Título: Made in Brasil
Artista: Moyseis Marques
Gravadora: Sarau Agência de Cultura Brasileira
Cotação: * * * *
♪ Em setembro de 2013, Moyseis Marques extrapolou as fronteiras do Brasil e gravou na Califórnia (EUA) álbum calcado em voz e violão, Casual solo (Independente, 2014), no qual vislumbrou outros horizontes musicais sob a ótica da própria esquina, gravando reggae (Is this love, Bob Marley, 1978) e standard da canção norte-americana (The very thought of you, Ray Noble, 1934) em repertório que incluía sambas. Dois anos depois, o cantor, compositor e músico mineiro - criado no subúrbio carioca - volta a seguir rota rítmica exclusivamente nacional no EP sintomaticamente intitulado Made in Brasil e lançado neste mês de novembro de 2015 com seis músicas inéditas e autorais. Idealizado, produzido e arranjado pelo próprio Moyseis Marques, Made in Brasil se alinha e se afina com o tom do terceiro álbum do artista, Pra desengomar (Biscoito Fino, 2012), disco inteiramente autoral em que Marques abriu e expandiu parcerias, se firmando como compositor. "Eu sou made in Brasil / Do amarelo ao anil / Passei pela peneira, escoei no funil / Sapequei no forró, fiz samba no trem / Mergulhei na canção / Mandei voz, violão", enumera em versos de Made in Brasil (Moyseis Marques), a ritmicamente diversificada música que dá nome ao EP gravado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) entre agosto e setembro deste ano de 2015. Com bom repertório inteiramente inédito e autoral, o EP Made in Brasil parte do samba, mas vai além dele. O samba é o ritmo recorrente no disco, o ritmo que dita a cadência de Poeta é outro lance (Moyseis Marques), em cuja letra confessional o artista faz balanço lúcido de sua própria importância na música brasileira em versos como "Eu não sou Chico Buarque, nem Paulo Pinheiro, nem Nei, nem Aldir / Mas tenho a minha arte e uma pequena parte para contribuir". O Nei mencionado com admiração por Moyseis Marques é o carioca Nei Lopes, o letrista bamba que assina os versos de Profissional, musicados por Marques no compasso do samba-choro, mas gravados com um toque de samba de gafieira. Made in Brasil não explicita a origem mineira do artista, mas transita com desenvoltura pelos ritmos da nação nordestina. Parceria de Marques com Bena Lobo, A barca dos corações partidos é estilizado ijexá que resvala para o baião sintetizado na década de 40 pelo rei Luiz Gonzaga (1912 - 1989), nominalmente citado na letra da composição, cujo título foi batizado com o nome da companhia teatral que recentemente encenou no Rio o musical A ópera do malandro (Chico Buarque, 1977) com Moyseis na pele do protagonista Max Overseas, o malandro do título. A propósito, os atores-cantores do coletivo fazem coro na gravação. Ainda dentro da nação musical nordestina, Moyseis dá voz ao inflamado xote Madeixa, composto em parceria com Vidal Assis. Os versos erotizados remetem aos arretados temas recorrentes nos ritmos genericamente rotulados como forró. Completando o EP, Juntando os cacos é samba da peste, escrito em ponto de fervura sob ótica feminina e cantado em apropriado tom quente por Laila Garin, cantora e atriz que tem se destacado em musicais encenados no Rio de Janeiro. Quinto título da discografia de Moyseis Marques, Made in Brasil repõe o artista na diversificada rota nacional que o fez desengomar como compositor em 2012, conquistando admiradores ilustres como Chico Buarque. Moyseis Marques é joia rara que já passou pela peneira e escoou no apertado funil.













