Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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domingo, 18 de janeiro de 2015

Já na rede, 'Cavalo' refaz conexão de Marcia Castro com Salvador Bahia

♪ Dias após lançar single com gravação inédita do reggae Malandrinha (Edson Gomes, 1988), produzida por Kassin, Marcia Castro joga na rede mais uma música do EP que gravou para este verão de 2015. Já em rotação no YouTube, a gravação de Cavalo celebra a música afro-baiana com pegada festiva que se desvia dos clichês rítmicos da já trintona axé music. Dançante, Cavalo é composição assinada por Castro em parceria com Luciano Salvador Bahia, autor de Queda e de Vergonha, músicas já gravadas pela cantora baiana em seus álbuns Pecadinho (Independente, 2007) e De pés no chão (Deck, 2012), respectivamente. A gravação de Cavalo foi feita no estúdio Parede e Meia, em São Paulo (SP), com produção musical do guitarrista Rovilson Pascoal e do próprio compositor Luciano Salvador Bahia. Victor Rice mixou o fonograma, masterizado por Felipe Tichauer. Assim como a sedutora abordagem do reggae Malandrinha, a boa gravação de Cavalo devolve vida ao canto de Marcia Castro, esmaecido no terceiro álbum da artista, Das coisas que surgem (Sony Music, 2014), produzido por Gui Amabis. EP será editado apenas em formato digital.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Marcia Castro lança 'single' com regravação de reggae de Edson Gomes

♪ Delicioso reggae de autoria de Edson Gomes, lançado pelo cantor e compositor baiano em seu primeiro álbum (Reggae resistência, 1988, EMI-Odeon), Malandrinha ganha registro da cantora baiana Marcia Castro. Lançada hoje em single disponibilizado nas plataformas digitais via Sony Music, a gravação foi produzida por Kassin com os teclados de Marcelo Jeneci, a bateria de Stephane San Juan e a percussão de Michelle ABU. Tão bom quanto o registro original de Edson Gomes, o single de Marcio Castro recoloca a cantora no seu devido lugar de destaque na cena contemporânea brasileira. Clique aqui para escutar o reggae Malandrinha na voz de Marcia Castro.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

'Single' com canção de Lucas e Gui promove o terceiro álbum de Marcia

♪ Apresentado em setembro deste ano de 2014 nas plataformas digitais via Sony Music e recém-lançado em edição física em CD, o terceiro álbum de Marcia Castro, Das coisas que surgem, está sendo promovido atualmente com o single Partículas de amor. Trata-se da regravação da bela canção de Lucas Santtana e Gui Amabis, lançada por Santtana meses antes em seu sexto álbum, Sobre noites e dias (Independente, 2014). O single já foi lançado nas plataformas digitais.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

CD autoral 'Das coisas que surgem' empalidece o canto de Marcia Castro

Resenha de CD
Título: Das coisas que surgem
Artista: Marcia Castro
Gravadora: Edição independente da artista
Cotação: * *

Em abril de 2014, quando Lucas Santanna jogou na web a canção Partículas de amor, composta pelo artista baiano em parceria com o produtor paulistano Gui Amabis, houve um encantamento geral pela beleza melódica e poética dessa apaixonada canção lançada por Santtana em seu recente sexto álbum Sobre noites e dias (Diginois, 2014). Pois boa parte da beleza de Partículas de amor evapora no registro feito pela baiana Marcia Castro para seu terceiro álbum, Das coisas que surgem, lançado hoje - 22 de setembro de 2014 - nas plataformas digitais. Intérprete de personalidade forte que seduziu o universo pop indie com seu desafiador primeiro álbum, Pecadinho (Independente, 2007), Castro vem diluindo a força de seu canto a cada disco. Pecou por excesso de produção no segundo álbum, De pés no chão (Deck, 2012), e seguiu neste decepcionante Das coisas que surgem uma fórmula rala que empalideceu seu canto outrora tão expressivo e mordaz. Não dá para reconhecer a assinatura vocal de Marcia Castro nas onze músicas do disco. Tampouco dá para reconhecer nas letras geralmente inexpressivas das inéditas a força dos versos de arrudA, parceiro de Castro nas cinco inéditas autorais deste disco em que a cantora se apresenta como compositora. Os versos de baladas como a desiludida Beijos de ar (Marcia Castro e arrudA) e O amor tem dessas (Marcia Castro e arrudA), por exemplo, soam quase tão triviais quanto as músicas em si - o que causa até surpresa, já que a poesia do paulistano arrudA costuma voar mais alto, como já provaram discos como Asa (2014), belo álbum solo de Gustavo Galo. Dentro desse esmaecido painel poético, O que me move (Marcia Castro e arrudA) é o destaque absoluto com seus versos dialéticos ("O que me move / É o que me falta / O que não mais espanta / É o que me mata"). Mas o fato é que Das coisas que surgem patina em trilho pop que, não fosse a produção musical de Gui Amabis, jamais se desviaria do convencional mais banal. Mesmo assim, a assinatura de Amabis parece enfraquecida em arranjos feitos com o toque recorrente dos músicos Juninho Costa (guitarra), Régis Damasceno (baixo) e Samuel Fraga (bateria) e do próprio Amabis, responsável pelos teclados e programações. A impressão deixada pelo disco é que Castro quis fazer um disco com possibilidades comerciais, mas sem coragem para sair do mundinho indie no qual está imersa. Nesse sentido, parece que Gui Amabis quis (em vão) ser Michael Sullivan ao compor a balada Esculacho sobre amor extinto. Se o repertório resulta irregular, o canto de Castro soa sem vida e sem emoção. O que esvazia a interpretação de Três da madrugada (Torquato Neto e Carlos Pinto, 2013), feita sem o clima de tristeza nostálgica que permeia a música lançada por Gal Costa em compacto de 1973. Se não há a necessária melancolia em Três da madrugada, falta pegada ao inédito rock Mau caminho, parceria de Arnaldo Antunes com Alice Ruiz em que os poetas se queixam dos precipícios surgidos inevitavelmente na estrada da vida humana. Um clima roqueiro também ambienta Sem mistério (Marcia Castro e arrudA) sem diluir a apatia reinante em Das coisas que surgem. Já Um bom filme perde o foco dado por seu compositor, Gui Amabis, na gravação original feita pelo produtor para seu álbum Trabalhos carnívoros (YB Music, 2012). Já na primeira música, Atalhos (Marcia Castro e arrudA), de ritmo quase tão veloz quanto o ska que pauta a recriação do samba Na menina dos meus olhos (Monsueto e Flora Mattos, 2012) feita com a adesão da cantora Mayra Andrade, Das coisas que surgem mostra que Marcia Castro pegou a onda errada. Não somente porque parece ter fôlego curto como compositora, mas também - e principalmente - por ter diluído o que tem de melhor: a força irônica de seu canto.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Eis a capa do terceiro álbum de Marcia Castro, 'Das coisas que surgem'

♪ Com capa idealizada pela artista plástica Virginia de Medeiros (com auxílio de Jon Medeiros, Zedu Carvalho e Adriana Hitomi), o terceiro álbum da cantora baiana Marcia Castro, Das coisas que surgem, tem lançamento independente programado para 22 de setembro de 2014 nas plataformas digitais. Com 11 músicas, o álbum tem produção assinada pelo paulista Gui Amabis. No disco, Castro se apresenta como compositora, assinando cinco músicas inéditas em parceria com o poeta arrudA (O amor tem dessas, Beijos de ar, O que me move, Atalhos e Sem mistério). Embora essencialmente autoral, o disco inclui no repertório um rock inédito de Arnaldo Antunes com Alice Ruiz, Mau caminho, e regravações de músicas como o samba Na menina dos meus olhos (Monsueto Menezes e Flora Matos, 1962) - revivido por Castro em ritmo de ska com a participação da cantora cubana (criada em Cabo Verde) Mayra Andrade - e a bonita canção Partículas de amor (Lucas Santtana e Gui Amabis, 2014), lançada por Lucas Santtana em seu recém-editado sexto álbum, Sobre noites e dias (Independente, 2013). Das coisas que surgem foi gravado em São Paulo (SP) com o toque de músicos como o violoncelista Jaques Morelenbaum e o baixista Alexandre Dengue (da Nação Zumbi) - entre outros virtuoses.

sábado, 23 de agosto de 2014

Marcia dá voz a 'Partículas de amor' de Lucas e Amabis no terceiro álbum

♪ Embora tenha repertório essencialmente autoral, o terceiro álbum da cantora baiana Marcia Castro, Das coisas que surgem, traz seis músicas de lavra alheia em suas 11 faixas. Além da regravação do samba Na menina dos meus olhos (Monsueto Menezes e Flora Matos, 1962), feita com a cantora cubana (criada em Cabo Verde) Mayra Andrade e já divulgada em maio, o álbum Das coisas que surgem inclui um registro de Partículas de amor (Lucas Santtana e Gui Amabis, 2014). A música também figura no recém-lançado sexto álbum de Santtana, Sobre noites e dias (Independente). Produzido por Gui Amabis, parceiro de Santtana na composição do tema, o CD de Marcia Castro tem lançamento previsto para este segundo semestre de 2014.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Tema de Monsueto anuncia terceiro CD de Marcia, produzido por Amabis

Terceiro álbum da artista baiana Marcia Castro, Das coisas que surgem tem lançamento previsto para agosto de 2014. Produzido pelo guitarrista e arranjador Gui Amabis, o álbum enfatiza em onze faixas a produção autoral da cantora que vai debutar como compositora. Contudo, o primeiro single é a regravação do samba Na menina dos meus olhos (Monsueto Menezes e Flora Matos, 1962), feita por Castro com a participação da cantora cubana (criada em Cabo Verde) Mayra Andrade. "Adorei o caminho novo que construímos, saindo do samba e indo para um ska, divertido e irreverente, assim como meu trabalho", ressalta Castro. O single Na menina dos meus olhos vai ser lançado na web manhã da próxima terça-feira, 3 de junho. De 3 a 9 de junho, a gravação - feita com percussionistas da banda Nação Zumbi - vai estar disponível para download gratuito e legalizado no site oficial de Marcia Castro. A conferir!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Marcia Castro lança em SP clipe que gravou no Rio com direção de Pillar

A foto acima é do making of do clipe da música Vergonha (Luciano Salvador Bahia) e flagra Marcia Castro andando pela orla da Urca, no Rio de Janeiro (RJ). O bairro carioca é cenário natural do clipe da composição gravada pela cantora baiana em seu segundo álbum, De pés no chão (2012). Tema de narrativa já cinematográfica, Vergonha é uma das poucas músicas inéditas lançadas por Castro no disco que sucedeu o aclamado Pecadinho (2007). Inteiramente gravado na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em locações como o Theatro Net Rio e o bairro de Santa Teresa, o clipe tem direção da atriz Patrícia Pillar, que debutou como diretora há dez anos ao filmar em 2003 o clipe da música Saudade da saudade (José Miguel Wisnik e Paulo Neves, gravada pela cantora carioca Eveline Hecker no álbum Ponte aérea (2003). Mauro Pinheiro Jr. assina a direção de fotografia do vídeo, filmado com as câmeras Lomo e 5D. O lançamento do clipe vai ser feito na próxima terça-feira, 23 de julho de 2013, na Serralheria, em São Paulo (SP). O evento vai ter exibição do clipe, do making of e pocket-show de Castro.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Catto, Marcia e Pélico gravam 'Olha só', música cedida por Pélico a Toni

Uma das melhores músicas de Pélico, Olha só - cedida pelo compositor paulista para o recém-lançado primeiro álbum do cantor e compositor Toni Ferreira, CD produzido pelo próprio Pélico - ganhou as vozes dos cantores Filipe Catto e Marcia Castro com a adesão de Pélico, que canta e também toca violão no registro ao vivo captado por Thiago Ravello na Oca - Casa de som, em São Paulo (SP). Idealizada e feita especialmente para o projeto Música de Graça, a gravação está disponibilizada no site oficial do projeto para audição e / ou download gratuito.

sábado, 31 de março de 2012

Marcia Castro se excede na produção do segundo CD, 'De Pés no Chão'

Resenha de CD
Título: De Pés no Chão
Artista: Marcia Castro
Gravadora: Deck
Cotação: * * *

Piada interna nos bastidores musicais dizia que, ao ser lançado pela gravadora Deck neste mês de março de 2012, o segundo álbum de Marcia Castro, De Pés no Chão, corria o risco de ser eleito o melhor disco de 2010. A piada - embebida na ironia que pauta as interpretações da (ótima) cantora baiana para músicas como Vergonha (Luciano Salvador Bahia), uma das poucas inéditas do sucessor de Pecadinho (2007) - se referia ao fato de o disco ter demorado dois anos para chegar ao mercado. Preterido pela Warner Music em 2011, em favor do primeiro álbum da banda Ava, De Pés no Chão confirma o talento e a verve de Marcia Castro, embora seja menos sedutor do que Pecadinho e tenha sido formatado sem a pressão dos shows da artista, vocacionada para os palcos. Em De Pés no Chão, Castro se excede na produção, capitaneada pelo baterista Guilherme Kastrup e pelo guitarrista Rovilson Pascoal em parceria com a cantora. Os arranjos detalhistas - todos criativos e repletos de referências como a evocação do tango pelo acordeom de Ricardo Prato em História de Fogo (Otto e Alessandra Negrini, 2003) - por vezes põem em segundo plano a interpretação de Castro, tornando seu canto menos fervido. O tema de Otto, por exemplo, é aquecido em fogo brando. Pena, pois quem já viu Marcia Castro em cena sabe que suas interpretações cheias de nuances e ironias é que a fizeram se destacar de imediato na cena contemporânea nacional. O toque nordestino da faixa-título, De Pés no Chão, ameniza a pegada do rock lançado por Rita Lee em 1974. "Lacinhos cor-de-rosa ficam bem / Num sapatão / Eu nasci descalça / Pra que tanta pergunta?", questiona Castro ao calçar, livre e assumida, os versos da Ovelha Negra, ouvidos também entre ruídos e loops do remix que encerra o CD  De Pés no Chão. Quando a alentada produção do disco peca, é sempre por excesso. As cordas arranjadas por Luiz Brasil em Logradouro, por exemplo, parecem estar sobrando nessa canção da lavra de Kleber Albuquerque com Rafael Altério. Em contrapartida, os sopros orquestrados por Letieres Leite para Preta Pretinha (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1972) estão no lugar certo. Introduzida por inusitada citação de Gererê (Valfredo Reluzente), sucesso do grupo baiano Gera Samba, a serelepe Pretinha entra com propriedade na roda do samba baiano com toques de afrobeats. Também do repertório do grupo Novos Baianos, a pouco ouvida 29 Beijos (Moraes Moreira e Luiz Galvão, 1971) - música lançada pelo coletivo tropicalista em raro compacto e revivida por Castro em dueto com Hélio Flanders - expõe com clareza a atmosfera indie-contemporânea em que Castro ambienta De Pés no Chão. 29 Beijos e Crazy Pop Rock (Gilberto Gil e Jorge Mautner, 1971) - faixa orquestrada com frescor por Letieres Leite, arranjador dos sopros - destacam as presenças definidoras do guitarrista Rovilson Pascoal (antenadíssimo e habilidoso no manejo de múltiplas cordas) e do baterista Guilheme Kastrup, cujo MPC cria a moldura eletrônica de temas como o samba Catedral do Inferno (Cartola e Hermínio Bello de Carvalho, 1974), repaginado por Castro com a mesma aura indie com que envolve outro samba, Nó Molhado (Monsueto Menezes e José Batista). Um terceiro (ótimo) samba - Pois É, Seu Zé (Gonzaguinha, 1973) - se destaca mais ao fim do disco ao equacionar de forma bem mais equilibrada arranjo e interpretação. Equilíbrio também perceptível em Você Gosta (Tom Zé e Hermes Aquino) - faixa sensual em que o disco expõe a malícia presente no canto de Castro - mas nem sempre detectado neste CD que certamente vai ter suas qualidades evidenciadas com mais clareza na pressão do show. É quando põe os pés no chão do palco que Marcia Castro se mostra por inteiro com a força e a pegada nem sempre aparentes neste coerente segundo CD.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Marcia Castro grava raridade dos Novos Baianos em dueto com Flanders

Nas lojas em março de 2012, em edição da Deck, o segundo álbum de Marcia Castro, De Pés no Chão, traz no repertório raridade da discografia do grupo Novos Baianos, de quem Castro também recria no disco o sucesso Preta Pretinha. Trata-se de 29 Beijos, música lançada pelo grupo em compacto de 1971 e revivida pela cantora em dueto com Hélio Flanders, vocalista do grupo Vanguart. Produzido pela própria Marcia Castro, em parceria com os músicos Guilherme Kastrup e Rovilson Pascoal, o CD De Pés no Chão - sucessor de Pecadinho (2007) - foi batizado com nome de rock de Rita Lee, lançado em 1974. O repertório inclui Nó Molhado (Monsueto), Você Gosta? (Tom Zé com Hermes Aquino), Crazy Pop Rock (Gilberto Gil com Jorge Mautner), História de Fogo (Otto com Alessandra Negrini) e a inédita Vergonha (Luciano Salvador Bahia).

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

'Preta Pretinha' anuncia segundo CD de Marcia Castro, 'De Pés no Chão'

Nas lojas em março de 2012 em edição da Deck, o segundo álbum de Marcia Castro, De Pés no Chão, está sendo promovido com o single Preta Pretinha. A cantora baiana revisita a música de Moraes Moreira e Luiz Galvão - lançada pelo grupo Novos Baianos no álbum Acabou Chorare (1972) - com sopros orquestrados pelo maestro Letieres Leite. Com Castro, Preta Pretinha cai na roda do samba baiano com afrobeats. Sucessor de Pecadinho (2007), o CD De Pés no Chão traz no repertório releitura de canção de Otto e Alessandra Negrini, História de Fogo, gravada por Otto em 2003. A faixa-título é de Rita Lee, tendo sido lançada pela compositora em 1974.

sábado, 19 de março de 2011

Na pressão, show de Marcia Castro é pontuado por sambas e subtextos

Resenha de Show
Evento: Viva Voz
Título: De Pés no Chão
Artista: Marcia Castro (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Oi Futuro Ipanema (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 18 de março de 2011
Cotação: * * * *
Show em cartaz no Oi Futuro Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), até 20 de março de 2011

Em 2007, o lançamento do ótimo CD Pecadinho revelou Marcia Castro, cantora baiana de personalidade forte e musicalidade urdida longe do caldeirão fervente da axé music. Quatro anos depois, o show apresentado pela cantora no Rio de Janeiro (RJ) - dentro projeto Viva Voz, do Oi Futuro Ipanema -  flagra uma artista renovada, em evolução, prestes a lançar um segundo disco que, a julgar pela estreia da minitemporada carioca, vai vir com som cozinhado na pressão, cheio de subtextos e finas ironias. Samba de Gonzaguinha (1945 - 1991), lançado por Claudya em 1973, Pois É, Seu Zé abre o coeso roteiro com a pegada que vai ser mantida ao longo do show. Inédita de Luciano Salvador Bahia, Vergonha destila a tal ironia que também envolve Queda, destaque do CD Pecadinho que também se impõe no roteiro desfiado por Marcia na companhia de quinteto de peso. O som parte muito do samba, mas incursiona por trilhas modernas de contorno pop e jazzy, ainda que o cavaco de Caio Andrade direcione temas como Barraqueira (Manuela Rodrigues) para a levada do samba mais tradicional. Um toque afro tempera certas passagens de História de Fogo (Otto) e Nega Neguinha (Zeca Baleiro), samba que, na estreia, contou com os teclados modernos de Donatinho, convidado também de Nó Molhado - samba de Monsueto e José Batista, em registro que ganha peso - e de Preta Pretinha (Moraes Moreira e Galvão), remodelada em suingante número do bis que começa com esperta citação de Gererê, tema do repertório do grupo baiano É o Tchan. Um trompete pontua números como Logradouro (Kléber Albuquerque e Rafael Altério), tema mais lento que ratifica a salutar opção de Marcia Castro por um repertório nada óbvio, recolhido longe das paradas. Você Gosta? - por exemplo - é obscura parceria de Tom Zé e Hermes Aquino (o compositor gaúcho que emplacou hits como Nuvem Passageira e Desencontro de Primavera em novelas globais dos anos 70) que havia sido gravada em 1969 pelo efêmero grupo Liverpool. Castro realça a malícia de Você Gosta? em abordagem que cai no rock carnavalizante à moda de Rita Lee, de quem, aliás, a cantora recria a afirmativa De Pés no Chão (1974) em clima forrozeiro após apresentar um registro visceral de Crazy Pop Rock (Gilberto Gil e Jorge Mautner, 1971) que evoca a efervescente loucura dos anos 60. Na sequência, o samba Jorge Maravilha (Chico Buarque na pele do fictício Julinho da Adelaide, 1974) vai ganhando peso e ironia na medida em que a repetição do célebre verso "Você não gosta de mim, mas sua filha gosta" reforça a nova e sagaz conotação que a frase ganha na voz da cantora. No fim, Frevo (Pecadinho) - pontuado por uma guitarra carnavalizante - fecha com vivacidade um show que reitera a personalidade, o estilo e as posições de Marcia Castro, perceptíveis também nas projeções dos vídeos e no figurino cheio de charme. Um belo show!!!

Marcia Castro canta no Rio temas de seu segundo CD, 'De Pés no Chão'

De Pés no Chão é o título do segundo CD da cantora baiana Marcia Castro. A música que dá nome ao CD é de Rita Lee e abriu o primeiro álbum gravado por Rita com o grupo Tutti Frutti, Atrás do Porto Tem Uma Cidade (1974). De Pés no Chão integra o roteiro do show apresentado por Marcia Castro neste fim de semana, no Rio de Janeiro (RJ), dentro do projeto Viva Voz do Oi Futuro Ipanema. No show, Castro - vista em foto de Rodrigo Amaral - dá uma prévia do álbum (já em fase final de produção), cantando músicas como Nó Molhado (Monsueto), Você Gosta? (Tom Zé e Hermes Aquino), Crazy Pop Rock (Gilberto Gil e Jorge Mautner), História de Fogo (Otto) e a inédita Vergonha (Luciano Salvador Bahia, o compositor de Queda, destaque do primeiro CD da intérprete, Pecadinho, editado em 2007). Eis o roteiro seguido pela artista na estreia carioca do show, em cartaz até domingo, 20 de março de 2011:

1. Pois É, Seu Zé (Gonzaguinha)
2. Barraqueira (Manuela Rodrigues)
3. Vergonha (Luciano Salvador Bahia)
4. História de Fogo (Otto)
5. 29 Beijos (Moraes Moreira e Galvão)
6. Queda (Luciano Salvador Bahia)
7. Logradouro (Kléber Albuquerque e Rafael Altério)
8. Nó Molhado (Monsueto e José Batista)
9. Nega Neguinha (Zeca Baleiro)
10. Você Gosta? (Tom Zé e Hermes Aquino)
11. Crazy Pop Rock (Gilberto Gil e Jorge Mautner)
12. De Pés no Chão (Rita Lee)
13. Jorge Maravilha (Chico Buarque)
14. Frevo (Pecadinho) (Tom Zé e Tuzé de Abreu)
Bis:
15. Gererê (É o Tchan) / Preta Pretinha (Moraes Moreira e Galvão)