Título: Talking Book
Artista: Macy Gray
Gravadora: 429 Records / Lab 344
Cotação: * * *
Lançado em 1972, o 15º álbum de Stevie Wonder, Talking Book, logo se impôs como obra-prima da década áurea do cantor e compositor norte-americano. Embora embebido em soul e funk (ritmo de seu maior sucesso, Superstition), o disco abriu uma janela pop no cancioneiro de Wonder com a ensolarada canção de amor You Are The Sunshine of My Life sem diluir a visão social do artista, presente em temas como Big Brother. Também nascida em berço norte-americano, Macy Gray tinha três anos quando Talking Book chegou às lojas, em outubro de 1972. Contudo, a perenidade do álbum fez com que Gray fosse mais tarde seduzida pelo disco na medida em que foi crescendo e se familiarizando com a música negra norte-americana. Tal devoção a Talking Book motivou Gray a regravar o disco clássico de Wonder para celebrar o 40º aniversário do álbum. Íntima do universo do soul e do r & b, Gray relê Talking Book com essa sincera devoção, mas sem excessiva reverência, sob a produção de Zoux e Hal Wilner. De todo modo, o segundo consecutivo CD de covers de Gray - sucessor do ótimo Covered (2012) - tampouco oferece visão relevante ou realmente inovadora sobre as 10 músicas, repertório precioso que inclui pérolas como a balada Blame It on the Sun (Stevie Wonder e Syreet Wright). Nada soa ruim. Mas também nada soa especialmente marcante ou memorável, mesmo quando Gray acerta, como em Maybe Your Baby, tema que ganha registro de peso. A épica I Believe (When I Fall in Love It Will Be Forever) - música de Wonder que ganhou letra de Yvonne Wright - também merece menção honrosa, inclusive pelo acento gospel do coro. Entre a reverência quase absoluta ao arranjo original (como na irresistível You Are The Sunshine of My Life) e a salutar tentativa de repaginar uma ou outra música (You've Got It Bad Girl, outra parceria de Wonder com Yvonne Wright, ganhou o toque dos sintetizadores de Zoux), Macy Gray jamais constrange ao reler Talking Book. Mas tampouco anula a persistente sensação de que as gravações feitas por Stevie Wonder há 40 anos são melhores e definitivas.



