Banda em atividade na cena indie carioca desde 2005, Medulla vem lançando uma série de singles digitais - caracterizados como compactos pelos seis músicos do grupo - desde 2006. Sucessor de Fim da trégua (2006), Talking machine (2007) e Capital erótico (2010), O homem bom é o quarto compacto da série e está sendo lançado neste mês de março de 2013, tendo sido disponibilizado para audição e / ou download gratuito no site oficial da banda. Produzido por Alan Lopes e Keops, respectivamente guitarrista e vocalista do Medulla, o single digital apresenta três músicas inéditas. Bom te ver e Perigo (O homem bom) são de autoria solitária de Dudu Valle, o outro guitarrista do sexteto. Já Paralelo ao chão é rock pesado assinado por Dudu com Alan Lopes, Keops, Raony (o outro vocalista do Medulla) e Rodrigo Maria de Jesus. Os sintetizadores da faixa são pilotados por Patrick Lapan, que toca piano em Perigo (O homem bom), tema de tonalidade mais pop. A mixagem do compacto - gravado no estúdio Canto dos Trilhos, no Rio de Janeiro (RJ) - foi dividida entre Chuck Hipolitho e Pedro Garcia. Chris Hansek, da equipe do produtor norte-americano Jack Endino, masterizou O homem bom - disco com o qual Medulla visa ampliar sua visibilidade no universo pop brasileiro.
Guia jornalístico do mercado fonográfico brasileiro com resenhas de discos, críticas de shows e notícias diárias sobre futuros lançamentos de CDs e DVDs. Do pop à MPB. Do rock ao funk. Do axé ao jazz. Passando por samba, choro, sertanejo, soul, rap, blues, baião, música eletrônica e música erudita. Atualizado diariamente. É proibida a reprodução de qualquer texto ou foto deste site em veículo impresso ou digital - inclusive em redes sociais - sem a prévia autorização do editor Mauro Ferreira.
sábado, 9 de março de 2013
Bocelli baixa tom em 'Passione' e banca o sedutor com Jennifer e Nelly
Resenha de CD
Título: Passione
Artista: Andrea Bocelli
Gravadora: Sugar Music / Universal Music
Cotação: * * *
Título: Passione
Artista: Andrea Bocelli
Gravadora: Sugar Music / Universal Music
Cotação: * * *
Andrea Bocelli cai no samba sem sua grandiloquência vocal. Samba de Haroldo Lobo e Niltinho, Tristeza é cantado pelo tenor italiano num português fluente - e, sim, com algum insuspeito suingue - no tom comedido que pauta as interpretações do cantor em Passione, 14º álbum de estúdio do artista, lançado em 29 de janeiro de 2013 e já editado no Brasil via Universal Music. Como todo tenor de estilo operístico, Bocelli está habituado a ostentar em discos a exuberância vocal dos cantores do gênero. Contudo, em Passione, ele baixa o tom - sem abrir mão do aparato orquestral ornamentado por David Foster, produtor e arranjador deste CD poliglota - e banca o sedutor em série de regravações de standards mundiais, três rebobinados em duetos. Bocelli joga seu charme para Jennifer Lopez, Nelly Furtado e até para Edith Piaf (1915 -1963). Trechos de gravação da cantora francesa foram inseridos em La vie en rose (Edith Piaf e Louiguy). Com Jennifer Lopez, o cantor exercita seu espanhol ao rebobinar em tons suaves o bolero Quizás, quizás, quizás (Oswaldo Ferrés), clássico de 1947. Já com Nelly Furtado o clima é de bossa nova, pois o dueto acontece em Corcovado (Antonio Carlos Jobim), tema já em si ambientado numa atmosfera íntima de sedução. De início, Bocelli e Furtado entoam a canção de Jobim em português - ele com mais fluência e menos sotaque do que ela - em registro que deságua na versão em inglês intitulada Quiet nights of quiet stars e assinada por Gene Lees. Ainda na praia da bossa carioca, Bocelli celebra a beleza natural da Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) sem sair do tom. Entre boleros mexicanos como Perfídia (Alberto Borras Dominguez) e hits da canção italiana como Champagne (Domenico Di Francia, Salvatore de Pasquale e Sergio Iodice) e Anema e core (D'Esposito e Titomaglio), Bocelli faz inofensivo jogo de sedução em Passione que vai conquistar o público-alvo do disco.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Ao gravar segundo CD solo, Ellen Oléria recebe Brown em música de Milton
♪ Cantora brasiliense que venceu a primeira edição do programa The voice Brasil, exibida pela TV Globo em 2012, Ellen Oléria foi contratada pela gravadora Universal Music e começou a gravar neste mês de março de 2013, no Rio de Janeiro (RJ), o segundo álbum solo de estúdio, o sucessor de Peça (Independente, 2009). Logo na primeira semana de gravação, a cantora recebeu no estúdio Carlinhos Brown - um dos jurados do The voice Brasil na primeira temporada desta moderna versão dos programas de calouros - para gravar dueto na música Aqui é o país do futebol, parceria de Milton Nascimento com Fernando Brant, lançada em 1970 na bela voz do próprio Milton.
Guitarrista deixa grupo Kasabian e vai para o Beady Eye como baixista
O músico norte-americano Jay Mehler saiu do grupo inglês Kasabian e entrou no grupo Beady Eye, também inglês. Mehler - que ingressou no Kasabian em 2006 para substituir o guitarrista Chris Karloff quando este deixou a banda por divergências internas - passa a integrar a banda de Liam Gallagher como baixista, substituindo Jeff Wootton. Mehler entra no Beady Eye a tempo de tocar no segundo álbum do grupo, em fase de gravação, em Londres, com produção de Dave Sitek. Via Facebook, os músicos do Kasabian postaram um comunicado pacífico com a confirmação da saída de Mehler e elogios ao colega pelos seis anos em que ele esteve no grupo.
Duo She & Him faz cover de Blondie em álbum anunciado com pop retrô
Deliciosa canção de tonalidade pop retrô, à moda dos anos 60, Never wanted your love é faixa que anuncia oficialmente o lançamento do quarto álbum do duo norte-americano She & Him, Volume 3. A música já está em rotação na internet. Sucessor de Volume 1 (2008), Volume 2 (2010) e do álbum natalino A very She and Him Christmas (2011), Volume 3 tem lançamento programado para 13 de maio de 2013. Gravado entre Los Angeles, Nova York e Portland, o disco foi produzido por M. Ward, que integra o duo com a cantora Zooey Deschanel. O repertório encadeia 13 músicas em 14 faixas, sendo que 10 são inéditas e uma, I could've been your girl, aparece duplamente no disco. Os três covers são Sunday girl (música lançada pela banda norte-americana Blondie em seu álbum Parallel lines, de 1978), Baby (tema da lavra da compositora norte-americana Ellie Greenwich, morta em 2009) e Hold me, thrill me, kiss me (música composta por Harry Noble em 1952 e gravada com sucesso pelo cantor norte-americano Mel Carter em 1965). Eis as 14 faixas de Volume 3, o quarto álbum de She & Him:
1. I’ve got your number, son
2. Never wanted your love
3. Baby
4. I could’ve been your girl
5. Turn to white
6. Somebody sweet to talk to
7. Something’s haunting you
8. Together
9. Hold me, thrill ne, kiss me
10. Snow queen
11. Sunday girl
12. London
13. Shadow of love
14. I could’ve been your girl - reprise
Laura Marling vai lançar em maio seu quarto álbum, 'Once i was an eagle'
Cantora inglesa de indie-folk, Laura Marling vai lançar seu quarto álbum, Once i was an eagle, em 27 de maio de 2013. O sucessor de A creature i don't know (2011) foi gravado no estúdio Three Crows, de propriedade de Ethan Johns, o produtor do disco, gravado com a participação da violoncelista Ruth de Turberville. Eis as 16 faixas do CD Once i was an eagle:
1. Take the night off
2. I was an eagle
3. You know
4. Breathe
5. Master hunter
6. Little love caster
7. Devil's resting place
8. Interlude
9. Undine
10. Where can i go?
11. Once
12. Pray for me
13. When were you happy? (And how long has that been)
14. Love be brave
15. Little bird
16. Saved these words
quinta-feira, 7 de março de 2013
Franz Ferdinand apresenta sete músicas de seu quarto álbum de estúdio
A caminho do Brasil neste mês de março para se apresentar pela sexta vez no país, o quarteto escocês Franz Ferdinand se prepara para lançar seu quarto álbum de estúdio em meados deste ano de 2013. Ainda não há informações oficiais sobre a gravação e o repertório do sucessor de Tonight (2009). Contudo, o grupo já vem apresentando sete músicas inéditas em shows - Evil eye, Fresh strawberries, I’ll never get your bullet out of my head, Stand on the horizon, The blackpool illuminati, Trees & animals e Right thoughts, right words, right action - que provavelmente figuram no repertório do disco. A banda não se pronunciou sobre tais músicas.
'La Família 013', álbum de Charlie Brown Jr., tem 'single' e futuro incerto
Por ironia do destino, o single do próximo álbum do grupo Charlie Brown Jr. chegou às rádios na data em que o líder da banda, Alexandre Magno Abrão (9 de abril de 1970 - 5 de março de 2013), o Chorão, saiu de cena. De tonalidade suave, o single se chama Meu novo mundo e mostra que, ao menos na música, Chorão parecia mais pacificado. Intitulado La Família 013, o álbum seria lançado neste ano de 2013, mas sua edição se tornou incerta com a morte de Chorão e com a consequente desativação do grupo formado em Santos (SP) em 1992. De todo modo, certamente haverá gravadoras dispostas a lançar no mercado o que se transformou no CD póstumo de Charlie Brown Jr. - sem falar na provável edição de inéditas gravações ao vivo.
Seu Jorge finaliza em Los Angeles álbum gravado com Atwood-Ferguson
Extraída de vídeo postado por Seu Jorge em seu site oficial, a foto acima flagra Seu Jorge em Los Angeles (EUA) durante a gravação de disco produzido por Mario Caldato. Desde o início deste ano de 2013, Seu Jorge tem se alternado entre Brasil e Estados Unidos para finalizar o álbum, gravado com a participação do violinista e arranjador norte-americano Miguel Atwood-Ferguson, conhecido nos EUA por ter unido o mundo da música erudita ao universo do hip hop. No CD, Seu Jorge dá voz a composições como Far from the sea (Robertinho Brant e Emerson Pena), lançada pela cantora Bebel Gilberto em seu (irregular) quarto álbum, All in one (2009).
Sai de cena Luiz Jasmin, criador de capas de discos de Bethânia e Clara
Exposta na capa do álbum Recital na Boite Barroco (1968), primeiro disco ao vivo de Maria Bethânia, a imagem tropicalista da cantora baiana é de autoria de Luiz Jasmin, artista plástico também baiano que saiu de cena nesta quinta-feira, 7 de março de 2013, em Pernambuco, Estado onde se radicou nos anos 80. Vítima de complicações de câncer, Jasmin tinha 72 anos. Além desta (censurada na época) capa de Bethânia, Jasmin assinou a capa do álbum posterior da cantora, Maria Bethânia (1969), e a do sexto álbum de Clara Nunes (1942-1983), de 1973.
'As time goes by' coleta gravações da fase 'indie' de Bennett nos anos 70
Tony Bennett gravou a maior parte de sua discografia na Columbia, gravadora pela qual lançou seu primeiro álbum, em 1952, e à qual ainda permanece vinculado neste ano de 2013. Contudo, em 1972, o cantor norte-americano se desentendeu com a diretoria da companhia - que pretendia modernizá-lo - e fundou seu próprio selo, Improv, pelo qual lançou vários álbuns entre 1972 e 1977. Atualmente pertencentes ao catálogo do Concord Music Group, tais gravações são a matéria-prima da compilação As time goes by - Great american songbook classics, lançada em fevereiro deste ano de 2013 em escala mundial, com distribuição da Universal Music, para faturar com a revalorização do artista no mercado fonográfico. No auge da maturidade como intérprete, Bennett dá voz (perfeita) na coletânea a 20 clássicos da música norte-americana em 12 faixas. A diferença entre o número de faixas e músicas é resultante do fato de a compilação incluir medley com nove temas do compositor norte-americano Cole Porter (1891 - 1964), gravado por Bennett para o álbum Life is beautiful (1975), do qual foram extraídos também os registros de As time goes by (Herman Hupfeld) e Reflections (Duke Ellington, Milt Raskin e Marjorie Houseman). As time goes by - Great american songbook classics rebobina standards como Blue moon (Richard Rodgers e Lorenz Hart), The lady is a tramp (Richard Rodgers e Lorenz Hart) e This can't be love (Richard Rodgers e Lorenz Hart), ouvidos em fonogramas extraídos de Tony Bennett sings 10 Rodgers & Hart songs (1973), álbum que ganhou imediata sequência, Tony Bennett sings more great Rodgers & Hart (1973), representado na coletânea - produzida por Nick Philips - pela gravação de I wish i were in love again (Richard Rodgers e Lorenz Hart). Há ainda três fonogramas dos álbuns The Tony Bennett Bill Evans album (1975) e Tony Bennet & Bill Evans together again (1977), ambos gravados pelo cantor - como já explicitam seus títulos - com o pianista norte-americano de jazz Bill Evans (1929 - 1980). Bennett deita e rola na escala musical ao dar voz aos 20 clássicos dessas 12 belas gravações que mereciam voltar ao catálogo.
Sucesso do Mumford & Suns abre caminho nos EUA para Treetop Flyers
No rastro da consagração mundial do Mumford & Sons, cujo disco Babel (2012) foi laureado no último Grammy com o troféu de Álbum do ano, outro grupo inglês de folk rock - Treetop Flyers, formado em Londres em 2009 e projetado em 2011 - tenta a conquista dos Estados Unidos. De contrato assinado com o selo norte-americano Partisan Records, o quinteto vai editar seu primeiro álbum nos EUA em 25 de junho de 2013. Intitulado The moutain moves, o CD vai ser lançado na Inglaterra em 29 de abril pelo selo indie Loose Music. Sucessor dos EPs Bury to past e Things will change, The mountain moves tem produção assinada por Noah Georgeson. Pelo título do álbum, já dá para perceber que o Treetop Flyers embute em seu folk as mesmas referências bíblicas do Mumford & Sons. Eis as 11 músicas do disco The mountain moves, gravado em Malibu por Reid Morrison (voz e guitarra), Sam Beer (guitarrra e vocal), Laurie Sherman (guitarra), Matthew Starritt (baixo e vocal) e Tomer Danan (bateria e vocal):
1. Things will change
2. Houses are burning
3. Waiting on you
4. Rose
5. She's gonna' run
6. Haunted house
7. Postcards
8. Making time
9. Picture sho
10. Storm will pass
11. Is it worth it
quarta-feira, 6 de março de 2013
Ney vai gravar 'Freguês da meia-noite' com Criolo em seu próximo disco
Um dos pontos altos do show Atento aos sinais, de Ney Matogrosso, a música Freguês da meia-noite - sensual canção abolerada de aura kitsch lançada pelo compositor Criolo em seu álbum Nó na orelha (2011) - tem presença garantida no disco de estúdio que vai ser gravado por Ney com base no show que estreou em Juiz de Fora (MG) em 28 de fevereiro de 2013 e que chega esta semana a São Paulo (SP). A intenção de Ney - em foto de Mauro Ferreira - é gravar a música no CD com Criolo, reproduzindo no estúdio dueto já feito em show do rapper.
Mariene dá voz aos Brasis, hits, sons e credos de Clara com naturalidade
Resenha de CD e DVD
Título: Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes
Artista: Mariene de Castro
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *
Título: Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes
Artista: Mariene de Castro
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * *
Diz Mariene de Castro, em texto escrito para o encarte do CD e DVD Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes, que se sente feliz por cantar os Brasis, os sons e os credos da cantora mineira, morta há 30 anos, em 2 de abril de 2013. A bem da verdade, a cantora baiana sempre cantou os sons e os credos afro-brasileiros propagados na voz emblemática de Clara Nunes (1942 - 1983) entre 1971 e 1982, período áureo da discografia da artista. Por isso, o repertório da Guerreira caiu tão bem na voz de Mariene. A conexão soa totalmente natural em temas como Ijexá (Edil Pacheco, 1982). Mesmo assim, Ser de luz resulta menos caloroso no DVD do que no palco do Espaço Tom Jobim, o teatro do Rio de Janeiro (RJ) em que o show em tributo a Clara foi gravado em 9 de outubro de 2012. Mariene de Castro é intérprete calorosa, domina o palco com radiante presença cênica, mas parte desse calor se dissipou na captação ruim de áudio e imagem. Ainda assim, o tributo soa sincero, honesto, como sinaliza o incontido choro da artista em Um ser de luz (João Nogueira, Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1983), faixa exclusiva do DVD (assim como as demais músicas do show Tabaroinha). O toque do acordeom de Cicinho Assis põe leve tempero nordestino em sambas como Coisa da antiga (Wilson Moreira e Nei Lopes, 1977) - gravado em dueto com um protocolar Zeca Pagodinho - e Menino Deus (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1974) sem diluir a reverência da produção musical de Alceu Maia aos (imbatíveis) registros originais de Clara Nunes. Mesmo assim, por ter luz própria, Mariene escapa da armadilha de ser mero clone da artista que celebra com sua verdade. Sua personalidade está perceptível nas saudações pessoais que embute no discurso de Guerreira (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1978), para citar somente um exemplo. Há total identificação com o universo do repertório - vale repetir. Com exceção do samba-enredo Portela na avenida (Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro, 1981), todas as músicas do cancioneiro de Clara cantadas por Mariene transitam pelo universo do repertório da cantora baiana, voltado para os sambas de temática afro-brasileira e com alguns temas forrozeiros que encontram eco em Feira de mangaio (Sivuca e Glória Gadelha, 1977), sucesso de Clara em 1979. Por isso mesmo, a seleção das 16 músicas soa bem preguiçosa. Por prováveis razões comerciais, o CD/DVD Ser de luz - Uma homenagem a Clara Nunes prioriza somente os hits da Guerreira. Há joias escondidas na discografia de Clara que poderiam resultar mais impactantes do que os registros de músicas como A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1975) e O mar serenou (Candeia, 1975). Tanto que, no quesito interpretação, o único número realmente surpreendente do DVD é Coração leviano (Paulinho da Viola, 1977) porque, nele, Mariene se dissocia por completo da luminosa matriz. O majestoso samba bate em compasso cadenciado num tom seco e levemente interiorizado que condiz com a melancolia dos versos de Paulinho. Enfim, Mariene de Castro é das melhores cantoras projetadas nos anos 2000. Seus shows são incandescentes. Por isso mesmo, o DVD resultante da calorosa gravação do show em tributo a Clara Nunes não irradia toda a luz dessa baiana boa que gosta de samba e da roda. Baiana hábil ao recontar o conto de areia de Clara.
Camaleônico, Harper entra na pele de bluesman em CD com Musselwhite
Resenha de CD
Título: Get up!
Artista: Ben Harper e Charlie Musselwhite
Gravadora: Stax Records / Concord Music / Universal Music
Cotação: * * * *
Título: Get up!
Artista: Ben Harper e Charlie Musselwhite
Gravadora: Stax Records / Concord Music / Universal Music
Cotação: * * * *
Ben Harper é cantor e compositor camaleônico. Capaz de compor canção pop e radiofônica com Vanessa da Mata, o artista norte-americano já gravou até (sublime) disco de música gospel, There will be a light (2004), com o grupo The Blind Boys of Alabama. No seu 11º álbum de estúdio, Get up!, Harper entra na pele de bluesman ao lado de Charlie Musselwhite, gaitista-ícone do blues, e faz bonito. Lançado em janeiro deste ano de 2013, Get up! - já disponível no mercado brasileiro em edição da Universal Music - é legítimo álbum de blues produzido pelo próprio Ben Harper, compositor de todas as músicas inéditas, algumas assinadas em parceria com Jason Mozersky e com Jesse Ingalls. Como salta aos ouvidos logo na primeira das dez músicas, Don't look twice, Harper e Musselwhite tocam blues à moda antiga sem a intenção de soarem modernos e sem links com o universo pop - ainda que a balada You find another lover (I lost another friend) tenha certo apelo pop e ainda que I don't believe a word you say tenha o peso de um blues de carga roqueira. Embora Harper assine o álbum com Musselwhite, Get up! é - a rigor - um disco de Harper. A gaita de Musselwhite é a cereja do bolo, o tempero de faixas pontuadas pelo improviso, sobretudo na música-título Get up!, levada em clima de blues session. Para quem gosta de blues à moda de Chicago, temas como I'm in i'm out and i'm gone são prato farto e delicioso. Harper vestiu bem a pele de bluesman.
Cérebro e voz do grupo Charlie Brown, Chorão sai de cena quase aos 43
Alexandre Magno Abrão (9 de abril de 1970 - 5 de março de 2013), o Chorão, tinha uma banda, mas, a rigor, Charlie Brown Jr. foi o grupo de um homem só. Chorão - como era conhecido artisticamente o cantor e compositor de Santos (SP) que saiu de cena quase aos 43 anos, tendo sido encontrado morto na manhã desta quarta-feira em seu apartamento em São Paulo (SP) - sempre foi a voz, o cérebro e o mentor do Charlie Brown Jr. Tanto que foi o único integrante que permaneceu em todas as formações da banda que fundou em Santos (SP) em 1992 com Champignon, Marcão, Renato Pelado e Thiago Castanho. Criado em família pobre, Chorão tinha personalidade difícil, manifestada já na infância e na adolescência problemáticas. Esse temperamento - quente como o som do grupo - gerou atribulações na vida do artista mesmo quando ele já era famoso. Chorão colecionou desafetos dentro e fora do meio musical. Mas também admiradores. Contudo, na maioria das vezes, o talento e o carisma do cantor - tanto como vocalista do Charlie Brown Jr. quanto como principal compositor do grupo - pairaram acima de suas confusões. Ao tocar rap, rock e reggae com a linguagem e os códigos do hardcore, a banda santista estabeleceu empatia quase imediata com a parcela (imensa) da juventude que se sentia à margem da sociedade, excluída dos círculos da elite burguesa. A entrada do Charlie Brown na Virgin Records (gravadora associada à multinacional EMI Music), na segunda metade dos anos 90, amplificou o discurso e o público da banda, cujo primeiro álbum, Transpiração contínua prolongada (1997), foi bem recebido pela geração MTV e gerou sucessos como Proibida pra mim (Grazon), canção que mostrou que, no peito do rebelde com causa, também batia um coração apaixonado. Por sua natureza melodiosa, a música acabou parando na voz de Zeca Baleiro, que a gravou três anos depois no CD Líricas (2000) e recentemente a regravou em dueto com o próprio Chorão para DVD editado em 2012. Segundo álbum de estúdio da banda, Preço curto... Prazo longo (1999) manteve alta a cotação do grupo no mercado fonográfico com o estouro das faixas Zóio de lula e Te levar, música propagada por anos a fio na trilha sonora de Malhação, a novela juvenil da TV Globo. Ao longo dos anos 2000, a banda continuou gravando discos regularmente - com destaque para Bocas ordinárias (2002) - e obtendo vendas expressivas na primeira metade daquela década. Aos poucos, contudo, Charlie Brown Jr. foi deixando de ser a bola da vez. O temperamento de Chorão provocou as sucessivas saídas de vários músicos da banda. Mesmo assim, o vocalista continuou fiel ao seu grupo e ao seu público. O carisma de Chorão no palco e sua empatia com o público-alvo do Charlie Brown Jr. continuaram intactos, como pode ser atestado no último registro de show da banda, Música popular caiçara - Charlie Brown Jr. ao vivo, DVD e CD lançados pela gravadora indie Radar Records em 2012. Mesmo controvertido, Chorão sai de cena de forma inesperada, mas fica na História do universo pop brasileiro como um jovem que encontrou na música uma brecha para se comunicar, progredir e sair da margem da sociedade.
Arnaldo grava clipe de 'Olha pra mim' com o filho Brás para trilha de filme
Arnaldo Antunes gravou o clipe de música inédita de sua autoria, Olha pra mim, para a trilha sonora do filme A busca, que marca a estreia como ator do filho do artista, Brás Moreau Antunes. Arnaldo gravou o clipe - já em rotação no YouTube desde 4 de março de 2013 - com seu filho (à direita na foto de Isabel Valiente) e com o músico Beto Villares. O longa-metragem de Luciano Moura tem estreia programada nos cinemas para 15 de março de 2013.
terça-feira, 5 de março de 2013
Eis o cartaz de 'Somos tão jovens', filme que foca início de Renato Russo
Este é o cartaz de Somos tão jovens, filme de ficção que conta a história de Renato Russo (1960 - 1996) até a formação da banda Legião Urbana. Assinado pelo diretor e roteirista Antonio Carlos da Fontoura, o longa-metragem foca Brasília (DF) no período que vai de 1976 a 1986, englobando a criação do grupo Aborto Elétrico. Renato Russo é interpretado por Thiago Mendonça, ator que já encarnou o cantor sertanejo Luciano no filme 2 filhos de Francisco (2005). Somos tão jovens tem estreia prevista nos cinemas do Brasil para 3 de maio de 2013.
CD de 'Guerra dos sexos' destaca Marisa, Elis e duo de Dussek com Elza
Já nas lojas, em edição da gravadora Som Livre, o CD com a trilha sonora nacional da novela Guerra dos sexos veicula a irregular seleção musical da novela exibida às 19h pela TV Globo. Mesmo aquém do padrão Globo de qualidade, a trilha do remake da trama de 1983 destaca gravações de Marisa Monte (Aquela velha canção, faixa mais popular do último álbum da cantora, O que você quer saber de verdade), Rita Lee (Rapaz, fonograma do álbum Reza), Célia (Nosso amor) e Elis Regina (1945 - 1982), presente no disco com Comigo é assim, sobra de seu álbum Elis, como e porque (1969), lançada em 2012. O CD Guerra dos sexos apresenta gravação inédita do ator e cantor Daniel Boaventura - São Paulo, São Paulo (Oswaldo Fagnani, Mario Manga e e Marcelo Galbetti), registrada para a novela - e traz dueto de Eduardo Dussek com Elza Soares em Vem que tem, tema da lavra bem-humorada de Dussek.
Warner edita DVD com o programa 'Ensaio' gravado por Moreira em 1990
Recém-lançado pela Warner Music dentro de sua série de DVDs com entrevistas e números musicais filmados para Ensaio, o programa comandado pelo diretor Fernando Faro na TV Cultura, o DVD dedicado a Moreira da Silva (1902 - 2000), o Kid Morengueira, tem valor adicional por ser o único registro audiovisual do cantor carioca, pioneiro propagador do samba de breque. O Ensaio de Moreira foi gravado em 1990. No programa, ele contou sua história e recordou sambas como Acertei no milhar, Amigo urso, Olha o Padilha e Na subida do morro.
Lil Wayne revela capa e músicas de seu álbum 'I am not a human being II'
Previsto de início para ter sido lançado em 2012, mas adiado sucessivas vezes, o décimo álbum de estúdio do rapper norte-americano Lil Wayne - I am not a human being II, sequência do disco lançado em 2010 - vai chegar às lojas (em tese) em 26 de março de 2013 em edição da Cash Money Records em parceria com a Republic Records. Com capa assinada por Donda, I am not a human being II enfileira 12 artistas convidados ao longo de suas 15 faixas. O time de estrelas inclui 2 Chainz, Drake e Nicki Minaj, entre outros nomes da cena de hip hop dos EUA.
2. Curtains - com Boo
3. Days and days - com 2 Chainz
4. Gunwalk - com Gudda Gudda
5. No worries - com Detail
6. Back to you
7. Trigger finger - com Soulja Boy
8. Beat the shit - com Gunplay
9. Rich as fuck - com 2 Chainz
10. Trippy - com Juicy J
11. Bitches love me - com Drake e Future
12. Romance
13. God bless America
14. My homies still - com Big Sean
15. Lay it down - com Nicki Minaj
DJ Vivi Seixas toca Raul na sua pista e no CD de remixes 'Geração da luz'
A DJ Vivi Seixas toca Raul na sua pista e também em disco. Filha de Raul Seixas (1945 - 1989), a artista apresenta remixes de 10 músicas do repertório do Maluco Beleza no CD Geração da luz - Clássicos de Raul Seixas metamorfoseados. Nas lojas neste mês de março de 2013, com distribuição da Warner Music, o disco de remixes traz para as pistas hits de Raul como Aluga-se (Raul Seixas e Claudio Roberto, 1980), Como vovó já dizia (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974), Mosca na sopa (Raul Seixas, 1973), O carimbador maluco (Raul Seixas, 1983) e Rock das 'Aranhas' (Raul Seixas e Claudio Roberto, 1980). Vivi Seixas também joga luz sobre temas pouco ouvidos de seu pai, casos de Conversa pra boi dormir (Raul Seixas, 1980), de Só pra variar (Raul Seixas, Kika Seixas e Claudio Roberto, 1980) e da faixa-título Geração da luz (Raul Seixas e Kika Seixas, 1984), música que fecha o cultuado álbum Metrô linha 743 (1984).
All You Need Is Love, banda cover dos Beatles, grava DVDs na Inglaterra
Banda paulista que atua como cover dos Beatles, All You Need Is Love seguiu a rota Brasil - Inglaterra em fevereiro deste ano de 2013 para gravar três DVDs em locais emblemáticos na trajetória dos Fab Four. O projeto triplo é intitulado Ao vivo na Inglaterra. O primeiro DVD vai exibir show gravado pelo grupo em Abbey Road, estúdio onde os Beatles deram forma aos seus álbuns. O segundo DVD é documentário sobre a Beatlemania, produzido com direção do cineasta carioca Daniel Ferro. Já o terceiro DVD foi filmado em show feito pelo All You Need Is Love no Cavern Club - como mostra a foto de Andréa Simões. Neste show, realizado em 19 de fevereiro, o grupo tocou na casa de Liverpool - ponto de partida dos Beatles em sua rota consagradora - as 14 músicas do primeiro álbum do quarteto inglês, Please please me (1963).
'Face de Narciso' puxa 'Luar de sol', CD/DVD que Vercillo lança em maio
Música que vai entrar em rotação nacional na trilha sonora de Flor do Caribe, a novela das 18h que a TV Globo vai estrear em 11 de março de 2013, Face de Narciso é faixa estrategicamente escolhida por Jorge Vercillo para promover o seu próximo DVD e CD ao vivo, Luar de sol. A música é parceria do cantor e compositor carioca com Jota Maranhão. Nas lojas a partir de maio, em edição da Posto 9 distribuída pela Microservice, Luar de sol é o registro ao vivo do show captado - sob direção de Darcy Bürger - em setembro de 2012 no Theatro José de Alencar, em Fortaleza (CE). No DVD, Vercillo recebe artistas cearenses como Paulo Façanha, Adelson Viana, Melquíades Ferraz, Edinho Vilas-Boas, Darlington
Mesquita, Thiago Rodrigues e a dupla Ítalo e Renno. O repertório apresenta o primeiro registro fonográfico de Coragem, parceria de Vercillo com Claudionor Viana Teles Velloso (1907 - 2012), a centenária Dona Canô. Feita a partir de frase dita pela mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia - "Ser feliz é pra quem tem coragem" - em conversa com Vercillo na cidade Santo Amaro da Purificação (BA), a música Coragem já tinha sido lançada na internet em fevereiro de 2012. Além de Coragem, Vercillo dá voz a temas como Numa corrente de verão (parceria sua com Marcos Valle), o samba ternário Raiou (Jorge Vercillo), Apesar de cigano (Altay
Veloso e Aladim Texeira) e Oração Yoshua ( Jorge Vercillo e Paulo
Feital). Com clipes gravados no Ceará e alocados nos extras, o DVD Luar de sol foi produzido em parceria com o Canal Brasil, que vai exibir em 31 de março um inédito especial resultante da gravação ao vivo.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Mariah grava em Las Vegas álbum com baladas e produtores como Dupri
Mariah Carey está gravando em Las Vegas (EUA) álbum de inéditas que vai ter muitas baladas no repertório. Sucessor de Memoirs of an imperfect angel (2009), o disco está sendo gravado pela cantora norte-americana com adesões de produtores como Jermaine Dupri, Bryan-Michael Cox, Big Jim Wright, Hit-Boy, The-Dream e Rodney Jerkins, entre outros produtores dos EUA.
'Girl talk', terceiro álbum da inglesa Kate Nash, é lançado no Reino Unido
Girl talk - terceiro álbum de estúdio da cantora e compositora inglesa Kate Nash - está sendo lançado no Reino Unido nesta segunda-feira, 4 de março de 2013. Produzido por Tom Biller e Jeff Ellis, o CD alinha músicas como Part heart, Rap for rejection, Labyrinth e Conventional girl entre 15 faixas. Girl talk sucede Made of bricks (2007) e My best friend is you (2010).
M.I.A. lança em abril seu quarto álbum, 'Matangi', formatado com Hit-Boy
Nome de batismo de M.I.A., Matangi é o título do quarto álbum de estúdio da artista inglesa. O lançamento está previsto para 15 de abril de 2013. Sucessor de Maya (2010), Matangi está sendo promovido com mix de oito minutos assinado por Kenzo. Várias faixas do CD foram formatadas por Hit-Boy, produtor atuante no universo do hip hop norte-americano. Matangi chegaria às lojas em 2012 - ano em que a rapper lançou single extra-oficial, Bad girls - mas teve seu lançamento adiado pela Interscope Records. Diretores da gravadora teriam se decepcionado com o tom positivo do disco. Consta que músicas como Bring the noise, You my love, Come walk with me, Rain e People - entre outras - estariam no repertório de Matangi.
domingo, 3 de março de 2013
Voz do grupo The Miracles, Bobby Rogers sai de cena nos EUA aos 73
Uma das vozes originais do grupo norte-americano The Miracles, do qual foi integrante entre 1956 e 2011, o cantor e compositor Bobby Rogers (19 de fevereiro de 1940 - 3 de março de 2013) saiu de cena neste domingo, em Detroit (Michigan, EUA), aos 73 anos. Rogers fundou o grupo em 1956 com Claudette Rogers, Pete Moore, Ronnie White e Smokey Robinson, que logo se destacaria no conjunto. Tanto que seu nome passou a vir a frente do nome do grupo a partir de 1965. Além de cantor, Rogers teve atuação destacada como compositor, fazendo músicas para cantores e grupos da gravadora Motown, período em que firmou parceria com o amigo Smokey Robinson. É da lavra da dupla, por exemplo, The way you do the things you do, o primeiro sucesso do grupo norte-americano The Temptations - entre outros hits da Motown.
Cozza vai registrar ao vivo em São Paulo show em que homenageia Clara
A cantora paulista Fabiana Cozza planeja fazer neste primeiro semestre de 2012, em São Paulo (SP), o registro ao vivo de Canto sagrado, show em que celebra a cantora mineira Clara Nunes (1942 - 1983). Estreado em 2012, o espetáculo foi concebido em saudação aos 70 anos de nascimento da Guerreira, completados em agosto de 2012. No show, Cozza - vista em foto de Manoel de Brito - dá voz a músicas como A deusa dos orixás (Romildo Bastos e Toninho Nascimento), Novo amor (Chico Buarque), Feira de mangaio (Sivuca e Glorinha Gadelha) e Meu sapato já furou (Mauro Duarte), entre outras músicas gravadas por Clara entre 1973 e 1982.
Cantora Little Boots vai lançar em maio seu segundo álbum, 'Nocturnes'
Cantora e compositora britânica de electropop, Little Boots vai lançar seu segundo álbum neste ano de 2013. O sucessor de Hands (2009) se chama Nocturnes e tem lançamento agendado para 5 de maio. Das 10 músicas, duas - Shake e Every night i say a prayer - já tinham sido mostradas pela artista, em 2011 e 2012, respectivamente. Eis as músicas do álbum Nocturnes:
1. Motorway
2. Confusion
3. Broken record
4. Shake
5. Beat beat
6. Every night i say a prayer
7. Crescendo
8. Strangers
9. All for you
10. Satellite
Jards Macalé chega aos 70 anos no controle do movimento de seu barco
Jards Macalé completa 70 anos neste domingo, 3 de março de 2013, sem maldições, no controle do movimento de seu barco. Que navega em ritmo próprio, às margens da indústria do disco. Assim como sua música, que extrapola rótulos e ritmos, o cantor e compositor sempre trilhou caminho particular, sem turmas, ainda que seu nome esteja associado na música brasileira ao nome de poetas como Waly Salomão (1943 - 2003), parceiro na criação de músicas propagadas em vozes emblemáticas como as das cantoras baianas Gal Costa e Maria Bethânia. Carioca, Macalé emergiu na efervescente cena tropicalista do fim dos anos 60. Mas nunca ficou na aba de Caetano Veloso e Gilberto Gil, arquitetos do movimento. Logo desfolhou a própria bandeira.Talvez por isso mesmo, Caetano reconheça, grato, a participação decisiva de Macalé na criação da sonoridade de um de seus álbuns mais cultuados, o Transa de 1972, disco inspirador da aclamada fase Cê do compositor baiano. Parafraseando o título de seu segundo álbum, lançado em 1974, Macalé logo aprendeu a nadar. Contra a maré. Sabe que o que faz é música. E música feita sem concessões, sem apelações, corre o risco de ser rotulada como maldita pelos executivos do mercado comum da música. Mas benditos são os artistas que, como Jards Macalé, chegam aos 70 anos no comando do barco. Parabéns, Jards Macalé!!!
EMI relança caixa 'Clara' e reedita álbuns clássicos da cantora com bônus
Por conta dos 30 anos de morte de Clara Nunes (1942-1983), a gravadora EMI Music - dona da obra fonográfica registrada na Odeon pela cantora mineira entre 1966 e 1982 - vai repor em catálogo os álbuns da artista a partir deste mês de março de 2013. Além da reedição da caixa Clara (2004), revisada por Vagner Fernandes (biógrafo da cantora), a EMI pretende reeditar de forma avulsa os álbuns mais emblemáticos da discografia da intérprete - em foto de Wilton Montenegro - em embalagem digipack e com faixas-bônus. Já os álbuns da caixa Clara voltam às lojas no formato 2 em 1, mas, desta vez, os álbuns Clara Nunes (1973) e Claridade (1975) serão reeditados com reproduções fiéis das capas originais. Na primeira edição da caixa, as capas saíram com adulterações. A morte de Clara vai completar 30 anos em 2 de abril de 2013.
Daniel lança gravação de música de Brown feita com percussão do autor
A convivência de Daniel com Carlinhos Brown no júri do programa The Voice Brasil - exibido pela TV Globo em 2012 - gerou frutos para o cantor de estilo sertanejo pop romântico. Daniel gravou uma das canções mais bonitas da lavra recente de Brown - Tantinho, lançada pelo compositor baiano em 2010 - e jogou a gravação na rede com alarde. Brown toca percussão na gravação, já disponibilizada por Daniel para download gratuito e legalizado em seu site oficial.
Sem data para gravar o terceiro álbum, Adele vai criar outro tema de 007
Informações extra-oficiais sustentam que Adele vai dar voz a um segundo tema de filme de James Bond. No embalo do sucesso de Skyfall, a música composta pela cantora e compositora inglesa com o produtor Paul Epworth para o filme Operação Skyfall, a artista já teria até assinado contrato para criar a música-título do próximo filme de 007. A ideia dos produtores da franquia é tornar Adele uma voz oficial dos temas de Bond - tal com Shirley Bessey, intérprete de bem-sucedidas músicas da série, como Goldfinger. E por falar em Adele, a cantora declarou recentemente que vai gravar seu terceiro álbum - o esperado sucessor de 21 (2011), trabalho que consagrou a artista - somente quando "tiver algo a dizer" com seu canto.
Aline Calixto grava hit de Clara com Emicida para lançamento na internet
Além de continuar em cena com o show em que canta músicas do repertório de Clara Nunes (1942 - 1983), a cantora mineira Aline Calixto se prepara para lançar na internet, neste mês de março de 2013, gravação inédita de um dos maiores sucessos da Guerreira, Conto de areia (Romildo Bastos e Toninho Nascimento, 1974). Calixto convidou o rapper paulista Emicida para participar da releitura do belo samba do álbum Alvorecer que consolidou o sucesso nacional de Clara. A ideia é reapresentar a música com linguagem contemporânea. A gravação de Calixto lembra os 30 anos de morte da cantora mineira, a serem completados em 2 de abril de 2013.
sábado, 2 de março de 2013
'Elephant', álbum que projetou o White Stripes, ganha edição de 10 anos
Quarto álbum do já desativado duo norte-americano The White Stripes, Elephant (2003) vai ganhar edição especial de 10 anos na forma de vinil. A edição foi idealizada por Jack White especialmente para ser vendida neste ano de 2013 no Record Store Day, evento que celebra em abril o mercado independente de lojas de discos. O vinil produzido para o Record Store Day pela Third Man Records - a gravadora de Jack White, nomeado embaixador do Record Store Day em 2013 - e vai ser vermelho e preto no lado A e branco no lado B, além de conter cartão com senha para download de arquivos em MP3. Elephant - cabe lembrar - foi o disco que deu projeção mundial ao duo White Stripes por conta de singles como Seven nation army.
Universal Music volta a encaixotar álbuns gravados por Nara nos anos 60
Dez anos após completar a reedição em CD da obra fonográfica de Nara Leão (1942 - 1989) com a edição da caixa LEÃO (2003), feita na sequência da caixa NARA (2002), a gravadora Universal Music encaixota novamente álbuns da influente cantora capixaba. Chega às lojas até o fim deste mês de março de 2013 a caixa Nara Leão - Samba, festivais e Tropicália, com reedições dos 12 álbuns gravados pela artista na década de 60. Foi feita nova remasterização.
Marcia Castro é estranha na trilha populista do CD 'Salve Jorge nacional 2'
Se a primeira trilha sonora nacional da novela Salve Jorge tirou a má impressão do lixão da seleção musical da antecessora Avenida Brasil, dando vez e voz a nomes da MPB, o CD Salve Jorge nacional 2 revolve o lixão e volta a transitar por trilha essencialmente populista. Com releitura de Preta pretinha, sucesso do grupo Novos Baianos em 1972, a cantora baiana Marcia Castro é o único nome cult de repertório que prioriza funk, pagode e sertanejo moldado no tom festivo e pop das baladas. Eis as 18 músicas (e os respectivos intérpretes) de Salve Jorge nacional 2, o CD que a gravadora Som Livre vai pôr no mercado neste mês de março de 2013:
1. Gatinha assanhada - Gusttavo Lima
2. Mineirinha ferveu - Paula Fernandes
3. Bara bara - Cristiano Araújo
4. Ela tá beba doida (Beba doida) - Gaby Amarantos
5. Ousadia & alegria - Thiaguinho
6. Dança sensual - Koringa
7. Batucada quente - Trio Preto + 1
8. Dança do bole bole - Péricles
9. Tô de boa - João Bosco & Vinícius
10. Celebrar - Jammil
11. De cara pro gol - Jeito Moleque
12. Um amor puro - Batuk D’Gueto (com Caetano Veloso)
13. I love you baby - Oba Oba Samba House
14. Toda gostosa - Mc Leozinho
15. Volta por cima - Rose Barcellos
16. Como você é pra mim - Eddu Grau
17. Funk do Alemão - Mc Mingau
18. Preta Pretinha - Marcia Castro
sexta-feira, 1 de março de 2013
Atento e forte aos 71, Ney faz do tempo sua casa em show quente e livre
Resenha de show
Título: Atento aos sinais
Artista: Ney Matogrosso (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Cine-Theatro Central (Juiz de Fora, Minas Gerais)
Data: 28 de fevereiro de 2013
Cotação: * * * * 1/2
Show em cartaz na casa HSBC Brasil, em São Paulo (SP), de 8 a 10 de março de 2013
Título: Atento aos sinais
Artista: Ney Matogrosso (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Cine-Theatro Central (Juiz de Fora, Minas Gerais)
Data: 28 de fevereiro de 2013
Cotação: * * * * 1/2
Show em cartaz na casa HSBC Brasil, em São Paulo (SP), de 8 a 10 de março de 2013
"O tempo é o meu lugar / O tempo é a minha casa / A casa é onde eu quero estar". Através destes versos do refrão de A ilusão da casa (2000), bela balada do compositor gaúcho Vítor Ramil interpretada por Ney Matogrosso no show Atento aos sinais, o cantor de Mato Grosso se situa em cena, no seu próprio tempo e espaço, livre, sem amarras estéticas. Atento e forte aos 71 anos, Ney Matogrosso mal encerrou a turnê do show Beijo Bandido já está de volta à cena com espetáculo quente, vital, urgente, de roteiro sempre surpreendente, calcado em músicas de artistas do universo indie brasileiro. Na estreia nacional de Atento aos sinais no Cine-Theatro Central de Juiz de Fora (MG), em 28 de fevereiro de 2013, Ney Matogrosso se reafirmou um (grande) intérprete inclassificável, já atemporal, politizado. Sob a pop direção musical do tecladista Sacha Amback, o cantor dá sua voz metálica a compositores cults e/ou emergentes em show feito na pressão. A pegada dos arranjos é calcada nos metais. Egresso da banda Ouro Negro, o trombonista Everson Moraes sopra com o trompetista Aquiles Moraes sons calorosos ao longo de todo o show. A metaleira já ecoa forte no refrão do primeiro impactante número, Rua da passagem (Trânsito) (1999), parceria de Lenine com Arnaldo Antunes que espoca flash do caos urbano, sinalizando a efervescência do espetáculo. Explosiva, Incêndio (1991) - música do repertório da banda carioca Urge, plataforma dos primórdios punks do compositor Pedro Luís - mantém elevada a temperatura, aquecida também pela luz vermelha que incide sobre o palco. Incandescentes, os metais simulam as sirenes de um carro de bombeiros. Na sequência, o rock Vida louca vida (Lobão e Bernardo Vilhena, 1987) reitera o tom urgente do roteiro. Imagens antigas de Ney - que remetem à fase dos anos 70, de discos como Pecado (1977) e Feitiço (1978) - são projetadas como a sinalizar balanço existencial de vida que já foi louca. Termina, então, o bloco cheio de pressão do início do show. Após retirada estratégica de peça do figurino, Roendo as unhas (Paulinho da Viola, 1973) abre set menos incendiário, mas nem por isso menos incisivo. Fora do universo do samba e do choro, o tema de Paulinho se ajusta à pegada do show com suingue latino. Noite torta (1993) - primeira das três músicas de Itamar Assumpção (1949 - 2003), compositor predominante no roteiro - soa climática, com leve psicodelia. A letra fala em espelho. E, de certa forma, tal citação está refletida no cenário, que aloca um espelho ao centro do palco - base para a troca de figurinos. É sentado na frente desse espelho que Ney canta a música de Itamar. Oração (2010), tema do emergente Dani Black que expõe na letra o título do show, suplica aos céus uma vida sem tempos mortos. "Não hei de ceder ao vazio desses dias iguais", promete Ney, lendo a letra no teleprompter, mas sem que a leitura (desta letra e dos versos de outras músicas) tire a força de sua interpretação. Paradoxalmente, vem em seguida o único tempo quase morto do show. É quando - ao som de ruídos e efeitos eletrônicos de tom futurista - Ney muda de figurino numa troca que, ao menos na estreia nacional de Atento aos sinais, resultou demorada. Retomado o roteiro, Two naira fifty kobo - tema de Caetano Veloso, lançado pelo compositor em seu álbum Bicho (1977) - ganha batuque tribal e sentido político adicional em tempos de aniquilação de povos indígenas. Imagens de índios, aliás, são projetadas nas plataformas metaleiras que compõem o cenário metálico. Um dos pontos mais altos do show, Freguês da meia-noite - abolerada música lançada pelo rapper paulista Criolo em seu consagrador álbum Nó na orelha (2011) - esboça clima noturno que brinca com códigos do cancioneiro kitsch nacional. É a senha para um bloco de sensualidade mais erotizada. Isso não vai ficar assim - xote de Itamar Assumpção, gravado por Ney em 2012 em dueto com Zélia Duncan para disco em que a cantora aborda a obra do Nego Dito - é veículo para a exposição dessa sensualidade exibicionista do cantor, elevada a níveis explicitamente provocantes no verso Beija-me. Também ambientada no clima quente do bloco, Pronomes (Beto Boing e Paulo Passos, 2006) - pop rock tropical do repertório da banda paulista Zabomba - propõe mais liberdade e menos regras na gramática sexual. Beijos de imã - inédita de Jerry Espíndola, Alzira E e Arruda - reitera o erotismo e brinca em cima daquilo. Ney se deleita em cena, para gozo da plateia. Hit da cult banda carioca Tono, Não consigo (Rafael Rocha, 2010) também bate na tecla da sensualidade no registro quase lascivo de Ney. O arranjo da música tem toque kitsch na introdução e no fim do número. Terceira música de Itamar Assumpção a entrar em cena, Fico louco (1980) ainda pode ficar mais louca no decorrer da temporada. Já o balanço pop tropical do Samba do blackberry (Rafael Rocha e Alberto Continentino, 2010) - outra música do repertório do grupo carioca Tono - surte efeito de cara, injetando humor no mosaico contundente de Atento aos sinais. Confirmando o caráter surpreendente do roteiro, montado sem hits e sem concessões, Tupi Fusão expõe em cena a verborragia consciente do rapper alagoano Vítor Pirralho. O tema é valorizado pela coreografia de Ney no número. No fim, Todo mundo o tempo todo - ótima composição do inspirado Dan Nakagawa - fecha o show em grande estilo, traduzindo na letra a efervescência e a inquietude de Atento aos sinais, espetáculo exuberante que celebra o movimento incessante e renovador da vida. No bis, Ney é alvo da ovação da plateia ao reviver Amor (João Ricardo e João Apolinário, 1973), música menos batida do primeiro álbum do Secos & Molhados, grupo que deu visibilidade nacional ao cantor há 40 anos. Na sequência, Astronauta lírico (2007) - outra joia rara da lavra delicada do compositor Vítor Ramil - comove com sua beleza. Bolas de sabão caem sobre o palco e o público. É o sinal emocionante de que a viagem chegara ao fim. Ney - o astronauta libertário e libertado - está de volta à Terra, atento, forte, renovado, fazendo do tempo sua casa e lugar.
Roteiro de 'Atento aos sinais', show de Ney, prioriza Itamar, Ramil e Tono
Admirador do som do Tono (grupo em ascensão na cena indie carioca, prestes a lançar seu álbum, produzido por Arto Lindsay), Ney Matogrosso incluiu duas músicas do segundo álbum da banda, Não consigo e Samba do blackberry, no roteiro de Atento aos sinais, o show que o cantor estreou no Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora (MG), na noite de 28 de fevereiro de 2013. Sob a direção musical do tecladista Sacha Amback, Ney mira seus olhos de farol para compositores ainda sem visibilidade nacional entre o chamado grande público. Compositores novos - como Dani Black, autor de Oração - e também antigos, caso do gáucho Vítor Ramil, presente no roteiro com suas belas canções, A ilusão da casa e Astronauta lírico. Contudo, o compositor predominante no roteiro feito sem hits e concessões é o paulista Itamar Assumpção (1949 - 2003), a quem Ney dá voz desde 1988. Nada menos do que três músicas - Noite torta, Fico louco e Isso não vai ficar assim - são da lavra de Itamar. Eis o roteiro seguido por Ney Matogrosso - visto em foto de Mauro Ferreira - na estreia nacional do show Atento aos sinais:
1. Rua da passagem (Arnaldo Antunes e Lenine, 1999)
2. Incêndio (Pedro Luís, 1991)
3. Vida louca vida (Lobão e Bernardo Vilhena, 1987)
4. Roendo as unhas (Paulinho da Viola, 1973)
5. Noite torta (Itamar Assumpção, 1993)
6. A ilusão da casa (Vitor Ramil, 2000)
7. Oração (Dani Black, 2010)
8. Two naira fifty kobo (Caetano Veloso, 1977)
9. Freguês da meia-noite (Criolo, 2011)
10. Isso não vai ficar assim (Itamar Assumpção, 1986)
11. Pronomes (Beto Boing e Paulo Passos, 2006)
12. Beijos de imã (Jerry Espíndola, Alzira E e Arruda, 2013) - inédita
13. Não consigo (Rafael Rocha, 2010)
14. Fico louco (Itamar Assumpção, 1980)
15. Samba do blackberry (Rafael Rocha e Alberto Continentino, 2010)
16. Tupi Fusão (Dinho Zampier, André Meira, Pedro Ivo Euzébio e Vitor Pirralho, 2009)
17. Todo mundo o tempo todo (Dan Nakagawa, 2011)
Bis:
18. Amor (João Ricardo e João Apolinário,1973)
19. Astronauta lírico (Vítor Ramil, 2007)
Ney vai registrar repertório do show 'Atento aos sinais' em CD de estúdio
O show Atento aos sinais é a base do próximo álbum de estúdio de Ney Matogrosso. Tal como fez em Inclassificáveis (2007), o cantor - visto na foto de Mauro Ferreira na estreia nacional de Atento aos sinais, em 28 de fevereiro de 2013, em Juiz de Fora (MG) - vai ganhar intimidade com o repertório do show no palco para depois registrar o cancioneiro em disco de estúdio que vai ser editado no meio deste ano de 2013. As músicas são inéditas na voz de Ney.
Ney vai alternar figurinos de Ocimar na turnê do show 'Atento aos sinais'
A foto - de Mauro Ferreira - flagra Ney Matogrosso com o primeiro dos dois figurinos usados pelo cantor na estreia nacional de seu show Atento aos sinais, no Cine-Theatro Central de Juiz de Fora (MG), na noite de 28 de fevereiro de 2013. Contudo, esse figurino - assinado por Ocimar Versolato, estilista que veste Ney em cena desde 1994 - não necessariamente vai ser usado pelo artista na sequência da turnê, que segue para São Paulo (SP), onde Atento aos Sinais vai ficar em cartaz na casa HSBC Brasil de 8 a 10 de março, e depois parte para capitais como Porto Alegre (RS). É que Ney decidiu alternar os figurinos de Ocimar ao longo da turnê. Há mais figurinos feitos para o show que poderão ser (ou não) usados pelo cantor. A escolha vai ser feita de acordo com a vontade e a conveniência de Ney Matogrosso em cada espetáculo.
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