♪ Décadas após consolidar a parceria com Milton Nascimento e com outros sócios fundamentais do Clube da Esquina, como Lô Borges e Beto Guedes, Fernando Brant (1946 - 2015) sedimentou parceria com o compositor e violonista mineiro Geraldo Vianna a partir dos anos 2000. Os 15 anos dessa parceria - de projeção geralmente restrita às fronteiras de Minas Gerais - são o mote do CD Mariana Brant interpreta Geraldo Vianna e Fernando Brant (Gvianna Produções Culturais / 3Pontas Brasil). Sobrinha de Brant, Mariana dá voz em tom lírico a nove músicas dessa parceria, regravando temas compostos originalmente para o balé Chico Rei - Uma dança (2001) e para o álbum 3 Estações - Caymmi (Independente, 2009), do Trio Amaranto. Deste projeto centrado no cancioneiro do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008), por exemplo, a cantora revive as músicas Carpe diem (Geraldo Vianna e Fernando Brant, 2009) e Estação Caymmi (Geraldo Vianna e Fernando Brant, 2009). Mas o toque original do disco reside nos dez textos recitados pelo próprio Brant. Entre cada música, há um texto gravado pela voz pouco ouvida de Brant e harmonizado pelo violão improvisado no estúdio por Geraldo Vianna. Recitados ou cantados, os versos poéticos de Brant - alguns embebidos em fina nostalgia - dominam este álbum de clima camerístico, pairando acima das melodias modernas (mas não cativantes) de Vianna e da voz monocromático de Mariana.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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sábado, 15 de agosto de 2015
sábado, 8 de agosto de 2015
CD em tributo a Brant inclui Djavan, Dori, Maria Rita, Melodia, Samuel e Takai
♪ Sobrinho do compositor mineiro Fernando Brant (Caldas - MG, 9 de outubro de 1946 / Belo Horizonte - MG, 12 de junho de 2015), Robertinho Brant produz para 2016 álbum duplo em tributo aos 70 anos do parceiro mais importante de Milton Nascimento. Intitulado O vendedor de sonhos, o disco vai apresentar gravações inéditas de Beto Guedes (San Vicente, Milton Nascimento e Fernando Brant, 1972), Djavan (Milagre dos peixes, Milton Nascimento e Fernando Brant, 1973), Dori Caymmi (Sentinela, Milton Nascimento e Fernando Brant, 1968), Fernanda Takai (Vevecos, panelas e canelas, Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981), Joyce Moreno (Conversando no bar - Nas asas da Panair, Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974), Luiz Melodia (Aqui é o país do futebol, Milton Nascimento e Fernando Brant, 1970), Maria Rita (Vida, Milton Nascimento e Fernando Brant, 1981) e Samuel Rosa (Paisagem da janela, Lô Borges e Fernando Brant, 1972). Milton Nascimento também participa do tributo, tendo gravado O medo de amar é o medo de ser livre (Beto Guedes e Fernando Brant, 1978). O álbum-tributo ainda está em processo de gravação.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
Leila canta Brant com (a parceira) Zélia na estreia carioca de 'Por onde eu for'
♪ A IMAGEM DO SOM - Convidada-surpresa da estreia carioca do novo show da cantora paraense Leila Pinheiro, Por onde eu for, a cantora e compositora fluminense Zélia Duncan subiu ao palco do Theatro Net Rio na noite de ontem, 8 de julho de 2015, para cantar a primeira parceria das duas artistas, Todas as coisas valem, lançada em disco por Leila, em dueto com Zélia, no EP Por onde eu for, disco de quatro músicas que está ganhando edição física em CD neste mês de julho. A música ganhou vivacidade e beleza no registro ao vivo do palco, no qual Zélia - vista com Leila na foto de Mauro Ferreira - permaneceu para cantar música da parceria de Milton Nascimento com o poeta mineiro Fernando Brant (1946 - 2013), Vevecos, panelas e canelas, composição lançada pelo cantor mineiro Beto Guedes em seu álbum Contos da lua vaga (EMI-Odeon, 1981). No bis, Zélia voltou à cena e cantou Vitoriosa (Ivan Lins e Vitor Martins, 1985) com a anfitriã, com direito a citação de verso de Depende de nós (Ivan Lins e Vitor Martins, 1981). Nas vozes harmoniosas das novas parceiras Leila e Zélia, todas as músicas valeram na estreia carioca do show Por onde eu for.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Poesia forte de Brant banha 'Mar azul', tributo minimalista aos sons de Minas
Resenha de disco
Título: Mar azul - Sons de Minas Gerais vol. 1
Artista: vários
Gravadora: Slap
Cotação: * * * 1/2
Gravações disponíveis também em formato audiovisual no canal da TocaVídeos no YouTube
Título: Mar azul - Sons de Minas Gerais vol. 1
Artista: vários
Gravadora: Slap
Cotação: * * * 1/2
Gravações disponíveis também em formato audiovisual no canal da TocaVídeos no YouTube
♪ Quatro dias após o lançamento do disco Mar azul - Sons de Minas Gerais vol. 1 nas plataformas digitais através do selo Slap, em 8 de junho de 2015, a inesperada saída de cena do compositor mineiro Fernando Brant (1946 - 2015) - o mais importante letrista do cancioneiro do Clube da Esquina - causou impacto na cena musical brasileira, influenciando inevitavelmente a audição deste projeto capitaneado por Fernando Neumayer e Luís Martino para a empresa TocaVídeos. Onze artistas da cena contemporânea dão vozes a músicas associadas aos compositores do clube mineiro em registros acústicos calcados em violão e/ou em piano, filmados - com fotografia de Thiago Britto - para clipes disponibilizados no canal da TocaVídeos no YouTube simultaneamente com a edição digital do disco. Brant é o autor de somente três das 11 músicas. Mas a poesia fraterna, forte e brava do mineiro banha Mar azul, amplificando a saudade deste gigante da MPB. Quando a cantora fluminense Júlia Vargas embarca com segurança em Canoa, canoa (Nelson Ângelo e Fernando Brant, 1977), Mar azul reitera a força de versos que expuseram a solidão e a coragem de homens brasileiros em era de trevas. Quando a cantora mineira Michele Leal desenha Paisagem da janela (Lô Borges e Fernando Brant, 1972), com fidelidade à arquitetura do registro original do álbum duplo de 1972 que oficializou a existência do Clube da Esquina, bate também a saudade já eterna deste mensageiro natural de coisas estranhamente naturais que aconteciam naqueles tempos de cores mórbidas e homens sórdidos. A presença de Brant paira ao longo do disco, mas Mar azul também está mergulhado nos versos de outros poetas. O fluminense Ronaldo Bastos tem os versos de Nada será como antes (1972) - uma de suas mais emblemáticas parcerias com o carioca de alma mineira Milton Nascimento, sócio majoritário do Clube - jogados com frescor nos céus das bocas dos integrantes do grupo vocal carioca Ordinarius, em arranjo de Augusto Ordine. Mesmo sem uma releitura antológica, Mar azul joga na beira da praia quem ainda está (quase) submerso em mercado fonográfico cruel e cada vez mais estruturado em nichos. Radicado no Rio de Janeiro (RJ), o cantor e compositor mineiro César Lacerda se revela bom intérprete ao dar voz ao único tema obscuro da seleção, Pedras rolando (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1979). Igualmente desenvolto, Pedro Luís bota seu bloco na rua com Reis e rainhas do maracatu (Nelson Ângelo, Novelli e Fran, 1977). Já Maíra Freitas mostra domínio de seu piano - de toque ora percussivo, ora camerístico - enquanto põe seu tempero vocal em Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971) em registro azeitado. Com seu violão, Moska mostra como o formato pop de Quem sabe isso quer dizer amor (Márcio Borges e Lô Borges, 2002) - canção gravada por Milton em seu último antológico álbum de estúdio, Pietá (Warner Music, 2002) - é redondo. Já Um girassol da cor de seu cabelo (Márcio Borges e Lô Borges, 1972) mantém inicialmente seu tom no registro feito por Silva com violão, mas fica esmaecida com a entrada desnecessária da percussão eletrônica na segunda parte. Já Travessia - pedra inaugural e fundamental da parceria de Milton com Brant - é feita por Dani Black em beat ligeiramente mais acelerado, em registro de falsete. Mas aí, por mais que o artista tenha méritos ao procurar outro tom para a canção, faz-se noite no viver de quem ouviu Travessia com Milton Nascimento. O que não tira o valor deste (bom) tributo minimalista aos sons, às canções e às esquinas de Minas Gerais.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Milton externa gratidão ao seu amigo e parceiro Brant em texto no Facebook
♪ A saída de cena do compositor mineiro Fernando Brant (Caldas - MG, 9 de outubro de 1946 / Belo Horizonte - MG, 12 de junho de 2015) - na noite da última sexta-feira, aos 68 anos, em decorrência de complicações de transplante de fígado - representa perda de dimensão inestimável para o patrimônio da música projetada a partir de 1965, na era dos festivais, com o rótulo de MPB. Na qualidade de fundamental e mais importante parceiro de Milton Nascimento, Brant construiu obra - contabilizada em mais de 200 composições - que rivaliza em relevância e beleza com a produção autoral de outros gigantes da MPB como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. Sim, Brant foi somente o letrista. A música sempre foi de Milton. Mas a música de Milton não teria tido a força que teve nos anos 1960 e 1970 sem a contundência e a poesia dos versos de Brant, o parceiro que desde sempre se fez amigo para se guardar do lado esquerdo do peito. Fato que o próprio Milton reconhece e tem feito questão de ressaltar em seus depoimentos sobre a saída de cena de Brant. Em texto publicado com foto (acima) na sua página oficial do Facebook, o cantor e compositor carioca de alma mineira externa a gratidão pelo amigo parceiro de tantas canções e momentos que enobreceram a MPB a partir de 1967. Com a palavra, o parceiro Milton Nascimento:
"A última vez em que estive com Fernando foi há menos de seis meses, em minha casa, no Rio. Ele chegou junto com outro grande amigo, Ronaldo Bastos, e foi uma noite como há muitos anos não acontecia. Passamos horas lembrando de histórias, canções, amigos e, principalmente, a amizade que nos guiava em todos estes anos em que passamos juntos. Eu já sabia que Fernando estava com um problema de saúde, mas em nenhum momento falamos disso naquela noite. Não precisava. Fernando esteve ao meu lado nos acontecimentos mais importantes da minha vida. E isso já era o suficiente a ser lembrado.
Em meu último show, em Santos, no dia 5 de junho, uma jornalista pediu para eu contar uma história, qualquer uma. Não sei como, mas automaticamente comecei a falar do Fernando, e de quando eu estava em São Paulo, e fiz três músicas no mesmo dia: Pai grande, Morro velho e Travessia, esta última, a que levei para Fernando Brant fazer a letra em Belo Horizonte. O resto é história.
Sem ele, as coisas não teriam acontecido desta maneira. Nenhuma palavra do mundo é capaz de descrever o quanto eu sou agradecido por ele ter feito parte da minha existência.
Obrigado, amigo, muito obrigado;"
(BH, 13/06/2015)
Milton Nascimento
sábado, 13 de junho de 2015
Parceiro fundamental de Milton, Fernando Brant sai de cena em Minas aos 68
♪ Fez-se noite no viver de todos que admiram a música brasileira, em especial os sons tão mineiros quanto universais do Clube da Esquina. Parceiro fundamental de Milton Nascimento, autor da letra da seminal Travessia, música que em 1967 deu projeção nacional ao então iniciante compositor carioca, o compositor mineiro Fernando Brant (Caldas - MG, 9 de outubro de 1946 / Belo Horizonte - MG, 12 de junho de 2015) saiu de cena na noite de ontem, em Belo Horizonte, aos 68 anos, em decorrência de complicações de cirurgia no fígado. Brant chegou a se formar em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, mas entra para a história do Brasil por ter advogado em favor da liberdade através das letras que fez para músicas compostas por Milton e por sócios-fundadores do Clube como Lô Borges, de quem foi parceiro em Paisagem na janela (1972). Parceria que abarcou Nelson Angelo em Canoa, Canoa (1977). Através dos versos cantados pela voz divina de Milton, Brant denunciou a escuridão em que o Brasil se encontrou a partir da segunda metade dos anos 1960 e ao longo de toda a década de 1970. Os versos de Brant foram faróis de luz naqueles tempos de trevas. Sem jamais abrir mão da poesia, Brant se alinhou com as lutas pela liberdade travadas em toda a América Latina (San Vicente, 1972), lembrou com nostalgia de tempos em que o ar era menos pesado (Saudade dos aviões da Panair, 1974), saudou a força da mulher brasileira que jamais negou a raça (Maria, Maria, 1976) e celebrou a comunhão entre artista e plateia (Canções e momentos, 1986). Sem desmerecer a importante contribuição literária do poeta fluminense Ronaldo Bastos (outro importante parceiro de Bituca) para a obra de Milton, Brant foi fundamental para que a obra de seu amigo de fé tivesse adquirido um tom sacro, épico e político ao longo dos anos 1970. Cantor bissexto, Brant poucas vezes subiu ao palco para dar voz à sua obra monumental. Mas soube mostrar aos cantores que era preciso ir onde o povo está (Nos bailes da vida, 1981). Por tudo isso, e por muito mais (Canção da América, inclusive, a pungente música de 1979 sobre a perenidade da amizade), fez-se noite no viver dos amantes da música brasileira. Letrista de Encontros e despedidas (1981), Fernando Brant partiu ontem à noite no mineiro trem azul, mas deixa poética obra musical de importância social, humana e política que vai transcender o negror (e o brilho) de seu tempo e de eras futuras. Boa viagem, Fernando Brant!!
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