Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quinta-feira, 17 de março de 2016

Pitty, Nando, Paula e os Paralamas resumem 60 anos de rock em show no Rio

Na sexta edição, o projeto Nivea viva celebrou o rock made in Brasil em show que teve pré-estreia para convidados na noite de anteontem, 15 de março de 2016, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), antes de seguir por sete capitais do Brasil em apresentações gratuitas agendadas para período que vai de 3 de abril a 26 de junho. Foram 36 músicas em show que resumiu, em duas horas e 40 minutos, 60 anos de rock no Brasil, tomando-se como marco zero da produção nacional a edição, em dezembro de 1955, da gravação de Ronda das horas por Nora Ney (1922 - 2003), cantora carioca cuja voz de contralto estava até então associada somente ao samba-canção das esfumaçadas boates da época. Apesar do título em português Ronda das horas, Nora cantou em inglês a mesma Rock around the clock que em 1954 consagrara Bill Halley (1925 - 1981) e que batizara filme lançado em 1956. Contudo, o ponto de partida do roteiro criado pelo jornalista Hugo Sukman - sob a supervisão da diretora geral do show, Monique Gardenberg - foi o repertório de Celly Campello (1942 – 2003), cantora paulista que se tornou a primeira estrela do então emergente universo pop brasileiro entre 1958 e 1962. No palco da casa Vivo Rio, sob a direção musical do veterano Liminha, Nando Reis, Paula Toller e Pitty se revezaram na interpretação das 60 músicas com adesões d'Os Paralamas do Sucesso - grupo carioca que fez poucas, mas certeiras, intervenções no show - e também com Rodrigo Suricato e Dado Villa-Lobos, guitarristas da banda formada por Liminha (no baixo), Maurício Barros (nos teclados) e por Milton Guedes (no saxofone e na gaita). Eis o roteiro seguido em 15 de março de 2016 por Pitty, Nando, Paula Toller e Herbert Vianna - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia nacional do show  Nivea viva rock Brasil:

1. Banho de lua (Tintarella Di Luna) (Franco Migliacci e Bruno de Filippi, 1959, em versão 
    em português de Fred Jorge, 1960) /
2. É proibido fumar (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1964) /
3. Pode vir quente que eu estou fervendo (Eduardo Araújo e Carlos Imperial, 1967) /
4. Quero que vá tudo pro inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965)

    - Nando Reis, Paula Toller e Pitty
5. Panis et circenses (Caetano Veloso e Gilberto Gil, 1968) - Pitty
6. Ando meio desligado (Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee, 1969)
    - Nando Reis, Paula Toller e Pitty
7. Agora só falta você (Rita Lee e Luiz Carlini, 1975) - Nando Reis, Paula Toller e Pitty
8. Ovelha negra (Rita Lee, 1975) - Paula Toller
9. Gita (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) - Nando Reis

10. Sonífera ilha, (Branco Mello, Marcelo Fromer, Tony Bellotto, Carlos Barmack e Ciro
      Pessoa, 1984) - Nando Reis com Paralamas do Sucesso
11. Marvin (Patches) (Ronald Dumbar e General Johnson, 1970, em versão em português de
      Sergio Britto e Nando Reis, 1984) - Nando Reis com Paralamas do Sucesso
12. Óculos (Herbert Vianna, 1984) - Os Paralamas do Sucesso
13. Meu erro (Herbert Vianna, 1984) - Os Paralamas do Sucesso
14. Tempo perdido (Renato Russo, 1986) - Dado Villa-Lobos com Paralamas do Sucesso
15. Será (Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Russo, 1985)
      - Dado Villa-Lobos com Paralamas do Sucesso
16. Até quando esperar? (Philipe Seabra, André X e Gutje, 1986) - Pitty
17. Como eu quero (Paula Toller e Leoni, 1984 - Paula Toller
18. Nada sei (Apnéia) (Paula Toller e George Israel, 2002) - Paula Toller
19. A dois passos do paraíso (Evandro Mesquita e Ricardo Barreto, 1983) - Nando Reis
20. Ciúme (Roger Moreira, 1985) - Nando Reis
21. Olhar 43 (Luiz Schiavon e Paulo Ricardo, 1985 - Rodrigo Suricato
22. Fullgás (Marina Lima e Antonio Cícero, 1984) - Pitty
23. Me adora (Pitty, 2009) - Pitty
24. O segundo sol (Nando Reis, 1999) - Nando Reis
25. Vou deixar (Samuel Rosa e Chico Amaral, 2003) - Nando Reis e Paula Toller
26. Anna Julia (Marcelo Camelo, 1999) - Dado Villa-Lobos
27. Primeiros erros (Chove) (Kiko Zambianchi, 1985) - Paula Toller e Rodrigo Suricato
28. Talvez (Rodrigo Suricato, 2011) - Rodrigo Suricato
29. A praieira (Chico Science, 1994) - Pitty
30. Proibida pra mim (Chorão, Marcão, Champignon, Pelado e Thiago, 1997) - Nando Reis
31. Mulher de fases (Rodolfo Abrantes e Digão, 1999) - Rodrigo Suricato
32. Monte castelo (Renato Russo, 1989) - Rodrigo Suricato
33. O último romântico (Lulu Santos, Antônio Cícero e Sérgio Souza, 1984) - Todos os artistas
34. Pro dia nascer feliz (Cazuza e Frejat, 1983) - Todos os artistas
35. Do seu lado (Nando Reis, 2003) - Todos os artistas
Bis:
36. É preciso saber viver (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1968) - Todos os artistas
37. Agora só falta você (Rita Lee e Luiz Carlini, 1975) - Todos os artistas

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Eis a letra de 'Sinais do sim', música do álbum (de inéditas) do trio Paralamas

O trio carioca Paralamas do Sucesso já tem (cerca de) dez músicas prontas para o álbum de inéditas que pretende gravar no segundo semestre de 2016. A primeira música do disco - Sinais do sim, balada em midtempo - foi apresentada pelo grupo neste fim de semana na estreia nacional do show Paralamas trio na cidade de São Paulo (SP). A melodia de Sinais do sim é de Bi Ribeiro (baixo), Herbert Vianna (voz e guitarra) e João Barone (bateria). Já a letra foi escrita somente por Herbert Vianna. Eis, na íntegra, a letra de Sinais do sim, a nova música dos Paralamas do Sucesso:

Sinais do sim 
(Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna)

Meu 
Sei que o teu coração é meu 
E a honra que te convenceu 
De que o melhor está por vir 

Sim
Se deixe levar por mim
Peço perdão por insistir
Mas se já chegamos até aqui 

Você vai ver que um novo dia 
Não parece tão ruim 
Há muito tempo só se via 
A poeira da dor
Nos sinais do sim

Não se afaste tanto dos seus sonhos
Sem ser ousado, eu te proponho
Relaxe, se deixe sonhar 

Pois um dos encantos desta vida
É não ter peso nem medida
Pra restringir o imaginar

Você vai ver que um novo dia
Não parece tão ruim
Há muito tempo só se via 
A poeira da dor
Nos sinais do sim

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Inédita 'Sinais do sim' é a novidade do show em que Paralamas tocam Cream

Balada em midtempo intitulada Sinais do sim - cujo refrão é "Você vai ver que o dia / Não parece tão ruim / Por muito tempo só se via / A poeira da dor / Nos sinais do sim" - é a única música inédita de Paralamas Trio, show que o grupo carioca Paralamas do Sucesso estreou na noite de ontem, 19 de fevereiro de 2016, no Teatro J. Safra, na cidade de São Paulo (SP). Sempre a sós em cena como um power trio, como era até 1986, Bi Ribeiro (baixo), João Barone (bateria) e Herbert Vianna (voz e guitarra) - vistos na estreia do show na foto postada na página oficial do grupo no Facebook - apresentaram a inédita Sinais do sim entre covers dos grupos ingleses Cream e The Jam, Sunshine of your love (Jack Bruce, Pete Brown e Eric Clapton, 1967) e Running on the spot (Paul Weller, 1982), respectivamente. De autoria dos três integrantes do grupo, Sinais do sim vai integrar o repertório do disco de músicas inéditas que os Paralamas planejam gravar no segundo semestre deste ano de 2016. O roteiro também alinha lados B da discografia da banda, como O rouxinol e a rosa (Herbert Vianna, 1991), e duas músicas do guitarrista e compositor inglês Jimi Hendrix (1942-1970). Eis o roteiro seguido em 19 de fevereiro de 2016 pelos Paralamas do Sucesso na estreia nacional de seu show Paralamas  Trio, no Teatro J. Safra, na cidade de São Paulo (SP):

1. Óculos (Herbert Vianna, 1984)
2. Meu erro (Herbert Vianna, 1984)
3. Fui eu (Herbert Vianna, 1984)
4. Vovó Ondina é gente fina (Herbert Vianna, 1983)
5. Romance ideal (Herbert Vianna e Martim Cardoso, 1984)
6. O rouxinol e a rosa (Herbert Vianna, 1991)
7. Cuide bem do seu amor (Herbert Vianna, 2002)
8. Seguindo estrelas (Herbert Vianna, 2002)
9. Dois elefantes (Herbert Vianna, 1988)
10. Selvagem (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, 1986)
11. Mensagem de amor (Herbert Vianna, 1984)
12. O calibre (Herbert Vianna, 2002) - com citação de Voodoo child (Jimi Hendrix, 1968)
13. Running on the spot (Paul Weller, 1982)
14. Caleidoscópio (Herbert Vianna, 1987)
15. Sinais do sim (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, 2016) - música inédita
16. Aonde quer que eu vá (Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle, 2000)
17. Viernes 3 am (Charly García, 1979, em versão em português de Herbert Vianna, 1998)
18. Cuando pase el temblor (Gustavo Cerati, 1985)
19. Lanterna dos afogados (Herbert Vianna, 1989)
20. Little wing (Jimi Hendrix, 1967)
21. Um amor, um lugar (Herbert Vianna, 1997)
22. A novidade (Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone e Gilberto Gil, 1986)
23. Melô do marinheiro (Bi Ribeiro e João Barone, 1986)
24. Alagados (Herbert Vianna, 1986)
Bis:
25. Mr. Scarecrow (Herbert Vianna, 2000)
26. Tempos modernos (Lulu Santos, 1982)
27. Sunshine of your love (Jack Bruce, Pete Brown e Eric Clapton, 1967)
28. Trac trac (Fito Paez, 1987, em versão em português de Herbert Vianna, 1991)

sábado, 5 de dezembro de 2015

Paralamas do Sucesso arquitetam álbum de estúdio (e de inéditas) para 2016

 Encerradas as comemorações dos 30 anos de carreira, o grupo carioca Paralamas do Sucesso vai lançar repertório novo em 2016. Enquanto continuam na estrada com incessante agenda de shows, Bi Ribeiro (baixo), João Barone (bateria) e Herbert Vianna (voz e guitarra) - vistos em foto de Maurício Valladres - arquitetam sem pressa e sem pressão o primeiro álbum de estúdio e de músicas inéditas da banda desde o solar Brasil afora (EMI Music, 2009). Os últimos três produtos fonográficos do trio - dois registros de shows editados na série Multishow ao vivo e a caixa Os Paralamas do Sucesso 1983 / 2015 (Universal Music / EMI, 2015) - tiveram caráter retrospectivo.

domingo, 27 de setembro de 2015

Disco ao vivo em que grupo Uns e Outros regrava Paralamas e U2 sai em CD

Banda carioca de rock dos anos 1980, dissolvida em 1991 e reativada em 2002, Uns e Outros lança a edição física em CD de seu primeiro álbum ao vivo. Disponível nas plataformas digitais desde julho deste ano de 2015, o álbum Uns e outros ao vivo vai sair em CD na primeira quinzena do mês de outubro. Trata-se do sexto título da discografia da banda. O CD traz como faixa-bônus uma música inédita, Pra esquecer de você, gravada em estúdio. Contudo, o repertório é formado basicamente por músicas antigas da discografia deste grupo mediano que chegou a transitar pelo mainstream, na segunda metade da década de 1980, antes de ser empurrado para o mercado fonográfico independente. A mais conhecida dessas músicas é Carta aos missionários (Cal Galvão, Marcelo Hayena e Nilo Nunes, 1989), hit do segundo álbum da banda, Uns e outros (Epic / Sony Music, 1989), de cujo repertório Uns e Outros ao vivo também rebobina Dias vermelhos (Cal Galvão, Marcelo Hayena, Nilo Nunes, Ronaldo Pereira e Heleno Nunes, 1989) em medley com With or without you (Bono, 1987), clássico do repertório da banda irlandesa U2. O Uns e Outros também arrisca cover de Meu  erro (Herbert Vianna, 1984), sucesso do grupo carioca Paralamas do Sucesso.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

CDs de Alice, Ney e Paralamas disputam troféu pop no 26º Prêmio da Música

Um dos discos mais cultuados na cena indie brasileira em 2014, o segundo álbum da cantora carioca Alice Caymmi - Rainha dos raios, produzido por Diogo Strausz e lançado pela gravadora Joia Moderna - incidiu com força na lista de indicados à 26º edição do Prêmio da Música Brasileira. Além de ter rendido a Alice uma indicação de melhor cantora na categoria pop / rock/ reggae / hip hop / funk, Rainha dos raios disputa o troféu de melhor álbum dessa abrangente categoria com discos ao vivo de Ney Matogrosso e Paralamas do Sucesso. O cantor mato-grossense concorre com Atento aos sinais ao vivo (Som Livre, 2014), registro do show de tom pop roqueiro que estreou em fevereiro de 2013. Já o trio carioca está no páreo com Multishow ao vivo - Os Paralamas do Sucesso 30 anos, registro do espetáculo em que Herbert Vianna (voz e guitarra), João Barone (bateria) e Bi Ribeiro (baixo) revisaram três coerentes décadas de vida e som. Nessa categoria, o júri do Prêmio da Música Brasileira - criado pelo empresário José Maurício Machline - minimizou a força de Encarnado (Independente, 2014), o atordoante álbum solo de Juçara Marçal, indicada ao prêmio de cantora da categoria juntamente com Alice Caymmi e Marisa Monte. Disco que encarou a morte de frente, Encarnado figurou em várias listas de melhores CDs de 2014.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Caixa prova que Paralamas nunca perdeu a direção ao longo do caminho

Resenha de caixa de CDs
Título: Os Paralamas do Sucesso  1983 - 2015
Artista: Os Paralamas do Sucesso
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * *

Poucas bandas cruzaram a marca dos 30 anos de vida no universo pop sem perder a direção ao longo do caminho. A caixa Os Paralamas do Sucesso 1983 - 2015 mostra que o grupo carioca - desde 1982 com Herbert Vianna (voz e guitarra), João Barone (bateria) e Bi Ribeiro (baixo) em sua formação clássica e definitiva - pavimentou com coerência sua estrada em trajetória beneficiada pelos ventos que sopraram a favor do pop rock brasileiro no início dos anos 1980. Com duas inéditas compilações e 18 álbuns da banda, a caixa somente não embala a discografia completa dos Paralamas - como alardeado na embalagem - porque optou-se por excluir o recente Multishow ao vivo - Os Paralamas do Sucesso 30 anos (Universal Music, 2013), por ora o último título da obra fonográfica do trio. Mas está (quase) tudo lá: todos os 12 álbuns de estúdio, seis dos sete registros ao vivo de shows e duas coletâneas, Raridades e Paralamas em espanhol, que cumprem sua função de iscas para fisgar compradores para a caixa por conta da reunião de fonogramas até então dispersos. Para quem já tem a lata Pólvora (EMI Music, 1997), arremessada há 18 anos pela gravadora de origem inglesa que editou todos os discos do trio até ser comprada pela Universal Music em ação anunciada em 2011 e concretizada em 2012, a aquisição da caixa deixa de ser fundamental. Até porque as atuais reedições dos discos mais antigos preservam a remasterização feita nos estúdios Abbey Road, na Inglaterra, para a referida lata. Como a direção de arte (de Marcelo Pereira) e o design (de Augusto Erthal e André Lima) padronizam as atuais reedições em cinzenta embalagem digipack (com a devida inclusão dos encartes originais), o grande trunfo da caixa acaba sendo as duas compilações, sobretudo a coletânea em espanhol por apresentar duas gravações inéditas, produzidas por Liminha, entre versões em castelhano dos maiores sucessos do trio. A mais surpreendente é Hablando a tu corazon pelo fato de o arranjo evocar um clima de bossa tropical. De autoria somente do compositor argentino Charly García, a música foi lançada pelo roqueiro em 1986 em álbum dividido com seu conterrâneo Pedro Aznar (o que induziu Maurício Valladares ao erro de creditar o tema como uma parceria de García com Aznar no bom texto que escreveu para apresentar a caixa aos formadores de opinião). A outra gravação também repõe os Paralamas em território argentino. Trata-se de abordagem, feita na cadência do reggae, de Que me pisen (Diego Arnedo, German Gustavo Daffunchio e Luca Prodan), outra música de 1986, colhida no repertório do desativado grupo argentino Sumo (1981 - 1988), ícone do punk portenho. Já a ótima coletânea nacional de gravações avulsas agrega incursões da banda pelo universo da MPB, como o registro de País tropical (Jorge Ben Jor, 1969) - feito em 1993 para campanha publicitária - e como a gravação de Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) realizada para tributo ao compositor fluminense Ronaldo Bastos editado em 1989. Quanto aos álbuns em si, todos resistem bem ao tempo, com exceção do titubeante Cinema mudo (EMI-Odeon, 1983), álbum de estreia em que a banda ainda soou como um clone tropical do trio inglês The Police. A identidade artística começou a ser delineada no pop O passo do Lui (EMI-Odeon, 1984) e foi reforçada no antológico Selvagem? (EMI-Odeon, 1986), álbum visionário em que os Paralamas ergueram a ponte África-Jamaica-Brasil, indo além das fronteiras delimitadas do pop rock universal. Daí em diante, o grupo seguiu sua rota, alternando álbuns solares - Bora bora (EMI-Odeon, 1988), 9 luas (EMI Music, 1996), Brasil afora (EMI Music, 2009) - com discos sombrios como o enjeitado (pelos brasileiros) Severino (EMI Music, 1994), álbum que reforçou a conexão do trio carioca com o universo pop argentino. Título mais melancólico da discografia dos Paralamas do Sucesso, Longo caminho (EMI Music, 2002) foi a raspa do tacho após parada forçada por conta do acidente de 2001 que deixou Herbert Vianna paraplégico. Desde então, a banda seguiu seu longo caminho com mais força nos palcos - com a pegada afiada que salta aos ouvidos em todos os álbuns ao vivo - do que nos discos. Mas a jornada continua também nos estúdios. Um álbum de inéditas já começa a se desenhar no horizonte desse trio que nunca perdeu a direção na condução de sua carreira, por mais que tenha encontrado fortes obstáculos pessoais e mercadológicos na longa estrada da vida.

terça-feira, 3 de março de 2015

Primeiro baterista dos Paralamas, Vital Dias - o da moto... - sai de cena

No imaginário do universo pop brasileiro, João Barone é e sempre foi o único baterista do trio carioca Paralamas do Sucesso. Essa informação, de certa forma, é correta, pois Barone assumiu as baquetas desde que o grupo se profissionalizou entre 1982 e 1983. Só que, antes de Barone, na pré-história dos Paralamas, houve por pouco tempo um outro baterista, o carioca Vital José de Assis Dias (5 de março 1960 - 3 de março de 2015), que saiu hoje de cena, a dois dias de fazer 55 anos, vítima de câncer. Imortalizado nos versos de Vital e sua moto (Herbert Vianna), música lançada pelo grupo em seu primeiro álbum, Cinema mudo (EMI-Odeon, 1983), o músico - em foto de Maurício Valladares - chegou a fazer parte dos Paralamas quando seu caminho se cruzou na sala de aula do colégio Bahiense, no Rio de Janeiro (RJ), com os caminhos do vocalista e guitarrista Herbert Vianna e do baixista Bi Ribeiro. Esse cruzamento aconteceu no fim dos anos 1970. Mas foi entre 1980 e 1981 que Vital começou efetivamente a tocar com os Paralamas em ensaios e shows em faculdades e outros espaços juvenis. Mas o bolo que Vital deu no grupo numa importante apresentação em festival de universidade fluminense preparou o caminho para a (de início, improvisada) entrada de João Barone no grupo. E o resto é uma história feliz da qual Vital Dias - que chegou a tocar na banda de heavy metal Sadom antes de deixar a música nos anos 1990 - acabou participando somente como coadjuvante nos obscuros capítulos iniciais. R.I.P., Vital.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Caixa d'Os Paralamas do Sucesso embala 18 álbuns e duas compilações

Produzida pela Universal Music, a caixa Os Paralamas do Sucesso 1983 - 2015 embala 18 álbuns do trio carioca Paralamas do Sucesso e duas inéditas coletâneas com gravações avulsas. Uma se chama Raridades e a outra, intitulada Paralamas en español, inclui duas gravações inéditas de músicas de artistas argentinos (clique aqui para saber quais são as faixas inéditas). Da discografia do grupo, somente o álbum Multishow ao vivo Paralamas do Sucesso 30 anos (Universal Music, 2013) não entrou na caixa lançada neste mês de fevereiro de 2015. Eis - em ordem cronológica - os 18 álbuns embalados na caixa  Os Paralamas do Sucesso 1983  -  2015:

1. Cinema mudo (EMI-Odeon, 1983)
2. O passo do Lui (EMI-Odeon, 1984)
3. Selvagem? (EMI-Odeon, 1986)
4. D (EMI-Odeon, 1987)
5. Bora bora (EMI-Odeon, 1988)
6. Big bang (EMI-Odeon, 1989)
7. Os grãos (EMI-Odeon, 1991)
8. Severino (EMI Music, 1994)
9. Vamo batê lata (EMI Music, 1995)
10. 9 luas (EMI Music, 1996)
11. Hey na na (EMI Music, 1998)
12. Paralamas do Sucesso acústico MTV (EMI Music, 1999)
13. Longo caminho (EMI Music, 2002)
14. Uns dias ao vivo (EMI Music, 2004)
15. Hoje (EMI Music, 2005)
16. Paralamas e Titãs juntos e ao vivo (EMI Music, 2008)
17. Brasil afora (EMI Music, 2009)
18. Multishow ao vivo Paralamas do Sucesso Brasil afora (EMI Music, 2011)
*     Raridades (coletânea inédita)
*     Paralamas do Sucesso en español (coletânea inédita)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Caixa dos Paralamas abrange conexões do grupo com artistas argentinos

Prevista para ser lançada no segundo semestre de 2014, pela gravadora Universal Music, a caixa com edições remasterizadas da obra do grupo carioca Paralamas do Sucesso vai chegar ao mercado fonográfico neste mês de fevereiro de 2015. A caixa embala todos os álbuns do trio com exceção do último título de sua discografia, Multishow ao vivo Paralamas do Sucesso 30 anos (Universal Music, 2013). Sucessora da lata Pólvora (EMI, 1997), a caixa inclui coletânea com gravações raras da discografia de Herbert Vianna (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria) - vistos em foto de Maurício Valladares  - e um disco em espanhol com duas gravações inéditas de músicas de artistas argentinos. As novidades no toque do trio são Que me pisen - tema lançado em 1986 pelo já desativado grupo Sumo (1981 - 1988) - e Hablando a tu corazón, música de autoria do roqueiro argentino Charly García, lançada pelo cantor e compositor no mesmo ano de 1986 no álbum Tango, dividido com seu conterrâneo Pedro Aznar. Na coletânea de raridades, há as gravações de Açaí (Djavan, 1981), feita pelo grupo em 1997, e de Refazenda (Gilberto Gil, 1975).

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Paralamas documentam 30 anos de sucesso em outro DVD e CD ao vivo

Ao longo de 2013, o trio carioca Os Paralamas do Sucesso percorreu Brasil afora com a turnê comemorativa de seus 30 anos de carreira. Captado no Rio de Janeiro (RJ), o show gera registro ao vivo editado dentro da série Multishow ao vivo. Nas lojas na primeira quinzena de agosto de 2014, em edição da gravadora Universal Music, o CD (foto) e o DVD Multishow ao vivo - Paralamas do Sucesso 30 anos enfileiram hits do grupo, funcionando como best of do trio formado por Herbert Vianna (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (baixo). Além de exibir o show na íntegra (clique aqui para ler a resenha do afiado espetáculo), o DVD descortina os bastidores da turnê em documentário que apresenta cenas inéditas e que alinha depoimentos dos músicos do grupo e de outros artistas. Eis - na ordem - as 28 faixas do DVD:

1. Vulcão dub (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Big bang (1989)
2. Alagados (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Selvagem? (1986)
3. Bora bora (Herbert Vianna) - do álbum Bora bora (1988)
4. Patrulha noturna (Herbert Vianna) - do álbum Cinema mudo (1983) /
    Cinema mudo (Herbert Vianna) - do álbum Cinema mudo (1983) /
    Ska (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)

5. Selvagem (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Selvagem? (1986)
    - com citação de Polícia (Tony Belloto, 1986), música do grupo Titãs
6. O calibre (Herbert Vianna) - do álbum Longo caminho (2002)
    - com citação de Whole lotta love (Led Zeppelin e Willie Dixon, 1969), do Led Zeppelin

7. Mensagem de amor (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
8. Cuide bem do seu amor (Herbert Vianna) - do álbum Longo caminho (2002)
9. De perto (Herbert Vianna) - do álbum Hoje (2005)
10. Busca vida (Herbert Vianna) - do álbum 9 luas (1996)
      - com citação de Won't get fooled again (Pete Townshend, 1971), do grupo The Who

11. Me liga (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984) /
      Como uma onda (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983)

12. Saber amar (Herbert Vianna) - do CD Vamo batê lata - Paralamas ao vivo (1995) /
      Romance Ideal (Herbert Vianna e Martim Cardoso) - do álbum O passo do Lui (1984)

13. Quase um segundo (Herbert Vianna) - do álbum Bora bora (1988)
14. Meu erro (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
15. Óculos (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
16. Lanterna dos afogados (Herbert Vianna) - do álbum Big bang (1989)
17. Na pista (Herbert Vianna) - do álbum Hoje (2005) /
      Meu sonho (Herbert Vianna) - do álbum Brasil afora (2009)
18. Ela disse adeus (Herbert Vianna) - do álbum Hey na na (1998)
19. Você (Tim Maia, 1971) - do álbum Selvagem? (1986)
      - com citação de Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973)

20. A novidade (Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone, Gilberto Gil) - do álbum Selvagem? (1986)
21. Melô do marinheiro (Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Selvagem? (1986)
22. Uma brasileira (Herbert Vianna e Carlinhos Brown) - do álbum Vamo batê lata - Ao vivo (1995)
23. O beco (Herbert Vianna e Bi Ribeiro) - do álbum Bora bora (1988)
24. Lourinha bombril (Parate y mira) (Diego Blanco e Bahiano)

      (Versão em português de Herbert Vianna) - do álbum 9 Luas (1996)
25. Aonde quer que eu vá (Herbert Vianna) - da coletânea Arquivo II (2000)
26. Caleidoscópio (Herbert Vianna, 1987) - da coletânea Arquivo (1990)
27. Vital e sua moto Herbert Vianna) - do álbum Cinema mudo (1983)
      - com citação de De do do do de da da da (Sting, 1980), do grupo The Police /
      Don't stand so close to me (Sting, 1980) /
      Every breath you take (Sting, 1983)
28. Que país é este? (Renato Russo, 1987) - do álbum Acústico MTV (1999)

sábado, 19 de julho de 2014

Natiruts canta Charlie Brown, Legião e Paralamas no ao vivo '#NOFILTER'

A banda brasiliense de reggae Natiruts lança mais um registro ao vivo de show. Com lançamento programado para 29 de julho de 2014, em edição da Zeropontodois distribuída pela gravadora Sony Music, #NOFILTER chega ao mercado fonográfico nos formatos de CD (foto) e DVD. #NOFILTER traz o registro de show captado em apresentação feita pelo grupo em 25 de janeiro de 2014 na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro (RJ). No CD e DVD, o Natiruts recicla seus sucessos (Natiruts reggae power e O carcará e a rosa, entre outros), apresenta a inédita Onde as ondas quebram - exibida no DVD na forma de clipe - e aborda sucessos de bandas brasileiras como Charlie Brown Jr. (Zoio de lula), Legião Urbana (Faroeste caboclo) e Paralamas do Sucesso (Mensagem de amor). Eis, na ordem, as 21 músicas do DVD #NOFILTER:

1. O carcará e a rosa
2. Meu reggae é roots
3. Au de cabeça
4. Glamour tropical (Rio em dia de paz)
5. Você me encantou demais
6. Dentro da música
7. Groove bom
8. No mar
9. Sorri, sou rei
10. Naticongo
11. Pérola negra
12. Leve com você
13. Espero que um dia
14. Zoio de lula
15. Mensagem de amor
16. Deixa o menino jogar
17. Faroeste caboclo
18. Natiruts reggae power
19. Is this love?
20. Quero ser feliz também
21. Onde as ondas quebram - Videoclipe

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Discografia dos Paralamas vai ser encaixotada com gravações inéditas

Em 1997, o trio carioca Paralamas do Sucesso teve sua coesa obra fonográfica embalada na lata intitulada Pólvora e posta nas lojas pela gravadora EMI Music. Decorridos 17 anos, a gravadora Universal Music - que adquiriu em 2013 o acervo fonográfico da EMI em âmbito mundial - produz nova reedição da discografia do grupo (em foto de Maurício Valladares). Os álbuns - novamente remasterizados das fitas originais - serão repostos em catálogo em caixa prevista para ser lançada no segundo semestre de 2014 com faixas-bônus que incluem registros raros e inéditos de Herbert Vianna (voz e guitarra), João Barone (bateria) e Bi Ribeiro (baixo). 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Duo carioca Diahum festeja 30 anos dos Paralamas no single 'Balanso'

Duo de música pop formado em 2009 no Rio de Janeiro (RJ) pelo cantor e compositor Dimitri BR com o produtor e baterista Alexandre Hofty, Diahum lança neste mês de maio de 2013 Balanso, single com duas músicas inéditas de autoria de Dimitri BR. O duo conceitua o disco como uma homenagem aos Paralamas do Sucesso no ano em que o trio carioca festeja 30 anos de carreira. A primeira música de Balanso, A equação do balanço detalhado (Não para, não), é ska que cita os Paralamas na letra. A faixa foi gravada com os metais da Orquestra Voadora. A outra música do CD, Vida de viagem, é balada caracterizada como filosófica pelo Diahum.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Paralamas celebra revolução cultural da molecada no afiado show dos 30

Resenha de show
Título: Os Paralamas do Sucesso 30 anos
Artista: Os Paralamas do Sucesso (em foto de Patrick Magalhães)
Local: Fundição Progresso (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 5 de maio de 2013
Cotação: * * * * 1/2

Antes de Os Paralamas do Sucesso começarem a tocar no palco da Fundição Progresso Patrulha noturna (Herbert Vianna, 1983), um dos sucessos de seu seminal álbum Cinema mudo (1983), Herbert Vianna se dirigiu ao público para lembrar o que chamou de "revolução cultural da molecada". O cantor e guitarrista do grupo se referia  à revolução por minuto armada no início dos anos 80 quando bandas cariocas e de outras cidades do Brasil se apresentavam no então recém-nascido Circo Voador, palco do Rio de Janeiro (RJ) que ajudou a impulsionar a geração 80 do pop rock brasileiro. Mais do que festejar os 30 anos de vida do grupo, que soube driblar as adversidades da vida ao longo do caminho, o show Os Paralamas do Sucesso 30 anos - apresentado aos cariocas já aos primeiros minutos do domingo, 5 de maio de 2013 - celebra a revolução coletiva que deu identidade e mercado ao pop rock produzido no Brasil naqueles anos jovens. É por isso que faz sentido o encerramento do bis ser feito com Que país é este? (Renato Russo, 1987) - música da banda-irmã Legião Urbana (1982 - 1996), já registrada pelos Paralamas em seu vigoroso Acústico MTV (1999) - e também por essa razão fazem todo o sentido a lembrança do bolero hawaiano Como uma onda (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983), sucesso retumbante do amigo Lulu Santos no ano em que o Paralamas lançou seu primeiro LP, e a citação da titânica Polícia (Tony Belloto, 1987) em Selvagem (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone, 1986). São homenagens que reiteram a força de uma geração pop. Vigor que, no caso dos Paralamas, se manteve intacto no palco nesses 30 anos. Ao enfileirar sucessos no roteiro de 34 números, enquanto as imagens do telão informam a data e o disco de cada música (com eventuais exibições de clipes e outras cenas emblemáticas das três décadas), Bi Ribeiro (baixo), Herbert Vianna (voz e guitarra) e João Barone (bateria) reeditam a pegada e o entrosamento do trio, pioneiro no Brasil ao embutir sons da Jamaica e da América Latina em seu pop rock numa mistura de sotaque brasileiro. Carro velho (Herbert Vianna, 1991) - ótima lembrança de roteiro que privilegia essencialmente hits radiofônicos e da MTV - anda nessa linha, com o combustível dos metais de Bidu Cordeiro (trombone) e Monteiro Jr. (saxofone), presenças destacadas na banda de apoio reforçada pelo tecladista João Fera. Mais perto do fim, o reggae dita o ritmo do bloco que agrega Ela disse adeus (Herbert Vianna, 1998), a releitura de Você (Tim Maia, 1971) - aditivada com outro sucesso de Tim Maia (1942 - 1998), Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973), em número que  serve para o grupo expiar a saudade de pessoas que já se retiraram de cena, como a lendária Vovó Ondina - e A novidade (Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone, Gilberto Gil). Na inspirada seara das baladas, gênero em que Herbert Vianna consegue ser romântico sem ser piegas, há canções tocadas na pressão - Mensagem de amor (Herbert Vianna, 1984) soa como power balada - e outras que esboçam atmosfera mais íntima na medida em que é possível criar intimidade em show feito para multidões. A obra-prima Quase um segundo (Herbert Vianna, 1998) - momento em que o vocalista fica a sós com o tecladista João Fera - é um desses instantes mais interiorizados de show habitualmente incandescente. Por mais que uma ou outra música amenize a temperatura da apresentação, caso da recente Meu sonho (Herbert Vianna, 2009), há muitas outras em que o termômetro explode. O beco (Herbert Vianna e Bi Barone, 1988) é uma delas. No todo, o que se viu e ouviu - sem muito blá blá blá, como enfatizou Herbert nas vezes em que se dirigiu sucintamente ao público que unia jovens e cinquentões - foi banda em estado de graça, com a (mesma) energia dos tempos em que ajudou a fazer a revolução cultural da molecada

domingo, 5 de maio de 2013

Roteiro de hits do show 'Paralamas 30 anos' reitera grandeza de Herbert

O roteiro do show Os Paralamas do Sucesso 30 anos - calcado em sucessos colecionados pelo trio carioca ao longo de seus 30 anos de carreira - reitera a grandeza do vocalista e guitarrista do grupo, Herbert Vianna, como compositor. Um compositor tão influente e inspirado quanto Arnaldo Antunes, Cazuza (1958 - 1990), Lulu Santos e Renato Russo (1960 - 1996) - nomes da linha de frente do pop rock brasileiro projetados (assim como Herbert) nos anos 80, na geração que invadiu a praia da MPB a partir de 1982 sem pedir licença. Contudo, entre tantos hits assinados por Herbert Vianna (visto em foto de Patrick Magalhães), o grupo ainda abriu espaço para celebrar Lulu Santos - lembrado com seu bolero havaiano Como uma onda (Herbert Vianna e Nelson Motta, 1983) - e para citar músicas emblemáticas dos grupos Led Zeppelin, The Police, The Who e Titãs. O repertório inclui músicas de 11 dos 12 álbuns de estúdio da banda. Apenas o controvertido Severino (1994) é ignorado no roteiro que totaliza 34 azeitados números. Eis o roteiro seguido por Bi Ribeiro (baixo), Herbert Vianna e João Barone (bateria) na estreia carioca do show Os Paralamas do Sucesso 30 anos, iniciada aos primeiros minutos deste domingo, 5 de maio de 2013, na Fundição Progresso, no Centro do Rio de Janeiro (RJ):

1. Vulcão dub (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Big bang (1989)
2. Alagados (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Selvagem? (1986)
3. Carro velho (Herbert Vianna) - do álbum Os grãos (1991)
4. Bora bora (Herbert Vianna) - do álbum Bora bora (1988)
5. Patrulha noturna (Herbert Vianna) - do álbum Cinema mudo (1983)
6. Cinema mudo (Herbert Vianna) - do álbum Cinema mudo (1983)
7. Ska (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
8. Selvagem (Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Selvagem? (1986)
    - com citação de Polícia (Tony Belloto, 1986), música do grupo Titãs
9. O calibre (Herbert Vianna) - do álbum Longo caminho (2002)
    - com citação de Whole lotta love (Led Zeppelin e Willie Dixon, 1969), música do Led Zeppelin
10. Mensagem de amor (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
11. Cuide bem do seu amor (Herbert Vianna) - do álbum Longo caminho (2002)
12. De perto (Herbert Vianna) - do álbum Hoje (2005)
13. Busca vida (Herbert Vianna) - do álbum 9 luas (1996)
      - com citação de Won't get fooled again (Pete Townshend, 1971), música do grupo The Who
14. Me liga (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
15. Como uma onda (Lulu Santos e Nelson Motta, 1983)
16. Saber amar (Herbert Vianna) - do álbum Vamo batê lata - Paralamas ao vivo (1995)
17. Romance Ideal (Herbert Vianna e Martim Cardoso) - do álbum O passo do Lui (1984)
18. Quase um segundo (Herbert Vianna) - do álbum Bora bora (1988)
19. Meu erro (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
20. Óculos (Herbert Vianna) - do álbum O passo do Lui (1984)
21. Lanterna dos afogados (Herbert Vianna) - do álbum Big bang (1989)
22. Na pista (Herbert Vianna) - do álbum Hoje (2005)
23. Meu sonho (Herbert Vianna) - do álbum Brasil afora (2009)
24. Ela disse adeus (Herbert Vianna) - do álbum Hey na na (1998)
25. Você (Tim Maia, 1971) - do álbum Selvagem? (1986)
       - com citação de Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973)
26. A novidade (Herbert Vianna, Bi Ribeiro, João Barone, Gilberto Gil) - do álbum Selvagem? (1986)
27. Melô do marinheiro (Bi Ribeiro e João Barone) - do álbum Selvagem? (1986)
28. Uma brasileira (Herbert Vianna e Carlinhos Brown) - do álbum Vamo batê lata - Ao vivo (1995)
29. O beco (Herbert Vianna e Bi Ribeiro) - do álbum Bora bora (1988)
30. Lourinha bombril (Parate y mira) (Diego Blanco e Bahiano em versão em português de Herbert Vianna)
      - do álbum 9 Luas (1996)
Bis:
31. Aonde quer que eu vá (Herbert Vianna) - da coletânea Arquivo II (2000)
32. Caleidoscópio (Herbert Vianna, 1987) - da coletânea Arquivo (1990)
33. Vital e sua moto Herbert Vianna) - do álbum Cinema mudo (1983)
      - com citação de música do grupo The Police, De do do do de da da da (Sting, 1980)
34. Que país é este? (Renato Russo, 1987) - do álbum Acústico MTV (1999)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Com Liminha, Paralamas revivem virada histórica do álbum 'Selvagem?'

Resenha de Show
Evento: Projeto Álbum
Título: Selvagem?
Artista: Paralamas do Sucesso (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Sesc Belenzinho (São Paulo, SP)
Data: 2 de julho de 2011
Cotação: * * * * 1/2

Ver e ouvir Os Paralamas do Sucesso tocando ao vivo o repertório de Selvagem? - o disco de 1986 que representou virada histórica na trajetória do trio e do próprio rock brasileiro, até então pouco receptivo à troca de informações com a música brasileira - suscita reflexões curiosas. A primeira é a de que Selvagem? definiu para valer a sonoridade que nortearia a carreira do grupo ao longo dos últimos 25 anos. A ponto de o azeitado show da banda no Projeto Álbum - idealizado pelo Sesc Belenzinho de São Paulo (SP) - ter reiterado a coerência dos Paralamas a partir deste disco que levou Herbert Vianna (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria) à praia do reggae e que adensou o pop rock do grupo com letras politizadas. Quando o trio terminou de tocar as dez músicas de Selvagem? e começou a enfileirar sucessos de outros álbuns e fases, tudo fez sentido. Ficou evidente a coerência que pautou toda a discografia do grupo, ora de tons mais ensolarados, ora de tons mais sombrios, mas sempre em sintonia com os cânones estabelecidos no álbum de 1986. Outra reflexão extrapola a seara musical. Ver e ouvir Os Paralamas do Sucesso rebobinando as músicas dessa obra-prima do rock brasileiro na companhia da guitarra de Liminha - o produtor que formatou o som de Selvagem? e, portanto, também merece crédito por tudo o que o disco representa - é quase inacreditável para quem sabe que, em algum momento desses 25 anos, os Paralamas do Sucesso tiveram que se reinventar por conta do acidente que quase tirou a vida de Herbert em 2001. Pois ali, no palco da comedoria do Sesc Belenzinho, pareceu que o tempo não havia passado. Pareceu também que a voz de Herbert até ganhou mais vigor desde que o trio entrou em cena e abriu o roteiro com a música que deu nome ao disco, Selvagem (Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna) - com direito à citação de Polícia (Toni Bellotto), um dos petardos disparados pelos Titãs em outro álbum emblemático de 1986, Cabeça Dinossauro. "A gente está tentando tocar estas músicas com arranjo bem próximo do original", avisou Barone para a plateia que recebeu bem o reggae Teerã (Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna), mas começou a se esbaldar mesmo em A Novidade (Bi Ribeiro, João Barone, Gilberto Gil e Herbert Vianna), tema letrado por Gil no estúdio Nas Nuvens que acabou virando um dos hits radiofônicos do disco. A Melô do Marinheiro (Bi Ribeiro e João Barone) se encarregou de manter alta a  temperatura do show, sendo devidamente seguida pelo tema Marujo Dub (Bi Ribeiro e João Barone) - número em que se destacou João Fera, o tecladista que, como ressaltou Herbert em cena, se juntou aos Paralamas na época de Selvagem?.  Seguiram-se três lados BA Dama e o Vagabundo (Bi Ribeiro e Herbert Vianna), There's a Party (Herbert Vianna) e O Homem (Bi Ribeiro e Herbert Vianna) - que preparam o clima apoteótico do fim do set do álbum, encerrado com Você (o cover de Tim Maia que a plateia acompanhou em coro) e com o megahit Alagados (Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone), tema ainda arrebatador que sintetizou a expansão do som dos Paralamas do Sucesso em Selvagem? com as conexões Brasil-África-Jamaica. Terminou com Alagados (cujo excelente arranjo original não foi  reproduzido com exatidão no palco do Sesc Belenzinho) a primeira e mais relevante parte de histórico show feito pelo trio com a adesão do percussionista James Müller - tocando o que no disco foi feito por Marçalzinho - e dos metaleiros Bidu Cordeiro (trombone) e Monteiro Jr. (sax e trompete). Decorridos 25 anos do lançamento deste álbum que livrou definitivamente o trio carioca  das acusações (injustas) de ser mera cópia nativa do trio inglês The Police, Selvagem? continua moderno, sedutor e relevante - tal como o som dos Paralamas do Sucesso.

domingo, 3 de julho de 2011

Paralamas extrapolam repertório de 'Selvagem?' em show sobre o álbum

São Paulo (SP) - O grupo carioca Paralamas do Sucesso extrapolou o repertório de Selvagem? - terceiro definidor álbum do trio, lançado em 1986 - no roteiro do show inédito que apresentou na comedoria do Sesc Belenzinho, em São Paulo (SP), de 24 de junho a 2 de julho de 2011. Quarta atração do Projeto Álbum, o show dos Paralamas - vistos em foto de Mauro Ferreira no palco do Sesc na companhia de Liminha, produtor do disco - foi aberto com demolidor set que reuniu as dez músicas de Selvagem?, porém, na sequência, para não abreviar a azeitada apresentação, Bi Ribeiro (baixo), Herbert Vianna (voz e guitarra) e João Barone (bateria) tocaram sucessos de outros álbuns. Eis o roteiro seguido pelos Paralamas do Sucesso no palco do amplo Sesc Belenzinho em 2 de julho, na última das seis apresentações deste show especial:

Set Selvagem?
1. Selvagem (Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna)
2. Teerã (Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna)
3. A Novidade (Bi Ribeiro, João Barone, Gilberto Gil e Herbert Vianna)
4. Melô do Marinheiro (Bi Ribeiro e João Barone)
5. Marujo Dub (Bi Ribeiro e João Barone)
6. A Dama e o Vagabundo (Bi Ribeiro e Herbert Vianna)
7. There's a Party (Herbert Vianna)
8. O Homem (Bi Ribeiro e Herbert Vianna)
9. Você (Tim Maia)
10. Alagados (Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna)
Set variado
11. O Calibre
12. Ela Disse Adeus
13. Quanto ao Tempo
14. O Beco
15. Cuide Bem de seu Amor
16. Meu Erro
17. Lanterna dos Afogados
18. Caleidoscópio
19. La Bella Luna
20. Lourinha Bombril
21. Uma Brasileira
Bis:
22. Sonífera Ilha / Ska
23. Vital e sua Moto

sábado, 4 de junho de 2011

Após 25 anos, 'Selvagem?' gera show dos Paralamas e texto de Barone

Título essencial da discografia do rock brasileiro dos anos 80, Selvagem? - álbum lançado pelos Paralamas do Sucesso em 1986, pioneiro na associação da linguagem do rock nacional com a música brasileira e jamaicana - completa 25 anos em 2011, motivando show inédito do trio carioca e texto reflexivo sobre o disco, escrito pelo baterista João Barone a propósito da temporada que acontece de 24 de junho a 2 de julho no Sesc Belenzinho, em São Paulo (SP). Com ingressos já esgotados, os seis shows foram programados pelo Sesc dentro do Projeto Álbum, que convida cantores e grupos para revisitar títulos marcantes de sua discografia. No show, Herbert Vianna (voz e guitarra), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone) vão tocar somente músicas de Selvagem? - álbum que rendeu sucessos como Alagados, Melô do Marinheiro e A Novidade (parceria da banda com Gilberto Gil). Eis o ótimo texto de Barone sobre o disco histórico dos Paralamas do Sucesso que, 25 anos depois, permanece cheio de vida:

Ainda Selvagem? 25 anos depois João Barone        “No final de 1985, estávamos ensaiando no apartamento da saudosa Vovó Ondina, local emblemático do começo dos Paralamas. Num intervalo, Herbert resolveu mostrar o esboço de uma nova composição, quando fez um preâmbulo sobre a estranheza que ela poderia causar. Sua expectativa era explicável. Ao longo desse ano movimentado, que começou com o Rock in Rio e terminava com uma turnê com até dois shows por noite, Herbert chamava para si toda a responsabilidade pelo que seria o próximo passo da banda. O cara do óculos vermelho de bermuda em breve se defrontaria com o desafio de superar suas marcas anteriores, começou a aguçar sua inspiração e por mãos à obra. Para ele, era preciso arriscar mais, fugir do óbvio. Para isso, até operou os olhos e se livrou dos óculos, sua marca registrada. No segundo LP, a banda criou e afirmou uma assinatura sonora. Mas, e agora? Isso lhe tirava o sono... Tanto que no final de outubro de 1985, quando tive um acidente de carro em Porto Alegre, Herbert sentiu-se culpado por desejar que algo extraordinário acontecesse para frear nossa agenda...
        Foi assim que, durante um pequeno recesso em que eu estava de perna engessada (o que não nos impediu de participar de um show em homenagem aos 20 anos de carreira de Gilberto Gil mesmo assim!), Herbert começou a maturar algumas composições novas, inspiradas no mergulho profundo que fizemos no reggae e na música africana. Bi Ribeiro teve papel determinante nisso, pois comprava todos os discos de reggae e afro que podia, nos apresentando toda hora coisas interessantíssimas que iam além das obviedades, como Mutabaruka, Dr Alimantado, um tal de Yellow Man, Papa Wemba, Salif Keita, King Sunny Adé, para citar alguns poucos. Neste caldeirão também foram adicionadas doses de João Bosco, Gonzaguinha, Ilê Aiyê, Filhos de Gandhy, Novos Baianos e Gil. Viajando tanto pelo Brasil, vimos e identificamos como a música negra havia se aclimatado aqui, especialmente na Bahia, e fizemos o que alguns críticos entendidos explicaram depois como uma “contra-diáspora negra”, até chegarmos em Londres, via Angola, com escala em Kingston. Para nós, descobrimos um Brasil brazuca, vira-lata. Caímos na real muito antes do Plano Real.
Quando Herbert fez suspense para mostrar pela primeira vez apenas com sua guitarra a melodia da canção que se tornaria conhecida como Alagados, não precisou de tantos volteios. O que gerou a tal estranheza foi a semelhança da música  ainda sem letra  com um samba-enredo. “E aí? Gostaram?”, perguntou Herbert. “Parece um samba!”, disse Bi, entreolhando para mim, quando exclamamos em uníssono: “Do caralho!”. Isso pareceu aliviar Herbert. O bom astral resultante desse primeiro momento evoluiu na forma de uma demo que Herbert gravou num porta-estúdio (na época, eram pequenos gravadores cassete de quatro canais), quando nos mostrou a canção bem perto do formato conhecido, já com a letra e uma beat box primitiva marcando o tempo. Dali a pouco, estaríamos entusiasmados com várias ideias de músicas que renderiam o repertório do próximo álbum, quando ainda tocávamos no apartamento da Vovó Ondina em Copacabana. Um fato marcante nesse momento foi uma foto que se destacava entre outras, colada na parede do quarto de ensaio, onde aparecia o irmão do Bi, Pedro, estilizado como um índio na frente de uma barraca num acampamento nos tempos de Brasília. Quase que complementando a estranheza que o novo repertório que estávamos compondo poderia causar aos diretores de nossa gravadora, que deveriam estar esperando por uma sequência de Óculos ou Meu Erro, Herbert olhou aquela foto um tanto engraçada e rindo, disparou: “Que tal a gente por ESSA foto na capa do próximo álbum?”. Deu no que deu.
        No lado conceitual, estava pronto Selvagem?, que ainda recebeu um ponto de interrogação para tentar aumentar mais a estranheza de seu título. Na época, não planejamos um levante estético, estávamos apenas dando linha ao nosso ideal um tanto inconsequente de fazer o que nos dava na telha. Mas tínhamos noção do contraponto que escolhemos, frente ao modelo estético anglo-saxão tão usado pelos artistas de nossa geração e de algumas bandas que despontavam na época. Nos destacamos da paisagem, como se tivéssemos nos pintado de verde-limão florescente. No lado prático, quisemos nos garantir de que a aventura seria ao menos bem registrada: convidamos Liminha para produzir o álbum, ele ouviu as demos, gostou e topou trabalhar com a gente. Convidamos Gil para cantar em Alagados e ele ainda compôs A Novidade. No estúdio, gravamos usando a percussão de Marçal, Liminha tocou guitarras e teclados, usamos ecos e efeitos dub à la Lee Scratch Perry. Os vídeos de Roberto Berliner para Alagados e A Novidade terminaram de explicar tudo para quem ainda não havia entendido nossa proposta. Vinte e cinco anos depois, não mudaríamos uma nota de nada que foi feito.”

domingo, 24 de abril de 2011

Paralamas planejam gravar disco acústico em espanhol para a Argentina

Dando a partida nas comemorações de seus 30 anos de carreira, o grupo Paralamas do Sucesso planeja gravar disco acústico em espanhol. O projeto fonográfico vai ser direcionado sobretudo ao mercado da Argentina, país que foi receptivo ao pop rock latino do trio na primeira metade dos anos 90, período em que a banda - em foto de Maurício Valladares - amargou período de menor popularidade no Brasil por conta da recepção fria obtida pelos álbuns Os Grãos (1991) e Severino (1994). Por enquanto, o trio promove o CD e DVD Multishow ao Vivo - Brasil Afora.