Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 8 de julho de 2014

Série 'Show de bola' mapeia música do Brasil em anos de campeonatos

Mais um produto fonográfico lançado no mercado nacional de olho no lance de a Copa do Mundo de 2014 estar sendo disputada no Brasil, a série Show de bola - A trilha sonora do futebol mapeia - dentro dos limites de coletâneas e das possibilidades de licenciamentos de fonogramas de outras gravadoras - a música consumida no Brasil nos anos em que o país se sagrou vitorioso em Copas do Mundo. São cinco CDs vendidos de forma avulsa pela gravadora Warner Music. Cada disco traz gravações em evidência nos cinco anos - 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 - em que a seleção brasileira chegou à final e saiu de campo com a taça de campeão. Capitaneada por Charles Gavin, as seleções das cinco compilações retratam - ainda que de forma superficial - a evolução da música brasileira a partir dos anos 1950. O primeiro disco, 1958 campeão, prioriza o samba, o samba-canção e os ritmos nordestinos que estavam em voga na década de 1950. Gravações como as de Acertei no milhar (de Wilson Batista e Geraldo Pereira, com Moreira da Silva), Balada triste (de Dalton Vogeler e Esdras da Silva, na voz de Ângela Maria), Coco do Norte (de Rosil Cavalcanti, com Jackson do Pandeiro) e Meu mundo caiu (de e com Maysa) exemplificam a música do Brasil pré-Bossa Nova. João Gilberto somente revolucionaria essa música com a histórica gravação de Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes), feita em julho de 1958, um mês após a disputa da Copa sediada na Suécia. O que explica e justifica plenamente o fato de a Bossa Nova aparecer na série Show de bola somente no CD dedicado às gravações de 1962, ano do bicampeonato brasileiro. No CD 1962 bicampeão, o som derivado da Bossa Nova entra em campo com gravações de Tem dó de mim (de e com Carlos Lyra), Batida diferente (de Durval Ferreira e Maurício Einhorn, no toque do Tamba Trio), Só danço samba (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, com Juarez e seu Conjunto) e Nós e o mar (de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, na voz de Maysa), entre fonogramas de outros ritmos. Por sua vez, o CD 1970 tricampeão já reflete o domínio instantâneo da MPB surgida e consolidada na era dos festivais a partir de 1965. O gênero está representado na coletânea pelos registros de Apesar de você (de e com Chico Buarque), Vou deitar e rolar (Quaquaraquaqua) (de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, na voz emblemática de Elis Regina) e Para Lennon & McCartney (Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant, com Milton Nascimento). Já o CD 1994 tetracampeão evidencia o legado da geração pop que surgiu nos anos 1980 e ganhou ramificações na década de 1990. E aí a série marca uma falta ao creditar o álbum O chamado, de Marina Lima, como de 1994 quando, na realidade, o disco chegou às lojas no fim de 1993. Mas a seleção é boa, reunindo gravações de Cássia Eller (1962 - 2001), Chico Science & Nação Zumbi - representados por A praieira (Chico Science), faixa do álbum Da lama ao caos - e Skank (Te ver, hit do álbum Calango). Por fim, a coletânea 2002 pentacampeão expõe - em seleção que mistura Arlindo Cruz & Sombrinha, Fernanda Porto, Wilson Simoninha e Zeca Baleiro, entre outros - a saudável diversidade e a segmentação mercadológica que pautam a música (popular?) brasileira a partir dos anos 2000.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

♪ Mais um produto fonográfico lançado no mercado nacional de olho no lance de a Copa do Mundo de 2014 estar sendo disputada no Brasil, a série Show de bola - A trilha sonora do futebol mapeia - dentro dos limites de coletâneas e das possibilidades de licenciamentos de fonogramas de outras gravadoras - a música consumida no Brasil nos anos em que o país se sagrou vitorioso em Copas do Mundo. São cinco CDs vendidos de forma avulsa pela gravadora Warner Music. Cada disco traz gravações em evidência nos cinco anos - 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 - em que a seleção brasileira chegou à final e saiu de campo com a taça de campeão. Capitaneada por Charles Gavin, as seleções das cinco compilações retratam - ainda que de forma superficial - a evolução da música brasileira a partir dos anos 1950. O primeiro disco, 1958 campeão, prioriza o samba, o samba-canção e os ritmos nordestinos que estavam em voga na década de 1950. Gravações como as de Acertei no milhar (de Wilson Batista e Geraldo Pereira, com Moreira da Silva), Balada triste (de Dalton Vogeler e Esdras da Silva, na voz de Ângela Maria), Coco do Norte (de Rosil Cavalcanti, com Jackson do Pandeiro) e Meu mundo caiu (de e com Maysa) exemplificam a música do Brasil pré-Bossa Nova. João Gilberto somente revolucionaria essa música com a histórica gravação de Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes), feita em julho de 1958, um mês após a disputa da Copa sediada na Suécia. O que explica e justifica plenamente o fato de a Bossa Nova aparecer na série Show de bola somente no CD dedicado às gravações de 1962, ano do bicampeonato brasileiro. No CD 1962 bicampeão, o som derivado da Bossa Nova entra em campo com gravações de Tem dó de mim (de e com Carlos Lyra), Batida diferente (de Durval Ferreira e Maurício Einhorn, no toque do Tamba Trio), Só danço samba (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, com Juarez e seu Conjunto) e Nós e o mar (de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, na voz de Maysa), entre fonogramas de outros ritmos. Por sua vez, o CD 1970 tricampeão já reflete o domínio instantâneo da MPB surgida e consolidada na era dos festivais a partir de 1965. O gênero está representado na coletânea pelos registros de Apesar de você (de e com Chico Buarque), Vou deitar e rolar (Quaquaraquaqua) (de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, na voz emblemática de Elis Regina) e Para Lennon & McCartney (Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant, com Milton Nascimento). Já o CD 1994 tetracampeão evidencia o legado da geração pop que surgiu nos anos 1980 e ganhou ramificações na década de 1990. E aí a série marca uma falta ao creditar o álbum O chamado, de Marina Lima, como de 1994 quando, na realidade, o disco chegou às lojas no fim de 1993. Mas a seleção é boa, reunindo gravações de Cássia Eller (1962 - 2001), Chico Science & Nação Zumbi - representados por A praieira (Chico Science), faixa do álbum Da lama ao caos - e Skank (Te ver, hit do álbum Calango). Por fim, a coletânea 2002 pentacampeão expõe - em seleção que mistura Arlindo Cruz & Sombrinha, Fernanda Porto, Wilson Simoninha e Zeca Baleiro, entre outros - a saudável diversidade e a segmentação mercadológica que pautam a música (popular?) brasileira a partir dos anos 2000.

Roberto de Brito disse...

Vai encalhar!

Marcelo Barbosa disse...

Vai encalhar! (2) E meu mundo caiu combina bem com o momento. Todo mundo na rua com cara de zumbi!!

Mauro Silva disse...

Quem vai comprar isso ? Tanto disco antigo pra ser relançado e o Charles Gavin vem com essa salada amarga?? Já não basta o "bola fora" do Chill:Brazil 2014, lançado recentemente ?? Por que não lança um box do Hermeto,do Egberto Gismonti, da Joyce ou da Angela Roro?? Gente alguem dá um Lexotan pro Charles Gavin, por que ele não esta passando bem, o que esta acontecendo :(

Zé Henrique disse...

Os alemães vão comprar.
Ou melhor, já compraram.
Por isso estão jogando à lá brasileira.
Engraçado, me veio agora a mente que a decadência, em termos de mercado/mainstream, do futebol brasileiro acontece no mesmo momento que a da música - dos anos noventa para cá.
Continua se fazendo música boa no país, assim como se jogando bom futebol, mas o modelo vigente não valoriza o talento.
Só resultados.

PS: Ê, Felipão, a gente podia ficar sem essa, hein!?
Sete a um queima o filme demais.
Tanto quanto Michel Teló como representante da música brasileira no exterior.