Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Tributo a Santiago, na voz de Marques, 'Emilianamente' agrega Áurea e Nana

♪ Cantor da noite carioca, o também compositor Guto Marques foi apresentado a Emílio Santiago (1946-2013) por Nana Caymmi. O trio se tornou amigo. O que torna natural a presença da cantora carioca em Emilianamente, CD em tributo a Santiago lançado hoje, 23 de julho de 2015, por Marques.  Em tons suaves, Nana canta com Marques Saigon (Cláudio Cartier, Paulo César Feital e Carão, 1985), música que alcançou seu pico de popularidade com a gravação feita por Emílio no álbum Aquarela brasileira 2 (Som Livre, 1989). Inédita, a música que batiza Emilianamente - CD gravado com arranjos e direção musical do maestro Ocimar de Paula - é samba-enredo de autoria de Marques e Paulo César Feital que alude nos versos a algumas músicas gravadas por Emílio, caso de Flamboyant, parceria de Jota Maranhão com Feital lançada pelo cantor em 1993 no sexto volume da série Aquarela brasileira. Flamboyant abre Emilianamente, disco em que, além de Nana, Guto Marques recebe convidados como a cantora carioca Áurea Martins - presente em Reciclar (Claúdio Cartier e Guto Marques, 2005) - e Altay Veloso, que participa de Essa fase do amor, parceria sua com Samuel Santana lançada por Emílio no já citado CD Aquarela brasileira 6 (Som Livre, 1996). Apesar das boas intenções, Emilianamente é tributo de tonalidade opaca que oferece interpretações pálidas sem o menor resquício do brilho do canto lapidar de Emílio Santiago.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Roteiro desfaz a magia do show em que Alaíde e Áurea celebram Elizeth

Resenha de show
Título: Elizethíssima - Uma sincera homenagem a Elizeth Cardoso
Artistas: Alaíde Costa e Áurea Martins (em foto de Mauro Ferreira)
Participações: Hermínio Bello de Carvalho e Vidal Assis
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 16 de julho de 2014
Cotação: * * 1/2

Alaíde Costa e Áurea Martins são duas cantoras cariocas de alta categoria. Um show que as reunisse em cena tinha tudo para ser antológico - sobretudo se for um tributo a Elizeth Cardoso (1920 - 1990), uma das maiores cantoras do Brasil de todos os tempos. Por tudo isso, Elizethíssima - show que estreou em maio de 2014 no Rio de Janeiro (RJ), cidade aonde voltou à cena no Teatro Rival em 16 de julho, dia em que Elizeth completaria 94 anos - resulta até certo ponto decepcionante. As cantoras são ótimas, o repertório é de excelente nível, mas a magia não se faz - como já sinaliza o primeiro número do roteiro (mal) estruturado por Hermínio Bello de Carvalho e Zé Maria Rocha. Nesse número inicial, Áurea sola o medley que agrega os sambas Mundo melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes, 1962) e É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957), cantados em empolgação. O roteiro é o ponto problemático de Elizethíssima, show feito sob tradicional direção musical do violonista Lucas Porto, autor dos arranjos. Por estar estruturado em medleys, o roteiro fragmenta e uniformiza as emoções contidas nas canções. Para impedir ainda mais a magia que não se faz, uma das poucas músicas apresentadas de forma isolada, Complexo (Wilson Batista e Magno de Oliveira, 1949), não é das composições mais inspiradas do compositor fluminense Wilson Baptista (1913 - 1938) e do repertório da divina Elizeth. Protagonizada por Áurea, a parte inicial do show deixa a sensação de que sambas como Malvadeza Durão (Zé Kétti, 1965) não se ajustam bem ao canto dessa intérprete cultuada na noite carioca por sua técnica admirável. Cantora projetada no universo da Bossa Nova, Alaíde parece mais à vontade quando entra em cena, a partir do quinto número, para interpretar seis das 12 músicas do álbum Canção do amor demais (Festa, 1958), marco na carreira de Elizeth e na trajetória dos compositores cariocas Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) e Vinicius de Moraes (1913 - 1980). É que canções como Janelas abertas e Sem você são talhadas para o canto de Alaíde, que reitera sua maestria vocal ao introduzir a capella o samba Outra vez. De todo modo, os roteiristas e a diretora Duda Maia demoram a promover a interação entre as cantoras, que somente dividem o palco para valer a partir do sétimo dos dez medleys repartidos entre as intérpretes. Ainda assim, a união é pouco feliz, já que esse sétimo medley é dedicado a reviver o encontro de Elizeth com o cantor carioca Ciro Monteiro (1913 - 1973), perpetuado no álbum A bossa eterna de Elizeth e Ciro (Copacabana, 1966). É nesse disco que Elizeth e Ciro cantam as seis músicas reunidas no medley - Nega (Waldemar Gomes e Afonso Teixeira, 1966), Tem que rebolar (José Batista e Magno de Oliveira, 1954), O que é que eu dou? (Dorival Caymmi e Antônio Almeida, 1947), Eu sou manhosa (Vicente Paiva, 1966), Deixa andar (Jububa, 1966) e Já vai? (Rubens Campos e Duba, 1966) - com uma ginga e uma sintonia inexistentes no número protagonizado por Alaíde e Áurea com o cantor Vidal Assis, convidado do show. O trio cai no suingue de forma artificial, mas o erro é dos roteiristas, que deveriam ter atentado para o fato de que tal repertório pede intérpretes com manemolência escassa nas vozes de Alaíde e Áurea - como Elza Soares, para citar somente um exemplo de cantora bem mais vocacionada para dar voz e balanço a esse repertório. Com correção asséptica, Vidal sola em seguida Noturno em tempo de samba (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1944) antes de Hermínio entrar em cena para interpretar o choro Doce de coco (Jacob do Bandolim, 1951) com a letra que escreveu para Elizeth cantar em 1968. Dispensável, a entrada em cena de Hermínio tira o foco das cantoras. Na sequência, Rosa de ouro (Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1965) é a deixa - já na voz de Áurea - para sequência de sambas gravados pela Divina no antológico álbum Elizeth sobe o morro (Copacabana, 1965). Com a volta de Alaíde para o último número, Elizethíssima apresenta - enfim... - as músicas mais marcantes da trajetória de Elizeth Cardoso. Canção de amor (Chocolate e Eleno de Paula, 1950), Nossos momentos (Luís Reis e Haroldo Barbosa, 1960), Meiga presença (Paulo Valdez e Otávio de Moraes, 1966) e Apelo (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966) são pontos altos da discografia de Elizeth e do show, cujo roteiro infeliz - também prejudicado pelos textos de tom artificial sobre a homenageada - contribui para diluir o brilho do que, sim, poderia ser um espetáculo e um tributo antológicos.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Alaíde e Áurea celebram Elizeth através de Baden, Elton, Tom e Vinicius

♪ Se ainda fosse viva, a cantora carioca Elizeth Cardoso (1920 - 1990) teria completado 94 anos de vida ontem, 16 de julho de 2014. A data não é redonda, mas serviu de pretexto para que as cantoras Alaíde Costa e Áurea Martins - cariocas como a Divina - voltassem à cena do Rio de Janeiro (RJ) com o show Elizethíssima - Uma sincera homenagem a Elizeth Cardoso, apresentado ontem no Teatro Rival. Como o subtítulo do show já explicita, trata-se de tributo a Elizeth, cantora que gravou discos de 1950 aos anos 1980. Alternando-se em solos e duetos, Alaíde e Áurea celebraram Elizeth através de músicas de compositores com Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994), Baden Powell (1937 - 2000), Elton Medeiros e Vinicius de Moraes (1913 - 1990) - nomes recorrentes no roteiro assinado por Hermínio Bello de Carvalho com o pianista Zé Maria Rocha (músico que costuma dividir o palco com Áurea). Sob a direção de Duda Maia, as duas cantoras se revezam na interpretação de 32 músicas. Trinta são alocadas nos dez números das seguras cantoras - medleys, quase todos - que compõem o roteiro. As outras duas figuram no bis do show, que tem intervenções do cantor Vidal Assis e do próprio Hermínio Bello de Carvalho. Eis o roteiro seguido por Alaíde Costa e Áurea Martins - em foto de Mauro Ferreira - em 16 de julho de 2014 na apresentação do show Elizethíssima - Uma sincera homenagem a Elizeth Cardoso que contentou o público mais maduro que foi ao Teatro Rival:

1. Mundo melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes, 1962) /
    É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957)
2. Refém da solidão (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1970) /
    Deixa (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963) /
    Acontece (Cartola, 1972)
3. Complexo (Wilson Batista e Magno de Oliveira, 1949)
4. Notícia de jornal (Luís Reis e Haroldo Barbosa, 1961) /
    Malvadeza durão (Zé Kétti, 1965)
5. Estrada branca (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) /
    Janelas abertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) /
    Eu não existo sem você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) /
    Sem você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)
6. Outra vez (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) /
    Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) 
7. Nega (Waldemar Gomes e Afonso Teixeira, 1966) /
    Tem que rebolar (José Batista e Magno de Oliveira, 1954) /
    O que é que eu dou? (Dorival Caymmi e Antônio Almeida, 1947) /
    Eu sou manhosa (Vicente Paiva, 1966) /
    Deixa andar (Jububa, 1966) /
    Já vai? (Rubens Campos e Duba, 1966)
8. Noturno em tempo de samba (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1944) - solo de Vidal Assis
9. Doce de coco (Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) 
    - solo de Hermínio Bello de Carvalho /
    Rosa de ouro (Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1965)
10. Folhas no ar (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1965) /
      Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965) /
      A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha, 1957)
11. Canção de amor (Chocolate e Eleno de Paula, 1950) /
      Nossos momentos (Luís Reis e Haroldo Barbosa, 1960)
      Meiga presença (Paulo Valdez e Otávio de Moraes, 1966)
      Apelo (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966) /
      Se todos fossem iguais a você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1956) /
      Canção de amor (Chocolate e Eleno de Paula, 1950)
Bis:
12. Manhã de carnaval (Luiz Bonfá e Antônio Maria, 1959) /
13. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Áurea, a cantora que tirava Elizeth de casa, abrilhanta o show de Teresa

"A única cantora que fazia Elizeth sair de casa". Nem era preciso legitimar a presença de Áurea Martins em show em tributo a Elizeth Cardoso (1920 - 1990), mas a saudação de Teresa Cristina a Áurea - feita quando a veterana cantora carioca entrou no palco do Imperator, no Rio de Janeiro (RJ), para iniciar sua participação no show Elizeth Cardoso, a Divina - deu bem a dimensão da importância e da categoria vocal de Áurea Martins, cantora da noite carioca que várias vezes teve Elizeth Cardoso na sua plateia. Contudo, qualquer elogio se tornou merecido quando Áurea solou Janelas abertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958), Canção da volta (Antônio Maria e Ismael Neto, 1955) e Mundo melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes, 1962) no show dirigido por Marcio Debellian e apresentado na noite de ontem, 10 de outubro de 2013, para marcar a abertura, no Centro Cultural João Nogueira, de exposição sobre Elizeth. "Gente, essa mulher arrasa", reverenciou uma generosa, mas justa, Teresa Cristina após os três solos de Áurea. Mais tarde, já no fim do show, Áurea voltou à cena para dividir com a anfitriã a interpretação de sambas como É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957), Barracão (Luís Antonio e Oldemar Magalhães, 1953). No bis, duetos no samba Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) e no choro-canção Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, 1917 / 1937) reafirmaram a afinidade e a afinação das cantoras (em foto de Rodrigo Amaral). Antes, sob a segura direção musical de Paulão Sete Cordas, Teresa dera sua voz já maturada a músicas como Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965), samba que ganhou gravação de Elizeth quando Paulinho da Viola ainda dava seus primeiros passos profissionais na música. Eis o roteiro seguido por Teresa Cristina - com a participação de Áurea Martins - no show Elizeth Cardoso, a Divina:

1. Canção de amor (Elano de Paula e Chocolate, 1950)
2. O amor é assim (Sivan Castelo Neto, 1940)
3. A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha, 1957)
4. Luz negra (Nelson Cavaquinho e Irani Barros, 1964)
5. E daí? (Miguel Gustavo, 1959)
6. Pra machucar meu coração (Ary Barroso, 1943)
7. As praias desertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)
8. Medo de amar (Vinicius de Moraes, 1958)
9. Janelas abertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) - solo de Áurea Martins
10. Canção da volta (Antônio Maria e Ismael Neto, 1955) - solo de Áurea Martins
11. Mundo melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes, 1962) - solo de Áurea Martins
12. Águas do rio (Só resta saudade) (Anescarzinho do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira, 1965)
13. Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965)
14. Depois de tanto amor (Paulinho da Viola, 1966)
15. Sei lá, Mangueira (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1969)
16. Jamais (Jacob do Bandolim e Luiz Bittencourt, 1968)
17. Sim (Cartola e Oswaldo Martins, 1952)
18. Na cadência do samba (Ataulfo Alves e Paulo Gesta, 1962)
19. Camisa amarela (Ary Barroso, 1939)
20. É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957) - com Áurea Martins
21. Barracão (Luís Antonio e Oldemar Magalhães, 1953) - com Áurea Martins
Bis:
22. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) - com Áurea Martins
23. Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, 1917 / 1937) - com Áurea Martins

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A senhora cantora Áurea Martins ainda dá seu show em cena aos 72 anos

Resenha de show
Título: Iluminante 
Artista: Áurea Martins (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Teatro Rival (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 14 de agosto de 2012
Cotação: * * * *

"Sou apenas uma senhora que ainda canta", se autodefiniu Áurea Martins em determinando instante do show que fez no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 14 de agosto de 2012 para celebrar a chegada às lojas de seu primeiro DVD, Iluminante. A cantora carioca fazia alusão ao título de um disco de   Zezé Gonzaga (1926 - 2008), outra senhora cantora, influência assumida de Áurea ao lado da divina Elizeth Cardoso (1920 - 1990). Aos 72 anos, Áurea Martins ainda dá seu show em cena com a categoria vocal tarimbada na noite do Rio de Janeiro (RJ), onde exerceu dos anos 70 aos 90 o ofício de crooner de boates como a Drink, situada em Copacabana. Quem há de ousar negar tal nobreza quando ouve Áurea cantar a capella  no palco do Rival Pela Rua, a música de Ribamar (1919 - 1987) e Dolores Duran (1930 - 1959) que interpretou na final consagradora do programa de calouros A Grande Chance, levando a nota máxima do júri integrado por nomes como o maestro Erlon Chaves (1933 - 1974), o pianista Bené Nunes (1920 - 1997), o maestro Guerra-Peixe (1914 - 1993) e a cantora Maysa (1936 - 1977)? Quem há de questionar a destreza com que a senhora cantora encarou em cena, ao vivo, a artilharia verbal de Bala com Bala (João Bosco e Aldir Blanc, 1972), mesmo tendo tropeçado levemente ao fim do número dividido solitariamente com o baterista Cassius Theperson? A big-band que acompanha Áurea em cena, aliás, é uma senhora banda. Tal como no disco De Ponta Cabeça (2010), cujo repertório é rebobinado em excesso no DVD Iluminante, os arranjos do violonista Lucas Porto ajudam Áurea a suportar com classe em cena o calvário amoroso do produtor Hermínio Bello de Carvalho, letrista de todas as músicas magoadas do CD de 2010. Mesmo assim, é sintomático que os aplausos mais fortes do público tenham ido para números como Janelas Abertas (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), feito somente com a voz iluminada de Áurea e o piano preciso de Gabriel Geszti, e Maninha (Chico Buarque), o tema que Áurea tantas vezes cantou na noite com o pianista Zé Maria Rocha e que gravou com Chico Buarque no CD e DVD Iluminante. "Senti falta de um homem aqui comigo", avaliou Áurea ao fim de Maninha. Preciosismos de uma senhora cantora que gravou muito menos discos do que deveria ter gravado! É que a voz de Áurea Martins se basta.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

No caminho de Bibi, Áurea reproduz repertório de DVD em show no Rio

"Pensei que ia parar de cantar quando tivesse 50 anos. Mas acho que vou que nem a Bibi", gracejou Áurea Martins no palco do Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), onde apresentou na noite de 14 de agosto de 2012 o show de lançamento de seu primeiro DVD, Iluminante, recém-posto nas lojas pela gravadora Biscoito Fino. Aos 72 anos, a cantora carioca aludiu em seu comentário aos 90 anos completados pela atriz e cantora Bibi Ferreira em cena. A julgar pela categoria vocal com que interpretou no palco as músicas de seu DVD, Áurea Martins pode mesmo seguir o caminho de Bibi. Eis o roteiro seguido por Áurea - vista em foto de Mauro Ferreira - no show que deleitou o pequeno, mas embevecido, público que compareceu ao Teatro Rival para celebrar com a intérprete o lançamento de Iluminante em CD e DVD produzidos por Hermínio Bello de Carvalho, presente na plateia iluminada pelo canto da artista:

* Texto na voz em off de Fernanda Montenegro
1. Bola no Bola (Vital Assis e Hermínio Bello de Carvalho)
2. Sete Dias (Moacyr Luz e Hermínio Bello de Carvalho)
3. Acho Que É Você (Paulo Valdez e Hermínio Bello de Carvalho)
4. Era o Fim (Fernando Temporão e Hermínio Bello de Carvalho)
5. Cobras e Lagartos (Sueli Costa e Hermínio Bello de Carvalho)
6. Zoeira (Moacyr Luz e Hermínio Bello de Carvalho)
7. Quando o Amor Acaba (Moacyr Luz e Hermínio Bello de Carvalho) /
    Só o Amor Constrói (Moacyr Luz e Hermínio Bello de Carvalho)
8. Maninha (Chico Buarque)
9. Penúltimo Desejo (Vital Assis e Hermínio Bello de Carvalho)
10. Ilusão à Toa (Johnny Alf)
11. Pensando em Ti (Herivelto Martins e David Nasser)
12. Nada por Mim (Herbert Vianna e Paula Toller) /
      Baralho da Vida (Ulisses de Oliveira)
13. Janelas Abertas (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
14. Pela Rua (J. Ribamar e Dolores Duran)
15. Bala com Bala (João Bosco e Aldir Blanc)
16. Me Diz, Ó Deus (Moacyr Luz e Hermínio Bello de Carvalho)
Bis:
17. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho) 
18. Mas Quem Disse Que Eu te Esqueço (Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho)

DVD 'Iluminante' joga luz sobre a via-crúcis de Áurea Martins em cena

Resenha de CD e DVD
Título: Iluminante
Artista: Áurea Martins
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

Cantora carioca revelada em 1969 no programa de calouros A Grande Chance, comandado pelo apresentador Flávio Cavalcanti (1923 - 1986) na TV Tupi, Áurea Martins iniciou em 1972 carreira fonográfica que somente se tornaria regular a partir de 2008 com a edição pela gravadora Biscoito Fino de Até Sangrar, o terceiro álbum da intérprete, mas o primeiro a obter alguma visibilidade. Quarenta anos depois de sua estreia em disco, Áurea Martins - senhora cantora que se impôs pela categoria vocal na noite carioca enquanto as portas da indústria fonográfica estavam fechadas - tem lançado aos 72 anos, enfim, seu primeiro e merecido registro audiovisual em DVD, Iluminante. Editada também em CD pela gravadora Biscoito Fino neste mês de agosto de 2012, a gravação - feita em abril de 2011 como se fosse ao vivo, mas captada em estúdio, longe dos burburinhos das plateias de shows - se desvia da usual rota retrospectiva dos DVDs. Revisão que, no caso de Áurea, seria até oportuna pelo fato de os dois primeiros álbuns da cantora (O Amor em Paz e Áurea Martins, de 1972 e 2004, respectivamente) permanecerem desconhecidos do público. Contudo, o roteiro de Iluminante rebobina as mesmas músicas amarguradas da obra de Hermínio Bello de Carvalho às quais Áurea já dera voz em seu anterior projeto fonográfico, De Ponta Cabeça (2010). Neste disco, a cantora suportou com classe o calvário amoroso de Hermínio, amparada pelos vigorosos arranjos do violonista Lucas Porto. Em Iluminante, DVD que abre com texto narrado pela atriz Fernanda Montenegro sobre o canto da artista, Áurea refaz essa via-crúcis na solidão do estúdio - novamente conduzida pela firme direção musical de Lucas Porto - em roteiro que reitera a técnica e a categoria da intérprete. Os 10 primeiros números dos 15 que formam o roteiro expõem de novo o calvário romântico de Hermínio. Sintomaticamente, é quando que se desprega da cruz lhe imposta pelo cancioneiro do produtor que Áurea Martins mais se ilumina. A cantora percorre Pela Rua (J. Ribamar e Dolores Duran) a capella, se garante na velocidade do tiroteio verbal de Bala com Bala (João Bosco e Aldir Blanc), engata fraternal dueto com Chico Buarque em Maninha (Chico Buarque) e se ilumina com a luz de Janelas Abertas (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) no registro que une sua voz somente ao piano de Gabriel Geszti. Na costura de Ilusão à Toa (Johnny Alf) com Pensando em Ti (Herivelto Martins e David Nasser) e de Nada Por Mim (Herbert Vianna e Paula Toller) com Baralho da Vida (Ulisses de Oliveira), feitas originalmente no CD Até Sangrar, a banda de Áurea dá vez ao Terra Trio, o conjunto de Zé Maria Rocha (piano), Fernando Costa (contrabaixo) e Ricardo Costa (bateria) que tocou muito com Áurea nos bares, boates e bailes da vida. Nos extras, o registro de Embarcação (Chico Buarque e Francis Hime) - feito com o violão de Domingos Teixeira em tom mais informal, porém com o rigor estilístico que pauta as interpretações da cantora - mostra a bravura vocal de Áurea Martins, valente ao enfrentar há 40 anos a via-crúcis de todo artista que desafia as leis implacáveis do mercado fonográfico para defender sua integridade artística.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Áurea se emociona com a reverência de Moyseis Marques em show no Rio

♪ "Só quero dizer uma coisa: valeu a pena chegar até aqui!...", concluiu Áurea Martins, com a voz embargada, ao ver a plateia do Teatro Rival se levantar para aplaudir de pé sua especial participação na estreia nacional do show Pra desengomar, de Moyseis Marques. Áurea cantou com o anfitrião Como o cravo quer a rosa (Moyseis Marques), música feita pelo cantor e compositor mineiro (de criação carioca) em homenagem à voz desta senhora cantora carioca que já contabiliza 71 anos. Ao ser reverenciada por Marques antes mesmo de entrar em cena, Áurea se emocionou e chegou às lágrimas. A beleza de sua interpretação reiterou os elogios feitos por Marques. Baseado no terceiro homônimo disco do artista, de repertório inteiramente autoral, o show Pra desengomar estreou no Rio de Janeiro (RJ) na noite de 20 de março de 2012. Em abril, a turnê segue para Brasília (DF), Belo Horizonte (MG) e Belém (PA) - antes de voltar para o Rio de Janeiro.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Áurea Martins canta 'Maninha' com Chico Buarque em seu primeiro DVD

Aos 71 anos, Áurea Martins se prepara para lançar o primeiro registro audiovisual de carreira fonográfica iniciada em 1972 e que, quase 40 anos depois, contabiliza apenas quatro álbuns. Produzido pela gravadora Biscoito Fino em parceria com o Canal Brasil, o DVD Áurea Martins - Iluminante conta com a presença de Chico Buarque. A participação do compositor acontece em Maninha. Música de autoria de Chico, lançada em 1977, Maninha ganhou arranjo do violonista Lucas Porto. Em seu primeiro DVD, a excelente cantora carioca rebobina músicas dos repertórios de seus dois últimos CDs, Até Sangrar (2008) e De Ponta Cabeça (2010). Em 2012.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Senhora da voz, Áurea suporta com classe calvário amoroso de Hermínio

Resenha de CD
Título: De Ponta Cabeça
Artista: Áurea Martins
Gravadora: Biscoito Fino
Cotação: * * * *

Na escrita poética de Hermínio Bello de Carvalho, o amor é também veneno que corrói, como o compositor sentencia em verso de parceria com Moacyr Luz ironicamente intitulada Só o Amor Constrói e unida com outro tema de tom magoado, Quando o Amor Acaba (também da lavra de Luz e Hermínio), no quarto álbum de Áurea Martins, De Ponta Cabeça, inteiramente dedicado ao cancioneiro de Hermínio. Senhora cantora que completou 70 anos em 13 de junho de 2010, Áurea suporta com classe o calvário amoroso de Hermínio neste disco que roça a beleza do anterior Até Sangrar (2008). "Eu me algemei com as minhas próprias mãos / E meus pecados um a um paguei, já os purguei / Três mil punhais em mim cravei", canta Áurea num samba iluminado de Moacyr Luz, Me Diz, Ó Deus, mas nublado pelas sombras dos versos de Hermínio. "Cantar é a minha Via Crucis / Minha função peregrina / Nos versos carrego as cruzes / Que me couberam por sina", explicita Áurea nos versos finais de outro samba, Via Crucis (Vidal Assis, Lucas Porto e Hermínio Bello de Carvalho), deste disco que evoca a atmosfera noturna e sombria de Até Sangrar em temas como Era o Fim (Fernando Temporão e Hermínio Bello de Carvalho). Imerso nas trevas dos relacionamentos afetivos, De Ponta Cabeça somente abre frestas para a luz nos sambas Isso É que É Viver (Pixinguinha e Hermínio Bello de Carvalho) e Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho), raro sucesso do repertório, alocado no medley final com Mas Quem Disse que Eu te Esqueço? (Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho). Coube ao violonista Lucas Porto orquestrar esse mosaico de amarguras e ressentimentos com propriedade, mas sem o brilho do excepcional time de arranjadores do disco anterior da cantora (Terra Trio, Francis Hime, João de Aquino, João Donato, Cristóvão Bastos e o pianista Zé-Maria Rocha).  Nesse pesado calvário, Áurea Martins solta Cobras e Lagartos (Sueli Costa e Hermínio Bello de Carvalho), expõe ressentimentos em Desapreço (Cláudio Jorge e Hermínio Bello de Carvalho), destila mágoas em Acho que É Você (Paulo Vak e Hermínio Bello de Carvalho) - canção abolerada de toques ruralistas - e entra no clima esfumaçado das boates no samba Sete Dias (Moacyr Luz e Hermínio Bello de Carvalho). Tal peso, contudo, é aliviado momentaneamente em Bola no Bola (Vidal Assis e Hermínio Bello de Carvalho), samba com clima de gafieira que pedia sopros no arranjo. Breve momento de leveza, Bola no Bola permite que Áurea mostre suingue que, aliado às perfeitas emissão e afinação de sua voz, reafirma a categoria dessa grande cantora que, como afirma Aldir Blanc em texto escrito para o encarte desse amargurado CD De Ponta Cabeça, não merecia permanecer em ostracismo cruel. Pena que a edição deste quarto álbum de Áurea Martins pela Biscoito Fino já não tenha o poder de aliviar o injusto calvário da senhora cantora.