Mauro Ferreira no G1

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ivete desce ladeira ao subir no palco do Madison Square Garden em NY

Resenha de CD e DVD
Título: Multishow ao Vivo - Ivete Sangalo no Madison Square Garden
Artista: Ivete Sangalo
Gravadora: Caco Music / Universal Music
Cotação: * *

Em 2009, Ivete Sangalo respirou outros ares musicais ao gravar, na intimidade de seu estúdio caseiro, duetos com nomes com Maria Bethânia, Marcelo Camelo e Lulu Santos. Upgrade na discografia da estrela baiana, o CD e DVD Pode Entrar realçou, inclusive, os belos graves da voz da cantora. Infelizmente, a artista volta a descer ladeira em seu atual registro fonográfico, Multishow ao Vivo - Ivete Sangalo no Madison Square Garden, posto nas lojas neste mês de dezembro de 2010 nos formatos de CD, DVD e em edição especial dupla que agrega CD e DVD. Trata-se da gravação ao vivo feita pela cantora em 4 de setembro no Madison Square Garden, uma das casas mais nobres de Nova York (EUA). Com o carisma habitual, Ivete fez seu Carnaval no palco do Madison Square Garden como se estivesse na Praça Castro Alves, no Centro Histórico de Salvador (BA), tradicional cenário da folia baiana. Não faltam nem os costumeiros afagos nos egos dos fãs que saíram do Brasil para ver a apresentação. Poderia ter sido um show antológico se o roteiro tivesse priorizado as joias verdadeiras do gênero rotulado como axé music, mas o repertório inédito evidencia a faceta mais populista adotada por Ivete nos últimos anos. Basta comparar os sucessos da Banda Eva - através do medley que agrega Eva (com toques de ijexá no arranjo), Alô Paixão e o samba-reggae Beleza Rara e que entrou somente no DVD - com a inédita Acelera Aê (Noite do Bem) para atestar a queda da qualidade do repertório da cantora (e da própria axé music como um todo). Da farta safra de inéditas, a agalopada Qui Belê (Ramón Cruz) se sustenta com o baticum afro-baiano e pode vir a fazer sucesso no industrializado Carnaval da Bahia. Mas não chega, de fato, a empolgar. Iniciado com a regravação de Brasileiro, tema em que Ivete esboça crítica social enquanto saúda o caráter festivo do povo brasileiro, o roteiro de 21 músicas alterna mais baixos do que altos. Enquanto enfileira figurinos que reforçam os clichês tropicais com que o Brasil é encarado no exterior, Ivete recebe convidados internacionais, mas a anemia do repertório escolhido para os duetos enfraquece os encontros. Contudo, verdade seja dita, o dueto com a canadense Nelly Furtado em Where It Begins - tema assinado pelas cantoras em parceria com Gigi e Lester Mendez - resulta harmonioso, apresentado real interação vocal entre Ivete e Nelly. Já o roqueiro colombiano Juanes pouco consegue fazer por Darte (Cássio Calazans), uma das piores inéditas do roteiro, apresentada de início em dueto bilíngue (em português e espanhol) que vira trilíngue quando Ivete e Juanes começam a cantar em inglês. Em qualquer idioma, contudo, o clima de estilizada latinidade tropical do núnero não cativa. Em contrapartida, o argentino Diego Torres se beneficia do fato de dividir com a anfitriã uma das melhores baladas compostas por Ivete (em parceria com Gigi) dentro de recorrente tom popular romântico. Hit radiofônico do projeto Pode Entrar - Multishow Registro (2009), Agora Eu Já Sei virou Ahora Ya Sé na versão em castelhano de Carol Migoya. Por sua vez, o brasileiro Seu Jorge - de cotação alta no mercado estrangeiro - entra em cena para cantar um inédito samba-rock, Pensando em Nós Dois, que tangencia a levada do r & b tão valorizada na indústria fonográfica norte-americana. Ainda fora do universo do axé, Ivete quase acerta ao reviver Easy - a canção de Lionel Richie propagada pelo grupo The Commodores nos anos 70 - em instante intimista em que a cantora se acompanha ao piano. Faltou um pouco de rigor estilístico na interpretação, mas o número até que se destaca no registro ao vivo do show, evidenciando a beleza da voz da cantora. Já Human Nature -  balada lançada por Michael Jackson (1958 - 2009) no álbum Thriller (1982) - ganha leve molho afro-baiano, mas perde boa parte de sua beleza melódica. No fim, Ivete forja atmosfera clubber tropical para trazer para o universo dance seus megahits Festa e Sorte Grande. Funciona, mas Multishow ao Vivo - Ivete Sangalo no Madison Square Garden termina com a impressão de representar mais um desnecessário degrau abaixo na descida da ladeira. Tira o pé do chão!

21 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Iniciado com a regravação de Brasileiro, tema em que Ivete esboça crítica social enquanto saúda o caráter festivo do povo brasileiro, o roteiro de 21 músicas alterna mais baixos do que altos. Enquanto enfileira figurinos que reforçam os clichês tropicais com que o Brasil é encarado no exterior, Ivete recebe convidados internacionais, mas a anemia do repertório escolhido para os duetos enfraquece os encontros. Contudo, verdade seja dita, o dueto com a canadense Nelly Furtado em Where It Begins - tema assinado pelas cantoras em parceria com Gigi e Lester Mendez - resulta harmonioso, apresentado real interação vocal entre Ivete e Nelly. Já o roqueiro colombiano Juanes pouco consegue fazer por Darte (Cássio Calazans), uma das piores inéditas do roteiro, apresentada de início em dueto bilíngue (em português e espanhol) que vira trilíngue quando Ivete e Juanes começam a cantar em inglês. Em qualquer idioma, contudo, o clima de estilizada latinidade tropical do núnero não cativa. Em contrapartida, o argentino Diego Torres se beneficia do fato de dividir com a anfitriã uma das melhores baladas compostas por Ivete (em parceria com Gigi) dentro de recorrente tom popular romântico. Hit radiofônico do projeto Pode Entrar - Multishow Registro (2009), Agora Eu Já Sei virou Ahora Ya Sé na versão em castelhano de Carol Migoya. Por sua vez, o brasileiro Seu Jorge - de cotação alta no mercado estrangeiro - entra em cena para cantar com Ivete uma inédita, Pensando em Nós Dois, que tangencia a levada do r & b tão valorizada na indústria fonográfica norte-americana. Ainda fora do universo do axé, Ivete quase acerta ao reviver Easy - a canção de Lionel Richie propagada pelo grupo The Commodores nos anos 70 - em instante intimista em que a cantora se acompanha ao piano. Faltou um pouco de rigor estilístico na interpretação, mas o número até que se destaca no registro ao vivo do show, evidenciando a beleza da voz da cantora. Já Human Nature - a balada por Michael Jackson (1958 - 2009) no álbum Thriller (1982) - ganha leve molho afro-baiano, mas perde boa parte de sua beleza melódica. No fim, Ivete forja atmosfera clubber tropical para trazer para o universo dance seus megahits Festa e Sorte Grande. Funciona, mas Multishow ao Vivo - Ivete Sangalo no Madison Square Garden termina com a impressão de representar mais um desnecessário degrau abaixo na descida da ladeira. Tira o pé do chão!

TH disse...

Nossa, eu concordo
O "Pode Entrar" me iludiu bonito...Ivete parecia ter melhorado seu repertorio, mas voltou a descer vertiginosamente com esse lançameno...

Marcelo Barbosa disse...

Gosto muito da Ivete e cada vez menos do seu repertório.
O Mauro percebeu uma coisa que havia notado: cada vez mais fraco qualidade de repertório inédito do axé. Talvez explique-se pela franca decadência do ritmo.
Embora só tenha o primeiro cd, tenho em casa uma tiete da Ivete e presentei-a com este dvd+cd. Dei uma olhada por alto, mas é inacreditável a falta de bom gosto principalmente nas roupas que a cantora usou. Só pode ser falta de assessoramento, um micaço! Tem uma de Chapeleiro Louco digna de quem passou antes na Disney. Fora o péssimo gosto das outras. Conseguiram a proeza de transformar uma linda mulher numa aborígene tupiniquim. Abraços,

Marcelo Barbosa - Brasília (DF)

aguiar_luc disse...

Ivete desceu não só a ladeira, nem degraus, ela desceu tudo o que tinha pra descer!
Porém vai agradar os Iveteiros de Plantão, que estão acostumados com músicas sem noção alguma!
Pode entrar só agradou a crítica, pois os fãs farvorosos odiaram, eu tinha voltado a gostar da Ivete, já desgostei novamente.

Diogo Santos disse...

A verdade é que eu achei o anterior, " Pode Entrar " superestimado. E me surpreendi com o inglês de Ivete Sangalo ao ouvi as músicas - só um pouco melhor que o meu inglês de cais de porto ... rsrsrs

Sobre o projeto, eu também concordo que " Ahora Ya Sé " ficou muito boa. Diego Torres poderá assim finalmente emplacar por aqui.

Achei " Where It Begins " sofrivel e até curti " Darte " com um tímido Juanes e sua voz analasada. No DVD percebe-se um núemro interessante mas o colombiano teve (muitas) dificuldades ...

Ivete nada acrescentou a " Easy " e " Human Nature " perdeu sua beleza.

Mas não resta dúvidas de que agradará sim aos iveteiros. E isso por si só já deve fazer do projeto um sucesso de vendas!

Diogo Santos disse...

Mauro,falta algo em " ... Já Human Nature - a balada por Michael Jackson (1958 - 2009) no álbum Thriller (1982) - ganha leve molho afro-baiano, mas perde boa parte de sua beleza melódica. " Talvez a palavra 'gravada'. Não ?

Mauro Ferreira disse...

Grato, Diogo, faltava mesmo o 'lançada'. Abs, MauroF

Pedro Progresso disse...

O resultado impressiona pela qualidade da produção, mas musicalmente os 2 dvds anteriores ao vivo são bem melhores.
Os arranjos da banda do Bem cada vez mais previsiveis. O repertório perdeu qualidade.

Só Ivete continua ganhando pelo carisma e pela evolução vocal que tem apresentado desde o primeiro disco. A produção, repito, está impecável, digno de the garden.

Mas... Parece que o plano de Ivete é se manter popular em projetos ao vivo enquanto no estúdio desenvolve com mais apuro e ousadia sua musicalidade.

Por que você faz poema? disse...

Ivete desce...
até ao chão
(e com a mão na cabeça, ou seria na cintura?).

Anônimo disse...

Diante de de tantos lançamentos importantes em 2010 com a juventude de São Paulo mostrando novamente a sua cara, o samba carioca reagindo com ótimos lançamentos,Carlinhos Brown reaparecendo com dois ótimos discos, Karina Buhr e sua turma do Recife com tudo em cima, o Brasil não merecia encerrar o ano dessa maneira

Jorge Reis disse...

como diria vóvó:
O Show parecia um brinco de ouro em orelha de porco...
Não há super produção que resista ao carisma "hiper-super-mega-power" forçado, talvez fosse nervosismo, afinal ela estava no Madison...
O figurino alguém resolver juntar os estilos de Carmen Miranda com Beyoncé e pitadas de Lady Gaga...
Depois de tudo isso o repertório é o de sempre, e mesmo que seja inédito, será sempre o mais do mesmo, porquê este tipo de evento não privilegia a música, mas, o intretenimento...

Estalactites hemorrágicas disse...

Creio que ela não desceu
Despencou pela ladeira da preguiça criativa.
Mas a gravadora que é Universal e,
o Universo conspira em clipes
deve ter deixado uma cama elástica lá no the end - após o bis.
Realmente não entendo nada.
Uma star para ser popular não precisava ir por caminhos óbvios e inúmeras vezes beirando o limite do deixa prá lá vamos mudar de assunto: Daniela vai gravar DVD em Copa, meu Deus, que ela não me invente de deslizar num cabo metálico do Copacabana Palace até o Palco.


Ricardo Sérgio

falsobrilhante disse...

Verdadeiramente, descer ladeira foi pouco, Ivete com esse SHOW/DVD/CD despencou do Elevador Lacerda!!!

Tommye disse...

Mauro, não leve a Ivete tão a sério. Ela não faz música para entrar para a história, mas para divertir a galera. Digamos que, com seu bom humor, ela tira onda com a tristeza de tantos outros artistas que fazem arte para meia dúzia de pseudo-intelectuais. Ivete é para se divertir, cantar, pular e ponto.

CARIBÉ disse...

Sou baiano mas antes disso, defensor da música brasileira de boa qualidade. Concordo plenamente com a matéria e confesso que me envergonho em ver a nossa música ser representada dessa forma lá fora, mesmo sabendo que o público é, em sua maioria, composto de brasileiros.
Não tenho outra explicação senão a de que acima da qualidade está o oportunismo sobre uma população sem cultura musical e um excessivo interesse comercial.

Sawyer disse...

Que o nosso amigo aí é fã baba-ovo da Daniela Mercury todo mundo já sabe. Em 2000 ele preveu que Ivete não daria certo em carreira solo... Mas deixa isso pra lá! Segurei os risos ao ler essa fraca resenha anti-Ivete do nosso amigo, mas na hora que ele chamou o samba-rock Pensando em Nós Dois de R&B eu não aguentei... piada pronta!

Mauro Ferreira disse...

Sawyer, sugiro que vc escute alguns discos de Jorge Ben e Marku Ribas, dos anos 70, para ouvir um genuíno samba-rock. Abs, MauroF

Sawyer disse...

E eu sugiro que vc escute vários discos da Motown e até mesmo das contemporâneas tipo, TCL/Destinys Child/Mary J Blige, para ouvir um genuíno R&B. Abs, SawyerL
PS: ou vc pode escutar de novo Pensando Em Nós Dois para ouvir um adaptado samba-rock mais atual.

Rener Melo disse...

Eu realmente sou a favor que cantoras baianas MUITO tocadas nas radios do Brasil inteiro tal como Ivete e Claudia Leitte, não cantem apenas Axé. Gosto dessa onda POP que elas andam carregando. Mas, "Acelera Aê" não é ruim.. É PÉSSIMO! Dá até medinho.. E a humildade na frase que ela solta logo na abertura do show: "Eu sou o Brasil no mundo" [sem comentários]. Mas críticas ruins a parte, adorei a interpretação de "Meu segredo". Achei lindíssima! Ivete Sangalo no Madison Square Garden é um mega DVD que todo mundo tem que ter.

disse...

E enquanto você faz críticas sobre ela, Ivete lota o Madison (Y) uashahushahsuahs

Aceleraê.....

Guilherme Tadeu disse...

Ela poderá fazer mil DVDs que pra mim o MTV continuará sendo o melhor, a escolha do repertorio, figurino, arranjos tudo ficou muito bom. O que rendeu o unico Grammy a ela. Agradou os fãs e a critica. Esse multishow tá acabando com nossos artistas, é bem simples notar, todos os artistas que tiveram uma produção patrocinada pela MTV e depois pelo Multishow despencaram em qualidade. Começando por Ivete e depois Skank, parecem que repetiram o repertorio mas agora gravaram com multi cameras full hd hi tech e um gravador a pilha. Exagero visual mesmo ¬¬'