♪ Ao comprar e encampar a gravadora EMI Music em 2013, a Universal Music adquiriu também o ônus da briga judicial que João Gilberto travava com a companhia fonográfica inglesa desde 1992. Pendenga que chegou ao fim hoje, 3 de dezembro de 2015, com a decisão irrevogável do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de proibir a comercialização pela Universal Music / EMI dos seminais três primeiros álbuns do cantor, compositor e violonista baiano. Chega de saudade (1959), O amor, o sorriso e a flor (1960) e João Gilberto (1961) não poderão mais ser vendidos pela Universal / EMI em nenhum formato. Se as matrizes destes discos fundamentais ficarem em posse de João, caberá aos representantes legais do artista negociarem reedições de acordo com os padrões técnicos exigidos pelo dono da obra. O STJ determinou também que João Gilberto receba indenização por danos morais por conta da edição, feita à revelia do cantor, da coletânea O Mito. Posta nas lojas nos formatos de LP (em 1988) e CD (1992), a compilação embaralhou os fonogramas desses três álbuns iniciais de João e ainda reeditou gravações avulsas de compactos e trilhas sonoras de filmes.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Hanna presta sua homenagem a João Gilberto com CD 'O amor é bossa nova'
♪ Cantora nascida em Maceió (AL) e radicada na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Hanna aproveitou os 84 anos completados por João Gilberto neste mês de junho de 2015 para lançar seu álbum em homenagem ao cantor baiano. Produzido e arranjado por Dodô Moraes, sob a direção artística de Christine Valença, o CD O amor é bossa nova - Homenagem a João Gilberto alinha 16 músicas gravadas pelo cantor e violonista que redefiniu os conceitos e os parâmetros da música brasileira a partir de 1958. A seleção de Hanna inclui Desafinado (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959), Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1962), Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958), Menino do Rio (Caetano Veloso, 1979), Dindi (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1959), Nem eu (Dorival Caymmi, 1952), Bahia com H (Denis Brean, 1947) e Wave (Antonio Carlos Jobim, 1967), entre outros standards de porte similar.
quarta-feira, 10 de junho de 2015
João faz 84 anos com disco à vista que registra show feito com Getz em 1976
♪ Visto recentemente em vídeos nos quais canta com sua filha, João Gilberto completa hoje, 10 de junho de 2015, 84 anos de vida e - vale o clichê - o presente quem pode ganhar é o público que admira a genialidade do cantor, compositor e violonista baiano. A gravadora norte-americana Resonance Records tem possibilidade de lançar Getz / Gilberto '76, inédito disco ao vivo com o registro de show feito por João com o saxofonista norte-americano de jazz Stan Getz (1927 - 1991) em maio de 1976 no clube Keystone Korner, em São Francisco (Califórnia, EUA). Revelado em 17 de janeiro deste ano de 2015 na página da gravadora no Facebook, o disco pode sair em 2015 ou em 2016, de acordo com o post da Resonance Records, feito para anunciar um single em vinil de cor verde e selo amarelo (capa acima), com quatro faixas, produzido pela gravadora para ser vendido em abril no Record Store Day como um aperitivo (de tiragem limitada) do álbum. A pintura exposta na capa é assinada por Olga Albizu. Já o design do disco é de Burton Yount. Já item de colecionador, o single duplo em vinil Selections from Getz/Gilberto '76 traz quatro músicas - É preciso perdoar (Alcivando Luz e Carlos Coqueijo, 1967) e Doralice (Dorival Caymmi e Antonio Almeida, 1945) no lado A e Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965) e Retrato em branco e preto (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) no lado B - captadas no show feito por João e Getz com os músicos norte-americanos Billy Hart (na bateria), Clint Houston (no baixo) e Joanne Brackeen (no piano). Se o disco for efetivamente lançado, a distribuição vai ser em escala mundial.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
'Silêncio' presta tributo a João ao integrar voz de Braz com Nailor e Edson
Resenha de CD
Título: Silêncio - Um tributo a João Gilberto
Artistas: Renato Braz, Nailor Proveta e Edson Alves
Gravadora: Coleção Canal Brasil / Coqueiro Verde
Cotação: * * * *
Título: Silêncio - Um tributo a João Gilberto
Artistas: Renato Braz, Nailor Proveta e Edson Alves
Gravadora: Coleção Canal Brasil / Coqueiro Verde
Cotação: * * * *
♪ Silêncio (2014) é de fato um tributo a João Gilberto. Registro das sessões de gravação que deram origem ao filme Ensaio sobre o silêncio, do cineasta Zeca Ferreira, o CD promove a integração da voz de Renato Braz com os sopros de Nailor Proveta e com o violão de Edson Alves. Um dos maiores cantores da música brasileira, o paulista Renato Braz exercita a leveza - na contramão do tom habitualmente classicista de seu canto - em nome da harmonia. Silêncio não é um disco de Bossa Nova, embora haja muito de Bossa Nova no toque do violão de Edson Alves na condução de músicas como o samba Louco (Ela é o seu mundo) (Wilson Baptista e Henrique de Almeida, 1943) e o bolero Besame mucho (Consuelo Velásquez, 1940). A reverência a João é feita através da harmonia reinante entre o trio. Ou duo, já que o samba Doralice (Dorival Caymmi e Antonio Almeida, 1945) figura no disco em registro instrumental pautado pelo fino diálogo do violão de Alves com o saxofone de Proveta. A abolerada canção italiana Estate (Bruno Martino e Bruno Brighetti, 1960) é o grande momento de Silêncio. Com sons que respeitam os silêncios, e vice-versa, a gravação do trio chega a rivalizar com o antológico registro feito por João em seu álbum Amoroso (Warner Music, 1977). Também impressiona a maneira como o trio cai nos sambas - Pra que discutir com madame? (Janet de Almeida e Haroldo Barbosa, 1945), Eu sambo mesmo (Janet de Almeida, 1946), Bahia com H (Denis Brean, 1947), Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965) - com suavidade cool digna de João. Menos óbvio quando sai do terreirão do samba, o passeio pelo repertório gravado por João inclui canções menos associadas ao inventor da bossa, casos de Avarandado (Caetano Veloso, 1967) - canção gravada por João em 1973 e revivida com lirismo por Braz sem alterar o tom leve mantido ao longo das 14 músicas do disco - e de O grande amor (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1960), exemplo de um Jobim mais classicista, depurado por João no álbum Getz / Gilberto (Verve Records, 1964). Enfim, Silêncio honra João porque o cantor e os músicos parecem unidos numa nota só, a favor da deusa música.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Registro ao vivo do show 'Gilbertos samba' sai sem 'Um abraço no Bonfá'
♪ Recém-lançado pela gravadora Sony Music nos formatos de CD duplo e DVD, o registro ao vivo de Gilbertos samba - show no qual Gilberto Gil expande o diálogo com o repertório de João Gilberto ao entrelaçar no roteiro sambas de sua autoria com sambas gravados pelo criador da Bossa Nova - chegou ao mercado fonográfico com número adicionado ao longo da turnê do show. Trata-se do samba É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957), gravado por João Gilberto em seu primeiro álbum, Chega de saudade (Odeon, 1959). Captada na passagem de som, a abordagem de É luxo só por Gil entrou no CD e é ouvida no DVD enquanto rolam os créditos do vídeo. Em contrapartida, Gilbertos samba ao vivo chegou às lojas em CD e DVD sem a versão com letra de Um abraço no Bonfá (João Gilberto, 1960), número que foi a grande novidade do show. Tema originalmente instrumental, composto por João Gilberto para saudar o compositor e violonista carioca Luiz Bonfá (1922 - 2001), Um abraço no Bonfá ganhou letra escrita por Gil para o projeto. No entanto, como a gravação do tema com a letra de Gil depende da autorização do arredio João, já que se trata de parceria feita à sua revelia, o jeito foi editar a gravação ao vivo do belo show de Gil - clique aqui para ler / reler a resenha da estreia nacional de Gilbertos samba - sem o número.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Marisa Monte apresenta a gravação do show em que Gil vai além de João
♪ Nas lojas neste mês de novembro de 2014, em edição da gravadora Sony Music, o CD e DVD Gilbertos samba ao vivo, do cantor e compositor baiano Gilberto Gil, está sendo apresentado aos jornalistas e formadores de opinião por um texto escrito e assinado por Marisa Monte. A cantora e compositora carioca discorre sobre seu apreço pelo disco de estúdio Gilbertos samba (Sony Music, 2014) - no qual Gil aborda sambas gravados pelo cantor baiano João Gilberto - e pelo show no qual Gil extrapola o repertório de João, cantando temas de lavra própria. Com a palavra, Marisa:
"Há alguns meses fui convidada para um encontro
musical com o Arnaldo Antunes, Jorge
Benjor, Dadi e o Gilberto Gil na casa do Andre Midani.
Foi uma noite mágica, onde pela primeira vez
pude escutar o Gil, com o violão no colo, tocar alguns dos sambas magistrais do
repertório do João Gilberto que ele havia acabado de gravar no seu então inédito
Gilbertos samba.
Aqueles sambas tão familiares provocaram um bem
estar imediato; eram clássicos brasileiros gravados pelo João, passados ali pelo
filtro poderoso do Gil, com todo o seu estilo, seu canto e seu instrumento, que
por sua vez criava novas introduções, fraseados e harmonias para algo que até
então parecia definitivo.
Assim como João teve papel central na formação
de toda a geração dos anos 60, Gil foi fundamental para a minha turma que
cresceu no Sítio do Pica Pau Amarelo, na sombra frondosa do seu abacateiro.
Admiro sua generosidade de mestre e aprendi muito trabalhando com ele no estúdio
em Cor de rosa e carvão, quando ele gravou seus incríveis violões, oferecendo
uma brasilidade que estávamos buscando.
Esses e outros motivos me levaram a estar na
plateia da primeira temporada do show Gilbertos Samba, num teatro do
Rio.
O CD ja era então meu conhecido e fazia parte de
nossas vidas como tantos outros.
O show ia além do João , do violão e do próprio
Gil em repertório e sonoridade e trazia
o carisma e versatilidade do Mestrinho (para mim uma descoberta), a segurança e
inteligência musical do Domenico, e a comovente cumplicidade do filho Bem e do
sobrinho Moreno, estes juntos também na produção musical, criando um ambiente de
amor e respeito que o Gil merece.
O DVD, dirigido por Andrucha Waddington e
gravado no Teatro Municipal de Niterói, vai além do disco, e do próprio show em
seus limites físicos de espaço e tempo, ampliando ao infinito e além o alcance
da arte do Gil, para o bem da eternidade e das futuras gerações.
Obrigada, Gil!"
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Eis a capa do CD ao vivo em que Gilberto Gil interpreta o samba de João
♪ Esta é a capa do CD Gilbertos samba ao vivo. O CD vai ser posto nas lojas pela gravadora Sony Music neste mês de novembro de 2014 juntamente com o DVD homônimo que exibe o show feito por Gilberto Gil e filmado sob a direção de Andrucha Waddington em 1 e 2 de setembro no Teatro Municipal de Niterói, na cidade fluminense de Niterói (RJ). No show, o cantor e compositor baiano interpreta sambas do repertório de seu conterrâneo João Gilberto - com base no álbum Gilbertos samba (Sony Music, 2014) - com acréscimo no roteiro de sambas de sua própria lavra.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Gil grava ao vivo o show em que vai além do repertório de João Gilberto
♪ Divulgada pela gravadora Sony Music, a foto acima flagra Gilberto Gil no palco do Theatro Municipal de Niterói em 1º de setembro de 2014, primeiro dos dias da gravação ao vivo do show Gilbertos samba. O cantor e compositor baiano escolheu o principal palco da cidade fluminense de Niterói (RJ) para fazer - sob a direção do cineasta Andrucha Waddington - o registro audiovisual do show em que aborda (e extrapola) o repertório do cantor e compositor baiano João Gilberto. A gravação vai ser concluída na noite de hoje, 2 de setembro de 2014.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Aos 77 anos, Falcão lança disco em que celebra os legados de Donato e João
♪ Aos 77 anos, completados em abril de 2014, Fred Falcão - compositor pernambucano radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) - lança pela gravadora carioca Sala de Som o CD Nas asas dos bordões, segundo título de trilogia iniciada em 2011 com a edição, pela mesmo selo carioca, do disco Voando nas canções. Projetado em 1970, ano em que sua música Namorada – então classificada na quinta edição do Festival Internacional da Canção (FIC) – foi parar nas vozes do casal Antônio Marcos (1945 – 1992) e Vanusa, Falcão reverencia em Nas asas dos bordões os legados de João Donato e João Gilberto. O compositor e pianista do Acre é celebrado no sincopado tema Alô, Donato (Fred Falcão). Já o genial baiano inventor da batida diferente é cultuado em Bossa nossa (Fred Falcão e Carlos Henrique Costa), faixa gravada com os vocais do BeBossa, grupo carioca também presente em Liver Paul (Fred Falcão e Carlos Henrique Costa), tributo do artista ao beatle Paul McCartney. Por ser essencialmente um álbum de compositor, Nas asas dos bordões tem sete de suas 15 músicas interpretadas pela cantora Thaís Motta. Já o cantor Márcio Gomes dá voz a Candelabro (Fred Falcão e Paulo Renato), seresta que mostra que Fred Falcão esboça uns voos além do céu de brigadeiro da Bossa Nova. Fred Falcão finalizará sua trilogia autoral em 2015.
domingo, 6 de abril de 2014
Show 'Gilbertos samba' expande com sutilezas o diálogo de Gil com João
Resenha de show
Título: Gilbertos samba
Artista: Gilberto Gil (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 4 de abril de 2014
Cotação: * * * * 1/2
Agenda da turnê nacional do show Gilbertos samba:
* Rio de Janeiro (RJ) - 5, 6, 11 e 12 de abril de 2014 no Theatro Net Rio
* Salvador (BA) - 16 e 17 de maio de 2014 no Teatro Castro Alves
* Recife (PE) - 21 e 22 de maio de 2014 no Teatro Shopping Rio Mar
* Natal (RN) - 23 de maio de 2014 no Teatro Riachuelo
* São Paulo (SP) - 19 e 20 de julho de 2014 no Teatro Shopping Vila Olímpia
* Belo Horizonte (MG) - 6 e 7 de setembro no Palácio das Artes
* Porto Alegre (RS) - 19 de setembro de 2014 no Teatro do Bourbon Country
* Novo Hamburgo (RS) - 20 de setembro de 2014 no Teatro Feevale
Título: Gilbertos samba
Artista: Gilberto Gil (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 4 de abril de 2014
Cotação: * * * * 1/2
Agenda da turnê nacional do show Gilbertos samba:
* Rio de Janeiro (RJ) - 5, 6, 11 e 12 de abril de 2014 no Theatro Net Rio
* Salvador (BA) - 16 e 17 de maio de 2014 no Teatro Castro Alves
* Recife (PE) - 21 e 22 de maio de 2014 no Teatro Shopping Rio Mar
* Natal (RN) - 23 de maio de 2014 no Teatro Riachuelo
* São Paulo (SP) - 19 e 20 de julho de 2014 no Teatro Shopping Vila Olímpia
* Belo Horizonte (MG) - 6 e 7 de setembro no Palácio das Artes
* Porto Alegre (RS) - 19 de setembro de 2014 no Teatro do Bourbon Country
* Novo Hamburgo (RS) - 20 de setembro de 2014 no Teatro Feevale
É no bis do show Gilbertos samba que Gilberto Gil enfatiza a rota geográfica de seu som ao alocar Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965) - samba seminal que já explicita no título a origem geográfica do cantor, compositor e músico baiano - bem ao lado da apoteótica lembrança de Aquele abraço (Gilberto Gil, 1969), samba em que endereça exaltação à cidade do Rio de Janeiro (RJ) aos mestres baianos Dorival Caymmi (1914 - 2008) e João Gilberto. Os dois sambas do significativo bis amarram os fios da meada de show que expande, com sutilezas, o diálogo travado por Gil com João no CD Gilbertos samba, lançado neste mesmo mês de abril de 2014 em que o show ganha a estrada em turnê nacional que teve seu ponto de partida no Rio de Janeiro, em 4 de abril, em apresentação para convidados do evento que festejou os dois anos de vida do Theatro Net Rio. No disco, produzido por Bem Gil e Moreno Veloso, Gil sustenta a leveza de João - sem jamais cair na tentação de imitar o mestre inimitável - ao harmonizar seu violão com a percussão contemporânea de Domenico Lancellotti. O show roça a perfeição do disco. A ausência de Pedro Sá - cuja guitarra posta na regravação de Desafinado (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959) é a cereja do bolo de massa leve - é sentida, embora Bem Gil insira em cena, nesse número, ruídos e efeitos que simulam a interferência sublime da guitarra de Sá neste samba-hino que ironiza ouvidos incapazes de entender o comportamento absolutamente musical da Bossa Nova. Com a postura zen de um buda nagô, Gil aciona sua máquina de ritmos para saudar João em roteiro que transita com desenvoltura entre Rio e Bahia. No show, Gil vai além do repertório do disco sem obviedade, ainda que Rosa Morena - samba do recorrente Dorival Caymmi, lançado em 1942 pelos Anjos do Inferno, conjunto vocal carioca adorado por João Gilberto - soe como natural e saborosa novidade de show que, tal como o disco, passa muitas vezes por Caymmi para chegar em João. Cidade que viu nascer a bossa de João nos dourados anos 1950 e que abrigaria Gil nos anos 1960, década em que o aprendiz já se revelou mestre precoce ao ensinar ao Brasil as lições antropofágicas da Tropicália, o Rio de Janeiro também é celebrado em samba inédito de Gil, Rio, eu te amo, no qual o compositor explora os dois significados da palavra rio (usada também como verbo rir na conjugação da primeira pessoa do singular) para armar, no engenhoso refrão, jogo com as palavras rio e choro. E o fato é que, a caminho dos 72 anos, Gilberto samba em cena com desenvoltura, evidenciando a empatia imediata d'O pato (Jayme Silva e Neusa Teixeira, 1960) com a plateia. Neste número, como em outros do show, o acordeom de Mestrinho é posto em cena na mesma dimensão do violão de Gil e da percussão de Domenico Lancellotti. Novidade do show, a letra de Um abraço no Bonfá - tema instrumental composto por João Gilberto para saudar o compositor e violonista carioca Luiz Bonfá (1922 - 2001) e lançado pelo autor em seu segundo álbum, O amor, o sorriso e a flor (Odeon, 1960) - se afina com o espírito da homenagem. Gil dá voz - usada em registros graves que se harmonizam com os arranjos sempre leves - a versos como "Aquietei-me de vez / Quando o meu baião se fez" antes de dar Um abraço no João (Gilberto Gil, 1997) no compasso do choro. O dois abraços não puderam ser dados no disco, pois Gil ficou sem autorização de João para gravar a versão letrada do tema instrumental de 1960, "coisa de músico", como Gil o conceitua em cena por conta da intrincada trama de acordes. Mas Gil toca a bola para frente, acionando Máquina de ritmo (Gilberto Gil, 2008) - samba em que cita na letra Anjos do Inferno e Bando da Lua, grupos vocais que fizeram a cabeça de João - e recordando Ladeira da preguiça (Gilberto Gil, 1973), samba que alude à Bahia de Gil, João e Caymmi, cujo samba Milagre (1977) é feito em cena com Bem Gil percutindo o prato que, no disco, fica a cargo de Moreno Veloso. Em outro samba de Caymmi, Doralice (1945), parceria do baiano com o compositor carioca Antonio Almeida (1911 - 1985), Bem Gil pilota a guitarra, instrumento que, juntamente com os MPCs dos músicos da banda, simboliza modernidade em ambiente centrado na tradição do violão de Gil. Músico que representa no CD a conexão do samba de João e Gil com sua terra natal, Moreno Veloso entrou no palco do Theatro Net Rio para tocar prato no samba Gilbertos (Gilberto Gil, 2014), única música inédita incluída por Gil no CD, gravada com o violão luxuoso de Dori Caymmi, outra ausência sentida em cena. Enfim, o show Gilbertos samba reitera a influência transversal - adjetivo usado por Gil numa de suas falas - de João na música do Brasil e do mundo. Sem procurar imitar o mestre, Gil confirma sua maestria em cena com comportamento supermusical. Seu abraço em João Gilberto é tão forte quanto sutil.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Caetano saúda CD em que Gil toca João, 'revolucionário que nos definiu'
Disponível para venda nas lojas físicas e digitais a partir de hoje, 1º de abril de 2014, o CD Gilbertos samba - disco irretocável em que Gilberto Gil celebra a leveza e a modernidade legadas por João Gilberto - é apresentado aos formadores de opinião por texto assinado por Caetano Veloso. O cantor e compositor baiano conceitua o álbum com a propriedade de quem acompanhou toda a trajetória musical de Gil - em foto de Daryan Dornelles - e de quem, tal como seu amigo e conterrâneo, é devoto de João. Eis o texto de Caetano Veloso contextualiza Gil e João ("o revolucionário que definiu nossas vidas") ao saudar o lindo CD Gilbertos samba:
"Conheci Gil pela TV. Acho que todo mundo já sabe disso. Existe até uma música maravilhosa, composta por Neguinho do Samba, que foi gravada por Daniela Mercury, em que minha mãe é citada dizendo o que de fato me dizia quando ele, no meio da tarde, aparecia no vídeo: "Venha ver aquele preto que você gosta". Nessa época, todos o chamavam de Beto. Mas num disquinho compacto que saiu pouco depois seu nome já era Gilberto Gil. Para mim, Gil era o milagre de alguém de carne e osso que podia reproduzir os acordes que João Gilberto fazia no violão. Eu próprio mal decifrava as funções de tônica e dominante. João Gilberto era uma iluminação para nós, tanto técnica quanto esteticamente. A coincidência do nome real de Gil (Gilberto Passos Gil Moreira, sendo Gil o sobrenome que se destacava entre os demais: o pai de Beto sempre foi chamado de Dr. Gil) com o do criador da bossa nova, o revolucionário que definiu nossas vidas, me fascinava. Ao mesmo tempo era uma confirmação daquilo que Gil se me apresentava e uma sugestão de fórmula publicitária inventada a partir do nome do grande criador. Mas não tinha sido inventada. Nem mesmo escolhida por sua força comercial. Era a forma essencial do nome próprio de Gil. Parece coisa de destino.
Agora Gilberto, o nome que Gil partilha com João, aparece no plural, intitulando um disco em que o antigo discípulo rende homenagem ao eterno mestre. E isso se dá numa virada abrangente, em que não é o jovem seguidor que renasce, mostrando a pureza de seu violão inicial, aprendido junto com o estilo da bossa nova, mas o artista vário e andarilho, com toda a sua musculatura de longa caminhada, é quem revisita o inspirador. É o Gil de Expresso 2222 e Palco, de Toda menina baiana e Parabolicamará, quem volta a Doralice, O pato e Desafinado.Ouvir Gil fazendo com canções que se vincularam para sempre a João o que fizera antes com Jackson do Pandeiro, Gonzaga ou Caymmi - mais: com o que ele vem fazendo com o repertório de composições próprias - é experiência de densa textura histórica. Toda a malha de significados da bossa nova e do pós-bossa nova, entrelaçada à do tropicalismo e do pós-tropicalismo, se exibe e se esconde, se reafirma e se desfaz na teimosa liberdade do músico Gilberto Gil.
A faixa-síntese disso é Eu vim da Bahia. Canção do Gil imediatamente pós-bossa e pré-Tropicália, esse samba era a grande surpresa do inacreditável disco feito por João em 1972, aquele de capa branca, o único em que ele pronuncia abertas as vogais breves. Pois bem. João, com aquele jeito mágico de tocar violão, tinha aparado as arestas das sequências algo barrocas de acordes de sétima, dando uma fluidez e redondeza inimagináveis à canção, sem deixar de expor-lhe a exuberância estrutural. Agora Gil a retoma simplesmente porque João a gravou - mas reduz grande parte da composição a um modalismo primitivista que nega a sua natureza para reafirmá-la em outro nível. E vai além de João no caminho de busca de uma nota só, aproximando-se de nota nenhuma. É uma realização do projeto íntimo já confessado por Gil de ater-se simplesmente a bater num tambor. Os brilhos de Realce e os riffs de Refavela são moídos nesse processo - e o acercamento a João lhe deu o direito de formular a radicalidade de seu gesto. Isso numa música que fala diretamente das origens: diz de onde vieram os dois Gilbertos.
Bem Gil e Moreno Veloso criaram o ambiente de amor e respeito pelo som que condiz com as horas gastas por Gil, em casa, para trabalhar minuciosamente cada canção, as quais parecem estar sendo tocadas e cantadas sem esforço consciente. Todas as gravações feitas com Gil cantando e tocando ao mesmo tempo. Em muitas delas ouve-se a percussão eletrônica de Domenico Lancellotti. Numa (o Desafinado!), a guitarra de Pedro Sá.
Às vezes Moreno se une a Domenico. Danilo Caymmi toca flauta em Eu sambo mesmo. Há o violino de Nicolas Krassik, o acordeão de Mestrinho. Principalmente temos os violões de Dori e de Bem somados ao de Gil, respectivamente em Gilbertos e Um abraço no João, a primeira sendo a única inédita composta por Gil para este disco; a segunda, uma reverência ao clássico instrumental de João Um abraço no Bonfá. Rodrigo Amarante escreveu o arranjo de Você e eu, a obra-prima de Carlos Lyra (com letrs de Vinicius).
Tudo tem a verdade da história musical de Gil, incluído aí o interesse que ele demonstrou pela geração de Domenico e Moreno já em letra de música, o amor por Caymmi, a camaradagem musical com os instrumentistas que o cercam, o encontro miraculoso com a musicalidade de seu filho Bem. Nada diria mas sobre Gil do que voltar-se agora para o legado de João Gilberto, sendo ele um joãogilbertiano de origem, mas um temperamento artístico que contrasta com o do mestre. Ouvir Gil tocando João é entrar em contato com toda a aventura de nossa música e de nossa vida." Caetano Veloso
quarta-feira, 26 de março de 2014
Gil sustenta leveza genial de João em CD que sintetiza a música do Brasil
Título: Gilbertos samba
Artista: Gilberto Gil
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * * *
"Aparece a cada cem anos um mestre da canção no país / ... / E a cada vinte e cinco um aprendiz", contabiliza Gilberto Gil em versos de Gilbertos, samba inédito de sua autoria, composto para arrematar Gilbertos samba, álbum em que o cantor, compositor e músico baiano celebra o legado de seu conterrâneo João Gilberto Prado Pereira de Oliveira, baiano genial que deu choque de ordem na música brasileira em 1958 ao sintetizar a cadência do samba na batida diferente de seu violão, em revolução estética rotulada como Bossa Nova. Já a caminho dos 83 anos, João é o mestre que bebeu nas águas de outros mestres que o antecederam, como o compositor (também) baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008), não por acaso citado por Gil em verso de Gilbertos, samba gravado com o toque do violão de Dori Caymmi neste disco primoroso que tem lançamento agendado para a próxima terça-feira, 1º de abril de 2014. Gilbertos samba mostra que, de embevecido aprendiz de João, Gil se transformou ele próprio em mestre. Produzido por Bem Gil e Moreno Veloso, sob a direção musical do próprio Gilberto Gil, o CD Gilbertos samba sustenta a leveza genial de João - sem cair na tentação vã de reproduzir o som e o canto irreproduzíveis do artista que reverencia - e, de certa forma, sintetiza em suas 12 faixas os caminhos trilhados pela música brasileira ao longo de quase cem anos. Estão em perfeita harmonia no disco alguns sambas da fase pré-Bossa Nova, a própria Bossa Nova (representada por alguns standards do gênero e pela própria presença simbólica de seu papa João), a voz e o violão de Gil - símbolos emblemáticos da MPB cristalizada na era pós-bossa dos festivais dos anos 1960 - e músicos que, a partir dos anos 2000, fizeram uma revolução silenciosa na música brasileira, renovando timbres e sonoridades. A integração desses elementos - ajustados num todo harmônico que honra o legado de João - faz com que Gilbertos samba seja sedutora "experiência de densa textura histórica", como conceitua Caetano Veloso no preciso texto reproduzido no encarte do disco, que vai ser lançado em CD e no formato de vinil. Somente a inserção em Desafinado (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959) - hino da bossa depurado por João em seu álbum Chega de saudade (Odeon, 1959) - dos efeitos e ruídos da guitarra de Pedro Sá já garante ao disco um papel histórico na música brasileira. Porque nada soa fora da ordem ou de lugar em Gilbertos samba. Ao contrário: tudo soa rigorosamente em seu devido lugar - como em qualquer gravação de João, aliás. Já na primeira faixa do disco, Aos pés da cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda, 1942), samba purificado por João no seu histórico primeiro álbum de 1959, salta aos ouvidos a coesão do arranjo da gravação. A voz de Gil e o toque de seu violão - de uma bossa toda própria - se harmonizam com a suave percussão eletrônica de Domenico Lancellotti. Nada sobra. Nada falta. Na sequência, Eu sambo mesmo (Janet de Almeida, 1946) - música que soou como carta de princípios na abertura do álbum João (PolyGram, 1991) e que uma geração mais nova conheceu na voz de Roberta Sá - reitera o acerto de Gil. O toque sutil da flauta de Danilo Caymmi sublinha a sensação de que músicos e cantor trabalharam unicamente a serviço da canção, como ensinou o mestre João. Mesmo quando os arranjos são encorpados com sopros e cordas - como em Você e eu (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961), samba lançado no álbum João Gilberto (Odeon, 1961) - a leveza é senhora neste disco em que Gil dá voz a Desde que o samba é samba (Caetano Veloso, 1993), tema que abriu o álbum João, voz e violão (Universal Music, 2000). Dentro dessa atmosfera harmoniosa, O pato (Jaime Silva e Neusa Teixeira, 1960) volta a fazer qüen qüen com propriedade. Desde o fim dos anos 1940, este samba fazia parte do repertório dos Garotos da Lua, grupo carioca do qual João foi crooner, mas ficou definitivamente associado a João por conta da gravação do LP O amor, o sorriso e a flor (Odeon, 1960). Deste segundo álbum de João, Gil pescou também Doralice (1945), samba feito por Dorival Caymmi em parceria com o compositor carioca Antonio Almeida (1911 - 1985) e lançado em agosto de 1945 pelo conjunto Anjos do Inferno, do qual João é devoto. Na abordagem de Gilbertos samba, Doralice ganha também o toque do acordeom de Mestrinho e a pulsação do violino de Nicolas Krassik sem que um instrumento queira ser mais importante do que o outro. Completando o naipe de faixas que envolvem Caymmi e seu legado perpetuado pelos filhos Danilo e Dori, Milagre (Dorival Caymmi, 1977) é cortado pela faca e pelo prato de Moreno Veloso em evocação do samba da terra natal que o baiano Caymmi mitificou em sua obra. Fazer Milagre (Dorival Caymmi, 1977) em Gilbertos samba tem sentido pelo fato de o tema remeter à união de João com Gil e com Caetano Veloso no disco Brasil (Warner Music, 1981). É como se Gil estivesse simultaneamente trilhando os caminhos que deram na bossa de João e os caminhos que, a partir de João, deram em Gil. Ambientado em clima de samba-choro, o tema instrumental Um abraço no João (Gilberto Gil, 1997) é elo com Um abraço no Bonfá, música que João Gilberto compôs e que gravou em 1960 para saudar o compositor e violonista carioca Luiz Bonfá (1922 - 2001). A busca pelo essencial da canção faz com que o samba Tim tim por tim tim (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques, 1951) - gravado por João no seu melhor álbum pós-Bossa Nova, Amoroso (Warner Music, 1977) - permaneça em sintonia com o universo do samba mesmo quando se ouve o triângulo percutido por Rodrigo Amarante, em eco do legado do mestre Luiz Gonzaga (1912-1989). Com a voz em registros normalmente graves, Gil parece amarrar todas as pontas de sua estrela quando volta ao seu samba Eu vim da Bahia, lançado por Gal Costa em 1965 e revivido por João Gilberto em álbum de 1973. Toda a dimensão histórica de Gilbertos samba - grande álbum do aprendiz que virou mestre - fica explícita com a nova abordagem de Eu vim da Bahia, feito quando Gil já absorvia as lições de João. O reencontro dos Gilbertos deu samba.
terça-feira, 18 de março de 2014
Matrizes de álbuns de João devem ficar com quem vai reeditar os discos
Editorial - Por mais que pareça impopular e contrária aos interesses da Arte, a decisão do juiz titular da 2ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Sergio Wajzenberg, de devolver à gravadora EMI Music a posse das matrizes dos três fundamentais álbuns iniciais de João - Chega de saudade (1959), O amor, o sorriso e a flor (1960) e João Gilberto (1961) - abre caminho para que estes discos históricos ganhem em breve futuras reedições em CD compatíveis com sua importância. Ainda cabe recurso - o que indica que a briga judicial travada pelo cantor baiano desde 1992 com a companhia fonográfica ainda pode se arrastar por mais algum tempo. De todo modo, o argumento do juiz é preciso: em contrato, as masters são de propriedade da EMI Music (gravadora comprada pela Universal Music em 2013). É fato que a EMI reeditou de forma insensível os fonogramas desses álbuns, agrupados em pobre coletânea intitulada O mito (1988). João Gilberto tem toda a razão ao protestar contra a forma precária dessa reedição inicial de gravações tão fundamentais. Só que essa coletânea infeliz foi fruto de momento de transição do LP para o CD - época em que a indústria do disco ainda engatinhava no formato digital. Ao partir para a briga na Justiça, o cantor acabou privando o mundo de ouvir tais álbuns em decentes edições em CD. Afinal, o fato concreto é que essa pendenga judicial tem impedido, ao longo dos últimos 22 anos, quaisquer reedições dessas três obras-primas. Se as matrizes dos álbuns ficarem em poder de João, é provável que tais discos jamais sejam reeditados, deixando o público consumidor de discos à mercê de edições oficiosas como as que vem sendo produzidas por selos europeus com base em lei estrangeira de direito autoral. É preciso levar em conta que o perfeccionismo extremado do cantor - já a caminho dos 83 anos, a serem completados em 10 junho de 2014 - pode impedir que estes discos venham à tona da forma (correta) como a indústria do disco tem reeditado atualmente as obras de seus artistas mais importantes. Caixas com obras de grandes nomes como as postas periodicamente pela Universal Music nas lojas - assim como a recente série Tons, da mesma gravadora - mostram que a indústria do disco, mesmo a passos lentos, tem aprendido a valorizar seu acervo. É melhor que estes discos fiquem com a EMI - ou seja, com a Universal Music - para que sejam reeditados em futuro breve. Se as matrizes ficarem com João, é bem provável que se inicie nova (e longa) novela para negociar as reedições dos discos com outros selos. Novela que pode nem ter fim. Os discos devem ficar com quem (de fato) vai reeditá-los.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Gil passa por Caymmi ao celebrar João no seu álbum 'Gilbertos samba'
A homenagem a João Gilberto prestada por Gilberto Gil no seu álbum Gilbertos samba é pontuada pela obra e pela dinastia do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008). Nada menos do que quatro das 12 músicas do disco - produzido por Bem Gil e Moreno Veloso - passam pela família Caymmi para chegar em João Gilberto. Única música inédita do disco, Gilbertos foi gravada com a participação de Dori Caymmi. Já Danilo - filho caçula de Dorival - é o convidado de Eu sambo mesmo (Janet de Almeida, 1946). Milagre (Dorival Caymmi, 1977) remete à união de João com Gil e com Caetano Veloso no disco Brasil (Warner Music, 1981). Doralice (1945) - samba composto por Dorival em parceria com o carioca Antonio Almeida (1911 - 1985) e lançado pelo conjunto Anjos do Inferno em gravação de agosto de 1945 - completa o naipe de faixas que ligam João a Gil através de Caymmi. Em Gilbertos samba, disco que tem lançamento agendado para 1º de abril de 2014 pela gravadora Sony Music, Gil dá voz a músicas que foram gravadas por João. O repertório inclui Aos pés da cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda, 1942), Desafinado (Antonio Carlos Jobim e Newton Mendonça, 1959), Desde que o samba é samba (Caetano Veloso, 1993), Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965), O pato (Jayme Silva e Neusa Teixeira, 1960), Tim tim por tim tim (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques, 1951), Você e eu (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1961) e Um abraço no João (1997), tema instrumental de Gil que acabou entrando no CD sem a companhia de Um abraço no Bonfá (João Gilberto, 1960), como era a ideia inicial do artista, pois Gil não obteve autorização de João para gravar a letra que fez para este tema instrumental composto por seu mestre para saudar o compositor e violonista carioca Luiz Bonfá (1922-2001). Entrará no show.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
'Gilbertos samba' é o título do álbum em que Gil celebra o legado de João
Gilbertos samba é o título do álbum em que o cantor e compositor baiano Gilberto Gil aborda o repertório de João Gilberto. O nome do disco - previsto para ser lançado entre março e abril de 2014 pela gravadora Sony Music - é revelado na foto do flyer que anuncia os shows que Gil vai fazer em 5 e 6 de abril no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), para promover o CD produzido por Bem Gil e por Moreno Veloso. No álbum, Gil dá voz e violão a músicas como Aos pés da cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda, 1942), Eu sambo mesmo (samba do carioca Janet de Almeida, de 1946), Eu vim da Bahia (Gilberto Gil, 1965) e O pato (Jayme Silva e Neusa Teixeira, 1960), entre outras composições gravadas por João Gilberto na sua seleta discografia.
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
Ondas de Caetano, Chet e João batem fortes no 'Arpoador' de Tomassini
Resenha de CD
Título: Arpoador
Artista: Leo Tomassini
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * 1/2
Título: Arpoador
Artista: Leo Tomassini
Gravadora: Edição independente do artista
Cotação: * * * * 1/2
Dez anos após um primeiro CD solo de molde mais tradicional, Amor e cordas (2003), o sumido Leo Tomassini reaparece com um dos grandes discos de 2013, Arpoador, subvertendo (até certo ponto) as expectativas de quem conhece a trajetória musical do cantor e compositor carioca, iniciada como integrante da Família Roitman, grupo de samba que esteve em (relativa) evidência no Rio de Janeiro (RJ) ao longo dos anos 1990. Ondas sonoras do trompetista norte-americano Chet Baker (1929 - 1988), do compositor baiano Dorival Caymmi (1914 - 2008) e do cantor baiano João Gilberto batem fortes no autoral Arpoador, com bossa, em mix bem urdido por Dany Roland, produtor deste disco gestado e gravado desde 2006, no tempo cool do jazz de Baker, cujo som é evocado sobretudo pelo flugelhorn tocado por Leandro Joaquim em Elizabeth (Leo Tomassini) e em Queira, não queira (Leo Tomassini). Elizabeth, aliás, sintetiza bem o espírito de Arpoador, com o contraste da ardência de seus versos - nos quais o apaixonado autor se joga aos pés de sua rainha - com o clima cool da bossa digerida no toque do violão de Mig Martins. A presença da voz de Caetano Veloso justifica e explica tudo. A onda de Caetano - cuja voz se irmana com a de Tomassini em Elizabeth de tal forma que nem parece que são dois os cantores da faixa - é a que bate mais forte em Arpoador, porque, tropicalista pela própria natureza, o velho e antenado baiano já deglutiu antropofagicamente em sua obra todas as influências (Caymmi, Chet Baker e João Gilberto, sobretudo) absorvidas por Tomassini neste disco. A bossa herdada do seminal João ecoa tanto no violão posto pelo guitarrista Pedro Sá em Feitiço (Leo Tomassini) - samba-canção que adquire leve textura noise na segunda metade - quanto no violão tocado por Guinga na citada Queira, não queira, faixa em que também se ouve o canto profundo do carioca Guinga. Além da bossa, também evocada no violão tocado por Nelson Jacobina (1953 - 2012) em Estreia (Leo Tomassini), a herança do samba em sua forma original também banha as águas atemporais, e por isso mesmo contemporâneas, de Arpoador. É garoa (Leo Tomassini e Rubinho Jacobina) e Samba naif (Leo Tomassini) - sustentado pelo baticum d'Os Ritmistas (Dany Roland, Domenico Lancellotti e Stéphane San Juan) - abrem a roda para celebrar as tradições dos terreiros afro-brasileiros. Já Garbosa (Leo Tomassini) é samba buliçoso que entra nessa roda para mostrar a base sólida criada por um certo Dorival Caymmi nos anos 30 - década em que o compositor fluminense Ismael Silva (1905 - 1978) desceu o morro do Estácio com samba que ecoa maroto em Tomara que caia blusa (Leo Tomassini, Rubinho Jacobina e Mauro Aguiar). Contudo, é a presença de Caetano Veloso que paira sobre todo o disco, seja quando Tomassini dá voz a Arde (Leo Tomassini) - outra composição em que o calor da paixão (no caso, detectado em versos que remetem ao estilo dos sambas-canção dos anos 1950) - é diluído pelo clima cool do CD - ou quando apresenta canção, American love song way (Leo Tomassini e Marcos Alves), cuja letra é colagem (com poesia e sentido) de títulos de standards da música norte-americana, também celebrada ao som das ondas no canto a capella de Dance with me (Leo Tomassini). Enfim, tudo parece dentro da ordem em Arpoador. Até o canto desmaiado de Tomassini se adequa com perfeição às músicas. Desmaiadas, a propósito, é como o escritor e poeta Francisco Bosco caracteriza as notas ouvidas na música-título Arpoador (Leo Tomassini) no texto em que apresenta o disco. No fim, Eu te amo - Canção de despertar (Leo Tomassini) é - do ponto de vista musical - declaração apaixonada de devoção ao som de Caetano Veloso, cuja música é a musa inspiradora de Leo Tomassini, abarcando todas as ondas que batem fortes no inspirado e surpreendente Arpoador.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Bem e Moreno produzem 'Gilbertos samba', CD em que Gil celebra João
Bem Gil e Moreno Veloso assinam juntos a produção de Gilbertos samba, CD em que Gilberto Gil canta o repertório de João Gilberto. O CD chega ao mercado no primeiro semestre de 2014.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
'Gilbertos samba' é o título do disco em que Gil canta repertório de João
Gilbertos samba é o título do CD em que o cantor e compositor baiano Gilberto Gil interpreta o repertório do cantor, compositor e violonista também baiano João Gilberto. O lançamento do CD está programado para o primeiro semestre de 2014. O álbum já está inteiramente gravado.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Gil apronta para 2014 disco em que revisita o repertório de João Gilberto
O cantor e compositor baiano Gilberto Gil aprontou disco em que revisita somente músicas gravadas por seu conterrâneo João Gilberto. Sambas, em sua maioria. Programado para ser lançado em 2014, o CD foi gravado com o toque de músicos da cena pop contemporânea, como Moreno Veloso. Gil - visto em foto de divulgação da exposição multimídia Gil 70 - dá voz a músicas como Aos pés da cruz (Marino Pinto e Zé da Zilda), samba-canção de 1942 que João Gilberto regravou em seu primeiro álbum, Chega de saudade (Odeon, 1959). O repertório inclui também Eu sambo mesmo (tema do carioca Janet de Almeida), samba de 1946 que o criador da batida diferente - base da Bossa Nova - abordou há 23 anos no álbum João (PolyGram, 1991). Do disco João Gilberto, de 1973, Gil pescou o seu próprio samba Eu vim da Bahia, lançado na voz de Gal Costa em compacto de 1965. O CD de Gil já foi finalizado.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
João volta a obter pela Justiça as matrizes de seus três primeiros álbuns
João Gilberto obteve novamente na Justiça o direito de ficar com as matrizes de seus três primeiros álbuns - Chega de saudade (1958),
O amor, o sorriso e a flor
(1960) e João Gilberto (1961) - e do compacto João Gilberto cantando as músicas do film Orfeu do Carnaval (1959). Na semana passada, o desembargador André Gustavo Corrêa de Andrade, da 7ª Câmara Cível, tinha revogado liminar que determinava que a gravadora EMI Music desse ao cantor - em foto de
Marcos Hermes - as masters originais dos LPs Chega de saudade (1958), O amor, o sorriso e a flor (1960)
e João Gilberto (1961). A
alegação foi a de que as fitas poderiam ter sua preservação comprometida se
estiverem em posse do artista. No entanto, o desembargador reconsiderou sua decisão por aceitar o argumento - feito pela defesa de João - de que o artista contratou o serviço de uma empresa especializada na manutenção das fitas. Contudo, a decisão definitiva sobre a posse das matrizes somente vai ser tomada pela Justiça após parecer sobre o estado das masters dos discos por especialistas do mercado fonográfico.
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