Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


sábado, 23 de julho de 2011

Selma Reis recicla emoções suburbanas ao recitar Florbela em cabaré teatral

Resenha de show
Título: O cabaré de Florbela
Artista: Selma Reis (em fotos de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 22 de julho de 2011
Cotação: * * * 1/2
 Show em cartaz até sábado, 23 de julho de 2011, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ)

♪ Selma Reis é cantora que eventualmente pecou por excessos em carreira irregular que já caminha para os 25 anos. Em seu show O cabaré de Florbela, que estreou no Rio de Janeiro (RJ) em 22 de julho, a intérprete faz pulsar sua veia teatral sob a direção de Flávio Marinho, autor do roteiro que entrelaça com graça e habilidade trechos de poemas de Florbela Espanca (1874 - 1930) com músicas gravadas por Selma ao longo de sua carreira. O show é um dos mais bem-cuidados da trajetória da artista. É fato que a intérprete não consegue evidenciar toda a passionalidade e angústia dos versos de Espanca neste espetáculo que muitas vezes soa mais sensual do que propriamente dramático. Contudo, a costura de música e poesia é feita com tanta delicadeza e sentido que o espectador se deixa seduzir pelo Cabaré de Florbela. Emoldurada pela luz climática de Paulo César Medeiros, Selma faz ode ao próprio ato de cantar em músicas como Sangrando (Gonzaguinha), Foi Deus (Roberto Gomes) - fado em que a cantora recorre ao recurso-clichê de adicionar um chale ao figurino - e Minha missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro), samba em que Selma realça o significado de cada verso com um gestual perfeitamente integrado ao canto. Ainda nesse universo metalinguístico, Bastidores (Chico Buarque) é momento que adensa o show, com Selma sentada perto do piano de Misael de Hora. Número abolerado, de tom mais apropriado para espetáculo que pretende evocar o clima de cabaré, Teatro de revistas é música pouco badalada de Gonzaguinha (1945 - 1991), compositor recorrente no roteiro retrospectivo, pois Selma já dedicou disco, Achados e perdidos (1996), ao cancioneiro do autor de Explode coração, música também presente no repertório d'O cabaré de Florbela em tom mais dramático do que o habitualmente conferido ao tema. Já o bolero Folhetim (Chico Buarque) é veículo ideal para que Selma esboçe ar de sensualidade condizente com o espírito do show. Em contrapartida, a cantora não consegue deitar e rolar no samba Vou deitar e rolar (Baden Powell e Paulo César Pinheiro). Neste número falta leveza a Regis Gonçalves, o baterista e percussionista do show. Regis também esteve em descompasso com a cantora durante a maior parte de Viagem (João de Aquino e Paulo César Pinheiro), a ponto de o belo número - de clima onírico que culmina com chuva de rosas sobre a cantora - ter de ser repetido após o bis por conta da gravação ao vivo que vai originar o primeiro DVD da carreira de Selma Reis. Se Viagem fica na memória pela beleza visual do poético tema, o samba Tô voltando (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro) soa solene em demasia. Contudo, justiça seja feita, o show é redondo e vai ganhar muito ao ser ajustado com o desenrolar da turnê. Selma Reis é cantora de tons passionais, apropriados para realçar as emoções contidas em músicas como Ne me quites pas (Jacques Brel), Se bastasse uma Canção (Eros Ramazzotti, Piero Cassano e A. Cogliati em versão de Paulo César Feital) - destaque do show - e Feliz (Gonzaguinha). E talvez nenhuma música seja mais apropriada para Selma do que Emoções suburbanas (Altay Velloso e Paulo César Feital). Entre lembranças felizes (O que é o amor, tema de Danilo Caymmi e Dudu Falcão que projetou a voz de Selma em 1990 ao ser incluída na trilha sonora da minissérie Riacho doce) e infelizes (Como nossos pais, a música de Belchior definitivamente associada ao canto de Elis Regina), Selma Reis recicla suas emoções suburbanas com a voz que Deus lhe deu - ainda quase tão potente e tão volumosa como no brilhante início de carreira - e doses bem calculadas de teatralidade e sensualidade, sem excessos de CDs e shows anteriores. Visite O cabaré de Florbela.

9 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Selma Reis é cantora que eventualmente pecou por excessos em carreira irregular que já caminha para os 25 anos. Em seu show O Cabaré de Florbela, que estreou no Rio de Janeiro (RJ) em 22 de julho, a intérprete faz pulsar sua veia teatral sob a direção de Flávio Marinho, autor do roteiro que entrelaça com graça e habilidade trechos de poemas de Florbela Espanca (1874 - 1930) com músicas gravadas por Selma ao longo de sua carreira. O show é um dos mais bem-cuidados da trajetória da artista. É fato que a intérprete não consegue evidenciar toda a passionalidade e angústia dos versos de Espanca neste espetáculo que muitas vezes soa mais sensual do que propriamente dramático. Contudo, a costura de música e poesia é feita com tanta delicadeza e sentido que o espectador se deixa seduzir pelo Cabaré de Florbela. Emoldurada pela luz climática de Paulo César Medeiros, Selma faz ode ao próprio ato de cantar em músicas como Sangrando (Gonzaguinha), Foi Deus (Roberto Gomes) - fado em que a cantora recorre ao recurso-clichê de adicionar um chale ao figurino - e Minha Missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro), samba em que Selma realça o significado de cada verso com um gestual perfeitamente integrado ao canto. Ainda nesse universo metalinguístico, Bastidores (Chico Buarque) é momento que adensa o show, com Selma sentada perto do piano de Misael de Hora. Número abolerado, de tom mais apropriado para espetáculo que pretende evocar o clima de cabaré, Teatro de Revistas é música pouco badalada de Gonzaguinha (1945 - 1991), compositor recorrente no roteiro retrospectivo, pois Selma já dedicou disco, Achados e Perdidos (1996), ao cancioneiro do autor de Explode Coração, música também presente no repertório d'O Cabaré de Florbela em tom mais dramático do que o habitualmente conferido ao tema. Já o bolero Folhetim (Chico Buarque) é veículo ideal para que Selma esboçe ar de sensualidade condizente com o espírito do show. Em contrapartida, a cantora não consegue deitar e rolar no samba Vou Deitar e Rolar (Baden Powell e Paulo César Pinheiro). Neste número falta leveza a Regis Gonçalves, o baterista e percussionista do show. Regis também esteve em descompasso com a cantora durante a maior parte de Viagem (João de Aquino e Paulo César Pinheiro), a ponto de o belo número - de clima onírico que culmina com chuva de rosas sobre a cantora - ter de ser repetido após o bis por conta da gravação ao vivo que vai originar o primeiro DVD da carreira de Selma Reis. Se Viagem fica na memória pela beleza visual do poético tema, o samba Tô Voltando (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro) soa solene em demasia. Contudo, justiça seja feita, o show é redondo e vai ganhar muito ao ser ajustado com o desenrolar da turnê. Selma Reis é cantora de tons passionais, apropriados para realçar as emoções contidas em músicas como Ne me Quites Pas (Jacques Brel), Se Bastasse uma Canção (Eros Ramazzotti, Piero Cassano e A. Cogliati em versão de Paulo César Feital) - destaque do show - e Feliz (Gonzaguinha). E talvez nenhuma música seja mais apropriada para Selma do que Emoções Suburbanas (Altay Velloso e Paulo César Feital). Entre lembranças felizes (O Que É o Amor, tema de Danilo Caymmi e Dudu Falcão que projetou a voz de Selma em 1990 ao ser incluída na trilha sonora da minissérie Riacho Doce) e infelizes (Como Nossos Pais, a música de Belchior definitivamente associada ao canto de Elis Regina), Selma Reis recicla suas emoções suburbanas com a voz que Deus lhe deu - ainda quase tão potente e volumosa como no brilhante início de sua carreira - e doses bem calculadas de teatralidade e sensualidade, sem os excessos de discos e shows anteriores. Vale visitar o Cabaré de Florbela.

Mauro Ferreira disse...

Caros navegantes, sorry pela demora na publicação da resenha, mas a morte de Amy tumultuou o meu dia. Abs, MauroF

valderiofreire disse...

O que dizer de Selma? Que ela é uma cantora que emociona, que toda vez que fui a shows dela, sai radiante e tive a sorte de ser presenteado com uma canção na hora do bis (sim, o bis ela ofereceu a uma pessoa da plateia e foi a mim): se bastasse uma canção!

Régis disse...

Ola Mauro Ferreira, obrigado pelas criticas pois com certeza são construtivas e ajudaram a amadurecer o espetáculo, infelizmente por questão da estreia detalhes importante foram esquecidos, como vc deve ter percebido 90% do Show a bateria foi tocada com vassourinhas para soar bem leve e nas poucas músicas que era feitas com baquetas foi combinado que a microfonação da bateria no PA seria desligado somente o Over seria aberto bem baixinho, isso para que soasse bem acústica e isso não deve ter ocorrido, como Deitar e rolar era umas das primeiras músicas tocadas com baquetas não soou leve como deveria, isso foi resolvido no 2º dia e tb alguns problemas técnicos de retorno etc... foram ajustadas e por isso tivemos que refazer principalmente Viagem e outras músicas tb... Um G. abraço e parabéns por seu trabalho.

Régis

Mauro Ferreira disse...

oi, Régis, grato por seus esclarecimentos. Sim, as críticas - que prefiro chamar de resenhas para tirar a carga negativa já embutida naturalmente na palavra 'crítica' - são sempre construtivas aqui no Notas Musicais. Deu para perceber que o show é bom e fiquei feliz de ver Selma em bom momento. Sucesso para vocês. Abs, obrigado, Mauro Ferreira

Diogo Santos disse...

É um " recurso-clichê " mas não se canta fado sem chale nem bolero sem terno!

Geraldo disse...

É uma pena que ela não incluiu no repertório os poemas de Florbela que foram musicados por Fagner no Brasil. Músicas a exemplo de Fanatismo, Fumo, Tortura, Frieza, Impossível e Chama Quente, poderiam ter dado um clima mais especial para o show.

Carol morena disse...

Adorei o Show e como sempre ouvia falar muito da Selma Reis infelizmente não tive o prazer de conhecer seu trabalho antes, mais ela ganhou mais alguns fãs eu e minha familia... sou musicista e toda minha familia adora música de qualidade e não vi nenhum exagero na Selma apenas uma pessoa que tem como passear em todos os estilos e ir do agudo ao grave sem perder a qualidade e timbre fantastico e além disso uma atuação no palco incrivel. Sai do show estaziada a banda parecia uma Orquestra. Parabéns aos músicos o pianista Missael é um arraso ja tinha visto tocar com Quarteto em Cy e fiquei impressionada com Régis que tocou vários instrumentos na bateria e percussão e como to sempre no Rival ele já é figurinha repetida no Rival já o vi esse menino tocar com a Roberta Miranda, Tânia Alves, Zezé Motta e agora com a Selma. Outra coisa foi lindo os poemas, Luz etc... Sinceramente como cada um tem pontos de vista diferente achei o Repertório mt bom com músicas linda que algumas nem conhecia e hoje estou no youtube conhecendo, enfim a Selma e sua equipe deu um Show não entendi esse artigo se foi p elogiar ou criticar pq tá mt confuso ao mesmo tempo que elogia critica de forma erronea sinceramente não entendi, se serve p falar do artista ou deturpar a imagem do msm, aguardo resposta.

Carol morena disse...

Adorei o Show e como sempre ouvia falar muito da Selma Reis infelizmente não tive o prazer de conhecer seu trabalho antes, mais ela ganhou mais alguns fãs eu e minha familia... sou musicista e toda minha familia adora música de qualidade e não vi nenhum exagero na Selma apenas uma pessoa que tem como passear em todos os estilos e ir do agudo ao grave sem perder a qualidade e timbre fantastico e além disso uma atuação no palco incrivel. Sai do show estaziada a banda parecia uma Orquestra. Parabéns aos músicos o pianista Missael é um arraso ja tinha visto tocar com Quarteto em Cy e fiquei impressionada com Régis que tocou vários instrumentos na bateria e percussão e como to sempre no Rival ele já é figurinha repetida no Rival já o vi esse menino tocar com a Roberta Miranda, Tânia Alves, Zezé Motta e agora com a Selma. Outra coisa foi lindo os poemas, Luz etc... Sinceramente como cada um tem pontos de vista diferente achei o Repertório mt bom com músicas linda que algumas nem conhecia e hoje estou no youtube conhecendo, enfim a Selma e sua equipe deu um Show não entendi esse artigo se foi p elogiar ou criticar pq tá mt confuso ao mesmo tempo que elogia critica de forma erronea sinceramente não entendi, se serve p falar do artista ou deturpar a imagem do msm, aguardo resposta.