♪ Com imagem de Aline Carrer exposta na capa, o oitavo álbum de Tomás Improta, A volta de Alice, reproduz maravilhas musicais do país no toque do piano e do sintetizador deste compositor e músico carioca. Pianista de formação clássica, Improta transita por samba, bossa nova, jazz e pop ao longo das 11 faixas do álbum instrumental produzido por Carlos Pontual e editado pelo selo Kalimba. Em dois dos quatro temas autorais do disco, Como o céu é dos aviões e É azul, Improta troca o piano pelo sintetizador, explorando timbres eletrônicos em sintonia com a conexão com músicos da cena contemporânea carioca como o baterista Domenico Lancellotti, músico que toca em faixas como Esperança perdida (Antonio Carlos Jobim e Billy Blanco, 1956) e Vagamente (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1963). Em atividade profissional desde 1970, Improta celebra 45 anos de carreira com álbum sofisticado que aloca como faixa-bônus um sensível registro solo de Avarandado (Caetano Veloso, 1967), gravada pelo músico somente com o toque de seu piano. Aberto com abordagem orquestral de Império do samba (Zé da Zilda e Zilda do Zé, 1954), o disco apresenta músicas compostas por Improta em tributo a um pianista clássico e a um pianista de jazz. O pianista do universo erudito é o Tomás Terán (1895 - 1964), pianista espanhol (naturalizado brasileiro em 1944) que deu aulas do instrumento para ninguém menos do que Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994). Improta celebra o antecessor em Terán, música gravada com o trombone de Raul de Souza. Já o pianista de jazz é o norte-americano Thelonius Monk (1917 - 1982), inspirador do tema autoral 12 anéis de Thelonius, gravado por Improta com evocação do universo da música dodecafônica. O álbum A volta de Alice maravilha quem vive no belo país da música instrumental.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Cátia de França prepara, para 2016, lançamento do sexto álbum da discografia
♪ Cantora e compositora paraibana, Cátia de França prepara a edição do sexto álbum de discografia para ser lançado em 2016 com projeto do patrocínio Natura musical. O último disco da artista, No bagaço da cana um Brasil adormecido, saiu em 2012 por vias independentes. Cátia de França é a autora de Coito das araras e Kukukaya (Jogo da asa da bruxa), músicas lançadas em 1979 no primeiro LP da artista, 20 palavras ao redor do sol (Epic / CBS), álbum clássico na obra de Cátia de França (em foto de Eric gomes). Gravado entre 2005 e 2006, com produção de Rodrigo Garcia, o repertório vai apresentar 14 músicas de autoria da boa compositora. O álbum se chama Hóspede da natureza.
Compacto gravado por Novos Baianos na RGE em 1970 ganha edição digital
♪ "A minha razão está em mim", brada Baby do Brasil - a cantora fluminense então conhecida como Baby Consuelo - em verso gravado com a pegada do rock. O verso integra a letra de Volta que o mundo dá, música de Moraes Moreira e Luiz Galvão lançada pelo grupo Novos Baianos no lado B de compacto lançado em 1970 na extinta gravadora RGE. Volta que o mundo dá não integraria outro álbum do grupo baiano. O que valoriza bastante a reedição do raro compacto em formato digital. Disponibilizado nas plataformas digitais neste mês de dezembro de 2015 pela gravadora Som Livre, herdeira do acervo da RGE, o compacto original trazia no lado A outra música de Moraes e Galvão, Curto de véu e grinalda, incluída no primeiro álbum do grupo, É ferro na boneca!, lançado originalmente pela RGE em 1970. A edição digital deste compacto de 1970 acontece na sequência da reedição em vinil, pela Polysom, de outro compacto (no caso, duplo e com quatro músicas inéditas nunca incluídas pela banda em álbuns posteriores) lançado pelos Novos Baianos na RGE naquele ano de 1970. Clique aqui para reler sobre a reedição em vinil do compacto duplo do grupo.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – Fafá volta ao disco, faz show perfeito e vira roqueira
♪ RETROSPECTIVA 2015 – E Fafá de Belém voltou a gravar um álbum. No ano em que festejou 40 anos de carreira fonográfica, a cantora paraense lançou álbum de estúdio - o primeiro em uma década - e apresentou show perfeito, feito sob a direção de Paulo Borges. De quebra, a artista ainda assumiu o papel de roqueira em show feito sob a direção musical do guitarrista Edgard Scandurra. O que tinha tudo para ser um ano morno - a ideia inicial da cantora era fazer mero disco de remixes para celebrar as quatro décadas de exposição nacional - se transformou num dos anos mais produtivos da carreira da artista (em foto de Fábio Bartelt). Em janeiro, convencida pelo DJ Zé Pedro de que deveria lançar um álbum para comemorar a efeméride, Fafá entrou em estúdio para gravar um disco que ficou entre o tecno e o brega. Lançado em agosto pela gravadora Joia Moderna, Do tamanho certo para o meu sorriso repôs Fafá na mídia com força e com repertório produzido, arranjado e tocado por Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, pai e filho, expoentes da cena musical do Pará. Ainda em agosto, Fafá estreou em São Paulo (SP) um show perfeito - idealizado e dirigido por Paulo Borges - que ampliou o sentido do popular repertório do álbum e engrandeceu o que, no disco, soara menor do que o canto e o sorriso fartos da estrela radiante. Inquieta, Fafá ainda virou roqueira para dar voz a músicas do pop rock brasileiro em show apresentado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em novembro, no projeto Inusitado, criação de André Midani. 2015 foi ano farto, do tamanho da gargalhada de Fafá de Belém.
Gil e Eliane Elias representam Brasil na lista de indicações ao Grammy 2016
♪ Gilberto Gil está indicado à 58ª edição do Grammy, o maior prêmio da indústria fonográfica dos Estados Unidos. O cantor, compositor e músico baiano concorre na categoria Álbum de world music com Gilbertos samba ao vivo (Sony Music), disco lançado em dezembro de 2014 com o registro do show baseado no homônimo álbum de estúdio - também lançado em 2014, mas em março - em que Gil revisita o repertório do cantor baiano João Gilberto. Cabe lembrar que Gil - em foto de Daryan Dornelles - já ganhou duas vezes o Grammy na mesma categoria world music. A primeira foi na edição de 1999 com outro álbum ao vivo, Quanta gente veio ver (Warner Music, 1998). A segunda foi na edição de 2006 por conta do álbum Eletroacústico (Warner Music, 2004). Além de Gil, o Brasil está representado no Grammy de 2016 por Eliane Elias. A cantora, compositora e pianista paulistana - radicada nos Estados Unidos desde 1981 - concorre a um Grammy na categoria Álbum de jazz latino com Made in Brazil (Concord Jazz / Universal Music, 2015), disco gravado no Brasil com registros adicionais na Inglaterra.Os vencedores serão anunciados em 15 de fevereiro de 2016.
Voz de Pernambuco, Almério lança o segundo álbum, 'Desempena', em 2016
♪ A voz de Almério Rodrigo Menezes Feitosa - cantor, compositor e ator de teatro nascido em Altinho (PE) há 35 anos e radicado em Caruaru (PE) - pode extrapolar as fronteiras de Pernambuco e do Nordeste, alcançando todo o Brasil ao longo de 2016. Almério - como é conhecido no meio musical e teatral o artista visto em foto de Breno César - vai gravar e lançar o segundo álbum em 2016 com patrocínio do projeto Natura musical, tendo sido eleito pelo voto popular e pelo aval de formadores de opinião. Por ora intitulado Desempena, o CD vai ser produzido por Juliano Holanda e sucede o álbum Almério (Independente, 2013) na discografia do performático artista. Compositor desde os 14 anos, Almério fez o primeiro show em 2003, cantando músicas de compositores de Caruaru. No embalo da boa repercussão do álbum que lançou em dezembro de 2013, com produção de Lucky Luciano, o cantor já fez turnê por seis cidades e quatro estados do Nordeste neste ano de 2015. O álbum Desempena chega em 2016 com a missão de projetar o artista em âmbito nacional.
Nem lapso de edição empana brilho da caixa com discos áureos de Rita Lee
Resenha de caixa de CDs
Título: Rita Lee
Artista: Rita Lee
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *
Título: Rita Lee
Artista: Rita Lee
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *
♪ Em 1995, o executivo João Augusto - então no posto de diretor artístico da gravadora EMI - lançou no mercado fonográfico brasileiro a Rita Lee collection. A coleção apresentava as primeiras reedições em CD dos álbuns gravados pela artista paulistana na gravadora Som Livre entre 1975 e 1985 - acervo então recém-adquirido pela EMI - e os títulos gravados pela cantora e compositora na própria EMI na segunda metade dos anos 1980. Ao longo dos últimos 20 anos, estas foram as únicas reedições em CD dos álbuns áureos de Rita na fase pós-Mutantes. Por isso, a caixa Rita Lee - ora lançada pela gravadora Universal Music - é de suma importância. Produzida por Luiz Garcia, a caixa embala 20 álbuns lançados entre 1970 e 2004 pela roqueira mais carnavalesca do Brasil, além da coletânea Pérolas, com gravações avulsas até então somente disponíveis em CD (em sua maioria) na compilação Meus momentos volume dois, editada em 1997 pela EMI. Nem um lapso grave na produção da caixa - o fato de a reedição do álbum 3001 (Universal Music, 2000, * * *) tocar Por enquanto (Renato Russo, 1985) na voz de Cássia Eller (1962 - 2001) no lugar da faixa Erva venenosa (Poison ivy) (Jerry Leiber e Mike Stoller, 1959, em versão de Rossini Pinto, 1965) - empana o brilho das reedições da caixa (retirada momentaneamente do mercado para corrigir o erro em próxima tiragem prevista para chegar às lojas em janeiro de 2016). Primeiro, porque a qualidade do som é excelente. A remasterização feita por Luigi Hoffer e Carlos Savalla restaurou o som dos álbuns originais. Segundo, porque o apuro no tratamento gráfico - com a reprodução fiel de todas as letras, fotos e textos das contracapas e encartes - avança em relação à coleção de 1995. E terceiro porque, afinal, a discografia de Rita Lee é das obras mais fundamentais do universo pop brasileiro. Roqueiros tradicionalistas tendem a valorizar os quatro álbuns gravados por Rita com o grupo Tutti Frutti - Atrás do porto tem uma cidade (Philips, 1974, * * * *), Fruto proibido (Som Livre, 1975, * * * * *), Entradas e bandeiras (Som Livre, 1976, * * *) e Babilônia (Som Livre, * * * 1/2) - em detrimento dos discos gravados por Rita com Roberto de Carvalho a partir de 1979, em nítido redirecionamento pop do rock que Rita fizera até então com os grupos Mutantes e Tutti Frutti. Mas o fato é que álbuns como Rita Lee (Som Livre, 1979, * * * * *) e Rita Lee (Som Livre, 1980, * * * * *) atingiram a perfeição pop roçada por Saúde (Som Livre, 1981, * * * * 1/2) e, em menor grau, por Rita Lee & Roberto de Carvalho (Som Livre, 1982, * * * 1/2), disco reeditado sem a música Brasil com S por questões jurídicas, já que foi gravada com a voz e o violão de João Gilberto. A obra de Rita com Roberto somente começou a dar sinais preocupantes de desgaste com Bom bom (Som Livre, 1983, * * 1/2), álbum em que os artistas se lambuzaram com o tecnopop que tinham usado na medida certa em Saúde, o álbum em que Rita virou ligeiramente o disco sem abandonar por completo o pop carnavalizante do álbum de 1980. Mas eles logo voltaram a se afinar no tom depressivo de Rita e Roberto (Som Livre, 1985, * * * *), álbum dark em que a dupla traduziu em música o estado de um mundo então acuado pelo avanço da aids e, em caráter particular, o então nebuloso raio x mental de Rita, às voltas com boato falso de que estava com leucemia. Os discos lançados por Rita Lee na década passada na gravadora Som Livre - no período que foi de 1975 a 1985 - representam o supra-sumo de bela obra. Quando Rita ingressou na EMI e lançou o álbum Flerte fatal (EMI-Odeon, 1987, * * * 1/2), reeditado na caixa com erro de grafia na faixa inicial (Brasix muamba virou Brasyx muamba na contracapa externa e no encarte), o poder de sedução da obra da Ovelha negra já era menor, embora o sucesso radiofônico das delícias pop Pega rapaz (música feita anos atrás, mas até então inédita) e Bwana tenha disfarçado crise de criação que ficou mais visível em Zona zen (EMI-Odeon, 1988, * * *) e, sobretudo, em Rita Lee e Roberto de Carvalho (EMI-Odeon, 1990, * *), o pior álbum da dupla. Não por acaso, Rita e Roberto se separaram artisticamente na primeira metade da década de 1990, retomando e expandindo a parceria somente a partir do álbum de inéditas Santa Rita de Sampa (Universal Music, 1997, * * *), disco oscilante. Não por acaso, a partir de então, Rita passou a viver de seu passado de glória em registros de shows como os ouvidos nos CDs Acústico MTV (Universal Music, 1998, * * * *) e MTV ao vivo (EMI Music, 2004, * * * *), ambos incluídos na caixa (ainda que - justiça seja feita - Rita tenha recuperado momentaneamente o vigor criativo em Balacobaco, CD de 2003 feito na Som Livre e omitido na caixa por não pertencer ao acervo da Universal Music). Ouvida em retrospectiva na caixa, a discografia de Rita Lee sem Mutantes reitera a genialidade da compositora. No geral, as canções são tão boas - e interpretadas no tom exato por Rita, sem demonstrações de virtuosismos vocais - que a compositora sempre sustentou a cantora. Fazendo rock ou pop, Rita nunca pesou a mão, abordando temas espinhosos com espirituosidade e uma irreverência detectáveis já no primeiro álbum solo, Build up (Polydor, 1970, * * *), incluído na caixa na mesma (caprichada) reedição feita para Três tons de Rita Lee, box de 2013 que embalou também Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida (Polydor, 1972, * * * *) - álbum creditado somente a Rita, mas idealizado e gravado com os Mutantes - e o já mencionado Atrás do porto tem uma cidade, marco inicial da parceria de Rita com Tutti Frutti, grupo com o qual a artista manteve erguida a bandeira do rock em época (a década de 1970) em que roqueiro brasileiro ainda tinha cara de bandido. Com o Tutti Frutti, Rita fez a obra-prima Fruto proibido, ouvido e revivido ainda hoje, 40 anos após o lançamento do álbum em 1975, com regravações de músicas como Ovelha negra (Rita Lee), Agora só falta você (Rita Lee e Luiz Carlini), Cartão postal (Rita Lee e Paulo Coelho), Esse tal de roque enrow (Rita Lee e Paulo Coelho) e Luz del Fuego (Rita Lee). Na segunda metade da década de 1970, a inspiração de Rita era tão incessante que, além de gravar discos anuais com composições inéditas, a compositora ainda fazia músicas exclusivas para trilhas de novelas da TV Globo. Lá vou eu (Rita Lee e Luiz Carlini, 1976), Loco-motivas (Rita Lee, 1977) e Ambição (Rita Lee, 1977) - temas das novelas O grito, Locomotivas e O astro, respectivamente - são algumas das joias avulsas reunidas na inédita coletânea Pérolas (Universal Music, 2015, * * * * 1/2), produzida para a caixa (clique aqui para conhecer o repertório da compilação). Pérolas abre com a gravação original de Arrombou a festa (Rita Lee e Paulo Coelho), música - gravada em 1976 e lançada somente em compacto simples editado pela gravadora Som Livre em fevereiro de 1977 - em que Rita tirou sarro da música brasileira na década áurea da MPB. No único ano em que não gravou disco de estúdio, 1977, Rita fez o registro ao vivo de show dividido de igual para igual com o colega tropicalista Gilberto Gil. Refestança (Som Livre, 1977, * * * *) é título raro cuja inclusão valoriza a caixa Rita Lee, ainda que a reedição apresente problema de execução nos 20 segundos iniciais da faixa Back in Bahia (Gilberto Gil, 1972), música cantada por Rita (problema que talvez seja do desgaste da matriz original do álbum). Enfim, sozinha ou com Tutti Frutti, Rita Lee foi ótima. Mas, compondo em dupla com o guitarrista Roberto de Carvalho, a mutante alcançou perfeita simbiose entre música e letra em pérolas ainda reluzentes como Mania de você (1979), Lança perfume (1980), Caso sério (1980), Saúde (1981), Banho de espuma (1981), Flagra (1982) e Desculpe o auê (1983) - para citar somente as que mais fizeram sucesso. Enfim, como dito, os eventuais lapsos na edição de um ou outro disco jamais deve desencorajar a compra da caixa Rita Lee. A obra nela contida está entre o que de melhor se produziu no universo pop brasileiro desde que o rock é rock. Salve Santa Rita de Sampa pelo milagre de ser pop no Brasil há quase 50 anos!!!
domingo, 6 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – 'Dancê' repõe Tulipa Ruiz na pista sem entusiasmar
♪ RETROSPECTIVA 2015 – Tulipa Ruiz entrou em estúdio em janeiro para gravar o terceiro álbum de inéditas. Lançado em maio, Dancê repôs a cantora e compositora paulistana na pista, mas com menor poder de sedução. Produzido pelo irmão da artista, Gustavo Ruiz, Dancê tocou em passo irregular, encobrindo com grooves azeitados os sinais de desgaste da obra autoral de Tulipa, em maior parte composta em parceria com Gustavo. Embora tenha sido agraciado em novembro com o Grammy Latino na categoria Melhor álbum pop contemporâneo brasileiro, Dancê se tornou o álbum, no geral, menos incensado da artista, sensação musical de 2010 com o lançamento de Efêmera (YB Music, 2010). Mesmo sem bisar o êxito de Tudo tanto (Independente, 2012), Dancê gerou turnê nacional. Mas o fato é que Tulipa - em foto de Rodrigo Schmidt - já vai entrar em 2016 em nova turnê, feita ao lado do cantor e compositor paulistano Marcelo Jeneci, parceiro na composição Dia a dia, lado a lado, composta em 2009, lançada em shows e seis anos depois gravada oficialmente pelos artistas em single que chega às plataformas digitais ainda neste mês de dezembro, fechando o ano de Tulipa Ruiz e abrindo possibilidades artísticas para a artista em 2016.
Eis a capa de 'Se a canção mudasse tudo', terceiro CD de Manuela Rodrigues
♪ Com capa que expõe arte gráfica criada por Lia Cunha a partir de foto de João Milet Meirelles, o terceiro álbum da cantora e compositora baiana Manuela Rodrigues, Se a canção mudasse tudo, vai ter seu primeiro single, Bagagem, disponibilizado para download gratuito no portal do projeto Natura musical a partir da próxima quinta-feira, 10 de dezembro de 2015. Bagagem é música de autoria de Manuela. Gustavo Di Dalva é o produtor da faixa. Clique aqui para saber detalhes do repertório e conhecer o time de produtores do álbum Se a canção mudasse tudo, sucessor do excelente Uma outra qualquer por aí (Garimpo Música, 2011) na discografia da talentosa artista.
Maria Rita grava show 'Coração a batucar' na íntegra, no Rio, para DVD (e CD)
♪ A IMAGEM DO SOM - As fotos extraídas de vídeos postados por Maria Rita em sua página oficial no Facebook mostram a cantora paulistana no palco da Fundição Progresso, no Centro do Rio de Janeiro (RJ), na gravação ao vivo do ótimo show Coração a batucar. A artista aproveitou a última apresentação do espetáculo - iniciada já na madrugada deste domingo, 6 de dezembro de 2015 - para fazer, sob direção de Hugo Prata, o registro integral do show que percorreu o Brasil desde abril de 2014 em turnê oficial que teve estreia oficial na mesma Fundição Progresso. O registro vai originar DVD - e também CD ao vivo - previstos para serem lançados em 2016 pela gravadora Universal Music.
Filho de Ruy e Cynara, Chico Faria segue tradição familiar em 'É bom cantar'
Resenha de CD
Título: É bom cantar
Artista: Chico Faria
Gravadora: Fina Flor
Cotação: * * * 1/2
Título: É bom cantar
Artista: Chico Faria
Gravadora: Fina Flor
Cotação: * * * 1/2
♪ Chico Faria volta ao mercado fonográfico doze anos após ter lançado o primeiro álbum, Chico Faria canta Chico Buarque (Independente, 2003). Há, a propósito, grande composição de Chico Buarque entre as nove músicas alinhadas pelo cantor carioca nas faixas de É bom cantar. Contudo, a regravação de Sinhá (João Bosco e Chico Buarque, 2011) se torna o momento menos interessante do disco porque a abordagem do samba soa como cover, sem nada acrescentar, tanto no arranjo como no canto, aos registros do tema já feitos pelo próprio Chico. Faria cresce e aparece quando apresenta novidade. E, justiça seja feita, das nove músicas do disco, seis são composições inéditas criadas dentro das tradições de uma MPB que resiste à margem do mercado em decomposição e da imprensa musical voltada para o hype fugaz. Filho de Ruy Faria (integrante da formação original do MPB-4 que saiu do grupo em 2004) e de Cynara (uma das belas vozes do Quarteto em Cy), Chico Faria segue os cânones dessa MPB familiar no álbum produzido por Ruy Quaresma para a gravadora Fina Flor, provando que é bom cantar um assombro de composição como Bem assombrada, uma daquelas músicas de Guinga (no caso, com o jovem parceiro Thiago Amud, revelação da música brasileira) que ecoam sons de séculos passados com modernidade. A música-título É bom cantar é tradicional samba de Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro que segue a cartilha rítmica e poética ao louvar o próprio samba, ritmo dominante no disco. No CD, tem samba em que Jorge Vercillo põe fé na força transformadora do pensamento (Samba-oração, criação solar de compositor que tem lutado para renovar e expandir a obra autoral) e tem mais samba que propaga a fé no próprio samba, Puro ouro, composto por Joyce Moreno, lançado pela autora no álbum Tudo (2012) em registro feito com o grupo Casuarina e ora revivido pela compositora com Chico Faria em gravação de bom quilate. Tem ainda um exemplar do samba melancólico e poético de Ivone Lara, Investida fatal (2006), parceria com Bruno Castro e André Lara, lançada pelo Quarteto em Cy no álbum Samba em Cy (Fina Flor, 2006). Dentro do círculo familiar em que gira o disco, com direito ao coro das vozes do Quarteto em Cy e de Ruy Faria em Sinhá e no samba-título É bom cantar, Chico dá boa voz a uma inédita canção marejante de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro (Bico de pena) e segue o roteiro da lírica Viagem de ida e volta (Ruy Quaresma, Aldir Blanc e Paulo Emílio), música lançada em disco por Chico Faria 33 anos após a criação, em 1982. A flauta dolente de Dirceu Leite sublinha o lirismo do arranjo já na introdução da música que abre o disco. E assim, entre o samba e a canção, com eventual clima seresteiro como o que ambienta Ares do céu (Sombrinha, Sombra e Jotabê), Chico Faria modela É bom cantar, disco que mostra que, tal como a Bahia mítica de Dorival Caymmi (1914 - 2008), a MPB está viva ainda lá em cantos e recantos do Brasil que a gerou.
sábado, 5 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – Livros, caixa com discos, filme e série revivem Elis
♪ RETROSPECTIVA 2015 – E o Brasil não ignorou os 70 anos de nascimento de Elis Regina Carvalho Costa (1945 - 1982), festejados em março sem a presença da estrela que saiu de cena há 33 anos. Duas biografias, um show coletivo em São Paulo (SP), uma caixa com reedições dos três álbuns gravados pela cantora gaúcha na Warner Music e a filmagem de ainda inédito longa-metragem de ficção - dirigido por Hugo Prata com a atriz Andreia Horta no papel de Elis e com estreia prevista para maio de 2016 - reavivaram a obra e a história de Elis. A primeira lembrança veio em março, mês do 70º aniversário da artista, com a edição da biografia Elis Regina - Nada será como antes (Master Books), escrita pelo jornalista Julio Maria e saudada na mídia como o mais completo e profundo relato biográfico da vida de uma artista de personalidade complexa. Em maio, o show Elis, 70 anos reuniu cantores e compositores influenciados pela voz de Elis, como Gilberto Gil. Em agosto, a gravadora Warner Music pôs no mercado fonográfico a caixa Elis Regina 70 com reedições dos álbuns Essa mulher (1979), Saudade do Brasil (1980) e do póstumo Elis Regina Montreux Jazz Festival (1982), disco gravado ao vivo em 1979 e, contrariando recomendação de Elis ao executivo André Midani, lançado após a morte da cantora. Por fim, enquanto o cinesta Hugo Prata prepara seu filme, chegou em outubro às livrarias Elis - Uma biografia musical (Arquipélago Editorial), obra de menor vulto cujo maior mérito foi elucidar fatos da pré-história musical de Elis em Porto Alegre (RS). Fechando o ano, a TV Globo encomendou ao novelista Gilberto Braga neste mês de dezembro o texto de série de ficção sobre a cantora prevista para ser exibida pela emissora carioca em 2018. Nascida há 70 anos, Elis Regina Carvalho Costa vive imortal na memória do Brasil!
Sai de cena ela que viveu elas, Marília Pêra, feiticeira de palcos (e de discos)
♪ Marília Marzullo Pêra (22 de janeiro de 1943 - 5 de dezembro de 2015) foi tão grande atriz que desempenhou com talento e com musicalidade o papel de cantora, tendo gravado discos, estrelado musicais e encarnado muitas delas - as cantoras do Brasil - no espetáculo Elas por ela (1989). A carioca Marília Pêra - atriz e cantora do Brasil que saiu de cena na manhã de hoje, 5 de dezembro de 2015, aos 72 anos, após ter gravado (com produção de José Milton) mais um disco que será editado em 2016 pela gravadora Biscoito Fino - cantou nos palcos desde a década de 1960, mas a carreira fonográfica foi iniciada há 40 anos, em 1975, com a edição pela Som Livre do álbum em que a artista registrou a trilha sonora do espetáculo A feiticeira, um dos maiores fracassos de carreira pontuada por grandes sucessos (gravado em estúdio, o disco A feiticeira foi lançado pela primeira vez em CD em 2011, em edição idealizada pelo DJ Zé Pedro para a gravadora Joia Moderna). Dez anos após a edição do LP A feiticeira, Marília voltou ao mercado fonográfico com a edição do álbum A música em Pessoa (Som Livre, 1985), idealizado em torno dos versos do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935). Ainda neste ano de 1985, lançou em disco um registro pioneiro de A noiva do condutor, ópera até então inédita do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937) que gravou com o ator Grande Otelo (1915 - 1993) e o Conjunto Coisas Nossas. Em 1989, em demonstração da versatilidade ímpar, Marília Pêra deu voz e corpo a várias cantoras no espetáculo Elas por ela - inclusive Carmen Miranda (1909 - 1955) e Dalva de Oliveira (1917 - 1972), cantoras que ela já encarnara na TV (no caso de Carmen) e em espetáculos teatrais encenados em 1966 e 1987, respectivamente. Elas por ela teve sua trilha sonora gravada por Marília em álbum duplo editado em 1990 pela gravadora EMI-Odeon. Em 2000, a atriz mais musical do Brasil lançou CD, Estrela tropical, produzido por Roberto Menescal e Flávio Mendes para a gravadora Albatroz. Estrela tropical era o espetáculo musical em que Marília cantava roteiro que harmonizava músicas dos repertórios de Cartola (1908 - 1980), Dorival Caymmi (1914 - 2008), Jorge Ben Jor, Leandro & Leonardo e Tim Maia (1942 - 1998), entre outros cantores e compositores. Como atriz, Marília encarnou até uma diva da ópera, Maria Callas (1923 - 1999), no espetáculo Master class (1996). Como cantora, Marília deu voz nos palcos aos cancioneiros de compositores como Ary Barroso (1903 - 1964) e Herivelto Martins (1912 - 1992) em mais demonstrações de um talento extremamente musical - afinado e burilado com anos de estudo de piano clássico e de canto lírico - que serviu extraordinariamente bem ao teatro, ao cinema e à televisão, mas que deixou também registros importantes (e já raros) no mercado fonográfico brasileiro como a gravação ao vivo do teatralizado show Marília Pêra canta Carmen Miranda, feita em 2005 e lançada em 2006 pela LGK Music em edição dupla que juntava CD e DVD em embalagem de DVD. O último foi a gravação ao vivo, de tom teatral, da música 120...150... 200 km por hora (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970), número que, por ter sido confiado a Marília Pêra, sobressaiu no espetáculo Elas cantam Roberto Carlos, eternizado em CD e DVD editados em 2009 pela gravadora Sony Music. Marília Pêra foi tão grande que sai hoje de cena para entrar imortal na história da cultura nacional. Bravo, bravíssimo!!
Ana Carolina lança quatro inéditas em projeto que receita músicas contra dor
♪ Atenção: quatro músicas inéditas compostas e gravadas por Ana Carolina para projeto de caráter medicinal, Music experiment, estão disponíveis na web. Descomplicar (bonita canção que já tem clipe posto em rotação no YouTube), Outras paisagens, Quer saber e Ao redor de nós dois são as quatro composições inéditas registradas pela cantora e compositora mineira para o projeto de marca de analgésico que receita a música para aliviar dores tensionais sentidas no cotidiano, sobretudo a dor de cabeça (clique aqui para ouvir e/ou baixar as músicas no site oficial do projeto). Parceria da artista com o compositor carioca Edu Krieger (também coautor de Outras paisagens), Descomplicar é canção de tonalidade suave que resiste bem fora do universo temático do projeto porque os versos de Ana não aludem diretamente à questão medicinal, propondo formas de aliviar tensão de relacionamento afetivo sem tom panfletário ou de autoajuda. Quer saber? é parceria com o compositor pernambucano Zé Manoel - de quem Ana dá voz a Canção e silêncio no atual show Solo. Já Ao redor de nós dois é parceria de Ana com Mikael Mutti. O grande trunfo do lote de inéditas é Descomplicar. Descomplicando, Ana Carolina reaviva com leveza a compositora inspirada que conquistou o Brasil a partir de 1999, mas que foi perdendo o foco ao longo dos anos.
Paralamas do Sucesso arquitetam álbum de estúdio (e de inéditas) para 2016
♪ Encerradas as comemorações dos 30 anos de carreira, o grupo carioca Paralamas do Sucesso vai lançar repertório novo em 2016. Enquanto continuam na estrada com incessante agenda de shows, Bi Ribeiro (baixo), João Barone (bateria) e Herbert Vianna (voz e guitarra) - vistos em foto de Maurício Valladres - arquitetam sem pressa e sem pressão o primeiro álbum de estúdio e de músicas inéditas da banda desde o solar Brasil afora (EMI Music, 2009). Os últimos três produtos fonográficos do trio - dois registros de shows editados na série Multishow ao vivo e a caixa Os Paralamas do Sucesso 1983 / 2015 (Universal Music / EMI, 2015) - tiveram caráter retrospectivo.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – Discos reeditados e álbum inédito reavivam Vanusa
♪ RETROSPECTIVA 2015 – Vanusa sai fortalecida deste ano de 2015. Cantora e compositora em evidência nas paradas musicais da década de 1970, Vanusa voltou ao mercado fonográfico - e à vida - ao longo de 2015. Em agosto, os lançamentos simultâneos de duas caixas com reedições de oito álbuns gravados pela cantora entre 1968 e 1979 - produzidas pelo pesquisador carioca Marcelo Fróes para o selo Discobertas - redimensionaram o canto e a obra da artista, jogando luz sobre álbuns raros em que Vanusa transitou pelo soul e pela MPB. Em outubro, a chegada ao mercado do esperado álbum Vanusa Santos Flores (Saravá Discos) - arquitetado e produzido por Zeca Baleiro desde 2013 - coroou o ano bom da cantora (em foto de Gal Oppido). Primeiro disco de repertório inédito da artista desde 1994, Vanusa Santos Flores simbolizou o renascimento artístico e pessoal da cantora após período de depressão. Aos 68 anos, Vanusa ganha as flores - e os discos - em vida.
Single 'É o poder' dá (outra) pista do álbum que Karol Conka lançará em 2016
♪ Disponibilizado hoje nas plataformas digitais, através de parceria do selo Buum com a Skol Music, o single É o poder, de Karol Conka, dá mais uma pista do segundo álbum da rapper curitibana, previsto para ser lançado em 2016. O disco vai ter a direção artística de Zegon, produtor do selo Buuum. Gravada com influências de dancehall e house, a música É o poder é assinada por Karol com Doncesão e Duani. Assim como o single Tombei, lançado na web em dezembro de 2014 como primeira pista do álbum, É o poder tem base criada pelo duo Tropkillaz, formado por Zegon com Gui Laudz. O single foi mixado e masterizado pelo engenheiro de som Frank El Medico Rodriguez.
Bethânia saúda voz de Amália em bela participação no tributo duplo de Mísia
♪ Maria Bethânia sempre apreciou e cantou as belezas de Portugal. Inclusive o fado, gênero que identifica a Terrinha no mapa-múndi musical. Por isso, a presença da intérprete baiana no recém-lançado álbum duplo da cantora portuguesa Mísia, Para Amália, soa perfeitamente natural. Neste disco em que Mísia reverencia a voz soberana do fado de Lisboa, Amália Rodrigues (1920 - 1999), Bethânia canta uma das quatro músicas inéditas do álbum, produzido pela própria Mísia e já disponível no mercado fonográfico brasileiro em edição da Warner Music. A cantora brasileira dá voz a Amália sempre e agora, música de Mário Pacheco com letra de Amélia Muge, que saúda Amália com versos como "Voz de uma moira encantada / De uma rosa no deserto / De um trovão em céu aberto". Música que abre o segundo dos dois discos, Amália sempre e agora é fado valorizado pelo canto de Bethânia, cuja voz amplia o sentido de versos como "Uivo na estepe que chora / Amália sempre e agora". Cabe lembrar que, desde 1970, ano em que gravou o fado brasileiro Os argonautas (Caetano Veloso, 1969), a música de Portugal sempre esteve presente em vários álbuns de Bethânia. Em Drama (Philips, 1972), por exemplo, a cantora deu voz ao fado Maldição (Alfredo Duarte e Armando Vieira Pinto, 1950), do repertório de Amália Rodrigues, de quem gravou Estranha forma de vida - fado de 1962 que tem letra de Amália e música de Alfredo Rodrigo Duarte (1891 - 1982), o Alfredo Marceneiro - no disco ao vivo Nossos momentos (Philips, 1982) após ter batizado o show que fez em 1981 com o nome do popular fado de Amália Rodrigues.
Augusto e Cláudio reproduzem 14 lições da escola do samba de Ismael Silva
♪ O compositor fluminense Milton de Oliveira Ismael Silva (14 de setembro de 1905 - 14 de março de 1978) fundou uma escola de samba em mais de um sentido. Nascido em Niterói (RJ), mas criado no bairro carioca do Estácio, Ismael criou a primeira escola de samba da cidade do Rio de Janeiro (RJ) a partir de agosto de 1928, ano em que agregou integrantes de blocos do Estácio com o intuito de formar uma única agremiação, intitulada Deixa falar. Ismael fundou também uma escola de samba quando começou a compor obra que teve a primeira gravação em 1925, ano em que o pianista Cebola registrou Me faz carinhos em disco da Casa Edison. O mesmo samba Me faz carinhos seria comprado pelo cantor Francisco Alves (1898 - 1952) - em prática comum na época - e regravado em 1927 com Chico Viola creditado como parceiro de Ismael. Intérprete fiel dos sambas de Ismael, Alves se tornaria parceiro do compositor no maior sucesso da obra autoral do bamba do Estácio, Se você jurar, samba lançado em janeiro de 1931 também com o nome do compositor e pianista Nilton Bastos (1899 - 1931) - que sairia precocemente de cena no fim daquele ano - nos créditos. Se você jurar é um dos 14 sambas cantados por Augusto Martins e Cláudio Jorge ao longo das 12 faixas do álbum Ismael Silva: uma escola de samba, recém-lançado pela Mills Records. Com arranjos de Cláudio Jorge, também violonista, o disco joga luz sobre obra até então guardada no baú do samba, já que, com exceção de Se você jurar e de Antonico (Ismael Silva, 1950), pouco se reviveu as lições de samba dadas pelo professor Ismael. Em registros que valorizam o violão de Carlinhos Sete Cordas, o cavaquinho de Márcio Wanderley e as percussões Belôba (surdo), Flavinho Miúdo (surdo e pandeiro) e Marcelinho Moreira (pandeiro, repique de mão e tamborim), Augusto César e Cláudio Jorge procuram dimensionar a obra deste compositor que foi mais do que um Silva na selva das cidades. Destaque do repertório, Me diga teu nome (Ismael Silva, 1931) parece precursor de um partido alto nascido nos fundos dos quintais cariocas na década de 1980. Mesmo sem expor todos os matizes emocionais de um samba como Antonico, já exemplarmente gravado por Gal Costa em álbum ao vivo de 1971, os cantores se mostram bons alunos da escola do samba de Ismael, inclusive quando gravam quatro das 18 parcerias do compositor com Noel Rosa (1910 - 1931), contemporâneo bamba do asfalto e dos bares do bairro de Vila Isabel. A razão dá-se a quem tem (Ismael Silva, Noel Rosa e Francisco Alves, 1932), Dona do lugar (Ismael Silva, Noel Rosa e Francisco Alves, 1932), Quem não quer sou eu (Ismael Silva e Noel Rosa, 1933), Pra me livrar do mal (Ismael Silva, Noel Rosa e Francisco Alves, 1932) exemplificam a fusão do samba do morro com o samba do asfalto - ainda que seja um erro (aprendido em alguns colégios...) acreditar que morro e asfalto sempre caminharam separados. Do morro ou do asfalto, predominam no disco sambas lançados em discos da década de 1930. Uma das exceções, além de Antonico, é Contrastes - samba que Ismael apresentou na década de 1970, cinco anos antes de sair de cena, entre as seis músicas inéditas do álbum Se você jurar (RCA-Victor, 1973). Contrastes logo ganharia a voz de Jards Macalé e batizaria o álbum lançado pelo artista carioca em 1977 e reeditado pela gravadora Som Livre neste ano de 2015. Ainda que tenha escrito obra composta fora dos padrões do samba e da MPB, Macalé foi um (aplicado) aluno da escola do samba de Ismael Silva.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – Emicida solta o verbo sem perder o gueto de vista
♪ RETROSPECTIVA 2015 – A exposição do rosto de Emicida na capa edição 109 da revista Rolling Stone, em outubro, foi sinal da expansão do som e da cara de Leandro Roque de Oliveira pelo Brasil ao longo de 2015. Aos 30 anos, o rapper paulistano soltou o verbo além do gueto no segundo semestre do ano. A consolidação da obra e do sucesso veio com o lançamento, em agosto, do segundo álbum de estúdio do artista, Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa, um dos discos socialmente mais relevantes de 2015. Tratado sobre o racismo entranhado na sociedade brasileira, o álbum foi feito na ponte África-Brasil e editado pelo selo de Emicida, Laboratório Fantasma, com distribuição da multinacional Sony Music. Ao talento de improvisador de rimas, o cantor e compositor - em foto de José de Holanda - adicionou eventual tom pop a um repertório que jamais diluiu a consciência aguçada do artista sobre as questões e os preconceitos enfrentados cotidianamente pelos negros no Brasil. Passarinhos (Emicida e Xuva Levy) - canção leve e pop gravada em dueto com a cantora e compositora Vanessa da Mata - tocou nas rádios e exemplificou a habilidade do artista de abordar temas pesados com eventual leveza sem perder o gueto de vista.STJ proíbe gravadora de comercializar três álbuns seminais de João Gilberto
♪ Ao comprar e encampar a gravadora EMI Music em 2013, a Universal Music adquiriu também o ônus da briga judicial que João Gilberto travava com a companhia fonográfica inglesa desde 1992. Pendenga que chegou ao fim hoje, 3 de dezembro de 2015, com a decisão irrevogável do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de proibir a comercialização pela Universal Music / EMI dos seminais três primeiros álbuns do cantor, compositor e violonista baiano. Chega de saudade (1959), O amor, o sorriso e a flor (1960) e João Gilberto (1961) não poderão mais ser vendidos pela Universal / EMI em nenhum formato. Se as matrizes destes discos fundamentais ficarem em posse de João, caberá aos representantes legais do artista negociarem reedições de acordo com os padrões técnicos exigidos pelo dono da obra. O STJ determinou também que João Gilberto receba indenização por danos morais por conta da edição, feita à revelia do cantor, da coletânea O Mito. Posta nas lojas nos formatos de LP (em 1988) e CD (1992), a compilação embaralhou os fonogramas desses três álbuns iniciais de João e ainda reeditou gravações avulsas de compactos e trilhas sonoras de filmes.
Grupo carioca Picassos Falsos lança em 2016 álbum produzido por Jr. Tostoi
♪ Trinta anos após a formação na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 1985, ainda com o nome de O verso, o grupo carioca Picassos Falsos está na ativa e se prepara para lançar o quarto álbum de estúdio em 2016. Produzido pelo guitarrista Jr. Tostoi, o disco inclui no repertório inédito e autoral a música Nunca fui a Paris, parceria de Humberto Effe (o vocalista do grupo) com Mauro Sta. Cecília, gravada no primeiro semestre deste ano de 2015 e lançada como single na web com direito a clipe posto em rotação no YouTube em 17 de julho. Reativado em 2001, onze anos após ter se dissolvido em 1990, o quarteto carioca Picassos Falsos - em foto de Luciano Sian - lançou o último álbum, Novo mundo, em junho de 2004 através do selo Psicotronica. No momento, Jr. Tostoi está em estúdio com o Picassos Falsos formatando o álbum que retoma a espaçada discografia do grupo.
Single 'Beija' dá prévia do álbum (autoral) que Pedro Baby vai lançar em 2016
♪ Já disponível nas plataformas digitais, o single Beija dá a primeira prévia do álbum autoral que o compositor e guitarrista carioca Pedro Baby vai lançar em 2016, se apresentando oficialmente como cantor no embalo das intervenções vocais que fez em alguns números do show da turnê nacional que marcou - a partir de 2012 - o retorno de sua mãe, Baby do Brasil, ao mercado de música pop. Beija é parceria de Pedro Baby com Arnaldo Antunes e Betão Aguiar. Intitulado Pedro Baby vol. 1, o disco alinha músicas inéditas compostas por Pedro com parceiros como Ary Moraes (Ouro do sol) e Edu Krieger (Bora lá e Norte). A banda Nação Zumbi participa do álbum do artista.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – Zé Manoel ascende, se projetando como compositor
♪ RETROSPECTIVA 2015 – Natural de Petrolina (PE), mas ora radicado no Recife (PE), o cantor, compositor e pianista pernambucano Zé Manoel cresceu e apareceu bem ao longo deste segundo semestre de 2015, emergindo das águas do segundo álbum, Canção e silêncio, lançado em junho por vias independentes. Disco produzido por Carlos Eduardo Miranda, o sucessor do CD Zé Manoel (Independente, 2012) projetou a obra do artista além das fronteiras de Pernambuco, seduzindo críticos e intérpretes. O foco residiu no compositor. Atento, o cantor gaúcho Filipe Catto incluiu a música-título Canção e silêncio no segundo álbum de estúdio, Tomada (Agência de Música / Radar Records, 2015), lançado em setembro. Também com as antenas ligadas na bela obra autoral de Zé Manoel, a cantora mineira Ana Carolina incluiu a mesma Canção e silêncio no roteiro de Solo, show de voz & violão que tem apresentado pelo Brasil desde novembro. O próprio Zé Manoel tem feito shows pelo país para promover o álbum que lhe deu projeção no circuito independente nativo.
Elza irradia luz negra ao cantar treva deste fim de mundo em show impactante
Resenha de show
Título: A mulher do fim do mundo
Artista: Elza Soares (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro Oi Casa Grande (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 1º de dezembro de 2015
Cotação: * * * * *
Título: A mulher do fim do mundo
Artista: Elza Soares (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro Oi Casa Grande (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 1º de dezembro de 2015
Cotação: * * * * *
♪ A imponente cenografia idealizada para o show A mulher do fim do mundo, de Elza Soares, é bem explícita ao entronizar a cantora carioca no alto do palco. O cenário expõe a supremacia da rainha da bossa negra na cena que a alinha com músicos que dão o tom da cena contemporânea da cidade de São Paulo (SP) como o guitarrista Kiko Dinucci e o violonista Rodrigo Campos. O canto resistente de Elza paira mesmo acima de tudo e todos no show mais impactante deste ano de 2015. Aos 85 anos, a valente artista saiu da zona de conforto ao dar voz rouca a um repertório inteiramente inédito - composto para ela por compositores paulistanos como Douglas Germano, Romulo Fróes e Clima, além dos já mencionados Kiko Dinucci e Rodrigo Campos - em álbum, A mulher do fim do mundo, que já chegou ao mercado fonográfico em outubro como clássico instantâneo da discografia brasileira. Pois o melhor disco de 2015 resultou no melhor show de 2015 - ambos orquestrados sob a batuta do produtor e diretor Guilherme Kastrup, que também acumula a função de baterista da big-band que incorpora eventualmente quarteto de cordas (arranjado pelo baixista Marcelo Cabral) e naipe de metais soprados pelo Bixiga 70. Do alto, com porte de rainha, Elza Soares comanda a cena. Ela é o centro da cena e, como tal, está posicionada no palco. Quando solta a voz, parece expelir pela garganta toda a forte carga de ancestralidade que eletriza o Brasil mulato. Quando Elza abre o show cantando a capella Coração do mar (José Miguel Wisnik sobre poema de Oswald de Andrade, 2015), é como se o navio negreiro, guerreiro, humano, aportasse no palco para sinalizar que a chapa está quente. Elza Soares canta o fim do mundo no disco - patrocinado pelo projeto Natura Musical - e no show que corre o Brasil na mesma vibe do álbum. E é deste canto guerreiro que a cantora irradia luz negra que ilumina um samba feito em esquema noise, torto, distorcido pelas guitarras do rock. Mas, na essência, samba de pele preta, curtida pela lágrima que brota pelos pés cansados da guerra cotidiana. Samba que harmoniza cordas sobre batuque, como na música-título Mulher do fim do mundo (Romulo Fróes e Alice Coutinho, 2015). Ali, em cena, Elza pisa firme sobre chão que parece se abrir debaixo dos seus pés - e a abertura é tanto musical (pela estrutura harmônica dos arranjos) quanto social. O canal (Rodrigo Campos, 2015) e Luz vermelha (Kiko Dinucci e Clima, 2015) são músicas que caminham juntas no roteiro do show por esse chão sem chão. Só que Elza está acima de tudo, dura na queda, com moral para elevar o preço de A carne (Seu Jorge, Marcelo Yuka e Ulisses Cappelletti, 1998) - a música do grupo Farofa carioca que tomou para si ao gravá-la em disco também relevante, Do cóccix até o pescoço (Maianga Discos, 2002) - ao bradar indignada contra o recente assassinato de cinco jovens negros cariocas por PMs da partida cidade do Rio de Janeiro que pariu a negra Elza no já longínquo ano de 1930. A guitarra tinhosa de Dinucci parece chorar sobre os mortos cobrados pela cantora em cena. Mas Elza lava a carne que ainda tem no osso - para citar verso de Dança (Cacá Machado e Romulo Fróes, 2015) - e caminha para frente com a urgência urbana que pauta Firmeza?! (Rodrigo Campos, 2015), o diálogo apressado travado com Rodrigo Campos no mesmo tom do disco. Sim, Elza reproduz no palco a contundência do disco. Encara a violência doméstica contra a mulher no samba Maria da Vila Matilde (Douglas Germano, 2015) e faz a leoa virar loba no cio que se abre para o macho no samba Pra fuder (Kiko Dinucci, 2015), um dos números turbinados com o naipe de metais orquestrados pelo grupo Bixiga 70. A performática entrada em cena de Rubi - cantor goiano criado no Distrito Federal - valoriza Benedita (Celso Sim, Pepê Mata Machado, Joana Barossi e Fernanda Diamant, 2015), perfil do transexual que comanda a zona do crack. Com movimentos sombrios e um canto cheio de energia, Rubi faz Benedita soar ainda mais desnorteante do que no disco. Após encarnar Benedita, Rubi permanece em cena para ser acalentado por Elza no tom maternal de Malandro (Jorge Aragão e Jotabê, 1976), samba que Elza lançou há quase 40 anos e que se afina com o repertório fora-da-lei criado para o disco A mulher do fim do mundo. E o mundo parece mesmo ter chegado ao fim quando Elza cria um canto grave, gutural, quase fantasmagórico, para dar voz à concretista Solto (Marcelo Cabral e Clima, 2015). Na sequência, os músicos se deslocam de seus postos e encaram Elza de frente, como espectros de um mundo já decomposto. É o fim inebriante de um show em que a vida adquire caráter transcendental quando Elza arremata o roteiro, a capella, com Comigo (Romulo Fróes e Alberto Tassinari, 2015), se conectando à mãe em outro mundo, outra dimensão espiritual. Mas negra Elza é dura na queda (tanto que disfarça bem o fato de ler algumas letras e textos ditos em cena). O bis é a superação na cadência bonita do samba Volta por cima (Paulo Vanzolini,1962). E o fecho é com Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968). É quando o samba deixa de ficar torto e soa (en)quadrado. Pressentimento é o sopro da esperança que não morre. Facho de luz entre a treva que Elza Soares canta e encara com valentia em show perfeito.
Em show com Rubi, Elza eleva 'Carne' ao citar jovens mortos por PMs no Rio
♪ Nunca o verso "A carne mais barata do mercado é a carne negra", da música A carne (Seu Jorge, Marcelo Yuki e Ulisses Cappelletti, 1998), fez tão sentido na voz de Elza Soares como na estreia carioca do show A mulher do fim do mundo, realizada na noite de ontem, 1º de dezembro de 2015, no Teatro Oi Casa Grande. Ao cantar a música do repertório do grupo Farofa Carioca que tomou para si desde que a regravou no álbum Do cóccix até o pescoço (Maianga Discos, 2002), Elza bradou contra os cinco jovens mortos a tiros de fuzis por PMs no último sábado, 28 de novembro de 2015, perto de um conjunto de favelas do subúrbio do Rio de Janeiro (RJ). "Mais cinco crianças foram mortas! Mais cinco negros foram mortos", denunciou, do alto de seus 85 anos de luta e do alto do deslumbrante cenário de Ana Turra que a entroniza como a rainha absoluta do show idealizado e dirigido por Guilherme Kastrup, baterista da banda e produtor do álbum A mulher do fim do mundo (Circus, 2015), disco que gerou o show feito pela cantora carioca com o toque de músicos paulistanos como o guitarrista Kiko Dinucci e o violonista Rodrigo Campos, expoentes da big-band que teve quarteto de cordas (arranjadas pelo baixista Marcelo Cabral) e naipe de metais orquestrados pelo grupo Bixiga 70. A citação dos jovens assassinados valorizou A carne na primeira das duas apresentações cariocas do show A mulher do fim do mundo - a ponto de Elza ter sido aplaudida de pé ao fim do número. A participação performática de Rubi - cantor goiano que dividiu com Elza a interpretação de Benedita (Celso Sim, Pepê Mata Machado, Joana Barossi e Fernanda Diamant, 2015) e que foi acarinhado pela cantora ao longo da interpretação maternal do samba Malandro (Jorge Aragão e Jotabê, 1976), como visto na foto de Rodrigo Goffredo - foi outro ponto eletrizante de show impactante que se impôs instantaneamente como o melhor espetáculo de 2015 pela voz da cantora e o vigor do repertório inédito. Eis o roteiro seguido por Elza Soares em 1º de dezembro de 2015 na forte estreia carioca de A mulher do fim do mundo no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro, onde o show fica em cartaz somente até hoje, 2 de dezembro de 2015:
2. Mulher do fim do mundo (Romulo Fróes e Alice Coutinho, 2015)
3. O canal (Rodrigo Campos, 2015)
4. Luz vermelha (Kiko Dinucci e Clima, 2015)
5. A Carne (Seu Jorge, Marcelo Yuki e Ulisses Cappelletti, 1998)
6. Dança (Cacá Machado e Romulo Fróes, 2015)
7. Firmeza?! (Rodrigo Campos, 2015) - com Rodrigo Campos
8. Maria da Vila Matilde (Douglas Germano, 2015)
9. Pra fuder (Kiko Dinucci, 2015)
10. Benedita (Celso Sim, Pepê Mata Machado, Joana Barossi e Fernanda Diamant, 2015)
- com Rubi
11. Malandro (Jorge Aragão e Jotabê, 1976) - com Rubi
12. Solto (Marcelo Cabral e Clima, 2015)
13. Comigo (Romulo Fróes e Alberto Tassinari, 2015)
Bis:
14. Metade pássaro (Murilo Mendes, 1940) - poema recitado
15. Vatapá (Dorival Caymmi, 1942) - citação
16. Volta por cima (Paulo Vanzolini, 1962)
17. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
11. Malandro (Jorge Aragão e Jotabê, 1976) - com Rubi
12. Solto (Marcelo Cabral e Clima, 2015)
13. Comigo (Romulo Fróes e Alberto Tassinari, 2015)
Bis:
14. Metade pássaro (Murilo Mendes, 1940) - poema recitado
15. Vatapá (Dorival Caymmi, 1942) - citação
16. Volta por cima (Paulo Vanzolini, 1962)
17. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
Totalmente demais, Anitta canta 'A menina dança' com frescor e leveza jovial
Resenha de gravação de campanha publicitária
Título: Liberte a menina dentro de você
Música: A menina dança (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1972)
Artista: Anitta (em foto extraída do vídeo do comercial)
Marca: Arezzo
Cotação: * * * * *
♪ Campanha disponível em vídeo em rotação no YouTube
Título: Liberte a menina dentro de você
Música: A menina dança (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1972)
Artista: Anitta (em foto extraída do vídeo do comercial)
Marca: Arezzo
Cotação: * * * * *
♪ Campanha disponível em vídeo em rotação no YouTube
♪ Já caminhando para o fim, 2015 tem se revelado um ano totalmente demais para Anitta. Após lançar em outubro um bom terceiro álbum de estúdio em que mostrou evolução, Bang!, e depois de regravar (muito bem!) a música Totalmente demais (Arnaldo Brandão, Tavinho Paes e Robério Rafael, 1985) para a abertura da novela homônima estreada em novembro pela TV Globo, a estrela cada vez mais pop do funk carioca apresenta gravação inédita de A menina dança (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1972) que justifica os elogios hiperbólicos e midiáticos lhe feitos recentemente por Caetano Veloso. Associada desde sempre a Baby do Brasil, a música do repertório de Novos Baianos - lançada pelo grupo no histórico álbum Acabou chorare (Som Livre, 1972) - ganha o registro mais expressivo desde que Marisa Monte cantou A menina dança em show parcialmente reproduzido no álbum duplo Barulhinho bom (EMI Music, 1996). A gravação de Anitta é totalmente demais! A cantora carioca cai no suingue da música com frescor e leveza jovial que se afinam com o tom da campanha Liberte a menina dentro de você, a ser veiculada ao longo deste mês de dezembro de 2015 pela Arezzo, marca de acessórios femininos. A campanha é a própria gravação de A menina dança por Anitta em vídeo já em rotação no YouTube. Extremamente afinada, Anitta apresenta gravação irresistível de A menina dança, em interpretação valorizada pela dança e pela expressão facial da artista no clipe. Menina de 22 anos, Anitta dança com desenvoltura e faz gestos, como virar os olhinhos e apontar o nariz arrebitado, que reforçam o sentido da letra de Luiz Galvão. A vivacidade da primorosa gravação de A menina dança confirma a vocação de Anitta para se firmar no universo pop brasileiro e, se quiser, se distanciar do baile funk que a projetou a partir de 2012.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
RETROSPECTIVA 2015 – Grandeza da voz de Simone Mazzer ecoa pelo Brasil
♪ RETROSPECTIVA 2015 – Simone Mazzer se fez ouvir no império pop liquidação que caracteriza o mercado fonográfico brasileiro nos últimos tempos. Cantora e atriz de Londrina (PR) que milita no universo musical desde 1989, Mazzer desafinou o fraco coro cool que impera no mundinho indie da música do Brasil com canto grandioso e quente que começou a ecoar fora das fronteiras do Paraná em 2012, ano em que a artista apresentou no Rio de Janeiro (RJ) show que seduziu uma antenada plateia carioca e que deu origem ao primeiro (ótimo) álbum solo de Mazzer, Férias em videotape, prometido desde 2012, mas efetivamente lançado em março deste ano de 2015 - em edição do selo selo Pimba (da gravadora Dubas Música) - com repercussão do tamanho do vozeirão da intérprete. Quase tão arrebatador quanto o show, o álbum teve até música, Tango do mal (Luciano Salvador Bahia, 2014), propagada na trilha sonora da novela Babilônia - o que ajudou a ampliar o circuito de shows da artista na cena independente brasileira. Com turnê nacional estreada no já mês de lançamento do disco e inspirada no seminal show de 2012, Simone Mazzer sai de 2015 ovacionada pelo público que teve interesse - e oportunidade - de ouvir uma voz cheia de personalidade e força.
'Vinil virtual' engasga com insaciável fome antropofágica de Daniela Mercury
Resenha de CD
Título: Vinil virtual
Artista: Daniela Mercury
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * *
Título: Vinil virtual
Artista: Daniela Mercury
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * *
♪ O fato de o 15º álbum solo de Daniela Mercury, Vinil virtual, abrir com citação de Bat macumba (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968) - um dos hinos do movimento tropicalista arquitetado em 1967 pelos dois compositores da música - diz muito sobre o primeiro disco inteiramente autoral da cantora e compositora baiana. A insaciável fome antropofágica da artista ativista faz com que Vinil virtual engasgue a partir da nona de suas 15 faixas, pecando pelo excesso de verborragia. A capa midiática - na qual Daniela aparece nua, abraçada à esposa Malu Verçosa Mercury, em foto de Célia Santos baseada em imagem icônica de John Lennon (1940 - 1980) e Yoko Ono na capa da revista Rolling Stone de janeiro de 1981 - está em sintonia com a necessidade da artista de fazer do álbum um manifesto sócio-político. É impossível dissociar a música de Vinil virtual do discurso adotado pela cidadã Daniela Mercury em campanha pública pelo fim da homofobia. Nesse sentido, a bonita canção Sem argumento - poema musicado (e gravado com certa bossa no toque do violão de Alex Mesquita) que faz declaração de amor a Malu - parece dar sentido à capa. Malu também é a musa inspiradora de Maria casaria, outro poema que virou música - no caso, no ritmo do funaná de Cabo Verde. Mas nem tudo é sobre Malu, o que também torna a capa sem sentido. Daniela parece querer opinar sobre (quase) tudo. E é justamente a intenção de se posicionar sobre (quase) tudo que faz Vinil virtual tocar em rotação desigual, sobretudo quando o falatório põe a música em segundo plano, como nas duas dispensáveis faixas-vinhetas Extranhos terrestres (Aperto de mente) e Vinil virtual (Aperto de mente 2). Ser ou não ser uma mistura de cantora com ativista? - eis a questão que Vinil virtual põe na roda aberta - após a citação de Bat macumba - com o ijexá feminista A rainha do axé (Rainha má), música lançada na web em novembro de 2014 para ser uma das trilhas sonoras do Carnaval deste ano de 2015. Décimo oitavo título da solar discografia da artista, Vinil virtual é álbum tão femininista quando feminino. Produzido por Daniela Mercury com Yacoce Simões, parceiro na criação da maioria dos arranjos, o álbum expõe a visão de uma mulher que se posiciona com firmeza em mundo ainda ditado por regras e costumes masculinos. Só que o posicionamento nem sempre se afina naturalmente com a música. Quando saúda a geleia geral de Sampa em Antropofágicos são paulistanos, samba-reggae com toque de rap criado pela artista em parceria com Yacoce Simões, Daniela parece querer ser o Caetano Veloso genuinamente tropicalista de Língua (1984) quando deveria continuar a ser a rainha do axé que pisa no terreiro baiano com legitimidade. Para quem conhece a contribuição histórica de Daniela para a consolidação da música afro-pop-brasileira produzida por compositores (quase todos negros) da Bahia, Vinil virtual toca mais quando saúda os grupos Ilê Aiyê, Olodum e Didá em Três vozes - parceria de Daniela com Marcelo Quintanilha - e quando reproduz um samba-reggae-ijexá como Alegria e lamento, gravado com o som de repiques tocados pelo sintetizador do gênero, Neguinho do Samba (1955 - 2009), e cedidos para Daniela por Andrea Souza. Em Alegria e lamento, o percussionista Márcio Victor está creditado como participação especial da faixa - assim como em América do amor, música menos sedutora que acena para as pistas de dança e que põe a percussão de Victor no ritmo do Passinho carioca. A propósito, em O riso de Deus, Daniela sai do terreirão do samba e da axé music para saudar a cidade do Rio de Janeiro (RJ) na batida ouvida nos bailes funks do subúrbio carioca, como se pisasse na pista de Fernanda Abreu. De volta ao samba, com o toque da percussão de Victor e do bandolim de Armadinho Macedo, Tô samba da vida amalgama vários estilos de samba em tema que sobressai na obra autoral de uma artista que sempre foi mais importante como cantora do que compositora. E é sintomaticamente quando mais se assume compositora que a cantora soa menos viçosa do que em CDs anteriores. Prejudicado pela rotação irregular, Vinil virtual acerta o tom em canção em inglês, Frogs in the sky, que clama por paz e amor no mundo, ecoando o discurso de artistas ativistas como o John Lennon que inspirou a capa do álbum. Frogs in the sky é parceria de Daniela com o filho mais velho, Gabriel Póvoas, também coautor de Senhora do terreiro (Mãe Carmem), tributo à ialorixá baiana Carmem Oliveira da Silva, matriarca do terreiro do Gantois. Gravado com a percussão de Luizinho do Jeje, o tema amarra o disco ao encerrá-lo em conexão com o tom feminino e com a bat macumba da faixa inicial A rainha do axé. Em colo mais amplo, Minha mãe, minha pátria - a segunda das duas parcerias de Daniela com Marcelo Quintanilha - oscila entre o rock e o axé no toque da guitarra baiana de Armandinho Macedo, estrela do arranjo. Entre batidas do terreirão do axé, Vinil virtual roda na velocidade ideal quando cai no suingue de Gilberto Gil, o transcendental músico-poeta que ajudou a desfolhar a bandeira no início da manhã tropical e que é saudado por Daniela em De Deus, de Alah, de Gilberto Gil em reverência avalizada pela voz e pelo violão de Gil. Fosse menos longo (são 15 músicas que totalizam 67 minutos), Vinil virtual soaria mais coeso e com mais foco. Contudo, a insaciável fome antropofágica de Daniela Mercury tornou o disco excessivamente verborrágico, canibalista, difícil de ser engolido por inteiro.
Vercillo lança com exclusividade no iTunes 10º disco de estúdio, 'Vida é arte'
♪ Décimo álbum de estúdio de Jorge Vercillo, Vida é arte vai ser lançado com exclusividade no iTunes ainda neste mês de dezembro de 2015, através do selo do artista carioca, Leve. Somente em janeiro de 2016 é que Vida é arte vai chegar ao mercado fonográfico em edição física em CD, a ser posta nas lojas com distribuição da gravadora Radar Records. O repertório de Vida é arte reúne seis músicas inéditas - entre elas, Pra valer (Jorge Vercillo), canção pop bem ao estilo do repertório ensolarado do carioca Lulu Santos - e as seis composições divulgadas na web por Vercillo, ao longo deste ano de 2015, dentro do projeto intitulado Extra-físico. As seis músicas do projeto Extra-físico são A cegueira da visão (música feita pelo norte-americano Patrick Leonard com base em letra escrita por Vercillo sobre os limites do mundo material), Luzes que se movem pelo céu (Jorge Vercillo e Flávio Venturini), Quem (música composta e gravada por Vercillo com a artista carioca Luana Mallet), Permissão (Jorge Vercillo e Dudu Falcão), Silêncio na favela (Jorge Vercillo) - samba-funk gravado com voz e percussão do baiano Carlinhos Brown - e Talismã sem par (Jorge Vercillo). Vida é arte sucede Como diria Blavatsky (Leve, 2011) na discografia de estúdio do artista, mas, incluídos os registros ao vivos, já é o 13º título da obra fonográfica de Jorge Vercillo.
Terceiro CD de Manuela Rodrigues, 'Se a canção mudasse tudo', sai em 2016
♪ Previsto inicialmente para ter sido lançado em novembro de 2015, o terceiro álbum da cantora e compositora baiana Manuela Rodrigues - Se a canção mudasse tudo, sucessor de Uma outra qualquer por aí (Garimpo Música, 2011), um dos melhores discos brasileiros de 2011 - teve o lançamento adiado para 2016. O álbum vai chegar ao mercado fonográfico após o Carnaval de 2016, mas, antes, o público vai ouvir os singles Bagagem e Lista, músicas de autoria da artista formatadas, respectivamente, pelos produtores Gustavo Di Dalva e Tadeu Mascarenhas. O inédito repertório de Se a canção mudasse tudo, a propósito, é essencialmente autoral. Sozinha ou com parceiros como João Cavalcanti (coautor de Nenhum homem é uma ilha), Manuela assina 11 das 14 músicas do disco. A cantora carioca Silvia Machete divide com a colega baiana a interpretação de uma delas, Amor de carne e de osso. Fora do trilho autoral, Manuela dá voz a Risos (Ronei Jorge), regrava Extra II (O rock do segurança) - música de seu conterrâneo Gilberto Gil, lançada pelo cantor e compositor baiano no álbum Raça humana (Warner Music, 1984) - e apresenta parceria inédita dos compositores paulistanos Clima e Romulo Fróes, Vai que eu desembeste. O disco foi formatado disco por time de produtores que inclui André T, Gustavo Di Dalva, Luciano Salvador Bahia, João Milet Meirelles - autor das fotos de capa, contracapa e encarte - e Tadeu Mascarenhas.
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