Mauro Ferreira no G1

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Festeiro e feliz, CD 'Funky funky boom boom' é o melhor disco do Jota Quest

Resenha de CD
Título: Funky funky boom boom
Artista: Jota Quest
Gravadora: Sony Music
Cotação: * * * * 1/2

 Revigorante álbum de inéditas lançado pelo Jota Quest há cinco anos, La plata (2008) fez subir a cotação do quinteto mineiro na bolsa de valores do universo pop. Disco coeso, dominado por grooves antenados, La plata corrigiu distorções da obra fonográfica anterior do grupo. Álbum festeiro que convida à dança e à balada, Funky funky boom boom eleva ainda mais o já alto nível de La plata, realinhando o Jota Quest com sua origem black e se impondo como o melhor disco da banda.  É som de branco, de caras estudados, mas, quando toca, ninguém fica parado - a exemplo do que já mostrou o irresistível single Mandou bem (Gigi, Fábio O'Brian, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e Nile Rodgers). Com ecos de disco music e a guitarra de Nile Rodgers, Mandou bem representa bem CD calcado na pegada da black music, mas com toques contemporâneos, como sinalizam os efeitos eletrônicos e o vocoder de Entre sem bater (Márcio Buzelin, Rogério Flausino, Marco A.S., Pedro Turra e Franklin Araújo), uma das duas faixas produzidas por Adriano Cintra, músico dissidente do já decadente grupo paulista Cansei de Ser Sexy. O baile pop funky do Jota Quest é da pesada, seja tocando uma balada soul à moda de Cassiano, Realinhar (China, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino), seja caindo no samba-rock Jota Quest convidou (Rogério Flausino, Seu Jorge, Pretinho da Serrinha, Gabriel Moura e Leandro Fab), faixa produzida pelo percussionista  Pretinho da Serrinha, que também pôs seu suingue sangue bom em É de coração (Xande de Pilares, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino e Wilson Sideral), música que cita a Mina do condomínio de Seu Jorge e que exemplifica o alto astral impregnado em todos os sulcos dançantes de Funky funky boom boom. A produção do norte-americano Jerry Barnes azeitou os grooves do álbum - o que explica o olhar estrangeiro que foca Ela é do Rio (Márcio Buzelin, Rogério Flausino, Marco A.S, Pedro Turra, Play, Jerry Barnes, Pretinho da Serrinha e Leandro Fab) com balanço tão carioca quanto norte-americano. Por conta de seu tom desencanado, Funky funky boom boom é álbum de letras leves que receitam a felicidade como meta e que apontam a balada como o refúgio que pode amenizar as dores do mundo. Pretty baby (Marco Túlio Lara, Rogério Flausino e Jerry Barnes) representa bem essa leveza cheia de suingue que pauta Funky funky boom boom. Com o mesmo groove festivo, Um tempo de paz (Rogério Flausino) propõe trégua na briga amorosa. Aliás, Funky funky boom boom recorre ao groove até na hora de discutir a relação, como expõe Imperfeito (Rogério Flausino, Fernanda Mello e Nile Rodgers), outra música valorizada pelo toque da guitarra chic de Nile Rodgers. A alta qualidade do inspirado repertório inédito incrementa o baile funky do Jota Quest, que beira a perfeição pop em Dentro de um abraço (PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e Martha Medeiros) - canção cuja letra é adaptação de texto da escritora gaúcha Martha Medeiros - e se joga na praia do pop reggae em algumas passagens da balada soul Waiting for you (Shine on, shine on) (Jerry Barnes, Quiana Space, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino) e em Reggae town (Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino), faixa aditivada com discurso falado que evoca a fluência do rap. Discurso, aliás, bisado em Toxina voyeur (Márcio Buzelin, Rogério Flausino, Marco A.S, Pedro Turra e Play), faixa formatada por Adriano Cintra com levadas de r & b. Única faixa com menor poder de sedução, Sem mistério (Paulinho Fonseca, Rogério Flausino e Jerry Barnes) ratifica o tom da suingante receita de bem-viver ministrada pelo Jota Quest em Funky funky boom boom. Formado por ótimos músicos, o grupo soube juntar ótimos ingredientes para fazer coquetel rítmico de tempero black e de sabor delicioso. Deguste-o sem pré-conceitos sobre o Jota Quest...

10 comentários:

Mauro Ferreira disse...

Revigorante álbum de inéditas lançado pelo Jota Quest há cinco anos, La plata (2008) fez subir a cotação do quinteto mineiro na bolsa de valores do universo pop. Disco coeso, dominado por grooves antenados, La plata corrigiu distorções da obra fonográfica anterior do grupo. Álbum festeiro que convida à dança e à balada, Funky funky boom boom eleva ainda mais o já alto nível de La plata, realinhando o Jota Quest com sua origem black e se impondo como o melhor disco da banda. É som de branco, de caras estudados, mas, quando toca, ninguém fica parado - a exemplo do que já mostrou o irresistível single Mandou bem (Gigi, Fábio O'Brian, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e Nile Rodgers). Turbinado com a guitarra de Nile Rodgers, Mandou bem representa bem um disco calcado na pegada da black music, mas com toques contemporâneos, como sinalizam os efeitos eletrônicos e o vocoder de Entre sem bater (Márcio Buzelin, Rogério Flausino, Marco A.S., Pedro Turra e Franklin Araújo), uma das duas faixas produzidas por Adriano Cintra, músico dissidente do já decadente grupo paulista Cansei de Ser Sexy. O baile pop funky do Jota Quest é da pesada, seja tocando uma balada soul à moda de Cassiano, Realinhar (China, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino), seja caindo no samba-rock Jota Quest convidou (Rogério Flausino, Seu Jorge, Pretinho da Serrinha, Gabriel Moura e Leandro Fab), faixa produzida pelo percussionista Pretinho da Serrinha, que também pôs seu suingue sangue bom em É de coração (Xande de Pilares, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ, Rogério Flausino e Wilson Sideral), música que cita a Mina do condomínio de Seu Jorge e que exemplifica o alto astral impregnado em todos os sulcos dançantes de Funky funky boom boom. A produção do norte-americano Jerry Barnes azeitou os grooves do álbum - o que explica o olhar estrangeiro que foca Ela é do Rio (Márcio Buzelin, Rogério Flausino, Marco A.S, Pedro Turra, Play, Jerry Barnes, Pretinho da Serrinha e Leandro Fab) com balanço tão carioca quanto norte-americano. Por conta de seu tom desencanado, Funky funky boom boom é álbum de letras leves que receitam a felicidade como meta e que apontam a balada como o refúgio que pode amenizar as dores do mundo. Pretty baby (Marco Túlio Lara, Rogério Flausino e Jerry Barnes) representa bem essa leveza cheia de suingue que pauta Funky funky boom boom. Com o mesmo groove festivo, Um tempo de paz (Rogério Flausino) propõe trégua na briga amorosa. Aliás, Funky funky boom boom recorre ao groove até na hora de discutir a relação, como expõe Imperfeito (Rogério Flausino, Fernanda Mello e Nile Rodgers), outra música valorizada pelo toque da guitarra chic de Nile Rodgers. A alta qualidade do inspirado repertório inédito incrementa o baile funky do Jota Quest, que beira a perfeição pop em Dentro de um abraço (PJ, Rogério Flausino, Jerry Barnes e Martha Medeiros) - canção cuja letra é adaptação de texto da escritora gaúcha Martha Medeiros - e se joga na praia do pop reggae em algumas passagens da balada soul Waiting for you (Shine on, shine on) (Jerry Barnes, Quiana Space, Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino) e em Reggae town (Márcio Buzelin, Marco Túlio Lara, Paulinho Fonseca, PJ e Rogério Flausino), faixa aditivada com discurso falado que evoca a fluência do rap. Discurso, aliás, bisado em Toxina voyeur (Márcio Buzelin, Rogério Flausino, Marco A.S, Pedro Turra e Play), faixa formatada por Adriano Cintra com levadas de r & b. Única faixa com menor poder de sedução, Sem mistério (Paulinho Fonseca, Rogério Flausino e Jerry Barnes) ratifica o tom da suingante receita de bem-viver ministrada pelo Jota Quest em Funky funky boom boom. Formado por ótimos músicos, o quinteto soube juntar ótimos ingredientes para fazer coquetel rítmico de tempero black e sabor delicioso. Deguste-o sem pré-conceitos sobre o Jota Quest...

Bruno Cavalcanti disse...

"É som de branco, de caras estudados, mas, quando toca, ninguém fica parado" ótima sacada, Mauro!
Foi justamente com o "La Plata" que eu voltei a prestar atenção na obra do Jota Quest - principalmente, por ser o primeiro bom disco deles desde que saí da pré-adolescência. Ainda não ouvi este novo, mas, a considerar pelo texto, teremos o grupo na lista de discos do ano - ou do semestre. Aliás, saudades daquelas listas de melhores discos do semestre que você fazia, ainda na outra plataforma.

Abraços.

Felipe dos Santos disse...

Pois é, parece que o J. Quest (quem lembra?) teve de olhar para trás para andar para a frente.

Pois é fato: os mineiros hoje ganharam respeito. Já tinham popularidade, fizeram hits até mais tocados ("Fácil", "Só hoje", "Amor maior", "Do seu lado"... de uns três anos pra cá, acho que só "É preciso" bombou nas rádios), mas eram tratados como coisa menor. O tempo e os avanços trataram de dar isso a eles, com respaldo de gente como Lulu Santos, os remanescentes da Legião Urbana, Nelson Motta etc.

Particularmente, não é muito a minha. Mas eu os coloco no mesmo patamar do Roupa Nova (sério): é uma banda "pra cima", popular sem vergonha de ser popular.

Além disso, tem instrumentistas altamente gabaritados (talvez fruto da cancha que os bailes da vida dão, como deram de sobra ao RN). Minha opinião é de que Márcio Buzelin é um dos melhores tecladistas do pop nacional; PJ é baixista ainda não devidamente valorizado - o mesmo vale para Marco Túlio, na guitarra; e muitos consideram Flausino a melhor voz do pop brasileiro.

Enfim, de "carregador de piano", o Jota virou um dos "cérebros" do time do pop nacional, ao lado dos conterrâneos do Skank. Não era sem tempo.

Felipe dos Santos Souza

Mauro Ferreira disse...

Bruno, 'La plata' realmente é um divisor de águas na discografia do Jota. Felipe, concordo com você, mas ressalto que nem toda a crítica musical dá ao Jota Quest o devido valor. Abs, MauroF

ADEMAR AMANCIO disse...

Ser comparado ao Roupa nova,a gente nunca sabe se é elogio ou ironia.

Sedjedo disse...

Essa pin-up da capa foi inspirada na Ursula Andress, né? Tirem suas próprias conclusões..
http://www.theplace2.ru/archive/ursula_andress/img/u7_6.jpg

Geilson Lopes disse...

Quando se tem o CD, físico, parece que o som lhe conquista mais!!!

Anônimo disse...

Com certeza foi ironia, Ademar.
O meu amigo Felipe não tem o parâmetro para funk e soul tão baixo assim.
Respaldo de Nelson Motta, cérebros, o cara tirou mesmo onda. :-)

Pedro Progresso disse...

ouvi, gostei. o J Quest nao é uma banda que ouço sempre mas que já passei pela discografia. gostei mais do La plata, no entanto esse é muito bem produzido e tem canções boas. ainda assim não é pra mim. uma ou outra numa lista variada valem a pena!

Daniel disse...

MUITO bom o album, quase não tem faixa ruim. Realmente melhor que o La Plata que já era bom. Destaco como melhores do álbum Tempo de Paz - que já é toque do meu celular haha - e Dentro de Um Abraço, cuja letra é linda. É o tipo de som que consegue raramente aliar qualidade e poder comercial. Se as musicas nao tocarem nas radios, novelas, etc é por azar ou falta de gosto do publico brasileiro, que mostra cada vez mais apegado ao 'sertanejoarrochauniversitário', de letras e musicalidades ainda mais pobres que as musicas que costumavam fazer sucesso no país.