Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Voz popular de um romantismo erotizado, Wando sai de cena aos 66 anos

Wando (1945 - 2012) vai ficar na lembrança do Brasil como o cantor das calcinhas, a voz popular de um repertório erotizado que aplicou injeção de ânimo e vendas em sua carreira fonográfica, na segunda metade dos anos 80. Mas Vanderlei Alves dos Reis - morto nesta quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012, na cidade de Nova Lima (MG) - se revelou artista mais multifacetado no início da década de 70. Mais precisamente em 1971, ano em que o cantor Jair Rodrigues deu voz ao samba O Importante É Ser Fevereiro, marco inicial da obra fonográfica deste cantor e compositor nascido em 10 de outubro de 1945 no município de Cajuri, cidade da Zona da Mata da mesma Minas Gerais onde Wando ora sai de cena, vítima de complicações decorrentes de problema cardíaco diagnosticado em janeiro. Ao lançar seu primeiro LP em 1973, Glória a Deus no Ceú e Samba na Terra (Beverly, selo da extinta gravadora Copacabana), o artista explicitou logo no título a devoção ao ritmo que identifica o Brasil no imaginário coletivo. No segundo álbum, Wando (1975, Beverly), o samba deu o tom de sucessos como Nega de Obaluaê (Wando). Mas foi uma canção de romantismo melancólico - Moça (Wando), projetada em escala nacional ao ser incluída na trilha sonora da novela Pecado Capital (TV Globo, 1975 / 1976) - que consolidou a carreira de Wando e, de certa forma, o levou a se afastar progressivamente do samba para investir no universo da canção romântica de apelo popular. Os quatro álbuns seguintes feitos na Copacabana - Porta do Sol (1976), Ilusão (1977), Gosto de Maça (1978) e Gazela (1979) - não reeditaram o êxito retumbante de Moça, apesar de o segundo ter emplacado mais um hit noveleiro (Senhorita, Senhorita, sucesso na trilha sonora de Sem Lenço Sem Documento) e de o terceiro ter gerado alguma repercussão pelo velado teor gay da canção Emoções (Wando). Seguiram-se três álbuns de repercussão quase nula - Bem-Vindo (Polydor, 1980), Pelas Noites do Brasil (Polydor, 1981) e Fantasia Noturna (1982, Som Livre) - até que a música-título do LP lançado por Wando em 1983, Coisa Cristalina (Som Livre), recolocou o artista com força nas paradas. A partir daí, a carreira de Wando alcançou outro pico de popularidade. Contratado pela exinta gravadora carioca Arca Som, Wando lançou em 1985 Vulgar e Comum É Não Morrer de Amor, álbum que traria um de seus maiores sucessos, Fogo e Paixão, música composta pelo artista com sua mulher Rose. O álbum seguinte, Ui-Wando Paixão (Arca Som, 1986), não bisou a repercussão do anterior, mas, ainda colhendo os louros do sucesso de Fogo e Paixão, Wando teve abertas novamente para ele as portas da gravadora Polygram, companhia em que o artista consolidou o estilo pornobrega que caracterizaria sua obra fonográfica desde então. A sequência inicial de álbuns gravados por Wando na Polygram - Coração Aceso (1987), Obsceno (1988) e Tenda dos Prazeres (1990) - fez o cantor bater recordes de vendas e bilheterias, em especial com o disco e show Obsceno. Foi nessa época que a imagem de cantor das calcinhas - recebidas e distribuídas por Wando em suas apresentações - começou a se formar nítida, alavancando a popularidade deste inusitado símbolo sexual da canção popular brasileira. A imagem permaneceu e continuou a ser explorada por Wando em série de álbuns de menor apelo popular, casos de Depois da Cama (1992), Dança Romântica (1995) e O Ponto G da História (1996). Com as vendas de discos em curva descendente, Wando migrou para gravadora menor - a Indie Records - e tentou em vão retomar a escalada de sucesso, sempre lançando mão de repertório erotizado, na época já de gosto bem duvidoso. Seu último álbum - Romântico Brasileiro, Sem Vergonha - foi editado em 2005 pela Som Livre com repertório retrospectivo. Nessa altura, Wando já era referência no cancioneiro popular brasileiro. Um ícone! É por isso que sua morte ganha repercussão nacional neste dia triste. Wando era uma das caras do Brasil.

Bosco revê 40 anos em DVD gravado com Chico, Donato, Milton e Horta

João Bosco conclui hoje, 8 de fevereiro de 2012, a gravação do DVD comemorativo de seus 40 anos de carreira. Realizada em estúdio do Rio de Janeiro (RJ), a gravação teve início ontem com intervenções de Roberta Sá, Trio Madeira Brasil, Chico Buarque - com João no estúdio, na foto postada por Ângela Bosco em seu Facebook - e do pianista Cristóvão Bastos. A segunda parte da gravação vai ter as participações de João Donato, Milton Nascimento e Toninho Horta.

Creator revela via Twitter a capa do quarto álbum do coletivo Odd Future

A capa vista acima é a do quarto álbum do coletivo norte-americano de rap Odd Future. A capa de The Odd Future Tape Vol. 2 foi revelada via Twitter por Tyler - The Creator, rapper que integra o grupo. Os nomes e a ordem das músicas do disco (ainda) permanecem em sigilo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sai no Brasil DVD com documentário oficial sobre Queen, feito pela BBC

Ao longo das comemorações pelos 40 anos do Queen, completados e reverenciados em 2011 com reedições da obra fonográfica do grupo inglês, a BBC exibiu em maio um documentário que reconstitui os passos da banda que já contabiliza 26 álbuns e alardeados 300 milhões de discos vendidos ao redor do mundo. Este documentário, Queen - Days of Our Lives, foi lançado em DVD no exterior em 28 de novembro. Editado no Brasil neste mês de fevereiro de 2012 pela Universal Music, o DVD exibe o filme dirigido por Matt O'Casey - sob a produção de Simon Lupton e Rhys Thomas - e sete vídeos tidos como novos de músicas como We Are the Champions, Under Pressure e Radio Ga Ga. No documentário, incrementado com imagens raras do grupo, Roger Taylor e Brian May revisam a trajetória do Queen com ênfase na gestação dos álbuns e turnês da banda que deu fama mundial ao cantor Freddie Mercury (1946 - 1991) - cuja morte (em decorrência de complicações relativas à sua contaminação pelo vírus HIV) obviamente é abordada no filme. Queen - Days of Our Lives entra em cena no Brasil dias após Adam Lambert ser confirmado (oficialmente) como o novo vocalista da banda.

Tiê dá voz a 'Pedacinhos' no CD que celebra a obra de Guilherme Arantes

Balada de Guilherme Arantes, lançada pelo compositor paulista em seu álbum Ligação (1983), Pedacinhos (Bye Bye So Long) ganha a voz doce de Tiê no disco A Voz da Mulher na Obra de Guilherme Arantes, idealizado pelo DJ Zé Pedro para a gravadora Joia Moderna. Sai em abril.

Lab 344 traz para o Brasil álbuns de O'Connor, Gray, Flack e Cranberries

O selo carioca Lab 344 voltou da última edição do Midem - a feira de negócios que reúne representantes da indústria fonográfica mundial, realizada em janeiro de 2012 na França - com contratos assinados para lançar no Brasil os novos álbuns de Sinéad O'Connor (How About I Be Me (And You Be You?)), The Cranberries (Roses), Macy Gray (Covered) e Roberta Flack (Let It Be Roberta). Em março, o selo põe no mercado nacional os CDs de Sinéad e do Cranberries. Já os discos de Gray e Flack chegam às lojas do Brasil em abril. Nono álbum de estúdio da cantora e compositora irlandesa Sinéad O' Connor (o primeiro em cinco anos), How About I Be Me (And You Be You)? totaliza dez faixas produzidas por John Reynolds, ex-marido da artista e habitual produtor de seus discos. O lançamento no exterior está agendado para 20 de fevereiro pelo selo britânico One Little Indian. Primeiro álbum do quarteto irlandês The Craberries em onze anos, Roses alinha 11 inéditas da lavra do grupo - gravadas sob a produção de Stephen Street - e também sai no exterior neste mês de fevereiro de 2012, pelo selo Downtown. Já o álbum da cantora norte-americana Macy Gray, Covered, reúne regravações de músicas dos repertórios de Radiohead (Creep, 1992), Eurythmics (Here Comes The Rain Again, 1983), My Chemical Romance (Teenagers, 2006) e Metallica (Nothing Else Matters, 1991), entre outros nomes. Covered tem lançamento nos EUA agendado para 27 de março pelo selo 429 Records, o mesmo que lança hoje, 7 de fevereiro, o 21º álbum da Roberta Flack, Let It Be Roberta, que apresenta regravações de 12 temas do perene cancioneiro dos Beatles.

Com Morelenbaum, Ninah Jô junta temas de Milton em seu primeiro CD

Já está em fase de mixagem, no estúdio de Jorge Vercillo, o primeiro CD de Ninah Jô, cantora paranense que ganhou  projeção ao gravar com Vercillo a balada Memória do Prazer para o penúltimo álbum do cantor, D.N.A. (2010). Ainda sem título, o disco tem a participação do violoncelista Jaques Morelenbaum na faixa que junta Vera Cruz e O Que Foi Feito de Vera, duas parcerias de Milton Nascimento com Márcio Borges, lançadas por Milton em 1969 e em 1978, respectivamente. Amigo de Jô, Vercillo faz dueto com a artista na inédita Dolores Sin Soledad, parceria da cantora e compositora com Paulo César Feital (à direita na foto clicada em estúdio com Jô e Vercillo). O repertório inclui versão em espanhol de Memória do Prazer, cuja gravação original está em rotação na trilha sonora da novela Fina Estampa, da TV Globo.

Flack aborda 12 temas dos Beatles em seu 21º álbum, 'Let It Be Roberta'

Com discrição, o selo indie norte-americano 429 Records está lançando nos Estados Unidos nesta terça-feira, 7 de fevereiro de 2012, o 21º álbum de Roberta Flack. Let It Be Roberta - Roberta Flack Sings The Beatles é o 19º disco de estúdio da cantora norte-americana e, como explicita seu subtítulo, trata-se de songbook com o cancioneiro dos Fab Four. Sob produção de Sherrod Barnes, com a qual colaboraram  Jerry Barnes e Barry Miles, Flack dá voz a 12 temas do repertório dos Beatles. A seleção prioriza as baladas e é formada por In My Life, Hey Jude, We Can Work It Out, Let It Be, Oh Darling, I Should Have Known Better, The Long and Widing Road, Come Togehter, Isn't It a Pitty?, If I Fell, And I Love Him (And I Love Her, no original) e Here, There and Everyewhere. Primeiro álbum da artista em oito anos, Let It Be Roberta chega às lojas dos EUA na semana em que Flack completa 75 anos (a cantora faz aniversário em 10 de fevereiro). O CD vai ser lançado no Brasil em abril pelo selo Lab 344.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Discobertas reedita primeiro álbum de Elymar Santos, lançado em 1986

Em 1985, o Canecão, extinta casa de shows do Rio de Janeiro (RJ), tinha o palco mais nobre e prestigiado pela nata da MPB quando Elymar Santos - então um desconhecido cantor carioca, acostumado a se apresentar em churrascarias - virou notícia na imprensa local pela ousadia de alugar a casa para apresentar no Canecão o show Assim Somos Nós. Feito em 12 de novembro de 1985, o show fez sucesso e rendeu gravação ao vivo, editada em LP em 1986 pela extinta gravadora Arca Som. Decorridos 26 anos, este primeiro álbum do artista, Elymar no Canecão, chega ao formato digital em reedição posta nas lojas neste mês de fevereiro de 2012 pelo selo Discobertas. Produzido por Arthur Laranjeiras, com arranjos de Wilton Santiago, Elymar no Canecão ganha sua primeira reedição em CD com quatro faixas-bônus, extraídas de dois compactos lançados pelo artista, ambos com registros de estúdio de Cachaça (Elymar Santos), hit inicial do cantor, que, na sequência, seria contratado pela EMI-Odeon e faria mais sucesso.

'Planeta Água' gira em torno de Fafá no tributo ao cancioneiro de Arantes

Sem lançar disco desde 2007, Fafá de Belém retornou aos estúdios neste mês de fevereiro de 2012, em São Paulo (SP), para gravar sua participação no CD A Voz da Mulher na Obra de Guilherme Arantes, produzido por Thiago Marques Luiz para a gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro. A música gravada por Fafá foi Planeta Água, sucesso nacional ao ser apresentada e defendida pelo compositor paulista no festival MPB-Shell 81, exibido pela TV Globo em 1981.

Roberto Carlos nega a intenção de relançar seu álbum 'Louco por Você'

Em entrevista coletiva concedida para promover mais uma edição do projeto Emoções em Alto Mar, Roberto Carlos negou que tenha intenção de relançar seu primeiro renegado álbum, Louco por Você, de 1961. O Rei alegou a má qualidade técnica no disco para justificar sua posição, que vai contra declarações recentes dadas a jornais e sites pelo empresário do cantor, Dody Sirena, e por representantes da gravadora Sony Music. De acordo com tais declarações, já haveria a intenção de remasterizar Louco por Você para posterior reedição oficial do disco.

Suingue jazzístico baixa teor de glicose do disco romântico de McCartney

Resenha de CD
Título: Kisses on the Bottom
Artista: Paul McCartney
Gravadora: Hear Music / Universal Music
Cotação: * * * *

De certa forma, Paul McCartney (per)segue em Kisses on the Bottom a bem-sucedida trilha pavimentada por Rod Stewart no Great American Songbook que revitalizou a carreira do artista escocês. Mas o eterno Beatle segue essa trilha de forma íntima e pessoal. Nas lojas a partir desta segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012, Kisses on the Bottom é um acerto de contas de Sir McCartney com sua memória afetiva, com canções que influenciaram os Beatles no início da long and widing road, há mais de 50 anos. Em seu disco mais terno e romântico, o artista encarna o amante à moda antiga para reavivar série de 12 standards compostos entre os anos 20 e 50. De quebra, o compositor adicionou duas inéditas autorais a essa seleção de clássicos. My Valentine, composta por McCartney para sua atual esposa Nancy Shevell, é das mais belas canções de amor da lavra do artista. Trata-se de melodiosa balada pontuada pelos acordes divinos - e ora serenizados pela aura romântica que envolve o álbum - da guitarra de Eric Clapton. A outra inédita - não tão inspirada quanto My Valentine, mas bonita - é Only Our Hearts, balada de tom orquestral valorizada pela gaita de Stevie Wonder. Com título dúbio que alude à marota expressão jazzística da década de 20 cujo significado "beijo no traseiro"Kisses on the Bottom é álbum pautado por suingue jazzístico. É esse balanço jazzístico - urdido pelo toque da banda de Diana Krall, presença recorrente no CD - que baixa o alto teor de glicose do repertório selecionado afetivamente por McCartney. O piano de Krall se faz ouvir logo na faixa que abre o disco, I'm Gonna Sit Right Down and Write Myself a Letter (Fred E. Alhert e Joe Young), tema de 1935, propagado em vozes como a do cantor norte-americano Nat King Cole (1919 - 1965). Na sequência, Home (When Shadows Fall) (Peter Van Steeden, Harry Clarkson and Jeff Clarkson) reitera o tom romântico e vintage de Kisses on the Bottom. Para se dedicar inteiramente ao ofício de canções como The Glory of Love (Billy Hill), McCartney abriu mão de tocar qualquer instrumento no álbum - atitude até então inédita em sua discografia. Mesmo fazendo uso eventual de cordas, McCartney foge da suntuosidade orquestral de songbooks do gênero, optando pela economia nos arranjos de temas como Always (Irving Berlin). Dentro dessa atmosfera jazzy e minimalista, a guitarra de Eric Clapton soa especialmente divina em Get Yourself Another Fool (Ernest Forrest e Frank Heywood) - música popularizada pelo cantor norte-americano Sam Cooke (1931 - 1964) - enquanto o canto de McCartney se deixa pautar pela suavidade em Bye Bye Blackbird (Ray Henderson e Mort Dixon), tema de 1926. Embora unificado pela serenidade, o disco alterna climas. Se My Very Good Friend the Milkman (Johnny Burke e Harold Spina) evoca o clima de um cabaré da era dourada do jazz, The Inch Worm (Frank Loesser) se diferencia em Kisses on the Bottom pelo coro de crianças, arregimentado em sintonia com o fato de o tema de 1952 ter sido sempre associada ao universo infantil. Já o ritmo lento e jazzy de More I Cannot Wish You (Frank Loesser) é contrabalançado pelo suingue de Ac-Cent-Tchu-Ate the Positive (Harold Arlen e Johnny Mercer) - uma das faixas de tom mais jazzístico - e de It's Only a Paper Moon (Harold Arlen, E.Y. Harburg e Billy Rose), standard de 1932. Feito na dose certa, o apelo jazzístico acentua a atmosfera clássica de temas como We Three (My Echo, My Shadow and Me) (Tommy Dorsey, Dick Robertson e Sammy Mysels). Sim, Paul McCartney ama com ternura.

'Fina Estampa Internacional' sai esta semana com Adele, Caillat e Perry

A novela Fina Estampa já está caminhando para a reta final, mas o CD com a trilha sonora internacional da trama chega às lojas somente a partir desta segunda semana de fevereiro de 2012. Editado pela gravadora Som Livre, o CD Fina Estampa Internacional reúne sucessos estrangeiros do ano passado. A seleção inclui gravações de Adele (Someone Like You), Beyoncé (1 + 1), Colbie Caillat (Brighter Than the Sun), Coldplay (Paradise), Katy Perry (Last Friday Night - T.G.I.F.), Lady Antebellum (Just a Kiss Goodnight) e Snow Patrol (Called Out In The Dark), entre outros nomes do universo pop. A atriz Christiane Torloni figura na capa do disco.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Com objetividade, 'Lá Vem os Violados' revê 40 anos do Quinteto Violado

Resenha de livro
Título: Lá Vem os Violados - Quinteto Violado 40 Anos
Autor: José Teles
Editora: Edições Bagaço
Cotação: * * *

A cantora Cesaria Évora (1941 - 2011) ainda não tinha posto Cabo Verde no mapa-múndi da música quando o pernambucano Quinteto Violado gravou um álbum com mornas, coladeras e funanás - ritmos dominantes na ilha africana. Lançado em 1989 somente em Cabo Verde, pelo selo local Morabeza, o álbum Ilhas de Cabo Verde permanece obscuro no mercado nacional, mas é assunto do jornalista paraibano-pernambucano José Teles nas 240 páginas do livro Lá Vem os Violados, biografia escrita para celebrar os 40 anos do grupo que deu novos ares à música nordestina a partir de 1971, ano em que foi formado. Publicado neste início de 2012 via Edições Bagaço, o livro apresenta um relato objetivo - em que o estilo é preterido em favor das informações e da objetividade - das quatro décadas vividas por este resistente grupo. Que logo se fez ouvir. Como Teles enfatiza, o Quinteto Violado  já era uma das sensações da música brasileira em 1972 - ano em que gravou seu primeiro álbum para a gravadora Philips, Quinteto Violado, no rastro dos elogios feitos ao grupo por nomes como Gilberto Gil - por conta de sua habilidade em reprocessar os ritmos nordestinos com pegada pop contemporânea. Com conhecimento de causa, Teles repisa em Lá Vem os Violados cada passo profissional do Quinteto nesses 40 anos. Discos e shows são abordados sob a perspectiva do tempo, com reproduções de trechos de críticas escritas sobre eles. A importância do livro reside sobretudo em documentar a obra do Quinteto após os anos 80, década em que o grupo foi sendo progressivamente empurrado para à margem do mercado fonográfico, de início gravando álbuns por selos menores (RGE, Continental, Aky Disco) até ser obrigado a partir para produções independentes. São discos que, não raro, tiveram repercussão restrita a Pernambuco, casos de História do Brasil (1987), Retrospectiva em Cinco Movimentos (1994) e É Frevo no Pé! 100 Anos Depois... (2008). Ao reproduzir trechos de resenhas de discos e shows do Quinteto Violado, o autor nem sempre deixa de expor - com elegância, diga-se - o desconhecimento de jornalistas do eixo Rio-São Paulo em relação à trajetória de um grupo que sempre produziu espetáculos conceituais e quase sempre gravou discos com regularidade, ainda que as vendas desses discos tenham sido, quando muito, razoáveis. Destes álbuns, listados cronologicamente com suas respectivas capas e datas de lançamento na colorida discografia exposta ao fim do livro, Farinha do Mesmo Saco (1999) merece justa atenção especial no livro por ter sido o CD que conectou o Quinteto Violado à geração do Mangue Beat. Enfim, por seu valor documental, Lá Vem os Violados merecia que seu texto tivesse passado por revisão mais rigorosa para que fossem limados os pequenos erros de digitação que saltam aos olhos ao longo da leitura. Contudo, a correta biografia do Quinteto Violado deve ser alvo da atenção dos que se interessam pela discografia da música nordestina.

Sony lança no Brasil CD com trechos do show de Hendrix em Winterland

Dando continuidade ao relançamento do catálogo de Jimi Hendrix (1942 - 1970) no mercado brasileiro, a Sony Music vai lançar neste mês de fevereiro de 2012 o álbum Winterland. O CD reúne trechos dos seis shows feitos pelo trio The Jimi Hendrix Experience no Winterland Ballroom, em San Francisco, Califórnia (EUA). O registro integral das seis apresentações feitas pelo guitarrista de 10 a 12 de outubro de 1968 - ele fez duas apresentações a cada dia - foi lançado em setembro de 2011 no exterior em caixa com cinco CDs. O disco que sai no Brasil é uma compilação dos números reunidos nessa caixa. A seleção inclui takes inéditos das músicas Are You Experienced? e Like a Rolling Stone. As gravações de Winterland vieram à tona em maio de 1987 com a edição do LP póstumo The Jimi Hendrix Experience Live at Wonderland.

Sai no Brasil CD em que Paez verte Chico e canta Sakamoto com Chico

Ao regravar o bolero Esta Tarde Vi Llover (Armando Manzanero) sob a produção de Leo Sujatovich, Fito Paez teve a ideia de fazer um álbum somente com canções de lavra alheia. Lançado na Argentina em novembro de 2011, Canciones Para Aliens ganha edição brasileira neste mês de fevereiro de 2012 via Sony Music. No disco, gravado entre Buenos Aires e Bahia com produção de Leo Sujatovich, o cantor e compositor argentino dá voz a temas de Bob Dylan (Ring Them Bells, transformada em Doblen Campanas com a letra em castelhano escrita por Paez), Chico Buarque (Construcción, em versão em espanhol assinada por Paez) e Marvin Gaye (Dancing in the Streets, batizada Baila por Ahí em mais uma versão de Paez), entre outros compositores. Além de ter sua Construção vertida para o castelhano, Chico Buarque canta com Paez Tango (Promesas de Amor), de Ryuchi Sakamoto. Eis as faixas de Canciones Para Aliens:

1. Baila por Ahí (Dancing in the Streets) (Marvin Gaye) - com Juanes
2. Un Beso y Una Flor (Jose Luis Armenteros e Pablo Herrero)
3. Construcción (Chico Buarque em versão de  Fito Paez)
4. El Breve Espacio en que No Está (Pablo Milanés) - com Pablo Milanés
5. Conmigo (Hugo Fattoruso) - com Hugo Fattoruso
6. Tango (Promesas de Amor) (Ryuchi Sakamoto em versão de Fito Paez) - com Chico Buarque
7. Te Recuerdo Amanda (Victor Jara)
8. Rata de Dos Patas (Eduardo Norberto Toscano)
9. Ne me Quitte Pas (Jacques Brel em versão de Fito Paez)
10. Va Pensiero (Giusseppe Verdi)
11. Las Dos Caras del Amor (Somebody To Love) (Freddie Mercury em versão de Fito Paez)
12. Yo No Quiero Volverme Tan Loco (Charly Garcia) - com León Gieco e Fabi Cantilo
13. Fiesta (Joan Manuel Serrat)
14. Doblen Campanas (Ring Them Bells) (Bob Dylan em versão de Fito Paez)

Elias cai 'cool' no samba em álbum em que o canto se sobrepõe ao piano

Resenha de CD
Título: Light My Fire
Artista: Eliane Elias
Gravadora: Concord Music / Universal Music
Cotação: * * 1/2

Radicada há 30 anos em Nova York (EUA), a pianista paulista Eliane Elias se firmou no mundo do jazz com abordagens regulares da música brasileira, em especial da Bossa Nova, sempre tão cultuada nos Estados Unidos. Light my Fire (2011) - 27º título de sua discografia solo, recém-lançado no Brasil pela Universal Music - é um álbum em que Elias se volta especialmente para o samba e para o canto. É fato que a pianista já vem se aventurando como cantora nos últimos discos. Mas em Light my Fire o canto de Elias chega a se sobrepor ao toque preciso de seu piano. O que não é necessariamente um elogio. A voz morna da artista é afinada e se ajusta bem ao estilo cool deste CD. Contudo, o canto de Elias jamais ultrapassa a fronteira do correto em Light my Fire. Falta à artista brilho e suingue na voz para encarar sambas como Rosa Morena (Dorival Caymmi) e Isto Aqui O Que É (Ary Barroso). Gilberto Gil dá certa vivacidade ao disco ao entrar em cena com sua voz e seu violão em Aquele Abraço (Gilberto Gil), em Toda Menina Baiana (Gilberto Gil) e em Turn to me (Samba Maracatu), bissexta parceria de Elias com Gonzaguinha (1945 - 1991), composta nos anos 80. Mas o suingue genuíno de Gil - de quem Elias ainda rebobina Bananeira, parceria do compositor baiano com João Donato - não basta para tornar o disco realmente interessante. Até porque, fora da seara brasileira, Elias apaga todo o fogo de Light my Fire - o incendiário clássico do repertório do grupo norte-americano The Doors - e reitera o tom convencional do CD ao entoar versão em francês de Mon Cherie Amour, a balada de Stevie Wonder. No todo, Light my Fire põe em segundo plano o toque jazzístico do piano de Elias para evidenciar um canto a rigor bem trivial.

Roberto vai remasterizar 'Louco por Você' para autorizar a venda do disco

Até então renegado por Roberto Carlos, o primeiro álbum do cantor, Louco por Você (1961), pode voltar ao mercado fonográfico de forma oficial neste ano de 2012. Após solicitar ao iTunes do Brasil a retirada do disco de seu catálogo virtual (pedido acatado pela loja), o Rei teria decidido remasterizar Louco por Você para autorizar sua venda no iTunes, que por engano chegou a comercializar os fonogramas do álbum em sua entrada no mercado nacional. Se a decisão se concretizar, vai ser a primeira vez que o álbum volta ao mercado de maneira oficial desde os anos 60. Curiosamente, os fonogramas de Louco por Você já estão à venda de forma oficiosa na loja virtual Amazon, apenas em formato MP3, desde 1º de janeiro de 2011.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Vanessa grava 'Cuide-se Bem' com Gustavo Ruiz para tributo a Arantes

Vanessa da Mata reforça o elenco do CD A Voz da Mulher na Obra de Guilherme Arantes, idealizado pelo DJ Zé Pedro para a gravadora Joia Moderna. A cantora pôs voz em Cuide-se Bem (Guilherme Arantes), música lançada pelo compositor paulista em 1976, em seu primeiro álbum solo. Para pilotar a faixa, a cantora convidou o músico, compositor e produtor Gustavo Ruiz. A gravação foi feita ontem, 3 de fevereiro de 2012, em estúdio de São Paulo (SP). Em fase de gravação, o tributo a Arantes já totaliza 20 cantoras. O CD vai sair entre março e abril.

Público já pode enfim eleger as três capas d'O Disco do Ano', de Baleiro

Com atraso de cinco dias em relação à data (30 de janeiro de 2012) anunciada pela gravadora Som Livre, o hotsite criado para descortinar os bastidores do nono álbum de inéditas de Zeca Baleiro já está promovendo a eleição que vai permitir que o público escolha a capa d'O Disco do Ano dentre as três opções idealizadas pelo artista a partir do que ele chama de "visões de sonho". As expressivas imagens das três capas foram fotografadas por Marcos Hermes, sendo que a capa 3 - a terceira vista de cima para baixo - está mais em sintonia com o sarcasmo contido no título O Disco do Ano. O lançamento do CD de Baleiro já está agendado para março.

Em 'Old Ideas', Cohen reflete até sobre a morte com paixão e serenidade

Resenha de CD
Título: Old Ideas
Artista: Leonard Cohen
Gravadora: Columbia / Sony Music
Cotação: * * * * 1/2

"I got no future / I know my days are few", resigna-se Leonard Cohen, aos 77 anos, em versos de Darkness, tema em que reflete sobre a finitude que já se aproxima, sorrateira e sombria. Darkness (Leonard Cohen) é uma das dez músicas inéditas que compõem o repertório de seu 12º álbum de estúdio, Old Ideas, nas lojas do mundo desde 30 de janeiro de 2012 e já editado no Brasil com oportuna simultaneidade pela Sony Music. Primeiro disco de inéditas do artista canadense em oito anos, o sucessor de Dear Heather (2004) flagra Cohen em ótima forma. Canções como Lullaby (Leonard Cohen) estão embebidas em ideias velhas que dão caráter atemporal à obra do compositor. Sem indulgência, Cohen esboça impiedoso autorretrato ao falar de si mesmo na terceira pessoa em Going Home (Leonard Cohen e Patrick Leonard), música sublime que abre este disco em que o compositor reflete sobre vida e morte com doses exatas de serenidade e paixão. Old Ideas trabalha com a essência da música, sem firulas e sem efeitos. A voz do cantor pode já não estar na melhor das formas, mas se ajusta bem ao canto sussurado de Show me the Place (Leonard Cohen e Patrick Leonard). Sim, Cohen soa fiel a si mesmo em Old Ideas - fidelidade atestada pelo canto falado de Anyhow (Leonard Cohen e Patrick Leonard) e pela sonoridade precisa e elegante que se situa entre o folk e o blues (este evocado em especial na moldura acústica de Banjo, belo tema assinado somente por Cohen). Violinos pontuam boa parte das músicas. Vozes femininas também se fazem ouvir em vários temas e, no caso de Come Healing (Leonard Cohen e Patrick Leonard), formam coro de tom quase angelical. Old Ideas é disco feito de sombras, escuridões. Em Different Sides (Leonard Cohen), o compositor aborda os desencontros do amor. Nada soa exatamente novo no álbum, mas a audição de joias como Amen (Leonard Cohen) mostra que as velhas ideias de Leonard Cohen são suficientes para criação de disco que, sem se pretender moderno, já se faz eterno.

'From The Sky Down' documenta criação de 'Achtung Baby', álbum do U2

Foi uma crise de identidade que levou o U2 a criar Achtung Baby, álbum de 1991 que redefiniu os caminhos do grupo irlandês ao longo da década de 90. No rastro das comemorações pelos 20 anos do disco, reeditado em 2011 com faixas-bônus, a banda produziu documentário sobre a gestação do disco. Dirigido pelo cineasta norte-americano Davis Guggenheim, From The Sky Down (2011) já está disponível em DVD no mercado brasileiro com distribuição da Universal Music. A versão vista no DVD é a do diretor. Os extras exibem vídeos de músicas como The Fly.

Tânia Mara adere ao sertanejo pop em acústico que tem inédita de Paula

Em seu segundo registro ao vivo de show, Acústico, Tânia Mara segue a onda do sertanejo pop que vem movimentando as cifras mais altas do mercado fonográfico brasileiro. Já nas lojas, em CD e em DVD distribuídos pela gravadora Som Livre, o sucessor de Falando de Amor ao Vivo (2008) tem adesões de Paula Fernandes e da dupla Fernando & Sorocaba. Além de contribuir com a inédita Roda Gigante, a cantora e compositora mineira faz Romaria (Renato Teixeira) em dueto com Mara. Já Sorocaba - além de participar com Fernando de Pensei pra Dizer (versão de Sorocaba para Don't You Wanna Stay, sucesso da cantora Kelly Clarkson) - é um dos produtores da gravação ao vivo captada em 9 de agosto de 2011 em show feito pela cantora em São Paulo (SP). Sorocaba é também o autor de temas como Madri e Sol à Meia-Noite. Apesar de seguir a trilha pavimentada por Paula Fernandes para tentar obter maior sucesso popular, Mara rebobina até um hit da extinta dupla fluminense Claudinho & Buchecha, Só Love. Acústico está sendo promovido com a canção Recomeçar, faixa já em rotação na trilha sonora da novela A Vida da Gente, exibida pela TV Globo no horário das 18h. Recomeçar é versão de Sylvia Massari para Volver a Comenzar, tema do compositor espanhol Noel Molina.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Tom Zé compõe música para Pinheiros e grava CD produzido por Kassin

Baiano radicado em São Paulo (SP), Tom Zé compôs música para Pinheiros, um dos bairros da maior cidade do Brasil. A música se chama No Alto de Pinheiros. Enquanto apresenta a nova composição (cuja letra acaba de ser postada pelo artista em sua página oficial no Facebook), Zé se prepara para começar a gravar, em março de 2012, seu primeiro disco de estúdio desde o revigorante Estudando a Bossa (2008). O álbum vai ser produzido por Kassin e sai este ano.

Brown prepara álbum de inéditas, 'Mixturação', e quer Shakira numa faixa

Carlinhos Brown ainda nem lançou o registro ao vivo do show da turnê Romântico Ambiente e já prepara álbum de inéditas, por ora intitulado Mixturação. A intenção do artista baiano é gravar a faixa Ave Maria Social com a cantora e compositora colombina Shakira. Sucessor de Adobró e Diminuto, CDs lançados por Brown em 2010, Mixturação vai sair até o fim de 2012.

Já em pré-venda, álbum 'MDNA' tem 15 músicas reveladas por Madonna

Já em pré-venda no iTunes, o 12º álbum de estúdio de Madonna, MDNA, teve 15 músicas reveladas hoje pela artista, dia em que o single Give me All Your Luvin' ganhou lançamento oficial - com direito a clipe em rotação no canal oficial de Madonna no YouTube. Composta por Martin Solveig e Michael Tordjman, a música ganhou letra de Madonna, Nicki Minaj e M.I.A., convidadas da faixa produzida por Madonna com Solveig Martin. Eis as 15 músicas do CD MDNA:

» Girls Gone Wild
» Gang Bang
» I'm Addicted
» Some Girls
» I Don't Give A...
» Turn Up the Radio
» Give me All Your Luvin'
» B-day Song
» Superstar
» I'm a Sinner
» Masterpiece
» Falling Free
» Love Spent
» I Fucked Up
» Beautiful Killer

Astro norte-americano Adam Lambert é o novo vocalista do grupo Queen

O cantor norte-americano Adam Lambert é o novo vocalista do grupo britânico Queen. A partir de julho de 2012, Lambert vai assumir em cena o posto que foi de Freddie Mercury (1946 - 1991) nos anos 70 e 80 - na formação clássica da banda - e do cantor inglês Paul Rodgers na segunda metade dos anos 2000. Lambert já se apresentou com o Queen no European Music Awards - evento da MTV - em novembro de 2011. Projetado em 2009 como concorrente da oitava temporada do programa de calouros American Idol, Lambert se prepara para lançar em março seu segundo álbum, Trespassing, sem descartar a ideia de gravar disco com o Queen.

Rita Lee lança 'Reza' na internet e muda título de seu álbum para 'RadaЯ'

Exatos quatro meses após lançar o pop rock As Loucas na internet, Rita Lee disponibiliza para audição mais uma faixa do álbum de inéditas que vai lançar em abril, com distribuição da Biscoito Fino. Trata-se de Reza, outro rock de pegada pop que sinaliza a inspiração do repertório do primeiro CD de inéditas da Ovelha Negra em nove anos. Aliás, o sucessor de Balacobaco (2003) não vai mais se chamar RezaRadaЯ é o novo título do disco produzido por Apollo 9 com Roberto de Carvalho, parceiro de Rita em As Loucas e em Reza. A música pode ser ouvida no canal oficial da artista no YouTube e na página oficial de Rita Lee no Facebook.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Clipe de 'Retrovisor', música do terceiro álbum de CéU, entra em rotação

Já está em rotação o clipe de Retrovisor, música do terceiro álbum de CéU, Caravana Sereia Bloom, nas lojas neste mês de fevereiro de 2012 em edição da Urban Jungle distribuída pela Universal Music. Dirigido por Renan Costa Lima e Ivo Lopes Araújo, com fotografia de Araújo e figurino de Isadora Gallas, o clipe foi filmado nos arredores de Vila Velha, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco. O vídeo pode ser visto no YouTube e na página oficial da artista no Facebook.

Bocelli rebobina seu repertório habitual em DVD filmado no Central Park

Recém-lançado no Brasil pela Universal Music, o DVD Concerto - One Night in Central Park, de Andrea Bocelli, oferece baixo teor de novidade para quem acompanha a carreira do tenor italiano. O cantor rebobina seu repertório habitual nos dois atos do show captado ao vivo em apresentação do artista no Central Park, em Nova York (EUA). No primeiro ato, Bocelli revisita árias de óperas de Verdi (1813 - 1901) e Puccini (1958 - 1929), entre outros compositores de música erudita. No segundo ato, o tenor dá voz a temas do cancioneiro popular e recebe nomes como Tony Bennett (em Theme From New York, New York), Celine Dion (The Prayer, com David Foster ao piano) e Ana Maria Martinez (em Time to Say Goodbye - Con te Partiró).

Elenco heterogêneo festeja 80 anos do Cristo carioca com bossa irregular

Resenha de CD e DVD
Título: Cristo Redentor 80 Anos Ao Vivo
Artista: Vários
Gravadora: EMI Music
Cotação: * * 1/2

Produto idealizado tanto para o Brasil como para o exterior, o registro ao vivo do Show da Paz - recém-lançado em CD e DVD pela EMI Music sob o título Cristo Redentor 80 Anos Ao Vivo - agrega as várias bossas musicais do Rio de Janeiro (RJ) em repertório selecionado com o pretexto de festejar as oito décadas do Cristo carioca, completadas em 2011, ano em que o show foi gravado em 12 de outubro, às margens da Baía da Guanabara. Bem, o elenco heterogêneo celebra com bossa irregular as belezas da cidade sangue quente, abordada sob prisma menos idealizado por Fernanda Abreu em regravação menos incendiária de Rio 40 Graus (Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Carlos Laufer). Há excessos de teclados nos arranjos criados por Júlio Teixeira, diretor musical do projeto coordenado por Eduardo Maruche em produção capitaneada por Adriano De Martini, Ricardo Moreira e o próprio Júlio Teixeira. Contudo, há números elegantes como o Samba do Avião (Antonio Carlos Jobim), que decola em arranjo de Daniel Jobim para gravação que junta Jobim a Miúcha. Eduardo Dussek e Casuarina dão cores vivazes à já batida Aquarela do Brasil (Ary Barroso). Marcos Valle reitera o tom internacional de seu Samba de Verão (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle) ao lado da cantora norte-americana Stacey Kent e do saxofonista de jazz Jim Tomlinson. Em contrapartida, Zeca Pagodinho defende Balanço Zona Sul (Tito Madi) sem o suingue e a leveza pedidos pela música. Falta também bossa a Elba Ramalho para levar Valsa de Uma Cidade (Ismael Netto e Antonio Maria) com a necessária suavidade. Já Sandy faz O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) deslizar veloz por águas mais agitadas. Mais à vontade no clima bossa-novista, Leila Pinheiro rebobina Coisas do Brasil (Guilherme Arantes) com citação de Cidade Maravilhosa (André Filho), revivida com animação por Beth Carvalho (vista no DVD também em Caciqueando, samba revivido com ritmistas da escola de samba Mangueira). Davi Moraes e Thaís Gulin entram afinados na cadência sempre bonita do samba Brasil Pandeiro (Assis Valente). Alexandre Pires - justiça seja feita - anima o público ao abordar o samba Aquele Abraço (Gilberto Gil). Reverente ao Tom maior da música do Brasil, o registro de Corcovado (Antonio Carlos Jobim) por Daniel Jobim exemplifica que, às vezes, é melhor seguir as tradições do que inventar bossas modernosas como a esboça por Rodrigo Sha e DJ Man em Redentor (Rodrigo Sha). A Garota de Ipanema (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes) também perde boa parte de sua bossa e beleza por conta do baticum eletrônico do BossaCucaNova, trio que assina a faixa com Roberto Menescal e a cantora Cris Delanno (que carrega nos tons fora de sintonia com os estatutos da Bossa Nova). Ainda nas águas eletrônicas, Buchecha celebra Praia e Sol (Bebeto e Adilson Silva) com a batida do DJ Marlboro e sem o suingue de Bebeto, autor e intérprete do tema. Defendendo o time religioso, Padre Omar e Eliana Ribeiro cantam com fervor o samba Peço a Deus (Dida e Dedé da Portela) e a bela canção Força e Vitória (Eliana Ribeiro). Enfim, por Cristo, é preciso saber que nem todo mundo tem bossa para celebrar o suingue carioca. O Rio já foi celebrado com mais harmonia...

Vânia grava em São Paulo músicas para tributos a Arantes e a Gonzaga

Em uma única sessão de estúdio, Vânia Bastos gravou em São Paulo (SP) faixas para os tributos a Guilherme Arantes e a Luiz Gonzaga (1912 - 1989) que estão sendo produzidos por Thiago Marques Luiz para as gravadoras Joia Moderna e Lua Music, respectivamente. Para o CD A Voz da Mulher na Obra de Guilherme Arantes, a cantora pôs sua voz límpida em Primaveras e Verões, música do compositor paulista que deu título ao álbum lançado por Joanna em 1989. Para o projeto duplo com regravações da obra de Gonzagão, Bastos regravou Olha pro Céu (José Fernandes e Luiz Gonzaga), tema junino lançado em 1951 pelo Rei do Baião. Ambas as faixas foram arranjadas pelo violonista Ronaldo Rayol e gravadas em 1º de fevereiro de 2012.

'#willpower', quarto disco solo de will.i.am, reúne Jagger, Alicia e Britney

Com lançamento previsto para 14 de fevereiro de 2012 no Japão, o quarto álbum solo de will.i.am, #willpower, tem estelar lista de convidados. O single T.H.E. (The Hardest Ever) já reúne por si só Jennifer Lopez e Mick Jagger. Programado para ser editado nos Estados Unidos somente em abril, o disco traz também Alicia Keys, Britney Spears, Shakira, LMFAO, Busta Rhymes e Swizz Beats, entre outros nomes. #willpower se chamava de início Black Einstein.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Marcia Castro grava raridade dos Novos Baianos em dueto com Flanders

Nas lojas em março de 2012, em edição da Deck, o segundo álbum de Marcia Castro, De Pés no Chão, traz no repertório raridade da discografia do grupo Novos Baianos, de quem Castro também recria no disco o sucesso Preta Pretinha. Trata-se de 29 Beijos, música lançada pelo grupo em compacto de 1971 e revivida pela cantora em dueto com Hélio Flanders, vocalista do grupo Vanguart. Produzido pela própria Marcia Castro, em parceria com os músicos Guilherme Kastrup e Rovilson Pascoal, o CD De Pés no Chão - sucessor de Pecadinho (2007) - foi batizado com nome de rock de Rita Lee, lançado em 1974. O repertório inclui Nó Molhado (Monsueto), Você Gosta? (Tom Zé com Hermes Aquino), Crazy Pop Rock (Gilberto Gil com Jorge Mautner), História de Fogo (Otto com Alessandra Negrini) e a inédita Vergonha (Luciano Salvador Bahia).

Repertório impede Letuce de arder no fogo da paixão em 'Manja Perene'

Resenha de CD
Título: Manja Perene
Artista: Letuce
Gravadora: Bolacha Discos
Cotação: *

Duo que transita pela cena indie carioca desde 2008 em busca de aura hype, Letuce chega ao segundo disco sem ter efetivamente dito a que veio com o primeiro, Plano de Fuga pra Cima dos Outros e de Mim (2010), editado pelo mesmo selo Bolacha Discos que põe Manja Perene no mercado neste mês de fevereiro de 2012. Na teoria, a ideia de fazer álbum conceitual sobre o fogo da paixão resulta sedutora. Na prática, a sedução inexiste. O repertório brochante da lavra do casal Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos - parceiros na vida e na criação das músicas do duo - impede que Letuce arda nesse disco que apresenta inéditas compostas com alta carga erótica. A melhor é Pra Passear (Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos) por esboçar certa inspiração melódica. As demais somente reiteram a chatice do disco. Ode ao prazer solitário, o rock Fio Solto expõe - entre acordes sujos da guitarra de Lucas - a opção da dupla por usar nas letras termos despudorados como bacurinha. Opção que seria acertada se o cancioneiro de Manja Perene provocasse um mínimo de tesão no ouvinte. Mas é difícil manter a libido alta diante de músicas ruins como Ninguém Muda Ninguém (André Dahmer), Cataploft (Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos) e Freud Sits Here (Letícia Novaes). Seja no tempo da delicadeza acústica (como em Sempre Tiver Perna, outro tema do casal) ou da elétrica vibe indie roqueira (como em Insoniazinha, faixa assinada pela dupla com Thomas Harres), Manja Perene jamais seduz. Letícia canta bem, mas desperdiça a voz nesse repertório insosso. Lucas se mostra mais à vontade como intérprete de Anatomia Sexual - raro destaque do cancioneiro reunido no CD - do que de Areia Fina. No todos, os grooves e as harmonias sinuosas do álbum - qualidades realçadas pelo texto escrito por Arthur Braganti para apresentar o disco - perdem força diante de melodias pouco ou nada atraentes. Por mais que as letras sejam no todo até interessantes, Manja Perene é, em suma, CD tão chato quanto pretensioso em sua aura hype.

Primeiro ótimo álbum de Dionne Bromfield ganha, enfim, edição no Brasil

Propagada no universo pop como a afilhada musical de Amy Winehouse (1983 - 2011), Dionne Bromfield faz 16 anos nesta quarta-feira, 1º de fevereiro de 2012. Em outubro de 2009, quando lançou seu primeiro álbum, Introducing Dionne Bromfield, pelo selo de Amy, Lioness Records, a cantora britânica contabilizava apenas 13 anos. Entretanto, apesar da pouca idade, Bromfield debutou no mercado fonográfico com disco que muita gente grande gostaria de ter gravado. Lançado enfim no Brasil pela Universal Music, no rastro da recente vinda da artista ao país para shows no Summer Soul Festival, Introducing Dionne Bromfield enfileira 12 covers do soul, feitos com fidelidade à receita retrô que deu fama à madrinha. O repertório é formado por deliciosas abordagens de temas dos anos 60 como Mama Said (sucesso do grupo feminino The Shirelles em 1961), Foolish Little Girl (outra pérola do repertório das Shirelles, lançada em 1963), My Boy Lollipop (tema propagado na Inglaterra em 1964 na versão em ritmo de ska gravada pelo cantor jamaicano Millie Small) e Ain't No Mountain High Enough (sucesso em 1967 em gravação feita por Marvin Gaye com Tammi Terrell). Dois anos após essa deliciosa estreia fonográfica, Bromfield investiu em repertório autoral num segundo álbum menos impactante, Good For The Soul (2011), este já editado no Brasil pela Universal Music.

Gravação inédita de Elis Regina está à venda no iTunes de forma avulsa

Nas lojas neste mês de fevereiro de 2012, as caixas Elis Anos 60 e Elis Anos 70 embalam os 21 álbuns de Elis Regina (1945 - 1982) que pertencem ao acervo da gravadora Universal Music - além de três coletâneas com registros avulsos da obra fonográfica da cantora, sendo que uma dessa compilações, No Céu da Vibração, é dupla. Contudo, consumidores que já compraram a caixa Transversal do Tempo (1998) não vão precisar comprar a caixa Elis Anos 60 para ter a única gravação inédita incluída nas duas caixas. Sobra do álbum Elis Como e Porquê (1969), descoberta pelo pesquisador Rodrigo Faour, a faixa Comigo É Assim (José Menezes e Luiz Bittencourt) já está à venda na filial brasileira da loja virtual iTunes. Trata-se de choro lançado por Ademilde Fonseca - em gravação que pode ser ouvida no álbum Choros Famosos (1960) - que Elis regravou com uns toques de samba-jazz, bem ao estilo que imperava na década de 60.

Moyseis Marques desengoma como compositor no seu autoral terceiro disco

Resenha de CD
Título: Pra desengomar
Artista: Moyseis Marques
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

♪ Ao debutar no mercado fonográfico com E aí, Zé? (2003), CD independente de sua banda Forró na Contramão, Moyseis Marques dominou o repertório, assinando 13 das 14 músicas do disco. Quatro anos mais tarde, ao estrear solo com o álbum Moyseis Marques (Deckdisc, 2007), o compositor deu ligeiro recuo - sem sair de cena - para dar voz ao intérprete projetado na efervescente cena da Lapa, bairro do Centro do Rio de Janeiro (RJ) que concentra casas dedicadas ao samba e ao choro. No álbum seguinte, Fases do coração (Deckdisc, 2009), o compositor já marcou mais presença, assinando inclusive o hit do disco, Pretinha, joia rara, delicioso samba propagado em escala nacional na trilha sonora da novela Caminho das Índias (TV Globo, 2009). Tal sucesso autoral abriu caminho para que Marques lançasse um terceiro álbum solo inteiramente autoral, Pra desengomar, posto nas lojas pela gravadora Biscoito Fino em janeiro de 2012. São de autoria deste mineiro criado desde bebê no Rio de Janeiro (RJ) as 12 músicas inéditas reunidas no álbum produzido por Marques com o cavaquinista Alessandro Cardozo. E o fato é que a safra - formatada pelo artista com parceiros como Alfredo Del-Penho, coautor da faixa-título, Pra desengomar - prima pela excelência. Mesmo que o samba domine a safra autoral em diversas modalidades, a viagem rítmica ainda tem escalas no Nordeste. Na segunda metade do disco, Marques transita inspirado por baião (Xodó da lamparina, outra parceria com Zé Paulo Becker), samba à moda baiana (Pra ter seu bem-querer, composto com Bena Lobo) e ijexá (Não deu, tema da lavra solitária de Marques, formatado com toques de baião). Pra desengomar deixa no ar um sentimento bom, como o relatado no verso final de Deixa estar (Moyseis Marques e Fernando Temporão), um dos bonitos sambas do disco. Mesmo quando cantado no tom da tristeza, como no caso poético O lado bom da incerteza (Moyseis Marques e Zé Renato), o samba de Marques exala alto astral. Às vezes explícito como no suingante O badabadá do Talarico (Moyseis Marques e Edu Krieger), manemolente samba arranjado de acordo com os estatutos da gafieira pelo saxofonista Samuel Oliveira. Curiosidade: O badabadá do Talarico  teria como convidados Luiz Melodia (de início) e Tantinho da Mangueira (num segundo momento), mas acabou gravado somente por Marques, bom cantor que se exercita no suingue com Leila Pinheiro em Bicho do mato, outra inspirada parceria do compositor com Edu Krieger. Outra bela voz feminina que se faz ouvir no CD é a de Ana Costa, presença luminosa no metalinguístico Um samba de amor (Moyseis Marques), faixa pontuada pelo trombone de Roberto Marques. Com voz mais opaca, Moacyr Luz é o convidado afetivo de Meu canto é pra valer, grande samba que abre sua parceria com Marques com citação de Saudades da Guanabara (Moacyr Luz, Paulo César Pinheiro e Aldir Blanc, 1989). Se Piuí (João Martins e Moyseis Marques) faz o disco autoral trafegar pelo trilho da canção, Como o cravo quer a rosa é samba-choro composto por Marques para a cantora carioca Áurea Martins, convidada majestosa da faixa. Enfim, se o cantor é sempre bom, o compositor se revela ótimo no autoral Pra desengomar, disco com cacife para firmar Moyseis Marques entre os grandes bambas do Brasil.