Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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terça-feira, 27 de outubro de 2015

Bambas historiam em dicionário os significados sociais e musicais do samba

♪ Ao descrever o significado do termo pagode no Dicionário da história social do samba, livro recém-lançado pela editora Civilização Brasileira, os autores Nei Lopes e Luiz Antonio Simas traçam a evolução da palavra ao longo do primeiro século do quase centenário samba, lembrando que, a partir da década de 1990, a indústria fonográfica brasileira se apropriou do termo pagode para designar grupos que cantavam e tocavam um samba diluído em solução pop, em que os teclados disputavam espaço com as percussões. Bambas no assunto, Lopes e Simas apresentam aos estudiosos dos caminhos da música brasileira uma valiosa obra de referência para quem se interessa por samba, discorrendo com propriedade sobre todos os significados sociais e musicais do gênero nascido oficialmente em 1916. Em bom português, o Dicionário da história social do samba não se limita a explicar as modalidades do gênero, os instrumentos usados para produzir a cadência bonita do samba e outros termos de cunho técnico. Há também verbetes de caráter mais abstrato, como consciência negra, que justificam o adjetivo social aplicado no título do dicionário. Há, inclusive, verbetes de cunho político. Em Estado Novo, por exemplo, Lopes e Simas contextualizam o samba no período ditatorial brasileiro que foi de 1937 a 1945. Além dos textos dos verbetes serem bem escritos, o conhecimento de causa dos dois autores do Dicionário da história social do samba credencia o livro como obra segura para consulta e pesquisa de termos relacionados ao gênero. Além de ser expressivo compositor de samba, revelado nos anos 1970, Nei Lopes é bacharel em Direito e Ciências sociais, sendo uma das autoridades nacionais quando o assunto é cultura negra. Luiz Antonio Simas é mestre em História social, tendo escrito diversos livros e artigos sobre escolas de samba do Rio de Janeiro (RJ) e sobre comunidades  nas quais se criam tais agremiações.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Virginia junta Nei Lopes e Paulinho da Viola na África de 'Mama Kalunga'

♪ Quinto álbum da cantora baiana Virginia Rodrigues, Mama Kalunga vai ser lançado no mercado fonográfico em abril de 2015 com 13 faixas e uma capa que expõe escultura de ferro criada pelo artista plástico Cláudio Bisco para o disco. O sucessor de Recomeço (Biscoito Fino, 2008) tem produção erguida por Sebastian Notini e Tiganá Santana sob a direção musical de Iura Ranevsky. Autor da música-título Mama Kalunga, cujo áudio já está em rotação no YouTube, Tiganá Santana se junta no disco a um time de compositores - negros em sua quase totalidade - que inclui Ederaldo Gentil (1943 - 2012), Geraldo Filme (1927 - 1995), Moacir Santos (1926 - 2006), Nei Lopes, Nizaldo Costa, Paulinho da Viola e Roberto Mendes. Esse repertório foi formatado em estúdio com sonoridade nascida da interação da percussão de Sebastian Notini e Marco Lobo com as cordas dos violões de Bernardo Bosisio e Webster Santos e do violoncelo de Iura Ranevsky. Conectado com sons da matriz africana, o álbum Mama Kalunga tem participação da cantora afroperuana Susana Baca em um cântico afrocubano.  Virginia canta temas em dialetos africanos.

domingo, 25 de janeiro de 2015

'Bilac vê estrelas' se ilumina com música de Nei Lopes e verve do elenco

Resenha de musical de teatro
Título: Bilac vê estrelas - Uma comédia musical
Texto: Heloísa Seixas e Julia Romeu com base no livro de Ruy Castro
Direção: João Fonseca
Música e letra: Nei Lopes
Direção musical e arranjos: Luís Filipe de Lima
Elenco: André Dias, Izabella Bicalho, Tadeu Aguiar, Sérgio Menezes, Alice Borges, Reiner
              Tenente, Gustavo Klein, Jefferson Almeida e Saulo Segreto (em foto de Leo Aversa)
Cotação: * * *
Espetáculo em cartaz no Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro (RJ), até 22 de fevereiro de 2015

♪ Exímio letrista, dono de obra musical associada ao universo do samba e à afirmação da negritude, o compositor carioca Nei Lopes abre o leque estilístico de seu cancioneiro com a criação da trilha sonora original do musical Bilac vê estrelas, espetáculo em cartaz no Sesc Ginástico, no Rio de Janeiro (RJ), até 22 de fevereiro. Base do texto de Heloísa Seixas e Julia Romeu, o primeiro livro de ficção do escritor Ruy Castro - Bilac vê estrelas (Companhia das Letras, 2000) - está ambientado no Rio de Janeiro de 1903, o que fez Lopes se aventurar (com êxito) na composição de trilha sonora condizente com os sons de época anterior ao samba, gênero que germinaria na música brasileira nos anos 1910, nascendo oficialmente em novembro de 1916. No universo musical da belle époque carioca, ritmos como valsas e lundus se adequam ao roteiro de espetáculo dirigido por João Fonseca com o tom burlesco e um clima de chanchada já sugeridos pela narrativa original do livro. Lopes compôs 15 músicas, assinando sozinho melodias e letras que jamais traem sua função de ajudar a contar a história, impulsionando a ação de dramaturgia que se revela frágil ao longo dos 100 minutos do espetáculo. A música de Lopes confere vivacidade à encenação, valorizada também por elenco hábil na manutenção do tom burlesco do musical. Habilmente orquestrada pelo diretor musical Luis Filipe de Lima, a trilha sonora original do compositor combina humor e empostação, esta condizente com o estilo parnasiano dos versos do poeta carioca Olavo Bilac (1895 - 1968), interpretado com maestria em trabalho de composição feito por André Dias, talentoso ator já conhecido dos frequentadores de musicais do teatro carioca (O poeta e a palavra é um dos 15 temas do musical que ilustram a capacidade de  Lopes de extrapolar o universo do samba). Estrábico na figura composta por Dias, Bilac é o protagonista de delirante  trama de ficção construída com personagens reais. Entre eles, há o escritor José do Patrocínio (1854 - 1905), personagem do ator Sérgio Menezes. Dona da voz mais bela e potente do elenco, Izabella Bicalho - intérprete da farsante Eduarda Bandeira - tem seu grande momento musical em cena ao dar voz ao Solilóquio de Eduarda com sotaque português afinado com o disfarce português da personagem. Já Alice Borges imprime impagável vivacidade e humor à personagem Madame Labiche, usando sua imediata empatia com a plateia quando sola a Canção cigana, cujo refrão chegar a ser cantado em coro pelo público por conta da expressiva comunicabilidade da atriz. Experiente ator de musicais, Tadeu Aguiar mostra excelente trabalho de corpo, capaz de arrancar risos do público somente com o gestual imponente usado na composição do padre Maximiliano. Entrosado e cheio de verve, o elenco ilumina Bilac vê estrelas, deixando na sombra os pontos fracos do musical - como a dramaturgia e o cenário feio de Nello Marrese - e valorizando os pontos altos, como a trilha sonora de Nei Lopes, cuja maestria na escritura de letras é reiterada por versos como os de Tout le Riô, tema que brinca com o francesismo reinante no Rio dos anos 1900. Musical distante do suntuoso padrão Broadway que se estabeleceu na cena carioca ao longo dos anos 2000, Bilac vê estrelas tem o mérito de buscar linguagem brasileira para gênero tão valorizado atualmente pelos frequentadores do teatro carioca.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Nei Lopes une faixas de dois CDs em coletânea que festeja seus 70 anos

Lançada pela gravadora carioca Fina Flor, a coletânea Samba de Fundamento festeja os 70 anos do compositor carioca Nei Lopes, completados em 9 de maio de 2012. A compilação reúne fonogramas de dois álbuns gravados pelo artista na Fina Flor, Partido ao Cubo (2004) e Chutando o Balde (2009). A seleção das 14 músicas da compilação foi feita pelo próprio Nei.