Mauro Ferreira no G1

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domingo, 22 de junho de 2014

Zuza registra e explica a música de A a Z em livro que vai de 1957 a 2014

 Em 1957, Zuza Homem de Mello era um jovem baixista em atividade da noite paulistana quando aproveitou a oportunidade de estar em Nova York (EUA), assistindo a concorridos shows de jazz, para enviar para o Brasil relatos jornalísticos dessas apresentações. Começava a ganhar vulto ali, de Nova York, uma das mais bem-sucedidas carreiras de repórter e crítico musical na imprensa do Brasil. Trajetória iniciada em 1956 no jornal Folha da noite e ora resumida em Música com Z - Artigos, reportagens e entrevistas (1957 - 2014), livro recém-lançado pela editora 34 com a reunião de 140 textos assinados por esse dinossauro paulistano de categoria profissional que já dá preocupantes sinais de extinção. Divididos em sete capítulos, os textos abarcam 57 anos na história do jazz e da música brasileira, focos principais da atividade profissional de Zuza, nascido em 1933. No primeiro capítulo, Canções e momentos, um dos textos mais interessantes é E se Elis fosse viva?. Nesse perspicaz exercício de imaginação, publicado em 2003 no jornal Folha de S. Paulo, o autor redige a conversa de fictício telefonema de Elis Regina (1945 - 1982) para o compositor carioca Guinga, sugerindo nesse papo que a cantora gaúcha estaria gravando compositores como Chico Pinheiro e Edu Kneip. No mesmo capítulo, no texto intitulado Antologia pessoal, em que o próprio crítico é o entrevistado, Zuza explicita sua personalidade profissional ao afirmar que considera Marisa Monte superestimada na cena brasileira ("Admiro seu talento e o cuidado com a carreira, mas as interpretações não me convencem"). No segundo capítulo, dedicado às reportagens, há textos sobre tango, Roberto Carlos e a música do Pantanal entre vários artigos sobre jazz, numa evidência da abrangência do trabalho do crítico. No capítulo dedicado às entrevistas, cabe ressaltar uma entrevista inédita com o compositor e baixista norte-americano de jazz Charles Mingus (1922 - 1979) e um ping-pong com Maria Bethânia em que a intérprete baiana discorre sobre Dalva de Oliveira (1917 - 1972) ("A melhor voz que aconteceu no Brasil"), Elis Regina ("A facilidade e o entendimento musical de Elis são extraordinários, além de ter uma voz linda e uma noção rítmica incomum") e Gal Costa ("A Gal, com um cristal na voz, é de uma leveza, é translúcida..."). O capítulo quatro é voltado para artigos sobre artistas e discos da música brasileira, com a vantagem de o autor ter adicionado notas - escritas em 2014, com o benefício da perspectiva - sobre suas percepções antigas de ícones da MPB como Djavan e Paulinho da Viola. Os demais capítulos enfocam outros canções e momentos da música de A a Z, em leque estético amplo, indo de Miles Davis (1926 - 1991) a Tom Zé, passando por Ivone Lara. Livro essencial para quem se interessa pela análise e documentação da história cotidiana da música, Música com Z - Artigos, reportagens e entrevistas (1957 - 2014) sintetiza a maestria do multimídia Zuza Homem de Mello, no exercício de seu ofício, ao longo de 58 anos.

6 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Em 1957, Zuza Homem de Mello era um jovem baixista em atividade da noite paulistana quando aproveitou a oportunidade de estar em Nova York (EUA), assistindo a concorridos shows de jazz, para enviar para o Brasil relatos jornalísticos dessas apresentações. Começava a ganhar vulto ali, de Nova York, uma das mais bem-sucedidas carreiras de repórter e crítico musical na imprensa do Brasil. Trajetória iniciada em 1956 no jornal Folha da noite e ora resumida em Música com Z - Artigos, reportagens e entrevistas (1957 - 2014), livro recém-lançado pela editora 34 com a reunião de 140 textos assinados por esse dinossauro paulistano de categoria profissional que já dá preocupantes sinais de extinção. Divididos em sete capítulos, os textos abarcam 57 anos na história do jazz e da música brasileira, focos principais da atividade profissional de Zuza, nascido em 1933. No primeiro capítulo, Canções e momentos, um dos textos mais interessantes é E se Elis fosse viva?. Nesse perspicaz exercício de imaginação, publicado em 2003 no jornal Folha de S. Paulo, o autor redige a conversa de fictício telefonema de Elis Regina (1945 - 1982) para o compositor carioca Guinga, sugerindo nesse papo que a cantora gaúcha estaria gravando compositores como Chico Pinheiro e Edu Kneip. No mesmo capítulo, no texto intitulado Antologia pessoal, em que o próprio crítico é o entrevistado, Zuza explicita sua personalidade profissional ao afirmar que considera Marisa Monte superestimada na cena brasileira ("Admiro seu talento e o cuidado com a carreira, mas as interpretações não me convencem"). No segundo capítulo, dedicado às reportagens, há textos sobre tango, Roberto Carlos e a música do Pantanal entre vários artigos sobre jazz, numa evidência da abrangência do trabalho do crítico. No capítulo dedicado às entrevistas, cabe ressaltar uma entrevista inédita com o compositor e baixista norte-americano de jazz Charles Mingus (1922 - 1979) e um ping-pong com Maria Bethânia em que a intérprete baiana discorre sobre Dalva de Oliveira (1917 - 1972) ("A melhor voz que aconteceu no Brasil"), Elis Regina ("A facilidade e o entendimento musical de Elis são extraordinários, além de ter uma voz linda e uma noção rítmica incomum") e Gal Costa ("A Gal, com um cristal na voz, é de uma leveza, é translúcida..."). O capítulo quatro é voltado para artigos sobre artistas e discos da música brasileira, com a vantagem de o autor ter adicionado notas - escritas em 2014, com o benefício da perspectiva - sobre suas percepções antigas de ícones da MPB como Djavan e Paulinho da Viola. Os demais capítulos enfocam outros canções e momentos da música de A a Z, em leque estético amplo, indo de Miles Davis (1926 - 1991) a Tom Zé, passando por Ivone Lara. Livro essencial para quem se interessa pela análise e documentação da história cotidiana da música, Música com Z - Artigos, reportagens e entrevistas (1957 - 2014) sintetiza a maestria do multimídia Zuza Homem de Mello, no exercício de seu ofício, ao longo de 58 anos.

Denilson Santos disse...

Sou muito fã do Zuza.
Vou comprar esse livro, com certeza, que deve ser maravilhoso.
Valeu a dica, Mauro.

abração,
Denilson

Pedro Progresso disse...

eu lembro desse "E se Elis fosse viva?". li no jornal. meu pai achou duvidoso mas eu sempre imaginei que Elis seria a voz ideal para Guinga (com todo respeito a Leila Pinheiro) e me identifiquei de imediato com o texto.

quanto a MB, foi respeitosa na entrevista como sempre foi com Elis e Gal - e segundo consta - nem sempre a recíproca foi verdadeira por parte da Pimentinha. a única que falou mesmo sobre a relação pessoal conturbada com Elis foi Nana no Roda Viva (fora Maysa e Nara em depoimentos mais antigos).

Betha fala mais sobre ela nesse video do que na entrevista a Zuza: https://www.youtube.com/watch?v=ahNfD4il4ag

alittlemoreblue disse...

A Elis foi mesmo uma das primeiras a gravar Guinga.
Grande Zuza!

ADEMAR AMANCIO disse...

A M.Bethânia se redimiu elogiando a Elis.No Pasquim a Elis cita a Maria Bethânia como a maior cantora do Brasil,para em seguida a baiana no mesmo jornal, dizer que não sentia emoção nenhuma ouvindo a mesma.Tá certo que foi em 69.As duas entrevistas estão disponíveis na internet.

Rhenan Soares disse...

Preciso!