Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 27 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015 – Estrelas da música mudam de lugar e saem de cena

RETROSPECTIVA 2015 – Salvo alguma fatalidade reservada para os cinco dias que faltam para enterrar 2015, o suicídio do compositor sul mato-grossense Geraldo Roca - parceiro de Paulo Simões na música Trem do Pantanal (1975) - na noite de 25 de dezembro fechou o arco de partidas de ano marcado por perdas substanciais no universo pop brasileiro. Diversas estrelas da música - 26! - mudaram de lugar, saindo de cena ao longo do ano. Por ordem de saída, a música do Brasil perdeu este ano Lincoln Olivetti (1954 - 2015), Vanja Orico (1929 - 2015), Odete Lara  (1929 - 2015), Renato Rocha (1961 - 2015), José Rico (1946 - 2015), Vital Dias (1960 - 2015), Inezita Barroso (1925 - 2015), Severo do Acordeom (1950 - 2015), Cleide Alves (1946 - 2015), Percy Weiss (1955 - 2015), Mangabinha (1942 - 2015), Selma do Coco (1935 - 2015), Vó Maria (1911 - 2015), José Messias (1928 - 2015), Fernando Brant (1946 - 2015), Ivinho (1953 - 2015), Cristiano Araújo (1986 - 2015), Renato Ladeira (1958 - 2015), Luizito da Mangueira (1954 - 2015), Cláudia Barroso (1932 - 2015), Luiz Carlos Miele (1938 - 2015), Waldir 59 (1928 - 2015), Marília Pera (1943 - 2015), Selma Reis (1960 - 2015), Júpiter Maçã (1968 - 2015) e Geraldo Roca (1958 - 2015). Ficou a Arte!!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Planeta psicodélico da galáxia gaúcha, Júpiter Maçã sai de cena aos 47 anos

"Um ser humano sem filtros". "Um fio desencapado exposto aos ventos de sua inquietude". As duas definições de Júpiter Maçã - dadas no Facebook pelo cantor e compositor gaúcho Luís Nenung em post no qual lamentava a saída de cena do colega conterrâneo - são perfeitas traduções do espírito desassossegado de Flávio Basso (26 de janeiro de 1968 - 21 de dezembro de 2015). Transformado em lenda do rock gaúcho ao longo de 31 anos de atividade profissional, Basso - mais conhecido como Júpiter Maçã ou como Júpiter Apple - saiu hoje de cena na mesma cidade de Porto Alegre (RS) onde nasceu há 47 anos e onze meses (o artista iria completar 48 anos em janeiro de 2016). Se o Rio Grande do Sul é uma galáxia à parte no universo pop, Júpiter Maçã foi o planeta psicodélico que encheu de cores um mundo ainda longe demais das capitais do mainstream. Iniciada em 1984, quando Basso integrava o TNT (grupo gaúcho da geração pop da década de 1980 que misturava punk e rockabilly), a viagem foi feita ao som de sexo, álcool, drogas e rock'n'roll, curtidos em doses calculadas na medida do prazer. Pela eletricidade natural que vinha do fio desencapado da alma do artista, Basso logo mudou de banda em 1986, fundando e integrando Os Cascavelettes, outro lendário grupo do universo pop gaúcho. Mas foi em carreira solo - iniciada na década de 1990, já com o nome artístico de Júpiter Maçã (alterado posterior e eventualmente para Júpiter Apple) - que as estrelas do planeta psicodélico se alinharam com mais naturalidade. O primeiro álbum solo de Júpiter, A sétima efervescência (Antídoto, 1997), explicitou a influência exercida pelo som viajante do grupo inglês Pink Floyd na rota criativa do artista. Dois anos depois, Júpiter gravitou em outra frequência ao lançar um segundo álbum solo, Plastic soda (Trama, 1999), em que adicionou toque de bossa nova ao coquetel psicodélico do disco. A partir da década de 2000, Júpiter - em foto de Sidd Rodrigues colorizada artificialmente e postada pelo artista no Facebook  - radicalizou ainda mais nas experiências em álbuns de repercussão mais restrita como Hisscivilization (Noland Man, 2002) e Uma tarde na fruteira (Elefaint Spain / Monstro Discos, 2007). Artista sem filtros e normas, Júpiter Maça tem a efervescência eternizada no DVD Six colours frenesi - Ao vivo no Opinião, gravado em show no Teatro Opinião, em Porto Alegre (RS), e lançado em 2014. Neste ano de 2015, Júpiter deu outra volta em torno do universo pop, lançando dois singles, They're all beatniks e Constantine's empire, de tom folk. E assim orbitou Júpiter Maçã,  "fio desencapado exposto aos ventos de sua inquietude",  até partir hoje para outra galáxia.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Grande cantora da MPB, Selma Reis sai (precocemente) de cena aos 55 anos

Há louvável coerência entre o primeiro álbum de Selma Reis (24 de agosto de 1960, São Gonçalo - RJ / 19 de dezembro de 2015, Teresópolis - RJ) e o último dos 11 álbuns lançados pela cantora fluminense que saiu de cena em Teresópolis (RJ) na manhã de hoje, aos 55 anos, em decorrência de câncer no cérebro diagnosticado em julho de 2014. No primeiro disco, Selma Reis, lançado por via independente em 1987 e nunca reeditado no formato de CD, a cantora pôs a voz de contralto, densa e volumosa, a serviço de músicas de compositores como Geraldo Azevedo, Nelson Ângelo e Sueli Costa (Amor é outra liberdade, parceria com o poeta Abel Silva que a própria Sueli lançara em disco autoral de 1984 e que Selma regravava em registro preciso), entre outros nomes associados à MPB. No último álbum, A minha homenagem ao poeta da voz (Tessitura Musical, 2009), lançado em 2009 também por via independente, Selma deu voz ao cancioneiro do compositor carioca Paulo César Pinheiro. São dois grandes discos, o de 1987 e o de 2009. Discos de uma grande cantora de MPB que nem sempre conseguiu da indústria do disco o aval para fazer álbuns voltados para essa MPB que já começava a ser jogada à margem do mercado fonográfico quando Selma apareceu. Voz que se fez ouvir sobretudo ao longo da década de 1990, Selma Reis chegou à cena quando a MPB já não dava as cartas do rico jogo musical. Enquanto a indústria fonográfica brasileira apostava em gêneros populares como axé music, pagode (o do Raça Negra) e sertanejo, cantoras como Adriana Calcanhotto, Cássia Eller (1962 - 2001) e, sobretudo, Marisa Monte davam tom pop contemporâneo à música brasileira, acentuando a impressão de que o canto da MPB tradicional já soava datado, até mesmo velho, naquela década. Mesmo assim, a gravadora multinacional então denominada PolyGram - atualmente intitulada Universal Music - investiu no canto intenso da jovem intérprete, especialmente nos discos lançados por Selma em 1990 e 1994 (o CD de 1994 teve produção luxuosa, arranjos grandiloquentes e repertório eclético que foi do samba-enredo ao flamenco, passando por canções melodramáticas). Os álbuns Selma Reis (1990), Só dói quando eu rio (1991) e Selma Reis (1994) representaram o ápice comercial da carreira fonográfica da cantora. O disco de 1990 gerou os dois maiores sucessos de Selma, O que é o amor (Danilo Caymmi e Dudu Falcão) - música propagada na trilha sonora da minissérie Riacho doce (TV Globo, 1990) - e Emoções suburbanas. Este tema de Altay Veloso e Paulo César Feital tinha sido descartado pela PolyGram como música de trabalho, mas acabou se impondo espontaneamente como um clássico do repertório de Selma Reis, cantora de veia popular e voz passional. No embalo do sucesso inicial, Selma gravou regularmente ao longo da década de 1990. Lançou disco acústico em 1995 (Todo sentimento, MZA Music), deu voz à obra do compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. (1945 - 1995), o Gonzaguinha, em álbum de 1996 (Achados e perdidos, Velas) e caiu no suingue cubano em CD de 1999, Ares de Havana (Velas). A partir dos anos 2000, com a progressiva desimportância dada às vozes da MPB pela mídia e gravadoras, Selma diversificou as atividades profissionais. O canto teatral lhe facilitou atuar como atriz de musicais de teatro e novelas e série de TV. Mas nunca se afastou da música. Sem medo de pecar pelo excesso, a intérprete realçou a potência do canto em disco gravado com Cauby Peixoto e sintomaticamente intitulado Vozes (Albatroz, 2003). Anos depois, gravou dois CDs de música sacra, Sagrado (Deckdisc, 2007) e o duplo Maria mãe de Jesus (Independente, 2008). Em 2011, em teatral show dirigido e roteirizado por Flávio Marinho, Selma uniu música e versos da poeta portuguesa Florbela Espanca (1984 - 1930). Intitulado O cabaré de Florbela, o show foi filmado na estreia, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ). Mas nunca foi lançado em DVD. Com a precoce e triste saída de cena de Selma, os fãs da cantora ficam sem um registro audiovisual para recordar o canto intenso desta voz que se ergueu alto para cantar a MPB e que vai permanecer igualmente forte na lembrança de quem ouviu os discos e/ou viu os shows da já imortal Selma Reis.

sábado, 5 de dezembro de 2015

Sai de cena ela que viveu elas, Marília Pêra, feiticeira de palcos (e de discos)

Marília Marzullo Pêra (22 de janeiro de 1943 - 5 de dezembro de 2015) foi tão grande atriz que desempenhou com talento e com musicalidade o papel de cantora, tendo gravado discos, estrelado musicais e encarnado muitas delas - as cantoras do Brasil - no espetáculo Elas por ela (1989). A carioca Marília Pêra - atriz e cantora do Brasil que saiu de cena na manhã de hoje, 5 de dezembro de 2015, aos 72 anos, após ter gravado (com produção de José Milton) mais um disco que será editado em 2016 pela gravadora Biscoito Fino - cantou nos palcos desde a década de 1960, mas a carreira fonográfica foi iniciada há 40 anos, em 1975, com a edição pela Som Livre do álbum em que a artista registrou a trilha sonora do espetáculo A feiticeira, um dos maiores fracassos de carreira pontuada por grandes sucessos (gravado em estúdio, o disco A feiticeira foi lançado pela primeira vez em CD em 2011, em edição idealizada pelo DJ Zé Pedro para a gravadora Joia Moderna). Dez anos após a edição do LP A feiticeira, Marília voltou ao mercado fonográfico com a edição do álbum A música em Pessoa (Som Livre, 1985), idealizado em torno dos versos do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935). Ainda neste ano de 1985, lançou em disco um registro pioneiro de A noiva do condutor, ópera até então inédita do compositor carioca Noel Rosa (1910 - 1937) que gravou com o ator Grande Otelo (1915 - 1993) e o Conjunto Coisas Nossas. Em 1989, em demonstração da versatilidade ímpar, Marília Pêra deu voz e corpo a várias cantoras no espetáculo Elas por ela - inclusive Carmen Miranda (1909 - 1955) e Dalva de Oliveira (1917 - 1972), cantoras que ela já encarnara na TV (no caso de Carmen) e em espetáculos teatrais encenados em 1966 e 1987, respectivamente. Elas por ela teve sua trilha sonora gravada por Marília em álbum duplo editado em 1990 pela gravadora EMI-Odeon. Em 2000, a atriz mais musical do Brasil lançou CD, Estrela tropical, produzido por Roberto Menescal e Flávio Mendes para a gravadora Albatroz. Estrela tropical era o espetáculo musical em que Marília cantava roteiro que harmonizava músicas dos repertórios de Cartola (1908 - 1980), Dorival Caymmi (1914 - 2008), Jorge Ben Jor, Leandro & Leonardo e Tim Maia (1942 - 1998), entre outros cantores e compositores. Como atriz, Marília encarnou até uma diva da ópera, Maria Callas (1923 - 1999), no espetáculo Master class (1996). Como cantora, Marília deu voz nos palcos aos cancioneiros de compositores como Ary Barroso (1903 - 1964) e Herivelto Martins (1912 - 1992) em mais demonstrações de um talento extremamente musical - afinado e burilado com anos de estudo de piano clássico e de canto lírico - que serviu extraordinariamente bem ao teatro, ao cinema e à televisão, mas que deixou também registros importantes (e já raros) no mercado fonográfico brasileiro como a gravação ao vivo do teatralizado show Marília Pêra canta Carmen Miranda, feita em 2005 e lançada em 2006 pela LGK Music em edição dupla que juntava CD e DVD em embalagem de DVD. O último foi a gravação ao vivo, de tom teatral, da música 120...150... 200 km por hora (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970), número que, por ter sido confiado a Marília Pêra, sobressaiu no espetáculo Elas cantam Roberto Carlos, eternizado em CD e DVD editados em 2009 pela gravadora Sony Music. Marília Pêra foi tão grande que sai hoje de cena para entrar imortal na história da cultura nacional. Bravo, bravíssimo!!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Compositor mais antigo da Portela, Waldir 59 sai de cena no Rio aos 87 anos

Impossível dissociar o compositor carioca Waldir de Souza (3 de março de 1928 - 25 de novembro de 2015) da escola de samba Portela, uma das mais tradicionais agremiações do Carnaval do Rio de Janeiro (RJ), cidade onde Waldir 59 - como o sambista era conhecido por ter morado em casa de número 59  - saiu de cena na madrugada de hoje. Waldir ingressou na Portela aos sete anos de idade, tendo dedicado oito décadas de sua vida à escola azul e branco situada na divisa entre os bairros cariocas de Madureira e Oswaldo Cruz. Parceiro de Candeia (1935) e de Picolino da Portela na criação do vitorioso samba-enredo Legado de D. João VI, campeão do Carnaval carioca de 1957, Waldir 59 deixa diversos sambas inéditos. Sua obra gravada em disco abarca quase que tão somente os sambas-enredos que compôs para a Portela. Um dos mais famosos é que Riquezas do Brasil (Brasil poderoso), criado com o parceiro Candeia para o Carnaval de 1956. Outra parceria com Candeia que desafia o tempo é Vem amenizar, samba composto em 1956, tendo sido gravado por Candeia e por Luiz Carlos da Vila (1949 - 2008). Compositor e sócio mais antigo da Portela, Waldir 59 chegou à agremiação quando a escola de samba ainda se chamava Vai como pode. Mas foi a partir da década de 1950 que integrou a ala de compositores da Portela. Compositor da mesma linhagem nobre de Casquinha e de Monarco, com quem integrava desde 2013 o grupo Velha Guarda da Portela, Waldir 59 sai de cena sem amenizar a dor que sofrem com sua partida desde compositor fundamental para a história da escola a que dedicou arte e vida. Waldir 59 foi bamba!!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Produtor musical e diretor de shows, Miele sai de cena - aos 77 anos - no Rio

Luiz Carlos Miele (31 de maio de 1938 - 14 de outubro de 2015) nasceu em São Paulo (SP), mas tinha uma alma tão carioca que seu último disco - Bem-vindo ao Rio (Discobertas, 2011), assinado com o trio do pianista Alberto Chimelli e lançado há quatro anos - foi um cartão-de-visitas musical, pautado pelas bossas do Rio de Janeiro (RJ), cidade na qual Miele saiu de cena na manhã de hoje, aos 77 anos, vítima de ataque cardíaco. Pioneiro multimídia, Miele foi ator, apresentador de TV, cantor e compositor, entre outras atividades. Contudo, na história da música brasileira, seu nome fica mais relevante na área da produção e direção de shows e programas musicais da TV brasileira. Ao formar dupla com Ronaldo Bôscoli (1928 - 1994) nos anos 1960 e 1970, Miele se tornou nome fundamental na arquitetura de shows de cantores como Elis Regina (1945 - 1982), Roberto Carlos e Wilson Simonal (1938 - 2000). Com Elis, Miele chegou a assinar o disco ao vivo Elis no Teatro da Praia com Miele & Bôscoli (Philips, 1970). Neste espetáculo que alternou músicas e piadas, Miele dividiu o palco com Elis. No palco (estava em cartaz com o show Contador de histórias), à frente das câmeras de TV ou nos bastidores, Miele cruzou seu caminho com o da música brasileira tantas vezes que é difícil contar a história dessa música sem citar o nome do versátil showman multimídia.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Voz sentimental da década de 1970, Cláudia Barroso sai de cena aos 83 anos

Cláudia Barroso (23 de abril de 1932 - 9 de outubro de 2015) - a cantora e compositora mineira que saiu hoje de cena aos 83 anos em Fortaleza (CE), vítima de problemas respiratórios - foi uma das vozes da música sentimental rotulada como brega. Batizada Amélia Rocha Barroso quando veio ao mundo, na interiorana cidade de Pirapetinga (MG), a artista logo virou Cláudia Barroso quando começou sua carreira musical em 1957, de início cantando na noite. A cantora gravou seu primeiro disco em 1962, pela Odeon. Na sequência, contratada pela gravadora Fermata, lançou vários compactos com versões em português de sucessos estrangeiros. Mas o sucesso popular aconteceu mesmo para Cláudia Barroso a partir de 1971 quando ingressou na gravadora Continental e passou a dar voz a músicas de sua própria autoria, como A vida é mesmo assim e Quem mandou você errar, ambas lançadas em 1971. Em 1972, a cantora bisou o sucesso do ano anterior com a música Por Deus eu juro, lançada em LP e compacto. Cláudia Barroso viveu seu apogeu artístico e comercial ao longo dos anos 1970, gravando sucessivos álbuns pela Continental, quase todos batizados com seu nome artístico. Os títulos de músicas como Deixa meu marido em paz (Não perca seu tempo) - composição lançada pela cantora em disco de 1974 - já explicitam o tom direto e popular do repertório autoral da artista, voltado para crises conjugais e amores fracassados. A partir dos anos 1980, Cláudia Barroso passou a gravar discos com menos regularidade. Mas seu repertório e sua voz continuam vivos na memória do público que consumiu seus discos e músicas ao longo dos anos 1970.

domingo, 6 de setembro de 2015

Luizito, intérprete oficial da Mangueira desde 2007, sai de cena no Rio aos 61

Ainda em fase de disputas internas na quadra da escola de samba Mangueira, o samba-enredo Maria Bethânia - A menina dos olhos de Oyá está momentaneamente sem voz para defendê-lo na avenida no Carnaval de 2016. Intérprete oficial da Estação Primeira de Mangueira desde 2007, ano em que substituiu José Bispo Clementino dos Santos (1913 - 2008), o lendário Jamelão, o cantor carioca José Luís Couto Pereira da Silva saiu de cena manhã de hoje, 6 de setembro de 2015, vítima de infanto. Luizito - como era conhecido no meio carnavalesco carioca - tinha 61 anos. Cantor desde os nove, o artista integrou o grupo Pequenos Cantores da Guanabara. Em 1983, ingressou na escola Caprichosos de Pilares. Na Mangueira, Luizito entrou em 1997, puxando seu primeiro samba-enredo na avenida (como apoio de Jamelão) já no Carnaval de 1998, ano em que a tradicional escola verde-e-rosa celebrou vida e obra do cantor e  compositor carioca Chico Buarque.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Renato Ladeira - músico de bandas como A Bolha e Herva Doce - sai de cena

Parceiro de Cazuza (1958 - 1990) nas músicas Desastre mental (1985), Faz parte do meu show (1988) - único hit da parceria - e Amor quente (1991), o cantor, compositor e tecladista Renato Ladeira (1952 - 2015) foi nome atuante na cena roqueira do Brasil. Em 1965, aos 13 anos, ao tocar na banda The Bubbles, que viraria A Bolha a partir de 1968, Ladeira - visto em foto postada no seu perfil no Facebook - iniciou carreira que teve outro passo importante com sua entrada na banda gaúcha Bixo da Seda, ícone do rock brasileiro underground na sua fase carioca, nos anos 1970. Mas o sucesso massivo veio mesmo para Ladeira - que saiu de cena na manhã de hoje, 13 de agosto de 2015 - nos anos 1980 com a formação de seu grupo mais popular, Herva Doce (1982 - 1987), do qual foi vocalista e tecladista. Com o Herva Doce, Ladeira emplacou sucessos radiofônicos como Erva venenosa (Poison ivy) (Jerry Leiber e Mike Stoller, 1959, em versão de Rossini Pinto, 1965) - regravação de 1982 de música lançada pelo grupo Golden Boys em 1965 - e Amante profissional (Roberto Lly, 1985). Atualmente, Ladeira integrava o grupo New Old Boys, sempre fiel ao pop rock.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Acidente de carro faz cantor goiano Cristiano Araújo sair de cena aos 29 anos

Cristiano Melo Araújo (24 de janeiro de 1986 - 24 de junho de 2015) - cantor e compositor goiano que tinha conquistado popularidade nos últimos anos entre o público consumidor da vertente pop da música sertaneja - saiu de cena na manhã de hoje. Um acidente de carro na altura do KM 613 da rodovia BR-153 - entre as cidades de Pontalina (GO) e Morrinhos (GO) - abreviou o percurso de Cristiano Araújo na estrada da vida. O artista chegou a ser levado para um hospital de Goiânia, mas, pelos relatos, já entrou sem vida no hospital. O cantor tinha 29 anos e saboreava momento de sucesso popular, sobretudo nas regiões Centro-Oeste e Nordeste do Brasil, onde sua mistura de sertanejo com ritmos como arrocha era recebida sem preconceitos pelo público. Nascido em Goiânia (GO), terra fértil para o cultivo de astros sertanejos, Cristiano Araújo cantou e gravou discos já na adolescência, sem repercussão. Ora em dupla, ora em carreira solo, o artista tentou o sucesso ao longo dos anos 2000. Mas a fama veio somente a partir de 2010 com singles como Efeitos. Contratado pela gravadora Som Livre, Araújo seguiu então a fórmula do sertanejo pop. Gravou mais DVDs e CDs ao vivo do que álbuns de estúdio - Continua, primeiro e único a pós o início na adolescência, lhe rendeu o hit Maus bocados - e se conectou com produtores do gênero como Dudu Borges. Cristiano Araújo atuava no mesmo mercado jovem sertanejo que referenda nomes como Gusttavo Lima e Luna Santana. O último projeto fonográfico do artista, In the cities - Ao vivo em Goiânia, foi lançado em novembro de 2014 via Som Livre, nos formatos de CD e DVD.

domingo, 14 de junho de 2015

Guitarrista da banda dos anos 70 Ave Sangria, Ivinho sai de cena aos 62 anos

Ivson Wanderlei Pessoa, o Ivinho, fez um definitivo voo solo no momento em que a lendária banda pernambucana Ave Sangria - da qual foi guitarrista - estava momentaneamente de volta à cena para promover a reedição de seu único lendário álbum e o lançamento de um inédito disco ao vivo duplo, Perfumes & batachos, com registro de show de 1974. Ivinho saiu de cena no Recife (PE), sua cidade natal, na noite de 12 de junho de 2015, aos 62 anos, vítima de complicações decorrentes de uma hemorragia digestiva. Ivinho tinha um disco solo gravado ao vivo em 1978 em apresentação no Montreux Jazz Festival, na Suíça. Mas o guitarrista - um virtuose - fica na história da música brasileira por ter integrado a Ave Sangria, a banda-ícone do rock psicodélico de Pernambuco na década de 1970.

sábado, 13 de junho de 2015

Parceiro fundamental de Milton, Fernando Brant sai de cena em Minas aos 68


Fez-se noite no viver de todos que admiram a música brasileira, em especial os sons tão mineiros quanto universais do Clube da Esquina. Parceiro fundamental de Milton Nascimento, autor da letra da seminal Travessia, música que em 1967 deu projeção nacional ao então iniciante compositor carioca, o compositor mineiro Fernando Brant (Caldas - MG, 9 de outubro de 1946 / Belo Horizonte - MG, 12 de junho de 2015) saiu de cena na noite de ontem, em Belo Horizonte, aos 68 anos, em decorrência de complicações de cirurgia no fígado. Brant chegou a se formar em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, mas entra para a história do Brasil por ter advogado em favor da liberdade através das letras que fez para músicas compostas por Milton e por sócios-fundadores do Clube como Lô Borges, de quem foi parceiro em Paisagem na janela (1972). Parceria que abarcou Nelson Angelo em Canoa, Canoa (1977). Através dos versos cantados pela voz divina de Milton, Brant denunciou a escuridão em que o Brasil se encontrou a partir da segunda metade dos anos 1960 e ao longo de toda a década de 1970. Os versos de Brant foram faróis de luz naqueles tempos de trevas. Sem jamais abrir mão da poesia, Brant se alinhou com as lutas pela liberdade travadas em toda a América Latina (San Vicente, 1972), lembrou com nostalgia de tempos em que o ar era menos pesado (Saudade dos aviões da Panair, 1974), saudou a força da mulher brasileira que jamais negou a raça (Maria, Maria, 1976) e celebrou a comunhão entre artista e plateia (Canções e momentos, 1986). Sem desmerecer a importante contribuição literária do poeta fluminense Ronaldo Bastos (outro importante parceiro de Bituca) para a obra de Milton, Brant foi fundamental para que a obra de seu amigo de fé tivesse adquirido um tom sacro, épico e político ao longo dos anos 1970. Cantor bissexto, Brant poucas vezes subiu ao palco para dar voz à sua obra monumental. Mas soube mostrar aos cantores que era preciso ir onde o povo está (Nos bailes da vida, 1981). Por tudo isso, e por muito mais (Canção da América, inclusive, a pungente música de 1979 sobre a perenidade da amizade), fez-se noite no viver dos amantes da música brasileira. Letrista de Encontros e despedidas (1981), Fernando Brant partiu ontem à noite no mineiro trem azul, mas deixa poética obra musical de importância social, humana e política que vai transcender o negror (e o brilho) de seu tempo e de eras futuras. Boa viagem, Fernando Brant!!

Compositor, produtor e jurado José Messias sai de cena, no Rio, aos 86 anos

José Messias (Bom Jardim, MG - 7 de outubro de 1928 / Rio de Janeiro, RJ -12 de junho de 2015) talvez esteja sendo mais lembrado em seus obituários como jurado do programa de calouros do apresentador de TV Raul Gil. Mas Messias foi também cantor, compositor, radialista e produtor musical, embora tenha mesmo alcançado mais projeção como jurado de programas de calouros, atividade que exerceu na TV desde os anos 1960. Mineiro, Messias construiu sua carreira no Rio de Janeiro (RJ), cidade para a qual se mudou em 1945 e na qual saiu de cena aos 86 anos, ontem à noite, vítima de complicações renais. Sua atuação como compositor aconteceu no âmbito da canção mais popular. A primeira música gravada, A dança do coça coça, foi registrada pela cantora carioca Heleninha Costa (1924 -2005). Concentrada nas décadas de 1950 e 1960, sua obra musical abrange ritmos como samba, marcha e cha cha cha, tendo sido registrada por vozes como a da cantora fluminense Angela Maria.  Como cantor, José Messias gravou 10 discos  - de 78 rotações por minuto  - entre 1956 e 1963.

sábado, 16 de maio de 2015

Viúva de Donga, centenária cantora Vó Maria sai de cena no Rio aos 104 anos

Maria das Dores Santos Conceição (5 de maio de 1911 - 16 de maio de 2015), a Vó Maria, somente se casou com Ernesto Joaquim Maria dos Santos (1890 - 1974), o Donga, nos anos 1960, décadas depois de o compositor carioca ter registrado, em 1916, o samba amaxixado Pelo telefone, fundando oficialmente o ritmo. Mas Vó Maria - que saiu hoje de cena aos 104 anos, no Rio de Janeiro (RJ), em consequência de complicações derivadas de fratura no fêmur - ficou  conhecida sobretudo como a viúva do Donga talvez por carregar na figura franzina toda uma carga de ancestralidade em volta da criação do samba. Tanto que, didaticamente, Vó Maria delimitou fronteiras entre o gênero no título, Maxixe não é samba (ICCA), de seu primeiro e único álbum, produzido pela pesquisadora Marília Trindade Barbosa - sob a direção musical do violonista João de Aquino - e lançado em 2003, quando Vó Maria já contabilizava 92 anos. Sim, Vó Maria - nascida em Mendes, cidade fluminense do interior do Estado do Rio de Janeiro - também era cantora. Foi assídua frequentadora de rodas de sambas, mas somente começou  a se apresentar em público, de forma profissional, a partir dos anos 2000, geralmente em shows coletivos. Em 2013,  a reediçao do CD Maxixe não é samba  buscou ampliar o alcance desse único registro solo da voz de Vó Maria.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Voz e referência do coco pernambucano, Selma sai de cena no Recife aos 80

Selma Ferreira da Silva (1935 - 2015) tinha tanta identificação com o coco - apre(e)ndido em Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata de Pernambuco, onde tinha nascido há 80 anos - que incorporou o gênero ao seu nome artístico. Foi como Selma do Coco que ela se tornou conhecida - sobretudo a partir de 1996, quando uma apresentação consagradora no festival Abril pro Rock lhe abriu algumas portas da indústria da música - e foi como Selma do coco, voz e referência do gênero, que a artista saiu de cena no último sábado, 9 de maio de 2015, vítima de complicações decorrentes de fratura no fêmur sofrida em abril. Selma começou a cantar coco nas festas juninas da região pernambucana em que veio ao mundo. Aos 10 anos, foi morar no Recife (PE), mas foi na cidade vizinha, Olinda (PE), onde se radicou, que ela começou a chamar atenção local ao vender sua tapioca sem nunca deixar de cantar seu coco. Mas ninguém supunha naquela época que, em 2008, Selma do Coco chegaria até a ser laureada com o título de Patrimônio Vivo do Estado de Pernambuco. Sua fama começou a extrapolar as fronteiras pernambucanas a partir de seu show no Abril pro Rock de 1996. No embalo da exposição, Dona Selma do Coco lançou seu disco de maior visibilidade, Minha história (Paradoxx, 1998), cujo repertório - inspirado pelo folclore popular e inteiramente assinado por Selma com o compositor identificado na ficha técnica do álbum somente como Zezinho - destacou A rolinha, o maior sucesso desta artista que carregou no nome e na vida sua devoção ao coco, gênero que lhe tirou do anonimato habitualmente reservado aos cantadores e cultuadores dos patrimônios musicais do Brasil.  Com Selma, vai também parte da história do coco.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Fundador do Trio Parada Dura em 1973, Mangabinha sai de cena aos 73 anos

Carlos Alberto Ribeiro (16 de março de 1942 - 23 de abril de 2015), o Mangabinha, saiu de cena aos 73 anos, mas deixou vasta legião de admiradores no universo sertanejo por ter sido um dos fundadores, em 1973, do Trio Parada Dura, cultuado grupo de modões do qual Mangabinha era até ontem o único remanescente da formação original. Cantor e sanfoneiro, Mangabinha era mineiro de Corinto (MG), tendo saído de cena na capital de seu Estado natal, Belo Horizonte (MG), vítima de infarto e de complicações decorrentes de diabates. Mas o passo decisivo para a consolidação da carreira musical, iniciada em 1970, foi dado em São Paulo (SP) com a criação do Trio Parada Dura em 1973. A primeira formação do trio – com Mangabinha, Delmir e Delmon – foi efêmera, durando somente dois anos. Foi ao lado de Creonte e Barrerito que, a partir de 1975, o Trio Parada Dura se tornou ícone do universo sertanejo, emplacando sucessos como As andorinhas (Darci Rossi, Alcino Alves e Rosa Quadros, 1985), Homem de pedra (Correto e Creone, 1978) e Telefone mudo (Franco e Peão Carreiro, 1983). Com mistura do som caipira com o tom sentimental da canção brega, fusão atualmente banalizada no universo sertanejo, o Trio Parada Dura fez música já enraizada na memória afetiva de cantores do gênero como o goiano Leonardo. Paralelamente ao trabalho com o trio, cujo nome que foi parar na Justiça por conta de racha entre Mangabinha e Creone em 2006, Mangabinha construiu carreira solo, tendo gravado mais de 20 discos individuais.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Ícone do rock alternativo do Brasil, Percy Weiss sai de cena aos 60 anos

O cantor, compositor e músico carioca Percy José Weiss (11 de março de 1955 - 14 de abril de 2015) foi roqueiro no Brasil desde quando ainda era heroico fazer rock no Brasil. Vocalista da banda paulistana Made in Brazil de 1975 a 1978, Percy Weiss - como era conhecido o artista que saiu ontem de cena, aos 60 anos, vítima de acidente automobilístico em rodovia do município de Franco da Rocha (SP) - fez seu nome na cena roqueira alternativa. Nunca chegou a conquistar as glórias e a fama do mainstream, mas nem por isso deixou de obter respeito no mundo rock nativo. Weiss nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), mas se radicou ainda na infância em São Paulo (SP), cidade onde integrou, a partir de 1978, a banda paulistana Patrulha do Espaço, fazendo parte até 1981 de uma das mais cultuadas formação desde grupo de hard rock fundado pelo mutante Arnaldo Baptista. Antes de receber convite para ser vocalista da banda Made in Brazil e para aderir à Patrulha do Espaço, Weiss integrou em 1973 a banda Quarto Crescente (com a qual gravou disco lançado em 1980). Mas a carreira, iniciada em 1972, começou nos bailes da vida com a banda U.S. Mail e foi sempre desenvolvida na cena underground do rock brasileiro. Nos anos 1980, Weiss participou da Harppia, banda da cena alternativa paulistana. Entre retornos eventuais ao Made in Brazil e à Patrulha do Espaço para shows e participações em discos, o roqueiro formou a Percy's Band em 2003, década em que trabalhou também em atividades ligadas à fabricação e ao comércio de instrumentos musicais. A saída de cena de Percy Weiss entristece tribo que entende que o rock é, sobretudo, estado de espírito cultuado à margem dos mimos da indústria da música.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Estrelinha do rock na pré-Jovem Guarda, Cleide Alves sai de cena aos 68

Primeira cantora a ganhar e a gravar em 1963 uma música inédita de Roberto Carlos, Procurando um broto, a carioca Cleide Alves da Silva (5 de dezembro de 1946 - ? de março de 2015) foi uma das vozes pioneiras do pop nacional. Nos anos que precederam a criação e a explosão da Jovem Guarda, Cleide Alves foi lançada pela extinta gravadora Copacabana - mais precisamente em 1960 - para ser uma concorrente de Celly Campello (1942 - 2003), cantora paulista entronizada como rainha da juventude brasileira no fim dos anos 1950. Cleide jamais destronou Celly, mesmo quando esta abandonou a carreira no auge do sucesso. Mas Cleide deixou seu nome na Jovem Guarda. Literalmente. Cleide Alves está eternizada em versos ("Wanderléa ria / E Cleide desistia / De agarrar um doce / Que do prato não saía") da letra de Festa de arromba (1965), um dos maiores sucessos de autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos no apogeu da Jovem Guarda. A dupla, aliás, forneceu repertório exclusivo para Cleide. Beijo quente, Brotinho transviado, Mamãe acha que é normal e Surpresa de domingo são quatro esquecidos títulos do cancioneiro de Roberto & Erasmo que foram lançados na voz da cantora no seu primeiro álbum solo, Twist, hully-gully & Cleide Alves (RGE, RGE). Mas o fato é que Cleide jamais aconteceu. A cantora - que saiu de cena, aos 68 anos, neste mês de março de 2015, vítima de parada cardíaca - ainda gravou um segundo álbum, Canção de nós dois (RCA-Victor, 1970), que já soou antiquado por ter sido lançado dois anos após o fim da Jovem Guarda. A estrelinha do rock brilhou pouco, mas deixou seu nome gravado nas festas de arromba das joviais tardes de domingo.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Arretado sanfoneiro paraibano, Severo do Acordeom sai de cena aos 64

Como muitos sanfoneiros, José Severo da Silva (15 de junho de 1950 - 11 de março de 2015) herdou o ofício do pai, o músico Severino Severo da Silva, de quem usou o sobrenome como nome artístico. Paraibano natural da interiorana cidade de Sapé (PB), Severo do Acordeom foi um sanfoneiro arretado que se destacou também como compositor, assinando com o parceiro Jaguar o sucesso Do jeito que a gente gosta, música que deu título ao álbum lançado por Elba Ramalho em 1984. Severo saiu ontem de cena, a três meses de completar 65 anos, mas deixa seu nome em lugar de honra na história musical da nação nordestina. Último sanfoneiro da banda de seu conterrâneo Jackson do Pandeiro (1919 - 1982), com quem tocou de 1969 a 1982, Severo teve sua sanfona ouvida nos discos e / ou shows dos principais cantores nordestinos projetados nos anos 1970. Alceu Valença, Elba Ramalho, Fagner e Zé Ramalho foram alguns cantores que cruzaram seus caminhos musicais com o de Severo. O início da carreira foi nas feiras e praças da Paraíba e de Pernambuco. Radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) a partir do início dos anos 1960, Severo logo ascendeu como sanfoneiro. Como compositor, sua obra contabiliza cerca de 180 músicas, a maioria de alcance restrito ao Nordeste e ao Norte do Brasil. Como solista, gravou onze álbuns. Entre eles, Machucando gostosinho,  lançado pela gravadora EMI-Odeon em 1987.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Cantora que deu voz às coisas do (seu) Brasil, Inezita sai de cena aos 90

Ignez Magdalena Aranha de Lima (4 de março de 1925 - 8 de março de 2015) tinha tudo para viver dentro da redoma urbana na qual foi criada por sua rica família, pertencente à tradicional sociedade da cidade de São Paulo. Mas Ignez escapou dessa redoma e virou Inezita Barroso, a cantora que deu voz às coisas de seu Brasil, como já deixou claro o título do álbum lançado pela artista em 1956 na gravadora RCA-Victor. Brasil que deixou na noite de ontem ao sair de cena, aos recém-completados 90 anos, em hospital de São Paulo (SP). Referência dos ritmos regionais de um Brasil interiorano, Inezita construiu carreira - iniciada no rádio nos anos 1940 - que a associou à música caipira levada na viola que deu nome ao programa que apresentou na TV Cultura nos seus últimos 35 anos de vida. Mas o fato é que a discografia da cantora - iniciada em 1951 com a edição de disco de 78 rotações por minuto que trazia as músicas Funeral dum Rei Nagô (Hekel Tavares e Murilo Araújo) e Curupira (tema popular recolhido e adaptado por Waldemar Henrique) - extrapola o universo da genuína música sertaneja. Inezita - em foto de Jair Magri - gravou temas do folclore gaúcho, sambas cariocas, canções do folclore mineiro, ritmos nordestinos e modinhas. Mas foi com as modas de viola que alcançou maior projeção. Um de seus grandes sucessos, a Moda da pinga (Laureano), surgiu logo no começo da carreira, em 1953. Inezita - cujo último álbum, Sonho de caboclo, foi lançado por vias independentes em 2009 - foi mais Brasil e foi mais do que uma cantora, atuando também como instrumentista, arranjadora e folclorista. Sem nunca abandonar as coisas de seu Brasil orgulhosamente caipira, da qual foi voz imune às maravilhas contemporâneas.