Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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terça-feira, 29 de março de 2016

Cancioneiro soberano de Jobim ganha tons lusitanos em álbum de Carminho

Os cancioneiros de dois dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos inspiram e guiam os próximos disco de dois dos maiores cantores portugueses da atualidade. Enquanto António Zambujo vai lançar álbum dedicado à obra de Chico Buarque neste ano de 2016, a cantora Carminho começa a preparar álbum - previsto para 2017 - com músicas do cancioneiro soberano do compositor carioca Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994). Cabe lembrar que foi cantando em dueto uma parceria de Jobim (foto) com Chico, Sabiá, que Carminho e Zambujo ampliaram o número de fãs brasileiros em número feito, em junho de 2013, na 24ª edição do Prêmio da Música Brasileira.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Voz brasileira de tributo a Amália, Caetano canta fado de 1970 com Carminho

Caetano Veloso é o único representante brasileiro do time de intérpretes convocados para gravar participação no CD Amália - As vozes do fado, disco idealizado em tributo à cantora portuguesa Amália Rodrigues (1920 - 1999), um dos maiores nomes do fado. Em dueto com Carminho, o cantor e compositor baiano dá voz a um fado lançado por Amália há 45 anos no álbum Com que voz, lançado em Portugal em março de 1970. Trata-se do fado Naufrágio, cuja melodia foi criada por Alain Oulman (1928 - 1990) - um dos compositores mais importantes da discografia de Amália - a partir de versos da poeta carioca Cecília Meireles (1901 - 1964). O dueto de Caetano com Carminho foi gravado em estúdio do Rio de Janeiro (RJ). Com capa assinada pelo artista português Alexandre Farto, conhecido pelo nome artístico de Vihls e por sua arte nas ruas de Lisboa, o álbum Amália  -  As vozes do fado chega a partir de amanhã, 17 de julho de 2015, ao mercado do disco.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Caetano e Carminho gravam, no Rio, participação em CD em tributo a Amália

A IMAGEM DO SOM - Postada por Caetano Veloso em sua página no Facebook, a foto mostra o cantor e compositor baiano no estúdio Maravilha 8, no Rio de Janeiro (RJ), ao lado da cantora lusitana Carminho. Os artistas gravaram dueto para disco produzido em tributo à cantora portuguesa Amália Rodrigues (1920 - 1999), expoente do fado, gênero musical lusitano reavivado com êxito por Carminho.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Vinicius, Marisa e Caetano estão no roteiro gravado por Carminho no Rio

Fado feito pelo poeta e compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980) por ocasião de viagem a Portugal, na segunda metade dos anos 1960, Saudades do Brasil em Portugal (1968) ganhou mais uma vez a voz de Carminho, cantora portuguesa que vem estreitando laços musicais com o Brasil em travessia atlântica que culminou com a decisão de gravar seu primeiro DVD em show na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A gravação ao vivo foi concretizada em show apresentado na noite de ontem, 9 de abril de 2015, na casa Vivo Rio. Transitando com desenvoltura na ponte musical que liga o Brasil a Portugal, Carminho - em foto de Rodrigo Goffredo - incluiu também as músicas que ganhou de Marisa Monte (Chuva no mar, parceria da cantora e compositora carioca com o paulistano Arnaldo Antunes) e de Caetano Veloso (O sol, eu e tu, tema que tem letra do compositor baiano, posta sobre a melodia de Cezar Mendes e Tom Veloso) para seu recente terceiro álbum, Canto (2014), lançado no Brasil neste ano de 2015 via Som Livre. Fado pioneiro por ter letra escrita com o português do Brasil, como ressaltou a cantora em cena, Saudades do Brasil em Portugal, aliás, já havia sido gravado por Carminho em seu segundo álbum, Alma (2012).

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

'Chuva no mar' reitera inspiração de Marisa ao cair no disco de Carminho

Leve, a melodia soa como o sopro no ar citado em verso da letra que poetiza a eterna mutação do mundo, das coisas e das pessoas. A incessante e por vezes silenciosa transformação advinda da interferência de umas nas outras. Grande destaque do terceiro álbum da cantora portuguesa Carminho, o sublime Canto (Warner Music, 2014), Chuva no mar é envolvente canção que reitera a inspiração do cancioneiro autoral de Marisa Monte. A parceria da cantora e compositora carioca com o paulistano Arnaldo Antunes ganha em Canto - disco previsto para ser lançado no Brasil neste ano de 2015 - um registro à altura da lindeza da música, gravada por Carminho em dueto com a própria Marisa Monte. Disponível para audição no YouTube, através de lyric video feito com animação de Nicolau.pt, Chuva no mar é canção de delicadeza tribalista que valoriza o melhor álbum de Carminho no oceano que reconecta Brasil e Portugal. Eis a bela letra de Chuva no mar:

Chuva no mar
(Marisa Monte e Arnaldo Antunes)


Coisas transformam-se em mim
É como chuva no mar
Se desmancha assim em
Ondas a me atravessar
Um corpo sopro no ar
Com um nome pra chamar
É só alguém batizar
Nome pra chamar de
Nuvem, vidraça, varal
Asa, desejo, quintal
O horizonte lá longe
Tudo o que o olho alcançar
E o que ninguém escutar
Te invade sem parar
Te transforma sem ninguém notar
Frases, vozes, cores
Ondas, frequências, sinais
O mundo é grande demais
Coisas transformam-se em mim
Por todo o mundo é assim

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Primeira parceria de Caetano com Tom Veloso valoriza CD de Carminho

A IMAGEM DO SOM - Postada no Instagram de Caetano Veloso, a foto acima flagra o artista baiano com a cantora portuguesa Carminho, com seu filho carioca Tom Veloso e com o violonista e compositor baiano Cezar Mendes em encontro no qual celebraram a gravação de música inédita do trio pela fadista. Com grande beleza melódica e poética, a primeira parceria de pai e filho se destaca no repertório do terceiro álbum de Carminho, Canto (Warner Music, 2014), previsto para ser lançado no Brasil neste ano de 2015. A música se chama O sol, eu e tu. Escrita por Caetano, a letra enaltece a cumplicidade a dois resultante de amor autossuficiente. Os versos se afinam com perfeição à melodia criada por Tom com Cezar Mendes, professor do jovem artista. Foi através de Mendes, aliás, que O sol, eu e tu chegou aos ouvidos de Carminho, que então mandou e-mail para Caetano com o pedido - prontamente atendido - para gravar a canção. Eis a letra de O sol, eu e tu, música que ganhou naturalmente ar de fado no registro feito por Carminho para seu melhor álbum:

O sol, eu e tu
(Cezar Mendes, Tom Veloso e Caetano Veloso)

O céu azul
O sol no mar
Só eu e tu
Damos sentido a tudo o que existe
E existirá

A chuva cai
A imensidão
Geme num ai
E o horizonte revela-se inteiro

Neste chão
Nós dois aqui celebramos o mundo
Cada vez que nos olhamos de perto
Rua, floresta, deserto
Hoje, amanhã, norte, sul
O mar sob o sol
Todo o azul do céu
Eu e tu

O céu azul
O sol no mar
Só eu e tu
Damos sentido a tudo o que existe
E existirá

A chuva cai
A imensidão
Geme num ai
E o horizonte revela-se inteiro
Neste chão

Nós dois aqui celebramos o mundo
Cada vez que nos olhamos de perto
Rua, floresta, deserto
Hoje, amanhã, norte, sul
O mar sob o sol
Todo o azul do céu
Eu e tu

Nós dois aqui celebramos o mundo
Cada vez que nos olhamos de perto
Rua, floresta, deserto
Hoje, amanhã, norte, sul
O mar sob o sol
Todo o azul do céu
Eu e tu

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Duo com Marisa e letra de Caetano linkam 'Canto' de Carminho ao Brasil

Já lançado em Portugal e previsto para ser editado no Brasil no primeiro trimestre de 2015, o terceiro álbum de Carminho, Canto, reforça a conexão da cantora lusitana com a música brasileira. Marisa Monte participa do disco, cantando com Carminho uma música inédita, Chuva no mar, composta por Marisa com Arnaldo Antunes. Caetano Veloso assina a letra de O sol, eu e tu em sua primeira parceria com o filho Tom Veloso (o compositor baiano Cézar Mendes é coautor da música, que chegou à fadista através de Mendes, aliás). Músicos com o violoncelista Jaques Morelenbaum (arranjador de Ventura, tema de Miguel Araújo), o violonista Lula Galvão, o baixista Dadi Carvalho e os percussionistas Carlinhos Brown e Naná Vasconcelos tocam no álbum Canto.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Com alma de fadista, Carminho (re)faz a apoteose da voz em show no Rio

Resenha de show
Título: Carminho
Artista: Carminho (em foto de Mauro Ferreira)
Local: Miranda (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 21 de dezembro de 2013
Cotação: * * * *

Quando Carminho retornou ao palco da casa carioca Miranda, após exuberante número instrumental feito pelo trio que a acompanhava em cena no show Alma, a cantora portuguesa iniciou a capella a interpretação de depressivo fado de 1971, De mim para ninguém (Artur Ribeiro). Somente um holofote jogava luz difusa sob o palco quase às escuras. Ao fim do número, a plateia que lotou a Miranda na noite de 21 de dezembro de 2013 estava completamente arrebatada com o poder da voz e da interpretação de Maria do Carmo Carvalho Rebelo de Andrade, jovem revelação do fado. Aos 28 anos, Carminho arrebata plateias na Europa e no Brasil, onde debutou nos palcos no ano passado para promover seu segundo álbum, Alma (2012), lançado no mercado nacional pelo selo MP,B Discos. Cada vez mais popular no Brasil, Carminho voltou a se apresentar no Rio de Janeiro (RJ) um ano após ter feito seu primeiro show na cidade. De lá para cá, ganhou elogios públicos e privados de nomes como Caetano Veloso por ter feito Sabiá (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) voar alto em dueto feito com o cantor português António Zambujo em número musical da cerimônia de entrega do 24º Prêmio da Música Brasileira. Sabiá não atingiu a mesma altura de 12 de junho no bis do show da Miranda, mas, na sequência, quando Carminho dispensou o microfone e entoou o fado Minhas penas (Fernando Afonso Geraldes Caldeira e João Maria dos Anjos), a apoteose da voz se refez em sua plenitude. Carminho tem voz à altura das grandes cantoras do fado. E tem também a alma necessária para expor na voz toda a tristeza que há em fados como Disse-te adeus (Fados dos sonhos) (Frederico de Brito e Manuela de Freitas). Mais para a balada do que para o fado, Talvez (Mário Pacheco sobre poema de Vasco Graça Moura) representou outro pico de beleza e sedução no show. Quando canta, Carminho parece incorporar na alma toda a desilusão e melancolia que habita os corações das personagens dos fados que entoa de forma tradicional. São os mesmos sentimentos que imobilizam a Carolina de Chico Buarque. E talvez por isso a música do compositor carioca - lançada na voz do autor em compacto de 1967 - tenha encontrado sua melhor tradução na interpretação de Carminho. Sob a direção de Diogo Clemente, que toca violão no trio que forma em cena com Luis Guerreiro (guitarra portuguesa) e José Marino de Freitas (baixo acústico), a cantora portuguesa mostrou absoluta segurança e intimidade com o gênero que abraçou de forma tão explícita que seu primeiro álbum, lançado em 2009 em Portugal e ainda inédito no Brasil, se chamou simplesmente Fado. Contudo, o roteiro do show Alma extrapolou as fronteiras lusitanas, enfatizando também os laços cada vez mais fortes de Carminho com a música brasileira. Compositor recorrente na parte nacional do roteiro, Chico Buarque teve revivida por Carminho - no tempo da delicadeza - pouco ouvida parceria com Edu Lobo, Meu namorado, da trilha sonora do balé O grande circo místico (1983). Nesse mesmo tempo delicado, Carminho deu voz a Contrato de separação (Dominguinhos e Anastácia, 1979) - música conhecida na voz (também apoteótica) de Nana Caymmi - após ter lembrado Saudades do Brasil em Portugal (1968), o fado que o poeta e compositor carioca Vinicius de Moraes (1913 - 1980) fez quando passava temporada na Terrinha. E nem tudo foi melancolia e tristeza. Fado lançado em 1934 pela cantora portuguesa Hermínia Silva (1907 - 19930, A velha tendinha (Raul Ferrão e José Galhardo) abriu alas em ritmo veloz para a alegria da carnavalizante Marcha de Alfama (Raul Ferrão e Amadeu do Vale). "Fado se aprende observando. Não está nos livros, não existem escolas. É aprendizagem da vida inteira", enfatizou Carminho numa das vezes que se dirigiu ao público. Pelo visto e ouvido no show Alma, Carminho aprendeu - e continua aprendendo - tudo.

Com 'Sabiá' no roteiro, fadista Carminho reapresenta show 'Alma' no Rio

Canção do exílio composta por Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) com Chico Buarque no rebelde ano de 1968, Sabiá não estava originalmente no roteiro de Alma, atual show de Carminho, como é conhecida a cantora portuguesa batizada com o nome de Maria do Carmo Carvalho Rebelo de Andrade. Mas Sabiá entrou no bis dos dois shows que trouxeram a fadista de volta aos palcos cariocas, em apresentações que lotaram a casa Miranda, no Rio de Janeiro (RJ), em 20 e 21 de dezembro de 2013. É que Sabiá passou a ser associada a Carminho na mídia desde que a canção foi brilhantemente interpretada pela artista - em duo com o cantor português António Zambujo - no show da 24ª edição do Prêmio da Música Brasileira, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 12 de junho de 2013. Mas o repertório do show de Carminho é formado basicamente por fados do segundo álbum da cantora, Alma (MP,B Discos, 2012), entremeadas com seis músicas gravadas pela intérprete em seu primeiro CD, Fado (2010). Eis o roteiro seguido por Carminho - vista na foto de Mauro Ferreira com os músicos Luis Guerreiro (guitarra portuguesa), Diogo Clemente (violão) e Marino de Freitas (baixo acústico) - na casa Miranda na apresentação de 21 de novembro de 2013 do ótimo show Alma:

1. Lágrimas do céu (Fado cravo) (Carlos Conde e Alfredo Marceneiro)
2. Malva-Rosa (João Linhares e José Inácio)
3. As pedras da minha rua (Eduardo Damas e Manuel Paião)
4. Voltar a ser (João Monge)
5. Folha (Fado Proença) (Carminho e Júlio Proença, 2009)
6. Meu namorado (Edu Lobo e Chico Buarque, 1983)
7. A Bia da mouraria (Nóbrega Sousa e António José) 
8. Senhora da Nazaré (João Nobre)
9. Fado das queixas (Joaquim Frederico de Brito e Carlos Rocha)
10. Número instrumental do trio
11. De mim para ninguém (Artur Ribeiro, 1971)
12. Talvez (Mário Pacheco sobre poema de Vasco Graça Moura)
13. Bom dia, amor (Carta de Maria José) (Diogo Clemente com inspiração em texto de Fernando Pessoa, 2009)
14. Carolina (Chico Buarque, 1967)
15. Disse-te adeus (Fados dos sonhos) (Frederico de Brito e Manuela de Freitas)
16. Saudades do Brasil em Portugal (Vinicius de Moraes,1968)
17. Contrato de separação (Dominguinhos e Anastácia, 1979)
18. Uma vida noutra vida (Fado pechincha) (João do Carmo Noronha e Aldina Duarte)
19. A velha tendinha (Raul Ferrão e José Galhardo, 1934)
20. Marcha de Alfama (Raul Ferrão e Amadeu do Vale)
21. Escrevi o teu nome no vento (Fado Carriche) (Raul Ferrão e Jorge Rosa)
Bis:
22. Sabiá (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968)
23. Minhas penas (Fernando Afonso Geraldes Caldeira e João Maria dos Anjos)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Carminho e Zambujo brilham em prêmio com voo emocionado de 'Sabiá'

Canção do exílio escrita por Antonio Carlos Jobim (1927 - 1994) com Chico Buarque em 1968, ano rebelde em que o AI-5 cassou os últimos resquícios de liberdade que havia no Brasil da época, Sabiá atravessou o oceano e levou o sentimento dos expatriados nacionais para bem longe no roteiro da 24ª edição do Prêmio da Música Brasileira em homenagem a Jobim. No caso, partindo do Rio de Janeiro (RJ) até Portugal. Os cantores lusitanos Carminho e António Zambujo - vistos em foto de Rodrigo Amaral - foram um dos pontos mais altos do roteiro musical da cerimônia conduzida pelas cantoras Adriana Calcanhotto e Zélia Duncan. Feita sob a direção musical de Jaques Morelenbaum, a interpretação emocionada de Carminho e Zambujo mereceu aplausos de pé da plateia de convidados que foi ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro na noite de 12 de junho de 2013. Sabiá voou alto sem sair do tom de Jobim e Chico.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Com alma de fadista, Carminho atravessa o Atlântico no segundo álbum

Resenha de CD
Título: Alma
Artista: Carminho
Gravadora: MP,B / Universal Music
Cotação: * * * *

Faz sentido que Saudade do Brasil em Portugal (Vinicius de Moraes e Homem Cristo, 1968) esteja entre as 17 faixas da edição original portuguesa do segundo álbum da fadista Carminho, Alma. E não é somente pelo fato de o repertório original já incluir delicado registro de Meu Namorado, tema menos conhecido da trilha sonora composta por Edu Lobo e Chico Buarque para o balé O Grande Circo Místico (1983). Nas três faixas inéditas da edição especial de Alma, recém-lançada no Brasil pelo selo MP,B com distribuição da Universal Music, Carminho atravessa o Atlântico e faz conexões com cantores e compositores brasileiros. Mas não se trata de saudade do Brasil em Portugal. A travessia tem como objetivo alcançar no Brasil o sucesso e o prestígio obtidos por António Zambujo, cantor lusitano também lançado no mercado nacional via selo MP,B com as mesmas doses de marketing aplicadas em Carminho. Não vai ser difícil. Maria do Carmo Carvalho Rebelo de Andrade canta fado com alma, descende da linhagem nobre de intérpretes como Amália Rodrigues (1920 - 1999) - com quem, aliás, Vinicius de Moraes (1913 - 1980) lançou Saudade do Brasil em Portugal em álbum de 1968 - e desfia com categoria a ladainha amorosa do fado mais clássico em temas como Lágrimas do Céu (Carlos Conde e Alfredo Marceneiro), Cabeça de Vento (João Linhares Barbosa e Armando Machado) e Fado Adeus (Vitorino). Sob a produção e direção musical de Diogo Clemente, que toca baixo e viola de fado em algumas das 15 faixas da edição brasileira de Alma, Carminho encara o peso natural do fado com seu canto luminoso, sentido, e com a tradicional guitarra portuguesa, na qual se alternam os músicos Bernardo Couto, José Manuel Neto, Ângelo Freire e Mário Pacheco. Contudo, a fadista insere no repertório alguns temas mais leves, caso de Bom Dia, Amor (Carta de Maria José), música inédita de autoria do citado Diogo Clemente. Para ouvidos brasileiros, as três faixas adicionadas ao repertório original - com arranjos dos violonistas do Trio Madeira Brasil - são cerejas do delicioso bolo. Até porque, ao lado de Milton Nascimento, Carminho inventa um Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972) com nuances, alma própria e sentido todo especial na travessia atlântica. Também feito no tempo da delicadeza, o leve dueto com Nana Caymmi em Contrato de Separação (Dominguinhos e Anastácia, 1979) - canção lançada pela intérprete brasileira no álbum Nana Caymmi (EMI-Odeon, 1979) - nem por isso deixa de aumentar o peso de repertório em geral choroso. Por fim, Carminho e Chico Buarque lamentam com ternura a apatia da desatenta Carolina (Chico Buarque, 1967). Enfim, Alma é o título apropriado para o disco de uma cantora portuguesa que traz uma gama de fortes sentimentos na voz privilegiada. Carminho sabe cantar o fado de maneira clássica, até com eventuais liberdades estilísticas, mas sem cair em trilha modernosa.