Mauro Ferreira no G1

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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

'Marabô' celebra, em tom romântico, os 35 elétricos Carnavais de Brown

Resenha de CD
Título: Marabô
Artista: Carlinhos Brown
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * 1/2
Disco disponível para venda em todo o Brasil através do iTunes

O fato de Carlinhos Brown ter subido pela primeira vez num trio elétrico na companhia de um grupo de rock - Mar Revolto, do qual era percussionista - já deu a pista certeira da inquietude deste cantor, compositor, músico e agitador cultural baiano. O ano era 1979. Brown tinha então somente 17 anos. É por isso que na contracapa do décimo título de sua discografia solo, Marabô, está escrito 35 Carnavais, como um subtítulo para esse CD que acaba de ser posto à venda em escala nacional no iTunes. Lançado na Bahia neste mês de janeiro de 2014, encartado no jornal baiano Correio, Marabô celebra em tom globalizado, romântico e festivo os 35 elétricos Carnavais do artista. Gravado e produzido pelo próprio Brown entre agosto e dezembro de 2013 (com colaborações adicionais de nomes como DJ Deeplick, Gerson Silva, Jaques Morelebaun, John Powell, Nestor Madrid, Sergio Mendes e Thiago Pugas), Marabô aglutina sons e cadências distintas, mas complementares, em 12 músicas da lavra de Brown. Onze são assinadas solitariamente por este profícuo compositor. Somente a música-título Marabô - emoldurada por cordas em andamento sereno - ostenta a assinatura adicional do parceiro Saul Barbosa (1953 - 2010), compositor que prestou grandes serviços à música de sua Bahia. Marabô faz a festa e cai na folia, mas embebido em romantismo singelo. Amouro, Encontrei (canção de espírito tribalista com seu assobiável lá lá lá), Vc o amor eu (tema sustentado com a batida do samba-reggae e entoado por Brown em dueto com a cantora Quésia Luz) e Vou dizer sim (faixa com boa dose de eletrônica) fazem o Carnaval a dois em clima amoroso. Assim como Paxuá e paramim, música que se impõe como uma das mais inspiradas da safra de MarabôPaxuá e paramim prolonga a história do casal indígena que batiza a faixa aditivada com vozes de crianças - história contada no livro infantil lançado pelo artista em 2012. Em esfera mais coletiva e carnavalizante, o sambão Vidacarnaval entra na avenida com alegria e cadência que remetem a outro samba, Vide Gal (1996), em que a Bahia foi mais carioca. Já o ijexá Tatá Gandhi põe o bloco na rua, com dose alta de eletrônica, para saudar os 65 anos do bloco afro-baiano Filhos de Gandhy, completados em 2013. Outro destaque da safra inédita, Afroascendente - música de levada caribenha - é a faixa que mais se aproxima do universo da música afro-pop-baiana rotulada de axé music. Inclusive por ter sido gravada com Luiz Caldas, um dos pioneiros do gênero oficializado em 1985. Também enraizada no universo carnavalesco baiano, Kd Canô cita no título o apelido de Claudionor Viana Teles Velloso (1907 - 2012), a centenária Dona Canô, mãe de Caetano Veloso, voz que propagou há 25 anos a música de Brown em escala nacional ao gravar Meia-lua inteira no álbum Estrangeiro (1989). Kd Canô faz ode ao poder das mulheres na hierarquia da folia e da vida baiana. E, como o Carnaval de Carlito Marrón há muito já não cabe nas fronteiras da Bahia, Hidden waters evoca o som do pianista fluminense Sergio Mendes - com quem Brown tem feito conexões de alcance planetário -  e Afrobossa abaum reitera o tom globalizado de Marabô, CD entranhado no universo afro-baiano, mas de espírito livre como o de seu criador.

5 comentários:

Mauro Ferreira disse...

O fato de Carlinhos Brown ter subido pela primeira vez num trio elétrico na companhia de um grupo de rock - Mar Revolto, do qual era percussionista - já deu a pista certeira da inquietude deste cantor, compositor, músico e agitador cultural baiano. O ano era 1979. Brown tinha então somente 17 anos. É por isso que na contracapa do décimo título de sua discografia solo, Marabô, está escrito 35 Carnavais, como um subtítulo para esse CD que acaba de ser posto à venda em escala nacional no iTunes. Lançado na Bahia neste mês de janeiro de 2014, encartado no jornal baiano Correio, Marabô celebra em tom globalizado, romântico e festivo os 35 elétricos Carnavais do artista. Gravado e produzido pelo próprio Brown entre agosto e dezembro de 2013 (com colaborações adicionais de nomes como DJ Deeplick, Gerson Silva, Jaques Morelebaun, John Powell, Nestor Madrid, Sergio Mendes e Thiago Pugas), Marabô aglutina sons e cadências distintas, mas complementares, em 12 músicas da lavra de Brown. Onze são assinadas solitariamente por este profícuo compositor. Somente a música-título Marabô - emoldurada por cordas em andamento sereno - ostenta a assinatura adicional do parceiro Saul Barbosa (1953 - 2010), compositor que prestou grandes serviços à música de sua Bahia. Marabô faz a festa e cai na folia, mas embebido em romantismo singelo. Amouro, Encontrei (canção de espírito tribalista com seu assobiável lá lá lá), Vc o amor eu (tema sustentado com a batida do samba-reggae e entoado por Brown em dueto com a cantora Quésia Luz) e Vou dizer sim (faixa com boa dose de eletrônica) fazem o Carnaval a dois em clima amoroso. Assim como Paxuá e paramim, música que se impõe como uma das mais inspiradas da safra de Marabô. Paxuá e paramim prolonga a história do casal indígena que batiza a faixa aditivada com vozes de crianças - história contada no livro infantil lançado pelo artista em 2012. Em esfera mais coletiva e carnavalizante, o sambão Vidacarnaval entra na avenida com alegria e cadência que remetem a outro samba, Vide Gal (1996), em que a Bahia foi mais carioca. Já o ijexá Tatá Gandhi põe o bloco na rua, com dose alta de eletrônica, para saudar os 65 anos do bloco afro-baiano Filhos de Gandhy, completados em 2013. Outro destaque da safra inédita, Afroascendente - música de levada caribenha - é a faixa que mais se aproxima do universo da música afro-pop-baiana rotulada de axé music. Inclusive por ter sido gravada com Luiz Caldas, um dos pioneiros do gênero oficializado em 1985. Também enraizada no universo carnavalesco baiano, Kd Canô cita no título o apelido de Claudionor Viana Teles Velloso (1907 - 2012), a centenária Dona Canô, mãe de Caetano Veloso, voz que propagou há 25 anos a música de Brown em escala nacional ao gravar Meia-lua inteira no álbum Estrangeiro (1989). Kd Canô faz ode ao poder das mulheres na hierarquia da folia e da vida baiana. E, como o Carnaval de Carlito Marrón há muito já não cabe nas fronteiras da Bahia, Hidden waters evoca o som do pianista fluminense Sergio Mendes - com quem Brown tem feito conexões de alcance planetário - e Afrobossa abaum reitera o tom globalizado de Marabô, CD entranhado no universo afro-baiano, mas de espírito livre como o de seu criador.

Jansen disse...

Curiosíssimo p/ conferir esse álbum!

Jansen disse...

Curiosíssimo p/ conferir esse álbum!

Geilson Lopes disse...

O Brown é um artista multi, a Eme Pê Bê só tem a ganhar!!!

ADEMAR AMANCIO disse...

"Meia-lua inteira" é da época que o axé tinha algum prestígio.