Mauro Ferreira no G1

Aviso aos navegantes: desde 6 de julho de 2016, o jornalista Mauro Ferreira atualiza diariamente uma coluna sobre o mercado fonográfico brasileiro no portal G1. Clique aqui para acessar a coluna. O endereço é http://g1.globo.com/musica/blog/mauro-ferreira/


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sábado, 7 de maio de 2016

Criolo ajusta foco de 'Ainda há tempo' e revigora álbum lançado há dez anos

Resenha de álbum
Título: Ainda há tempo (versão 2016)
Artista: Criolo
Gravadora: Oloko Records
Cotação: * * * *
Disco disponível para download gratuito no site oficial do artista

Criolo era lúcido mesmo quando adotava o nome artístico de Criolo Doido. Foi como Criolo Doido que o rapper paulistano lançou há dez anos o primeiro álbum, Ainda há tempo (SkyBlue Music, 2006), com distribuição (de minguadas 500 cópias) e repercussão restritas ao universo do hip hop. Mais comentado do que propriamente ouvido, o disco está sendo relançado pelo artista neste mês de maio de 2016. Mas não se trata de reedição. O álbum disponibilizado ontem - 6 de maio de 2016 - nas plataformas digitais é uma nova versão do disco, sintonizada com o som adotado por Criolo desde que o rapper se uniu aos produtores Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral para moldar o álbum, Nó na orelha (Oloko Records, 2011), que lhe deu projeção nacional e o tirou do gueto do hip hop. Criolo foi além do rap desde então e chegou a lançar álbum gravado com uma das maiores estrelas da axé music, Ivete Sangalo, com abordagens do repertório do cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998). Sucessora de Convoque seu Buda (Oloko Records, 2014) na discografia solo de Criolo, a versão 2016 de Ainda há tempo ajusta o foco do álbum ao reapresentar somente oito das 22 músicas do repertório original. Feita por Daniel Ganjaman e por Marcelo Cabral, a inebriante repaginação da música-título Ainda há tempo (Criolo, 2006) já foi apresentada como o primeiro single do álbum em 8 de abril de 2016. A faixa deu a pista certeira de como Criolo revigorou o som deste disco de 2006, mais voltado para o rap. Só que, mesmo sob a direção musical de Ganjaman, Criolo convocou outros produtores para dar forma às outras sete músicas da versão redux de Ainda há tempo. A releitura resultou excelente porque os produtores beatmakers lapidaram e encorparam o som sem diluir a essência do rap de Criolo. A lucidez do Criolo que se autodenominava Doido reverbera já na primeira música da versão 2016 de Ainda há tempo, É o teste (Criolo, 2006), repaginada por Nave. Na letra, Criolo versa sobre os perigos das quebradas e prega a perseverança no caminho do bem. "É o teste, é a febre, é a glória / Não se corromper, pra nós, já é vitória", sentencia o rapper no refrão insistente. Música revitalizada por Sala 70, Chuva ácida (Criolo, 2006) recai forte por ter tido a atualidade da pregação ecológica acentuada pela inserção, na abertura da faixa, de fala de trecho de reportagem sobre o desastre ambiental que devastou e enlameou a cidade mineira de Mariana (MG) em novembro de 2015, acabando com o Rio Doce. Música reciclada pela produção de Grou e gravada com a adesão do rapper Rael, Tô pra ver (Criolo, 2006) prega o rap como arma na luta cotidiana pela sobrevivência digna nas quebradas da vida. Bréaco (Criolo, 2016) cai levemente no suingue - com a produção de Deryck Cabrera - sem diluir a secura do rap. Música repaginada por Sem Grana, Até me emocionei (Criolo, 2006) exalta o rap como veículo salvador - "No hip hop não tem rei / Eu não fiz o rap / Foi o rap que me fez" - e escancara a sensibilidade do rapper diante da realidade. Com produção de Papatinho e discurso autoconfiante ("Ninguém vai me frear / Ninguém vai me dizer o que eu devo fazer nessa porra"), Demorô (Criolo, 2006) é um dos melhores exemplos de como Criolo soube revigorar a pegada e a batida dos raps de Ainda há tempo. Faixa recriada pela dupla Tropkilazz, Vasilhame (Criolo, 2006) derrama crítica ao alcoolismo autodestrutivo sem o verso impoliticamente correto que aludia aos travestis de forma esnobe, machista. Enfim, Criolo sempre foi lúcido. Mas agora tem mais munição para veicular a lucidez do discurso positivista de obra que já dizia a que veio no álbum quase ignorado de 2006. "As pessoas não estão más / Elas só estão perdidas", argumenta, crente, em versão da música-título. Ainda há tempo para ouvir o primeiro álbum de Criolo e comprovar que a explosão de 2011 foi meritória, ainda que até tardia para quem já estava há anos nas duras batalhas da vida das rimas.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Criolo revela capa da reedição de 'Ainda é tempo' e lança single da releitura

Com bela arte gráfica de Pedro Inoue, a capa - foto ao alto - da reedição do primeiro álbum de Criolo, Ainda há tempo (SkyBlue Music, 2006) é diferente da capa da edição original lançada há dez anos. A releitura do disco chega ao mercado fonográfico em maio deste ano de 2016. A partir de hoje, 8 de abril, o single Ainda há tempo - foto acima - está disponível nas plataformas digitais. A música-título do disco é revitalizada com batidas dos produtores Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral.

terça-feira, 29 de março de 2016

Criolo reedita em maio álbum de estreia, 'Ainda há tempo', lançado em 2006

Em 2006, o rapper paulistano Criolo ainda adotava o nome artístico de Criolo Doido quando lançou o primeiro álbum, Ainda há tempo, arremessado no mercado fonográfico por via independente com minguada tirada de 500 cópias fabricadas com o selo SkyBlue Music. Dez anos depois, alçado ao estrelado no universo pop nacional a partir do lançamento do segundo álbum Nó na orelha (Oloko Records, 2011), o artista relança Ainda há tempo em nova gravação, com outra capa e somente oito das 22 músicas do álbum original. O rapper revitalizou o disco com vários produtores. Promovido por turnê nacional iniciada por Criolo neste mês de abril de 2016, em São Paulo (SP), a versão redux do álbum ganha edição física em CD e chega às plataformas digitais a partir de maio.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Em disco de estúdio, Ivete e Criolo empalidecem seu reverente tributo a Tim

Resenha de CD
Título: Viva Tim Maia!
Artistas: Ivete Sangalo & Criolo
Gravadora: Universal Music
Cotação: * * 

Bastou anunciar que Criolo e Ivete Sangalo iriam estrear show com o repertório de Tim Maia (1942 - 1998) para que a turma da oposição se manifestasse efusivamente. Sobrinho de Tim, Ed Motta chegou a declarar publicamente em rede social seu desprezo pelo projeto. Contudo, contra todos os prognósticos negativos, a cantora baiana e o rapper paulistano se saíram bem ao vivo diante da missão ingrata de cantar os sucessos do Síndico diante da plateia de convidados que assistiu à estreia nacional do show Viva Tim Maia! - idealizado para a quarta edição do projeto Nivea Viva - na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), em 31 de março de 2015. Se Ivete se conteve e mostrou certa intimidade com o soul, sem fazer as intervenções efusivas que geralmente empanam o brilho de suas interpretações, Criolo se revelou bom cantor fora do universo de seu rap miscigenado, valorizando números como a balada de acento soul Ela partiu (Tim Maia e Beto Cajueiro, 1975). Reverente aos arranjos das gravações originais feitas nos anos 1970 e 1980 por Tim (cantor e compositor carioca que traduziu o funk e soul norte-americanos para o idioma musical do Brasil), a direção musical de Daniel Ganjaman contribuiu para que o show se transformasse quase num baile black, com roteiro que enfileirou todos os hits do Síndico. Infelizmente, o álbum gravado em estúdio e recém-lançado pela gravadora Universal Music, Viva Tim Maia!, empalidece o tributo, diluindo o calor dos arranjos e das interpretações. Criada a partir de foto de Leo Aversa, a capa simplória do CD deixa a impressão de que o disco foi feito somente por questão contratual. Gravado pelo produtor Daniel Ganjaman e por Fernando Rocha no estúdio El Rocha, em São Paulo (SP), o álbum já peca por reproduzir parcialmente o show, perpetuando somente 12 dos 27 números do roteiro original. Em contrapartida, o  disco equilibra com precisão as participações de Criolo e Ivete. Nos shows, ela cantava muito mais do que ele. No CD, são quatro duetos e quatro solos para cada um. Só que o resultado é decepcionante. Faixas como o dueto em Não quero dinheiro (Só quero amar) (Tim Maia, 1971) e como Réu confesso (Tim Maia, 1973) - samba-soul cantado por Ivete - se ressentem da ausência de graves mais poderosos. As interpretações também resultam insatisfatórias, no geral. Se Ivete jamais expressa a melancolia que acinzenta Azul da cor do mar (Tim Maia, 1970), diluindo o espírito soul da canção, Criolo jamais expõe a dor (de corno) que pauta Me dê motivo (1983), sofrido baladão da dupla de compositores hitmakers Michael Sullivan & Paulo Massadas, autores da canção solar Um dia de domingo (1985), cantada por Ivete e Criolo sem sequer roçar a beleza do antológico dueto de Tim com Gal Costa que alavancou as vendas de álbum da fase mais pop da cantora baiana, Bem bom (RCA, 1985). Mas cabe ressaltar que Criolo encara Coroné Antonio Bento (João do Valle e Luiz Wanderley, 1970) com valentia, fazendo valer sua ascendência nordestina. Musicalmente, Ganjaman brilha mais quando sua direção musical soa menos reverente aos arranjos das gravações originais das músicas. Objeto da melhor interpretação de Ivete no disco, Telefone (Nelson Kaê e Beto Correia, 1986), por exemplo, toca bonito no toque do neosoul. Já Chocolate (Tim Maia, 1970) - solo de Criolo - ganha o sabor do samba. No todo, contudo, a reverência é excessiva. O arranjo de Primavera (Cassiano e Silvio Roachel, 1970) - balada soul cantada por Criolo - é demasiadamente calcado na gravação original de Tim. Da mesma forma, o arranjo de Você e eu, eu e você (Juntinhos) (Tim Maia, 1980) exemplifica a devoção de Ganjaman ao suingue da Vitória Régia, a banda arregimentada por Tim para seus irresistíveis shows. Entre mais baixos do que altos, merece menção honrosa o dueto de Criolo e Ivete em Lábios de mel (Cleonice e Edson Trindade, 1979), boa surpresa de roteiro centrado nos sucessos radiofônicos de Tim Maia. Enfim, Viva Tim Maia! é disco aquém dos talentos de Criolo e Ivete Sangalo, além de reiterar que, a rigor, ninguém canta o repertório de Tim com a propriedade do saudoso cantor. Chame o Síndico se quiser ouvir Tim Maia!

sábado, 1 de agosto de 2015

Eis capa e músicas de 'Aquilo que a gente diz', CD em que Célia canta Criolo

Com capa criada por Leandro Arraes a partir de foto de Jair de Assis, o 14º álbum da cantora paulistana Célia, Aquilo que a gente diz, está indo para a fábrica. A música-título Aquilo que a gente diz é parceria inédita de Alzira E com Tiago Torres da Silva. Produzido por Thiago Marques Luiz para sua gravadora Nova Estação, o disco tem uma faixa pilotada por Yuri Queiroga. Trata-se de música do compositor Zeca Baleiro, Deus dará. Além do tema inédito de Baleiro, Célia dá voz ao maior sucesso da discografia do rapper paulistano Criolo, Não existe amor em SP (Criolo, 2011), e a uma inédita parceria de Ivan Lins com Fátima Guedes, Tanto nó, entre músicas de Otto (Crua, 2009), Sergio Sampaio (1947 - 1994) (Eu sou aquele que disse, 1973), Joyce Moreno (a inédita Entre amigos) e Lô Borges. O CD Aquilo que a gente diz chega ao mercado fonográfico neste segundo semestre de 2015 com distribuição. Tratore. Eis, na ordem do CD, as 10 músicas do disco:

1. Não existe amor em SP (Criolo, 2011)
2. Deus dará (Zeca Baleiro, 2015) 
3. Se o caso é chorar (Tom Zé, 1972)
4. Dois rios (Samuel Rosa, Lô Borges e Nando Reis, 2003)
5. Crua (Otto, 2009)
6. Eu sou aquele que disse (Sergio Sampaio, 1973)
7. Tanto nó (Ivan Lins e Fatima Guedes, 2015)
8. Opus 2 (Antonio Carlos e Jocafi, 1977)
9. Entre amigos (Joyce Moreno, 2015) 
10. Aquilo que a gente diz (Alzira E e Tiago Torres da Silva, 2015)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Enquanto divulga disco com Criolo, Ivete anuncia gravação ao vivo para 2016

Enquanto divulga o disco gravado com o rapper paulistano Criolo com músicas de Tim Maia (1942 - 1998), Viva Tim Maia, lançado oficialmente hoje via Universal Music, Ivete Sangalo anuncia mais uma gravação ao vivo. Em 2016, a cantora baiana vai fazer o registro de um show a ser realizado em local ainda não  escolhido.  A ideia é juntar no roteiro músicas inéditas com sucessos da artista.

sábado, 11 de julho de 2015

Eis as 13 músicas das 12 faixas do disco em que Ivete e Criolo reavivam Tim

Com capa simplória, feita a partir de foto de Leo Aversa, o CD Viva Tim Maia! - gravado em estúdio com 12 dos 27 números do show em que a cantora baiana Ivete Sangalo e o rapper paulistano Criolo cantam o repertório do cantor compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998) - vai chegar ao mercado fonográfico em agosto de 2015, através da Universal Music, com 13 músicas alocadas em 12 faixas. Ao contrário do show idealizado dentro da plataforma Nivea Viva, dominado por Ivete, o disco equilibra a presença dos dois artistas. Eis, na ordem do CD, as 12 músicas e seus intérpretes no álbum Viva Tim Maia!, projeto gravado sob a direção musical de Daniel Ganjaman:

1. Não quero dinheiro (Só quero amar) (Tim Maia, 1971) – Ivete Sangalo
2. Primavera (Genival Cassiano e Silvio Roachel, 1970) – Criolo
3. Lábios de mel (Cleonice e Edson Trindade, 1979) – Criolo e Ivete Sangalo
4. Telefone (Nelson Kaê e Beto Correia, 1986) – Ivete Sangalo
5. Chocolate (Tim Maia, 1970) – Criolo
6. Você e eu, eu e você (Juntinhos) (Tim Maia, 1980) – Criolo e Ivete Sangalo
7. Réu confesso (Tim Maia, 1973) – Ivete Sangalo
8. Me dê motivo (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1983) 
 Criolo
9. Um dia de domingo (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1985) – Criolo e Ivete Sangalo
10. Azul da cor do mar (Tim Maia, 1970) – Ivete Sangalo
11. Coroné Antonio Bento (João do Valle e Luiz Wanderley, 1970) – Criolo
12. Sossego (Tim Maia, 1978) / Do Leme ao Pontal (Tim Maia, 1981) – Criolo e Ivete Sangalo

terça-feira, 7 de julho de 2015

Disco que junta Ivete com Criolo reúne 13 músicas do show em tributo a Tim

Com lançamento agendado para 7 de agosto de 2015 pela gravadora Universal Music, o disco que une Ivete Sangalo e Criolo - Viva Tim Maia! (capa acima), gravado em estúdio sob produção de Daniel Ganjaman e direção artística de Paul Ralphes - vai rebobinar 13 das 28 músicas do show apresentado em turnê nacional pela cantora baiana com o rapper paulistano em homenagem ao cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998). Entre outras músicas do repertório do Síndico, Ivete e Criolo - vistos na capa do disco em fotos de Leo Aversa - cantam no CD Coroné Antonio Bento (João do Vale e Luiz Wanderley, 1970), Não quero dinheiro (Só quero amar) (Tim Maia, 1971), Sossego (Tim Maia, 1978), Lábios de mel (Cleonice e Edson Trindade, 1979), Você e eu, eu e você (Juntinhos) (Tim Maia, 1980) e Do Leme ao Pontal (Tim Maia, 1981). Idealizado dentro da plataforma Nivea viva, o show em tributo a Tim Maia passou por várias capitais do Brasil entre março e junho deste ano de 2015, em sete apresentações gratuitas realizadas em espaços públicos por Ivete com Criolo, sob a direção de Monique Gardenberg. Não foi gravado DVD.

domingo, 14 de junho de 2015

Disco em que Criolo e Ivete cantam Tim vai ser lançado pela Universal Music

Caberá à gravadora Universal Music pôr nas lojas o álbum de estúdio em que o rapper paulistano Criolo e a cantora baiana Ivete Sangalo - em foto de Leo Aversa - cantam o repertório do cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998) sob a direção musical de Daniel Ganjaman. Gravado em estúdio, com fidelidade ao show que os cantores continuam apresentando em turnê nacional dentro da plataforma Nivea Viva, o disco já está pronto  e vai chegar às lojas de todo o Brasil em agosto.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ivete e Criolo registram, em CD de estúdio, o show em que cantam Tim Maia

Ainda em turnê nacional, o show em que o rapper paulistano Criolo e a cantora baiana Ivete Sangalo celebram a obra e o legado do cantor e compositor carioca Tim Maia (1942 - 1998) - sob a direção musical de Daniel Ganjaman - vai ganhar registro em disco de estúdio previsto para ser lançado neste ano de 2015. Os cantores - em foto de Leonardo Aversa - vão gravar o CD neste mês de maio de 2015. Eis o texto distribuído pela assessoria do projeto após a estreia nacional do projeto, em 30 de março, no Rio de Janeiro, com detalhes do show, que fica em cartaz até junho:

 A festa é muito boa, sendo animada por Ivete Sangalo e Criolo em nome do Síndico, sob a direção musical de Daniel Ganjaman e sob o comando geral da diretora Monique Gardenberg. Como se estivesse dando um daqueles seus lendários bolos, Tim Maia (1942 – 1998) não vai, mas está bem representado por sua obra monumental, sintetizada em roteiro que abarca 28 músicas lançadas originalmente entre 1969 e 1986. São quase todas músicas imortalizadas no imaginário afetivo nacional, mas há também joias raras recolhidas no baú do Síndico. Estreado em apresentação feita para convidados em 31 de março na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), o show NIVEA VIVA TIM MAIA parte em turnê nacional a partir de abril, levando na bagagem muita música e emoção à flor da pele, em sintonia com a ideologia da NIVEA de reavivar ídolos e o glorioso passado da música brasileira. Como sintetiza a diretora de marketing da NIVEA, Tatiana Ponce, o espetáculo é um momento de alegria, de cultura e de diversão com o som do “maior soulman da música brasileira”.

Além da obra de Tim Maia, o grande atrativo do show NIVEA VIVA TIM MAIA é o encontro inédito, inusitado e histórico da cantora baiana Ivete Sangalo com o rapper paulistano Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo, a maior revelação da música brasileira nos anos 2010. Juntos, juntinhos, como cantam na música lançada por Tim em 1980, Ivete e Criolo se juntam em cena para cantar números como o medley que agrega Sossego (Tim Maia, 1978) e Do Leme ao Pontal (Tim Maia, 1981) com arranjo que presta tributo à orquestração antológica da Vitória Régia, a banda que acompanhava Tim nos shows aos quais ele comparecia. O baile é tão da pesada que o medley vai ser servido novamente na sobremesa do bis, fechando apresentação azeitada que contagia a plateia com as vozes e os carismas dos cantores que harmonizam diferentes estilos e universos musicais em favor da música eterna e atemporal do carioca Sebastião Rodrigues Maia (1942 – 1998), o imortal Tim Maia, caracterizado acertadamente por Nelson Motta, autor de sua biografia (Vale tudo – O som e a fúria de Tim Maia, 2007), como “um compositor genial que integrou a música brasileira com a música negra norte-americana da Motown”.

Com toques sutis de modernidade, o som quente orquestrado por Daniel Ganjaman presta tributo ao histórico som da Motown, termo criado para designar as levadas de soul, R&B e funk dos discos lançados pela gravadora de música negra fundada nos Estados Unidos em 1959. Mas, na música de Tim Maia, o chamado som da Motown tinha sotaque brasileiro. “Tim não se intimidou com o poder do soul e o trouxe para si. Ele fez sua própria tradução do soul”, enfatiza a diretora Monique Gardenberg em depoimento ouvido no vídeo exibido pela NIVEA antes do show, com imagens e trechos de shows de Tim Maia.

É essa Motown brasileira de Tim que Criolo e Ivete Sangalo revivem em cena entre solos e duetos, num encontro harmonioso, para alegria das plateias que verão o show NIVEA VIVA TIM MAIA, de forma gratuita, em uma das apresentações do espetáculo que, a partir de abril, vai passar em turnê nacional por Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Fortaleza (CE). Entre os duetos, números como Você eu, eu e você (Juntinhos) (Tim Maia, 1980) transformam palco e plateia no salão de um baile black, à moda dos anos 1970. Bailes evocados diversas vezes nas imagens exibidas no telão a cada música.

Cantora baiana associada à música rotulada como axé music, Ivete abre o show e mostra de cara sua intimidade com o universo do soul e do funk, surpreendendo quem correlaciona seu canto somente a um trio elétrico. Em sintonia com o naipe de metais da banda orquestrada por Daniel Ganjaman, a cantora lança mão de seu fraseado soul no canto e nos improvisos de Não quero dinheiro (Só quero amar) (Tim Maia, 1971), número que repete - desta segunda vez em dueto com Criolo - no fim do show, antes do bis iniciado com Vale tudo (Tim Maia, 1983), número em que a cantora e o rapper paulistano, sensação da música brasileira contemporânea desde 2010, reeditam o dueto feito por Tim com a cantora Sandra de Sá em 1983 na gravação original desse funk festivo.

Com sua alegria habitual, Ivete também cai no samba-soul em Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973), música em que Tim uniu a cadência bonita do ritmo carioca com a levada da música black. À vontade, Ivete brinca com o ritmo, altera a divisão original do tema e recita os versos do samba-soul na segunda parte do número. Mais tarde, volta a cair no samba ao defender Réu confesso (Tim Maia, 1973) em número que reproduz a levada da gravação original de Tim. Ivete e Criolo, aliás, cantam  e celebram Tim Maia sem descaracterizar a obra do Síndico. Embora tenha o toque de modernidade de Ganjaman, todos os arranjos são reverentes em maior ou menor escala às orquestrações das gravações originais de Tim. O público reconhece de imediato os sucessos enfileirados no roteiro de hits, mas que abre eventuais espaços para músicas menos conhecidas como o funk Lábios de mel (Cleonice e Edson Trindade, 1979), ouvido na voz de Ivete. Mas eles, os hits, ganham toques atuais. Na balada Você (Tim Maia, 1971), sucesso do segundo álbum do cantor, música em que Ivete experimenta timbre mais grave, quase gutural, o toque de novidade vem da guitarra de Duani, em relevo nas passagens instrumentais deste número.

 “Estou honrada de participar deste projeto. Fazer show com um repertório inteiro de Tim Maia é um prazer. Eu sempre me identifiquei com ele no groove, no romantismo”, comemora Ivete. Hit do primeiro álbum de Tim, lançado em 1970, a balada Azul do cor do mar (Tim Maia, 1970), une no show romantismo e groove. No caso, o groove do neosoul, termo que designa soul e R&B de levada mais contemporânea, moderna. Telefone (Nelson Kaê e Beto Correia, 1986), balada de fase em que Tim aderiu ao tecnopop romântico radiofônico, chama também a atenção do público – seis números depois - para o requinte da levada de neosoul urdida por Ganjaman. No número, Ivete dialoga em telefone imaginário com o guitarrista Duani.

Criolo entra em cena no quinto número do show. E já entra arrasando, dando voz ao baladão soul Primavera (Genival Cassiano e Silvio Roachel, 1970) – outro hit nacional do histórico primeiro álbum de Tim – e surpreendendo quem o associava somente ao universo do hip hop. Na sequência, Chocolate (Tim Maia) ganha o tempero do samba, insinuado pela percusssão de Guto Bocão, e também a voz de Criolo sem perder o sabor funk-soul desse jingle gravado por Tim no fim de 1970 e elevado à condição de hit ao longo de 1971.

O roteiro abriga todos os grandes sucessos de Tim. A cultuada e mística fase Racional – período que vai de 1974 a 1976, quando Tim aderiu à seita Universo em Desencanto – é representada no show pelas músicas Imunização racional (Que beleza) e Bom senso, ambas cantadas por Ivete e ambas extraídas do primeiro dos três volumes do álbum Tim Maia Racional, projeto lançado em 1975 com letras doutrinárias, cantadas sobre poderosas bases de funk e soul.

Com unidade e coesão, o roteiro do show NIVEA VIVA TIM MAIA mistura as músicas de maior suingue – rotuladas marotamente por Tim como esquenta-sovaco – com os sucessos do estilo mela-cueca, termo que, no dicionário do cantor, designava as baladas de acento mais romântico. Entre as primeiras, Ivete dá voz ao funkaço Não vou ficar (Tim Maia), lançado em 1969 na voz de Roberto Carlos, como a própria cantora ressalta. Entre os segundos, a mesma Ivete canta, em tom mais íntimo e aconchegante, O que me importa, tristonha balada de Cury, lançada por Tim em 1972, mas mais conhecida pelas novas gerações por conta da gravação feita em 2000 pela cantora Marisa Monte.

Do mesmo álbum lançado por Tim em 1972, o roteiro revive nas vozes de Ivete e de Criolo uma música, Lamento (Tim Maia), que se impõe como a música menos conhecida dentre as 28 alinhadas no roteiro. Lamento é uma balada doída que mostra que também havia melancolia atrás da alegria contagiante do Síndico. Destaque entre os números de Criolo, a sentida balada soul Ela partiu – composta por Tim Maia com Beto Cajueiro em 1975, na sua fase Racional, e lançada em compacto raro na sequência – também é outra boa surpresa do roteiro. Detalhe: Ela partiu é em tese um número solo de Criolo, mas o produtor e arranjador Daniel Ganjaman também solta a voz em trechos da canção, fazendo pulsar sua veia soul. Com um canto exteriorizado, intenso, carregado de emoção, Criolo ainda brilha ao solar a balada Eu amo você (Genival Cassiano e Silvio Roachel, 1970) e faz valer sua ascendência nordestina ao dar voz ao arretado forró-soul Coroné Antonio Bento (João do Vale e Luiz Wanderley, 1970). São mais dois sucessos do antológico primeiro álbum de Tim Maia, artista de “talento cósmico”, como caracteriza Criolo no palco da casa Vivo Rio.

Em seguida, o medley com Canário do reino (Carvalho e Zapatta, 1972) e A festa de Santo Reis (Márcio Leonardo, 1971) junta novamente Ivete e Criolo. Ela, com um segundo figurino, anima A festa de Santo Reis. Criolo enfatiza em Canário do reino a ideologia de seu canto livre. Na sequência, entram em cenas as canções radiofônicas de Michael Sullivan & Paulo Massadas, compositores lançados no mercado fonográfico por Tim em 1983, ano em que a gravação de Me dê motivo – balada cantada por Criolo no show - trouxe o Síndico de volta às paradas e alavancou a carreira da dupla de hitmakers. Sullivan & Massadas são os autores de Leva, canção gravada por Tim em 1984 como tema de fim de ano de emissora de rádio. Só que Leva ganhou vida própria e tocou em todas as rádios. No show NIVEA VIVA TIM MAIA, a canção é jogada na praia do reggae por Ganjaman em interpretação de Ivete.

Também de Sullivan & Massadas, a balada Um dia de domingo (1985) é revivida com ternura no show em suave dueto de Ivete com Criolo que evoca a antológica gravação feita por Tim há 30 anos com a cantora Gal Costa. No fim, O descobridor dos sete mares (Michel e Gilson Mendonça, 1983) restaura o clima de baile pop black um número antes de Ivete e Criolo se jogarem na pista de Tim Maia Disco Club com a lembrança de Sossego (Tim Maia, 1978). A festa é (muito) boa, com muita música, balanço e emoção à flor da pele.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

No Rio, Criolo e Ivete revivem 'Lamento' de Tim em show cheio de sucessos

Separados, mas também juntos, Ivete Sangalo e Criolo deram vozes a todos os grandes sucessos de Tim Maia (1942 - 1998) entre solos e duetos do roteiro do show Nivea Viva Tim Maia, idealizado para celebrar a obra e o legado do cantor e compositor carioca Sebastião Rodrigues Maia (1942 - 1998). Nenhum grande hit foi esquecido no show orquestrado por Monique Gardenberg sob a direção musical de Daniel Ganjaman. Mas a cantora baiana e o rapper paulistano também tiraram algumas joias raras do baú black do Síndico para apresentar ao público de convidados que viu o show na noite de ontem, 31 de março de 2015, na casa Vivo Rio. Balada melancólica gravada pelo cantor em seu segundo álbum, Tim Maia (Polydor, 1972), Lamento foi uma dessas pérolas mais raras. Cantada por Ivete, o funk Lábios de mel (Cleonice e Edson Trindade, 1979) - lançado por Tim no álbum Reencontro (EMI-Odeon, 1979) - foi outra música menos conhecida do repertório de hits. Eis o roteiro de 28 músicas seguido em 31 de março de 2015 por Ivete e Criolo - em foto de Rodrigo Goffredo - na casa Vivo Rio, no Rio de Janeiro (RJ), na estreia nacional do show que, a partir deste mês de abril, vai seguir até junho em turnê cuja rota passa por Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) com apresentações gratuitas, realizadas ao ar livre:

1. Não quero dinheiro (Só quero amar) (Tim Maia, 1971) – Ivete Sangalo
2. Gostava tanto de você (Edson Trindade, 1973) – Ivete Sangalo
3. Você (Tim Maia, 1971) – Ivete Sangalo
4. Azul da cor do mar (Tim Maia, 1970) – Ivete Sangalo
5. Primavera (Genival Cassiano e Silvio Roachel, 1970) – Criolo
6. Chocolate (Tim Maia, 1970) – Criolo
7. Imunização racional (Que beleza) (Tim Maia, 1975) – Ivete Sangalo
8. Bom senso (Tim Maia, 1975) – Ivete Sangalo
9. Réu confesso (Tim Maia, 1973) – Ivete Sangalo
10. Telefone (Nelson Kaê e Beto Correia, 1986) – Ivete Sangalo
11. Não vou ficar (Tim Maia, 1969) – Ivete Sangalo
12. O que me importa (Cury, 1972) – Ivete Sangalo
13. Lamento (Tim Maia, 1972) – Criolo e Ivete Sangalo
14. Sossego (Tim Maia, 1978) / Do Leme ao Pontal (Tim Maia, 1981) – Criolo e Ivete Sangalo
15. Você e eu, eu e você (Juntinhos) (Tim Maia, 1980) – Criolo e Ivete Sangalo
16. Ela partiu (Tim Maia e Beto Cajueiro, 1975) – Criolo
17. Eu amo você (Genival Cassiano e Silvio Roachel) – Criolo
18. Coroné Antonio Bento (João do Valle e Luiz Wanderley, 1970) – Criolo
19. Canário do reino (Carvalho e Zapatta, 1972) – Criolo /
      A festa de Santo Reis (Márcio Leonardo, 1971) – Ivete Sangalo
20. Leva (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1984) – Ivete Sangalo
21. Me dê motivo (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1983) - Criolo
22. Um dia de domingo (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1985) – Criolo e Ivete Sangalo
23. Lábios de mel (Cleonice e Edson Trindade, 1979) – Ivete Sangalo
24. O descobridor dos sete mares (Michel e Gilson Mendonça, 1983) – Ivete Sangalo
25. Acende o farol (Tim Maia, 1978) – Criolo e Ivete Sangalo
26. Não quero dinheiro (Só quero amar) (Tim Maia, 1971) – Criolo e Ivete Sangalo
Bis:
27. Vale tudo (Tim Maia, 1983) – Criolo e Ivete Sangalo
28. Sossego (Tim Maia, 1978) / Do Leme ao Pontal (Tim Maia, 1981) – Criolo e Ivete Sangalo

domingo, 23 de novembro de 2014

Criolo comanda a massa ao pregar seu rap em cena com fervor de pastor

Resenha de show
Título: Convoque seu Buda
Artista: Criolo (em foto de Ramon Moreira)
Local: Fundição Progresso (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 22 de outubro de 2014
Cotação: * * * * 1/2

 No show Convoque seu Buda, baseado em seu homônimo terceiro álbum, Criolo usa o discurso de seu rap para fazer pregação contra injustiças sociais. Mas o rapper paulistano prega sua ideologia distante da serenidade de um Buda. Em cena, Criolo comanda a massa com o fervor de um pastor, como um messias que apresenta suas boas novas diante de uma plateia de convertidos. Na estreia carioca do show, iniciado no palco da Fundição Progresso já nas primeiras horas do sábado 22 de outubro de 2014, tal fervor foi o fermento que fez crescer o entusiasmo da massa ao longo dos 19 números da apresentação - já contabilizadas nesses 19 números as quatro músicas do primeiro e do segundo bis. O clima no Brasil tem estado tenso e raps como Convoque seu Buda (Criolo e Daniel Ganjaman, 2014) e Esquiva da esgrima (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, 2014) - alocados na abertura do show, tal como no início do recém-lançado álbum Convoque seu Buda (Oloko Records, 2014) - captam a fervura da chapa. Elétrico, Criolo pula no palco da Fundição Progresso, saúda seu público (é saudado o tempo todo por esse público) e interage com a big-band que toca afrobeats, cai na cadência bonita do samba - de forma até tradicional em Fermento pra massa (Criolo, 2014) - e se banha na praia do reggae, injetando pressão no rap miscigenado de Criolo. Os arranjos do show seguem a trilha exuberante das orquestrações do disco, roçando o requinte dos arranjos do álbum com sutis diferenças. De tom mais  nordestino no registro de estúdio, Pegue pra ela (Criolo, 2014) ganha pegada roqueira no show. Em Cartão de visita (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, 2014), Tulipa Ruiz entra em cena, ao vivo e em cores, cheia de charme e voz para cantar e coreografar com Criolo e com Cassiano Sena - o caloroso DJ DanDan, partner de Criolo no show - tons e movimentos que remetem ao universo dos bailes de black music. A ordem parece ser dançar para não dançar no sistema opressor de um país que divide seu povo em classes e cotas. No meio da pregação, Criolo abre espaço para o discurso igualmente politizado de Neto, rapper do duo Síntese, convidado de Plano de voo (Criolo, Síntese, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral, 2014) e solista de Não mais problemas (Síntese, 2013), rap que Síntese já vem cantando com Criolo em seus shows. Sem perder o pique, Criolo entrelaça nove das dez músicas do álbum Convoque seu Buda - quase todas cantadas em coro pela plateia, o que comprova a eficácia do oferecimento do álbum para download gratuito - com sete composições do consagrador álbum anterior, Nó na orelha (Independente, 2014). No primeiro bis, o roteiro ainda abarcou um rap, Tô pra vê (Criolo, 2006), do primeiro álbum do artista, Ainda há tempo (Independente, 2006). No todo, o show Convoque seu Buda reitera o carisma e o poder agregador do pastor Kleber Cavalcante Gomes, o popular Criolo, um novo messias do hip hop brasileiro, cheio de boas novas para cantar.

sábado, 22 de novembro de 2014

Criolo recebe Tulipa e Síntese na estreia carioca de 'Convoque seu Buda'

Convidada da estreia carioca do show Convoque seu Buda, de Criolo, a cantora paulistana Tulipa Ruiz abrilhantou a apresentação iniciada na Fundição Progresso, no Centro do Rio de Janeiro (RJ), aos 45 minutos deste sábado, 22 de novembro de 2014. Com direito a coreografias feitas à moda dos bailes da pesada com o rapper paulistano e com Cassiano Sena, o DJ DanDan, Tulipa entrou em cena no último número antes do bis, Cartão de visita (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral), rap que flerta com a black music norte-americana. Cartão de visita se destacou no roteiro inteiramente autoral no qual Criolo - em foto de Ramon Moreira - mistura músicas de seus dois ótimos últimos álbuns, o consagrador Nó na orelha (Independente, 2011) e o recém-lançado Convoque seu Buda (Oloko Records, 2014) sem esquecer do primeiro, Ainda há tempo (Independente, 2006), lembrado no bis com o rap Tô pra vê (Criolo, 2006). Outro convidado da apresentação foi Neto, rapper do duo paulista Síntese, que entrou no palco em Plano de voo (Criolo, Síntese, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral) e, na sequência, cantou Não mais problemas, rap do repertório da dupla. Eis o roteiro seguido pelo rapper com sua big-band na estreia do quente show Convoque seu Buda no Rio de Janeiro (RJ) em 22 de novembro de 2014:

1. Convoque seu Buda (Criolo e Daniel Ganjaman, 2014)
2. Esquiva da esgrima (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, 2014)
3. Mariô (Criolo e Kiko Dinucci, 2011)
4. Subirudoistiozin (Criolo, 2011)
5. Casa de papelão (Criolo, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral, 2014)
6. Duas de cinco (Criolo, Daniel Ganjaman, Marcelo Cabral e Rodrigo Campos, 2013)
7. Plano de voo (Criolo, Síntese, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral, 2014)

     - com Síntese
8. Não mais problemas (Síntese) - Síntese
9. Pé de breque (Criolo, 2014)
10. Grajauex (Criolo, 2011)
11. Lion man (Criolo, 2011)
12. Não existe amor em SP (Criolo, 2011)
13. Pegue pra ela (Criolo, 2014)
14. Fermento pra massa (Criolo, 2014)
15. Cartão de visita (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, 2014) - com Tulipa Ruiz
Bis:
16. Sucrilhos (Criolo, 2011)
17. Tô pra vê (Criolo, 2006)

Bis 2:
18. Linha de frente (Criolo, 2011)
19. Vasilhame (Criolo, 2013)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Criolo fermenta em 'Convoque seu Buda' a massa que modelou seu som

Resenha de CD
Título: Convoque seu Buda
Artista: Criolo
Gravadora: Oloko Records
Cotação: * * * * *

A chapa está quente, existe em SP ódio fomentado por injustiças socais e Criolo se joga de cabeça no caldeirão fervente que agita as periferias da cidade de São Paulo (SP). Em seu terceiro álbum, Convoque seu Buda, o rapper paulistano põe na panela, na pressão, todos os ricos ingredientes que moldaram seu som multifacetado, que parte do universo do hip hop, mas não se limita ao rap, abrangendo ritmos como samba e reggae. Convoque seu Buda fermenta a massa modelada no antecessor Nó na orelha (Independente, 2011), álbum que projetou e consagrou Kleber Cavalcante Gomes, cantor e compositor das quebradas que, comendo pelas beiradas, vem flertando com ícones da linha de frente da MPB, tendo versos cantados em show por Chico Buarque, fazendo turnê com Milton Nascimento e sendo gravado por Gal Costa em disco previsto para 2015. Convoque seu Buda jamais ultrapassa a fronteira delimitada por Nó na orelha, mas aprimora a receita sonora do álbum anterior. O som ganha pressão. Tudo está no seu lugar. Efeito da mixagem pilotada por Mario Caldato no MCJ Studio de Los Angeles (EUA) e da masterização comandada por Robert Carranza, também em Los Angeles. Mas a massa sonora foi preparada no Brasil pelos produtores Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral sob a direção artística de Ganjaman - o que garante a conexão imediata com Nó na orelha. Com scratches do DJ DanDan, o rap que dá nome ao disco, Convoque seu Buda (Criolo e Daniel Ganjaman), capta a fervura da chapa na periferia de São Paulo (SP), "cidade podre" na visão exposta nos versos tensos que rogam aos deuses equilíbrio ao trabalhador que corre atrás do pão. "É humilhação demais que não cabe nesse refrão", resume Criolo. Rap ouvido na sequência do disco, Esquiva da esgrima (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral) não foge à luta, caindo em certo suingue sem deixar de exprimir a ideologia social de quem vê o mundo pela ótica da periferia oprimida. "É o céu da boca do inferno esperando você", avisa o refrão. Embalado dentro do universo do hip hop, Cartão de visita (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral) sintoniza os luxos e os lixos de gente indigesta entre ruídos, interferências e ecos da black music norte-americana no rap aditivado com a voz da cantora paulista Tulipa Ruiz. Com arranjo majestoso que remete eventualmente às orquestrações do genial maestro pernambucano Moacir Santos (1926 - 2006), Casa de papelão (Criolo, Daniel Ganjaman, Marcelo Cabral e Guilherme Held) edifica letra de contrastes habitacionais, contrapondo prédios que vão se erguer às malocas da cidade de céu poluído e torneiras sem água. "A cidade tá toda travada", reitera Criolo em verso de Fermento pra massa (Criolo), samba de cadência tão bonita quanto tradicional, em que as percussões se harmonizam com o cavaco de Rodrigo Campos, a guitarra de Kiko Dinucci e os vocais de Juçara Marçal e Verônica Ferriani. Em outra praia, a do reggae, Pé de breque (Criolo) é a versão fermentada do tema instrumental Não bolou por que? (Criolo, 2011). É o dub do Criolo Doido que respeita a filosofia Rastáfari e a ascendência nordestina, evocada na música Pegue pra ela (Criolo) pelos pífanos de Thiago França que conectam Caruaru (PE) ao bairro paulistano do Grajaú, terra de Criolo. Com a adesão do Síntese, duo paulista de hip hop, Plano de voo (Criolo, Síntese, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral) alça alta altitude no passo do rap, cuspindo fogo pela consciência de que o povo oprimido nas filas, vilas e favelas fermenta sonho com pranto. "Desigualdade faz tristeza", resume Criolo em verso de Duas de cinco (Criolo, Rodrigo Campos, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral). No fim, Fio de prumo (Padê onã) (Criolo e Douglas Germano) abre caminho no toque afro-brasileiro do Candomblé, no som do clavinete de Money Mark (colaborador habitual do grupo norte-americano The Beastie Boys) e na voz de Juçara Marçal. Tire seu sorriso do caminho e convoque seu Buda que Criolo está passando com a dor e o resto de esperança que move o povo desse Brasil insano.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Criolo libera álbum que gravou com Juçara, Tulipa, Dinucci e Money Mark

Terceiro álbum de Criolo, Convoque seu Buda (capa acima) foi liberado para download gratuito e streaming pelo rapper paulistano na noite desta segunda-feira, 3 de novembro de 2014. O disco já pode ser baixado e ouvido no site oficial do artista desde as 22h. Com dez músicas, Convoque seu Buda alinha na ficha técnica participações de Kiko Dinucci, Juçara Marçal, Money Mark (produtor e músico norte-americano ligado ao grupo Beastie Boys), Rodrigo Campos e Tulipa Ruiz. Eis - na ordem do CD - as dez músicas do disco produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral:

1. Convoque seu Buda (Criolo e Daniel Ganjaman)
2. Esquiva da esgrima (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral)
3. Cartão de visita (Criolo, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral)
4. Casa de papelão (Criolo, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral)
5. Fermento pra massa (Criolo)
6. Pé de breque (Criolo)
7. Pegue pra ela (Criolo)
8. Plano de voo (Criolo, Síntese, Daniel Ganjaman, Guilherme Held e Marcelo Cabral)
9. Duas de cinco (Criolo, Daniel Ganjaman, Marcelo Cabral e Rodrigo Campos)
10. Fio de prumo (Padê onã) (Criolo e Douglas Germano)

Eis as dez músicas de 'Convoque seu Buda', o terceiro álbum de Criolo

♪ O rapper paulistano Criolo apresenta às 22h de hoje, 3 de novembro de 2014, seu terceiro álbum, Convoque seu Buda, editado via Oloko Records. O repertório autoral é formado por dez músicas. A faixa-título Convoque seu Buda (Criolo e Daniel Ganjaman) e a música Duas de cinco - lançada como single antes da gravação do álbum - já são conhecidas. As outras oito músicas do álbum que sucede o festejado Nó na orelha (Independente, 2011) na discografia solo do artista - em foto de Caroline Bittencourt - são Esquiva da esgrima, Cartão de visita, Casa de papelão, Fermento pra massa, Pé de breque, Pegue pra ela, Plano de voo e Fio de prumo (Padê onã). Que saia o CD!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Rap que dá título ao álbum 'Convoque seu Buda' devolve Criolo ao gueto

Resenha de single
Título: Convoque seu Buda
Artista: Criolo
Gravadora: Oloko Records
Cotação: * * * *

 Sim, existe ódio em SP. "Convoque seu Buda / O clima tá tenso / Mandaram avisar / Que vão torrar o Centro", alerta Criolo nos versos nervosos da música-título de seu terceiro álbum, Convoque seu Buda, programado para ser lançado em novembro de 2014. Convoque seu Buda, a música, é rap incisivo que devolve Criolo aos guetos do hip hop paulistano após consagrador álbum, Nó na orelha (Independente, 2011), pautado pela diversidade rítmica. O rap Convoque seu Buda é assinado por Criolo em parceria com Daniel Ganjaman, que pilota as programações da gravação disponibilizada hoje, 29 de outubro de 2014, para download no site oficial do artista. Ganjaman assina também a produção da música, cujo lyric video, feito sob direção de arte de Ricardo Fernandes com animação de Mauricio Fahd, já pode ser visto também no YouTube. A música capta a fervura da chapa na periferia de São Paulo (SP), "cidade podre" na visão exposta nos versos que rogam aos deuses equilíbrio ao trabalhador que corre atrás do pão. "É humilhação demais que não cabe nesse refrão", resume Criolo. Gravada sob a direção artística de Daniel Ganjaman, a música ostenta scratches de DJ DanDan - colaborador fiel de Criolo - e percussão de Maurício Badé, tendo sido mixada por Mario Caldato Jr. em Los Angeles (EUA). Convoque o seu Buda, pois parece que vem por aí um álbum chapa quente, na pressão. 

sábado, 11 de outubro de 2014

Criolo revela título do álbum de estúdio que 'rapper' lança em novembro

Convoque seu Buda. Este é o título do aguardado terceiro álbum do cantor e compositor paulistano Kleber Cavalcante Gomes, o rapper conhecido como Criolo. O nome foi revelado pelo artista em sua página no Facebook, na qual postou a inédita foto acima, clicada por Caroline Bittencourt. Sucessor de Ainda há tempo (2006) e do aclamado Nó na orelha (2011), Convoque seu Buda vai ser lançado em novembro de 2014. Produzido por Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral, Convoque seu Buda foi gravado no estúdio El Rocha, em São Paulo (SP), entre julho e setembro de 2014. O disco tem participação de Cassiano Sena, o DJ Dandan, amigo e principal incentivador de Criolo. O repertório gravado no CD é essencialmente inédito e autoral.

domingo, 14 de setembro de 2014

Afetuoso, show 'Linha de frente' mostra a distância entre Milton e Criolo

Resenha de show
Título: Linha de frente
Artista: Milton Nascimento e Criolo (em foto de Rodrigo Goffredo)
Local: Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ)
Data: 12 de setembro de 2014
Cotação: * * * 

Quando Criolo sola Morro velho (1967), uma das seminais obras-primas do cancioneiro inovador de Milton Nascimento, o show Linha de frente expõe a imensa distância que existe entre o rapper paulistano Kléber Cavalcante Gomes e o mais mineiro dos cantores e compositores cariocas, ícone da MPB surgida e cristalizada na era dos festivais dos anos 1960. Aos recém-completados 39 anos, Criolo vive ainda das glórias ocasionais conquistadas com um grande segundo álbum, Nó na orelha (Independente, 2011), que tirou o artista dos guetos do hip hop de São Paulo (SP) com azeitada mistura de rap, samba, bolero e soul. A caminho dos 72 anos, a serem completados em 26 de outubro de 2014, Milton vive das glórias eternas de obra já consolidada que abriu escaninhos na música brasileira e lhe deu projeção mundial com seu mix de sons das Geraes, Beatles, jazz e signos latino-americanos. Essa distância entre um e outro se amplia em cena quando Criolo - sem tarimba vocal para evidenciar no canto toda a beleza de uma música de forte significado social como Morro velho - exprime em Linha de frente toda sua gratidão por estar dividindo o palco, de igual para igual, com um gênio da MPB. O choro de Criolo no palco da casa Vivo Rio quando ouve Milton cantar parte de seu clássico Não existe amor em SP (Criolo, 2011) - em dueto que também jamais expõe toda a beleza do registro original da canção no álbum Nó na orelha -  é indício de que o próprio rapper tem consciência de que ainda precisa caminhar léguas tiranas para chegar na linha de frente ocupada por seu parceiro de cena. E tome afagos e beijos em Milton para expressar a gratidão por estar ali, dividindo o palco com seu ídolo diante de um público que se contenta com a real - mas pequena - interação entre os artistas. Milton e Criolo ficam juntos quase todo o tempo do show, eventualmente dividindo o palco com a (boa) cantora fluminense Júlia Vargas, convidada habitual da turnê nacional que estreou em Belo Horizonte (MG) em 15 de junho de 2014 e chegou ao Rio de Janeiro (RJ) em 12 de setembro após ter tido apresentações em São Paulo (SP) interrompidas e canceladas por problemas de saúde de Milton. Só que o mergulho de Milton no cancioneiro de Criolo é raso. Sempre na superfície, Milton canta o refrão de Mariô (Criolo e Kiko Dinucci, 2011), dá voz a alguns versos do bolero kitsch Freguês da meia-noite - já abordado sem pudor por Ney Matogrosso no show Atento aos sinais (2013) - e, com Júlia Vargas, engrossa o coro do refrão de Bogotá (Criolo), solo do rapper. Já Criolo arrisca mais a imersão no universo da MPB de Milton, embora sua atuação vocal em músicas como O cio da terra (Milton Nascimento e Chico Buarque, 1976) seja bem discreta. A entrada em cena de Júlia Vargas, a partir de Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971), ressalta a existência de vozes mais talhadas para encarar a interpretação de clássicos da MPB. Com sua voz grave, quente, a cantora fluminense deixa boa impressão em números como Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952), a ponto de ser o maior destaque do último número do bis, Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977). Bem mais à vontade na abordagem de sua obra autoral, Criolo cai sozinho no samba Casa de mãe (Criolo, 2012) e tem seu melhor momento quando dá voz à letra que construiu sobre a melodia de Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973), música cantada na sequência por Milton com os versos originais que a censura tentou calar. Já Milton se basta quando, munido da sanfoninha que ganhou da mãe aos seis anos de idade, toca e canta Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974). Mesmo sem a potência dos áureos tempos vocais, Milton Nascimento continua - e lá vai permanecer sempre - na linha de frente da música brasileira, inclusive pela generosidade de dividir a cena em show afetuoso com um colega talentoso que ainda pavimenta a própria trilha.

sábado, 13 de setembro de 2014

Brasa das palavras de Criolo e Milton aquece o roteiro de 'Linha de frente'

É sintomático que a primeira música cantada no roteiro de Linha de frente - show que junta em cena o cantor e compositor carioca Milton Nascimento com o rapper paulistano Kléber Cavalcante Gomes, o Criolo - seja A terceira margem do rio, bissexta parceria de Caetano Veloso com Milton composta com inspiração na prosa do escritor mineira João Guimarães Rosa (1908 - 1967). É a brasa das palavras dos cancioneiros autorais de Milton e de Criolo que aquece e conduz o roteiro do show Linha de frente, cuja turnê nacional estreou em Belo Horizonte (MG) em 15 de junho de 2014 e chegou ao Rio de Janeiro (RJ) na noite de ontem, 12 de setembro, em apresentação que levou fãs de Milton e de Criolo à casa Vivo Rio. Em cena, o cantor e o rapper entrelaçam seus respectivos cancioneiros em roteiro que abre espaço para a participação da cantora fluminense Júlia Vargas, convidada da turnê desde a estreia nacional em Minas Gerais.  Eis o roteiro seguido por Milton Nascimento e Criolo - em foto de Rodrigo Goffredo - na estreia carioca do show Linha de frente, em 12 de setembro de 2014:

*   Abertura instrumental
1. A terceira margem do rio (Milton Nascimento e Caetano Veloso, 1990)
2. O vento (Dorival Caymmi, 1949)
3. Mariô (Criolo e Kiko Dinucci, 2011)
4. O que será? (À flor da pele) (Chico Buarque, 1976)
5. O cio da terra (Chico Buarque e Milton Nascimento, 1976)
6. Ponta de areia (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1974)
7. Cravo e canela (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1971) - com Júlia Vargas
8. Me deixa em paz (Monsueto Menezes e Aírton Amorim, 1952) - com Júlia Vargas
9. Linha de frente (Criolo, 2011)
10. Freguês da meia-noite (Criolo, 2011)
11. Morro velho (Milton Nascimento, 1967)
12. Não existe amor em SP (Criolo, 2011)
13. Fé cega, faca amolada (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1974) - com Júlia Vargas
14. Bogotá (Criolo, 2011)
Bis:
15. Casa de mãe (Criolo, 2012)
16. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973) - com a letra de Criolo
17. Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973) - com a letra original
18. Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1977) - com Júlia Vargas