior, feito em dezembro de 2007. A propósito, a inclusão de dois sucessos da dupla no roteiro de Sim, Não dá pra não pensar (Sandy Leah e Junior Lima, 2001) e A lenda (Kiko, Nando e Ricardo Feghali, 2000), provoca momentos catárticos, mostrando que - tal como a cantora que idolatra - o público de Sandy também se recusa a envelhecer em cena. No bis, a histeria na frente do palco da casa Vivo Rio foi tamanha que mal deu para ouvir os reais progressos da cantora ao interpretar a classuda balada Saudade (Denis Nassar, 2012), faixa-bônus do EP Princípios, meios e fins (2012). Talvez fosse o caso de transferir a canção para o meio do show para que sua beleza não se dissipe entre os flashes e gritos afoitos dos fãs. Sandy talvez já esteja velha para tanto ímpeto juvenil. Ou jovem para receber as atenções de plateia mais velha e exigente. Eis a questão que Sim põe em cena. Tomara que Sandy equacione a questão, dizendo efetivamente sim para o mundo, pro inexplicável, como afirma em verso da música-título de seu segundo álbum solo.

Tiago Conceição disse...

Concordo com você Mauro,esperava bem mais da set list da nova Turnê. Não entendi a escolha de várias músicas, incluindo Lenda e Não dá pra não pensar dos tempos de Sandy e Junior. Poderia ter escolhido músicas menos trabalhadas da época da dupla. Talvez tenha sido pela falta de tempo pra ensaiar e pra deixar o show um tanto pop e rentável. Enfim, o fato de Águas de Março, Saudade e Idaho estarem na turnê, sinalizam possível evolução dos shows de Sandy. Quem sabe daqui a umas três turnês, ela possa ser considerada uma grande cantora de MPB. Infelizmente, acho que ela não tem essa pretensão. Mas continuará sendo minha cantora preferida.

Anônimo disse...

É MUITO difícil um artista que tenha feito sucesso - de forma boboca. mais do que justo ser assim - quando criança ser levado a sério, ser relevante quando adulto - em termos artísticos.
É preciso haver uma ruptura com o passado e, mais importante, talento - dessa vez em versão "gente grande".
A maioria sucumbi pela falta desse último item.

PS: Lembrei do Jairzinho do Balão Mágico. Ele tentou.

b26contato disse...

Gostaria de ler uma resenha sobre o show depois do lançamento do álbum Sim, já que alguns covers serão substituídos por novas músicas do Sim. Gostei dos vídeos que vi desse show, mas depois do lançamento do CD acho que ficará ainda melhor.

Elba Mota disse...

Concordo com vc Mauro, e penso que Sandy não queira ser cantora de MPB, o show ainda será modificado. Saudade é linda e foi frustante perceber como alguns fãs ainda não cresceram, presenciei isto no show ontem, espero que na próxima turnê, não haja mais músicas da dupla e ela assuma de vez, a versão cantora solo, agora é aguardar o álbum!

Fabio disse...

Sandy não amadureceu na voz, pode ser afinada mas não tem uma voz agradável. Quem consegue ouvir uma música inteira dela tem meus parabéns ou meus sentimentos...rsrsrsr.

Rhenan Rodrigo disse...

Voz incrível! Canto perfeito! Implico com o repertório, mas quero o ver o show!

Maria disse...

Zé Henrique, somente Michael Jackson conseguiu esse feito desde pequeno já mostrava o seu potencial como artista e que se tornaria um dos grandes.

Anônimo disse...

Pois é, Maria, me lembrei dele.
Mas tem o diferencial que o Jackson Five, ao contrário da maioria esmagadora das bandinhas de criança, tinha valor artístico.
Aliás, para o meu gosto a banda dos irmãos de Michael é melhor que a carreira solo dele.

Maria disse...

Sim, obviamente o Jackson Five foi uma banda diferenciada gosto muito de ouvir também.

Breno Alves disse...

Um exemplo interessante de cantora que conseguiu amadurecer, nao somente no canto, mas no repertorio, nas referencias e, ainda, na composicao foi a Patricia Marx. Otima cantora, albuns interessantes e variados e muita liberdade com relacao ao passado pop infantil. A Sandy aprenderia muito com ela...

Elba Mota disse...

pois é gente, mas por onde anda a Patrícia Max?, lançou o trinta e tudo mais...... A verdade é que Sandy conseguiu crescer e continuar na mídia, coisa que poucos conseguem, a exemplo do próprio Jairzinho. A pergunta é como lhe dar com a popularidade e romper com o juvenil?Mas acredito que no tempo dela, ela está em um bom caminho.......

JAMMS WILLIAM disse...

O picolé de chuchu ataca novamente!!!!

JAMMS WILLIAM disse...

O picolè de CHUCHU ataca novamente!!!!!

Fernanda Azevedo disse...

Acho que o show dela refletiu bem o que diz a música "Aquela dos 30": "Tenho sonhos adolescentes, mas as costas doem. Sou jovem pra ser velha e velha pra ser jovem." . Acho que essa indecisão de pop teen e adulto é reflexo da própria fase que ela (e os fãs dela - no qual me incluo) estão passando. Esse meio termo entre "ainda sou jovem" e "estou velha!".

Iaraup Souza disse...

vou comentar agora depois de tanto tempo porque realmente faz um bom tempo que não via asandy e não tinha noticias grandes sobre a carreira dela, estou vendo-a no superstar, por isso me deu certa curiosidade de ver o que ela tinha feito de trabalho nos ultimos tempos encontrei esta resenha e não tinha visto nenhum video do show, procurei no youtube e encontrei exatamente esse show do vivo rio completo postado por fãs, gente me deparei com sandy no programa de tv fiquei assustada como apesar de tantos anos de carreira e bagagem musical ela ainda não fortaleceu sua personalidade artistica para alem da figura juvenil que a projetou, o que ela fala ou tem cantado ainda é muito restrito ao mundinho de menina agora mulher, protegida que não se joga nas relações com novos projetos ou parcerias musicais que a fizesse ver o mundo para alem da propria relação familiar, o mundo da sandy é muito restrito ao novo, muito guardado ela não expande esta sempre confortavél demais, as musicas que ouvi não são ruins mas também não são dignas de dizer "nossa que grande cantora ela se tornou..." falta paixão na voz, falta alguma coisa ainda e infelizmente acho que estando já com mais de 30, é pouco provavél que ela realmente tenha mais do isso para oferecer nesta idade outras grandes cantoras já tinham mostrado a que vieram, um exemplo é a Tulipa Ruiz menos tempo de carreira porem uma presença arrazadora.