Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Kuarup reedita 'Samba na madrugada', álbum seminal de Elton com Paulinho

Já fora de cena por problemas de saúde, o cantor e compositor Elton Medeiros completou 85 anos de vida em 22 de julho. Já Paulinho da Viola - parceiro e amigo de Elton desde a década de 1960 - percorre o Brasil com o show comemorativo de seus 50 anos de carreira. Aproveitando tais efemérides, a gravadora Kuarup relança neste mês de setembro de 2015 Samba na madrugada, álbum decisivo e seminal nas trajetórias desses artistas cariocas que debutaram juntos no mercado fonográfico como integrantes do grupo A Voz do Morro antes de gravarem em dupla, numa única noite, este disco autoral em que ambos dão vozes, entre solos e duetos, a 19 sambas distribuídos em 11 faixas. A atual edição é remasterizada pelo engenheiro de som Ricardo Carvalheira. Reposto em catálogo pela última vez em 2001, o já então raro álbum foi lançado originalmente em 1966 pela gravadora RGE com o título Na madrugada. Em 1968, ano em que Paulinho iniciou sua carreira solo, o disco foi reeditado com o título Samba na madrugada, pelo qual ficaria conhecido. Na companhia de célebres músicos como Raul de Barros (trombone), Dino Sete Cordas (violão), Meira (violão), Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), além de Marçal e dos irmãos Gilberto Luna e Jorge Luna na percussão e no ritmo, Paulinho e Elton registraram sambas então inéditos em disco como 14 anos (Paulinho da Viola), Alô, alô (Paulinho da Viola), Arvoredo (Paulinho da Viola), Minha confissão (Elton Medeiros), Momento de fraqueza (Paulinho da Viola), Samba original (parceria de Elton Medeiros e Zé Kétti),Sofreguidão (Elton Medeiros e Cartola) e Sol da manhã (Elton Medeiros).

sábado, 4 de abril de 2015

Caixa com álbuns de Paulinho nos anos 1970 tem a elegância do artista

Resenha de caixa de CDs
Título: Ruas que sonhei - 68 até 79
Artista: Paulinho da Viola
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * * * 1/2

A ausência do primeiro álbum solo de Paulinho da Viola na caixa Ruas que sonhei - por questões jurídicas relativas à reprodução da capa  do disco em reedições no formato de CD - jamais tira o mérito da produção feita pela gravadora Universal Music sob curadoria do jornalista Vagner Fernandes. Primeiro, porque a qualidade da remasterização - capitaneada por Ricardo Garcia no Rio de Janeiro (RJ) em 2014 - aprimora o som dos álbuns na comparação com as reedições produzidas em 1997 pela EMI-Music com remasterização nos estúdios Abbey Road, em Londres. Além de límpido, o som atual é mais fiel ao que se ouvia nos LPs originais. Outro fator que legitima a edição da caixa é a elegância das embalagens em digipack que reproduzem integralmente a arte gráfica das capas, contracapas e encartes dos discos. Por fim, há o fato de que 18 anos separam as reedições anteriores das atuais - tempo mais do que suficiente para que novas gerações tenham desenvolvido interesse pela aquisição (em CD) de uma das obras mais fundamentais do universo do samba e do choro. Ruas que sonhei concentra o supra-sumo da produção fonográfica de Paulinho da Viola. São dez álbuns de estúdio lançados via Odeon entre 1970 e 1979 - a década mais produtiva do artista no que diz respeito à gravação de discos. Dos anos 1980 em diante, o cantor e compositor carioca gravaria cada vez menos - a ponto de já estar há 19 anos sem lançar um disco de inéditas (o último, Bebadosamba, saiu em 1996 pela BMG-Ariola). Todos os discos embalados em Ruas que sonhei são de altíssimo nível melódico, poético e instrumental. São discos que revitalizam as tradições do samba e do choro com o toque de modernidade atemporal de um artista que, eventualmente, também trilhou inusitados caminhos jazzísticos, como observado no torto samba-choro Roendo as unhas (Paulinho da Viola, 1973), música do álbum Nervos de aço (Odeon, 1973). Mesmo quando transita por ruas mais conhecidas do samba e do choro, Paulinho o faz com elegância ímpar. Há uma nobreza no canto, nos arranjos e na composição dos repertórios desses dez álbuns que resistem bem ao tempo, como se os discos tivessem sido gravados neste ano de 2015. Qual o coração que não se deixa levar diante de Foi um rio que passou em minha vida (1970), álbum de tom mais interiorizado que apresentou pérolas como Tudo se transformou (Paulinho da Viola, 1970) e Para não contrariar você (Paulinho da Viola, 1970)? Os dois álbuns de 1971 - ambos intitulados Paulinho da Viola - reforçaram a ligação do artista com os compositores e ritmistas da Velha Guarda da Portela, um dos nortes do timoneiro na condução de seu barco. Álbum que pôs Guardei minha viola (Paulinho da Viola, 1972) e No pagode do Vavá (Paulinho da Viola, 1972) nas rodas de samba, A dança da solidão (1972) reiterou a habilidade do cantor e compositor para beber da chama do passado para saciar a sede do presente e avançar. Fiel à ideologia do artista, o Paulinho da Viola de 1975 trouxe para a avenida um samba-enredo Amor à natureza (Paulinho da Viola, 1975) que partiu em defesa da consciência ambiental quando o tema ecologia ainda não estava em pauta. Os gêmeos Memórias cantando e Memórias chorando, lançados em 1976 de forma avulsa, são discos complementares que mostraram que samba e choro andam harmoniosamente amalgamados na obra de Paulinho, intérprete hábil para cantar histórias do cotidiano, algumas até trágicas, sem jamais carregar nos tons ou apelar para o melodrama. Paulinho da Viola (1978) e Zumbido (1979) completam os dez álbuns da caixa, que inclui libreto - com textos de Vagner Fernandes sobre cada disco - e a coletânea Raridades, com 13 gravações avulsas lançadas em período que vai de 1966 - ano de Canção para Maria (Maria, Mariô), música de festival lançada em compacto editado pela gravadora RGE - a 2003, ano em que Paulinho gravou com a cantora carioca Marisa Monte o choro-canção Carinhoso (Pixinguinha e João do Barro, 1917 / 1937). Entre fonogramas que não fazem jus ao status de raridades, como a gravação do samba Pecado Capital (Paulinho da Viola, 1975) para a trilha sonora da novela homônima produzida às pressas pela TV Globo naquele ano de 1975, e outros realmente raros, caso do registro de Filosofia (Paulinho da Viola e Sidney Miller) para o álbum Brasil, do Guarani ao Guaraná (Elenco, 1968), a compilação reitera o requinte que pauta a obra fonográfica de Paulinho e rebobina o lírico tema que batiza a caixa, Ruas que sonhei, música lançada em compacto de 1969 e não no fecho do álbum Foi um rio que passou em minha vida, como afirma erroneamente Fernandes em seu texto, confundindo a edição original do LP de 1970 com a reedição em CD de 1997 (na qual Ruas que sonhei foi alocada como faixa-bônus ao fim do disco). De todo modo, a caixa Ruas que sonhei é mais do que oportuna por repor em catálogo, com a elegância típica do artista, uma discografia essencial para compreensão dos caminhos seguidos pelo samba e pelo choro ao longo da década de 1970.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Questão jurídica relativa à capa exclui álbum inicial da caixa de Paulinho

Produzida com curadoria do jornalista Vagner Fernandes, a caixa Ruas que sonhei - recém-posta nas lojas pela gravadora Universal Music com reedições de 10 álbuns e uma compilação inédita de Paulinho da Viola - exclui um dos 11 álbuns lançados pelo cantor e compositor carioca na extinta gravadora Odeon entre 1968 e 1979. Trata-se do primeiro álbum solo do sambista chorão, Paulinho da Viola (Odeon, 1968). A Universal Music optou por lançar a caixa sem o disco por conta de questão jurídica relativa à reprodução da capa do álbum - capa que tem arte gráfica e foto de autoria de Pedro de Moraes. De todo modo, como a compilação de gravações avulsas intitulada Raridades inclui fonograma de 1968 (existe até um de 1966), o subtítulo 68 até 79 acaba fazendo sentido por se referir aos anos em que o artista consolidou sua genial obra solo na Odeon.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Virginia junta Nei Lopes e Paulinho da Viola na África de 'Mama Kalunga'

Quinto álbum da cantora baiana Virginia Rodrigues, Mama Kalunga vai ser lançado no mercado fonográfico em abril de 2015 com 13 faixas e uma capa que expõe escultura de ferro criada pelo artista plástico Cláudio Bisco para o disco. O sucessor de Recomeço (Biscoito Fino, 2008) tem produção erguida por Sebastian Notini e Tiganá Santana sob a direção musical de Iura Ranevsky. Autor da música-título Mama Kalunga, cujo áudio já está em rotação no YouTube, Tiganá Santana se junta no disco a um time de compositores - negros em sua quase totalidade - que inclui Ederaldo Gentil (1943 - 2012), Geraldo Filme (1927 - 1995), Moacir Santos (1926 - 2006), Nei Lopes, Nizaldo Costa, Paulinho da Viola e Roberto Mendes. Esse repertório foi formatado em estúdio com sonoridade nascida da interação da percussão de Sebastian Notini e Marco Lobo com as cordas dos violões de Bernardo Bosisio e Webster Santos e do violoncelo de Iura Ranevsky. Conectado com sons da matriz africana, o álbum Mama Kalunga tem participação da cantora afroperuana Susana Baca em um cântico afrocubano.  Virginia canta temas em dialetos africanos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Samba de 1969 dá nome à caixa que reúne discos de Paulinho na Odeon

Ruas que sonhei é o título da caixa produzida pela gravadora Universal Music com reedições dos álbuns lançados pelo cantor e compositor carioca Paulinho da Viola na gravadora Odeon, entre 1968 e 1979. Ruas que sonhei é o nome de um samba de autoria de Paulinho, lançado pelo artista em gravação editada pela Odeon em compacto de 1969 e alocada em 1997 como faixa-bônus (e fecho) da reedição em CD do segundo álbum solo do artista, Foi um rio que passou em minha vida, editado originalmente em 1970.  A letra é das mais belas e poéticas do cancioneiro do artista.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Obra já cristalizada de Paulinho ganha movimentos sutis em show no Rio

Resenha de show
Título: 50 anos de carreira
Artista: Paulinho da Viola (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 6 de setembro de 2014
Cotação: * * * * 1/2

Construída desde 1964, a obra de Paulinho da Viola já está cristalizada. É um trabalho de ourives, desenvolvido em ritmo próprio, com a paciência e o requinte dos melhores marceneiros, ofício também exercido por este cantor, compositor e músico carioca. Mas esse cancioneiro - resumido por Paulinho no show comemorativo de seus 50 anos de carreira - permanece em sutis movimentos, como perceberam os espectadores mais atentos da apresentação que lotou a casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal do artista, na noite de 6 de setembro de 2014. Um exemplo desse movimento permanente, talvez imperceptível para quem espera a novidade na forma de um álbum de inéditas que suceda o já distante Bebadosamba (BMG-Ariola, 1996), reside na genialidade do arranjo de Sinal fechado (Paulinho da Viola, 1969), uma das canções mais inventivas do ourives por seu flerte com signos da música erudita e por jamais explicitar as tradições do samba e do choro que pautam a obra autoral de Paulinho. Pois o arranjo - do pianista Cristóvão Bastos, arranjador do show e integrante da banda calcada na percussão de músicos como André, Celsinho Silva, Hércules e Paulinho - abre novos caminhos harmônicos para Sinal fechado no toque da flauta de Mário Sève, em movimento sutil de show cujo bis foi ousadamente encerrado pelo cantor com tema instrumental, Um sarau para Raphael (Paulinho da Viola, 2001), gravado pelo grupo Nó em Pingo d´Água em disco dividido com Cristóvão Bastos. Raphael é - claro - Raphael Rabello (1962 - 1995), às do violão que também bebeu da fonte rica que abastece a obra de Paulinho há cinco décadas. Contudo, a rigor, Paulinho oferece em cena o que seu público quer, apresentando um best of de sua carreira no roteiro autoral que totalizou 29 músicas na apresentação do Vivo Rio. Anunciado pela mídia carioca com ares de estreia oficial da turnê nacional com que o artista festeja seus 50 anos de carreira, o show - a rigor - já vem rodando algumas capitais do Brasil desde o primeiro semestre de 2014. Aberto com set solo de voz e violão, em que o cantor amalgama músicas seminais como 14 anos (Paulinho da Viola, 1966) e Coisas do mundo, minha nega (Paulinho da Viola, 1967), o show ganha o reforço da elegante cozinha quando, na sequência desse bloco inicial, Paulinho pega o cavaquinho para reviver Botafogo, chão de estrelas (Paulinho da Viola e Aldir Blanc, 1988), samba fornecido para o primeiro álbum do cantor e compositor carioca Walter Alfaiate (1930 - 2010). A partir daí, Paulinho começa a enfileirar sambas antológicos de sua autoria e - eventualmente - de compositores que conheceu nas rodas de samba dos anos 1960, caso do carioca Zé Kétti (1921 - 1999), de cuja obra o cantor desencava Jaqueira da Portela, samba de 1963. Cabe ressaltar que, embora jamais ignore hits obrigatórios como Foi um rio que passou em minha vida (1970) e Pecado capital (1975), Paulinho soube pescar pérolas em seu próprio baú para montar o roteiro deste show em que, como de hábito, o artista se alterna entre o violão e o cavaquinho. Samba que compôs com Elton Medeiros e que gravou no álbum Zumbido (EMI-Odeon, 1979), Recomeçar volta à cena, se confirmando um dos títulos mais belos do repertório autoral do artista. Veículo para as dissonâncias do arranjo inventivo, Roendo as unhas (1973) é outra pérola mais rara nos shows do artista. Tema de maior densidade, Tudo se transformou (1970) reitera que tudo ainda pode se transformar em cena, embora tudo pareça sempre igual porque Paulinho bebe sempre do samba e do choro mais nobres, solto no seu próprio tempo e à vontade no seu próprio espaço. Bebadosamba (1996), aliás, é outra grata lembrança do roteiro desse show que mostra a riqueza da fonte do samba - e do choro - de Paulinho da Viola.

domingo, 7 de setembro de 2014

Paulinho bebe do samba de Cartola e Zé Kétti no roteiro do show dos 50

Foi em 1964 que Paulinho da Viola pôs os pés no miscigenado terreirão do samba e choro, construindo desde então uma das obras mais inspiradas, refinadas e elegantes desses gêneros. Obra que o cantor e compositor carioca repassa - sem preocupações cronológicas - no show comemorativo de seus 50 anos de carreira. A rigor já em turnê pelo Brasil desde o primeiro semestre de 2014, o show ganhou ares de estreia oficial ao ser apresentado na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 6 de setembro de 2014, diante de plateia que incluiu Hermínio Bello de Carvalho - principal articulador da entrada de Paulinho da Viola no meio do samba carioca, nos idos de 1964 - e Nelson Sargento. No roteiro essencialmente autoral, o artista reviveu composições de todas as fases de sua discografia, com surpreendente ênfase em músicas dos álbuns Prisma luminoso (Warner Music, 1983) e Bebadosamba (BMG-Ariola, 1996), e também deu voz a sambas dos compositores cariocas Cartola (1908 - 1980) e Zé Kétti (1921 - 1999), lembrados como Não quero mais amar a ninguém (1937) e Jaqueira da Portela (1963), respectivamente. Eis o roteiro seguido em 6 de setembro de 2014 por Paulinho da Viola - em foto de Rodrigo Goffredo - no show que seduziu o público que lotou a casa Vivo Rio:

1. 14 anos (Paulinho da Viola, 1966) /
2. Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965) /
3. Coração vulgar (Paulinho da Viola, 1965) /
4. Coisas do mundo, minha nega (Paulinho da Viola, 1967)
5. Botafogo, chão de estrelas (Paulinho da Viola e Aldir Blanc, 1988)
6. Jaqueira da Portela (Zé Kétti, 1963)
7. Prisma luminoso (Paulinho da Viola e José Carlos Capinam, 1983)
8. Recomeçar (Paulinho da Viola e Elton Medeiros, 1979)
9. Ruas que sonhei (Paulinho da Viola, 1970)
10. Dança da solidão (Paulinho da Viola, 1972)
11. Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola e Elton Medeiros, 1981)
12. Sei lá, Mangueira (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
13. Para um amor no Recife (Paulinho da Viola, 1971)
14. Tudo se transformou (Paulinho da Viola, 1970)
15. Inesquecível (Paulinho da Viola, 1976) - Cristóvão Bastos e Mário Sève
      - com citação de Doce de coco (Jacob do Bandolim, 1951)
16. Pecado capital (Paulinho da Viola, 1975)
17. Ame (Paulinho da Viola e Elton Medeiros, 1996)
18. Recado (Paulinho da Viola e Casquinha, 1966)
17. Rosa de ouro (Paulinho da Viola, Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, 1965)
18. Argumento (Paulinho da Viola, 1975)
19. Roendo as unhas (Paulinho da Viola, 1973)
20. Sarau para Radamés (Paulinho da Viola, 1978)
21. Retiro (Paulinho da Viola, 1983)
22. Bebadosamba (Paulinho da Viola, 1996)
23. Peregrino (Noca da Portela e Toninho Nascimento, 1996)
24. Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970)
25. Coração leviano (Paulinho da Viola, 1977)
26. Timoneiro (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1996)
Bis:
27: Não quero mais amar a ninguém (Cartola, Carlos Cachaça e Zé da Zilda, 1937)
28. Sinal fechado (Paulinho da Viola, 1979)
29. Um sarau para Raphael (Paulinho da Viola, 2001)

Paulinho canta música de 1983 com a filha Beatriz no show dos 50 anos

Música lançada por Paulinho da Viola no álbum Prisma luminoso (Warner Music), no mesmo ano de 1983 em que Simone gravou a composição no álbum Delírios, delícias (CBS), Retiro integra o roteiro do show comemorativo dos 50 anos de carreira do cantor e compositora carioca. Paulinho canta Retiro em dueto com sua filha cantora, Beatriz Rabello de Faria - vista com o pai na foto de Rodrigo Goffredo no palco da casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), na oficial estreia carioca do show, em 6 de setembro de 2014. O número é calcado no violão de Paulinho e no piano do maestro Cristóvão Bastos. Beatriz também está em cena como backing-vocal do show que já roda o Brasil e que vai ser gravado ao vivo, ao longo da turnê nacional, para originar CD, DVD e blu-ray, a serem lançados no mercado fonográfico somente em 2015.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Paulinho da Viola grava ao vivo show com que festeja 50 anos de carreira

 Em atividade desde 1964, Paulinho da Viola vai gravar ao vivo o show comemorativo de seus 50 anos de carreira para a edição de CD, DVD e blu-ray. A turnê nacional vai chegar em 6 de setembro de 2014 na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), cidade também programada para ser o ponto final do roteiro que prevê apresentações em, ao menos, dez capitais do Brasil. Está prevista no roteiro a inclusão de música inédita, provisoriamente intitulada Bloco do amor.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Retomada, caixa com álbuns de Paulinho tem CD com gravações avulsas

  Entre o fim de 2012 e o início de 2013, a gravadora EMI Music produziu caixa com reedições dos 11 álbuns lançados por Paulinho da Viola na extinta Odeon entre 1968 e 1979. Já reeditados nos anos 1990, os discos chegaram a passar por novo processo de remasterização, feito no Rio de Janeiro (RJ) sob o comando do engenheiro de som Ricardo Garcia. Temporariamente suspenso por conta da compra da EMI pela Universal Music, o projeto da caixa com a discografia áurea do cantor e compositor carioca está novamente em produção, já ajustado aos padrões gráficos e editoriais da Universal Music. Entre o segundo semestre de 2014 e o primeiro de 2015, a Universal vai pôr no mercado fonográfico a caixa com novas reedições dos álbuns do artista (em foto de Kelly Fuzaro). Além dos 11 álbuns, supra-sumo da discografia de Paulinho da Viola, a caixa vai embalar CD com raras gravações avulsas do cantor.

domingo, 15 de junho de 2014

Juçara põe Chico, Paulinho e Kétti no fio da navalha do show 'Encarnado'

Juçara Marçal põe Chico Buarque, Dominguinhos (1941 - 2013), Paulinho da Viola e Zé Kétti (1921 - 1999) no fio da afiada navalha de Encarnado. No roteiro do show baseado em seu primeiro CD solo, incisivo disco que encara a morte de frente, a cantora - revelada como vocalista do grupo paulistano Metá Metá - inclui as músicas Xote de navegação (Dominguinhos e Chico Buarque, 1998), Comprimido (Paulinho da Viola, 1973) e Opinião (Zé Kétti, 1964) entre as 12 composições de álbum conceitual produzido pela própria Juçara com os compositores e músicos paulistanos Kiko Dinucci e Rodrigo Campos. Tal como no disco lançado em fevereiro de 2014, Dinucci (guitarra) e Campos (cavaquinho e guitarra) se juntam a Juçara e a Thomas Rohrer (rabeca) no show Encarnado, que estreou em São Paulo (SP) em 15 de abril e chegou ao Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 14 de junho de 2014, em apresentação no palco do estúdio Audio Rebel, aonde fica em cartaz somente até hoje. Eis o roteiro seguido por Juçara Marçal - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca do (arrebatador) show Encarnado:

1. Velho amarelo (Rodrigo Campos, 2014)
2. Damião (Douglas Germano e Everaldo Ferreira da Silva, 2011)
3. Queimando a língua (Romulo Fróes e Alice Coutinho, 2014)
4. Pena mais que perfeita (Gui Amabis e Régis Damasceno, 2012)
5. Xote de navegação (Dominguinhos e Chico Buarque, 1998)
6. Odoyá (Juçara Marçal, 2014)
7. Ciranda do aborto (Kiko Dinucci, 2014)
8. Canção para ninar Oxum (Douglas Germano, 2014)
9. E o Quico? (Itamar Assumpção, 1983)
10. Não tenha ódio no verão (Tom Zé, 2008)
11. Comprimido (Paulinho da Viola, 1973)
12. João Carranca (Kiko Dinucci, 2014)
13. Presente de casamento (Thiago França e Romulo Fróes, 2014)
14. A velha da capa preta (Siba Veloso, 2007)
Bis:
15. Opinião (Zé Kétti, 1964)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Leila canta samba de Arlindo, Ivan, Paulinho e Nei Lopes em show no Rio

Leila Pinheiro caiu no samba com Péricles ao som de sucesso de Arlindo Cruz. Samba de Arlindo, Acyr Marques e Franco que foi lançado por Zeca Pagodinho no álbum Boêmio feliz (1989), Saudade louca ganhou as vozes de Leila e Péricles - vistos em foto de Mauro Ferreira - na estreia nacional do show Eu canto samba, apresentado pela cantora no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de 16 de abril de 2013. Além de Saudade louca, Leila cantou com Péricles Minha razão (Thiaguinho e Pezinho, 2012), samba que fez sucesso no ano passado na voz do vocalista do desativado grupo paulista de pagode Exaltasamba. Arlindo Cruz foi compositor recorrente no (primoroso) roteiro montado por Leila com Marcus Fernando, codiretor do show em função dividida com a cantora. De Arlindo, Leila também deu voz - em interpretação radiante que supera o registro do compositor - ao samba Entra no clima (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Rogê, 2007). Contudo, Paulinho da Viola - cuja obra-prima Eu canto samba (1989) batiza o show - foi o compositor predominante em roteiro que inclui também sambas de Ivan Lins e Nei Lopes, entre outros bambas de diversas épocas e estilos. Eis o inteligente roteiro seguido por Leila Pinheiro na estreia nacional de seu show Eu canto samba:

1. Prece ao samba (Ivan Lins e Nei Lopes, 2006)
2. Se é pecado sambar (Manoel Santana, 1950)
3. Raio de luar (Dauro do Salgueiro e Nei Lopes, 1985)
4. Minha arte de amar (Zé Luiz e Nei Lopes, 1981)
5. Esperanças perdidas (Adeilton Alves e Délcio Carvalho, 1972)
*  Texto com versos de sambas de Paulinho da Viola
6. Prisma luminoso (Paulinho da Viola e José Carlos Capinam, 1983)
7. Rumo dos ventos (Paulinho da Viola, 1982)
8. Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola e Elton Medeiros, 1981)
9. Além da razão (Sombra, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, 1988)
10. Conselho (Adilson Bispo e Zé Roberto, 1986) - com Pretinho da Serrinha
11. Mas quem disse que eu te esqueço (Ivone Lara e Hermínio Bello de Carvalho, 1981)

      - com Pretinho da Serrinha
*  Texto sobre João Gilberto
12. Doralice (Dorival Caymmi e Antonio Almeida, 1945)
13. Morena Boca de ouro (Ary Barroso, 1941)
14. Rosa Morena (Dorival Caymmi, 1942)
15. Izaura (Herivelto Martins e Roberto Roberti, 1945)

* Texto sobre Nara Leão
16. Diz que fui por aí (Zé Kétti e Hortênsio Rocha, 1964)
17. Meu cantar (Joel Menezes e Noca da Portela, 1983)
18. O sol nascerá (Cartola e Elton Medeiros, 1964)
19. Exaltação à Mangueira (Aloisio Augusto da Costa e Enéas Brites da Silva, 1956)
      - com citação de Sempre Mangueira (Nelson Cavaquinho e Geraldo Queiroz, 1972)
20. Sei lá, Mangueira (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
21. Minha razão (Thiaguinho e Pezinho, 2012) - com Péricles
22. Saudade louca (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Franco, 1989) - com Péricles
23. Raiz e flor (Sombrinha e Jorge Aragão, 1985) - com Jorge Aragão
24. Resto de esperança (Dedé da Portela e Jorge Aragão, 1980) - com Jorge Aragão
* Texto sobre o samba Verde
25. Verde (Eduardo Gudin e Costa Netto, 1985)
26. Entra no clima (Arlindo Cruz, Acyr Marques e Rogê, 2007)
27. Eu canto samba (Paulinho da Viola, 1989)
Bis:
27. Por um dia de graça (Luiz Carlos da Vila, 1984)

quinta-feira, 28 de março de 2013

Reedição de obra de Paulinho na Warner ganha somente na arte gráfica

Resenha de reedições em CD
Títulos: Paulinho da Viola (1981), A toda hora rola uma história (1982)
            e Prima luminoso (1983)
Artista: Paulinho da Viola
Gravadora: Warner Music
Cotação: * * * * 1/2 (Paulinho da Viola), * * * * (A toda hora rola uma história) 
             e * * * 1/2 (Prisma luminoso)

Enquanto a EMI Music finaliza a caixa que vai embalar os discos lançados por Paulinho da Viola na gravadora Odeon entre 1968 e 1979, a Warner Music repõe em catálogo neste mês de março de 2013 os três álbuns feitos pelo cantor e compositor carioca na companhia entre 1981 e 1983. Os discos voltam às lojas de forma avulsa, remasterizados por Robson. Contudo, a rigor, todos os três títulos - Paulinho da Viola (1981), A toda hora rola uma história (1982) e Prima luminoso (1983) - já haviam sido reeditados de forma decente em CD sob a supervisão do ex-Titã Charles Gavin. Os dois primeiros foram remasterizados por Ricardo Garcia em 2000 para edição conjunta na série Dois momentos que reproduziu capas e encartes originais. Prima luminoso foi remasterizado (pelo mesmo competente Ricardo Garcia) e reeditado em 2001 na série Arquivos Warner. Portanto, o ganho - mínimo, mas real - destas atuais reedições reside somente na adaptação das artes gráficas dos LPs originais para o formato de CD, inclusive nas contracapas externas (geralmente alvo de padronizações horrendas). O ganho é perceptível sobretudo nos casos de Paulinho da Viola (1981) e de A toda hora rola uma história (1982), cujas reedições atuais ressaltam o caráter individual de cada disco sem agregar suas artes gráficas num único encarte, como foi feito na série Dois momentos. No que diz respeito ao som, a remasterização anterior já se mostrou plenamente satisfatória. A nova remasterização - mesmo tendo sido feita mais de uma década depois - nada avança no quesito som. Especificidades técnicas à parte, trata-se de três belos títulos da discografia de Paulinho da Viola, discos de fase menos popular do artista, mas nem por isso menos inspirada. Produzido por Sérgio Cabral, o Paulinho da Viola de 1981 - que trouxe sambas do quilate de Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola e Elton Medeiros) e Pra jogar no oceano (Paulinho da Viola) - é álbum pautado por refinado intimismo. A toda hora rola uma história - disco produzido por Fernando Faro - reiterou o tom introspectivo do samba filosófico do artista. Não é um disco que gerou hits, mas apresentou a obra-prima Só o tempo (Paulinho da Viola). Já Prisma luminoso esboçou clima mais expansivo por conta dos metais que pontuam boa parte dos arranjos deste disco produzido por Guti. É o álbum em que Paulinho deu voz a Mas quem disse que eu te esqueço? - parceria de Dona Ivone Lara com Hermínio Bello de Carvalho - e a Mais que a lei da gravidade, pérola da parceria do compositor com José Carlos Capinam que luziu três anos depois, em 1986, em precisa gravação de Cida Moreira. Enfim, as reedições dos três álbuns feitos por Paulinho da Viola são oportunas e bem-vindas - sobretudo no momento em que a produção fonográfica do artista fica cada vez mais escassa. Paulinho da ViolaA toda hora rola uma história e Prima luminoso  merecem estar sempre em catálogo - assim como o restante da (coesa) discografia de Paulinho da Viola.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Álbuns de Paulinho da Viola na Odeon e Warner ganham novas reedições

Os 70 anos de Paulinho da Viola - completados em 12 de novembro de 2012 - motivaram as gravadoras EMI Music e Warner Music a produzir reedições dos álbuns do cantor. Enquanto a EMI produz caixa com os onze álbuns lançados pelo cantor na extinta Odeon entre 1968 e 1979 (todos em processo de remasterização sob o comando do engenheiro de som Ricardo Garcia), a Warner já se prepara para pôr nas lojas, em março de 2013, reedições avulsas dos álbuns Paulinho da Viola (1981), A toda hora rola uma história (1982) e Prisma luminoso (1983).

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Paulinho da Viola elogia desfile da Portela ao animar o Carnaval do Recife

Recife (PE) - "Pode ser que a Portela não tire o primeiro lugar, mas, para nós, foi um desfile emocionante". Sucinto, o comentário de Paulinho da Viola - visto em foto de Rodrigo Amaral - foi feito no palco do Marco Zero, no Centro Histórico do Recife, segundos antes de o cantor e compositor carioca encerrar seu show no Carnaval da Capital de Pernambuco com Foi um rio que passou em minha vida, samba de 1970 que se tornou instantaneamente um dos hinos da celebração da escola de samba do Rio de Janeiro (RJ), uma das mais antigas do Carnaval carioca. Aberto com o samba No pagode do Vavá (Paulinho da Viola, 1972), o show de Paulinho da Viola aconteceu na madrugada desta segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013. Quase todo autoral, o roteiro foi montado com 17 sambas conhecidos. Um deles, Esta melodia (Bubú da Portela e Jamelão, 1966), foi apresentado por Paulinho como um "samba muito importante" por estar associado à sua chegada na Portela, nos anos 60. Outros, como A dança da solidão (Paulinho da Viola, 1972) e Pecado capital (Paulinho da Viola, 1975), foram acompanhados em entusiasmado coro pelo público. Sucesso do cantor Roberto Ribeiro (1940 - 1996), Meu drama (Silas de Oliveira e J. Ilarindo, 1978) foi um dos poucos sambas selecionados por Paulinho da Viola fora de sua refinada seara autoral. Sentado com seu violão, o cantor também fez um set mais interiorizado, iniciado com Tudo se transformou (Paulinho da Viola, 1970). Sem sair de seu tom sofisticado, Paulinho da Viola fez um Carnaval à sua moda elegante na folia do Recife.

O blog Notas Musicais cobre o Carnaval do Recife (PE) a convite da Prefeitura do Recife.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Já transformada em outras, Teresa retoma tom inicial ao cantar Paulinho

Resenha de show
Título: Teresa Cristina canta Paulinho da Viola
Artista: Teresa Cristina (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 5 de fevereiro de 2013
Cotação: * * * *

Teresa Cristina vem se transformando em outras desde que debutou no mercado fonográfico, em 2002, com a edição do CD duplo A música de Paulinho da Viola (Deck), gravado e assinado com o Grupo Semente. Ao longo dessa década, a cantora carioca se revelou boa compositora (abrindo parcerias com nomes como Karina Buhr e Zé Renato), esboçou ares de diva ao registrar repertório plural no DVD Melhor assim (EMI Music, 2010) e virou roqueira ao voltar à gravadora Deck para abordar o repertório de Roberto Carlos em disco dividido com o grupo indie Os Outros. A evolução como intérprete saltou aos ouvidos ao longo desses dez anos de carreira fonográfica, celebrados em dezembro de 2012 com o show em que Teresa volta a cantar Paulinho da Viola com o Grupo Semente. Idealizado para festejar também os 70 anos que Paulinho da Viola completou em 12 de novembro de 2012, o show voltou à cena, em apresentação única feita na noite de 5 de fevereiro de 2013, no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ). Acenda o refletor e apure o tamborim: Teresa Cristina está (momentaneamente) de volta ao samba como se ainda fosse aquele ano definidor de 2002. Mesmo já tendo se transformado em outras, a cantora curiosamente volta a cantar Paulinho da Viola com o mesmo jeito tímido e o nervosismo de seu início de carreira, iniciada em 1998 no circuito de samba do bairro carioca da Lapa. Mas tamanho nervosismo - admitido em cena e, afinal, imperceptível para o público - jamais empanou o brilho do show, feito sem firulas, com simplicidade e reverência a um cancioneiro genial. O canto de Teresa Cristina sempre esteve impregnado de melancolia. E essa tristeza que balança acaba se ajustando bem ao repertório de Paulinho, também embebido em fina melancolia. Há cantoras com mais voz e com mais técnica do que as de Teresa Cristina, mas poucas são capazes de traduzir no canto - com perfeição - a alma tristonha de temas como o Samba do amor (Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Hermínio Bello de Carvalho, 1968), Tudo se transformou (Paulinho da Viola, 1970), Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965) e Meu mundo é hoje (Eu sou assim) (José Batista e Wilson Batista), único tema do roteiro que não nasceu da inspiração de Paulinho da Viola, mas que - justiça seja feita - parece ser cria do compositor, que tomou para si o samba de 1966 ao gravá-lo no álbum A dança da solidão (1972). Sem inventar moda, o show Teresa Cristina canta Paulinho da Viola reitera o entrosamento do canto triste da intérprete com o toque virtuoso dos músicos do Grupo Semente, ora formado por Alexandre Caldi (sopros), Bernardo Dantas (violão), Bruno Cunha (pandeiro), João Callado (cavaquinho e direção musical), Marcos Esguleba (percussão) e Mestre Trambique (surdo). Íntimo do universo do samba e do choro, gênero presente na obra de Paulinho e representado no roteiro por Coração imprudente (Paulinho da Viola e José Carlos Capinam, 1972), o sexteto deixou a cantora à vontade em cena. Tão à vontade que, após fazer precisa abordagem de 14 anos (Paulinho da Viola, 1966), Teresa preferiu  tirar as sandálias para cantar descalça no palco do Theatro Net Rio - como se estivesse em casa ou numa roda de samba em que são sempre bem-vindas pérolas como Argumento (Paulinho da Viola, 1975), Guardei minha viola (Paulinho da Viola, 1972) e Recado (Paulinho da Viola e Casquinha, 1966), pretexto para causo sobre a parceria de Paulinho com Casquinha da Portela, contado com humor pela artista, tímida, mas boa piadista. O confesso e injustificável nervosismo - que levou à cantora a fazer depois da hora um dos comentários inseridos no roteiro com naturalidade e conhecimento de causa (no caso, conhecimento da obra de Paulinho) - não foi empecilho para que a interpretação de Teresa Cristina para Coisas do mundo, minha nega (Paulinho da Viola, 1967) soasse tão expressiva. Verdade seja dita: um ou outro samba, caso em especial de Pecado capital (Paulinho da Viola, 1975), perde parte de seu vigor no registro da intérprete. Contudo, na maioria das vezes, Teresa Cristina canta Paulinho da Viola muito bem. Os sambas Para um amor no Recife (Paulinho da Viola, 1971) e Para ver as meninas (Paulinho da Viola, 1971) - apresentado no bis com direito a saudação a Marisa Monte, presente na plateia - estiveram no tom certo e foram momentos de grande beleza em roteiro que apresenta música, Cantando (Paulinho da Viola, 1976), não incluída por Teresa no repertório do álbum duplo de 2002. Enfim, como Paulinho da Viola é um senhor intérprete da própria obra, não é fácil cantar seu repertório (de irretocável acabamento poético e melódico) com propriedade. Mas Teresa Cristina trouxe esse cancioneiro para seu universo e o ajustou ao seu canto. E ainda fez seu Carnaval ao fim do bis, esquentando Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970) com Academia do samba (Chico Santana), um dos hinos que saúdam a Portela. No fim das contas, a cantora deu seu recado. Teresa Cristina é assim - tímida, nervosa, engraçada, melancólica, mas quem quiser gostar dela vai encontrar boa cantora que, sim, se transforma eventualmente em outras sem perder de vista sua semente, como mostrou no palco do Net Rio.

Teresa extrapola repertório de álbum de 2002 ao cantar Paulinho no Rio

Com a mesma naturalidade com que tirou as sandálias no palco do Theatro Net Rio, no meio do show em que canta músicas de Paulinho da Viola, Teresa Cristina voltou a abordar a obra do já septuagenário compositor carioca - gênio do samba e do choro - em apresentação feita no Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 5 de fevereiro de 2013. A base do roteiro foram as músicas gravadas pela cantora  no álbum duplo de 2002 que a lançou no mercado fonográfico (A música de Paulinho da Viola, Deckdisc) - até porque o show estreou em dezembro de 2012 para celebrar os dez anos do disco. Contudo, Teresa extrapolou o repertório do tributo gravado já há 11 anos ao interpretar Cantando (samba que inspirou o título de um dos álbuns lançados por Paulinho da Viola na gravadora Odeon em 1976, Memórias cantando), 14 anos (Paulinho da Viola, 1966) e as pouco ouvidas A gente esquece (Paulinho da Viola, 1968) e Um certo dia para 21 (Paulinho da Viola, 1971). Eis o roteiro seguido pela artista - em foto de Rodrigo Amaral - e pelo Grupo Semente na reapresentação do show Teresa Cristina canta Paulinho da Viola no Theatro Net Rio, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 5 de fevereiro de 2013:

1. Inesquecível (Paulinho da Viola, 1976) - Instrumental com Grupo Semente
2. Meu mundo é hoje (Eu sou assim) (José Batista e Wilson Batista, 1966)
3.
Samba do amor (Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
4. Tudo se transformou (Paulinho da Viola, 1970)
5. A gente esquece (Paulinho da Viola, 1968)
6. Cantando (Paulinho da Viola, 1976)
7. Quando bate uma saudade (Paulinho da Viola, 1989)
8. 14 anos (Paulinho da Viola, 1966)
9. Coração vulgar (Paulinho da Viola, 1965)
10. Para não contrariar você (Paulinho da Viola, 1970)
11. Minhas madrugadas (Paulinho da Viola e Candeia, 1965)
12. Coisas do mundo, minha nega (Paulinho da Viola, 1967)
13. Pecado capital (Paulinho da Viola, 1975)
14. Para um amor no Recife (Paulinho da Viola, 1971)
15. Um certo dia para 21 (Paulinho da Viola, 1971)
16. Mais que a lei da gravidade (Paulinho da Viola, 1983)
17. Coração imprudente (Paulinho da Viola e José Carlos Capinam, 1972)
18. Recado (Paulinho da Viola e Casquinha, 1966)
19. Argumento (Paulinho da Viola, 1975)
20. Guardei minha viola (Paulinho da Viola, 1972)
21. Jurar com lágrimas  (Paulinho da Viola, 1965)
22. Coração leviano (Paulinho da Viola, 1977)
23. Onde a dor não tem razão (Paulinho da Viola, 1981)
Bis:
24. Pra ver as meninas (Paulinho da Viola, 1971)
25. Academia do samba (Hora de caminhar) (Chico Santana) /
      Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola, 1970)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Paulinho da Viola chega aos 70 anos senhor de seu próprio tempo e obra

O tempo de Paulinho da Viola é hoje. Mas esse hoje tem um tempo todo próprio que faz com que a vida e a obra do cantor e compositor carioca caminhem em ritmo particular - sem pressa, com a calma dos sábios. Pela cronologia oficial da biografia do artista, o autor de Na Linha do Mar - timoneiro firme de seu barco - completa 70 anos nesta segunda-feira, 12 de novembro de 2012. Contudo, passado e presente parecem se embaralhar para moldar o tempo deste meticuloso artesão de sambas e choros, dono de discografia fundamental que vai ter sua parte mais profícua embalada pela EMI Music em caixa a ser lançada em 2013 com curadoria do jornalista Vagner Fernandes. Sem lançar álbum de inéditas desde 1996, Paulinho da Viola construiu entre 1968 e 1983 - o período em que gravou álbuns com quase regularidade anual - discografia que o alinha com os grandes criadores do samba e, em menor grau, do choro. O traço vanguardista de músicas como Sinal Fechado (1969) - composição por sinal vencedora do V Festival de Música Popular Brasileira da TV Record - sempre se desenhou em harmonia com as tradições reiteradas na obra do artista. Ovelha desgarrada do rebanho que alicerçou a MPB projetada na era dos festivais, Paulinho se alimenta do passado sem ranços saudosistas para gerar obra cujo tempo parece sempre ser o de hoje. Talvez por isso álbuns como A Dança da Solidão (1972), Nervos de Aço (1973) e os gêmeos Memórias Chorando e Memórias Cantado - ambos paridos em 1976 - pareçam atemporais. Com a nobreza e a discrição que lhe são características e que lhe renderam epítetos como Príncipe do Samba, Paulinho da Viola sempre deu bela voz aos compositores do morro, aos bambas da sua Portela querida e aos chorões cariocas. Sempre elegante, sabe a hora de guardar sua viola no fundo do baú para não se contaminar com os modismos do mercado. Mas, quando a tira do baú, Da Viola sempre acerta. Inclusive quando canta sambas alheios com tal propriedade que esses sambas dão na sua voz a impressão de terem sempre sido dele, Paulinho. Casos de Meu Mundo É Hoje (Eu Sou Assim) (Wilson Batista e José Batista) - samba regravado pelo artista em 1972 - e de Nervos de Aço (Lupicínio Rodrigues), faixa-título de primoroso álbum de 1973. Sob seu luminoso prisma, Paulo César Batista de Faria condensa os cânones do samba e do choro em discografia já espaçada, construída no tempo do artista. É o artista quem se navega, senhor desse tempo e de sua obra.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Paulinho arquiteta DVD com registro do show comemorativo dos 70 anos

Paulinho da Viola arquiteta a gravação ao vivo - para edição em CD e DVD - do inédito show comemorativo de seus 70 anos de vida. O aniversário do cantor e compositor carioca é em 12 de novembro de 2012. Já o show é gratuito, ao ar livre, e está (re)programado para 17 de novembro, no Parque Madureira, em Madureira, um bairro do subúrbio do Rio de Janeiro (RJ).

domingo, 17 de julho de 2011

Timoneiro firme, Paulinho seduz em cena ao pescar pérolas de seu mar

Resenha de show
Título: Paulinho da Viola
Artista: Paulinho da Viola (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 15 de julho de 2011
Cotação: * * * *

Timoneiro que conduz o leme de seu barco com a firmeza e elegância habituais, Paulinho da Viola encarna o pescador de pérolas no show que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) - em apresentação única que lotou a casa Vivo Rio na noite de 15 de julho de 2011 - após ter rodado por São Paulo (SP) desde outubro de 2010. Raras no sentido de pouco badaladas, as pérolas são pescadas no mar de referências que moldam o rico universo musical deste artista ligado ao samba e ao choro. E é sintomático que o cantor, a sós com seu cavaquinho, abra o show com o samba Portela Feliz (Zé Kéti), pois é nítida a felicidade com que o artista se apresenta em cena. É com prazer que Paulinho - falante como poucas vezes foi visto em show - conceitua para o público a maioria dos sambas do roteiro. Com atuação precisa, a banda entra em cena a partir do segundo número, Botafogo, Chão de Estrelas (Paulinho da Viola e Aldir Blanc), samba que celebra tanto o time do futebol do Rio de Janeiro quanto o bairro carioca, celeiro de bambas como Walter Alfaiate (1930 - 2010). Alternando-se no violão e no cavaquinho, em pé ou sentado, Paulinho da Viola se porta em cena como o Príncipe do Samba, epíteto normalmente lhe outorgado pela nobreza que irmana em sua voz samba lançado por Dalva de Oliveira (1917 - 1972) - Tudo Foi Surpresa (Valzinho e Peter Pan), um dos números em que o canto do artista soa mais interiorizado -  e  parceria de tom filosófico feita por Paulinho com o poeta Sérgio Natureza, Brancas e Pretas, número em que se destaca a flauta de Mário Sève. Hábil, o pescador de pérolas se joga no mar de cinzas e memórias vagas que emergem em Cidade Submersa (Paulinho da Viola) com a mesma maestria com se exercita na leveza de Pintou um Bode (Paulinho da Viola), samba composto à moda sincopada do repertório do cantor Cyro Monteiro (1913 - 1973). Na sequência, Paulinho apresenta Um Cara Bacana, tema ainda inédito, composto em tributo a Elton Medeiros, parceiro presente na plateia e na coautoria de Ame, o número seguinte. Vem então a pérola mais rara, a bela Canção para Maria, parceria antiga com o poeta baiano José Carlos Capinam, defendida por Jair Rodrigues em festival de 1966 e gravada por Paulinho da Viola em obscuro compacto antes de cair em esquecimento. A letra de Capinam é pura poesia - assim como os versos reacendidos de Vela no Breu, outra colaboração de Paulinho com Sérgio Natureza. Após estratégica saída de cena para que o pianista Cristovão Bastos e o flautista Mário Sève solem Inesquecível, lírico choro composto por Paulinho em tributo a Jacob do Bandolim (1918 - 1969), o pescador volta introspectivo à cena para ruminar as inquietações de Orgulho, outra poética parceria com Capinam. O narrador da letra bem poderia ser o protagonista de O Tímido e a Manequim (Paulinho da Viola), mais um lado B com jeito de lado A, embora a rigor o tema tenha sido mesmo lançado no lado A de Eu Canto Samba (1989), um dos últimos discos de inéditas de Paulinho, álbum do qual ele pesca também no show uma pérola menos rara, Quando Bate uma Saudade.  Na sequência, trilogia de sambas de ilustres portelenses - Lenço (Monarco e Chico Santana), Peregrino (Noca da Portela) e Chega de Padecer (Mijinha) - encaminha para o final o belo show que mostra que o canto de Paulinho da Viola continua evocando a mesma profundeza de sentimentos, alguns mais expostos, outros submersos no mar de pérolas raras que emergem ao longo da apresentação. Mar que conduz o príncipe pescador - timoneiro seguro de seu barco musical desde meados da década de 60 - por águas sempre nobres e vivas.