Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Caetano discorre sobre o álbum em que Teresa Cristina canta (bem) Cartola

Caetano Veloso esteve presente na estreia do show Teresa Cristina canta Cartola - Um poeta de Mangueira, em 16 de novembro de 2015, no Theatro Net Rio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Na ocasião, o show da cantora carioca foi gravado ao vivo pela empresa Uns Produções para possibilitar a edição do disco lançado neste mês de janeiro de 2016 somente em edição digital. É do cantor, compositor e músico baiano o texto que apresenta o álbum ao vivo Teresa Cristina canta Cartola.  O artista contextualiza a presença de Teresa no samba.  Com a palavra, Caetano Veloso:

"Teresa Cristina surgiu, junto ao Grupo Semente, como uma autoridade natural do mundo do samba. Toda sua dignidade pessoal potencializava a dignidade social que o samba ganhou ao longo de sua história. Era como se esse ritmo, visto em seus começos como uma ameaça à sociedade - que decidia botar a polícia contra sua prática - tivesse galgado a escala e, passando de Donga a Noel (Rosa), de Ary (Barroso) a Zé Kétti, de Aracy (de Almeida) a Elza (Soares), tivesse chegado, com Teresa, a um grau definitivo de respeitabilidade. E parado ali. O CD duplo com canções de Paulinho da Viola registrava essa estação. Mas o show que vimos no Theatro Net Rio foi muito além disso. Teresa apresentou uma gama de tons e sentimentos diferenciados, a variedade refletindo o conhecimento de música popular que ela guarda desde a meninice. 

Fiquei impressionado com a cultura musical de Teresa quando a convidei para participar de um dos shows da série Obra em progresso, durante a feitura do CD Zii e Zie: ela sabia todas as minhas canções, me reensinando as que eu tivesse esquecido. Depois vi que ela conhecia igualmente a obra de Roberto Carlos, e de Cazuza, e de Supertramp e de quem mais você pensar. No show que ela fez com a banda Os Outros, com canções de Roberto, ela mantinha a segurança que apresentava nas interpretações de sambas. Mas não parecia ainda sair de uma zona protegida. Agora, com as canções de Cartola, é uma artista cheia de nuances que aparece. Sua elegância em cena, a propriedade espontânea de cada gesto, o humor, a riqueza de colorido em sua afinação segura, tudo revela uma cantora-criadora, uma artista da canção. Os sambas de Cartola surgem mais precisos e mais tocantes do que nunca. O show é uma antologia composta por uma especialista superior. 

A adequação do canto de Teresa ao violão de Carlinhos Sete Cordas é mais do que perfeita. É mágica. Carlinhos é um instrumentista esplêndido, a limpidez de seu toque vem da intimidade com tudo o que aconteceu com o samba desde o começo do século 20. Estão ali os primeiros batuques, o brilho dos virtuoses, as condensações harmônicas da bossa nova. Mais: nele se percebe o samba enriquecendo a música em sua totalidade histórica. A tranquilidade com que cada acorde escolhido sugere a entrada da voz de Teresa refina a alma do ouvinte. E Teresa cresce a cada melodia, a cada palavra, a cada segundo. Todos os brasileiros deveriam ver e ouvir o que se passou no Theatro Net Rio naquela noite." Caetano Veloso

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Teresa abre parcerias com Calcanhotto e Mosquito em álbum - todo - autoral

Mosquito - nome artístico do cantor e compositor carioca Pedro Assad Medeiros Torres - é o mais novo parceiro de Teresa Cristina. A cantora e compositora carioca - em foto extraída de perfil da artista no Facebook - se prepara para gravar álbum de repertório inteiramente autoral neste ano de 2016. Além da música composta com Mosquito (artista do elenco da Uns Produções, empresa que também gerencia a carreira de Teresa), o repertório vai apresentar as primeiras parcerias da artista com Adriana Calcanhotto e Marisa Monte. O disco deve ser lançado ainda neste ano de 2016.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Teresa Cristina canta Cartola com a melancolia entranhada na alma do poeta

Resenha de álbum
Título: Teresa Cristina canta Cartola
Artista: Teresa Cristina
Gravadora: Uns Produções
Cotação: * * * *

Apresentada ao mercado fonográfico brasileiro há 14 anos com o songbook duplo A música de Paulinho da Viola (Deckdisc, 2002), Teresa Cristina volta a dedicar disco a outro bamba do samba. A cantora carioca chegou a fazer show com a obra de Candeia (1935 - 1978), mas o show que sai em disco - disponível somente em edição digital a partir de hoje, 15 de janeiro de 2016 - é o registro ao vivo do show em que Teresa canta Cartola (1908 - 1980), o poeta de Mangueira, fino estilista do samba com composições de alta costura melódica e lírica. Teresa canta bem Cartola porque há uma melancolia entranhada tanto na voz da cantora quanto na obra do compositor. Mesmo quando vislumbrava beleza, como nos versos de Ao amanhecer (Cartola, 1968),  rara - e bela - música mais obscura em repertório pautado por sucessos do compositor, o poeta deixava transparecer uma tristeza na melodia e na alma. Talvez por isso Teresa cante Cartola com tanta precisão. Infelizmente preservadas na mixagem do disco ao vivo, as palmas do público são o único elemento que interfere na atmosfera perfeita de uma gravação valorizada pelo toque virtuoso do violão de Carlinhos Sete Cordas. Evocando tanto o violão natural tocado por Cartola quanto o violão magistral de Raphael Rabello (1962 - 1995), as sete cordas de Carlinhos armam a cama para Teresa deitar e rolar em melodias pouco cantadas como Vai amigo (Cartola, 1968) e também nos clássicos como O mundo é um moinho (Cartola, 1976). Musicalmente, o disco é perfeito. Os problemas estão na edição da gravação ao vivo feita em 16 de novembro de 2015 em apresentações do show no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal do compositor e da cantora. Além das palmas (incômodas em disco ao vivo que não pede o calor da plateia, com evidente exceção do coro feito espontaneamente pelo público em As rosas não falam, pérola de 1976), as falas da cantora foram (mal) editadas. Deveriam ter sido integralmente suprimidas ou, então, inteiramente preservadas. Do jeito que o disco chegou ao iTunes e às plataformas de streaming, o ouvinte menos informado sobre a obra de Cartola fica sem entender que três músicas de criação alheia - Pranto de poeta (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1957), Preciso me encontrar (Candeia, 1976) e Senhora tentação (Meu drama) (Silas de Oliveira e Joaquim Ilarindo, 1967) - estão no roteiro porque são músicas que ganharam a voz rústica e profunda de Cartola. Descontadas tais questões, a música de Cartola encontra em Teresa Cristina uma intérprete ideal, afinada com a fina melancolia que pauta obras-primas como Peito vazio (Cartola e Elton Medeiros, 1976). Em tom tradicional, a cantora dá voz reverente a joias raras como Amor proibido (Toda culpa) (Cartola, 1965), Corra e olhe o céu (Cartola, 1974), Sim (Cartola e Osvaldo Martins, 1952) e Tive sim (Cartola, 1968), se juntando a um primeiro time de intérpretes do poeta que inclui Ney Matogrosso e, claro, Beth Carvalho, voz mais associada à obra de Cartola, ora (tão bem) cantada por Teresa Cristina em belo disco ao vivo.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Disco em que Teresa canta Cartola alinha 15 músicas do poeta de Mangueira

Com lançamento programado pela Uns Produções para a próxima sexta-feira, 15 de janeiro de 2016, o álbum ao vivo Teresa Cristina canta Cartola alinha 15 músicas do compositor carioca entre as 18 composições do disco gravado em 16 de novembro de 2015 em apresentação do show da cantora carioca no Theatro Net Rio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). As três criações alheias - Pranto de poeta (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1957), Preciso me encontrar (Candeia, 1976) e Senhora tentação (Meu drama) (Silas de Oliveira e Joaquim Ilarindo, 1967) - tiveram registros fonográficos do poeta de Mangueira. No disco originado do show gravado ao vivo, Teresa dá voz a Cartola com o toque magistral do violão de Carlinhos Sete Cordas. Eis, na disposição do disco ao vivo, as 18 músicas de Teresa Cristina canta Cartola, álbum já em pré-venda no iTunes:

1. O mundo é um moinho (Cartola, 1976)
2. Corra e olhe o céu (Cartola, 1974)
3. Alvorada (Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
4. Ao amanhecer (Cartola, 1968)
5. Disfarça e chora (Cartola, 1974)
6. Vai amigo (Cartola, 1968)
7. Pranto de poeta (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1957)
8. Preciso me encontrar (Candeia, 1976)
9. Senhora tentação (Meu drama) (Silas de Oliveira e Joaquim Ilarindo, 1967)
10. Evite meu amor (Cartola, 1979)
11. Amor proibido (Cartola, 1965)
12. Tive sim (Cartola, 1968)
13. Sim (Cartola e Osvaldo Martins, 1952)
14. Acontece (Cartola, 1972)
15. Peito vazio (Cartola e Elton Medeiros, 1976)
16. Sala de recepção (Cartola, 1976)
17. As rosas não falam (Cartola, 1976)
18. O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Teresa Cristina tem parceria com Marisa Monte para próximo CD de inéditas

Teresa Cristina vai gravar um álbum de inéditas na sequência (não imediata) do lançamento - programado para 15 de janeiro de 2016 - do disco ao vivo que registra o show em que a cantora carioca dá voz a músicas do compositor Cartola (1908 - 1980). Uma das músicas do oportuno disco de inéditas é a primeira parceria de Teresa  - em foto postada no Instagram -  com Marisa Monte.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Teresa lança disco ao vivo em que canta Cartola com Carlinhos Sete Cordas

Teresa Cristina vai lançar neste mês de janeiro de 2016 o álbum ao vivo em que canta somente músicas do compositor carioca Cartola (1908 - 1980) com o toque do violão de Carlinhos Sete Cordas. Precedido pelo single Corra e olhe o céu (Cartola, 1974), lançado em 18 de dezembro de 2015, o disco ao vivo Teresa Cristina canta Cartola - Um poeta de Mangueira tem lançamento programado nas plataformas digitais para 15 de janeiro de 2016. O álbum traz o registro ao vivo do (bonito) show gravado em 16 de novembro de 2015 no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ).

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Show em que Teresa Cristina dá voz a Cartola origina disco ao vivo em 2016

Teresa Cristina vai voltar ao mercado fonográfico no primeiro semestre de 2016. Sem lançar disco desde 2012, ano em que a gravadora Deck editou CD em que a artista carioca aborda o repertório de Roberto Carlos com o toque do grupo carioca Os Outros, a cantora e compositora vai lançar disco com a gravação ao vivo do recém-estreado show Teresa Cristina canta Cartola  Um poeta de Mangueira. Primeiro produto de Teresa viabilizado pela empresa Uns Produções, o registro do show foi feito em 16 de novembro de 2015 na estreia nacional do recital no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ). No show, Teresa  em foto de Rodrigo Goffredo  canta 19 músicas do compositor carioca  somente com o toque magistral do violão de Carlinhos Sete Cordas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Ao cantar (bem) Cartola, Teresa expõe lirismos, cinismos e mágoas do poeta

Resenha de show
Título: Teresa Cristina canta Cartola Um poeta de Mangueira
Artista: Teresa Cristina (em foto de Rodrigo Goffredo)

Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 16 de novembro de 2015  Sessão das 19h
Cotação: * * * *

Além da elegante arquitetura melódica, a obra do compositor Angenor Oliveira (1908 - 1980), o Cartola, embute em seus versos gama de sentimentos que, embora expostos com lirismo e poesia, projetam mágoas, tristezas, solidões e cinismos provocados pelo amor. Aliás, pela falta de amor. Teresa Cristina – cantora carioca que vem se impondo como uma das melhores intérpretes do Brasil – traduz em seu canto todos os matizes do repertório do compositor carioca no show Teresa Cristina canta Cartola  Um poeta de Mangueira. Motivado por participação da artista em evento do Real Gabinete Português de Leitura, instituição carioca em cuja solenidade Teresa deu voz a músicas de Cartola, o inédito show estreou na cidade natal do compositor, o Rio de Janeiro (RJ), em duas sessões que encheram as cadeiras do Theatro Net Rio na noite de 16 de novembro de 2015. Na primeira sessão, a das 19h, Teresa demonstrou certo nervosismo, contou ter bebido além da conta para relaxar e, em alguns momentos, foi atrapalhada por sua tensão - responsável, por exemplo, pelo branco da cantora em dois versos de Vai amigo (Cartola, 1968), samba menos ouvido do poeta de Mangueira que a portelense Teresa conheceu através de disco de Paulinho da Viola, compositor carioca (e também ilustre portelense) que descende da linhagem nobre de Cartola. Descontados estes breves tropeços, desculpáveis e compreensíveis numa estreia nacional, Teresa se confirmou grande intérprete ao cantar divinamente o repertório de Cartola. Mesmo que seja assumida portelense, Teresa pisou com propriedade em território que, afinal, é comum a todos que comungam do gosto pelo melhor samba produzido nos morros e no asfalto da cidade do Rio de Janeiro, berço de Mangueira, cujo seminal samba-enredo Chega de demanda – composto por Cartola para o Carnaval de 1929 – abriu o show de início a capella, com Teresa entrando no palco do Theatro Net Rio, onde já estava posicionado o (excepcional) violonista Carlinhos Sete Cordas, e soltando a voz sem microfone nesta que é uma das primeiras músicas da obra de Cartola. Sozinha com o toque das sete cordas de Carlinhos, Teresa cantou Cartola com toda a emoção e toda a melancolia que sai naturalmente de seu canto. A abordagem de O mundo é um moinho (Cartola, 1976) por Teresa se alinhou com os melhores registros dessa obra-prima do cancioneiro do compositor. Mesmo quando procura olhar o mundo com otimismo, como na solar Corra e olhe o céu (Cartola, 1974), o poeta deixa entrever certa tristeza com os rumos da vida. Por isso, o canto de Teresa se ajustou tão bem ao repertório de Cartola. O poeta tinha a voz do lamento, aliviado com a chegada da aurora em Disfarça e chora (Cartola, 1974) ou mesmo escondido quando chega o alvorecer da iluminada O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964). As próprias escolhas de Cartola como intérprete – e Teresa dá três belos exemplos no roteiro – ratificam o tom geralmente melancólico da obra lírica do poeta. Pranto de poeta (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1957) e Preciso me encontrar (Candeia, 1976), para citar os dois melhores exemplos do roteiro, são sambas tristes que se parecem tanto com as músicas de Cartola que, na voz dele, soam mesmo como se fossem da lavra elegante do poeta. Título mais obscuro do roteiro, Evite meu amor (Cartola, 1979) soa como (mais uma) prova da afinidade da cantora com a obra do compositor. Teresa brilha ao realçar o cinismo cruel de Tive sim (Cartola, 1968), o drama existencial de Sim (Cartola e Osvaldo Martins, 1952) – música cantada com especial energia – e a súplica fria de Acontece (Cartola, 1972), um dos pontos mais altos do show pela emoção da intérprete e pela beleza da música. Em Peito vazio (Cartola e Elton Medeiros), número adornado pelo toque seresteiro do violão de Carlinhos Sete Cordas, Teresa Cristina soou até teatral, acentuando com gestos o significado dos versos desse samba embebido em triste solidão. No fim, Sala de recepção (Cartola, 1976) fechou o show em grande estilo. Se Teresa Cristina dosasse suas falas espirituosas, o show – já em si sedutor – seria ainda melhor, pois os comentários da cantora quebraram o clima de emoção do recital, cujo bis exalou o lirismo de As rosas não falam (Cartola, 1976) e a esperança que ilumina a já mencionada O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964). Enfim, mesmo um pouco alta, Teresa Cristina cantou Cartola com toda beleza sublime que há na obra triste do poeta.

Teresa canta a poesia de Cartola com o toque das sete cordas de Carlinhos

Carlos Moraes dos Santos é mineiro de Leopoldina (MG), mas, pelas sete cordas de seu violão, o virtuoso músico evoca as tradições do samba e do choro cultivados nos melhores quintais cariocas. Por isso mesmo, Carlinhos Sete Cordas foi o músico ideal para acompanhar Teresa Cristina na bela incursão da cantora carioca Teresa Cristina pelo repertório do compositor carioca Angenor de Oliveira (1908 - 1980), o Cartola. Motivado por participação da artista em evento no Real Gabinete Português de Leitura, instituição carioca em cuja solenidade a intérprete deu voz a músicas do autor de As rosas não falam (1976), o inédito show Teresa Cristina canta Cartola  Um poeta de Mangueira estreou no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal de Cartola, na última segunda-feira, 16 de novembro de 2015, em duas sessões (às 19h e às 21h) que encheram o Theatro Net Rio. Além dos clássicos do repertório de Cartola, como Acontece (1972) e O mundo é um moinho (1976), Teresa cantou músicas menos ouvidas e gravadas do poeta, caso de Vai amigo, samba lançado em disco, em 1968, por Paulinho da Viola, compositor cuja obra já foi cantada por Teresa em álbum duplo que marcou a estreia da cantora no mercado fonográfico, em 2002. "De certa forma, eu canto Paulinho novamente ao cantar Cartola, pois Cartola foi o ídolo dele e Paulinho é meu ídolo", contextualizou a cantora. Eis o roteiro seguido em 16 de novembro de 2015 por Teresa Cristina e Carlinhos Sete Cordas  vistos em foto de Rodrigo Goffredo  na estreia nacional do lírico recital Teresa Cristina canta Cartola  Um poeta de Mangueira no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro:

1. Chega de demanda (Cartola, 1929 / Lançamento em disco em 1975)
2. O mundo é um moinho (Cartola, 1976)
3. Corra e olhe o céu (Cartola, 1974)
4. Alvorada (Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
5. Ao amanhecer (Cartola, 1968)
6. Disfarça e chora (Cartola, 1974)
7. Vai amigo (Cartola, 1968)
8. Pranto de poeta (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, 1957)
9. Preciso me encontrar (Candeia, 1976)
10. Meu drama (Senhora tentação) (Silas de Oliveira e Joaquim Ilarindo, 1967)
11. Evite meu amor (Cartola, 1979)
12. Amor proibido (Cartola, 1965)
13. Tive sim (Cartola, 1968)
14. Sim (Cartola e Osvaldo Martins, 1952)
15. Acontece (Cartola, 1972)
16. Peito vazio (Cartola e Elton Medeiros, 1976)
17. Sala de recepção (Cartola, 1976)
Bis:
18. As rosas não falam (Cartola, 1976)
19. O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Documentário sobre bar da Lapa origina DVD com gravações com Teresa

Símbolo da propagação das novas vozes do samba que ecoaram na Lapa a partir do fim da década de 1990, o bar Semente - aberto em 1998 no boêmio bairro do Centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ) - ganha documentário sobre sua importância na cena musical carioca. Filmado sob a direção de Patrícia Terra, com direção musical de Yamandu Costa, o ainda inédito documentário vai gerar também DVD com números musicais filmados especialmente para a produção. Luis Filipe de Lima, Rafael Mallmith e Zé Paulo Becker são os diretores musicais dos números filmados com nomes como Casuarina, Marcos Sacramento, Pedro Miranda, Roberta Sá e Teresa Cristina (foto), cantora muito identificada com o bar por ter iniciado sua carreira ao lado do Grupo Semente - assim batizado por ter dado seus primeiros passos profissionais no Semente. Intitulado Geração Semente, o DVD tem lançamento previsto, via Canal Brasil, para este primeiro semestre de 2015.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Com os pés no chão, Teresa canta Candeia no Rio sob a luz da inspiração

Resenha de show
Título: Teresa Cristina canta Candeia
Artista: Teresa Cristina (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 5 de novembro de 2013
Cotação: * * * *

Anunciado por Teresa Cristina em 2011, o projeto de dedicar um disco aos sambas do compositor carioca Antonio Candeia Filho (17 de agosto de 1935 - 16 de novembro de 1978) começou a ganhar forma concreta no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 5 de novembro de 2013, com a estreia nacional do show Teresa Cristina canta Candeia.  Parafraseando versos de Nova escola (Candeia, 1977), primeira das 31 músicas do roteiro, foi com o coração e com os pés literalmente no chão do palco do Theatro Net Rio que a cantora e compositora carioca reverenciou seu antepassado musical sob a luz da inspiração e sob a direção musical de Paulo Sete Cordas. Sem inventar moda que poderia tirar o foco da gênese da obra de Candeia, Teresa mostrou as várias faces do repertório deste compositor politizado cujo cancioneiro exalou orgulho negro, denunciou injustiças sociais, celebrou o próprio samba e falou de amor com lirismo, atravessando gerações como um dos mais valiosos tesouros do samba. Em vez de enfileirar sucessos, a cantora se permitiu até ignorar alguns deles - como Amor não é brinquedo (Candeia e Martinho da Vila, 1978), Filosofia do samba (Candeia, 1971) e Pintura sem arte (Candeia, 1978) - para dar voz a pérolas pescadas no baú. Somente os mais fervorosos admiradores de Candeia conheciam, por exemplo, o magoado samba Foi ela (Candeia, 1966), gravado pelo compositor em já raríssimo disco feito como integrante do grupo Os Mensageiros do Samba. Na companhia de oito músicos e de três vocalistas, que em sambas como Luz da inspiração (1975) remeteram ao canto d'As Gatas (grupo feminino bastante recrutado na década de 70 para gravar vocais em discos de samba), Teresa saudou Clara Nunes (1942 - 1983) - cantora mineira que lançou Anjo moreno (Candeia) em disco de 1972 - e celebrou a escola de samba Portela em bloco que aglutinou temas como Vem pra Portela (samba de Candeia e Coringa que somente em 1998 ganhou registro em disco), Samba na tendinha (Candeia, 1971) e Já clareou (Dewett Cardoso, 1975), capazes de animar qualquer quadra ou terreiro. Já a nostalgia contida no samba intitulado justamente Saudade (Candeia e Arthur Poener, 1972) exemplifica o lirismo que pautou boa parte da obra de Candeia em harmonia com uma consciência social que pregava a força da raça além do Carnaval (Dia de graça, Candeia, 1969) ao mesmo tempo em que denunciava crises sócio-econômicas em sambas como O invocado, que, embora seja da lavra de Otto Enrique Trepte, o Casquinha, ganhou a voz engajada de Candeia no antológico álbum Axé! Gente amiga do samba (1978). Teresa harmoniza todas essas faces da obra de Candeia sem sair do seu tom - o que torna o show linear lá pelo meio, quando entram em cena os sambas Sorriso antigo (Candeia e Aldecy, 1970) - mais associado ao cantor paulista Noite Ilustrada (1928 - 2003) do que ao próprio Candeia - e Me alucina (Candeia e Wilson Moreira, 1977). Mais festivas, Vai pro lado de lá (Candeia e Euclenes Rosa, 1971), Lá vai viola (Candeia, 1972) e Peixeiro grã-fino (Candeia e Bretas, 1978) animam a cena e lembram no roteiro o fato de Candeia ter sido partideiro de altíssimo poder de improviso, um batuqueiro capaz de compor afro-sambas como Zé Tambozeiro (Tambor de Angola) - parceria com Candinho, de 1978 - e um jongo vivaz como Sinhá dona da casa (Candeia e Celso Cardoso, 1974), um dos pontos altos do show e veículo para apresentação da banda formada por virtuoses como o cavaquinista João Calado e o percussionista Mestre Trambique. No fim, antes do bis em que Teresa e músicos fizeram O mar serenou (Candeia, 1975) de improviso, Testamento de partideiro (Candeia, 1975) ratificou a certeza de que Teresa Cristina é legítima herdeira do legado de Antonio Candeia Filho, ainda que a cantora já mostre - em shows e discos feitos sob a mesma luz da inspiração que a ilumina na ode a Candeia - que o seu universo musical já extrapola o terreirão do samba.

Teresa é mensageira da paz do samba social de Candeia em show no Rio

Antes de cantar Camafeu, samba que o compositor Martinho da Vila lançou em LP de 1971 e que Antonio Candeia Filho (17 de agosto de 1935 - 16 de novembro de 1978) regravou em 1975 em disco voltado para o samba de roda, Teresa Cristina fez questão de dizer ao seu pai - Seu Lula, presente na plateia do Theatro Net Rio na noite de ontem, 5 de novembro de 2013 - que, sim, sempre gostou da obra de Candeia, um dos pilares do samba. É que - como a cantora carioca acabara de contara ao público que assistiu à estreia nacional do show Teresa Cristina canta Candeia no Rio de Janeiro (RJ) - a artista tomou contato com a obra de Candeia através de seu pai numa época em que, adolescente, fingia que não gostava de ouvir os sambas do compositor carioca, elegendo os hits da disco music como a trilha sonora de seus embalos noturnos da década de 70. Decorridos cerca de 35 anos, Teresa - já com 15 anos de carreira e já reconhecida como uma das vozes do samba - celebra o legado de Candeia em show que dá origem ao seu projeto fonográfico de dedicar um disco, previsto para 204, aos sambas do compositor. "Esperei 15 anos para fazer esse show", contabilizou a cantora já no fim do roteiro em que foi a mensageira da paz do samba social de Candeia, dando voz a raridades da musicografia do compositor - como o magoado samba Foi ela, registrado por Candeia em 1966 no raríssimo disco que gravou com o grupo Os Mensageiros do Samba - e a sucessos como Preciso me encontrar (1976) sob a direção musical de Paulão Sete Cordas, maestro dos oito músicos e das três vocalistas. Eis o (nada óbvio) roteiro seguido pela cantora - em foto de Rodrigo Amaral - em 5 de novembro de 2013 na estreia nacional de Teresa Cristina canta Candeia, excelente show encerrado com improvisação de O mar serenou (Candeia, 1975), sucesso de Clara Nunes (1942 - 1983), cantora que deu sua voz luminosa a vários sambas de Antonio Candeia Filho, um partideiro de alta patente na hierarquia do samba:

1. Nova escola (Candeia, 1977)
2. Luz da inspiração (Candeia, 1975)
3. Anjo moreno (Candeia, 1971)
4. De qualquer maneira (Candeia, 1971)
5. Saudade (Candeia e Arthur Poerner, 1972)
6. Foi ela (Candeia, 1966) /
7. Lenço Branco (Claudemiro José Rodrigues, o Picolino da Portela, 1966)
    - Samba gravado por Candeia no LP do grupo Os Mensageiros do Samba
8. Esta melodia (Bubu da Portela e Jamelão, 1959)
    - Samba gravado por Candeia no LP do grupo Os Mensageiros do Samba
9. Vem pra Portela (Candeia e Coringa, 1998) /
    - Samba gravado pela primeira vez em disco no tributo Candeia - Eterna chama (1998)
10. Samba na tendinha (Candeia, 1971)
11. Já clareou (Dewett Cardoso, 1975)
    - Samba gravado por Candeia no disco Candeia, samba de rosa (1975)
12. Meu trabalho (Alvaiade e Alberto Maia, 1947) /
13. O invocado (Casquinha, 1978) /
      - Samba gravado por Candeia no disco Axé! Gente amiga do samba (1978)
14. Dia a dia (Candeia e Jaime R. F. dos Santos, 1980)
15. Vai pro lado de lá (Candeia e Euclenes Rosa, 1971)
16. Lá vai viola (Candeia, 1972)
17. A paz do coração (Candeia e Casquinha, 1970)
18. Tantos recados (Candeia e Casquinha, 2001)
      - Samba gravado pela primeira vez em disco no álbum Casquinha da Portela (2001)
19. Sorriso antigo (Candeia e Aldecy, 1970)
20. Me alucina (Candeia e Wilson Moreira, 1977)
21. Zé Tambozeiro (Candeia e Vandinho, 1978)
22. Camafeu (Martinho da Vila, 1971)
      - Samba gravado por Candeia no disco Candeia, samba de roda (1975)
23. Sinhá dona da casa (Candeia e Celso Cardoso, 1974)
24. Gamação (Candeia, 1978)
25. Peixeiro grã-fino (Candeia e Bretas, 1978)
26. Ouço uma voz (Candeia e Nelson Amorim, 1978)
27. Vem amenizar (Candeia e Waldir 59, 1978)
28. Testamento de partideiro (Candeia, 1975)
Bis:
29. Preciso me encontrar (Candeia, 1976)
30. Dia de graça (Candeia, 1969)
31. O mar serenou (Candeia, 1975)

sábado, 26 de outubro de 2013

'Candeeiro' de Teresa acende roteiro em que Simone canta Luli & Lucina

Fiel à ideologia de seu recém-lançado álbum É melhor ser (Biscoito Fino, 2013), centrado em composições de mulheres, Simone construiu o roteiro do show É melhor ser sem abrir mão da presença feminina na autoria (ou coautoria) de todas as 21 músicas do espetáculo dirigido pela atriz Christiane Torloni. Afro-samba lançado por Teresa Cristina em seu segundo álbum, A vida me fez assim (Deck, 2004), Candeeiro é uma das músicas do show que extrapolam o repertório do disco gravado pela cantora sob a produção musical de Bia Paes Leme e com arranjos do pianista Leandro Braga. Candeeiro iluminou roteiro em que Simone também dá voz a músicas de Luli & Lucina - Primeira estrela, parceria das compositoras como Sônia Prazeres lançada por Nana Caymmi no álbum ...E a gente nem deu nome (EMI Odeon, 1981) - e Dolores Duran (1930 - 1959), lembrada no bis com sua bela canção A noite do meu bem, lançada em 1959 na voz da própria Dolores. Outra boa surpresa foi Canteiros (1973), música composta por Raimundo Fagner com base em versos da poeta Cecília Meireles (1901 - 1964). Embora celebre os 40 anos de carreira da Cigarra, assim como o disco que lhe deu origem, o show É melhor ser foge da linha retrospectiva, gravitando em torno do CD. Eis o roteiro seguido por Simone - em foto de Rodrigo Amaral - na estreia nacional da turnê do show É melhor ser no Teatro Oi Casa Grande, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 25 de outubro de 2013:

1. A propósito (Simone sobre bilhete de Fernanda Montenegro, 2013) - em off
2. Mulher o suficiente (Alzira Espíndola e Vera Lúcia Motta, 1995)
3. Aquele plano para me esquecer (Adriana Calcanhotto, 2011)
4. Descaminhos (Joanna e Sarah Benchimol, 1979)
5. Trégua suspensa (Teresa Cristina e Lula Queiroga, 2010)
6. Só se for (Simone e Zélia Duncan, 2013)
7. Haicai (Fátima Guedes, 2013)
    - com citações de Vai lavar siri (tema de domínio público adaptado por Simone), Não chora, neném (Ivone Lara, 1979) e
      Tiê (Ivone Lara, Mestre Fuleiro e Tio Hélio, 1933)
8. Candeeiro (Teresa Cristina, 2004)
9. Canteiros (Fagner sobre poema de Cecília Meireles, 1973)
10. O tom do amor (Moska e Zélia Duncan, 2010)
11. Outra vez (Isolda, 1977)
12. Só nos resta viver (Angela Ro Ro, 1980)
13. Acreditar (Ivone Lara e Délcio Carvalho, 1976)
14. Mutante (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1981)
15. Charme do mundo (Marina Lima e Antonio Cícero, 1981)
16. Primeira estrela (Luli, Lucina e Sônia Prazeres, 1981)
17. Vida de artista (Sueli Costa e Abel Silva, 1978) /
18. Jura secreta (Sueli Costa e Abel Silva, 1977)
19. Os medos (Joyce Moreno e Rodolfo Stroeter, 2004)
*    Jura secreta (Sueli Costa e Abel Silva, 1977) - prefixo      
Bis:
20. A noite do meu bem (Dolores Duran, 1959)
21. Alma (Sueli Costa e Abel Silva, 1982)

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Com elegância e emoção, Teresa honra Elizeth em (divino) show no Rio

Resenha de show
Título: Elizeth Cardoso, a Divina
Artista: Teresa Cristina (em foto de Rodrigo Amaral)
Participação: Áurea Martins
Local: Imperator - Centro Cultural João Nogueira (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 10 de outubro de 2011
Cotação: * * * * 1/2

"Em homenagem a Elizeth, não vou tirar minha sandália até o final do show. Vou ficar elegante até o fim", gracejou Teresa Cristina após cantar E daí?, samba-canção do compositor carioca Miguel Gustavo (1922 - 1972) lançado em 1959 na voz referencial da cantora carioca Elizeth Cardoso (1920 - 1990). Sim, Teresa Cristina - cantora carioca fã de Iron Maiden que já se desprendeu do rótulo de sambista (redutor, em seu caso) - permaneceu elegante do primeiro ao último dos 23 números do show Elizeth Cardoso, a Divina, apresentado no Imperator - Centro Cultural João Nogueira, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 10 de outubro de 2013. E a elegância veio tanto do belo figurino de gala quanto do canto já maturado de Teresa. Já no primeiro número - Canção de amor (Elano de Paula e Chocolate, 1950), carro-chefe e marco inicial do repertório de Elizeth - ficou evidente o requinte do canto de Teresa em registro de início sublinhado somente pelo acordeom de Kiko Horta. Sob a direção também elegante de Marcio Debellian, idealizador do show pontuado por falas e vídeos da Divina, Teresa deu voz a músicas como Luz negra (Nelson Cavaquinho e Irani Barros, 1964) - samba que na discografia de Elizeth é ouvido em antológico álbum de 1965 em que a cantora subiu o morro em busca da produção autoral de compositores populares - e Pra machucar meu coração (Ary Barroso, 1943), samba lançado antes do surgimento de Elizeth, mas no qual a cantora também poria (mais de uma vez, aliás) sua estilosa voz de contralto que roçava o registro de mezzo-soprano. Sob a eficiente direção musical de Paulão Sete Cordas, hábil na criação de arranjos que evocaram por vezes o som dos conjuntos regionais que deram o tom na música brasileira pré-Bossa Nova, Teresa Cristina adotou registro mais intenso em As praias desertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958), tema adequado para cantora que parece ter lágrimas na voz - como ficaria evidenciado, cinco números depois, no samba triste Águas do rio (Só resta saudade) (Anescarzinho do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira, 1965), pérola rara pescada por Elizeth na sua subida de morro em 1965. Outra raridade incluída no roteiro é O amor é assim (Sivan Castelo Neto, 1940), valsa lançada por Silvio Caldas (1908 - 1998), emblemático cantor carioca com quem Elizeth dividiu a interpretação dessa bela composição no primeiro dos dois álbuns que gravaram juntos em 1971. Elizeth gostava de canções de amor demais, como Medo de amar (Vinicius de Moraes, 1958), música também incluída no roteiro que peca somente por omitir Nossos momentos (Haroldo Barbosa e Luis Reis, 1960), samba-canção tão eternamente associado a Elizeth quanto Canção de amor e Barracão (Luís Antonio e Oldemar Magalhães, 1953), o samba que Elizeth tomou para si, a partir de 1968, e que Teresa cantou em afinado dueto com a carioca Áurea Martins, luxuosa convidada do show. Aliás, o dueto de Áurea e Teresa em É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957) foi cheio de síncopes inusitadas feitas por Áurea com sua habitual destreza, em um cai para lá, cai para cá que fez jus ao título do samba lançado pelo cantor Jorge Goulart (1926 - 2012), mas também gravado com propriedade pela Divina. Sim, a participação de Áurea Martins foi luxo só - com direito a números individuais como a luminosa abordagem de Janelas abertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) - mas Teresa Cristina ombreou a categoria vocal da veterana colega. Ora cheia de graça, como no buliçoso samba Camisa amarela (Ary Barroso, 1939), ora cheia de emoção, como no magoado samba-canção Sim (Cartola e Oswaldo Martins, 1952), Teresa Cristina ainda caiu perfeita Na cadência do samba (Ataulfo Alves e Paulo Gesta, 1962), honrando o rico legado de Elizeth Cardoso em um show divino que merece ficar em cena além dessa única apresentação programada para marcar a abertura de exposição sobre essa cantora realmente magnífica, divina, que (ainda hoje) é um dos padrões e uma das referências de canto feminino no Brasil.

Áurea, a cantora que tirava Elizeth de casa, abrilhanta o show de Teresa

"A única cantora que fazia Elizeth sair de casa". Nem era preciso legitimar a presença de Áurea Martins em show em tributo a Elizeth Cardoso (1920 - 1990), mas a saudação de Teresa Cristina a Áurea - feita quando a veterana cantora carioca entrou no palco do Imperator, no Rio de Janeiro (RJ), para iniciar sua participação no show Elizeth Cardoso, a Divina - deu bem a dimensão da importância e da categoria vocal de Áurea Martins, cantora da noite carioca que várias vezes teve Elizeth Cardoso na sua plateia. Contudo, qualquer elogio se tornou merecido quando Áurea solou Janelas abertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958), Canção da volta (Antônio Maria e Ismael Neto, 1955) e Mundo melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes, 1962) no show dirigido por Marcio Debellian e apresentado na noite de ontem, 10 de outubro de 2013, para marcar a abertura, no Centro Cultural João Nogueira, de exposição sobre Elizeth. "Gente, essa mulher arrasa", reverenciou uma generosa, mas justa, Teresa Cristina após os três solos de Áurea. Mais tarde, já no fim do show, Áurea voltou à cena para dividir com a anfitriã a interpretação de sambas como É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957), Barracão (Luís Antonio e Oldemar Magalhães, 1953). No bis, duetos no samba Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) e no choro-canção Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, 1917 / 1937) reafirmaram a afinidade e a afinação das cantoras (em foto de Rodrigo Amaral). Antes, sob a segura direção musical de Paulão Sete Cordas, Teresa dera sua voz já maturada a músicas como Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965), samba que ganhou gravação de Elizeth quando Paulinho da Viola ainda dava seus primeiros passos profissionais na música. Eis o roteiro seguido por Teresa Cristina - com a participação de Áurea Martins - no show Elizeth Cardoso, a Divina:

1. Canção de amor (Elano de Paula e Chocolate, 1950)
2. O amor é assim (Sivan Castelo Neto, 1940)
3. A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha, 1957)
4. Luz negra (Nelson Cavaquinho e Irani Barros, 1964)
5. E daí? (Miguel Gustavo, 1959)
6. Pra machucar meu coração (Ary Barroso, 1943)
7. As praias desertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)
8. Medo de amar (Vinicius de Moraes, 1958)
9. Janelas abertas (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) - solo de Áurea Martins
10. Canção da volta (Antônio Maria e Ismael Neto, 1955) - solo de Áurea Martins
11. Mundo melhor (Pixinguinha e Vinicius de Moraes, 1962) - solo de Áurea Martins
12. Águas do rio (Só resta saudade) (Anescarzinho do Salgueiro e Noel Rosa de Oliveira, 1965)
13. Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965)
14. Depois de tanto amor (Paulinho da Viola, 1966)
15. Sei lá, Mangueira (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1969)
16. Jamais (Jacob do Bandolim e Luiz Bittencourt, 1968)
17. Sim (Cartola e Oswaldo Martins, 1952)
18. Na cadência do samba (Ataulfo Alves e Paulo Gesta, 1962)
19. Camisa amarela (Ary Barroso, 1939)
20. É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957) - com Áurea Martins
21. Barracão (Luís Antonio e Oldemar Magalhães, 1953) - com Áurea Martins
Bis:
22. Pressentimento (Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1968) - com Áurea Martins
23. Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro, 1917 / 1937) - com Áurea Martins

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Simone grava parceria de Teresa e Queiroga no CD que lança em outubro

Parceria da cantora e compositora carioca Teresa Cristina com o compositor pernambucano Lula Queiroga, Trégua suspensa ganha a voz de Simone no disco gravado pela cantora com produção de Bia Paes Leme e Leandro Braga (com a Cigarra na foto de Cristina Granato). O samba Trégua suspensa foi lançado como faixa-bônus de estúdio do CD e DVD Melhor assim - Teresa Cristina ao vivo (EMI Music, 2010). No álbum, que tem lançamento programado para outubro de 2013 pela gravadora Biscoito Fino, Simone canta músicas de compositoras como Alzira Espíndola, Angela Ro Ro, Joyce Moreno, Rita Lee e Sueli Costa - entre outras mulheres.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Já transformada em outras, Teresa retoma tom inicial ao cantar Paulinho

Resenha de show
Título: Teresa Cristina canta Paulinho da Viola
Artista: Teresa Cristina (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 5 de fevereiro de 2013
Cotação: * * * *

Teresa Cristina vem se transformando em outras desde que debutou no mercado fonográfico, em 2002, com a edição do CD duplo A música de Paulinho da Viola (Deck), gravado e assinado com o Grupo Semente. Ao longo dessa década, a cantora carioca se revelou boa compositora (abrindo parcerias com nomes como Karina Buhr e Zé Renato), esboçou ares de diva ao registrar repertório plural no DVD Melhor assim (EMI Music, 2010) e virou roqueira ao voltar à gravadora Deck para abordar o repertório de Roberto Carlos em disco dividido com o grupo indie Os Outros. A evolução como intérprete saltou aos ouvidos ao longo desses dez anos de carreira fonográfica, celebrados em dezembro de 2012 com o show em que Teresa volta a cantar Paulinho da Viola com o Grupo Semente. Idealizado para festejar também os 70 anos que Paulinho da Viola completou em 12 de novembro de 2012, o show voltou à cena, em apresentação única feita na noite de 5 de fevereiro de 2013, no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Acenda o refletor e apure o tamborim: Teresa Cristina está (momentaneamente) de volta ao samba como se ainda fosse aquele ano definidor de 2002. Mesmo já tendo se transformado em outras, a cantora curiosamente volta a cantar Paulinho da Viola com o mesmo jeito tímido e o nervosismo de seu início de carreira, iniciada em 1998 no circuito de samba do bairro carioca da Lapa. Mas tamanho nervosismo - admitido em cena e, afinal, imperceptível para o público - jamais empanou o brilho do show, feito sem firulas, com simplicidade e reverência a um cancioneiro genial. O canto de Teresa Cristina sempre esteve impregnado de melancolia. E essa tristeza que balança acaba se ajustando bem ao repertório de Paulinho, também embebido em fina melancolia. Há cantoras com mais voz e com mais técnica do que as de Teresa Cristina, mas poucas são capazes de traduzir no canto - com perfeição - a alma tristonha de temas como o Samba do amor (Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Hermínio Bello de Carvalho, 1968), Tudo se transformou (Paulinho da Viola, 1970), Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965) e Meu mundo é hoje (Eu sou assim) (José Batista e Wilson Batista), único tema do roteiro que não nasceu da inspiração de Paulinho da Viola, mas que - justiça seja feita - parece ser cria do compositor, que tomou para si o samba de 1966 ao gravá-lo no álbum A dança da solidão (1972). Sem inventar moda, o show Teresa Cristina canta Paulinho da Viola reitera o entrosamento do canto triste da intérprete com o toque virtuoso dos músicos do Grupo Semente, ora formado por Alexandre Caldi (sopros), Bernardo Dantas (violão), Bruno Cunha (pandeiro), João Callado (cavaquinho e direção musical), Marcos Esguleba (percussão) e Mestre Trambique (surdo). Íntimo do universo do samba e do choro, gênero presente na obra de Paulinho e representado no roteiro por Coração imprudente (Paulinho da Viola e José Carlos Capinam, 1972), o sexteto deixou a cantora à vontade em cena. Tão à vontade que, após fazer precisa abordagem de 14 anos (Paulinho da Viola, 1966), Teresa preferiu  tirar as sandálias para cantar descalça no palco do Theatro Net Rio - como se estivesse em casa ou numa roda de samba em que são sempre bem-vindas pérolas como Argumento (Paulinho da Viola, 1975), Guardei minha viola (Paulinho da Viola, 1972) e Recado (Paulinho da Viola e Casquinha, 1966), pretexto para causo sobre a parceria de Paulinho com Casquinha da Portela, contado com humor pela artista, tímida, mas boa piadista. O confesso e injustificável nervosismo - que levou à cantora a fazer depois da hora um dos comentários inseridos no roteiro com naturalidade e conhecimento de causa (no caso, conhecimento da obra de Paulinho) - não foi empecilho para que a interpretação de Teresa Cristina para Coisas do mundo, minha nega (Paulinho da Viola, 1967) soasse tão expressiva. Verdade seja dita: um ou outro samba, caso em especial de Pecado capital (Paulinho da Viola, 1975), perde parte de seu vigor no registro da intérprete. Contudo, na maioria das vezes, Teresa Cristina canta Paulinho da Viola muito bem. Os sambas Para um amor no Recife (Paulinho da Viola, 1971) e Para ver as meninas (Paulinho da Viola, 1971) - apresentado no bis com direito a saudação a Marisa Monte, presente na plateia - estiveram no tom certo e foram momentos de grande beleza em roteiro que apresenta música, Cantando (Paulinho da Viola, 1976), não incluída por Teresa no repertório do álbum duplo de 2002. Enfim, como Paulinho da Viola é um senhor intérprete da própria obra, não é fácil cantar seu repertório (de irretocável acabamento poético e melódico) com propriedade. Mas Teresa Cristina trouxe esse cancioneiro para seu universo e o ajustou ao seu canto. E ainda fez seu Carnaval ao fim do bis, esquentando Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970) com Academia do samba (Chico Santana), um dos hinos que saúdam a Portela. No fim das contas, a cantora deu seu recado. Teresa Cristina é assim - tímida, nervosa, engraçada, melancólica, mas quem quiser gostar dela vai encontrar boa cantora que, sim, se transforma eventualmente em outras sem perder de vista sua semente, como mostrou no palco do Net Rio.

Teresa extrapola repertório de álbum de 2002 ao cantar Paulinho no Rio

Com a mesma naturalidade com que tirou as sandálias no palco do Theatro Net Rio, no meio do show em que canta músicas de Paulinho da Viola, Teresa Cristina voltou a abordar a obra do já septuagenário compositor carioca - gênio do samba e do choro - em apresentação feita no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 5 de fevereiro de 2013. A base do roteiro foram as músicas gravadas pela cantora  no álbum duplo de 2002 que a lançou no mercado fonográfico (A música de Paulinho da Viola, Deckdisc) - até porque o show estreou em dezembro de 2012 para celebrar os dez anos do disco. Contudo, Teresa extrapolou o repertório do tributo gravado já há 11 anos ao interpretar Cantando (samba que inspirou o título de um dos álbuns lançados por Paulinho da Viola na gravadora Odeon em 1976, Memórias cantando), 14 anos (Paulinho da Viola, 1966) e as pouco ouvidas A gente esquece (Paulinho da Viola, 1968) e Um certo dia para 21 (Paulinho da Viola, 1971). Eis o roteiro seguido pela artista - em foto de Rodrigo Amaral - e pelo Grupo Semente na reapresentação do show Teresa Cristina canta Paulinho da Viola no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 5 de fevereiro de 2013:

1. Inesquecível (Paulinho da Viola, 1976) - Instrumental com Grupo Semente
2. Meu mundo é hoje (Eu sou assim) (José Batista e Wilson Batista, 1966)
3.
Samba do amor (Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
4. Tudo se transformou (Paulinho da Viola, 1970)
5. A gente esquece (Paulinho da Viola, 1968)
6. Cantando (Paulinho da Viola, 1976)
7. Quando bate uma saudade (Paulinho da Viola, 1989)
8. 14 anos (Paulinho da Viola, 1966)
9. Coração vulgar (Paulinho da Viola, 1965)
10. Para não contrariar você (Paulinho da Viola, 1970)
11. Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965)
12. Coisas do mundo, minha nega (Paulinho da Viola, 1967)
13. Pecado capital (Paulinho da Viola, 1975)
14. Para um amor no Recife (Paulinho da Viola, 1971)
15. Um certo dia para 21 (Paulinho da Viola, 1971)
16. Mais que a lei da gravidade (Paulinho da Viola, 1983)
17. Coração imprudente (Paulinho da Viola e José Carlos Capinam, 1972)
18. Recado (Paulinho da Viola e Casquinha, 1966)
19. Argumento (Paulinho da Viola, 1975)
20. Guardei minha viola (Paulinho da Viola, 1972)
21. Jurar com lágrimas  (Paulinho da Viola, 1965)
22. Coração leviano (Paulinho da Viola, 1977)
23. Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola, 1981)
Bis:
24. Pra ver as meninas (Paulinho da Viola, 1971)
25. Academia do samba (Hora de caminhar) (Chico Santana) /
      Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

À vontade no seu quintal, Teresa entra no tom de Roberto com Os Outros

Resenha de CD
Título: Teresa Cristina + Os Outros = Roberto Carlos
Artista: Teresa Cristina & Os Outros
Gravadora: Deck
Cotação: * * * *

Não, Teresa Cristina nem sempre canta samba - diferentemente de cantoras que carregam a bandeira do samba como o estandarte que legitima suas carreiras. O CD Teresa Cristina + Os Outros = Roberto Carlos - registro de estúdio do show que estreou no Rio de Janeiro (RJ) na madrugada de 1º de maio de 2011, juntando no palco do Teatro Rival a cantora e compositora carioca com o grupo também carioca Os Outros para cantar o cancioneiro do Rei - é, de certa forma, acerto de contas com a memória afetiva da artista que, garota, cantava músicas de Roberto Carlos no quintal de sua casa. Apesar de ter a pegada roqueira d'Os Outros, grupo egresso da cena indie carioca, o disco caminha em rota até certo ponto conservadora, careta, sem transgressões - o que explica a improvável liberação de Roberto Carlos para que Teresa gravasse seu cancioneiro (aval obtido através do produtor Guto Graça Mello, hábil na feitura do meio de campo necessário para viabilizar a gravação). Nem por isso Teresa Cristina + Os Outros = Roberto Carlos deixa de ser ótimo disco. Mesmo perdendo no confronto com o show (um momento mágico em sua estreia nacional), o álbum - produzido, gravado e mixado por Rodrigo Vidal - se revela interessante. Música alocada na abertura, Ilegal, Imoral ou Engorda (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1976) parece ser recado mandado para sambistas que veem o projeto como uma pulada de cerca da sambista fã de Iron Maiden que gosta de ouvir rock e que vem abrindo parcerias com Katia B e Karina Buhr, entre outros nomes de outras galáxias do universo pop. À vontade num quintal que também é o seu, Teresa reaviva o lado roqueiro do Rei da Juventude brasileira nos anos 60 em músicas como Do Outro Lado da Cidade (1969) - rock que, embora creditado oficialmente a Helena dos Santos, foi efetivamente composto pelo próprio Roberto - e Nada Vai me Convencer (Paulo César Barros, 1969) ao mesmo tempo em que põe sua própria melancolia na interpretação de temas como O Moço Velho (Silvio César, 1973), bela sacação do repertório. A melancolia, aliás, é traço recorrente tanto no cancioneiro de Roberto quanto no canto de Teresa Cristina. Tal afinidade faz com que músicas como O Portão (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974) e a valsa Despedida (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1974) soem naturais na voz suave de Teresa. Musicalmente, Os Outros soam sempre tradicionais ao abordar rocks como Você Não Serve pra Mim (Renato Barros, 1967) - cantado por Botika, vocalista do grupo - e canções sensuais como Proposta (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1973). O máximo de ousadia estilística do álbum é a pegada de música nordestina posta em várias passagens do rock Quando (Roberto Carlos, 1967). Por outro lado, o toque tradicionalista do disco realça a arquitetura perfeita destes rocks e canções que, a rigor, dispensam invencionices. Pena que num repertório repleto de pepitas - casos de À Janela (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1972) e de As Curvas da Estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1969) - um tema menor como Cama e Mesa (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1981) tenha garantido sua vaga entre as 14 músicas do CD. Detalhe tão pequeno de disco que engrandece a presença (cada vez mais atuante!) de Teresa Cristina no universo pop brasileiro.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Teresa vai realçar tom afro da obra de Candeia em CD sobre compositor

Anunciado por Teresa Cristina em 2011, o projeto de gravar um disco com músicas de Candeia (1935 - 1978) jamais foi abandonado pela cantora por conta de ter feito com o grupo Os Outros o CD em que dá voz ao repertório de Roberto Carlos. Teresa ainda pretende gravar o álbum. A ideia é realçar o tom afro da obra do compositor carioca, um dos pilares do samba. Sinhá Dona da Casa - parceria de Candeia com Netinho, lançada pelo compositor em LP de 1975 - é uma das músicas cogitadas por Teresa para o disco, sem data para ser concretizado.