Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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sábado, 14 de maio de 2016

Com Arnaldo, Tulipa regrava música feita por Rita e Roberto para 'TV mulher'

Em 1979, a convite do diretor de TV Nilton Travesso, Rita Lee compôs com Roberto de Carvalho música, Cor-de-rosa-choque, para a abertura do programa TV Mulher, estreado com apresentação da jornalista Marília Gabriela na TV Globo naquele ano. Decorridos 37 anos, a música ganha registro de Tulipa Ruiz e Arnaldo Antunes, produzido por Plínio Profeta (à direita na foto postada por Profeta no Facebook) e gravada com a guitarra de Gustavo Ruiz (à esquerda). A regravação foi feita para a nova versão do TV Mulher que vai estrear no Canal Viva, neste ano de 2016, com apresentação da mesma Marília Gabriela. Rita somente incluiu Cor-de-rosa-choque na discografia oficial após três anos ao gravá-la para o álbum Rita Lee e Roberto de Carvalho (Som Livre, 1982).

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Jota Quest bisa parceria com Arnaldo no álbum que vai lançar em novembro

O grupo mineiro Jota Quest refaz sua conexão com o cantor e compositor paulistano Arnaldo Antunes no oitavo álbum de estúdio da banda de pop funk soul. Programado para ser lançado em novembro de 2015, em edição da gravadora Sony Music, o disco abre com música, A vida não tá fácil pra ninguém, que tem letra de Arnaldo. A vida não tá fácil pra ninguém é a segunda parceria do Jota Quest - em foto de Maurício Nahas - com o ex-titã. A primeira, Tanto faz (Rogério Flausino, PJ e Arnaldo Antunes, 2002) foi lançada há 13 anos em gravação feita pelo quinteto para o álbum Discotecagem pop variada (Sony Music, 2002). Além de Arnaldo, o oitavo álbum de inéditas do Jota Quest tem música, Mares do Sul, composta e coproduzida pela banda em parceria com o músico e produtor inglês Stuart Zender, baixista da formação original do grupo britânico Jamiroquai. Gravado no estúdio Minério de Ferro, em Belo Horizonte (MG), e finalizado em Los Angeles (EUA) pelos engenheiros de som Joe Zook (responsável pela mixagem) e Bob Ludwig (requisitado para pilotar a masterização), o álbum reúne 13 músicas inéditas no repertório autoral e tem produção assinada pelo norte-americano Jerry Barnes (Chic), produtor da maioria das faixas do azeitado álbum anterior de estúdio do Jota Quest, Funky funky boom boom (Sony Music, 2013).

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Arnaldo se copia em 'Já é' sem risco e sem evitar desperdício no longo disco

Resenha de CD
Título: Já é
Artista: Arnaldo Antunes
Gravadora: Rosa Celeste / Sony Music
Cotação: * * 

É no mínimo curioso que o 17º título da discografia de Arnaldo Antunes pós-Titãs, Já é, não reproduza no encarte as letras das 15 músicas inéditas que compõem o repertório do longo álbum. Com aviso de que as letras se encontram disponíveis no site oficial do artista paulista, Já é apresenta músicas com nível poético abaixo do histórico discográfico do cantor e compositor. Do ponto de vista musical, o CD confirma a apatia que o álbum anterior do artista, Disco (Rosa Celeste / Radar Records, 2013), já havia sinalizado. Arnaldo parece estar compondo no piloto automático, repetindo fórmulas e parceiros. A maioria das 15 músicas de Já é soa como rascunho diante de um cancioneiro que alcançou picos de beleza poética e melódica da segunda metade da década de 1990 até o fim dos anos 2000, encerrados em grande estilo com a edição do apoteótico álbum Iê iê iê (Rosa Celeste / Microservice, 2009). Nem a inédita conexão de Arnaldo com o disputado produtor carioca Kassin contribui para dar ar de novidade a Já é - talvez porque Kassin também já esteja produzindo discos no piloto automático. Recorrentes na ficha técnica, as presenças de (grandes) músicos como o guitarrista Pedro Sá e o baterista Domenico Lancellotti indicam que Kassin também já repete fórmulas e colaboradores. E o fato é que Arnaldo está lançando neste mês de setembro de 2015 um dos álbuns mais anêmicos de sua discografia. É difícil se deixar seduzir por músicas como Azul e prateado (Arnaldo Antunes), a monocórdica canção Antes (Arnaldo Antunes) - formatada com objetos percutidos por Carlinhos Brown - e Peraí, repara, canção composta e gravada com Marisa Monte (voz) e Dadi Carvalho (violão de nylon). A alardeada influência da viagem do artista à Índia se faz notar no mantra que encerra o disco, Aqui onde está (Arnaldo Antunes e Márcia Xavier), e na filosofia zen-budista da doce canção Se você nadar (Arnaldo Antunes e Márcia Xavier), destaque do disco ao pregar a diluição das mágoas como a receita para libertar o ser preso a ressentimentos. Contudo, o roteiro indiano não chega a dar um norte ou um mote para o repertório. Em Já é, Arnaldo explora fronteiras musicais já conhecidas. A ágil Põe fé que já é (Arnaldo Antunes, André Lima e Betão Aguiar) flerta com o regionalismo pop brasileiro. Óbitos (Arnaldo Antunes e Péricles Cavalcanti) se banha na praia do reggae e, de lá, alveja políticos que produzem mortes em escala industrial ao promover guerras. Dos dois rocks, Na fissura (Arnaldo Antunes, Betão Aguiar e Chico Salem) é o que soa mais interessante pelo toque furioso das guitarras de Pedro Sá. O outro rock, O metereologista (Arnaldo Antunes), se diferencia pela temática inusitada. Com versos diretos, a letra discorre sobre um casal que se deleita na cama após erro na previsão do tempo. De modo geral, Já é um disco mais zen e cool. Saudade farta (Arnaldo Antunes) - canção sobre a distância de um casal apaixonado que soaria trivial se um dos amantes não fizesse programa para sobreviver (financeiramente) - esboça clima de bossa nova, expandido no cinzento sambossa Só solidão (Arnaldo Antunes e Márcia Xavier) pelo violão de Cezar Mendes. Outro tema de coração partido pela distância do ser amado, As estrelas sabem é balada conduzida pelo piano de José Miguel Wisnik - parceiro de Arnaldo na composição - e adornada pelo violoncelo de Jaques Morelenbaum. Alocada em sequência na disposição das 15 músicas no disco, As estrelas cadentes (Arnaldo Antunes e Ortton) eleva o nível poético ao versar sobre amor finito com foco numa luz ao fim do túnel afetivo. De levada letárgica, Dança (Arnaldo Antunes e Marisa Monte) mantém elevado o nível poético de um disco que vive na gangorra, com mais baixos do que altos. Sim, há eventuais belas canções ao longo das 15 faixas do longo Já é. De espírito tribalista, a melodiosa balada Naturalmente, naturalmente (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho) é uma delas. No entanto, o álbum jamais dilui a sensação de que Arnaldo Antunes se copia - sem o brilho de outrora - em Já é. Até pela longa duração do álbum, faltou atenção aos conselhos dados em uns versos de Antes:  "Antes a perda / Do que o desperdício / Antes o risco / Que a repetição".

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Arnaldo lança 'Já é', álbum produzido por Kassin, com participação de Marisa

Décimo sétimo título da farta discografia de Arnaldo Antunes pós-Titãs, o álbum Já é chega ao mercado fonográfico brasileiro em setembro de 2015, com distribuição da gravadora Sony Music. Produzido por Kassin, o disco autoral alinha 15 músicas inéditas e tem a participação de Marisa Monte - parceira de Arnaldo - na faixa Peraí, repara. Algumas músicas foram feitas pelo cantor e compositor paulistano em recente viagem à Índia. Carlinhos Brown, Cezar Mendes, Dadi Carvalho, Davi Moraes Domenico Lancellotti, Jaques Morelenbaum, Pedro Sá, Marcelo Jeneci, Stephane San Juan e Zé Miguel Wisnik são músicos que figuram na ficha técnica do disco. Antes, Aqui onde está, As estrelas sabem, As estrelas cadentes, Azul e prateado, Dança, Na fissura, Naturalmente, naturalmente, Óbitos, O meteorologista, Põe fé que já é, Saudade farta, Se você nadar e Só solidão são as músicas que compõem o repertório inédito do disco Já é com a citada Peraí, repara. A capa (foto) tem direção de arte e fotografia de Marcia Xavier. O design gráfico é de Anna Turra. Eis, na ordem do CD, as 15 músicas (e os respectivos compositores) gravadas por Arnaldo em Já é:

1. Põe fé que já é (Arnaldo Antunes, André Lima e Betão Aguiar)
2. Antes (Arnaldo Antunes)
3. Naturalmente, naturalmente (Arnaldo Antunes, Dadi Carvalho e Marisa Monte)
4. Se você nadar (Arnaldo Antunes e Márcia Xavier)
5. Peraí, repara (Arnaldo Antunes, Dadi Carvalho e Marisa Monte) - com Marisa Monte
6. Óbitos (Péricles Cavalcanti e Arnaldo Antunes)
7. O meteorologista (Arnaldo Antunes)
8. Dança (Arnaldo Antunes e Marisa Monte)
9. Saudade farta (Arnaldo Antunes)
10. As estrelas sabem (Arnaldo Antunes e Zé Miguel Wisnik)
11. As estrelas cadentes (com Ortinho)
12. Na fissura (Arnaldo Antunes, Betão Aguiar e Chico Salem)
13. Azul e prateado (Arnaldo Antunes)
14. Só solidão (Arnaldo Antunes e Márcia Xavier)
15. Aqui onde está (Arnaldo Antunes e Márcia Xavier)

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Roberta grava com Chico parceria de Arnaldo com Cézar Mendes em seu CD

A IMAGEM DO SOM - Postada hoje por Roberta Sá em sua página oficial no Facebook, a foto de Chris Amback flagra a cantora potiguar no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro (RJ), ao lado de Rodrigo Campello (à esquerda) e Chico Buarque durante a gravação de seu sexto álbum oficial. Produzido por Campello, o disco - cuja master já está finalizada -  tem participação do cantor e compositor carioca. Chico canta com Roberta Se for pra mentir, parceria do compositor paulistano Arnaldo Antunes com o compositor e violonista baiano Cézar Mendes, lançada há quatro anos na voz da cantora paulistana Luciana Mello em seu álbum 6º solo (Ape Music / Microservice, 2011). Além de Chico, o álbum de Roberta traz também o violoncelista Jaques Morelenbaum - com quem Roberta regrava o samba Última forma (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1972) - e o cantor português António Zambujo, que divide com a artista a interpretação de Covardia (Ataulfo Alves e Mário Lago, 1938), samba tornado um fado em gravação feita em Portugal. Outros convidados do disco são o cantor e compositor fluminense Martinho da Vila (em Amanhã é sábado, samba que Martinho deu para a cantora) e o cantor e compositor carioca Xande de Pilares, que toca banjo em Boca em boca, música que abre sua parceria com Roberta. Adriana Calcanhotto não participa do disco, mas forneceu a inédita Me erra para o repertório. O (aguardado) álbum de Roberta vai ser lançado em setembro de 2015, em edição do selo MP,B Discos distribuída pela gravadora Som Livre.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Empenho de Anitta é toque inusitado do show com Arlindo e Arnaldo no Rio

Resenha de show
Título: Inusitado - Anitta, Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes
Artistas: Anitta, Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Teatro de Câmara - Fundação Cidade das Artes (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 7 de julho de 2015
Cotação: * * *
Show com transmissão ao vivo agendada pelo Canal Bis para as 21h de 8 de julho de 2015


Ela desatinou... Assim poderiam pensar a priori os detratores de Anitta ao saber que a musa do pop funk carioca decidiu cantar sozinha um samba trava-língua de Chico Buarque no show do projeto Inusitado que a juntou com Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes no palco do Teatro de Câmara da Fundação Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ), na noite de ontem, 7 de julho de 2015. Pois Anitta encarou Pelas tabelas - samba que Chico lançou em álbum de 1984 e que Roberta Sá reviveu há dez anos em seu primeiro álbum, Braseiro (MP,B Discos, 2005) - em clima de gafieira e se saiu bem. Jamais se atrapalhou com a letra e ainda caiu num suingue todo seu ao fim do número. Os números individuais de Anitta foram os toques realmente inusitados do show mais arriscado da terceira edição do projeto idealizado pelo executivo André Midani. Com voz juvenil, Anitta não é grande cantora. Falta-lhe ainda, sobretudo, expressividade em interpretações de músicas fora de seu universo musical. Mas o show deixou nítidos o empenho, a evolução e o esforço de Anitta para progredir. Justiça seja feita: ela jamais saiu do tom em seus números individuais. Cantou com correção Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952), samba escolhido com sagacidade porque, de certa forma, os versos têm o mesmo tom imperativo e a mesma atitude das composições de Anitta. Na sequência, reviveu a saga de Zé do Caroço (Leci Brandão, 1985) com afinação, mas também com a imaturidade de quem ainda precisa se esforçar mais na interpretação para passar todo o recado (político, no caso) de uma música. Faltou também um toque maior de sensualidade à abordagem de Smooth operator (Sade Adu e Ray St. John, 1984), um dos maiores sucessos da cantora nigeriana Sade. Mas - verdade seja dita - o cover foi correto. À vontade no dueto com Arnaldo Antunes na canção seresteira De mais ninguém (Arnaldo Antunes e Marisa Monte, 1994), Anitta puxou o trio no fim do show, ao interpretar a canção tribalista Velha infância (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown, 2002), e ainda pôs o ex-titã no seu Ritmo perfeito (Anitta, Jefferson Junior e Umberto Tavares, 2014), música que deu título ao seu segundo álbum de estúdio. Mas aí quem cantou foi ela. Ele se limitou a fazer jogo de cena e a recitar trecho da letra de Abraça o meu abraço (Arnaldo Antunes e Aldo Brizzi, 2003). A propósito, Arnaldo é dono de um cancioneiro primoroso e tem boa presença de palco, mas seu canto está cada vez mais desleixado em cena. Tal descuido vocal ficou evidente na maior parte de suas intervenções no show. Que começou com interpretação tensa do samba Tô voltando (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1979), abordado pelo trio com compreensível nervosismo. Até Arlindo Cruz - o samba em pessoa - somente se soltou no seu primeiro número solo, feito com seu banjo e com medley de partidos altos dos anos 1980 e 1990. O dueto de Arlindo com Arnaldo em Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Soares, 1973) soou apático. Arlindo e Arnaldo, aliás, jamais saíram da zona de conforto em seus sets, montados com hits habituais, em que pese o inédito Samba inusitado, marco inaugural da parceria dos dois, cuja letra metalinguística versa justamente sobre o encontro em cena de um nome do funk (Anitta) com um ícone do samba (Arlindo) e um representante do rock (Arnaldo, ainda que sua obra extrapole o escaninho roqueiro). Parceria inusitada à parte, os números de Anitta e com Anitta foram os únicos momentos que fizeram jus ao conceito do projeto. Reduzida a um grupo de tom roqueiro nos solos de Arnaldo, a big-band que dividiu o palco com o trio tinha formação de um conjunto de samba, ritmo predominante no roteiro encerrado com a reunião do trio e com a lembrança de Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978), hit de Beth Carvalho que tem o tom decidido dos pop funks de Anitta. O roteiro, alias, carece de ajustes. Consumado (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2004), número solo de Arnaldo, está deslocado no fim do show, dissociado do set individual do ex-titã. Os artistas entram e saem a todo momento. Os duetos de Anitta com Arlindo - no samba O bem (Arlindo Cruz e Délcio Luiz, 2011) e no medley que agregou Música de amor (Anitta, Jefferson Junior e Umberto Tavares, 2014) com Trilha de amor (Xande de Pilares, André Renato e Gilson Bernini, 2008), sucesso do Grupo Revelação regravado por Arlindo com Caetano Veloso no CD e DVD Batuques do meu lugar ao vivo (Sony Music, 2012) - poderiam ter sido alocados em sequência para diminuir o entra-e-sai do trio, por exemplo. De todo modo, o saldo foi positivo. Goste-se ou não de Anitta,o fato é que a artista se mostrou empenhada, com coragem para sair de seu quintal.

Anitta arrisca Chico e Leci em show com samba inédito de Arlindo e Arnaldo

Inspirados pelo convite para dividir o palco com a funkeira carioca Anitta em show da terceira edição do projeto Inusitado, o sambista carioca Arlindo Cruz e o roqueiro paulistano Arnaldo Antunes viraram parceiros com a composição de um samba cuja letra metalinguística versa justamente sobre o encontro de nomes do funk, do samba e do rock no projeto idealizado pelo executivo André Midani. Primeira parceria de Arlindo com Arnaldo, apresentada nas vozes dos compositores, Samba inusitado foi a novidade do roteiro do show que estreou na noite de ontem, 7 de julho de 2015, no Teatro de Câmara da Cidade das Artes. Anitta, Arlindo e Arnaldo - vistos em fotos de Rodrigo Goffredo - se revezaram em solos, duos e trios no show que vai repetido hoje (com transmissão ao vivo, a partir das 21h, pelo canal Bis). Sozinha, Anitta arriscou cantar sambas de Chico Buarque (Pelas tabelas, 1984), Leci Brandão (Zé do Caroço, 1985), Monsueto Menezes (1924 - 1973) (Me deixa em paz, parceria com Aírton Amorim, lançada em 1952) e até uma canção do repertório sensual da cantora nigeriana Sade (Smooth operator, 1984) sem sair do tom. Em duo com Arnaldo, Anitta cantou De mais ninguém (Arnaldo Antunes e Marisa Monte, 1994) e Ritmo perfeito (Anitta, Jefferson Junior e Umberto Tavares, 2014). Com Arlindo, Anitta fez dueto em O Bem (Arlindo Cruz e Délcio Luiz, 2011) e no medley que agregou Música de amor (Anitta, Jefferson Junior e Umberto Tavares, 2014) e Trilha de amor (Xande de Pilares, André Renato e Gilson Bernini, 2008), sucesso do Grupo Revelação regravado por Arlindo com Caetano Veloso no CD e DVD Batuques do meu lugar ao vivo (Sony Music, 2012). Juntos, os três cantaram Tô voltando (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1979) - na abertura do show - e, no encerramento, Velha infância (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002) e Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978). Além do samba inédito de Arlindo e Arnaldo, os números com Anitta foram os únicos que fizeram jus ao conceito do projeto Inusitado, já que em seus sets individuais Arlindo e Arnaldo se limitaram a cantar sucessos habituais. Eis o roteiro seguido em 7 de julho de 2015 por Anitta, Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes na estreia do show que os uniu no palco do Teatro de Câmara,  na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ),  na terceira edição do projeto Inusitado:

1. Tô voltando (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, 1979)
    - Anitta, Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes
2. Juízo final (Nelson Cavaquinho e Élcio Tavares, 1973) - Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes
3. Camarão que dorme a onda leva (Arlindo Cruz, Beto sem Braço e Zeca Pagodinho, 1983) /
    SPC (Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, 1986) /
    Já mandei botar dendê (Arlindo Cruz, Maurição e Zeca Pagodinho, 1995) /
    Luz do repente (Marquinhos PQD, Arlindo Cruz e Franco, 1987) /
    Estrela da paz (Arlindo Cruz e Acyr Marques, 1997) /
    Bagaço da laranja (Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, 1985) - Arlindo Cruz

4. O que é o amor (Arlindo Cruz, Maurição e Fred Camacho, 2007) /
    Será que é amor (Arlindo Cruz, Babi e Jr. Dom, 2003) - Arlindo Cruz

5. A pureza da flor (Arlindo Cruz, Jr. Dom e Babi, 2006) - Arlindo Cruz
6. O show tem que continuar (Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, 1988)
     - Arlindo Cruz
7. Música de amor (Anitta, Jefferson Junior e Umberto Tavares, 2014) /
    Trilha de amor (Xande de Pilares, André Renato e Gilson Bernini, 2008)
     - com citação de Na Baixa do Sapateiro (Ary Barroso, 1938) - Arlindo Cruz e Anitta

8. Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952) - Anitta
9. Zé do Caroço (Leci Brandão, 1985) - Anitta
10. Smooth operator (Sade Adu e Ray St. John, 1984) - Anitta
11. De mais ninguém (Arnaldo Antunes e Marisa Monte, 1994) - Anitta e Arnaldo Antunes
13. Ela é tarja preta (Arnaldo Antunes, Betão Aguiar, Luê, Felipe Cordeiro e Manoel 
      Cordeiro, 2013) - Arnaldo Antunes
14. Socorro (Arnaldo Antunes e Alice Ruiz, 1994) - Arnaldo Antunes
15. A casa é sua (Arnaldo Antunes e Ortinho, 2009) - Arnaldo Antunes
16. Ritmo perfeito (Anitta, Jefferson Junior e Umberto Tavares, 2014)
      - Anitta e Arnaldo Antunes
      - com citação falada de Abraça o meu abraço (Arnaldo Antunes e Aldo Brizzi, 2003)
17. Pelas tabelas (Chico Buarque, 1984) - Anitta
18. O Bem (Arlindo Cruz e Délcio Luiz, 2011) - Anitta e Arlindo Cruz
19. Meu lugar (Arlindo Cruz e Mauro Diniz, 2007)- Arlindo Cruz
20. Samba inusitado (Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes) - Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes
21. Consumado (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2004) - Arnaldo Antunes
22. Velha infância (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2002)
       - Anitta, Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes
23. Vou festejar (Jorge Aragão, Dida e Neoci, 1978) - Anitta, Arlindo Cruz e Arnaldo Antunes

sábado, 20 de junho de 2015

Arnaldo Antunes grava, no Rio, CD de inéditas que sai no segundo semestre

Arnaldo Antunes entrou em estúdio na última segunda-feira, 15 de junho de 2015, para começar a gravar o 17º CD de sua discografia pós-Titãs. O disco é de músicas inéditas e está sendo gravado na cidade do Rio de Janeiro (RJ). O último álbum de inéditas do cantor e compositor paulistano - em foto de Rafael Cañas - foi lançado há dois anos. A edição do sucessor de Disco (Rosa Celeste / Radar Records, 2013) está prevista para o segundo semestre deste ano de 2015. O álbum é autoral.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Single gravado com Arnaldo anuncia álbum de Todos os Caetanos do Mundo

Em atividade em Belo Horizonte (MG) desde 2009, o quarteto mineiro Todos os Caetanos do Mundo vai lançar seu primeiro álbum, Pega a melodia e engole, em 2 de junho de 2015. Parceria da vocalista Julia Branco com o guitarrista Luiz Rocha, a música-título Pega a melodia e engole já está disponível para audição em plataformas digitais como o portal SoundCloud. Embora a música já tenha sido lançada pela banda em EP editado de forma independente em Belo Horizonte (MG), em 2012, a atual gravação é inédita, tendo sido feita com a adesão do cantor e compositor paulistano Arnaldo Antunes. Mas o álbum Pega a melodia e engole, produzido por Chico Neves, vai apresentar músicas inteiramente inéditas em disco, casos de Amanhã é véspera (Luiz Rocha), Por que você só pensa em Deus? (Luiz Rocha), Sim (Luiz Rocha e Natália Gomes) e Tempo pra dizer (Luiz Rocha, Júlia Branco e Thiago Braga). Repertório de Pega a melodia e engole é autoral.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

'Chuva no mar' reitera inspiração de Marisa ao cair no disco de Carminho

Leve, a melodia soa como o sopro no ar citado em verso da letra que poetiza a eterna mutação do mundo, das coisas e das pessoas. A incessante e por vezes silenciosa transformação advinda da interferência de umas nas outras. Grande destaque do terceiro álbum da cantora portuguesa Carminho, o sublime Canto (Warner Music, 2014), Chuva no mar é envolvente canção que reitera a inspiração do cancioneiro autoral de Marisa Monte. A parceria da cantora e compositora carioca com o paulistano Arnaldo Antunes ganha em Canto - disco previsto para ser lançado no Brasil neste ano de 2015 - um registro à altura da lindeza da música, gravada por Carminho em dueto com a própria Marisa Monte. Disponível para audição no YouTube, através de lyric video feito com animação de Nicolau.pt, Chuva no mar é canção de delicadeza tribalista que valoriza o melhor álbum de Carminho no oceano que reconecta Brasil e Portugal. Eis a bela letra de Chuva no mar:

Chuva no mar
(Marisa Monte e Arnaldo Antunes)


Coisas transformam-se em mim
É como chuva no mar
Se desmancha assim em
Ondas a me atravessar
Um corpo sopro no ar
Com um nome pra chamar
É só alguém batizar
Nome pra chamar de
Nuvem, vidraça, varal
Asa, desejo, quintal
O horizonte lá longe
Tudo o que o olho alcançar
E o que ninguém escutar
Te invade sem parar
Te transforma sem ninguém notar
Frases, vozes, cores
Ondas, frequências, sinais
O mundo é grande demais
Coisas transformam-se em mim
Por todo o mundo é assim

domingo, 14 de setembro de 2014

Gal ganha inédita de Marisa e Arnaldo para disco que pode ficar para 2015

Gal Costa revelou - em entrevista ao apresentador de TV Amaury Jr. - que ganhou música inédita de Marisa Monte e Arnaldo Antunes para o disco que arquiteta sob a produção de Moreno Veloso e Kassin. Gal também disse que recebeu inédita de Arnaldo em parceria com José Miguel Wisnik. O que a cantora - vista em foto de André Schiliró - não disse é que o aguardado álbum de inéditas pode ficar para 2015. Como o disco ainda não começou a ser efetivamente gravado, o lançamento ainda em 2014 torna-se mais inviável a cada dia que passa. Seja como for, Arnaldo e Marisa encorpam time estelar de compositores que deram músicas para o sucessor de Recanto ao vivo (Universal Music, 2013) e que é formado por Adriana Calcanhotto, Arthur Nogueira (com Antonio Cícero), Criolo (uma parceria com Milton Nascimento, Dez anjos), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Marcelo Camelo (a bela Espelho d'água, parceria com Thiago Camelo já apresentada no show de voz e violão a que dá nome) e Tom Zé.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Arnaldo dá show com dois violões e um cancioneiro de grande força pop

Resenha de show
Título: Dois violões
Artista: Arnaldo Antunes (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Theatro Net Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 11 de março de 2014
Cotação: * * * *

Não são exatamente dois violões, como diz o título do show com o qual Arnaldo Antunes vem rodando o Brasil há cerca de um ano. No palco, conta-se cinco violões, tocados de forma alternada por, isso sim, dois excelentes músicos, Betão Aguiar e Chico Salem. Mas a obra é uma só. Um cancioneiro de grande força poética e apelo pop. Sim, Arnaldo Antunes é pop. Despidas de seus habituais ornamentos, as canções deste titã do pop nativo se desnudam em toda sua grandeza diante de uma plateia embevecida. Foi assim na noite de ontem, 11 de março de 2014, quando o cantor e compositor paulista voltou à cidade do Rio de Janeiro (RJ) com seu show Dois violões, inaugurando o projeto Palco Petrobrás Premmia no Theatro Net Rio. Mesmo sem ser exatamente um show de hits, Dois violões tem roteiro - aberto com a pouco ouvida Fim do dia (Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, 1998) - que concentra sucessos. Melhor dizendo: músicas que se tornaram sucessos para o público que ouve atentamente o cancioneiro deste artista multimídia. O show tem dinâmica, escapando da perigosa linearidade ao expandir as possibilidades do formato. Além de tocar os violões, os dois músicos contribuem com harmoniosos vocais em músicas como Sem você (Busy man) (Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 1998), número arrematado com citação de Preta pretinha (Moraes Moreira e Galvão, 1972). A elétrica movimentação de Arnaldo em cena - ora sentado no banquinho, ora de pé no palco, ora até no meio da plateia - potencializa a carga do show, sublinhando eventualmente o sentido das músicas com gestos e coreografias. Às vezes, o próprio canto do artista diferencia os matizes dos 21 números do roteiro. O tom cavernoso impresso em Cabimento (Arnaldo Antunes e Paulo Tatit, 2004) dá tom dark a este tema do álbum Saiba (2004), também representado no roteiro por sua música-título e por Consumado (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2004) - o número em que o cantor se embrenha pela plateia em momento que reforça a comunhão entre artista e público. O som das cordas de Aguiar e Salem também tem matizes diferenciados. Aguiar tira sons de guitarra em Invejoso (Arnaldo Antunes e Liminha, 2009), hit do álbum mais pop jovem-guardista de Arnaldo, Iê iê iê (2009). Já Até o fim (Arnaldo Antunes e Cézar Mendes, 2009) - balada lançada por Maria Bethânia no álbum Tua (2009) e cantada por Arnaldo em tons ternos - é introduzida por tons ruralistas que remetem aos sons do interior do Brasil. No roteiro, caracterizado em cena pelo cantor como "um apanhado meio livre da minha carreira", a arquitetura melódica e poética das canções fica mais evidenciada, atestando o óbvio: Arnaldo Antunes já tem obra que lhe garante lugar de honra no primeiro time dos compositores brasileiros de todos os tempos. De sua geração, ele se encontra entre os cinco mais importantes, ombreando com Cazuza (1958 - 1990), Herbert Vianna, Lulu Santos e Renato Russo (1960 - 1996). Irmanadas no toque dos dois violões, a pegada roqueira de Não vou me adaptar (Arnaldo Antunes, 1985), a poesia que emerge na uterina Debaixo d'água (Arnaldo Antunes, 2001), a urgência sensorial de Socorro (Arnaldo Antunes e Alice Ruiz, 1994) e a aconchegante levada tribalista de Passe em casa (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Margareth Menezes, 2002) reiteram em cena a maestria de um compositor que ampliou seu raio de ação na música brasileira ao longo de seus 32 anos de diversificada carreira. O pulso criativo de Arnaldo Antunes ainda pulsa firme.

Arnaldo faz 'apanhado meio livre' de hits no roteiro do show 'Dois violões'

Antes mesmo da estreia nacional do show da turnê promocional do álbum Disco (2013), Arnaldo Antunes já caía na estrada com outro show, de formato mais reduzido e econômico, intitulado Dois violões. É com esse show que o cantor e compositor paulista tem viajado pelo Brasil desde o primeiro semestre de 2013. No roteiro de Dois violões, seguido por Arnaldo na companhia dos violonistas Betão Aguiar e Chico Salem, o artista faz o que caracteriza de "um apanhado meio livre" de músicas de várias épocas de sua obra autoral - como explicou ao público que foi ao Theatro Net Rio, na noite de 11 de março de 2014, para assistir à reestreia de Dois violões nos palcos da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Eis o roteiro seguido por Arnaldo Antunes - visto em foto de Rodrigo Amaral - na apresentação do show Dois violões que inaugurou o projeto Palco Petrobrás Premmia no Theatro Net Rio, em 11 de março de 2014: 

1. Fim do dia (Arnaldo Antunes e Paulo Miklos, 1998)
2. Sem você  (Busy man) (Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 1998)
    - com citação de Preta Pretinha (Moraes Moreira e Galvão, 1972)
3. A casa é sua (Arnaldo Antunes e Ortinho, 2009)
4. Cabimento (Arnaldo Antunes e Paulo Tatit, 2004)
5. Saiba (Arnaldo Antunes, 2004)
6. Invejoso (Arnaldo Antunes e Liminha, 2009)
7. Consumado (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2004)

8. Meu coração (Arnaldo Antunes e Ortinho, 2009)
9. Contato imediato (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2006)
10. Pedido de casamento (Arnaldo Antunes, 2004)
11. Se tudo pode acontecer (Arnaldo Antunes, Alice Ruiz, Paulo Tatit e João Bandeira, 2001)
12. Muito muito pouco (Arnaldo Antunes, 2013)
13. Dizem (Quem me dera) (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi, 2013)
14. Ela é tarja preta (Arnaldo Antunes, Betão Aguiar, Luê, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro, 2013)
15. Até o fim (Arnaldo Antunes e Cézar Mendes, 2009)
16. Debaixo d'água (Arnaldo Antunes, 2001)
17. Não vou me adaptar (Arnaldo Antunes, 1985)
18. Socorro (Arnaldo Antunes e Alice Ruiz, 1994)
19. Passe em casa (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Margareth Menezes, 2002)
Bis:
20. Envelhecer (Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Ortinho, 2009)
21. O pulso (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto, 1989)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

'Disco' de Arnaldo ganha edição em vinil (duplo) de formato transparente

Disco - nono álbum solo de inéditas de Arnaldo Antunes, lançado em outubro de 2013 - ganha edição em vinil duplo de formato transparente. O vinil chega ao mercado neste mês de dezembro, no momento em que o cantor e compositor paulista põe em rotação na internet o clipe da canção Sou volúvel, destaque do irregular repertório de Disco. Canção composta por Arnaldo em parceria com os amigos tribalistas Dadi Carvalho e Marisa Monte, Sou volúvel tem vídeo dirigido por Vera Egito. Fotografia é de Camila Cornelsen. Veja no site oficial do artista.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Em cena, 'Disco' de Arnaldo ganha movimento, pressão e o peso do rock

Resenha de show
Título: Disco
Artista: Arnaldo Antunes (em foto de Rodrigo Amaral)
Local: Circo Voador (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 27 de outubro de 2013
Cotação: * * * 1/2
Agenda da turnê nacional do show Disco:
*  De 31 de outubro a 1 de novembro de 2013 - Sesc Belenzinho - São Paulo (SP)
*  De 6 a 9 de novembro de 2013 - Sesc Belenzinho - São Paulo (SP)
* 11 de dezembro de 2013 - Teatro Bradesco - São Paulo (SP)

Disco - o recém-lançado 16º título da obra fonográfica de Arnaldo Antunes pós-Titãs - se revelou álbum apático, desconexo, aquém do belo histórico do cantor, compositor e poeta. Contudo, em cena, Disco cresce, ganhando movimento, pressão e - no bloco final - o peso do rock mais heavy. Por priorizar músicas pouco cantadas em show pelo artista paulista, casos de Atenção (Arnaldo Antunes, Alice Ruiz e João Bandeira, 2001) e da monocórdia balada Hotel Fraternité (Arnaldo Antunes sobre poema de Hans Magnus Enzensberger traduzido por Aldo Fortes, 2006), o roteiro dá a impressão de ter sido construído já tendo em vista um provável registro audiovisual do show que chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em apresentação iniciada no Circo Voador já na madrugada de domingo, 27 de outubro de 2013. Se vier o DVD, o ouvinte residente longe demais das capitais - rota da turnê que já passou por Salvador (BA) e Porto Alegre (RS) e que aterrissa esta semana em São Paulo (SP) - vai poder perceber que o movimento que agrega valor a Disco no palco é resultante do caráter performático com que Arnaldo evolui em cena. Traço perceptível desde a primeira música, Muito muito pouco (Arnaldo Antunes, 2013), cantada após a abertura feita com a leitura de poema, Agora (Já passou), da lavra do artista multimídia. Com gestual que realça o sentido do que está sendo cantado, Arnaldo bate no peito no ritmo funkeado de Trato (2013) - parceria com Hyldon e Céu - e usa o pedestal do microfone como habitual acessório cênico. Performances à parte, o show reitera a irregularidade do cancioneiro reunido por Arnaldo em Disco. Fica nítido em cena, como já ficara evidente no álbum, que a safra 2013 de Arnaldo com Dadi Carvalho e Marisa Monte alterna canções maiores (Sou volúvel) e menores (Querem mandar). De todo modo, as canções antigas do trio tribalista ainda pairam acima das músicas atuais. Tanto que Consumado (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2004) - canção do álbum Saiba (2004) - representa ponto de fervura no show, turbinada com o coro popular, bisado em A casa é sua (Arnaldo Antunes e Ortinho, 2009), pérola pop do luminoso álbum Iê iê iê (2009). Em contrapartida, Contato imediato (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2006) evidencia os limites do cantor como intérprete e não se revela em cena com toda sua beleza, em número que se ressente da comparação com o registro límpido feito pela cantora Jussara Silveira no álbum Ame ou se mande (2011). Já Nome não (Arnaldo Antunes, 1993) é lembrança do concretista primeiro disco solo do artista, Nome (1993), título já atípico em discografia que foi ganhando contorno pop e melódico ao longo dos 20 anos que separam Nome de DiscoGrávida - parceria de Arnaldo com Marina Lima, lançada pela cantora em 1991 e até então nunca abordada por seu coautor em discos e shows - se ajusta bem à arquitetura do roteiro em número incrementado visualmente com imagens de chuva projetadas no telão. A poética Azul vazio (Arnaldo Antunes e Márcia Xavier, 2013) dá início a bloco acústico que causa certa dispersão no ambiente sempre efervescente do Circo Voador, palco inadequado para a interiorizada abordagem cool e minimalista de Até quem sabe (João Donato, Lysias Ênio e Mercedes Chies), feita por Arnaldo somente com o toque do acordeom de André Lima. Balada que exemplifica o feliz flerte de Arnaldo com a canção sentimental brasileira, mote do álbum Iê iê iê, Meu coração (Arnaldo Antunes e Ortinho, 2009) faz bem a transição do clima acústico para o som mais encorpado, começando em número solo de voz & violão e terminando com toda a banda - formada por feras como o guitarrista Edgard Scandurra, o baterista Curumim e o baixista Betão Aguiar - de volta ao palco. Com mais pressão roqueira do que levadas do Norte, Ela é tarja preta (Arnaldo Antunes, Betão Aguiar, Luê, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro, 2013) começa a preparar o clima para o heavy bloco final o show. Contudo, antes de pesar a mão na execução de rocks como Vá trabalhar (Arnaldo Antunes, 1981 / 2013) e Sentido (Arnaldo Antunes e Nando Reis, 2001 / 2013), Arnaldo faz seu público se render mais uma vez à irresistível Invejoso (Arnaldo Antunes e Liminha, 2009), outra pérola pop(ular) de Iê iê iê. Tema lançado pelos Titãs no grande álbum Õ blésq blom (1989), Medo (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto, 1989) adensa Disco em cena com o mesmo peso de Fora de si (Arnaldo Antunes, 1995), enlouquecido rock que encerra o show, retomado no bis com Envelhecer (Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Ortinho, 2009) e Socorro (Arnaldo Antunes e Alice Ruiz, 1994), número catártico a ponto de gerar um segundo bis com a tribalista Passe em casa (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Margareth Menezes, 2002) e com O pulso (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto, 1989), outra sagaz lembrança titânica de Õ blésq blom. Sim, mesmo que Arnaldo Antunes esteja promovendo álbum de menor peso em sua discografia, o pulso do (grande) artista ainda pulsa firme e forte em cena.

domingo, 27 de outubro de 2013

No palco, o 'Disco' de Arnaldo gira com hit de Marina e canção de Donato

Em 1991, Marina Lima abriu parceria com Arnaldo Antunes, assinando com o titã a canção Grávida, um dos sucessos do melhor álbum da cantora e compositora carioca, Marina Lima (EMI-Odeon, 1991). Em que pese a excelente repercussão obtida pela música, Grávida nunca tinha ganhado a voz de seu coautor - até a estreia da turnê do show inspirado no álbum Disco, lançado pelo cantor e compositor paulista neste mês de outubro de 2013. Grávida é ótima surpresa do roteiro do show que, após passar por Salvador (BA) e Porto Alegre (RS), chegou ao Rio de Janeiro (RJ) no Circo Voador, em apresentação iniciada já na madrugada deste domingo, 27 de outubro. Além de Grávida, Arnaldo deu voz à canção de seu parceiro João Donato - Até quem sabe, parceria do compositor acriano com Lysias Ênio e Mercedes Chies, gravada por Donato o álbum Quem é quem (Odeon, 1973) - em bloco acústico. Eis o roteiro seguido por Arnaldo Antunes - em foto de Rodrigo Amaral - na estreia carioca do show Disco:

1. Agora (Já passou) (Arnaldo Antunes) - poema
2. Muito muito pouco (Arnaldo Antunes, 2013)
3. Sou volúvel (Arnaldo Antunes, Dadi Carvalho e Marisa Monte, 2013)
4. Trato (Arnaldo Antunes, Céu e Hyldon, 2013)
5. Atenção (Arnaldo Antunes, Alice Ruiz e João Bandeira, 2001)
6. Consumado (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2004)
7. Dizem (Quem me dera) (Arnaldo Antunes, Dadi Carvalho e Marisa Monte, 2013)
8. Hotel Fraternité (Arnaldo Antunes sobre poema de Hans Magnus Enzensberger traduzido por Aldo Fortes, 2006)
9. Grávida (Arnaldo Antunes e Marina Lima, 1991)
10. A casa é sua (Arnaldo Antunes e Ortinho, 2009)
11. Querem mandar (Arnaldo Antunes, Dadi Carvalho e Marisa Monte, 2013)
12. Nome não (Arnaldo Antunes, 1993)
13. Contato imediato (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte, 2006)
14. Azul vazio (Arnaldo Antunes e Márcia Xavier, 2013)
15. Até quem sabe (João Donato, Lysias Ênio e Mercedes Chies, 1973)
16. Saiba (Arnaldo Antunes, 2004)
17. Meu coração (Arnaldo Antunes e Ortinho, 2009)
18. Ela é tarja preta (Arnaldo Antunes, Betão Aguiar, Luê, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro, 2013)
19. Invejoso (Arnaldo Antunes e Liminha, 2009)
20. Vá trabalhar (Arnaldo Antunes, 2013) - composto em 1981 para o grupo Titãs
21. Medo (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto, 1989)
22. Sentido (Arnaldo Antunes e Nando Reis, 2013) - composto em 2001
23. Fora de si (Arnaldo Antunes, 1995)
Bis:
24. Envelhecer (Arnaldo Antunes, Marcelo Jeneci e Ortinho, 2009)
25. Socorro (Arnaldo Antunes e Alice Ruiz, 1994)
Bis 2:
26. Passe em casa (Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown, Marisa Monte e Margareth Menezes, 2002)
27. O pulso  (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto, 1989)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Apatia e desconexão da atual safra de inéditas de Arnaldo esmaecem 'Disco'

Resenha de CD
Título: Disco
Artista: Arnaldo Antunes
Gravadora: Rosa Celeste / Radar Records
Cotação: * * 1/2

 É sintomático que, para compor o repertório de Disco, Arnaldo Antunes tenha tirado do baú um inédito rock dos primórdios do grupo Titãs, Vá trabalhar (Arnaldo Antunes), e outro rock composto por Nando Reis, Sentido, por ocasião da morte de Marcelo Fromer (1961 - 2001) - sem falar na sua primeira parceria com Caetano Veloso, Morro, amor, apaixonada canção composta para trilha sonora de filme de Guel Arraes, descartada pelo diretor e ora perpetuada por Arnaldo no tempo da delicadeza em gravação conduzida pelos violões de Cezar Mendes e Dadi Carvalho. A impressão - reforçada pela capa trivial de Disco - é a de que o cantor e compositor paulista gravou seu 16º CD pós-saída dos Titãs no piloto automático. Parece que a intenção foi somente registrar produção autoral que brotou de forma inesperada, que alimentou a (boa) ideia de adiantar de forma avulsa uma parte do cancioneiro de Disco - em série de quatro singles previamente lançados na internet de junho a setembro de 2013 - e que precisou ser completada com sobras para gerar um álbum. A irregularidade e a desconexão do repertório esmaecem CD que, embora tenha bons momentos, está muito aquém do histórico fonográfico de Arnaldo. Produzido por Betão Aguiar e Gabriel Leite, Disco foi formatado com arranjos mais inspirados do que a maioria de suas músicas. Tanto que o grande arranjo de cordas feito por Ruriá Duprat para Querem mandar valoriza essa canção menor da lavra de Arnaldo com Marisa Monte e Dadi Carvalho. O trio tribalista - com Dadi informalmente no lugar de Carlinhos Brown - assina também Dizem (Quem me dera) e Sou volúvel, canções de arquitetura mais envolvente. Se o toque da guitarra de Fernando Catatau valoriza o supra-citado rock Vá trabalhar, a trama das guitarras de Edgard Scandurra e Chico Salem encorpa Ah, mas assim vai ser difícil (Arnaldo Antunes), rock que se ajustaria ao anterior álbum de inéditas do artista, Iê iê iê (2009), marco de inebriante explosão pop na já longeva obra solo de Arnaldo. Vinte após o lançamento do concretista Nome (1993), a poesia ainda rege a música do titã, mas de forma mais digerível, como prova a bela canção Azul vazio (Arnaldo Antunes e Marcia Xavier). Primeira das quatro músicas de Disco jogadas na rede, o pop rock Muito muito pouco (Arnaldo Antunes) versa - em letra que resiste sem sua melodia -sobre o desequilíbrio e a inversão de valores em sociedade cada vez mais automatizada e insensível. Fora de seu universo particular, Arnaldo faz conexões com músicos e compositores do Norte do Brasil em Ela é tarja preta (Arnaldo Antunes, Betão Aguiar, Luê, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro), esboça ligação com o mundo afro em Oxalá chegar - faixa em que sobressaem o vocal preciso da cantora paulista Mônica Salmaso bem como a percussão e o MPC de Curumim - e entra no baile black na companhia de Hyldon e Céu, parceiros e convidados de Arnaldo na funkeada Trato. Em outra galáxia musical, O fogo - parceria de Arnaldo com João Donato - reacende a chama branda da Bossa Nova, evocada no toque do violão de Cezar Mendes, marcante também no Acalanto pra acordar (Arnaldo Antunes, Marcia Xavier, Lenora de Barros e Mag), singelo fecho do CD. Antes, Disco brilha em sua única regravação, Mamma (1971), tema em inglês do álbum londrino de Gilberto Gil, vertido por Arnaldo com sensibilidade. O sonoro trompete de Guizado pontua de forma afiada os versos que poeticamente aludem ao corte do cordão umbilical feito por um filho que ingressa na vida adulta. De todo modo, é sintomático que um dos momentos mais luminosos de um álbum de inéditas de Arnaldo Antunes seja sua única regravação. O que corrobora a sensação de que Disco veio ao mundo antes do tempo. Era preciso prolongar mais sua gestação para que Disco ficasse maturado, à altura dos grandes álbuns lançados pelo artista nos últimos 15 anos. Disco soa aquém do talento de Arnaldo Antunes. O titã pode mais.

domingo, 29 de setembro de 2013

Arnaldo, Lenine, Takai e Zélia em CD que celebra cancioneiro de Sullivan

Dominante nas paradas musicais brasileiras da década de 80, em escalada iniciada em 1983 com o estouro da gravação de Me dê motivo na voz de Tim Maia (1942 - 1998), o cancioneiro de Michael Sullivan - sobretudo o composto com Paulo Massadas - perdeu força ao longo dos anos por ter começado a ser fabricado em escala industrial. Mas deixou algumas canções populares que resistiram ao tempo e atravessaram gerações. Algumas delas estão sendo regravadas em disco que pode redimensionar a obra de Sullivan na música brasileira - sem o carimbo brega lhe imposto na época de sua criação. Parceria de Sullivan e Massadas lançada pelo cantor José Augusto em 1988, Fui eu ganhou a voz de Fernanda Takai. Canção gravada por Fafá de Belém em 1987, Meu dilema - parceria de Sullivan com seu irmão Leonardo - foi regravada por Zélia Duncan. Arnaldo Antunes e Lenine também figuram no disco, cujo elenco também inclui a novata Alice Caymmi, representante da terceira geração da Família Caymmi.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Arnaldo joga na rede o rock 'Vá trabalhar', quarto 'single' do álbum 'Disco'

Valorizado pelo toque inventivo da guitarra de Fernando Catatau, o rock Vá trabalhar é o quarto single de Disco, o álbum que Arnaldo Antunes vai lançar em outubro de 2013. Existente desde os primórdios dos Titãs, embora nunca tenha sido gravada pelo grupo, a música é assinada somente pelo compositor paulista. Produzida por Betão Aguiar e Gabriel Leite, a faixa foi disponibilizada para audição no site oficial de Arnaldo nesta segunda-feira, 2 de setembro, completando o naipe de singles que sinalizam um álbum de pegada pop(ular). Eis a letra de Vá trabalhar, single que sucede Muito muito pouco (Arnaldo Antunes), Dizem (Quem me dera) (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Dadi Carvalho) e a nortista Ela é tarja preta (Arnaldo Antunes, Betão Aguiar, Luê, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro), músicas de Disco já previamente divulgadas nas primeiras segundas-feiras dos meses de junho, julho e de agosto:

Vá trabalhar
(Arnaldo Antunes)

Vá trabalhar
Mas volte, não se esqueça dos seus filhos
Dinheiro é pra gastar
Dinheiro é pra gozar com a família

Vá se enfeitar
Pinte a boca, ponha falsos cilhos
Você quer se matar
Você já tá pra lá de a perigo

Esse buraco foi você quem cavou
Esse buraco onde você se enfiou
Sua casa, o seu ninho de amor

Mas quando a saúde, o gás, a grana acabar
Vai ser dose, sua pose cairá

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Arnaldo refaz conexões com nomes do Norte no terceiro single de 'Disco'

Parceiro de Luê na música que dá título ao primeiro álbum da cantora paraense, A fim de onda, Arnaldo Antunes refaz a conexão com a artista em Ela é tarja preta, terceiro single de Disco, o álbum de inéditas que o cantor e compositor paulista vai lançar em outubro de 2013. Prosseguindo com a ideia de apresentar a cada primeira segunda-feira do mês uma música de Disco, Arnaldo Antunes - em foto de Rafael Cañas - disponibilizou Ela é tarja preta para audição em seu site oficial nesta segunda-feira, 5 de agosto. Além de Luê, outros dois nomes ligados ao universo musical do Pará - os guitarristas Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, pai e filho - assinam a música com Arnaldo. O time de compositores do tema inclui Betão Aguiar, produtor de Disco ao lado de Gabriel Leite. Eis a letra de Ela é tarja preta, single que sucede Muito muito pouco e Dizem (Quem me dera), músicas divulgadas em junho e em julho:

Ela é tarja preta
(Arnaldo Antunes, Betão Aguiar, Luê, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro)

Quando ela chega de bandeja muito sem noção
Abala o baile, em cada cara o queixo cai no chão
Quando ela suge de lambuja dentro do salão
Nem o doutor percebe tanta contra-indicação
Vai subindo na cadeira e rebolando no balcão do bar
Remexendo na gaveta essa capeta separando o par
A galera se excita e palpita: quem vai encarar?
Quero ver, agora quero ver quem vai chegar
Ela é tarja preta
É tarja preta
É tarja preta
É tarja preta
Tem que ter receita
É tarja preta
É tarja preta
Pode fazer mal pra você
Ela é uma princesa cinderela bela encantada
Dando bola para todo mundo mas ninguém faz nada
Nega quer confete, periguete do conto de fada
Para alguém desencantar
Mas enfeitiçou o namorado de outra namorada
Que ficou ali no fim da festa meio abandonada
Se descontrolou, se embriagou não quis saber de nada
Foi pedir satisfação, saiu dando porrada mas
Ela é faixa preta
É faixa preta
É faixa preta
É faixa preta
Tem que ter receita
É tarja preta
É tarja preta
Pode fazer mal pra você